sábado, 3 de janeiro de 2026

Silenciar, pausar, pensar.

 

 

 

Silenciar, pausar, pensar;

 

difícil desafio

para vencer os efeitos da realidade

sempre por um fio;

 

vida ansiosa,

situações do ego,

cada dia em via belicosa;

 

O apelo é ficar ligado,

alerta, estar por dentro, saber do inútil,

é o permanente chamado do mercado;

 

pessoas com medo

de ficar sozinhas,

temor do vazio que começa cedo.

 

Estão acostumadas com a mente cheia,

não sabem silenciar, pensar com elevação,

já caíram na teia.

 

Forças ativas agem nisso,

muita manipulação e indução,

ensinam o que pensar e vivem por isso.

 

É necessário se libertar, pausar, silenciar,

ficar com o verdadeiro ”eu”,

uma jornada para se trilhar.

 

Livrar-se do medo de ensimesmar-se,

de não saber lidar como os sentidos,

todos ali a girar e confundir-se.

 

No comum, continua a instigação do medo,

do alerta para situações que para a maioria

dificilmente farão parte do seu enredo.

 

Mas persiste a conspiração,

instigar o medo,

controlar , ter poder sobre a multidão.  

 

 

 

A reação inconsciente é que em tudo, o ar é sempre de desconfiança, descrédito. E assim segue uma crescente e nunca auferível ilegitimidade, que fica no meio sorriso, na alienação contumaz e no repúdio a tudo que é público ou privado. 

 

Décadas dessa realidade têm levado ao enfraquecimento do que é público, ao descrédito na origem do que é privado; é a desconfiança do cidadão.

 

A teoria da conspiração já está no “sangue” das pessoas. Chega-se a pensar que tudo isso é parte de um esquema de psicologia de massa que mira a manutenção desse pensamento negativo, com a finalidade de favorecer a grupos que desejam se aproveitar de populações que vivem como se fossem em suas fazendolas no campo mundial onde atuam.

 

Ademais, é sabido que se o noticiário for só positivo e mostrar o progresso e o sucesso alheio, a maioria terá um choque existencial e de realidade, passando a ver que ela está excluída da maravilha do sucesso e progresso, gerando a reação individual que poderá aumentar sua insatisfação e de revolta, fato cumulativo para a massa. Portanto, se o noticiário mostrar problemas, acidentes, danos e corrupção, a ruindade dominante não afrontará ninguém e a estabilidade social e oficial estará garantida. “Todo mundo mal e sofrendo, então, não sou exceção”, pensa o estressado o cidadão em seu sofá na frente da televisão.

 

O reflexo de tal mensagem é um grande desafio até para as pessoas de maior discernimento e visão de mundo já espiritualizada.

 

Muitas são as consequências práticas, de modo que as novas gerações podem já estar sendo derrotadas desde o início por uma errônea visão de mundo. O “nem estuda, nem trabalha “mudará para algo bem pior.

 

Já se escuta o “não adianta tentar nada!”, “nem adianta começar!”, “dois trabalhos: começar e fechar!” Subliminarmente, todas as mensagens negativas estarão dando resultado e seus idealizadores estarão sempre  se beneficiando das oportunidades de um país enorme e novo, do tipo “ em terra de cego quem  tem um olho é rei”.

 

Como criar um ambiente de empreendedorismo, de investimento sustentável com mensagens negativas fazendo potenciais derrotados? 

 

Darci Ribeiro dizia que uma criança só tem 7 anos uma vez e que se não construirmos escolas, gastaremos o dobro com presídios. O que tem ocorrido até hoje então? Grande recursos são gastos com forças policiais, equipamentos e penitenciárias. Será que no futuro os jovens não vão pedir para morar na prisão onde encontram seus amigos e tem comida e assistência de graça? Pode hoje soar improvável. 

 

E assim vai a nossa energia coletiva sendo desgastada com maus propósitos e o país vai se ajustando a graus mais elevados de violência e suas formas. Surge o Estado invisível de Governo abstrato, paralelo, mas com resultados bem reais e poupudos.  

 

Todo dia joga-se a toalha molhada sobre o país. O que esperar disso? Alguém está lucrando muito e preparando o bom terreno para seu bons negócios.  

 

Onde estão os bons exemplos, os bons modelos para serem mostrados às novas gerações que a vida nacional pode ser outra, não a baseada em exceções escolhidas a dedo pela  mídia? Como vencer tal barreira derrotista? Nos negócios, pessoa a pessoa, nas compras e vendas mais simples, há confiança, boa-fé, segurança? É o país onde se diz” antes você do que eu”.

 

O que se vê é que há uma queima da energia positiva de um povo ou seria essa energia a verdadeira energia, a da corrupção, fornecendo estímulo para a ideia de obras e investimentos públicos e privados, motivando interesse no progresso, desde que algo sempre escorregue para os alforjes?

 

Num país onde se alterou o leite das crianças com formol, onde se fabrica remédio falso e aposentados são enganados etc., nada é infelizmente confiável. País do crime, país do golpe e da  fraude.  Talvez o reflexo de princípios como: trabalhar pouco e ganhar muito; ficar rico rapidamente; tirar vantagem de tudo; entrar para a vida pública para se fazer etc.

 

Observe-se até onde a teoria da conspiração pode chegar? Desmotiva, desacredita, desestimula, cria o negativismo.

 

Nos níveis mais populares de todas as classes sociais, pode-se observar reflexos vulgares do pessimismo no uso de tatuagens com figuras horrendas, monstros, caveiras, cabeça de bodes. Em tempos obscuros da História, havia ao medo de espíritos do mal, que precisavam ser mantidos longe com o uso de carrancas e diabretes, amuletos etc. De quem os tatuados querem se proteger? Do Próximo. Que visão de mundo leva a isso, senão a mais pessimista? A quem beneficia o negativo?

 

Jogos de guerra intelectual entre poderes elevados da economia que tem conduzido a mente do cidadão para que só olhe o lado negativo e nada faça além do que lhe é inculcado.  Que tipo de liberdade pode conviver com isto? A ideologia é mesmo manter o cidadão cabisbaixo e ao mesmo tempo alerta para situações que nunca lhe vão ocorrer?  

 

 

Veracidade.

 

 

 

Vidas em distração,

realidades materiais múltiplas,

teatro de revista na televisão.

 

E o cidadão,

no sofá dos desprazeres

engole o seu pão.

 

Poesia com rima em “ão”,

pobre  , básica e algo chão,

mas útil para tratar de tal enganação.

 

Realidades várias

escondem a individual,

que vai com muitas avarias.

 

No país da fartura,

não falta realidade,

tal é a vida insegura.

 

Analgésico, hipnose,

tudo está na TV de graça,

o Pão e Circo dispensa diagnose.

 

Vivas à realidade

fantasiada ou manipulada!

Ninguém quer a aparição da veracidade.

 

Muita variedade situacional,

mas na cabeça comum,

uma só realidade mental.

 

Uma verdade raramente tocada

que dirige o senso do sofá

e está fazendo a vida derrotada.  

 

Vamos, então, para as grandes palhaçadas de 2026, de modo que novos shows e novas mentiras irão garantir o fantástico show de cada dia. Choros, risos, gargalhadas e muitas balas farão a magnífica ópera bufa de 365 atos.

  

3.1.26 Odilon Reinhardt.

 

 

 

Oooooooooooooooooooooooooooo

 

 

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