quarta-feira, 3 de maio de 2017

As escolhas e o futuro.Por que o negativo?


Blog. 3.5.2017

 
                               As escolhas e o futuro. 
                               Por que  o  negativo?
                         
                         

 
 
 
                      Multidões encarceradas em cidades, com seu direito de ir e vir deletado; presas em seus lares, na tensão de ser a próxima vítima, dando razão à frase de que há coisas que nos matam mais do que a morte. Até que ponto somos todos reféns desta exceção tornando-se quase regra?.  Se todos os fatos noticiados pelo país acontecessem na mesma cidade e no mesmo dia, teríamos o retrato maior de uma crise humana, típica dos dramas de guerra civil, do caos humano, da barbárie.
O ser humano criou o Estado a sua semelhança e assim ele é diariamente gerenciado pelas mesmas virtudes e defeitos do homem comum. O Estado, na mão de maus políticos e maus objetivos políticos, com suas mazelas e lampejos de bondade, facilmente toma a forma da média das pessoas a que deve liderar e proteger, podendo adoecer em sua mente e por isso estar exposto a um processo de evolução psíquica igual à de um mero indivíduo. É uma mera questão de intensidade e tempo. A cura pode levar décadas num século ou nunca mais ser possível.
Num reino de corrupção em tudo, não é nada estranho que um país seja controlado por “forças superiores” ( não só as que levaram Jânio Quadros a renunciar) , mas as mais baixas possíveis, onde o tosco, o fisiológico, a grosseria do bruto em pensamento dita modelos e a grande maioria é levada a ajoelhar-se. 
A liberdade de ação e organização bem como a alta rentabilidade de tráfico de pessoas, de drogas, de influência, de armas, de produtos roubados, de medicamentos falsos, de produtos alterados etc., etc. fazem com que várias quadrilhas conquistem o Poder, blindando seus seguidores e executores operacionais, escamoteando a realidade, praticando o corporativismo e escondendo, atrás de linguagem empolada e hipócrita,  a verdade , não só do povo (e o que importa o povo?), mas principalmente do oponente político.
O Governo de pessoas pode passar a ser só um instrumento na mão de pessoas tomadas pelos objetivos egoicos e a megalomania no Poder interesseiro de preservação, de modo que valores superiores ficam à deriva, enquanto o teatro montado é gerenciado só para seus financiadores e para o mundo político e seus partidos, embravecidos pelo Poder , mas todos distanciados da população.
Como exigir que a população  empreste  credibilidade e legitimidade às instituições sem desconfiança? Quando o Governo é para o cidadão comum só a Polícia Militar, chegamos ao nível mais básico da ideia de organização. E mais, que legitimidade têm esses corruptos alçados ao Poder, quando se sabe que foram eleitos graças a milionárias campanhas de marketing eleitoreiro, criando ilusão perante a população de um grande figurão político que asseguraria o bom futuro para todos com sua imagem miraculosa. Marqueteiros tem o poder de criar caudilhos, figuras luminosas de momento, inventadas na época das eleições.     
Na prática, ao longo de décadas, nem um deles fez nada a não ser assaltar, deixando para seus eleitores a saúde, a educação e a segurança aos cacos. Em consequência, num país tão diversificado e de tamanho continental, a toda hora há manifestações por causas mais variadas. As manifestações de bairros com problemas pontuais no dia a dia são substituídas, conforme a conveniência, pelas sindicais, sendo estas mais divulgadas a nível nacional. Alguns dos seus comandantes tendem a mostrar que tem poder junto à “base”, força de mobilização, mas em termos práticos só conseguem se vingar do próprio povo na medida em que propiciam eventos em que levam pessoas a obstar a livre passagem, quebram lojas e detonam o aparelho público municipal, vindo a interferir diretamente em milhares de interesses privados da vida comum. Aos manifestantes junta-se a gurizada aventureira da baderna pela baderna. Será que lojas quebradas, ônibus e pneus queimados, pedradas e flechas não são prejuízo só do povo para o povo? Carros e caminhões parados na estrada significam algo? Isto não é como pichação, só afeta o proprietário do imóvel pichado? Vandalismo e brutalidade não são resquícios da vida selvagem dos bárbaros e dos que não tem como dialogar? Será que isto realmente comove o Governo?  Nas manifestações com piquetes, os discursos não são para os próprios sindicalizados já cientes da “luta”, é o roto falando para o esfarrapado? A missa não é para os fiéis já conquistados? Seria o fim do sindicalismo nos termos atuais?
 Tais manifestações são de duvidoso êxito, pois o Governo acaba aprovando no Congresso tudo como quer. Sempre foi assim e depois a vida volta ao normal. O ego sindicalista foi satisfeito pela arruaça em si e o comandante mostrou seu poder local para seus seguidores locais. Vai ser reeleito também para mais uma gestão ou vai indicar o sucessor com tranquilidade. Na rua, o comerciante gasta com reparos, o povo continua na rotina, o Município recolhe as pedras e paus, repara os prejuízos em placas e o Governo comemora a falta de adesão popular. Em poucos dias nada mais se comenta. What´s next?.
Faltam meios mais ágeis de debate e diálogo. Os modelos atuais de democracia aqui estão defasados. Isto favorece a truculência oficial, a imposição e o menosprezo. 
Alguns políticos continuam com suas vidas de estratégia e arranjos com os mesmos defeitos e intenções de arranjar dinheiro para a reeleição. Na época da próxima campanha todo o passado é apagado e os marqueteiros, em filmes mitológicos, fazem seus heróis do momento. Se surgem acusações de corrupção, algum advogado, eufórico com os honorários, solta a premissa básica que ressoa pelos canais de televisão: “isto é coisa da oposição, faz parte do imaginário acusatório”.  E assim só para ilustrar esta realidade, que arrasta a vida, temos o seguinte:
 
É tudo “ imaginário acusatório”.
 
A todos os megalomaníacos,
que tentam  derrotar o Brasil,
deixando a vida em cacos,
a prisão, já que não se pode usar no muro o fuzil. 
 
O Brasil de cara escancarada,
a miséria evoluindo todo dia,
os vários tipos de  violência em via incontida,
a mentira fazendo parte de toda esta sinfonia.
 
Vergonha perante o mundo,
mas a esperança de acabar com eles,
a limpeza de Governos imundos ,
a verdade para acabar com todos eles. 
 
Para isso a Justiça tirou a venda oficial,
a Polícia Federal libertou-se,
o Ministério Público Federal tornou-se independente afinal.
 
A imprensa, honrando sua missão de informar,
a liberdade em cada página investigativa,
o Brasil pronto para se renovar.
 
Depois de toda a lavagem,
a esperança da queda do fascismo,
o país do povo, para o povo e pelo povo em nova passagem?
 
Faltará tratar do povo insatisfeito,
abandonado, egoico, manipulado,
contrariado, sem educação e alienado. 
 
Virá a verdadeira democracia
numa República de todos?
Talvez a violência cesse um dia.
 
Talvez o Governo tenha verdadeira legitimidade,
talvez mude e o povo nele acredite
e o país entre em outra realidade. 
 
Muitas décadas para isto,
uma tarefa tal,
sem a qual a vida será tal e qual ao até hoje visto.
 
Obras, viadutos e ruas bonitas,
para dar propina e fazer a produção passar,
não podem ser a via para a miséria e vazio infinitos.
 
Que país é esse?
Exatamente o país que a corrupção, a má-fé fizeram.
Que presente secular foi esse?
 
Brasil não pode continuar como “ bela viola”,
sendo por dentro “ pão bolorento” ,
se tudo do povo , vida , futuro e alma se viola.
 
 
Como a corrupção de décadas e décadas deixou o país em situação trágica com realidades que vão da miséria à luxúria, temos uma verdade para o momento: nada mudará da noite para o dia. A violência aumentará. Continuarão a má-fé, a má-intenção, os golpes. Ainda viveremos na carne o subdesenvolvimento, cujo desparecer foi retardado pela corrupção. Mesmo assim, do Brasil de 1950  ao de 2017, muito foi conquistado materialmente. Todavia, o atraso na cabeça, na cultura da Nação não acompanhou o mesmo passo.
Assim, por hora, enquanto nada acontece, qualquer pessoa, em qualquer lugar, de dia ou de noite, pode ser a vítima direta, pois o quadrilheiro é que escolhe. A impunidade é explícita; o banditismo está à vontade para aterrorizar as cidades grandes e pequenas. Bandoleiros invadem cidades à noite como nos filmes do velho-oeste. A população é refém da escolha dos bandidos.  
O Governo é igualmente refém na medida em que sua receita tributária é assaltada permanentemente em bilhões pelo sistema de caixa dois das empresas privadas, pela fiscalização corrupta etc., pelo contrabando, pela sonegação fiscal, por decisões tendenciosas em empresas públicas e de economia mista etc. De toda e em cada violência, cada cidadão que engula e digira as consequências na solidão doméstica, se escapar vivo. Quantas já não são as pessoas mortas e que continuam por aí? Quantas não estão e não são, mas ocupam empregos e cargos públicos e privados, produzindo algo com seu descaso, negligência, preguiça, desinteresse pelo bem do Próximo, pensando em sua aposentadoria?  
Num país de atividade ilegal, imoral e atos e medidas políticas desse naipe, só pode mesmo surgir a “Justiçocracia”, onde o Poder Judiciário e o Ministério Público é que vão indiretamente governar, pelo menos após os fatos, para dar uma aparência de formalidade e respeito diante da bagunça ameaçadora para qualquer vida e/ou empreendimento honesto no país.
É a “insegurança” generalizada num estado de tensão a todo instante. Há em todo lugar um olhar de desconfiança entre as pessoas, pois o Próximo não é mais amigo; há um ar de descrédito e de receio. Donos da vida e da morte, escolhendo vítimas com planejamento ou à esmo, os quadrilheiros, em bando ou solitários, andam por aí à caça. A rua, ao invés de ser o local de encontro e reencontro do humano, tornou-se o reino dos desumanos à espera da presa. Dizer um “bom dia!” para um estranho, nem pensar. Psicopatas, monstros sociais, doentes mentais se misturam aos bandidos comuns na sombra do dia. Pessoas honestas baixam suas cabeças e chegam a se sentir culpadas por ter conseguido algo com trabalho honesto. Rui Barbosa tinha plena razão.    
As antigas estratégias para fingir equilíbrio social de: pão e circo; notícias tipo boi de piranha para desviar a atenção da população; uso de vocabulário essencialmente técnico e difuso; apelo a assuntos externos, para fazer esquecer a realidade interna; criação de clima ruim para que a pessoa não pense que só ela é que está se danando; apelo à ameaça fisiológica, amedrontando a população com doenças que a fazem preocupar-se mais com a saúde do que com causas nacionais etc., não têm mais o mesmo sucesso e seu convencimento é parcial, graças à imprensa livre e às redes sociais. O discurso fascista já não tem mais vez e a realidade em números é gigante e atroz. Todavia, quanto à imprensa, ela será a última salvaguarda da comunicação desde que permaneça livre. Quanto às redes sociais, a sua credibilidade começa a macular seu destino; o serviço de informação e contrainformação já está colocando tudo em dúvida face à mentira estar sendo banalizada.
Com isto ou sem isto, não adianta cobrir o sol com a peneira. A verdade está escancarada. O Estado brasileiro não consegue cumprir suas missões constitucionais a contento.  A população quer soluções.  
Mas num pais, onde se pressiona o cidadão a consumir para que com isto a receita tributária aumente e ao mesmo tempo não lhe dá condições para tal, só pode haver uma grande frustração no preenchimento das necessidades impostas. Há uma juventude inteira recebendo tal pressão sem nenhuma perspectiva de chegar ao nível de consumo prometido. Fazem modelos de consumo de primeiro mundo e os impõem à população.  Isto gera insatisfação e apelo ao cometimento de violência em suas mais variadas modalidades, não necessariamente o crime visto nas ruas.  Natural que a insatisfação gere pessoas problemáticas, conflituosas e que se preocupam só como seu umbigo, como última defesa. O relacionamento pessoal pega fogo em qualquer lugar.
É comum que seres insatisfeitos ou permanentemente contraídos façam a opção errada e procurem agrupar-se aos seus iguais, em busca de soluções erradas. Surgem grupos, tribos, gangues com a mais variada intenção. Não pensam em uma solução construtiva, positiva. Preferem “criar” uma amizade com pessoas que estejam vivendo o mesmo problema e ali façam um grupo para fundar todos juntos. O “bêbado” une-se aos bêbados, os desonestos aos seus iguais.
Uma verdadeira mediocridade, todavia, dentro da realidade dos analfabetos e pessoas sem perspectivas. É o comum para os milhões de comuns; nada de extraordinário. Tudo é coerente com a estupidez, a grosseria de ideias e ideais de mentes teleguiadas e condicionadas num vazio preenchido por necessidades fisiológicas temperadas por contrariedade e raiva. Há um vazio cada vez mais difícil de ser preenchido. O fato é que o material não basta para preencher a vida e mentes ignorantes que já  não conseguem achar saída a não ser em obter mais e mais material, embora sua essência humana clame por liberdade, justiça e respeito. 
Em busca de material as saídas são igualmente imbecis e contra o país: economia e mercado paralelos, crime, violência, fugas, grandes golpes que ressaltem a vontade de não trabalhar e folgar na melhor, o que jamais é alcançado por tais ansiosos, gananciosos e megalomaníacos exibicionistas que acabam sendo pegos e/ou delatados.
O caleidoscópio vivo é feito de cacos da vida diária; um quebra-cabeças com peças móveis horríveis e de mau gosto.  A opção pela vagabundagem, pelo negativo, pelo submundo e seus símbolos, pelos modos de vida alternativa denuncia a descrença na possibilidade de mudança pessoal e nas políticas governamentais. Em suma uma descrença e um horizonte de vida reduzida. O dia a dia é preenchido pela realização efetiva ou perspectivas de  assassinatos, vingança, conflitos em todo lugar, brigas de rua, disputas de gangues, assaltos, invasão de casas e condomínios, atos de vandalismo, golpes diversos pelo mundo virtual, crimes de trânsito, várias modalidades de tortura doméstica entre casais e contra crianças e idosos e a negligência com a juventude. Enumerar atos que fazem parte do cotidiano nacional fica já até sem graça, pois toda a população vê e sente a realidade todos os dias. O triste é sentir que este drama humano está banalizado. Quanto dos problemas de saúde, hoje existentes, não decorrem dessa pobre realidade?  
O ser honesto vive no meio das aves de rapina que podem atacar a qualquer hora do dia: o ataque pode ocorrer pelo celular; no portão de casa; no carro que entrou por engano em algum bairro dominado pelo crime; no carro parado para trocar um pneu ou em pane; em falsos acidentes; em ruas bloqueadas com se fossem redes de pescar etc., na calada da noite e a qualquer momento. O que falar dos crimes hediondos, os esquartejamentos, os corpos sendo jogados em terrenos baldios com se lixo fossem, os espancamentos de ira total, sem piedade e muita frieza de caráter, os maus tratos ao Próximo, revelando um desamor pela vida.  A criatividade para a maldade é enorme e inesgotável. Em cada crime, roubo, assalto denuncia-se a falência do Estado, enleado em sua burocracia e eterna falta de verbas.  O que interessa haver Justiça após o crime? E que Justiça ágil temos numa pátria enrolada em burocracia?
É a selvageria e o medo. O estado de tensão. Pior do que o terrorismo esporádico é o terrorismo permanente na guerra civil à tarde e noite. A vida cruel nas ruas, a vida do dia a dia em perigo. Em meio a tudo isto a infância descurada, negligenciada física e moralmente, abandonada. A juventude violentada. As sementes do futuro estão contaminadas. Como não colher resultados? Um país onde o Governo paga pela construção de escolas que não foram construídas e o índice de inflação é afetado pela variação do preço do tomate. Ora bolas! Isto deve ser no mínimo parte da rede das  grandes mentiras e manobras da mentira. Polícia Federal e Ministério Público não são suficientes para acabar com isto.
Nas ondas diárias do mar de corrupção que envolvem o país, fala-se em milhões e bilhões com se fosse amendoim e pipoca, numa distribuição de naturalidade espontânea. Alguns partidos e alguns políticos, buscando defesas absurdas frente a veracidade; querendo exigir prova escrita neste tipo de delito. Agem e falam como se tudo que fizeram fosse um direito de assaltar. Enquanto isto a população arde com o desemprego e a violência; em qualquer lugar há um pai de família desempregado e com contas vencidas, com filhos a passar fome etc. etc., ferido em sua responsabilidade familiar mais relevante, em sua honra e dignidade. E as “elite” da política e do crime, assaltando as obras públicas, sem piedade; quebrando a economia, afetando a vida do país.  Uma atitude de dilapidação, um ato egoico que colocou o país diante da Vergonha internacional. Será que os políticos malfeitores com sua plêiade de seguidores e imbecis subalternos do crime preocupam-se com a tensão gerada no meio familiar devido à falta de dinheiro e de emprego? Será que pensam na criança que à beira da morte espera para ser atendida no posto de saúde? Será que se preocupam com o policial e sua família? Obviamente que não, pois o megalomaníaco só pensa em si e seu umbigo. 
O dano causado ao longo de décadas e séculos desta prática corrupta hoje é cruel, revela falta de amor ao Próximo, ato de facínoras, apátridas contra as famílias brasileiras.  
Que país deveria ter sido este sem toda esta devassa? Que país é este, onde um partido atrás do outro tenta jogar o mesmo jogo endinheirado, onde se tentou até alegar que era tudo imaginário acusatório e defensores tentaram alegar que isto tudo não era dinheiro de origem pública?
A miséria material, as consequências do analfabetismo e semianalfabetismo, a contrariedade ao ego, o fisiologismo etc. não são, todavia, suficientes para justificar a violência, a falta de amor à vida, ao Próximo, o menosprezo pelo coletivo e a raiva social contaminando os relacionamentos.  São elementos que ajudam a formação de um quadro onde a sociedade é infestada por elementos inferiores que se unem para construir o modo de pensar agir. Entre estes elementos está o Pragmatismo, o qual se uniu ao utilitarismo e ao racionalismo, métodos exclusivos para produção e comercialização, que acabaram contaminando e condicionando o ser humano, tornando-o uma mera peça útil para a produção. 
A tríade produtiva, aplicada de 8 a 10 horas por dia ao trabalhador, transferiu-se rapidamente para o relacionamento humano, fazendo com que as pessoas não acreditem no Amor ao Próximo e na a afetividade, a não ser a sexualizada; o sucesso de qualquer relacionamento entre homem e mulher medido pelo sexo, sem ele nada persiste, o que traz ainda mais contrariedade e insatisfação.
A redução da vida a uma realidade seca ,gerou agruras sentidas por algumas gerações e já integrantes do comportamento de outras sem muita dor, de modo que  da vida foram aos poucos se retirando do cenário humano o afeto, o romance, a poesia, o belo. Cordialidade, delicadeza, sensibilidade, gentileza, respeito e consideração já somem da vida diária e quando praticados são fatos de exceção e recebem por vezes desconfiança. A conversa e o humor dos operacionais há muito tempo não tem requinte de sabedoria, pois ficou na descrição de atos rotineiros, o básico sem qualquer reflexão. Prevaleceu o mecânico, o útil, o interesseiro, a robotização e o condicionamento para usar o Próximo.  É hoje o centro motivador dos seres enfiados em rotinas pragmáticas, uniformizadas e utilitárias. Esta realidade vai desde a linha de produção até a vida em escritórios. Oito ou mais horas ali e temos o perfeito robô, o legitimo filho da chocadeira que vai para casa, cego.   
Quem pensa que o humano não está morrendo se engana; mesmo afogado em dinheiro, coisas materiais e grandes e pequenas obras públicas, o humano aqui está virando robô frio, calculista e interesseiro num sistema onde os relacionamentos começam a ser perigosamente conduzidos pelas regras de “dente por dente , olho por olho” e expostos ao ego e sua ira quando contrariado, a semente da violência.   
Inevitável os efeitos do pragmatismo quando a multidão só tem como perspectiva de vida o papel de tarefeira e consumidora na mão de executivos subdesenvolvidos, diretores autoritários, atrasados e mal preparados que objetivam operacionalizar sistemas corporativos igualmente imbecis e fazer de suas mesas um balcão de negócios políticos e financeiros ou no mínimo ganhar dinheiro e só.  
O pragmatismo uniu-se assim a todos os “ismos”,aqui customizados a nossa maneira, e tornou o humano um mero seguidor tarefeiro, sem alternativas outras para sobreviver; sob suas teias, o humano passou a ter que pensar em “viver”, mas não “ como viver” ou melhor “conviver”. Certamente porque só um tarefeiro manipulado pode ser alienado a ponto de facilmente aceitar as falácias, mentiras e teatros do mundo político, governamental e corporativo, agora revelados e que eram estruturados para favorecer interesses de empresas financiadoras de propina. E houve dias nesta Pátria que pensar,  questionar e criticar era subversão, era crime contra a segurança nacional. Os efeitos foram devastadores. Hoje nem há está preocupação, pois a crítica construtiva inexiste.
No dia a dia, seja no ambiente de trabalho seja em casa, é ressaltado o lado seco da vida, portanto, uma vida seca. Enfim, um comunismo, não só o material determinista, mas o emocional, militando para tornar todos os cidadãos iguais, ou seja, contrariados, insatisfeitos, violentos em potencial. É natural que o humano submetido a tal escravidão mostre reação violenta, irritada, intolerante e intransigente ou fique também doente sendo obrigado a tolerar e engolir tal sapo. 
Como dar valor à vida de si mesmo e a do Próximo? As vidas secas, pragmáticas, interesseiras, estão em todas as ditas classes sociais e as consequências igualmente brutais e violentas. A revolta consciente ou inconsciente torna-se o campo é propício para o negativo, para a adoção de modelos de quinta categoria,  importados de outros países e/ou do mundo das trevas, do caos.
A preferência por imagens de caveiras, bodes, figuras assustadoras e demoníacas em vestuário e no próprio corpo denuncia a opção pela imagem negativa. É para afastar Próximo, com a mensagem horrível de “cuide-se, eu sou mais violento do que você, não se aproxime”. Também um indicativo de que pessoas não acreditam em mudanças em suas vidas e na do país, pelo que assumem uma imagem despreocupada. Isto pode ser só fantasia, aparência e alegoria, mas pode também ser só a ponta do iceberg de uma realidade em formação e sem muita perspectiva.
A juventude e as pessoas já teria entendido que não adianta mais insistir? Não vale a pena viver? Não é bom e necessário seguir modelos honestos? Muitas são as perguntas que as gerações retirantes estão a fazer, mas quem herdará o Brasil é a juventude atual e futura e que Brasil será este? Que imagens esses maus políticos, governantes e executivos atuais estão deixando na vitrine do museu do futuro a ponto de terem gerado tal desmotivação? Estaremos condenados a ser uma eterna feirinha de importados com produtos de quinta qualidade, campo de prova de medicamentos, área rural do primeiro mundo? Será que a juventude já aceitou isto e não entende que estão mexendo no futuro? Ou entendeu que a mexida já o contaminou de tal modo que nada adianta mais?
Seja lá o que e como seja, o negativismo e o pessimismo estimulados por determinados setores do comércio e indústria é derrotista, condiciona jovens a seguir um modelo entreguista que não dará bons resultados. Não há boa essência em nada disso.
Como promover o espírito empreendedor e o progresso do país no campo material e moral, se todo dia há um ambiente cheio de exemplos, modelos ruins e efetiva violência?
O campo é favorável ao pragmatismo e sua vida seca, ao utilitarismo e seu intuito interesseiro, ao racionalismo e seu vício de
berço quando aplicado no relacionamento entre humanos. Se tais “ismos”, aliados ao individualismo, continuarem a doutrinar as relações humanas, certamente os efeitos do ego contrariado serão muito piores e a selvageria será um modo de vida antes de a  civilização chegar ao Brasil. Continuaremos a assistir um verdadeiro filme/ série, com inúmeras temporadas, fazendo o horror social, é o que virou a vida em qualquer lugar, exposta ao crime. O cidadão se encolhe. O nivelamento é por baixo no país das quadrilhas. A mediocridade é o grande vazio da vida cotidiana.  A população ajoelha-se ao medo e chora os seus, que o crime levou ou pode ainda levar.  Precisamos de um Trump ou de um Rudolph Giuliani com tolerância zero para limpar o país?  
Enquanto a educação não for prioridade, enquanto houver negligência quanto aos caminhos da juventude, nada ficará como está, vai piorar. Como ser otimista, se a realidade mostra todos os dias quadros cada vez piores? O Enem de 2017 focará em Matemática e Português. Não é este o reconhecimento oficial de que chegamos ao fundo do poço? O Governo está sendo pragmático como sempre. Bom, para que cultura geral com História e outras disciplinas que enobreçam e tragam esclarecimento ao Ser em sua totalidade e deem uma visão geral da Humanidade, se a grande maioria das pessoas , digamos, vai passar de 8 a 10 horas por dia, de pé na linha de produção, por exemplo, cortando frango e picanha para exportar? Quem vai repensar o país para o progresso humano como prioridade? Como está nosso ensino superior? A miopia de interesses pessoais negou melhorar o futuro de muitos talentos. Como foi nosso investimento em ciência e tecnologia? Há como formar superbrasileiros honestos e isentos para isto? Enquanto ficarmos na luta já saturada entre direita e esquerda, nada irá para frente. Povo sem educação gera República e Governos igualmente despreparados; não pode ser diferente. Estamos longe do ideal de Thomas Jefferson de um governo de pessoas altamente virtuosas e preparadas.  E o Presidente da República já sobrecarregou os novos diplomatas com a hercúlea tarefa, dizendo “ vocês devem mostrar lá fora que o Brasil não é um “paiseco” “. Difícil missão diplomática a de acabar com a síndrome do cão vira-lata. No retorno de viagens internacionais, a primeira impressão que se tem é a da “liberdade” existente no Brasil, mas agora tal liberdade mostra sua cara, pois foi facilitada pela pura “negligência”, “descaso” com tudo e todos aqui. É o mesmo que acontecia com os que antes se vangloriavam do “jeitinho brasileiro” e hoje sabem que tal jeitinho era e é pura “ corrupção”.  Ademais esta negligência e este jeitinho existiam porque os governantes estavam para lá  de ocupados com seus umbigos megalomaníacos, descurando da coisa pública e do verdadeiro interesse público, deixando o povo livre e só dele se interessando na mediada em que a obra projetada para dar propina pudesse ser objeto de propaganda eleitoreira para garantir votos de reeleição.
Os modelos estão saturados, não se consegue avançar para construir uma sociedade livre, justa e solidária, erradicar a pobreza e a marginalização, reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem estar de todos, conforme prevê o artigo 3º da Constituição, onde certos políticos tornaram-se a nobreza em plena República com diretos de montar esquemas para assaltar os cofres públicos à luz do dia como execução de suas reuniões noturnas ou diurnas. 
Ao cidadão honesto só cabe colocar um olho no prato e outro no gato. Bom, pelo menos neste Brasil aqui, conseguimos responder algumas das grandes questões filosóficas da Humanidade, pois sabemos de onde viemos, quem somos e para onde estamos indo, aliás, voltando. E enquanto eu escrevia este texto, o muro do vizinho ganhou pintura nova: rsssssssssss
 Odilon Reinhardt.   3-5-2017
 
 
                                                             
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 3 de abril de 2017

O curioso espaço entre o não estar e o não ser .


Blog. 3.4.2017

 
           O curioso espaço entre o não estar e o não ser.

 

 
Em certa situação, quem já não se encontrou no estado entre o estar e o ser; uma transição de espera e uma pergunta sobre o ser a atingir? Mas quem em certa situação, todavia, sentiu-se no estado de não estar e de não ser; num vácuo, um espaço diferente?
Uma sensação de não estar e de não ser, pego num intervalo existencial. É bem pior do que ser ou não ser, estar ou não estar. É transitar numa expectativa muito mais grave, colocando-se no limbo do tempo de existência em alguma das fases da vida, que geralmente são bem definidas e bem estigmatizadas.
Que estado seria este que pode afetar uma pessoa ou um país? Primeiramente alguém que não está nem é, navegando pela vida numa expectativa sem entregar-se, mas querendo fazê-lo, pensando talvez  ser eterno e imune ao tempo à vida e suas fases.
Seria o estado de permanente disponibilidade, de total exposição, mas uma probabilidade de estar ou ser sem, no entanto, estar ou ser? Um limbo existencial numa ausência de status, uma alienação quanto à classificação em categorias, mesmo que a sociedade acabe colocando um rótulo para a situação, exigindo ser ou estar?
Apesar da intolerância social quanto à indefinição, já que ela agride o utilitarismo e o pragmatismo de modo grave, a sensação de não estar nem ser pode persistir na mente de uma pessoa que se coloca como mero passante, um eterno passageiro do tempo, sem se entregar a nada e a ninguém, dando à sociedade um sentido de incapacidade de ela interferir na mente individual. Uma vida dissimulada, fingida, que caracteriza o curioso e preocupante estado de não estar e não ser, talvez querendo ou imaginando  ser ou estar ou nunca ser nem estar, apesar de a pessoa, para o mundo formal, ser algo, ocupar um cargo , “representar” um papel etc. 
A questão é investigar quais condicionantes sociais geram e geraram este estado de estar sem estar, de ser sem querer ser e quais os efeitos disso para a sociedade e sua estrutura produtiva. Certamente psicólogos e psiquiatras e filósofos e sociólogos  conhecem o quadro, mas a pergunta é o que suas associações e classe fazem para explicar e resolver tal estado a nível coletivo, já que o país possui talvez milhares de pessoas neste limbo, diminuindo a força de trabalho e a mão de obra especializada.
O humano à deriva. O que estaria produzindo tal realidade camuflada e constante no pano de fundo da vida nacional?
Seria este já o reflexo de terem deixado que “forças superiores”, através de mensagens subliminares e mesmo diretas, brincassem, durante décadas, com os jovens, sob pretexto de “modernizar”, passando-lhes a ideia de que: a vida é curta, curta o aqui e agora; nada é para sempre; não se entregue a modelos princípios que são sejam os seus; o importante é curtir, o futuro a Deus pertence; consuma para ser feliz;  o Próximo é o seu competidor e rival; você vale o que aparenta ser; não acredite em ninguém com mais de 30 anos; a teoria é diferente da prática, etc., etc. conforme até hoje em andamento? Ou seria o arrepio diante dos modelos postos que não deram resultados e a ausência de bons modelos seguros, confiáveis, justos e honestos para o cidadão; a miséria, a instabilidade; a transitoriedade das coisas transportada para as relações humanas; o usar o Próximo? Ou seria também a queima de sonhos e talentos, o fingir ser e o fingir estar para aparentar ser; o descrédito e desconfiança por falta de esclarecimento e educação formal; a impossibilidade de realizar sonhos e projetos colocando a vida à deriva; a reação do ego com violência, fuga e desafogo do dia a dia; a impossibilidade de realizar-se, ficando sem alternativas a não ser a de jogar-se no espaço entre o estar e o ser; a existência desperdiçada numa representação teatral na rotina perigosa de imitação da vida, independentemente se a pessoa tem profissão ou emprego?
Sem adentrar na quadra do bipolar, do fronteiriço, do alienado ou do ausente, mesmo que isto tudo seja semente para tais problemas comuns hoje em dia, as raízes do espaço entre o não estar e o não ser podem derivar de uma constante insatisfação e sua não aceitação, levando a realidades muitas, onde o cidadão com seus sonhos e talentos ficou embaraçado entre o estar e o ser num país de permanente miséria, corrupção e modelos mal interpretados, onde quase tudo aparenta ser, mas não é.   A própria eleição de ladrões para exercer cargos públicos com posse cheia de discursos e promessas, pompas e circunstâncias, que deixam o cidadão comum humilhado em sua ali colocada insignificância, mas depois irado diante da desfiguração dos eleitos e sua corrupção e posterior revelação de envolvimento em esquemas de roubo do dinheiro público. É quase um país de faz de conta, um teatro vigarista para iludir. O próprio país coloca-se num permanente não estar e não ser, em inúmeras situações.
Certamente num país passando por tantas complicações existenciais é quase impossível que a contrariedade não seja quase a regra. Ninguém pode tudo e muitas são as insurgentes impossibilidades na vida normal do rebanho. Há uma persistente pressão sobre o cidadão de todas as idades para que ele consuma, havendo apelos para criação de desejos e sonhos materiais, que acabam não sendo satisfeitos. Há a permanente imposição de modelos e classificações do ser humano pelo critério do ter. Como contribuição para esta realidade há o fato de que hoje a propaganda, a TV etc. aceleram a sensação temporal, gerando uma ideia de obsolescência permanente das coisas, dando a impressão e espalhando a mensagem de que nada vale a pena além do momento. A obsolescência, a realidade passageira do mundo artístico e das coisas materiais é acelerada ao extremo, talvez até pelos limites de tempo, o qual deve ser comprimido para alargar a programação e possibilitar a maior utilização possível do horário e do campo visual do expectador, explorado ao máximo na intenção de ali incutir alguma necessidade. Outro aspecto a ser considerado é que tal realidade virtual e ilusória torna-se problema quando é transportada para o campo das relações humanas e as pessoas querem usar e serem usadas; querem aproveitar ao máximo porque tudo pode acabar logo. A vida é curta, tudo é passageiro, nada dura para sempre passam a ser dogmas. Pode ser verdade senão se souber preencher a vida com algo mais virtuoso. Isto também gera inúmeros problemas de relacionamento e conflitos existenciais de natureza afetiva, gerando insatisfação.
Ora, quantos brasileiros hoje só tem a TV como fonte de tudo? Os meios de comunicação permanecem explorando tal realidade em seus anúncios e propaganda para criar vários ambientes desejados e principalmente para criar desejos para um ambiente consumidor desesperado. É visível que a aceleração exercendo pressão cada vez maior gera o medo de perder ou não ganhar com consequências desastrosas no campo material e afetivo.
Dirigido pelo medo de perder ou não ganhar é evidente que a ansiedade surge de imediato e como o país não atende a toda a expectativa falsamente pregada e repetida, a contrariedade é comum e um visitante permanente na vida do cidadão que, via de regra, desconhece como lidar com seu pensamento, seu ego de vaidade, ganância, ciúme, inveja etc. e acaba em crise existencial, levando-o invariavelmente à revolta contra tudo e todos, na procura por culpados que justifiquem sua permanente insatisfação.
Vulcões ambulantes fazem surgir em cada cidadão a impaciência, a intolerância, a inflexibilidade, a ideia de estar sendo atrapalhado pelo Próximo na rua, no trânsito, na fila, na profissão etc. A vida é conduzida pela agitação mental, a euforia, a confusão, a agonia, a carência afetiva e a insegurança. A ansiedade passa a ser o centro  de problemas . A saúde vai para o lixo e vira problema banalizado, mas caro.
Assim  tudo continua gerando vulcões. Por motivos e necessidades de manter a receita tributária, continua sendo prioridade acelerar o surgimento de necessidades para que o consumo seja garantido. Acelera-se o desejo e a vida das pessoas, as quais viram fáceis vítimas e peças de caça; oprimidas por sua inconsciência, falta de esclarecimento e falta de discernimento. Meras peças de manobra na grande fazenda nacional.
Turbina-se o estado de permanente insatisfação, gerando em muitos a sensação de não estar e não ser, dentro de um espaço de uma vida por vezes sem sentido, difícil de ser preenchida, já que a realização de planos e sonhos pessoais está cada vez mais impossibilitada.
E como não dizer que este estado não é diariamente enfatizado como os hábitos e costumes criados pelos aparelhos da informática? Pessoas uma frente às outras com celular ligado. Não estão ali, pois estão de corpo ali, mas com a mente em outro lugar. Corpos presentes e almas ausentes. Mentes sempre esperando algo, informações, mensagens, sempre não querendo perder nada, sempre ligadas no tititi de suas vidas vazias de conteúdo, permanentemente fora do local onde se encontram, ligadas no virtual fora dali. O querer TER ( válido para ter coisas e pessoas) aqui cria também  o espaço entre o ter e o não ter, exercendo  pressão enorme sobre o homem do dia a dia, submetendo-o ao “segredo” interno de estar em constante ebulição e contrariado em algum ponto. Este estado também joga-o no espaço do não estar e do não ser, já que hoje o Ter supera o Ser em relevância. Como entregar-se a um relacionamento, emprego, situação etc., se existem outras lá fora com possibilidades múltiplas?
O instrumental tecnológico acelera o surgimento de frustrações e contrariedades do ego de modo permanente em situações repetitivas do dia a dia existencial como também nas questões de fundo como afetividade, amor, rejeição, carência afetiva, carreira profissional etc.
 Não estar e não ser, uma sensação que pode pipocar aqui e ali no dia, mas que pode também ser a realidade de muitas pessoas durante uma grande parte da vida. Seria como viver numa dimensão paralela à real sem sair desta. Uma vida dupla produzida pela constante sensação de frustração e insatisfação de não ter conseguido estar, ser e ter. 
Pessoas expostas permanentemente à contrariedade em sua existência não deixam de alimentar e construir sua vida interior dirigida à agressão como válvula de escape. Se a violência for ou não para fora, ela já existe internamente, corroendo o indivíduo impiedosamente. Em qualquer hipótese a grosseria, a rispidez, o sarcasmo, o humor ácido é o mínimo que se pode esperar.
Pessoas aparentemente calmas e controladas podem se tornar, de um minuto para outro, violentas, em palavras ou fisicamente, cometendo atos que podem determinar o futuro a partir de então.“Quem vê cara não vê coração”, com se diz. 
Milhares de pessoas nesta situação compõem um cenário de potencial conflito e violência a qualquer momento. Sem recursos para uma autoanálise,  sem vocabulário , sem uma estrutura formal de lógica pensante, a reação de pessoas,independentemente da classe social, só pode ser tosca, violenta, própria dos brutos até no perigoso silêncio em que se metem para fingir. É a revolução tosca do animalesco, revelada ao mundo em pedradas, pichações, quebradeiras, arruaças, paralisações do trânsito em rodovias, e em todos os demais eventos, onde fica mostrado o não ter nada a perder e a haver com nada .   
É comum que a descompressão vem num tapa, num ato impensado, num tiro, num ato impetuoso qualquer em plena cegueira da ira.  A raiva social aparece na intolerância e na inflexibilidade contra qualquer diferença seja social, econômica, sexual, religiosa, política, racial. Pode também vir através de outros meios pacíficos com a fuga através de viagens, drogas, isolamento, obsessões religiosas ou esotéricas, fanatismo por uma determinada atividade, coletiva ou não, tudo para mascarar a real situação de contrariedade e insatisfação.
Em qualquer caso, qualquer sinal de diferença agride e ressalta o estado em que a pessoa se encontra. A mediocridade é a marca perpétua do incapaz de retirar-se do estado em que se encontra de modo que qualquer um que lembre o indivíduo de sua condição real provoca um estado de agressão. A verdade sempre choca. O que ele não conseguiu, se obtido pelo Próximo, provoca a desigualdade e a sensação de injustiça nos níveis mais variados e diversos da atividade humana. Não é de se descartar que o simples ato de comer alimentos não chegue a ser ostentação e alguém chegue a ser punido por isto. A linha social descendente está cada vez mais medíocre e perigosa.
Inevitavelmente a vida nacional traz contrariedades e o ego individual e coletivo reage. Mas a vida traz compensações e há um certo equilíbrio de modo que quem não estava passa a estar, quem não era passa a ser e quem não tem passa a ter. Há sempre esta transição e solução.
Todavia, há a situação que atinge milhares de pessoas que estão num permanente não estar e não ser e passam a vida nesta insatisfação como barcos à deriva. Não estão no porto e não tem porto para chegar.
Todos estão misturados, ou seja, os contrariados por algum tempo e os para sempre. Ambos podem passar pelo desejo, via de regra, de distribuir seu estado, pois não toleram sofrer sozinhos; vão investir contra o Próximo direta ou indiretamente. A agressividade fica latente. O Próximo é o culpado por existir na frente de tais pessoas. A psicopatia, a sociopatia aumenta e agrava-se, pois para tais pessoas alguém tem que pagar, alguém é o culpado. A criança, a mulher, o idoso ou qualquer outro sofre a violência. Ressaltando que a mulher apresenta-se como a mais forte e séria defensora da família e o ser de maior resistência e persistência na defesa, muitas vezes das mínimas estruturas restantes da instituição de suporte à vida. É a violência física.
E há ainda a violência embutida em projetos de obras, na falsificação de medicamentos, na adulteração de fórmulas químicas de produtos industrializados, na fraude fiscal, na corrupção etc. que nada mais refletem um estado de desconsideração ao Próximo.
O comportamento mais comum é norteado pelo mote “se eu sofro, os outros tem que se sofrer também “, o qual  é  a raiz da violência, da negligência, do descuido, da falta de comprometimento, do desinteresse, do relaxo, do atraso, do descaso, da falta de amor à vida .
Para o medíocre, a vingança, através da agressão, ajuda a desafogar a mente por um instante, mas depois surgem mais consequências sobre ele e mais sufoco; uma roda viva crescente e já banalizada face à contínua repetição de casos divulgados diariamente. Na verdade, é atitude infantil do bruto, do tosco que não sabendo pensar nem expressar-se permanece no nível mais precário do modo de chamar a atenção e compartilhar problemas. Para ele permanece a condição primária de chamar “quero minha mãe”; resquícios do “ quem não chora não mama”, reação, portanto, de grito de socorro.
O desrespeito, a desconsideração, a raiva contra o Próximo é latente, pulsa à flor da pele; uma constante tentativa de dolo eventual. As pessoas se arriscam; é o caso do querer não querendo; no fundo a fonte de tudo está em “ o cara que se dane”. Atitude típica do inconsciente, do imaturo ainda animalesco.
No trânsito, no projeto da obra mal feito, na consulta médica negligente, etc., impera o desrespeito ao Próximo. Por trás de tal falta de consideração, um ser humano perdendo a humanidade, gritando por socorro na multidão, um que quer estar ou ser ou talvez um que já se encontra no estado espacial do não estar e do não ser.
Em todo caso o Próximo é o inimigo. Chegamos a isto. O medo do Próximo. Aumenta a venda de armas, a de alarmes; aumenta a concessão do porte de armas. A segurança vira um excelente e lucrativo negócio, gerando empregos e impostos. Já é verdade que não será de “ interesse público” acabar com a violência para não afetar o setor e gerar perda de receita? A violência é interessante a alguém poderoso como sempre. O absurdo pode estar tornando-se realidade.  Estimular a venda de armas e a sua exportação vira objetivo do Governo.
E o que dizer da geração de jovens que está esperando oportunidade, mas que foram abandonados quanto à boa educação escolar e muito mal orientados quanto à visão de mundo e de vida. Vão engrossar a grande quantidade de contrariados e poderão pertencer ao grupo dos que não estão nem são. Não terão nada a perder. As consequências da falta de perspectiva, da falta de solução, da falta de possibilidade de melhora poderão ser magnificadas socialmente no momento em que explodirem para reagir. Só um cego não observa o poder dos jovens com um celular ou uma pedra na mão, podendo promover reuniões a qualquer momento. Os jovens já notaram que mexeram no futuro que irão enfrentar.
Mais violência, mais problemas advindos do despreparo para conviver, mais desconsideração por tudo e todos, porque quem vive num estado permanente de não ser nem estar não tem mais nada a perder e vive na dimensão ilusória longe da dimensão onde estão as pessoas normais, estas mesmo que momentaneamente contrariadas, mas com perspectivas de ser ou estar. Quem não enxerga mais saídas, já não dará o mínimo para ser aceito, pertencer a algo ou ser reconhecido.  Não tem nada e já nem quer ser , ter ou estar e pode afinal promover um evento de uma “Cidade de Deus “ em cada esquina ou abandonar-se e nada fazer .
O cidadão comum estará e será sempre ameaçado e acuado. Terá medo, como já tem em algumas situações, de mostrar ser ou estar e até mesmo de mostrar ter.  Tendo trabalhado honestamente e conseguido bens não poderá expor nada, não poderá mostrar diferença nem destoar do comum. Estará submetido ao  império do medíocre, do nivelamento por baixo, tudo sob o crivo da supervisão atenta do ego em inveja, ciúme, ganância etc. Não haverá meio termo: mostrou ser, estar ou ter de modo diverso do geral, terá que pagar pelo que a diferença ocasionar na mente da pessoa que o visar. 
Quanto da realidade é feita destes seres em estado intermediário, empurrando-se pelos dias da vida nacional? Quantos estão atrás de jalecos, uniformes ou ternos com gravata? Quantos não sãos mendigos enrustidos e ricos? Um grande empresário, um importante diretor ou gerente não pode ser um mendigo emocional?
Talvez os da rua, aqueles que não querem mais nada, sejam mais transparentes e decididos.   
                                  O mundo da rua.
 
Vidas desviantes,
que se arrastam pela existência,
como complexos navegantes.
 
A realidade de rua,
sem ligações, sem bens,
a realidade ali sua.
 
Vidas das calçadas,
fazendo o miúdo, drogas e medo,
alimento em sacolas furadas.
 
São vidas que vão errantes,
que rolam pelas ruelas e praças
em número bem maior do que antes.
 
Rostos desconhecidos, banidos,
não cabem mais no sistema,
onde foram produzidos.
 
E nem querem mais nada,
só o mundo da rua,
nada mais.
 
E o que dizer
dos pobres e vazios mendigos ricos
que são obrigados a se esconder?
 
Este texto é tão somente um alerta de que algo pior está se instalando. Nada pior do que uma população com alma insatisfeita e seres à deriva. Isto não é garantia de prosperidade e riqueza em nenhum campo. Uma população feita de presos na escuridão de um segredo ou de um estado que nem sabe analisar ou identificar. A grande maioria, considerando as condicionantes existentes e o processo de  robotização e manipulação das massas , nem sabe o motivo–raiz de seu mal-estar constante, de sua pressão arterial elevada, de seu diabetes, de suas dores e de sua insatisfação constante que faz pressão existencial,  pressionando-o  de dentro para fora .
A reação é latente, geralmente negativa, daí a violência que pode surgir inesperadamente em qualquer solução de vida. Uma pessoa afogada em sua vida espiritual acaba achando um meio de desabafar e qualquer um que a cutuque pode provocar uma explosão inconsequente e destrutiva.  Hoje não é difícil ver que à noite já existe uma guerra civil, tornando a noite um período de crimes e caça ao Próximo. Pergunta-se em que porcentagem a noite já não está invadindo o dia, pois de dia ou de noite há batalha nas ruas e estradas; a qualquer momento ocorrem as atrocidades gerenciais e interpessoais no mundo corporativo etc., etc. As exceções estão se alargando.  
Um amontoado de Seres que não realizam seus sonhos sejam eles consumistas sejam profissionais sejam vitais. Uma insatisfação constante. No que vai dar? O fisiologismo mantido em alto grau de contrariedade implica violência interna  e externa e tende a explodir como vulcão maltratando a todos.
Mesmos nos locais de pão e circo, já faz tempo, que a violência surge. Um caso aqui outro ali no país e uma plêiade de casos no final de cada dia. Pessoas presas nestes estados de insatisfação, seja transitória seja permanentemente, em sua demonstração cega de violência, não tem nada a perder, pois estão movidas pela ira; não veem nem valorizam as instituições, as quais, via de regra, nem sabem o que fazem ou o que significam para a estrutura da vida social. A destruição e o dano parecem gratificar seu prazer egoico de se expressar.
Uma multidão neste estado pode, sem dúvida, afetar a qualidade de vida no país, representando um risco permanente à segurança individual, ao direito de ir e vir, à produção e ao livre consumo gerador de impostos. É a mão de obra e o indivíduo economicamente ativo que estão sendo afetados, porque a mente do cidadão está sendo sabotada.
Já é visível o nivelamento por baixo e o que era exceção e continha-se na margem estatística aceitável torna-se preocupante e numa espiral ascendente. Alienação, abandono de si mesmo, desistência, opção por vida alternativa, depressão, revolta, opção por fórmulas e modelos negativos faz parte de um conjunto de atitudes sem qualquer perspectiva de dar certo. Qual é a mais perigosa? Qual causa maiores danos ao país?
Na mente bisonha e vitimada por estes estados de insatisfação sempre a preocupação individualista e a crucial pergunta “por que respeitar Próximo?”. Aumentam os crimes passionais e patrimoniais com requintes de crueldade e direta demonstração de raiva do Próximo.
Mais polícia, mais leis penais, mais penitenciárias, menos escola, menos educação de qualidade. O pior é que podemos estar entrando numa fase em que a escola e a faculdade não fazem mais falta, pois a cabeça do cidadão não comporta mais tais dificuldades e por que não dizer “ aberrações”. 
Mas apesar de tudo isto, o país, a médio prazo, não enfrentará o caos, somente prosseguirá avançando com menos energia, atingindo metas com menos velocidade, mas  numa comprometedora lentidão, que o coloca em descompasso com as imagens mundiais divulgadas pelos instrumentos do mundo da informática e pelo marketing destinado a estimular o consumo, acelerando sonhos e planos individuais.  
A preocupação é com um retardo histórico e uma dependência cada vez maior de tecnologias externas e o afogamento do humano nacional. Uma perda de pessoas qualificadas ou pelo menos com potencial e talento revela a realização da brutal teoria da seleção natural, pela qual só os mais fortes prosseguem, portanto, uma elite natural como resultante da exclusão de milhares. O homem-comum, jovem ou idoso, embora com dificuldades muitas, não deixa de ter seu instinto, seu senso-comum, aspirando sempre por justiça ,igualdade e liberdade possuindo o poder de indignar-se e ,portanto, continuará a protestar por seus direitos, criando confusão e manifestações.  
Necessário ressaltar que a seleção de elite não será suficiente para preencher todas as necessidades da estrutura formal do país. A cada ano “ alea jacta est”  e a soma dos anos a seguir dirão no que tudo isto vai dar.
Afinal, o futuro aqui não é mais aquele que estava para ser. Ou, pior “ a Nação não é mais o que ela pensava ser”.
Pergunte-se a não sei quem: como cada cidadão vem se sentindo, ao invés de saber se tem TV e geladeira?   Como está a mente de cada pessoa, que médicos consulta e que remédios toma? Quais os efeitos disso na vida produtiva? Quantos estão com depressão? Quantos já desistiram ou estão para desistir de tudo? Temos um Brasil a temer? O jogo de luzes existente pode estimular as pessoas a progredir? Reformar o Brasil, seguindo ditames  transitórios para solucionar a  recessão econômica, não é  nivelar por baixo? A recessão econômica já não é ela uma resultante do estado mental população? Não estamos aceitando o pequeno, o nivelar por baixo, o miúdo? Deixaremos de ser o país com síndrome de viralata?
O ministro Teori Zavascki em um de seus discursos perante o STF disse “o país está doente”.  Já a atual presidente do mesmo  Tribunal, em situação posterior, admitiu que “ os brasileiros precisam mudar”.
Ainda há tempo para providências para evitar o agravamento da realidade do cidadão. Não bastam só obras públicas, é necessário tratar a educação de outro modo e com cuidados quanto à mente das pessoas, sempre levando em consideração o fator humano, o fator emocional para o bem estar de todos e a credibilidade de que o país vai efetivamente melhorar. As soluções devem ser de cérebro, para o cérebro e com o cérebro e não com o interesse mesquinho eleitoreiro de umbigo e fígado.
 
Odilon Reinhardt.     
      
      
 

sábado, 4 de março de 2017

O que querem?


                                                  
 
3.3.2017
 
 
                                                                        O que querem? 

 

 
Com toda esta corrupção que veio à tona, ficou afinal demonstrada a verdadeira identidade de nossa vida política e o caráter de grande parte de nossos políticos, seres egoicos, reunidos numa casta dita por eles “superior”, vivendo à custa dos impostos e que agora mostrou sua alma coletiva destituída de qualquer virtude; ficou demonstrado porque o país desde 1500 cresce lentamente, sem cuidar da educação com seriedade e atrasa investimento em infraestrutura. Espera-se que seja o fim do país da política de favorecimentos pessoais, da prática do “jeitinho brasileiro”, do tráfico de influências, do carteiraço, dos privilégios, das sinecuras altamente remuneradas, da desigualdade em tudo e do nepotismo, das grandes armações secretas e corruptas, o fim de estruturas e procedimentos sem muita racionalidade para garantir o empreguismo; o fim da farra com o dinheiro público. 

Muitas verdades ficaram escancaradas e confirmadas. Uma delas a verdadeira natureza do  interesse pela coisa pública, sempre objeto de tantos discursos de falso e fingido espírito.  O que sempre prevaleceu foi o umbigo, o interesse megalomaníaco, a vaidade, a ganância e a propina. Obra pública tem que render propina. 

Décadas e décadas de governos republicanos que viveram na opulência de suas cortes e palácios, mascarando seu autoritarismo, intolerância, prepotência, abuso de autoridade e alto poder de manipulação através de notícias sistematicamente plantadas na imprensa para dar à população a fascista ideia de estabilidade e a realização de obras fundamentais para o “progresso”, que agora se sabe de quem. Tudo de verdade é escondido, escamoteado e desvirtuado para proteger a imagem do partido e seus políticos com vistas à próxima eleição. É instalada a rede de mentiras.    

Sempre o interesse privado, oficializado como público pelo governo posto, fazendo a realidade e conduzindo as imagens politiqueiras via TV. Sempre a vontade de aniquilar qualquer oposição para manter o governo ideal como uma eterna, próspera e promissora ação entre amigos. A inevitável falta de independência entre os Poderes num entrelaçamento de muita amizade e boa vontade. A Justiça por anos dobrou-se ao Poder até chegar ao descrédito quase total, titubeou com o Mensalão, mas soube reagir e com a Lava Jato ressurgiu como uma instituição digna, reobtendo a confiança da população. Foi uma das mais expressivas representações do ressurgimento da Fênix, em alto estilo e crédito.   

Agora é possível entender melhor os erros enormes da cultura política e crises econômicas, levando a população por anos cinzas e de muita enganação enquanto quadrilhas assaltavam os cofres públicos por um século. O país de obras paradas, abandonadas, mas que foi capaz de em tempo recorde construir Brasília e recentemente os estádios da copa do mundo, mesmo sabendo da realidade econômica e financeira que já existia e crescia nos bastidores. A ganância não tinha mais limites. Não interessava o país, interessava a propina, os grandes alforjes individuais e partidários, numa clara manifestação de interesses pessoais colocados como públicos.

A crise atual mostrou um país de governo à beira do caos. Mais 6 meses sem alterações básicas no governo e na economia, o que ocorreria?  Pergunta que poucos fazem e ninguém escreve sobre o que seria. 

O fato é que se espera que a população acostumada com o governo como Poder Central, forte, dominante, gerador de empregos tenha entendido que o Governo não gera nada, só tem o poder de coordenador e regulador; no mais, tem sido um sugador de impostos e alimentador de inúmeras situações de cargos e salários fora da realidade, burocracia e corrupção enquanto o país vive na miséria do campo e na periferia das grandes e pequenas cidades. 

Agora por falta de consumo, há menos impostos e a população viu o retrato do que é o Brasil de verdade.

A diminuição da máquina pública será a imposição. Menos governo, menos empregos públicos. O Judiciário acordou, cortou os laços com o Executivo que o afogava e mostra-se outro, digno. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal limpando o país.  E quando a receita for normalizada nada voltará a ser como foi. O foco será na criação de empregos via iniciativa privada, espera-se mais livre e protegida dos esquemas de propina. O espírito da operação Lava Jato mantido para sempre como salvação. 

O fim do governo gerador de empregos em seus quadros. Ainda resta fulminar os cargos comissionados em assessorias de coisa alguma, gerando emprego para os que ajudaram em campanha.  

Quantas gerações e talentos foram ceifados por esta época que agora se espera esteja no fim? É a hora das consequências para as gerações de jovens que terão um Brasil mais duro, mais penoso e difícil. Após mais de um século de farra, agora vem a cobrança maior e esta recairá sobre uma juventude despreparada, vítima de governos que não deram o rumo e a estrutura  certa para a educação. Darcy Ribeiro em 1982 alertou e já era tarde “ Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios “. Foi uma das  previsões desse grande brasileiro. Ninguém o escutou. O abandono da escola pública foi a tônica nas décadas subsequentes, diante das crises econômicas até 1994. Colégios públicos de excelência foram deixado à míngua. 

Todo este uso da juventude que tem sido abusada pela indústria da diversão e outras para garantir o consumo, toda esta propaganda enganosa e o tráfico de drogas etc. tem afastado a juventude da visão de futuro e mergulhando os jovens no aqui-agora, fazendo-os pensar que a juventude é eterna, supervalorizando um trecho curto da vida chamado adolescência e juventude. Depois há um longo período de colheita.  

Algumas verdades tem aparecido esparsamente como o abandono escolar, a reprovação em massa, a falta de leitura de livros, a dificuldade na matemática, o abandono nos cursos de engenharia, a falta de mão de obra qualificada para a indústria, o aumento do consumo de drogas nas escolas e universidades etc., etc., a falta de mão de obra qualificada, o altíssimo número de analfabetos.

Se a sociedade cresceu em quantidade e matéria, se o governo não vai ser mais o gerador de empregos direta e indiretamente, se tudo depende dos impostos vindos do consumo, o futuro depende da empresa privada, ela é que sempre esteve fazendo a vida no país mesmo nos anos mais difíceis da ditadura militar, quando se desacreditou o empreendedorismo nacional e uma das únicas vozes a favor da empresa privada era a de Henry Maksoud em São Paulo.  

Há milhares de pequenas empresas e negócios que infestam ruas e calçadas fazendo o comércio do dia à dia. Mas qual a qualidade, a eficiência, a rentabilidade de tais negócios? A maioria sobreviveu às crises. Poderia ser muito melhor, mais promissor.  Não são as indústrias que vivem das exportações, destinando o pior para o mercado interno, que irão garantir a receita e a vida do cidadão, mas sim as milhares de pequenas empresas e negócios espalhados pelas cidades, dando oportunidade a pessoas e famílias para sobreviver e ter salário.   Mas indústria ou comércio sempre necessitam de pessoas com educação formal.  

Como está nossa força de trabalho jovem em plena época da informática? Certamente são campeões em passar mensagens vazias e operacionais, craques em lidar com aplicativos e enviar fotos, em saber de tudo e do nada superficialmente. Mas o jovem quer dinheiro, quer bens, quer aparentar ser, é exigente e cada vez mais egoísta, quer pertencer, aparecer pelo ter. Há enorme pressão sobre ele quanto ao Ter. Quem ensinou a juventude a não se comprometer com nada, quem ensinou que o que vale é o agora, quem lhe inculcou a ideia de que não vale se entregar a nada?  Quem deixou o individualismo e o egocentrismo materialista se instalar no país? Quem fez isso agora verá as consequências.

Agora o país vai precisar das gerações jovens e estas vão precisar de um país melhor. E como estão as gerações? Em grande maioria mal condicionadas, despreparadas, atrasadas, desqualificadas para ter a suficiente persistência e força moral para aguentar o tranco da vida.  Apesar de toda a maquiagem e manipulação da juventude, as etapas da vida continuam as mesmas, cada uma com suas dificuldades e necessidades.  Como este notório despreparo e  desqualificação poderão manter a vida saudável longe da violência ?

As gerações necessárias e úteis viverão com dificuldades extremas. Manifestações e revoltas dos últimos tempos foram a pura expressão de uma incontida insatisfação que não pode ser explicada pelo próprio insatisfeito por falta de consciência. No combate ao aumento de uma passagem de ônibus havia muito mais a ser lido e explicado. O que querem os jovens? Difícil que saibam claramente, tal o poder dos atuais meios de diversão e ilusão. Querem algo pontual que esteja sendo motivo de insatisfação imediata no aqui-agora, já que pela idade e pela inconsciência criada pelo ego dominante na sociedade e pela própria fase incompleta de seus estudos, se os tiverem, não têm a visão do quadro geral no cenário nacional e todos seus itens, inclusive ideológicos. Não sabem que estão sendo usados e manipulados e que o futuro está ameaçado. E as causas das manifestações, ainda não analisadas a contento, revelam uma insatisfação de proporções muito mais sérias; descontentamento que está crescendo em silêncio no dia a dia. Talvez suas pichações, arruaças e quebradeiras gritam em silêncio, exigindo o fim da mentira, da falta de transparência, da falta de diálogo, dos esquemas de propinagem, das obras sem finalidade, das negociatas, da corrupção sem fim, dos arranjos e barganhas no Poder Público em geral, dos desvios, dos superfaturamentos, das manipulações de informações, de simulações e práticas políticas velhas e danosas. Talvez estejam dizendo em silêncio: “chega de danificar o meu futuro !”. Talvez.

Gerações atuais no Poder, a da Coca–Cola e da Xuxa etc., copiam e repetem os modos anteriores de liderança e de gestão; perpetuam o mesmo estilo, o mesmo sistema e não desejam oposição, querem a gestão entre amigos; são autoritárias e corporativistas, são falsamente democráticas. São a minoria e jogam o jogo da minoria. Estão atendendo a conveniências e oportunidades para manter o poder e o salário sem pensar na multidão de jovens das ruas e na causa das manifestações, as quais não deixam de rotular como políticas. As gerações futuras de líderes já estão nas escolas e com mais equipamentos de informação do que qualquer outra geração passada. Mas todas estão hoje mais bem informadas sobre as mazelas do Governo. Jovens a serem líderes ou jovens liderados são parte de uma geração que vem aí e manifestações serão cada vez mais frequentes e violentas, de imprevisível surgimento, todas marcadas pelo celular, sem cara, sem liderança e com a mensagem  “galera, vamos quebrar, vamos invadir !” mesmo que a causa seja pequena e pontual como um aumento de passagem de ônibus. 

À medida que o futuro vai se apresentado à porta de cada jovem, tudo piora, mas o drama sempre é visto de modo individualizado e nunca como um movimento de massa. Nada é tomado como sinal de doença da sociedade. Impera já o caráter frio, calculista, materialista e egocêntrico do umbigo individual. O jovem, cego pelo seu condicionamento, só tem a revolta como arma e apresenta reação pessoal misturada com o espírito de rebeldia de juventude. Todavia, hoje o celular pode facilmente mobilizar estes dramas individualizados para movimentos de rua. Mas a hipocrisia oficial, a negligência, a falta de amor ao Próximo desconsideram o caso isolado e voltam-se para justificativas mais eleitoreiras como: “o problema foi da gestão anterior, faltou investimento em educação ou na área social, estamos fazendo tudo para resolver esta situação, blá-blá-blá.”  Depois tais governantes vão embora, chacoalham seus ternos e ajeitando a gravata dizem: “na minha gestão fiz isto e aquilo”, isentando-se de tudo, geralmente citando estatísticas. Mais de 100 anos neste mesmo modo atrasado e egoico de agir. Anos de direita e anos de esquerda e nada foi para à frente.

O fato é que pode estar surgindo um grande abismo entre o discurso político e as necessidades reais dos jovens. Cabeça sem emprego, sem dinheiro vira oficina do diabo. O jovem quer emprego e onde haverá empregos para todos?

Agora com a perspectiva de um Estado em novos tempos, onde tudo poderá ser lavado a jato, o cidadão terá que cavar seu próprio emprego e certamente não ficará satisfeito em ganhar o salário mínimo. Qual é o mínimo para um indivíduo ou um casal sobrevier na cidade? Onde há emprego, onde há salário? 

Antes um jovem que não dava para os estudos dedicava-se ao comércio ou virava político. E agora, nosso jovem será um empreendedor, abrirá seu próprio negócio? Como todas as más condicionantes que operam sobre a juventude e a falta de estudos qualificantes, certamente o jovem tentará ser um “empresário”, mas sua possibilidade de sucesso é desconhecida.  Um “empreendedor” sem talento, despreparado nos estudos, pensando só em dinheiro, dificilmente vencerá com qualidade nas milhares de oportunidades aparentemente simples de abrir uma pastelaria, padaria, lotérica, bar, auto-peças, borracharia, serralheria, salão de beleza, sapataria, loja de informática, venda de docinhos  etc., etc. em busca de um salário. 

São estes os jovens portadores dos novos tempos, ruins ou bons, mas resultantes do mundo dos adultos de décadas e décadas, afogadas em atraso? Haverá busca de novos modelos? O modelo atual, preocupado em ser aqui-agora politicamente correto, faliu. Vai ter reforma, quem a fará, os próprios a serem reformados?

Todo este desarranjo criado pelo mundo dos adultos, com seu frequente e contumaz “déficit de verdade” mexeu no futuro das gerações em ascensão.

Na década de 1970, o Governo Militar reduziu o curriculum escolar na “Reforma de Ensino” a título de modernizar e democratizar a educação. Éramos só 99 milhões de brasileiros.  Filosofia e tantas outras matérias foram eliminadas para acabar como espírito crítico. O país-quartel não precisava pensar, tinha que seguir. Foi um desastre de mais de 30 anos e uma das raízes do estado de coisas atual. Agora nova alteração curricular para o ensino médio tende a fazer a Escola ajoelhar-se à realidade da miséria nacional. O nivelamento por baixo é evidente. Se o aluno tem dificuldade em aprender algo, elimine-se o algo.  Ora, não há mais modelos dignos e sábios a serem seguidos, o que mostra bem a falta de personalidade e caráter desta época triste. Se daqui 10 anos esta reforma não tiver dado certo porque os jovens encontraram dificuldades, tal a burrice que se estabeleceu, então a próxima reforma será reduzir tudo ao estudo do Português, tentar melhorar um pouco a habilidade de escrever no celular corretamente. Para que mais?   

Hoje, como resultante de um Brasil de décadas de descaso com a educação, qual o nível de nossos atuais comerciantes e industriais? Quantos pertencem aos 96% de semianalfabetos do país e quantos dentro desta porcentagem estão dentro dos 8% de pessoas que podem ler e interpretar um texto?   Como o Governo pode atrelar seu futuro de coletor de impostos a uma realidade instável onde se abre e se fecham negócios aos milhares? Qual a segurança da receita tributária para o futuro? As consequências começam a aparecer.

O cidadão empreendedor sem talento, sem ciência, sem compromisso com nada, a não ser ganhar dinheiro, poderá viver sempre no limiar da falência num abre e fecha de negócios pequenos até não ter mais tempo. Se no passado vimos grandes impérios industriais sucumbirem face à administração dos jovens herdeiros, o que dizer de hoje onde se diz “ avós ricos, filhos nobres, netos pobres” ?  E quando um negócio fecha quantos são diretamente e indiretamente os afetados.  Isto mexe com as famílias no dia a dia. E por que fechou? Alguém se interessa. Alguém atrela o fato à falta de instrução, a educação formal?  Não, é mais fácil dizer que é a crise, o aluguel alto. 

O empreendedorismo exige mais do que pequenos comércios para vender produtos industrializados da China ou de qualquer outro país, já que nossa pequena indústria está comprometida. O jovem empreendedor que hoje deseje realmente empreender com talento e inteligência terá ainda que ter mais do que vontade e necessidade.  Nos tempos atuais, mirando o futuro, terá que vencer desafios para sair da barreira dos negócios primitivos para vencer o “ganhar para o gasto”. E neste aspecto terá que saber escolher o ramo de empresa e venda ou produção, sua legislação, sua carga tributária, o local do estabelecimento e perguntar: “se mudar de lugar o negócio persiste?”, a vizinhança, as políticas governamentais para o setor, as características do setor, as relações sindicais, a natureza da mão de obra, o histórico do setor, o produto em si, sua tecnologia, os fornecedores, a manutenção necessária, o fabricante, o histórico deste, a questão sucessória se depender de aluguel, os fornecedores de embalagens, a fiscalização municipal estadual e municipal, o alvará da Prefeitura, existência de competição, os encargos trabalhistas, possibilidade de exportação, contabilidade, cronograma de impostos, rentabilidade, inovações no produto, segurança conta a violência, necessidade de sócio e todas as questões aí relacionadas, necessidade de capital de giro, seguros, data base da categoria de empregados, despesas diretas e indiretas, reservas para os meses de implantação, características do consumidor, estudo de viabilidade por empresa confiável etc, etc e ainda contar com a sorte de a violência não entrar pela sua porta, cobrando as injustiças sociais e a iniquidade. 

São estes tantos desafios que talvez nem passem pela cabeça do jovem que queira abrir um negócio. Certamente se abrir, será uma aventura e nesta caminhada, geralmente curta, um dos itens acima irá desabar sobre o negócio eliminando-o. Será que dá para enfrentar isto sem ter uma educação formal correta? 

A atividade comercial ou industrial não é campo para aventura, embora milhares sejam forçados a ali entrar. As consequências serão sempre funestas com o endividamento e até a falência e seus efeitos danosos. Abrir uma empresa ou negócio é muito mais do que fazer bela fachada e belas prateleiras e belas vitrines. Está mais para Jurrasic Park do que para Alice no País das Maravilhas.

E toda a trama burocrática acima mencionada atinge não só os jovens despreparados, mas também os que foram demitidos devido à crise econômica, as pessoas que foram demitidas por terem ficado numa empresa com altos salários, os demitidos por causa das privatizações etc, os que decidiram tocar algo por conta própria depois de terem ficado na posição de pássaros de gaiola, habituados à água e comidinha certa no pote. 

Alguém procurará consultoria, o Sebrae etc., antes de abrir um negócio? E se procurar terá estofo suficiente para entender tudo. Depois de fechar as portas acabará procurando emprego no “mundo corporativo”. Mas com que idade? Com que qualificação? Muitos terão que se contentar com pequenos empregos, braçais ou não, de salários pequenos para a vida e suas etapas. O MacDonalds manterá vendedores acima dos 20 anos? Para ser almoxarife não é necessário saber Inglês, talvez Mandarim? E daí como comprar o jeans, o tênis e o boné da moda? E a família como estará, se houver sobrevivido ao nascimento do herdeiro?

Neste país das brincadeiras com o tempo de viver, há verdadeiros inquilinos no setor público que ousam mandar construir escolas, só para ganhar propina, não importando se as obras vão terminar ou não. Estes facínoras brincaram com o futuro dos jovens que agora vão pagar a enorme conta com a própria escravidão da morte de seus sonhos. E a idiotice e o besteirol sobem toda hora ao palanque e dizem: “Jovens, agora o Brasil é para vocês, sejam felizes!”. E ao mesmo tempo um corrupto pergunta ao ser preso “que país é este?”. 

Brincadeira que tem suas consequências tão grandes quanto pregar para um povo inteiro a ideologia de que lucro é pecado, que a atividade comercial é pecaminosa etc., etc. Ideologias e ideologias que não deram em nada de bom e colocaram o país no grau de exposição atual à beira do nada seguro, do pisar à beira do abismo para uma juventude que deverá aqui viver como adulta e nada o que verão parecerá com os jogos de vídeo game e telas coloridas dos celulares. 

Certamente uns poucos ainda continuarão como os líderes capazes de manter as aparências, mas já em número insuficiente para o tamanho do país que vai crescer dependente, cada vez mais, de certa inteligência de alguns grupos externos, capazes de lentamente esmigalhar qualquer cultura de qualquer Nação, no mesmo espírito do mundo colonial.  

A adequação da educação para uma reação seria o ideal, não uma para fazer do cidadão um mero seguidor, um mero tarefeiro, um simples operador, mas um ser pensante e produtivo com liberdade e preparado para ser um empreendedor, se seu talento permitir. Mas como isto daria votos na próxima eleição? Um projeto de tão longo prazo exige desapego e espírito nacional, patriotismo, amor ao Próximo livre. Sua invisibilidade por décadas nada renderia a político algum, mas seria o futuro mais seguro e duradouro para o país.

Mas não, o que querem é seguir o fluxo e adaptar a educação ao que sobrou da antiga reforma de educação dos anos 70. Um cidadão distraído é mais fácil de manipular, fazer votar e conduzir para o consumo. Nada mais. A verdadeira receita da escravidão humana e perpetuação de uma camada de políticos que se tornaram profissionais exploradores fazendo uma “falsa nobreza” em plena República. A continuidade de tal pensar atitude terá efeitos miseráveis e violentos.

Será que estamos na cômoda posição de continuar pensando que “as coisas com o tempo vão se ajeitando, tudo se arranja e os melhores vencerão”? Será mesmo que a seleção natural baseada no sucesso dos melhores será suficiente para o progresso do Brasil no mundo em mudança? Até agora os “melhores” políticos revelaram-se os mais espertos ladrões. Seria um sinal da decadência do processo de seleção natural? E quantos aos “melhores” de hoje no Governo e empresas públicas, verdadeiros reinos livres: não foram eles privilegiados por sistemas salariais feitos por eles mesmos nos três poderes em todos os níveis face à necessidade de manutenção de sistemas de corrupção ou de simples corporativismo e nepotismo? Ali, estar atrelado a algum político é proteção garantida para o exercício do principado.  E os “inside agents” que protegem esquemas milionários dentro das empresas.

Isto também precisa ser lavado a jato. Depois da lavagem a nível federal, deve-se olhar para o que ocorre a nível estadual e municipal, mas aí tudo vai depender do grau de independência do Judiciário e do Ministério Público estadual. Vai levar tempo para mexer na cultura arraigada das mazelas e da corrupção miúda, todavia, a limpeza é necessária para garantir um Brasil melhor para a juventude. Sem isto e sem educação, tudo continuará em lenta mudança, crescendo só quando há interesse político em ganhar alguma vantagem.

Entre políticos, do vereador ao Presidente, há de haver os honestos, os idealistas, que em querendo  melhorar o país,  entendam que a educação com Matemática, Português, História e Geografia não é suficiente para o jovem do futuro empreendedor e nem mesmo para o jovem seguidor. O abandono do ensino enciclopédico aos moldes da escola francesa foi um desastre e a simplificação da educação aos moldes americanos será a continuidade de um erro histórico. Fazer a educação ajoelhar-se à realidade social é um erro. A geração no poder não está plantando árvores cujos frutos não irão colher. Os que colherão os frutos estão nas ruas e vão tornar-se mais violentos conforme a etapa da vida em que sentirem que forem enganados. É um processo em evolução, bruto, irracional e de consequências cada vez piores.  E quanto mais contrariados em seus egos, mais insatisfação, mais cegueira, mais impetuosidade, mais violência.  Enquanto brincamos com a educação aumenta o descompasso entre o Brasil e o mundo industrializado e altamente informatizado.

Ficaremos sempre como um país atrasado com miséria e violência? A educação pode salvar se pelo menos tivermos pessoas para filtrar os modelos fornecidos pelo exterior, para que ao menos adotemos as boas práticas, as boas tecnologias de empresas do exterior de qualidade e responsabilidade e não o lixo de modelos ultrapassados e nocivos para todos e até para o Planeta. Os novos rumos trarão uma realidade mais intensa e serão exigidos líderes isentos que pensem no futuro e não nas próximas eleições. Podemos aprender muito com sociedades mais avançadas que passaram por etapas iguais a nossa há mais de cem anos atrás. Será com a correção de práticas e processos que poderemos humanizar o capitalismo aqui existente em sua versão selvagem. A humanização será a única alternativa, já que não há nenhum outro regime melhor. Mas para isto é necessário o cidadão com educação formal. Caso contrário, Nelson Rodrigues terá razão em ter dito que o Brasil conhecerá a barbárie antes da civilização. Uma realidade já existente em alguns lugares à noite nas cidades. 

Todavia, se não aproveitarmos esta fase de lavagem na política, continuaremos no rumo do futuro certamente indesejável.

A quem aproveita tudo isto? A Nação e a Pátria já estão de luto, antecipando realidades duras e graves que ninguém deseja? Mas Deus é brasileiro e o país vive de fé e esperança; embora no Rio de Janeiro, o Cristo Redentor esteja de costas para o país e aos seus pés a barbárie e a podridão civilizatória aconteça sem parar.

Odilon Reinhardt .