Quem vai mandar no pensar?
Surge a uniformização,
sintetizar, resumir;
some a diversificação.
Reino das imagens e do som,
diminui a leitura e escrita;
pensar livre não é de bom tom.
Aparelhos se unem,
sistemas se resumem,
organizações se fundem.
Desparecem as particularidades,
nada de singularidades,
cativantes são as superficialidades.
Novas realidades,
tudo feito para ter velocidade,
a produção e suas prioridades.
Contínua simplificação,
otimização, reengenharia,
de olho na competição.
A economia como linha mestra,
o
cidadão só consumidor,
condicionado a pensar o que não
presta.
Nada de pensar fora da forma,
ser igual, normal, comezinho,
mente focada na fonte que
desinforma.
Quem dará a forma,
para as pessoas se formarem,
qual a qualidade humana da forma?
A evolução histórica tem sido de
progressiva uniformização e simplificação, com a consequente eliminação das
particularidades e individualidades.
É o que vem acontecendo com as línguas, os
costumes, as nacionalidades, as particularidades e excentricidades locais,
regionais e nacionais. A ideia da Aldeia Global vem se desenvolvendo.
O mesmo acontece com os sistemas e
processos de produção no ciclo de plantar, industrializar, vender e consumir.
Tudo em veloz processo de simplificação, pois o “time is money” ainda é regra
de ouro no mundo.
Tudo muito rápido. Há pressão para ser
mais rápido, ágil, lucrar com menos esforço, economizar matéria prima, reduzir
custos num contínuo afã de competitividade para progredir materialmente. Menos
tempo de pensar, menos tempo para consultar e considerar, negociar de boca,
tudo ligeiramente. Fácil de contratar, terrível para descontratar. Alguém lê algum contrato, bula, bom livro, etc.?
E como apoio da informática, tudo fica
muito veloz. Vários aparelhos agora são reunidos todos no celular. Cria-se a
dependência de sistemas falíveis. Gasta-se milhões de dólares para garantir a
defesa contra ataques virtuais. Os
limites de geração energética pressionam e limitam.
A cada dia a dependência aumenta e há
medo nas fábricas , nos escritórios de que o serviço virtual tenha uma parada
ou seja sequestrado e nada possa ser feito. A uniformização do fazer e do ver
estão apresentando limites perigosos com consequências imprevisíveis. Como pior
cenário, está a paralização de um país inteiro se os dois fios na tomada
nacional não funcionarem.
Mas a uniformização apresenta também o
perigo do conteúdo uniformizado e simplificado que condicione pessoas a
pensar superficialmente, formando um
consenso coletivo pobre e manipulável.
A ameaça de uma superficialidade de
conteúdo está presente e os meios de comunicação, atuando em imagens e
sons, ajudam a aumentar o condicionamento, que vive da ansiedade de mentes
mantidas em impaciência e intolerância. Nada de leitura, desenvolvimento do
intelecto. Pensar está ficando raro. Pensar
com os ouvidos e com a língua é o comum .
A modelagem para chegarmos a uma população de autômatos está
em curso. O país da oralidade simples e rápida. A realidade do burro falante no país cada vez mais comezinho. Como
falar em liberdade?
Se o complexo e o mais profundo vão ficar na mão de poucos , quem estará mandando
no pensar? Uma pessoa, um grupo, uma
organização só, um país, uma máquina?
E mais para a frente. Quem assumirá o
controle final? Quem vai escolher e
decidir desligar um país ou um continente ou o mundo? Ou quando um sistema
poderá perder a proteção geral e ser atacado?
No geral, está se formando a manada de
mulas eufóricas e falantes que possam responder a um único
estalo.