domingo, 3 de maio de 2026

Cai , caindo, caído.

 






Cai, Caindo, Caído.

  

Cai o sistema,

o da internet,

o financeiro,

muito problema.

 

Cai o regime,

A casa, o assessor,

o técnico do time.

 

Cai o sistema elétrico,

o contábil,

o operacional,

muito patético.

 

Cai o preço do alface,

o sistema de água,

tudo mostra sua face.

 

Cai a bolsa,

o índice, 

o valor da moeda,

e ninguém reembolsa.

 

Caídos ficamos

com olhares estarrecidos,

no golpe caímos,

é o comum nos dias recaídos.

 

A qualquer minuto podemos estar

no golpe de alguém,

caindo, caindo sem saber nem pensar. 

 

 

Eis a realidade posta, um grande desafio ao discernimento. Em todos os negócios há um ar de desconfiança e os relacionamentos são eivados de uma atmosfera de descredibilidade.

O ser humano se afasta do humano. A selvageria para atender necessidades egoísticas toma conta do dia privado e público. Em tudo há a possibilidade de golpe, de vício oculto, de segundas intenções.

Não é de hoje, há décadas e até séculos, aqui sempre foi usado o ditado faça algo para “inglês ver”, significa fazer algo belo, como em “ por fora bela viola, por dentro pão bolorento”, uma tapeação. Por muito tempo vendia-se carro chuchu beleza, ou seja, para esconder barulhos no motor, enchia-se de chuchu. Não era fantástico?

 E o que falar dos títulos de terra envelhecidos colocando-se grilos numa caixa, quando prevalecia o título mais velho antes da mudança da legislação para registro de transmissão de imóveis.

Tem-se lembrança de muitos golpes com nomes diferentes em regiões do país, como venda de bilhete premiado, pacote de notas de dinheiro, dinheiro falso, venda de terreno que não existia e o famoso o golpe do baú, o do cheque sem fundos.

Mas isto faz parte do período romântico da malandragem. Hoje o golpe recebeu o impulso dos aparelhos e está muito mais sofisticado e beira ao estado de arte em alguns casos, o que tem assustado os meios de investigação. Uma criatividade do outro mundo.

Face a diversidade e pluralidade, torna-se até platitude querer aprofundar-se nessa banalidade. O golpe ronda o celular, o telefone , o E-mail e cada um que se cuide, pois só o seu discernimento é que poderá salvar.

Ademais, somos o país onde se falsifica remédio, o leite das crianças, onde os ingredientes de vários alimentos não existem a não ser no rótulo.

E há os golpes processuais e de procedimento, onde a esperteza de profissionais políticos e jurídicos distorce a verdade e leva à impunidade, muitas vezes por programados erros formais. Tudo feito e legislado para não dar em nada após muito enrolar do tempo. É cultural, histórico e nasceu na Europa para proteger a monarquia e a nobreza.

Aqui até hoje sempre é útil e amplamente usado para proteção dos mais altos interesses e seus apaniguados em grandes golpes financeiros. Para os inimigos, a lei; para os amigos, os benefícios da lei.

Na virtualidade, podemos estar sendo objeto de algum golpe a qualquer momento sem nada fazer, sem nada aceitar, sem em nada clicar.  

A título de controle e segurança, vivemos em insegurança e descontrole, pois roubam os dados, as contas, o dinheiro, o nome, a identidade, a moralidade e a integridade. 

Reina uma grande insegurança que deixa a sensação de qualidade de vida em permanente queda. Não há mais limites geográficos, morais ou éticos, o golpe pode ver de qualquer lugar do planeta.

Indefeso, o cidadão vive assim. O Próximo pode ser o articulador do próximo golpe. E de nada adianta não ter ou desligar o celular, o computador, etc.  O cavalo de troia vem até num simples anúncio comercial, qual parasita. 

Hoje ainda existem os golpeados e os não ainda golpeados. Se as tendências atuais continuarem, um dia a criança já nascerá golpeada pelo próprio ato de nascer.   

 Odilon Reinhardt- 3.5.26