Atualidades.
O que
sabemos da atualidade ,
senão
só superficialidades?
Pensamos
saber de toda a realidade.
Será
que interessam as informações
dos
noticiários , das redes,
só
para dizermos que estamos por dentro das situações?
Será
que sabemos nos desvencilhar
de
tanta frugalidade ,
que em
nada nos faz melhorar?
Em
sendo a vida um fluxo,
tudo
se desatualiza de um dia para o outro,
nosso
esforço de estar atual não é um luxo?
Nos
momentos sem TV e celular
como
fica em casa, a vida,
e só
esperamos o sinal voltar ?
Interessa
mesmo saber
sobre
acidentes, mortes, corrupção, operações,
e como
as autoridades querem nada dizer?
Nunca
seremos modernos nem atuais ,
com
tanto orgulho e bagulho na mente,
vendo
o ego nos dar seus comandos e sinais.
Urge
uma nova programação pessoal,
que preencha a mente
com
eventos de elevada criação especial.
Reféns
da agenda
que a
TV , as redes e os outros nos dão,
somos
e agimos como gado na fazenda.
Inutilidades
que nos assombram ,
futilidades
que nos perturbam
notícias
que nos derrubam.
É
necessário muito discernimento
para
assistir a tudo sem se indignar,
pois
os assuntos escolhidos são de constrangimento.
De
ponta de iceberg em ponta de iceberg em via normal
a
incompletude se realiza
e a
vida fica ligada no modo: albergue intelectual.
Com o
fracasso de um ponto de suma importância para o Pão e Circo, os episódios da bola fracassaram e nenhuma
das tentativas de fazer um herói nacional teve sucesso. Os heróis estão mortos
ou velhos demais. A oportunidade mediática de distração geral foi curta. Serviu
talvez para ter um efeito não intencional, resgatar as cores nacionais e a
bandeira do país sem tendência política. Não era um resultado objetivado, mas
pelo menos foi o que sobrou de mais valioso e necessário.
Se ganhou ou não,
o importante foi a união,
no país de todos
uma só aspiração.
Amigos, famílias reunidas,
pessoas felizes, momento de pausa na rotina,
a qual mantem as pessoas desunidas.
Instante de festa,
todos numa mesma sintonia,
o Brasil ainda vive em grupo. Vamos nesta.
Correria para chegar no bar,
o grupo em qualquer casa, boa ansiedade,
a apreensão, euforia, histeria no
comunicar.
A cada gol uma consagração,
gritos, cornetas, sirenes, buzinas,
o povo tem sua celebração.
Alegria, Alegria!, bonito de ver ,
na vitória ou derrota, sobra a fé e esperança
no que vai acontecer.
Não é a visão do adulto racional
que vai estragar a festa. Pelo menos esta
festa,
que a criançada e juventude merece como
alegria geral.
Deixa a boa rolar,
inspira amor à Pátria,
o brasileiro sento o Brasil no perder ou no
ganhar.
Viva a festa, os álbuns de figurinhas,
toda a expectativa, a comemoração.
Fora com tanto negativismo e críticas
murrinhas.
Se ganhou ou perdeu
o pouco importa, valeu o durante,
valeu a festa, valeu!
Último reduto de igualdade,
no futebol, todos juntos na figura de
torcedor,
no mais, um episódio de quase extinta
realidade .
Aqui todo mundo é brasileiro.
Colocado de lado os acertos e erros políticos,
o que resta é algo bem maior: o Brasil
brasileiro.
Mas como vai o Brasil que se quer brasileiro.
Com a falha da bola furada, algum boi de piranha terá que se tornar atração,
espero que não seja alguma doença extraordinariamente feita alarmante ou mesmo
algo incontrolável como o El Niño ou algum caso do mundo dos Pets, que são usados
para manter as massas acuadas mediante dor, temor e distração hipnótica. Em
qualquer caso, sempre pode-se escolher um bom e novo caso de corrupção em
qualquer nível de Poder, isso nunca falha. E sempre a haverá a guerra do Rio de
Janeiro, já quase folclórica de tão banalizada. Há muitas fontes de espetáculos
hipnotizantes. A hipnose coletiva e individual está no centro da psicilogia de massa.
Mas que boiada está passando que merece persistente e contínua distração? Grande ou pequena, deve ser mesmo inusitada, pois até o golpe financeiro recentemente maior ficou na névoa do desinteresse da mídia.
Sem dúvida, precisamos da imprensa verdadeira,
para pelo menos podermos desconfiar de algo, caso contrário, boiadas irão
passar de fazenda para fazenda sem nenhuma restrição por parte da mídia.
De qualquer modo a audiência ficará sempre na
ponta do iceberg, pensando estar atualizada e saber de tudo. O que é filtrado e
divulgado, se verdade ou mentira, atende algum interesse igualmente dúbio, pois
o total da obra já mostrou quem é quem, mas nem isso importa tanto, já que após
anos do mesmo ciclo, a mídia só tem assustado a população com extratos
criminais, para poder invadir a casa do cidadão e sentar-se na sala de estar ou
na cozinha sem ser convidada , ou fazer coceira na palma da mão, e assim,
manter o que lhe sustenta , o sensacionalismo , que no Brasil brasileiro está
ficando cada vez mais baixo e apelativo.
Casos criminais ainda causam indignação e
mantém a audiência, talvez o último recurso antes até mesmo dos setores
políticos e marqueteiros desligarem o noticiário e as redes sociais do seu dia
a dia, porque grande parte da população já o está fazendo, nem que seja para
procurar filmes retrô de 50-80 anos atrás para preencher o tempo e talvez ainda
ver em algum episódio o Brasil brasileiro .
Odilon Reinhardt -3.8.2026


