Silenciar, pausar, pensar;
difícil desafio
para vencer os efeitos da realidade
sempre por um fio;
vida ansiosa,
situações do ego,
cada dia em via belicosa;
O apelo é ficar ligado,
alerta, estar por dentro, saber do inútil,
é o permanente chamado do mercado;
pessoas com medo
de ficar sozinhas,
temor do vazio que começa cedo.
Estão acostumadas com a mente cheia,
não sabem silenciar, pensar com elevação,
já caíram na teia.
Forças ativas agem nisso,
muita manipulação e indução,
ensinam o que pensar e vivem por isso.
É necessário se libertar, pausar, silenciar,
ficar com o verdadeiro ”eu”,
uma jornada para se trilhar.
Livrar-se do medo de ensimesmar-se,
de não saber lidar como os sentidos,
todos ali a girar e confundir-se.
No comum, continua a instigação do medo,
do alerta para situações que para a maioria
dificilmente farão parte do seu enredo.
Mas persiste a conspiração,
instigar o medo,
controlar , ter poder sobre a multidão.
A reação inconsciente é que em tudo, o ar é
sempre de desconfiança, descrédito. E assim segue uma crescente e nunca
auferível ilegitimidade, que fica no meio sorriso, na alienação contumaz e no
repúdio a tudo que é público ou privado.
Décadas dessa realidade têm levado ao
enfraquecimento do que é público, ao descrédito na origem do que é privado; é a
desconfiança do cidadão.
A teoria da conspiração já está no “sangue”
das pessoas. Chega-se a pensar que tudo isso é parte de um esquema de
psicologia de massa que mira a manutenção desse pensamento negativo, com a
finalidade de favorecer a grupos que desejam se aproveitar de populações que vivem
como se fossem em suas fazendolas no campo mundial onde atuam.
Ademais, é sabido que se o noticiário for só
positivo e mostrar o progresso e o sucesso alheio, a maioria terá um choque
existencial e de realidade, passando a ver que ela está excluída da maravilha
do sucesso e progresso, gerando a reação individual que poderá aumentar sua
insatisfação e de revolta, fato cumulativo para a massa. Portanto, se o
noticiário mostrar problemas, acidentes, danos e corrupção, a ruindade
dominante não afrontará ninguém e a estabilidade social e oficial estará
garantida. “Todo mundo mal e sofrendo, então, não sou exceção”, pensa o
estressado o cidadão em seu sofá na frente da televisão.
O reflexo de tal mensagem é um grande desafio
até para as pessoas de maior discernimento e visão de mundo já espiritualizada.
Muitas são as consequências práticas, de modo
que as novas gerações podem já estar sendo derrotadas desde o início por uma
errônea visão de mundo. O “nem estuda, nem trabalha “mudará para algo bem pior.
Já se escuta o “não adianta tentar nada!”,
“nem adianta começar!”, “dois trabalhos: começar e fechar!” Subliminarmente,
todas as mensagens negativas estarão dando resultado e seus idealizadores
estarão sempre se beneficiando das
oportunidades de um país enorme e novo, do tipo “ em terra de cego quem tem um olho é rei”.
Como criar um ambiente de empreendedorismo, de
investimento sustentável com mensagens negativas fazendo potenciais
derrotados?
Darci Ribeiro dizia que uma criança só tem 7
anos uma vez e que se não construirmos escolas, gastaremos o dobro com
presídios. O que tem ocorrido até hoje então? Grande recursos são gastos com
forças policiais, equipamentos e penitenciárias. Será que no futuro os jovens
não vão pedir para morar na prisão onde encontram seus amigos e tem comida e
assistência de graça? Pode hoje soar improvável.
E assim vai a nossa energia coletiva sendo
desgastada com maus propósitos e o país vai se ajustando a graus mais elevados
de violência e suas formas. Surge o Estado invisível de Governo abstrato,
paralelo, mas com resultados bem reais e poupudos.
Todo dia joga-se a toalha molhada sobre o
país. O que esperar disso? Alguém está lucrando muito e preparando o bom
terreno para seu bons negócios.
Onde estão os bons exemplos, os bons modelos
para serem mostrados às novas gerações que a vida nacional pode ser outra, não
a baseada em exceções escolhidas a dedo pela mídia? Como vencer tal barreira derrotista?
Nos negócios, pessoa a pessoa, nas compras e vendas mais simples, há confiança,
boa-fé, segurança? É o país onde se diz” antes você do que eu”.
O que se vê é que há uma queima da energia
positiva de um povo ou seria essa energia a verdadeira energia, a da corrupção,
fornecendo estímulo para a ideia de obras e investimentos públicos e privados,
motivando interesse no progresso, desde que algo sempre escorregue para os
alforjes?
Num país onde se alterou o leite das crianças
com formol, onde se fabrica remédio falso e aposentados são enganados etc.,
nada é infelizmente confiável. País do crime, país do golpe e da fraude. Talvez o reflexo de princípios como: trabalhar
pouco e ganhar muito; ficar rico rapidamente; tirar vantagem de tudo; entrar
para a vida pública para se fazer etc.
Observe-se até onde a teoria da conspiração
pode chegar? Desmotiva, desacredita, desestimula, cria o negativismo.
Nos níveis mais populares de todas as classes
sociais, pode-se observar reflexos vulgares do pessimismo no uso de tatuagens
com figuras horrendas, monstros, caveiras, cabeça de bodes. Em tempos obscuros
da História, havia ao medo de espíritos do mal, que precisavam ser mantidos
longe com o uso de carrancas e diabretes, amuletos etc. De quem os tatuados querem
se proteger? Do Próximo. Que visão de mundo leva a isso, senão a mais
pessimista? A quem beneficia o negativo?
Jogos de guerra intelectual entre poderes
elevados da economia que tem conduzido a mente do cidadão para que só olhe o
lado negativo e nada faça além do que lhe é inculcado. Que tipo de liberdade pode conviver com isto? A
ideologia é mesmo manter o cidadão cabisbaixo e ao mesmo tempo alerta para
situações que nunca lhe vão ocorrer?
Veracidade.
Vidas em distração,
realidades materiais múltiplas,
teatro de revista na televisão.
E o cidadão,
no sofá dos desprazeres
engole o seu pão.
Poesia com rima em “ão”,
pobre ,
básica e algo chão,
mas útil para tratar de tal enganação.
Realidades várias
escondem a individual,
que vai com muitas avarias.
No país da fartura,
não falta realidade,
tal é a vida insegura.
Analgésico, hipnose,
tudo está na TV de graça,
o Pão e Circo dispensa diagnose.
Vivas à realidade
fantasiada ou manipulada!
Ninguém quer a aparição da veracidade.
Muita variedade situacional,
mas na cabeça comum,
uma só realidade mental.
Uma verdade raramente tocada
que dirige o senso do sofá
e está fazendo a vida derrotada.
Vamos, então, para as grandes palhaçadas de
2026, de modo que novos shows e novas mentiras irão garantir o fantástico show
de cada dia. Choros, risos, gargalhadas e muitas balas farão a magnífica ópera
bufa de 365 atos.
3.1.26 Odilon Reinhardt.
Oooooooooooooooooooooooooooo
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