Segue a vontade de ver
composição,
não a decomposição;
vastidão,
não a devassidão;
deliberação
e liberação;
verso
e reverso;
segurança,
não insegurança;
providência,
não só a previdência;
sem explosão
nem implosão;
progresso ,
não regresso ;
trabalhar,
não enganar;
desenvolver,
não corromper;
andar ,
não desandar;
construção ,
não destruição;
o normal ,
não novo normal;
estrutura ,
não a desventura;
nada do mentir
nem do desmentir;
nada do enganar
nem do desenganar.
Cada vez mais, fica necessário voar,
imaginar, viajar para não aceitar.
Crise de liderança.
A resiliente capacidade de manter posições
mentirosas, tendenciosas nos negócios e na política, é que traz medo. Pior,
quando se usa o aparato de que dispõem para manter a posição em nome do
interesse particular oficializado.
Tal qual o pó mais refinado, sempre vai
havendo acúmulo na percepção de qualquer um, de que a boa ideia de vida na
pátria, com os apregoados ordem e progresso está sendo protelada e virando uma
decepção. E na ação e reação, sempre no fundo uma individual revolta quanto à
procrastinação, a perda de energia.
Uma revolta engolida, que aparece talvez na
prestação de serviço, no trânsito, na elaboração de projetos, nas tatuagens
malignas, no negativismo pátrio, na violência familiar, na votação, no
esmorecimento coletivo, na noite mal dormida,
no abandono pessoal e... Uma perturbação que quase sempre classificada
como problema pessoal, nunca como tendo origem em algo coletivo.
A realidade é de falta de credibilidade em
tudo. Viramos o país dos desconfiados. Onde estão as lições de Confúcio que
ensinavam ética, moral e virtude através e educação correta para o indivíduo
antes de assumir algum cargo gerencial público ou privado? Algumas lições
ficaram incorporadas em leis, mas somos também o país onde “há lei que não
pega”. Há regimentos, regulamentos, posturas, leis para serem usados pelos
sistemas de controle, mas a conveniência e oportunidade política abafam tudo e
o corporativismo impera.
Megalomania, ganância, egoísmo, ser um
poderoso-spray, aparecer e sumir logo não deixando rastros é o objetivo de vida
de muitos, pois o golpe quando descoberto já rendeu, o dinheiro já sumiu nas
lavanderias e só fica um restolho bem como os bagrinhos para fazer a diversão
da TV, na infindável sucessão de golpes gigantescos. Se um golpe envolve muitos
figurões e ameaça a teia da vida política, joga-se qualquer outro na TV para
abafar o primeiro (e assim está garantida a impunidade, que depois é apoiada por
erros processuais estratégicos, que vão levar à pizza de ouro) ou usa-se algum
caso corriqueiro ligado a influenciadores ou violência contra animais para
comover e distrair o povo. O importante é saber desviar a atenção. Nunca mais se saberá o que aconteceu, se o
dinheiro foi recuperado, quem se beneficiou e quem foi que saiu da cadeia, quem
ajudou, quem montou todo o esquema. Economistas, advogados, contadores,
financistas de apoio desaparecem. Há um vento apagador que nem o tempo consegue
dominar. Pensa-se em um sistema mundial maior que todos os esquemas menores,
como uma nave-mãe.
Antigas justificativas de exigências de caixa
dois para fins de eleição, parecem estar defasadas. Se os modernos esquemas são
justificados pela falsa regra de “os fins justificam os meios” então, cabe
deduzir que se os meios são sórdidos, os fins devem ser da mesma ou até pior
natureza.
Tampouco os golpes, hoje, estão só no setor
financeiro e público, pois pessoas com intenções sinistras fazem seu balcão de
negócios no setor privado e o objetivo é enriquecimento pessoal da gangue toda.
Brincam com bilhões como se fossa pipoca. Afetam milhões de vítimas e
escondem-se nas muralhas de seu egoísmo. Verdadeiros terroristas impunes.
Assim, agem os falastrões, arrogantes,
orgulhosos, hedonistas, vaidosos, cheios de si, cheios de ego, mas no fundo,
fracos de espírito; pessoas entregues à Terra que no íntimo carregam a
ansiedade dos tempos, a insegurança dos vazios das almas miseráveis. No fundo,
alguma carência de infância. Eis alguns dos novos líderes, novos capitães de
grandes negócios. A quem servem?
Mas os erros desses tantos fracos, ajudam a
aperfeiçoar o sistema produtivo, a melhor obra conjunta da Humanidade, que se
refina a cada ataque.
A cada época, as milhares de vítimas desses
coitados, ditos espertalhões, que depois de festejados, celebrados,
homenageados e fotografados tem o mesmo lugar na pobreza espiritual.
Longo processo de refinamento. Para os
honestos, o duro é aguentar o durante,
vendo a energia coletiva sendo desperdiçada, o país retardando seu
futuro, gerações virando as costas para a vida pública e para as empresas
privadas.
A crise de liderança é feita de descrédito,
demérito, ilegitimidade e falta de oportunidades de escolha. Mas ainda somos o
melhor e mais livre país do mundo, o local perfeito para a civilização
adiantada. Aos que nos atrasam, resta a
solidão de suas desventuras passageiras e egoístas.
Odilon Reinhardt. 3.3.2026
