terça-feira, 3 de março de 2026

Crise de liderança.

 





Segue a vontade de ver

 

 

 

composição,

não a decomposição;

 

vastidão,

não a devassidão;

 

deliberação

e liberação;

 

verso

e reverso;

 

segurança,

não insegurança;

 

providência,

não só a previdência;

 

sem explosão

nem implosão;

 

progresso ,

não regresso ;

 

trabalhar,

não enganar;

 

desenvolver,

não corromper;

 

andar ,

não desandar;

 

construção ,

não destruição;

 

o normal ,

não novo normal;

 

estrutura ,

não a desventura;

 

nada do mentir

nem do desmentir;

 

nada do enganar

nem do desenganar. 

 

Cada vez mais, fica necessário voar,

imaginar, viajar para não aceitar.

 

 

Crise de liderança.

 

 

A resiliente capacidade de manter posições mentirosas, tendenciosas nos negócios e na política, é que traz medo. Pior, quando se usa o aparato de que dispõem para manter a posição em nome do interesse particular oficializado.

 

Tal qual o pó mais refinado, sempre vai havendo acúmulo na percepção de qualquer um, de que a boa ideia de vida na pátria, com os apregoados ordem e progresso está sendo protelada e virando uma decepção. E na ação e reação, sempre no fundo uma individual revolta quanto à procrastinação, a perda de energia.

 

Uma revolta engolida, que aparece talvez na prestação de serviço, no trânsito, na elaboração de projetos, nas tatuagens malignas, no negativismo pátrio, na violência familiar, na votação, no esmorecimento coletivo, na noite mal dormida,  no abandono pessoal e... Uma perturbação que quase sempre classificada como problema pessoal, nunca como tendo origem em algo coletivo.

 

A realidade é de falta de credibilidade em tudo. Viramos o país dos desconfiados. Onde estão as lições de Confúcio que ensinavam ética, moral e virtude através e educação correta para o indivíduo antes de assumir algum cargo gerencial público ou privado? Algumas lições ficaram incorporadas em leis, mas somos também o país onde “há lei que não pega”. Há regimentos, regulamentos, posturas, leis para serem usados pelos sistemas de controle, mas a conveniência e oportunidade política abafam tudo e o corporativismo impera.

 

Megalomania, ganância, egoísmo, ser um poderoso-spray, aparecer e sumir logo não deixando rastros é o objetivo de vida de muitos, pois o golpe quando descoberto já rendeu, o dinheiro já sumiu nas lavanderias e só fica um restolho bem como os bagrinhos para fazer a diversão da TV, na infindável sucessão de golpes gigantescos. Se um golpe envolve muitos figurões e ameaça a teia da vida política, joga-se qualquer outro na TV para abafar o primeiro (e assim está garantida a impunidade, que depois é apoiada por erros processuais estratégicos, que vão levar à pizza de ouro) ou usa-se algum caso corriqueiro ligado a influenciadores ou violência contra animais para comover e distrair o povo. O importante é saber desviar a atenção.  Nunca mais se saberá o que aconteceu, se o dinheiro foi recuperado, quem se beneficiou e quem foi que saiu da cadeia, quem ajudou, quem montou todo o esquema. Economistas, advogados, contadores, financistas de apoio desaparecem. Há um vento apagador que nem o tempo consegue dominar. Pensa-se em um sistema mundial maior que todos os esquemas menores, como uma nave-mãe.

 

Antigas justificativas de exigências de caixa dois para fins de eleição, parecem estar defasadas. Se os modernos esquemas são justificados pela falsa regra de “os fins justificam os meios” então, cabe deduzir que se os meios são sórdidos, os fins devem ser da mesma ou até pior natureza.

 

Tampouco os golpes, hoje, estão só no setor financeiro e público, pois pessoas com intenções sinistras fazem seu balcão de negócios no setor privado e o objetivo é enriquecimento pessoal da gangue toda. Brincam com bilhões como se fossa pipoca. Afetam milhões de vítimas e escondem-se nas muralhas de seu egoísmo. Verdadeiros terroristas impunes.

 

Assim, agem os falastrões, arrogantes, orgulhosos, hedonistas, vaidosos, cheios de si, cheios de ego, mas no fundo, fracos de espírito; pessoas entregues à Terra que no íntimo carregam a ansiedade dos tempos, a insegurança dos vazios das almas miseráveis. No fundo, alguma carência de infância. Eis alguns dos novos líderes, novos capitães de grandes negócios. A quem servem?

 

Mas os erros desses tantos fracos, ajudam a aperfeiçoar o sistema produtivo, a melhor obra conjunta da Humanidade, que se refina a cada ataque. 

 

A cada época, as milhares de vítimas desses coitados, ditos espertalhões, que depois de festejados, celebrados, homenageados e fotografados tem o mesmo lugar na pobreza espiritual.

 

Longo processo de refinamento. Para os honestos, o duro é aguentar o durante,  vendo a energia coletiva sendo desperdiçada, o país retardando seu futuro, gerações virando as costas para a vida pública e para as empresas privadas.

 

A crise de liderança é feita de descrédito, demérito, ilegitimidade e falta de oportunidades de escolha. Mas ainda somos o melhor e mais livre país do mundo, o local perfeito para a civilização adiantada.  Aos que nos atrasam, resta a solidão de suas desventuras passageiras e egoístas. 

 

       Odilon Reinhardt.  3.3.2026

Nenhum comentário:

Postar um comentário