sexta-feira, 3 de abril de 2026

Enganação, manipulação, ilusão.

 







Enganação, manipulação, ilusão.

 

Muito plástico,

brilho,

luz de Ilusão.

 

Plástica,

brilhante,

galanteios e sedução.

 

TV,

redes sociais,

influência,

o mundo em mutação.

 

Falseados sentimentos,

olhares viajantes,

maldade e ansiedade,

depressão.

 

Verdades 

Montadas,

sinopses manipuladas,

o teatro de dissimulação?

 

Bois de piranha,

pirotécnica,

jogo de ganha-ganha.  

 

 

E o cidadão segue

fazendo sua história privada,

na TV e redes, o grande circo,

na mesa, o pão.

 

Nexos desconexos,

alienação concertada,

senso coletivo escamoteado,

o mundo em falsa visão?

 

Golpe sucedendo golpe,

fraude,

corporativismo,

enganação.

 

Assaltos diretos

cofres arrombados,

fins sempre indiretos,

gavetas vazias e débitos concretos.

 

Tudo tem tido

começo, meio e fim,

mas aqui

o fim é que leva ao começo.

 

Tudo fica m no meio,

misturam-se começo e fim,

não interessa mudar enfim.

 

 

Fala-se em farinha do mesmo saco, tal a origem e objetivos dos políticos e  empresários, já que estes dominam aqueles e seus interesses econômicos estão diariamente ligados ao mútuo financiamento. É o sistema mundial do Ocidente. Um carro que deverá ser consertado andando. 

Nada de mais, se não estivesse envolvida a corrupção, o egoísmo e muitos objetivos meramente pessoais à revelia do interesse público, seja lá o que for isso depois de tanta deturpação.

A ascensão e queda de cada hedonista e egocêntrico trazem lições para os aparatos de repressão, mas sempre a indignação do cidadão que vê com mente assustada a criatividade e evolução das ideias criminosas.  Mas tudo visando o mesmo fim, já que o limite do que se pode auferir com os crimes é limitado pela existência de bens atuais: casas, carros, vestuário, bebidas viagens e vida de luxo geralmente cercada de capangas, amigos interesseiros e mulheres remuneradas. Objetivos hedonistas e simplórios. Muito pouco para vender a liberdade e pagar em anos de cadeia e desonra pública. Ou isso nem conta mais? O ego sempre sai rindo após vencer mentes assim montadas.

Einstein dizia que “a vida é como andar de bicicleta, para manter o equilíbrio é necessário ir para a frente”, mas aqui onde tudo é adaptado ao jeitinho corrupto, o equilíbrio é de difícil garantia, pois entre rotas de direita e esquerda, demora-se muito para ir para a frente. Ficamos quase sempre na perda de energia e desgaste, consertando a bicicleta que a cada ano fica mais gasta e atrasada em tudo.  

Sempre a mesma patética samsara. Das altas rodas, onde se fazia influente e importante, a palhaço de jornais, redes e TV. Mais um refém do ego, que só gera cego. Outro e outros virão para fazer o mesmo ciclo venenoso, pois nesse não há lição, só a burra e imbecil repetição.

Uma vida como de muitos mais, onde impera o dito “por fora bela viola, por dentro bolo bolorento”. E onde ficam os apoiadores, os que ajudaram a construir o esquema? E as vítimas, como sofrem, com o que ficam? Não é terrorismo, mesmo que afete a imagem de vários órgãos, instituições e o país inteiro?

Impressiona mesmo o corporativismo para proteger membros envolvidos e que  possam afetar a imagem do todo. Escolhe-se bem as bordas, os bagrinhos, as contas menores.  A imprensa é informada dos pormenores bem menores que possam distrair a boiada, enquanto o mar continua aberto e a pescaria continua livre. O povo fica indignado e irritado com a fumaça, pois o fogo mesmo nunca é visto.

Eficaz rede de proteção é o que faz a sucessão de casos que ajudam muito para tirar de cena os grandes eventos da malandragem. Mas nosso tradicional jeitinho  parece estar sendo observado por pessoas poderosas no mundo que estão discordando das tendências e realidades já instaladas, possivelmente porque a sociedade do crime tem conexões com a internacional.

Com tantos golpes e sistemas criminosos já instalados, até quando o país vai aguentar o convício com essa realidade que nos enfraquece? Nesse macro contexto, como fica a raia miúda quanto às contratações de serviços e obras  em órgãos desde os municípios até as empresas de economia mista país a fora? Está tudo ileso, paraíso de anjos, leite e mel?

Quem ainda não perdeu o discernimento que veja se o país não continua sendo o país do tirar vantagem de tudo, mesmo já tendo tudo; a terra do trabalhar pouco e ganhar muito; o país das vantagens e dos privilégios. A terra das castas, todavia sem brâmanes, mas muitos dalits e parias, onde nada muda para a grande maioria.

Quem não começa a ter vergonha da imagem do que estamos ficando?  Quem viaja para fora se esconde, quem estuda lá fora sempre tenta esconder sua origem, quem fica aqui dentro emudece.

Como verdadeiros gângsters, que usam o mercado financeiro com seus golpes, vitimizando milhares de pessoas em suas economias de vida, não são terroristas?

O cidadão comum ou mesmo o mais esclarecido, tenta formar o quebra-cabeça com peças de vários outros, que a imprensa tenta diariamente fornecer; nunca dará certo. E como dizia Tarcísio Meeira/ Hugo Carvana: “Não se preocupe, nada vai dar certo!”.

Se todo processo social  tem um começo, meio e fim, onde estamos nós? Qual a sentença que está sendo escrita? Para certas gerações em formação, muitas linhas da sentença serão duras e perpétuas. 

 Odilon Reinhardt 3.4.26

 

terça-feira, 3 de março de 2026

Crise de liderança.

 





Segue a vontade de ver

 

 

 

composição,

não a decomposição;

 

vastidão,

não a devassidão;

 

deliberação

e liberação;

 

verso

e reverso;

 

segurança,

não insegurança;

 

providência,

não só a previdência;

 

sem explosão

nem implosão;

 

progresso ,

não regresso ;

 

trabalhar,

não enganar;

 

desenvolver,

não corromper;

 

andar ,

não desandar;

 

construção ,

não destruição;

 

o normal ,

não novo normal;

 

estrutura ,

não a desventura;

 

nada do mentir

nem do desmentir;

 

nada do enganar

nem do desenganar. 

 

Cada vez mais, fica necessário voar,

imaginar, viajar para não aceitar.

 

 

Crise de liderança.

 

 

A resiliente capacidade de manter posições mentirosas, tendenciosas nos negócios e na política, é que traz medo. Pior, quando se usa o aparato de que dispõem para manter a posição em nome do interesse particular oficializado.

 

Tal qual o pó mais refinado, sempre vai havendo acúmulo na percepção de qualquer um, de que a boa ideia de vida na pátria, com os apregoados ordem e progresso está sendo protelada e virando uma decepção. E na ação e reação, sempre no fundo uma individual revolta quanto à procrastinação, a perda de energia.

 

Uma revolta engolida, que aparece talvez na prestação de serviço, no trânsito, na elaboração de projetos, nas tatuagens malignas, no negativismo pátrio, na violência familiar, na votação, no esmorecimento coletivo, na noite mal dormida,  no abandono pessoal e... Uma perturbação que quase sempre classificada como problema pessoal, nunca como tendo origem em algo coletivo.

 

A realidade é de falta de credibilidade em tudo. Viramos o país dos desconfiados. Onde estão as lições de Confúcio que ensinavam ética, moral e virtude através e educação correta para o indivíduo antes de assumir algum cargo gerencial público ou privado? Algumas lições ficaram incorporadas em leis, mas somos também o país onde “há lei que não pega”. Há regimentos, regulamentos, posturas, leis para serem usados pelos sistemas de controle, mas a conveniência e oportunidade política abafam tudo e o corporativismo impera.

 

Megalomania, ganância, egoísmo, ser um poderoso-spray, aparecer e sumir logo não deixando rastros é o objetivo de vida de muitos, pois o golpe quando descoberto já rendeu, o dinheiro já sumiu nas lavanderias e só fica um restolho bem como os bagrinhos para fazer a diversão da TV, na infindável sucessão de golpes gigantescos. Se um golpe envolve muitos figurões e ameaça a teia da vida política, joga-se qualquer outro na TV para abafar o primeiro (e assim está garantida a impunidade, que depois é apoiada por erros processuais estratégicos, que vão levar à pizza de ouro) ou usa-se algum caso corriqueiro ligado a influenciadores ou violência contra animais para comover e distrair o povo. O importante é saber desviar a atenção.  Nunca mais se saberá o que aconteceu, se o dinheiro foi recuperado, quem se beneficiou e quem foi que saiu da cadeia, quem ajudou, quem montou todo o esquema. Economistas, advogados, contadores, financistas de apoio desaparecem. Há um vento apagador que nem o tempo consegue dominar. Pensa-se em um sistema mundial maior que todos os esquemas menores, como uma nave-mãe.

 

Antigas justificativas de exigências de caixa dois para fins de eleição, parecem estar defasadas. Se os modernos esquemas são justificados pela falsa regra de “os fins justificam os meios” então, cabe deduzir que se os meios são sórdidos, os fins devem ser da mesma ou até pior natureza.

 

Tampouco os golpes, hoje, estão só no setor financeiro e público, pois pessoas com intenções sinistras fazem seu balcão de negócios no setor privado e o objetivo é enriquecimento pessoal da gangue toda. Brincam com bilhões como se fossa pipoca. Afetam milhões de vítimas e escondem-se nas muralhas de seu egoísmo. Verdadeiros terroristas impunes.

 

Assim, agem os falastrões, arrogantes, orgulhosos, hedonistas, vaidosos, cheios de si, cheios de ego, mas no fundo, fracos de espírito; pessoas entregues à Terra que no íntimo carregam a ansiedade dos tempos, a insegurança dos vazios das almas miseráveis. No fundo, alguma carência de infância. Eis alguns dos novos líderes, novos capitães de grandes negócios. A quem servem?

 

Mas os erros desses tantos fracos, ajudam a aperfeiçoar o sistema produtivo, a melhor obra conjunta da Humanidade, que se refina a cada ataque. 

 

A cada época, as milhares de vítimas desses coitados, ditos espertalhões, que depois de festejados, celebrados, homenageados e fotografados tem o mesmo lugar na pobreza espiritual.

 

Longo processo de refinamento. Para os honestos, o duro é aguentar o durante,  vendo a energia coletiva sendo desperdiçada, o país retardando seu futuro, gerações virando as costas para a vida pública e para as empresas privadas.

 

A crise de liderança é feita de descrédito, demérito, ilegitimidade e falta de oportunidades de escolha. Mas ainda somos o melhor e mais livre país do mundo, o local perfeito para a civilização adiantada.  Aos que nos atrasam, resta a solidão de suas desventuras passageiras e egoístas. 

 

       Odilon Reinhardt.  3.3.2026

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Surdos e mudos?

 





Surdos e mudos?

 

 

Em terras de cegos

quem tem olho é rei;

reis muito espertos?

 

Quantos cegos há,

como seguem com tais reis,

e como vai a vida a cá?

 

Falastrões espalhados no território,

reflexos da educação deficitária;

lideranças por osmose com destino inglório.

 

Mentiras, estilos equivocados,

planos de enriquecer, poder e dar golpes

e o sonho de saírem ilesos e poderosos.

 

Por vezes, alguns nadam na lama,

mas logo se safam com bois de piranha e jabutis,

e volta a imperar a calma.

 

Silêncio sepulcral,

a volta à normalidade, 

e nada mais aparece no jornal.

 

Todos vencedores e abonados,

e os cegos prosseguem,

nada aconteceu, são também surdos? 

 

Felizmente vemos esses líderes de papel,

catando oportunidades e facilidades.

Exceções numa terra de leite e mel?

 

Quantas gerações ainda passarão,

vendo essa realidade,

que desmotiva o esforço da Nação?

 

Como serão afetadas

com tanto engodo e fake-news

que lhes entregam imagens estragadas?

 

Delirantes e sorrateiros puxa-sacos,

falsos nobres do terceiro mundo,

lustrosos ratos bajuladores, fracos.

 

Compram logo todos os estereótipos de poder,

ficam grandes e o ego lhes agiganta,

cegos querem mais e mais para ter.

 

Reúnem bilhões como pipoca,

atraem e enganam milhões,

ilustres trapaceiros com sua engenhoca.  

 

Sobem rapidamente, golpeiam,

saem assobiando e rindo,

depois afundam.

 

Egopatas,

bagrinhos de aquário;

a que esquema pertencem tais sociopatas? 


 

Na democracia é liberdade individual ser de direita, esquerda ou centro, desde que intencione fazer o país ir para a frente. A ideologia é livre e está de tempos em tempos exposta à reprovação popular.


Em vários locais do mundo, ainda não se aprendeu a conviver com as diferenças e o discurso é de ódio, inflexibilidade, intolerância e maldade contra qualquer opositor. Ações e reações prosseguem fazendo carma e um dia o pagamento vem. Por um tempo, prevalece o ego e suas manifestações, mas um dia tudo volta à normalidade, todavia com o aprendizado pela dor.

Lento progresso individual e coletivo, mas o ser humano tem mostrado um refinamento coletivo mesmo que ainda sujeito a retrocessos.

Seja lá como for, o que é condenável é quando alguém com ideologia ou não, em suas ações e reações na vida privada, atua na cara dura, mostrando cinismo e sempre escorando-se em mentiras e hipocrisia ao defender seus projetos errados e mal intencionados. O cara de pau sempre é bem aceito e tem rápida ascensão no meio que escolher.

Há ampla liberdade de empreendimento e o meio acredita pensando ser algo novo e progressista. O dinheiro vem fácil para a implantação do projeto, todos os santos ajudam para a subida de mais um ser-tentativa. A imprensa bajula e acompanha querendo anúncios de promoção do novo líder. Não há barreiras iniciais e tudo sobe logo e rapidamente, inclusive o ego do recém chegado e seu  esquema, que velozmente quer ser igual aos poderosos em todos seus patéticos estereótipos de poder: carros, casas, mansões, relógios, aparição em eventos importantes, amigos poderosos, patrimônio offshore, companhia de pessoas de elegância, fazer show off em revistas e coluna social das redes, adotar os meios de lavagem de dinheiro ofertados, infiltrar-se nas rodas importantes e garantir apoio e sucesso. Ser aceito é a meta. É o novo membro de sucesso e importância, abrindo as portas aos demais esquemas em vigor. Que brilho, que sucesso!! A euforia faz esquecer a lei, o Judiciário e os impostos e logo tudo parece ser mais um membro bem sucedido da impunidade.

 

E tudo vai se desenvolvendo em milhares de operações invisíveis, velozes, altamente lucrativas. Uma maravilha! O novo líder acredita ter acertado na terra do laissez-faire, com controle eventual e se conveniente a posteriori. Que empreendedorismo na terra do leite e mel!  Os poderosos querem a ele se filiar , associar e o chefe do esquema se sente privilegiado, tem amigos em todo canto e sabe que se algo der errado, ameaçará abrir a boca e meio mundo pode vir abaixo, o que lhe dá segurança política de que só os bagrinhos serão responsabilizados.

Apesar do esforço oficial de controle, fica cada vez mais difícil prever o que tanta agilidade criminosa é capaz de fazer. O esquema é veloz e reúne bilhões em meses. Com a mesma velocidade o dinheiro é lavado, enviado para fora do país e escondido.  Não falta criatividade. Por que não é usada para algo positivo?  

Usar a posição de ”liderança em negócios”, para defender que os fins justificam os meios, que tudo tem que ser levado na base dente por dente, que tudo é dinheiro por dinheiro, sempre revela uma mente tomada pelo ego e, portanto, radical, intolerante, inflexível, emitindo pensamentos rudes e impulsivos. Qualquer líder que nos seus negócios seja tomado pela megalomania e ganância faz de tudo cego interesse individual. Na política, quer seja de direita, centro ou esquerda a liderança egóica tem o mesmo fim e tira energia positiva da Nação.

São estas pessoas terrorista ou não? Uma explosão mata pessoas, destrói coisas; um golpe pode matar centenas de pessoas, deixando-as vivas sem recursos para a vida material. O golpista não é terrorista porque não tem viés político nem ideológico, será? No fundo, um psicanalista irá descobrir a razão terrorista nele, uma revolta, a ira silenciosa contra o mundo, as pessoas, a sociedade. Toda ganância tem em si a insegurança e a carência. 

E assim vamos na atualidade, surpreendido diariamente com tantos golpes. Será que o país não estaria já bem longe, em outro estágio econômico avançado e sua população em melhores condições de tudo fosse justo e produtivo?    

Rui Barbosa resumiu bem a situação dizendo: “De tanto ver triunfar as nulidade, de ver prosperar a desonra, de ver crescer a injustiça, de ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. “

O fim da citação é retórica, mas nunca uma realidade, pois o Bem sempre será um objetivo prevalecente e o que estamos vendo é passageiro e não deixa de ser punido. O que assusta é a quantidade de golpes.

 Quem vai na vida fazendo kharma, sempre paga caro, mesmo no país do golpe.   . E como disse M. Luther King, “ o que espanta não é só o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”...(a continuar)

 Odilon Reinhardt   3.2.2026