quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Quem vai mandar no pensar?

 

 






Quem vai mandar no pensar?

 

 

 

Surge a uniformização,

sintetizar, resumir;

some a diversificação.

 

Reino das imagens e do som,

diminui a leitura e escrita;

pensar livre não é de bom tom.

 

Aparelhos se unem,

sistemas se resumem,

organizações se fundem.

 

Desparecem as particularidades,

nada de singularidades,

cativantes  são as superficialidades.

 

Novas realidades,

tudo feito para ter velocidade,

a produção e suas prioridades.

 

Contínua simplificação,

otimização, reengenharia,

de olho na competição.

 

A economia como linha mestra,

o  cidadão só consumidor,

condicionado a pensar o que não presta.

 

Nada de pensar fora da forma,

ser igual, normal, comezinho,

mente focada na fonte que desinforma. 

 

Quem dará a forma,

para as pessoas se formarem,

qual a qualidade humana  da forma? 

 

 

 

 

A evolução histórica tem sido de progressiva uniformização e simplificação, com a consequente eliminação das particularidades e individualidades.

 

É  o que vem acontecendo com as línguas, os costumes,  as nacionalidades,  as particularidades e excentricidades locais, regionais e nacionais. A ideia da Aldeia Global vem se desenvolvendo.

 

O mesmo acontece com os sistemas e processos de produção no ciclo de plantar, industrializar, vender e consumir. Tudo em veloz processo de simplificação, pois o “time is money” ainda é regra de ouro no mundo.  

 

Tudo muito rápido. Há pressão para ser mais rápido, ágil, lucrar com menos esforço, economizar matéria prima, reduzir custos num contínuo afã de competitividade para progredir materialmente. Menos tempo de pensar, menos tempo para consultar e considerar, negociar de boca, tudo ligeiramente. Fácil de contratar, terrível para descontratar.  Alguém lê algum contrato, bula, bom livro, etc.?

 

E como apoio da informática, tudo fica muito veloz. Vários aparelhos agora são reunidos todos no celular. Cria-se a dependência de sistemas falíveis. Gasta-se milhões de dólares para garantir a defesa contra ataques virtuais.  Os limites de geração energética pressionam e limitam.

 

A cada dia a dependência aumenta e há medo nas fábricas , nos escritórios de que o serviço virtual tenha uma parada ou seja sequestrado e nada possa ser feito. A uniformização do fazer e do ver estão apresentando limites perigosos com consequências imprevisíveis. Como pior cenário, está a paralização de um país inteiro se os dois fios na tomada nacional não funcionarem.

 

Mas a uniformização apresenta também o perigo do conteúdo uniformizado e simplificado que condicione pessoas a pensar  superficialmente, formando um consenso coletivo pobre e manipulável.

 

A ameaça de uma superficialidade de conteúdo está presente e os meios de comunicação, atuando em imagens e sons, ajudam a aumentar o condicionamento, que vive da ansiedade de mentes mantidas em impaciência e intolerância. Nada de leitura, desenvolvimento do intelecto.  Pensar está ficando raro. Pensar com os ouvidos e com a língua é o comum .     

 

A modelagem para  chegarmos a uma população de autômatos está em curso. O país da oralidade simples e rápida. A realidade do burro  falante no país cada vez mais comezinho. Como falar em liberdade?

 

Se o complexo e o mais profundo vão  ficar na mão de poucos , quem estará mandando no pensar?  Uma pessoa, um grupo, uma organização só, um país, uma máquina? 

 

E mais para a frente. Quem assumirá o controle final? Quem vai  escolher e decidir desligar um país ou um continente ou o mundo? Ou quando um sistema poderá perder a proteção geral e ser atacado?

 

No geral, está se formando a manada de mulas eufóricas e falantes que possam  responder a um único estalo.

 

 Odilon Reinhardt 3.9.2026