quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Salseiros,entranhas,bugalhos, tralhas e malas.




Blog 3.8.2017
 
 


                                          Salseiros, entranhas, bugalhos, tralhas e malas. 



Que há honestos e verdadeiros no mundo da representação popular, não se pode negar. Que grandes nomes participaram de grandes momentos, deixando ali sua marca de inteligência e alto espírito patriótico, também não se pode esquecer. No entanto, que o sistema de financiamento é falho e dá vazão ao sistema corrupto, vindo a constituir uma das causas centrais dos problemas mais recentes, não se pode menosprezar.
Seria muito proveitoso, embora cansativo, discorrer sobre todos os aspectos históricos que foram tecendo a cultura política em sua roupagem atual, a politicagem.
Não seria de se falar de um ou outro caso, nem de pessoas, mas da natureza humana que está envolta neste meio, do qual poucos podem sair ilesos. Basta, portanto, focar o ser humano e a transformação operada quando se sentem com poder. 
A política em seu estado puro é de grande complexidade, é ciência aplicada, exigindo altruísmo e espírito coletivo e patriótico, grande conhecimento das relações humanas, da cultura do povo, muita percepção aguçada sobre o momento e sobre as tendências sociais, sendo um jogo de xadrez de mil peças, pelo que fascina e vicia. Já a politicagem, campo dos maus políticos, é derivação barata e amplamente praticada; campo do exercício explícito da vaidade, do orgulho, da inveja, da cobiça, da ganância, da luxúria etc., que ficam atiçados o tempo todo em tramas, traições, estratégias demoníacas de difamação, esquemas de maldade para atingir o prestígio e a imagem do Próximo num jogo, na maior parte do tempo, às escuras, e que remexe as entranhas do ser humano, usando-o como perpetrador do Mal em permanente estado de defesa, igualando-o ao animal, presa e predador.  
A representação é ciência humana de grande relevância para a estrutura de funcionamento da República, mas recebe inevitavelmente a contaminação da qualidade ou da falta desta no ser humano do local onde é exercida. Hoje, Maquiavel seria mero aprendiz inexperiente ao ver como evoluíram suas noções de política antiética. Impossível que esse meio não seja rudemente contaminado pela funesta estatística de que temos 4% de analfabetos e 96% semianalfabetos.
Já é dito popular que o poder corrompe. Após tantos séculos, o Poder já é um sistema pré-estabelecido, um mundo com princípios e valores, usos e costumes que foram se formando para apresentarem uma cultura que hoje é questionada, porque se revela ineficaz para representar o povo a contento. O poder que Abraham Lincoln previu como sendo “ power from the people, for the people and by the people”, entre nós, sofreu customização alfandegária: “ power from the people , away or against the people”. 
Ninguém, no entanto, irá tomar o poder pela força, já que pelo menos nossas instituições mostraram-se mais fortes e independentes. Todavia, pontualmente, para resolver algumas questões, já se observa a manifestação antidemocrática, selvagem, bruta, medíocre e animalesca, em barbarismo e vandalismo, e, grande parte voltada  para produzir danos ao patrimônio privado nas ruas do que ao Poder Público, geralmente estabelecido em prédios enormes e palácios. O único resultado de quebrar uma vitrine é ter a vitrine quebrada e só.
A tendência do vandalismo é perigoso sinal, semente que poderá germinar, se o sistema dialético democrático não for revisto com urgência, criando mecanismos mais rápidos para garantir a expressividade da reclamação popular. O político e familiares, muitas vezes no passado ovacionados em eventos públicos e até em particulares, passam agora a ser “ovocionados” pela massa, sofrendo “bullying” e ameaças em espaço público, aeroportos, restaurantes e a bordo de aviões. 
É de se questionar, se é o ser humano ou o sistema criado por ele que está defeituoso e não representa mais o eleitor. Mudando o sistema, mudam os homens? Mudando o homem muda o sistema? Sim, não?  E como fica a cultura secular, arraigada e que é expressão legítima de nosso subdesenvolvimento? Deve-se considerar que a vida política, desde há muito tempo, foi o recurso fácil dos que não serviram para estudar ou fazer comércio de loja, mas sempre foram bons de palavra, craques em dar nó em pingo de chuva e almejaram crescer sem fazer muito esforço, elevar a cabeça acima da plebe ignara e mostrar-se ricos, incluir-se entre os poderosos, portando valores da classe média de aparecer, mostrar status, posses, o que facilmente descamba para a ganância e megalomania. Qual o índice de dislexia na classe política? Quais as verdadeiras entranhas dessa classe que podem explicar tantas atitudes?     
Se nada for alterado, os protagonistas da politicagem continuarão a reinar aumentará; o hiato entre a capacidade de entendimento popular quanto às questões nacionais e esse mundo político e sua falta de transparência. Aumentará a radicalização, que nunca levará a nada de bom. Aumentará a raiva social, a ira do povo contra os que “aparentam mais”. A mediocridade se espalhará. É o nivelamento por baixo. Nas cidades já se formam guetos, onde os que “aparentam mais” não podem entrar. O fato é que a representação está em foco e o povo sufocado, embora silente, exige mudança.
Evidentemente que de um lado a ignorância popular sempre será entrave para a democracia. Se só 8% dos 96% de semianalfabetos pode entender um texto, é evidente que a falta de transparência e a falta de clareza nas informações sobre os projetos em discussão pode levar a uma situação de fácil condução e manipulação das massas para a baderna. De outro lado, o meio político que se tornou um campo restrito, onde habita o “político” profissional, dando direito à aposentadoria, décimo terceiro etc., torna-se a cada momento mais egoísta, excludente e onde se formam clubinhos de raposas, o grêmio dos maus, as quadrilhas de invasão, todos preocupados em sua perpetuação, na intenção viciada de simplesmente “ser importante”. Assim cada clubinho vive sua própria fantasia em interesses internos e logo dá as costas para quem, enganado por alguma campanha de marketing eleitoreiro, o legitimou baseado em alguma promessa de bom futuro ou qualquer falácia de igual valor.
O meio revelou-se podre, um mundo à parte, funciona com princípios ruins e valores questionáveis; ética e moral possuem contornos do submundo e os meios justificam os fins; defeito de caráter, mentira, dizer e desdizer é moeda comum; o meio baseia-se na luta do poder pelo poder: de “se fazer”; de se garantir contra a  miséria nacional, de aproveitar para enricar, de conseguir um lugar de prestígio que alimente a vaidade e o orgulho, de defender interesses privados oficializados como públicos, de criar dificuldades para vender facilidades, etc. Denúncias escandalosas só aparecem quando alguém não recebeu a sua parte. Se a imprensa silencia ninguém sabe de nada. Mesmo assim só aparece a ponta do iceberg e quando é de interesse dos meios de comunicação.
Quando do jogo entre oposição e situação algo escapa do controle e espirra para fora dos muros do mundo político em forma de escândalo, denúncia etc., a imprensa busca sensacionalismo para vender mais e rechear tudo com anúncios comerciais. Pouco importa a opinião popular, a qual fica perdida entre informações e contra informações num enrolado jogo televisivo que pode ser facilmente esquecido com a sobreposição de outros eventos mais atrativos ainda. Um jogo importante de futebol silencia a todos.
Há muito idealista neste país, que como marinheiro de primeira viagem, depara-se com o primeiro mandato, onde leva muito tempo para entender como funciona a casa legislativa, geralmente dominada por antigas raposas que se perpetuam no poder e controlam grupos de funcionários.
Os novatos ou jogam o jogo dos políticos antigos ou não se reelegem. Ou aceitam os jogos do Poder e os esquemas de corrupção já estabelecidos ou são marginalizados. Há esquemas fixos de corrupção que subexistem a todos os mandatos, independente dos políticos que se revezem no poder. São esquemas que usam as pessoas a seu bel prazer, transformando-as, obrigando-as a cumprir o que for determinado com fidelidade ao comando. A opção é corromper-se ou cair fora. A este ponto, o indivíduo se vê menor que o clubinho e sua impotência o paraliza. Há todo um sistema para atrelar o indivíduo, amarrá-lo e cobrá-lo, retirando sua liberdade. O campo é sedutor, ganha facilmente as pessoas vaidosas que se deixam levar pelo canto da sereia. Todavia muitos dos idealistas abandonam o clubinho e o país perde talentos e soluções para o futuro. Os virtuosos não se sujeitam ao campo da política, onde o ego reina para comandar os que ficam para alimentar o sistema em que são vítimas de si mesmos, embora tenham lá seus momentos de bravura de touro preso; no mais, estão obrigados a seguir as regras do jogo, acordos nos quais devem se submeter ao indizível. Inevitável que após certo tempo, já tenham vendido a mãe e a alma esteja prostituída de tanto sofrer pressões e defender interesses distintos e contrariar-se como ser humano íntegro e coerente. 
Sócrates, em seu diálogo com Glauco, na obra “A República” disse que “ Ora, a verdade é que toda sociedade onde os que mandam não mostram nenhuma ânsia de se elevarem, é necessariamente bem governada e nela residem a paz e a concórdia; mas onde quer que o mando se obtém à força de intrigas, sucede precisamente o contrário.” 
O jogo político é pesado, baseado na politicagem, gera sofrimento, agonia, ansiedade pelo medo de perder a imagem, o prestígio, as eleições etc., mesmo que muita vitória seja de Pirro e que, se derrotado, passe a ser “ninguém”, mas cheio de dívidas e solidão. É o tempo de pagar pelo ego contrariado.
Os que ficam no clubinho permanecem submetidos às regras do jogo. A preocupação maior é se reeleger. A outra é achar tetas livres para indicar seus parentes e os ajudantes de campanha ou garantir recursos para a próxima  eleição. A cada votação de projetos do Governo surge a oportunidade de negócios. Tudo num mundo que se gera e se basta em intrigas de corredor, queimando energia na mediocridade entre oposição e situação, totalmente alheios ao interesse do povo. Os dias, noites e madrugadas são preenchidos em negociatas para votação e com jogos de desdouro e denúncias para manchar o prestígio do oponente. Nesse mundo todos são “migos”, ou seja, amigos ou inimigos de ocasião. Falsidade, fingimento e soberba são o ar dessa gente. As decisões são quase todas contaminadas por interesses dos financiadores de campanha ou eventuais empresas corruptoras com interesses em aprovar emendas e ressalvas em projetos. Na maioria dos casos são lobistas de interesses privados que assediam políticos para fazer aprovar seus interesses. Qual a qualidade desses interesses, quando se sabe que muitos tendem a eliminar a concorrência, causam danos à economia, ao Governo e, conforme se verificou, têm pago caro pela atividade legislativa orientada e têm ocasionado a paralisação de obra públicas quando já satisfeitos os esquemas de corrupção e “propinagem”?
E cada sócio do clubinho possui seus assessores, seu marketing para criar confusão e desinformação, proteger sua imagem. Possuem serviçais caros e também seus indicados que invadem empresas de economia mista e públicas como gente estranha, gerando ali as mais esquisitas sensações de iniquidade e onde, geralmente em posição de mando, estabelecem seu balcão de negócios. É assim que por acordos de venda de apoio, compram o direito de preencher cargos na estrutura, propiciando que verdadeiras “nulidades” ocupem lugares no Governo , com salários facilmente superiores aos de quem indicou. Um escândalo que é engolido como sapo pelos regulares empregados concursados, que sempre como técnicos são pautados pela “meritologia”.  Ao mesmo tempo, sem mérito algum, a camarilha política, paga com o dinheiro dos impostos, constitui, de tempos em tempos, a nobreza da República, a classe política, e não poupa em ostentação e soberba, esnobando as regras para concurso público impostas ao vulgo.
De costas para a população, os vários clubinhos fazem seus jogos, ditos por eles patrióticos, e vivem sem tempo para cuidar dos verdadeiros interesses verdadeiramente nacionais das empresas. O tempo de negociatas, acordos, tramas etc. lhes toma todo o tempo e assim vive o mundo político entre seus muros intransponíveis pela população que a cada dia esforça-se para tocar a rotina dura que lhe impuseram.
Como resultado de nossa cultura de tanta idiossincrasia, este quadro acima perfunctoriamente analisado foi o que temos hoje como top da evolução política, após a forja, a ferro frio, durante séculos. Seria legítimo desrespeitar tais conquistas, se considerarmos que os representantes do povo são a essência do próprio povo em seu caminho histórico? Ou a politicagem que tomou conta é exceção?O jeitinho brasileiro era corrupção na veia? Incríveis as respostas que um questionamento filosófico traria, devendo-se ressaltar, entretanto, que é prudente considerar que exceções não fazem a regra, pois a população em sua grande maioria, gozando de simplicidade intelectual, o que lhe dá timidez social, é honesta e trabalhadora e, embora vítima secular da negligência quanto à educação formal, tem bom-senso e sabe o que é certo e errado, principalmente quando há dinheiro em jogo, já que isto o toca no sentimento de justiça e equidade.
Sem embargo de todas as questões que podem ser levantadas, o que importa são as consequências para a acidentada vida social de hoje. O resultado em alguns casos é tétrico, pois atingiu a saúde pública ocasionando a morte ou aposentadoria por doença de milhares; atingiu a educação, condenando gerações e gerações ao cárcere da ignorância e à permanência no nível operacional; atingiu a segurança pública, gerando violência e total insegurança, levando a uma verdadeira guerra civil diária. Inacreditável ter nascido aqui a frase ”ele rouba, mas faz”. Quais os verdadeiros números da violência, da saúde, da educação? Há manipulação e um jogo de esconde-esconde para não revelar a ineficiência dos serviços públicos e não afetar a imagem política dos gestores, municiando a oposição. No entanto, no espaço da insuficiência, surge o império do crime, que controla bairros da periferia e produz notícias de insegurança diária. 
Em todos os dias, passou a ser possível ver relatórios sociais televisivos enunciando, indicando, denunciando, avisando sobre o processo evolutivo da sociedade que está em trilhas humanas duvidosas, embora andando em praças e avenidas mais modernas cheias de conquistas materiais e iluminação artificial.      
Num país de tamanho continental, com tantas realidades diferentes, onde se pode encontrar facilmente desde o Brasil de 1920 ao de 1980, o que vem chamando a atenção são as consequências da descura que estão crescendo e o povo está mostrando sinais de esgotamento. Buscando causas, que estejam além da realidade política e do mundo dos políticos, para os resultados de séculos de negligência quanto ao verdadeiro progresso e de hipervalorização do umbigo de alguns, encontramos doenças históricas que mereceriam ser objeto de um  tratamento psicanalítico para efetivamente possibilitar o progresso maior pela educação. Muitas das causas do momento atual estão na acomodação social, no analfabetismo e em sistemas oficiais que não foram revistos ou substituídos adequadamente.  
A centralização na União do poder de distribuir as verbas, garantindo o controle político e a sua manipulação em favor sempre dos aliados da situação, foi essencial para criar o caos que vem sendo anunciado. O Brasil ainda é o Império, ainda tem os coronéis e ainda vive ilhado em Estados, onde a política local é a mesma de décadas e sofre de uma cegueira histórica.
Ainda somos a pátria enrolada numa burocracia sem limites. Somos um país cartorial, apegado aos sistemas de controle tradicionais do país colonial de Portugal. Somos barrocos em vários sentidos e valorizamos mais os meios do que os fins. Não é a papelada que vai reduzir a má-fé e a malandragem na operação das empresas e no relacionamento pessoal. Criamos sinecuras para alimentar o nepotismo agora cruzado, camuflado, a fim de garantir altos salários para a nobreza. Somos ágeis em criar dificuldades para vender facilidades na agilização dos procedimentos bisonhos. Muito papel e mais corrupção para destravar processos. A desburocratização tem sido lenta desde os primeiros esforços de Hélio Beltrão para acabar com o excesso de exigências. Deve-se lembrar que o INSS por muito tempo exigia o famoso “atestado de vida” que tinha que ser apresentado pelo aposentado.  
Possuímos resquícios de sistemas tributários antigos, com as taxas e emolumentos, tudo com muito carimbo, guias de pagamento e procedimentos medievais para garantir emprego e ocupação à custa do Estado. Manter o Estado como o maior empregador é resquício de um Brasil sem indústria e rural, onde a capital era centro administrativo rodeado pelas roças. Embora o setor privado hoje seja empregador, os grandes salários só são pagos pelo Governo que vive numa irrealidade. 
Nossa população sofre com a qualidade do regime alimentar imposto, produtos de má qualidade, nocivos à saúde, viciada em sal, açúcar e gordura, já demonstrando estar doente e sobrecarregando o serviço de saúde e diminuindo a força de trabalho em muitos aspectos. Os números da saúde são assustadores. Na hora de trabalhar e produzir a saúde não corresponde. Qual a verdadeira qualidade do ambiente de trabalho? Qual a realidade nas empresas com o absenteísmo, licença para tratamento de saúde etc.? Vamos importar mão de obra logo em mais intensidade. O que e quem vem aí?   E mais, com o envelhecimento da população, o consumo diminuirá, certamente uma ameaça grave para todo o sistema. Exportar será a saída. Temos produtos e qualidade para competir no mercado externo? Sairemos da marca de estar participando só com 1% nas exportações globais?
Os eleitores estão nas vilas e grandes cidades e são, em grande maioria, originários da zona rural, habitam na periferia e continuam a vir para o mundo novo, onde pensam haver emprego, mas logo verificam que não possuem qualificação para quase nada; perdem sua identidade e não conhecem a cidade, seu histórico, sua gente, seus costumes e doenças sociais, não conhecem nem o nome das ruas e vivem num estado permanente de marginalização e alienação. Mas são os que votam ou deixam de votar, diminuindo a participação democrática na renovação de sua representação. Com frequência não conhecem os candidatos, seu histórico e acabam votando conforme a campanha de marketing político os conduza. Ademais diante de tanta notícia e variação, a memória popular não grava mais e esquece. Na próxima eleição todos os candidatos estão limpos na imagem. Não conhecem os programas partidários porque os próprios partidos não os divulgam abertamente. Os partidos é que irão comandar os seus políticos eleitos. Então como não conhecer a que clube esse ou aquele candidato pertence? Os eleitores são os motoristas, diaristas, serventes, porteiros, entregadores, coletores etc., uma minoria que achou emprego na cidade; é a precária mão de obra no mundo dos serviços. Vivem na periferia a sua realidade no Brasil atrasado, de onde saem também os que vão assaltar a cidade como se fosse ela uma grande roça de ninguém. Ali a violência é expressão máxima de toda a negligência na saúde, educação e segurança. É onde a corrupção e a má gestão pública fazem suas vítimas, condenando gerações. Pessoas simples expostas ao pragmatismo, racionalismo, utilitarismo, etc., como filosofias feitas para a produção, que facilmente condicionaram os empregados, os quais transpuseram seus “ensinamentos” para o relacionamento pessoal, gerando o confronto com valores cristãos, ainda não muito sedimentados e geralmente muito mal interpretados por todos, cidadãos e políticos. Um verdadeiro salseiro.  Exigir que esses cidadãos exercitem o direito de voto acertadamente, parece conto da carochinha.
Face o elevado semianalfabetismo, o país vive na oralidade. Poucos leem, poucos escrevem. Jornais, revistas, bulas e contratos são decorativos. Vale o que se escuta e o que o ancora de TV prega todo dia. Vale a fofoca, o diz-que-diz, o rumor de feirinha. Para muitos a questão é se o Brasil foi descoberto por Dom Pedro ou pelo Rock? Duque de Caxias foi imperador ou irmão de Tiradentes?  Fazer campanha política com base em debate ideológico ou projetos parece mais um belo sonho na Terra do Nunca e seu bananal, principalmente, se os debates ocorrem muito tarde da noite, desrespeitando o trabalhador/eleitor que tem que levantar 5 horas da manhã para trabalhar. Como esclarecer o eleitor por meio de debates? Prevalece então o discurso oportunista baseado em questões menores, mas que atingem o que o povo quer ouvir.
A representação na História do Brasil era tradicionalmente feita por quem tinha bens, portanto, interesses. Votava quem tinha dinheiro. Com a democracia, o cidadão tornou-se eleitor. O sistema até pode funcionar para eleger ou não, mas na hora de legislar vale o poder econômico das empresas interessadas em projetos de seu campo de atuação e pelo Executivo, ambos interessados na  compra dos representantes populares através de promessa de cargos, propinas e  verbas, eliminando a conquista democrática. Por falta de educação e ciência, a dependência externa aumenta e o país vira a feirinha de eletrônicos, teste de remédios, campo de teste químico e de tantos outros produtos e modismos, pelo que há enormes interesses estrangeiros em nossa legislação de modo que quem tem dinheiro continua remunerando quem legisla. A eleição democrática de pessoas para representar o povo, após o momento de posse dos eleitos torna-se, em certos casos, um cheque em branco. Não é um ou outro o caso de rápido enriquecimento dos eleitos.
Para acompanhamento da gestão, há muito pouca transparência, pois as informações técnicas e estatísticas são do Governo.  A participação é mínima e grandemente sectária, pois exercida por técnicos, ONGs, sindicatos e associações. O povo está fora e por fora. Audiências públicas para participação popular resultam em quase nada. Ademais a população quer obras locais e isto nunca interessou muito, porque não rende propina e não preenche os cofres para a próxima campanha. Ademais, a falta de recursos sempre foi a desculpa. É certo que o Governo não gosta de escutar pleitos que aumentem a despesa fora do já programado por seus interesses e seus financiadores. Acaba executando só o que lhe apraz. Para o povo só há promessas e blá–blá–blá com muita mentira quanto à realidade. Sem dispor de informações honestas e uma visão de conjunto, o cidadão não pode ter ideais e nem participar a contento, pois suas ideias isoladas terão que ser aceitas pela política e pela trama de interesses em que o cidadão não participa e pouco sabe de sua conjuntura, pelo que as ideais acabam sendo recusadas, quando não politizadas e enquadradas no jogo entre situação e oposição. Cansado de tantos anos de promessas e falsas esperanças, a população, por repúdio ou simples ignorância, volta suas costas para tudo isso, o que beneficia o mundo político, continuando este no seu mundinho encantado. A participação diminui, o interesse some. Já se fala em o voto não ser obrigatório, o que seria o melhor cenário para os políticos, beneficiando-se ainda mais da  alienação e desinteresse. Somos o país onde existe “a lei que não pega”, que não cola.  Alguma lei municipal ou estadual pega com facilidade? Talvez algumas. E a qualidade das leis municipais e dos projetos de lei. No geral, quanto custa esta festa legislativa por ano? E os órgãos de fiscalização, são ilhas de isenção e honestidade? 
A sociedade tem seu passo evolutivo ao logo do tempo. Direitos e conquistas sociais sempre são forjados ao longo da História, são expressão da lenta evolução do elemento humano da Nação. Seria legítimo negar isto? Qual sistema poderia interromper esta evolução e num passo de mágica transformar o país? O sonho vermelho, o amarelo?   Teremos que esperar o tempo. Para as gerações atuais nada acontecerá rapidamente. Se a corrupção acabar, já será uma grande vitória. Se o mundo político mudar, será uma grande vitória, mas só o início de mudanças melhores.  Mesmo com toda a tecnologia e avanços neste campo, a mentalidade de um povo necessita de tempo, de 100 a 150 anos. Não adianta acreditar em sistemas ou doutrinas miraculosas, que possam reformar ou revolucionar uma Nação em sua caminhada humana. E como vai o humano aqui? Muito mal não?
No que isto possa pesar, a cada época temos que ter avanços e para os tempos atuais o que continua a prejudicar a boa evolução, é que ainda temos o autoritarismo como regra. O coronelismo consegue sobreviver nos Estados e dita a política local. No jogo de oposição e situação, a oposição jamais vai deixar de criticar e minar projetos da situação, pois o desejo é que esta se dê mal e seja derrotada nas eleições. Direita, esquerda e o país não vai para a frente com a energia, com a qual deveria ir. No processo, o debate é agressivo, ninguém quer escutar ninguém. Ademais, num país fisiológico, o que impera é o caráter egoico do cidadão. O autoritarismo é campeão, pois ninguém quer ser contrariado e toma-se como centro do universo. A inflexibilidade, a intolerância, a impaciência são instrumentos mais eficazes de defesa do ego. Como o modelo está baseado em aquisição de bens e geração de impostos e não consegue entregar o que promete ao cidadão em sonhos de consumo e qualidade de vida material, a insatisfação é constante e a contrariedade constitui a semente do conflito diário. O autoritarismo é consequência normal em tal contexto. O processo democrático descamba para a pancadaria, manifestações de quebra-quebra contra o patrimônio privado e agressão ao policial, como se este fosse o Governo e seus políticos. Não temos tradição de debater. Criticar é ato imediatamente colocado como oposição. Somos autoritários em todos os lugares. O Poder é o meio de imposição. Não é só o Governo que é ruim e nem a origem única da ruindade. Governo são pessoas, pessoas que não vieram do céu e nem da mais refinada  nobreza .
Para piorar, o avanço de filosofias como o individualismo e pragmatismo, cria o cidadão frio e calculista, preocupado com seu umbigo, cego e egoístico, não se preocupando muito com o coletivo. A participação diminui em interesse pela política e há escassez de candidatos. Cada um por si é o lema. Pode haver até protestos políticos e pontuais, mas não há uniformidade de reclamação e revolta. Na rua, cada um é uma célula isolada, protestando conforme e por causa de sua revolta pessoal contaminada por sua insatisfação. Muitos dos que “invadem” órgãos públicos nem sabem o que fazer e certamente, se tivessem Poder, agiriam do mesmo modo que os eleitos ou até pior. O bruto responde fisiologicamente, não há diálogo, só violência ou silêncio raivoso. Cordialidade etc. são atitudes do passado.
E no campo espiritual, reduzido aos cultos e missas de adoração, observa-se o divisionismo cristão.  Católicos e evangélicos são a nova divisão. Já há divisão, discriminação entre tais grupos com consequências para a harmonia social. Fanatismo e obsessão são sementes más para o futuro. Famílias já estão sendo divididas lentamente e as consequências começam a invadir a casa do cidadão com reflexos nas opções políticas.
A cada gestão, o país dorme mais quatro anos, empobrece em mão de obra, fica fraco em ciência, diminuí os sonhos e chances de prosperidade. O fracasso das gestões tem reflexo no custo de vida e a cada ano a vida na cidade fica mais cara. Um dia será insustentável. Em algumas cidades, já se verifica a mudança para zonas rurais e pequenas cidades satélites, onde pelo menos o IPTU e o aluguel são mais baratos. Em números já preocupantes, de cidade para cidade, há fuga de eleitores, o que poderá aumentar.
Devido à economia sempre estar em crise, às dificuldades da vida e à qualificação deficitária da população, há campo para a má-fé, proliferação de golpes, negócios escusos quase como regra. Um caso de genética curiosamente adquirida com o tempo pela espécie humana aqui colocada. Ninguém quer pagar impostos porque não vê resultados. O caixa dois é regra. A tendência é de o velho e tradicional esquema de enganação. Malas de corrupção voam todos os dias. Tudo contamina o cidadão de onde saem os políticos. Nada de transparência, igualdade, participação, debate, quando se sabe que há sempre algo a esconder.
E o que falar então dos erros de gestão. Vários erros deixaram o país à beira do caos econômico e social. O Judiciário pune a corrupção, mas não o erro de gestão.  Estratégias econômicas que causam danos enormes a empresas do Governo, empresas de economia mista no Estado ou Prefeitura ficam impunes. Só há questionamento na época de eleições, quando definidos os lados com mais objetividade. Em cidades menores impera o silêncio com medo de perseguição. Todos engolem os erros grosseiros de gestão que estouram em mais violência, menos saúde e quase nada de educação. O erro de gestão é intocável, inquestionável, se ocorreu sem envolvimento de corrupção e propina. As entranhas das empresas de economia mista, empresas públicas e fundações etc. deveriam ser examinadas de melhor modo. Ali é o paraíso do Governo; o grande cano de fuga de recursos. Muitas decisões ali assustariam qualquer um do povo, porque decorrem de pessoas que são incompetentes para o cargo e também ali devem seguir ordens superiores externas. Pergunta-se, por exemplo, se o curriculum-vitae de certos indicados a cargos de diretoria é analisado previamente? Pergunta-se qual a razão para tanta propaganda, se as empresas tem monopólio. Os erros e desperdícios são ao jogados para a tarifa e ali tudo é aceito com farofa. Essas empresas com acionistas, CVM e tudo mais, fazem o que bem querem em gestões que só diminuem a energia empresarial.
E assim vai a vida aqui. Entre mentiras e verdades tudo vai passando. As gerações que assumirão o Poder e o comando da vida sentirão os erros históricos e os efeitos perversos da falta de qualificação e saúde e conviverão com níveis bem perversos de violência em todos os campos, pois a falta de amor ao Próximo, bem como a falta de amor à Pátria, será ainda mais comum.
Esperança e fé fazem o ar que uma geração entrega à outra no passar da vida. Não preocupam as conquista materiais, pois elas continuarão acontecendo; o que preocupa é a qualidade de vida física e espiritual do cidadão, o qual passará pelas avenidas iluminadas e prédios modernos. Em que estado?
Se juntarmos os vários sinais e cenários da vida, já de má qualidade espalhadas nos tabuleiros da vida nacional, poderemos montar um quebra-cabeças que dará a ideia do pano de fundo que está sendo instalado lentamente. Rio e São Paulo podem fornecer as peças mais ilustrativas, mas o quadro geral é feito por peças de todos os lugares. Algo tão grave e feio que até o quadro de Guernica vira tão belo quanto o de Monalisa.
Se o mundo político no seu modo de atuar continuar a viver sua fantasia dantesca, esquecendo-se do povo, a violência em suas múltiplas formas será tal que a vida aqui será muito complicada, uma tralha a ser carregada de geração em geração, deixando seus bugalhos pelo caminho da História.
Segundo analista americano, em artigo publicado em jornal brasileiro em 2014, a crise econômica irá até 2020. Tal previsão já é realidade e pode piorar após janeiro de 2019. As próximas eleições assumem cada vez mais uma importância relevância na História.  Não haverá mais espaço para devaneios políticos. Dinheiro, poder e coisas materiais ficarão em segundo plano, pois o que ficará mais relevante serão as consequências da questão humana.
O Poder Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal continuarão com papel importante para lavar o país. Sem estas instituições não há garantia alguma que poderemos começar um caminho melhor. O cinismo ainda é grande ao se considerar que toda esta corrupção é pertence ao “imaginário acusatório”, é “ilusão midiática”, é invenção com fins políticos. Tal considerar indica que alguns políticos continuam arrogantes, sonhando em seu mundo de fantasias.
A reação só pode vir dos bons políticos que ainda existem e que hoje se intimidam perante as velhas raposas; bons políticos são a esperança para mudar pelo menos o mundo da política, hoje dominado pela politicagem, seus valores e princípios. Se não houver mudança ou um processo mesmo que lento de mudança, talvez algumas questões possam explicitar a necessidade e o fim do comodismo: será que a Venezuela há trinta anos, rica em petróleo, pensava chegar ao estado em que chegou? Nada é descartado na História, todas as alternativas estão em aberto. Um salto no escuro e tudo muda ainda para pior. O país tem que ser criticado, questionado no foro íntimo de cada cidadão e num pacto nacional de união de todos. Há muita crise escondida gerando problemas que logo serão maiores. Quando a atitude é esconder problemas, acha-se confusão. A continuar o joguete entre situação e oposição quanto à imagem a ser preservada com vistas às eleições, nada mudará e o pano de fundo da vida nacional começará a ficar fora do padrão da cena teatral que estiver sendo representada, inclusive pelo país no cenário internacional. Conflito, divisionismo, ódio, acirramento da luta de classes, discriminação, segregação e intolerância não tardarão a se alastrar. É este o Brasil que queremos? Os sinais e perspectivas estão todos aí, é só observar e começar a juntar as peças para montar a imagem do futuro.
Cabe lembrar de Rui Barbosa que ,há mais ou menos 100 anos atrás, disse à juventude do Brasil: “ De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.
O cidadão esclarecido e consciente vê Rui Barbosa valer em suas frases, sente-se fora do contexto; suas crenças em valores e princípios honestos são afastados cada vez mais; sente estar deslocado, até mesmo antiguado, pois a falsa modernidade e o progresso sem rumo, que estamos vendo, criam um estado mágico de ilusão imbecilizante. Para população o medo de ficar mais pobre, de perder o emprego, de passar fome, medo da insegurança, da violência etc. deve ser também complementado pelo medo de ser destruído pelo individualismo frio e calculista que se agarra ao pragmatismo para afastar as pessoas uma das outras e dividir o país e a Nação.

Odilon Reinhardt.






 
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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Receita insegura. Muito a melhorar.



                                   
 3.7.2017
                                   
                                                   
                                                         
                                                        A receita insegura. Muito a melhorar.




Na busca por proteína, lipídios, sais minerais e vitaminas, a Humanidade tem tido grandes avanços em tecnologia. Cada país, mediante cooperação internacional,  tem desenvolvido seus meios de produção para suprir seu rebanho com o mínimo para a manutenção da saúde do corpo, mas há inegavelmente muito a progredir.
A tão falada crise universitária e a deficiência dos cursos técnicos não jogam reflexos em toda a cadeia produtiva de alimentos, desde a fazenda até o supermercado? Não coloca em permanente estado de insegurança a manipulação de receitas industriais, a fabricação dos ingredientes químicos? Não é agravada pelo gerenciamento de custos de produção em tempos de crise? Quantos erros e fraudes existem neste sistema que dão motivo para corrupção da fiscalização ou simplesmente são engolidos pela população, deixando que o corpo de cada um resista como puder e pelo tempo que puder?
A mesma bolacha, a mesma carne, a mesma farinha vai para todas as classes sociais. Pelo menos neste campo há democracia, todos estão ficando progressivamente doentes. Lembrando que o corpo leva de 10 a 15 anos resistindo até apresentar sinais suficientes, para o médico então dar as primeiras sentenças de prisão perpétua a este ou aquele remédio e muito frequentemente a sentença de morte, não antes de fazer o cliente alimentar toda a ganância de laboratórios, consultórios, farmácias, clínicas e hospitais, na vã finalidade de dizer estar tentando salvar vidas. Não é por acaso que o número de medicamentos tem aumentado consideravelmente. Não é o ser humano que fica doente por si mesmo: em parte é sua alimentação que o mata, outra parte é o ego que apressa o caminho para o não existir e ainda outra parte é o meio ambiente que não o quer na Terra, pois um mundo invisível de bactérias e micróbios militam diariamente para o expulsar da vida, como que dizendo vá embora daqui e volte para o  lugar de onde veio, se é que veio de algum lugar .
Num país onde a grande maioria da população trabalha o dia para o ato mais humano e básico que é se alimentar, os produtos alimentícios teriam que no mínimo receber mais atenção por parte dos órgãos estatais de fiscalização. Mas até que ponto as mazelas que tem feito o nosso mundo político não atingem este setor e revelam uma negligência que também aqui demonstra a falta de amor ao Próximo, justamente no país mais católico do mundo?
Na plantação, na fabricação, no transporte, na comercialização e no preparo dos alimentos, há o mesmo pensamento recorrente de má-fé, de impunidade, de descompromisso com a saúde pública. O pragmatismo, o utilitarismo, o racionalismo, criados para serem aplicados à produção, aqui não deixam de ser contaminados pelo preparo pessoal de funcionários, gerentes, profissionais e técnicos na condução do negócio, especialmente em época de crise econômica.  Leite adulterado com substâncias altamente danosas, carne, produtos químicos de baixa qualidade, remédios falsificados, reaproveitamento de produtos vencidos etc. tudo para manter a lucratividade, mas sem qualquer preocupação com as consequências para o cidadão e sua família. Qual é o sentimento de uma mãe que prepara a mamadeira para seu filho e depois vê na TV ou escuta no rádio que a marca utilizada era adulterada perversamente e continha substâncias cancerígenas? A violência não é só a física que aparece todos os dias na TV. Tornamo-nos o país mais violento do mundo neste campo. Mas a violência na mesa? É também violência expor à venda produtos como os acima mencionados.
Certo que o agronegócio representa importante percentual da balança comercial e a receita tributária decorrente trará benefícios para a sociedade. Mas por que temos que engolir o pior, o excedente, o refugo? Isto sem falar na guerra interna entre produtores. Foi o caso do setor pecuário contra o soja. Quantos anos deixamos de extrair proteína de soja e leite de soja para favorecer o leite e seus derivados? Ora, o soja, sabe-se, desde o cientista americano Washington Carver, pode ser utilizado como matéria prima para mais de 2000 produtos, mas nós ficamos por décadas só como plantadores e exportadores pelo fato de necessitarmos de dólares. E a saúde pública, quanto paga hoje por erros estratégicos gerados pela mesma ganância? E o caso do cigarro, que produziu um desastre coletivo. Na década de 40 e 50, a população foi condicionada a pensar que fumar era elegante. Propaganda maciça através de todos os meios. Fumar era liberdade, aventura, elegância e garantia uma receita tributária enorme. Todavia, 30 anos depois nada disso era mais realidade, o fumar passou a ser o inimigo público número um, já que os problemas de saúde passaram a custar caro para o Poder Público e sua miserável rede de atendimento ao público. Assim, é o país, cego, sem planejamento, subdesenvolvido, descomprometido com seu povo, perverso em suas estratégias somente eleitoreiras. Milhares de famílias  perderam entes queridos devido ao fumo. Impossibilitado de acabar com os viciados, a campanha milionária agora é para fazer as pessoas deixar de fumar. Para isto aumenta-se a tributação etc., mas o contrabando de cigarro aumenta ainda mais. Esta falta de visão é recorrente e atinge vários produtos hoje, cujo consumo ira produzir muitos falecimentos e perda de mão de obra. Lembre-se do caso da famosa cachaça, a pinga, que era o maior problema para as famílias e empresas. No caso, num Brasil do século 20, tais eram os interesses dos coronéis da cana e também da tributação que tais consequências sociais e trabalhistas, a tradicional pinga nunca chegou a ser atacada por propagando oficial. Cada família, cada mãe de família que aguentasse o problema individualmente. Hoje, ainda temos o problema que se refinou para bebidas como a cerveja e vinho, que garantem uma receita tributária de grande porte, sem que o Governo se preocupe como os resultados sociais, mesmo diante dos números no trânsito. O Legislativo até se ocupa em votações e votações quanto à venda de bebida alcoólica nos estádios de futebol e beira de estrada, discussão altamente contaminada por interesses da indústria do setor.
O certo é que houve progresso em quantidade de produtos ofertados. Se comparada uma mercearia ou venda ou birosca ou armazém de 1950 com um supermercado de hoje, a quantidade de produtos aumentou em números gigantes.  Por trás disto, mais indústrias, mais negócios, mais pontos de venda etc., gerando emprego e renda. Melhoramos muito, mas há muito a melhorar em qualidade e segurança nutricional.
Há muito já nos afastamos do Brasil produtor só de café e produtos de cachaça, lembrando que a delegação olímpica de 1932- Los Angeles-USA, saiu do Brasil num navio comercial, simulando ser um navio de guerra para não pagar tarifa no Canal do Panamá, o que já revelava a má-fé institucionalizada. O truque não valeu. O navio transportava café e cachaça que a delegação olímpica deveria vender no caminho para bancar suas despesas durante os jogos, o que também não valeu, pois o dinheiro nacional foi desvalorizado em 70%, face à revolução paulista. A solução para ganhar algum dinheiro foi transformar o navio em uma boate, onde a bebida era livre, como meio de atrair os americanos que estavam na época enfrentando a Lei Seca.  O café foi vendido por trocados de dólar.
Hoje em outra realidade, a má-fé e o espírito espertalhão ainda persistem. Falta amor à Pátria e respeito ao Próximo. Só a passos lentos vamos curando as mazelas nacionais. A fiscalização efetiva é diminuta e exposta à corrupção. Em verdade, o fiscal verdadeiro fica por conta da boca e olhos de cada um, muitas vezes para depois da compra já realizada e sem originar muita reclamação mesmo com os instrumentos oferecidos pelo Código do Consumidor. As consequências ocorrem no sigilo da vida privada, com repercussões na economia familiar, no emprego e nas despesas públicas.
A questão alimentícia pertence ao domínio do lar e ninguém sabe como o vizinho realmente administra este assunto. Sabe-se, no entanto, que na cozinha alguém está preparando, com o maior carinho e inconsciência, a doença do amanhã. Valem os costumes culturais regionais, os produtos à disposição, muitas vezes danosos e sabidamente prejudiciais à saúde como é o caso do churrasco, da feijoada. Mas quem vai criticar tal hábito, tal instituição como tantas outras? Crenças como: criança que come tudo vai para o céu, criança gorda é saudável e forte etc. não são contestadas.
Ademais a industrialização invadiu as cozinhas a partir dos anos 70 no Brasil, de modo que a refeição familiar, passou a ser contaminada por produtos químicos, fazendo poções da morte. Ninguém lê os rótulos que descrevem a composição dos produtos. Observe-se esta composição simples e básica: aroma sintético idêntico ao natural, reguladores de acidez ácido cítrico e citrato de sódio, estabilizantes carboximetilcelulose sódica e goma xantina, conservadores benzoato de sódio e sorbato de potássio, sequestrantes Hexametafosfato de sódio e edta, cálcio dissódico, edulcorantes acesulfame de potássio e sucralose, corantes artificiais tartrazina, amarelo crepúsculo etc. Se um menino de 3 anos beber esta poção diabólica, estará consumindo algo que é um arremedo de um simples suco de laranja. Só pode ser coisa do diabo, quando temos laranja para exportar e consumir internamente à vontade. Explicitando a bagunça neste campo, não é raro ver no rótulo dos produtos de supermercado, algo como vi num pacote de bolacha: “pode conter centeio”, indicando que nem o fabricante sabe o que vai em sua receita. E a população como fica? E são assim nossos produtos alimentícios. Que cada consumidor mais esclarecido comece a prestar atenção nestas composições e ler mais sobre estes produtos químicos, muitos deles altamente criticados em pesquisas no exterior. 
Se o cardápio construído pela indústria mudou o Brasil movido a feijão com arroz ,batata frita e bife com ovo e salada, os índices de saúde pública podem dizer se foi saudável e no interesse da saúde pública ou se foi mero negócio altamente lucrativo.
Colocada em suspeita a cozinha de cada lar, nem se fale nos restaurantes, lanchonetes, bares e barzinhos onde Lavoisier revive seus dias mais gloriosos
com a perseverante e lucrativa transformação de restos em novos pratos para o dia seguinte ou do almoço para o jantar. A sorte é que tudo é cozido ou exposto a temperaturas que queimam ou eliminam tudo de ruim e o cliente sai pensando que comeu bem quando na verdade não comeu nada, muito menos se alimentou.
Claro que nem tudo entra nesta generalização, mas o problema é a hipótese  sempre rotativa de cairmos na ciranda alimentar, em sua versão perversa e perigosa. Nas redes sociais, internet e mídia em geral, o jogo de informações e contrainformações sobre os efeitos de algum item da alimentação é perceptível. A guerra da farinha, do glúten, do açúcar, dos ovos, do álcool, da carne etc.etc., deixa o consumidor na dúvida nunca esclarecida. Um jogo de interesses sem ética nenhuma.
Nutricionistas de plantão correm para dar suas opiniões teleguiadas e parciais. Elaboram receitas visivelmente carregadas de sal, açúcar e gorduras visando aumentar o consumo. Os químicos das indústrias e suas composições, nunca contestadas, quando se sabe que muitos itens são cancerígenos ou tornam-se cancerígenos quando do preparo na cozinha. A população não tem a mínima condição de entender o que se passa; tem que comer e come mal. Não há compromisso algum com o Próximo. Nosso capitalismo caiu em mãos perigosas e selvagens. Prevalece e sempre prevaleceu o interesse de plantadores e da indústria da carne, leite, sal e açúcar. Exatamente dos fazendeiros que são senadores e deputados para defender seus próprios interesses. Observe-se a dificuldade do Governo em reduzir os teores de sal e açúcar nos alimentos industrializados, mesmo já tendo sido comprovadas as consequências para a saúde pública e o elevado custo para tratamento em hospitais.
Assim, nas horas das refeições, momento inevitável, pois somos todos animais, não temos nenhuma garantia de que estamos realmente nos alimentando. Estamos, sim, enchendo a barriga com alto risco, portanto, nos intoxicando. Ao menos 3 vezes por dia estamos contribuindo para algum tipo de doença que vai se acumulando no corpo. Uma ciranda absurda: impostos são recolhidos da aquisição de alimentos, que geram doenças, que por sua vez são pagas pelos impostos, todavia, o déficit nesta conta aumenta geometricamente. Mas quem se importa, quando estourar o problema será do governo em que estourar talvez seja governo da oposição e isto não é bom?
Observe-se a disposição dos alimentos nos supermercados: corredores definidos para bebidas, setor de lacticínios, setor de doces e salgadinhos, setor de bolachas e macarrão, em verdade nada de bom para a saúde. Uma alimentação deficiente baseada em carboidratos e gordura “trans”, dando chance à necessidade de complementação, a qual só é acessível a uma minoria da minoria. A indústria de alimentos alternativos apresenta-se como salvação aos olhos de muitos, mas é campo minado e cheio de enganações. Ali vende-se o modismo, como o “churrasco orgânico”, o “ óleo de coco orgânico” e tantos outros itens colocados à venda numa incontrolável espoliação do povo dito mais “experto”. E nem vamos nos aprofundar no engodo dos produtos importados, resquício de um Brasil colonial. Não há segurança nenhuma no importado. Pode ser tudo porcaria também, produtos de terceira qualidade de outros países, mas altamente lucrativos e só este aspecto já basta para justificar a venda pelo inescrupuloso comerciante. O fascínio dos importados ganha adeptos que ficarão doentes
igualmente. A questão de suprir proteína para a população ainda fica em segundo plano, pois o importante é que haja alimentos, mesmo que inúteis, e que o seu consumo gere impostos, empregos e mantenha as empresas em operação. E nem se mencione a qualidade de nossas embalagens e a interação dos produtos químicos ali constantes com a dos alimentos. Uma tragédia plástica.       
Todavia, o grau de interesse dos políticos por tais assuntos é quase nulo. Recentemente eventos nacionais demonstraram claramente que a população está alienada em proporções maiores do que em qualquer época e que os políticos vivem no seu mundo próprio de conquista e preservação do Poder. Enquanto o teatro se desenvolve para comédias e dramas mais picantes, a classe média torna-se mais vazia e preocupa-se  em mostrar suas posses em busca de status e os jovens de 10 a 35 anos reclamando e protestando pontualmente por questões meramente umbilicais; uma esquerda obtusa e sonhadora com épocas do passado e atirando a esmo; uma classe A perdida em seu vazio existencial, questionada por caos de corrupção privada e pública, onde são a maior parte dos protagonistas como refinados golpistas e vigaristas.
Com tanta corrupção e instabilidade, quem se importa com a mesa e a cozinha? Alguns poderiam argumentar que a alimentação é assunto pessoal, é gosto, é intimidade do cidadão, não cabendo ao Estado interferir. Hipocrisia, pois o Estado permite que a indústria e o comércio condicionem o indivíduo a comer tal e tal produto, sem qualquer exame de sua real utilidade para a saúde. Ficaria tudo então para o cidadão decidir: o que comprar e o que comer. Nem se ouse falar em discernimento. Na hora de comprar alimentos e comer, o que vale é o elemento nacional pensante mais relevante: a barriga.
E todo este cenário de mil facetas é turbinado ao máximo, se considerarmos que a ansiedade, o mal dos séculos, é descarregada quase totalmente na alimentação, seja “fastfood” ou não.  Ora, o sistema produtivo ajustado ao racionalismo, pragmatismo e utilitarismo garante a produção em quantidade. Faz o cidadão ajoelhar-se a seus prazos e metas de modo que tais “ismos” acabaram por condicionar o ser humano que facilmente os transpôs para o relacionamento humano. O que era ser só para aplicação no ambiente da produção acabou por se instalar na vida de todos contaminando os lares e a convivência dos humanos. Por consequência o ser humano hoje encontra-se instável, vive em reação sob o poder do medo de perder e torna-se  péssimo em autoconhecimento, inapto para conviver e pensar adequadamente, portanto, um egoico sempre contrariado, insatisfeito e mantido em permanente ansiedade, a qual é preenchida amalucadamente com bebida e comida. Para que esquecer qualquer problema, por que não uma bela, gordurosa pizza? Para muitas pessoas, no vazio da vida que restou no mundo da produção, a hora da almoço e do jantar passou a ser a grande ilha do prazer e o grande episódio do dia. Muitos vivem só para isto. A cultura evoluiu também acompanhando esta falácia. Reunião tem que ter comida e bebida, caso contrário perde a graça. O relacionamento começa e termina na mesa hoje. O parente mais antigo ou o amigo só é visitado, se tiver o que oferecer para ser consumido.   
Mas a questão refoge ao simples fisiologismo. Embora a nossa democracia ainda esteja se aperfeiçoando, ela aparece mais na época das eleições. Depois, o mundo político se gera e se basta sem qualquer intromissão popular. A imprensa exerce algum aspecto de isenção no controle da gestão pública, mas é confusa e fica facilmente à deriva, face ser remunerada pelos donos de interesses múltiplos. A questão alimentícia pertence à quinta categoria de notícias. A questão é na verdade muito séria para a saúde pública e as despesas dela decorrentes, que reduzem substancialmente a capacidade de investimento em infraestrutura etc.
E é mais séria quando se questiona qual a segurança da receita tributária advinda dos produtos alimentícios, se a população está ficando doente a cada dia? Não seria dos políticos estarem pensando nesta questão ao invés de estarem preocupados se irão para a cadeia ou não? 
Ademais a alimentação que traz doenças, a obesidade, as doenças do coração, fígado, estomago, intestino e rins e a demência tem repercussões econômicas. Não seria então de se melhorar isto, já que a diminuição da força de trabalho, os recursos humanos diminuem a todo dia, há absenteísmo em níveis altos, excesso de licença saúde, “turnover”, etc. Políticos são políticos e não técnicos. Caberia às associações de profissionais de saúde (médicos, psicólogos etc.) alertar. Mas há algum médico interessado em reduzir o número de pacientes? Uma minoria brutalmente amassada pela contrainformação.
A questão é séria, mas deixada ao abandono, e no futuro, com o envelhecimento da população e a diminuição do consumo, como ficará esta receita tributária face à enorme despesa com a saúde pública? Em tudo, o futuro a Deus pertence. A miopia do presente e os projetos meramente eleitoreiros para a gestão de 4 anos é o que interessa. As consequências ficam para as futuras gestões da fazenda nacional.
E permeando toda esta deficiência, sempre a negligência, desleixo, corrupção, fraude, leis penais de processo para proteger o infrator, fazendo uma realidade camuflada no dia a dia pelo manto da impunidade, porque o que interessa é gerar empregos, gerar impostos, garantir a receita tributária e o “progresso” e evidentemente a propina.
O cenário agrava-se, tornando-se mais banalizado e, portanto, imperceptível fazendo suas vítimas. Cada um que se cuide. 
No aguardo de maior conscientização e melhorias, pergunta-se: nossos jovens da geração Y sabem cozinhar ou irão só esquentar pacotes de lasanhas e outros pratos comprados no supermercado? E seus filhos terão acesso à cozinha tradicional da bisavó? Quais as repercussões para a saúde pública do consumo de tanta química? 
Muito do Brasil atual já deveria estar “walking the mile”, para possibilitar uma Pátria sadia, produtiva e progressista.        
 
Odilon Reinhardt 3-7-2017

sábado, 3 de junho de 2017

Decisão de Justiça para mais justiça.


Blog 3.6.2017

 
 

                       Decisão de Justiça para maior justiça.

 



É por mais evidente que no emaranhado de notícias que informam, assustam, chocam e atormentam a vida nacional de hoje, há também notícias auspiciosas que ocupam segundos, mas que são de uma grande repercussão para o futuro. Assim, no burburinho das notícias políticas, algumas atropeladas e intoxicadas pela impetuosidade de imprensa em causar sensacionalismo, de vez em quando há espaço para notícias divulgadas rapidamente, como que quase não merecendo muita atenção. Foi assim que foi divulgada uma  verdadeira decisão histórica, marcando mais um ponto para a real e efetiva desvinculação do Judiciário dos interesses dos demais Poderes, que participam da escolha de ministros, cuja independência de alguns deles foi sempre objeto de polêmica, conforme sempre aparece na imprensa.  Montesquieu agradece agora pelos atos de independência como nesta decisão.  Diante de tantos horripilantes e tétricos fatos e fotos do dia a dia, que ameaçam severamente a equidade, a Justiça deve sempre, sem perder sua isenção e dignidade, retirar suas vendas técnicas processuais e sua prolixidade, para assim ver como os demais Poderes estão explodindo a materialidade.   
Destarte, ocorreu a divulgação da decisão do STF de que não é necessária a autorização da Assembleia Estadual para a abertura de processo contra o Governador do Estado. Ora, tal decisão foi divulgada e sumiu do comentário com a mesma velocidade com que veio à luz. Nos dias agitados pelo negativismo adotado e fomentado por fatos e fotos que ocupam as manchetes, esta decisão não pode ser devidamente valorizada como devia. Trata-se na verdade de uma das decisões mais importantes e de validade histórica contra a corrupção.
Na necessária lavagem contra a corrupção, até agora tudo tem se passado no nível da União. Corruptor e corruptores são os de nível da administração federal, tendo-se resvalado aqui e ali em casos estaduais e municipais, tidos talvez como peixe miúdo ou talvez por escassez de pessoal na Polícia Federal e Ministério Público, tal a dimensão da corrupção no país.  No nível da União, o que temos já basta para ocupar e alarmar os olhos e ouvidos da população, a qual recebe choques todos os dias, tal o assombro com os casos divulgados sobre uma rede de corrupção jamais vista no mundo, a ponto de assustar até Bancos suíços.  Uma vergonha continental.
A decisão acima referida equivale ao arrombamento da cova dos lobos, a chave da caixa de Pandora, a entrada para a Montanha do Sésamo dos 40 ladrões, a porta da fazenda do coronelismo e dos cartéis do poder estadual. O que se passa na União é a mera ponta do iceberg, considerando a nossa estrutura política e partidária e o sistema de financiamento das campanhas políticas e do patrimônio dos políticos, candidatos ou não, eleitos ou não. Todos enriquecem na vitória ou na derrota. Há uma mágica patrimonial inusitada e até hoje intocada. Um grande e promissor balcão de negócios fabulosos: o Governo em todos seus níveis.  Um Governo atrasado, centralizador, burocrata, contra a iniciativa privada, criador de leis enroladas que de propósito lhe colocam como dono do Poder de criar dificuldades para vender facilidades e que hoje está se enrolando em sua própria máquina e folha de pagamento.
É nos Estados e Municípios que se formam as quadrilhas da pirâmide do Poder, com suas empreiteiras, prestadores de serviço e fornecedores. Os vícios derivados do sistema de financiamento de campanha não afetam candidatos municipais e estaduais? Os males do nível federal não se alastram pelos níveis inferiores? Pergunta e respostas óbvias.
Esquemas de formiguinhas e jacarés, todos acobertados por conveniências e oportunidades políticas do momento e também protegidos pelo corporativismo, bairrismo e pelo sistema de cooptação e atrelamento das pessoas ao “establishment” local, o que garante que não haverá denúncias nem traição, já que todos estão vinculados entre si a algum benefício ou favorecimento.
As mazelas e defeitos do sistema, no nível Municipal e Estadual, vem sendo mantidos como inatingíveis até hoje, face os esquemas de blindagem das autoridades locais e os interesses políticos envolvidos. A maioria nas Assembleias Estaduais tem garantido os esquemas mais deploráveis, como se o Governador não soubesse e não comandasse nada no Estado, quando o contrário é a verdade. Nada é feito sem que o Governador ou seu partido saiba. Se alguém do partido comete ilícito, tudo é abafado para não afetar a gestão, a imagem do partido e etc. O indivíduo sofre alguma sanção moral, mas sempre cai para cima, assume algum cargo e nunca é deixado de lado. É este o sistema tradicional. Ali corvo não come corvo. Tudo é mantido em sigilo, à boca pequena, devido às alianças partidárias com vistas às próximas eleições. Poder-posto é sempre forte e prepotente. Qualquer crítica é encarada como coisa da oposição. Onde está a democracia? Há, sim, hipocrisia, defesa de propina em projetos e um fascismo que deixaria Mussolini de boca aberta ao ver como sua doutrina aqui floresceu tão bem.
Ademais, salvo raras exceções em homenagem aos bons políticos que estão do mesmo modo enojados, os projetos do Governo ou são para dar propina ou ajustar a bagunça da gestão anterior, mas sempre com arrocho e avanço no bolso da população. O Governo sempre tem justificativas técnicas e informações tais que não permitem discussão eficaz. O governo sempre vence em suas propostas, pois tem maior Poder, meios de negociar e prometer benefícios, nomear pessoas, manobrar, acobertar, enfim defender-se por qualquer meio, até com mensalões e mensalinhos. Uma verdadeira truculência que anula qualquer ação contrária. Só o Poder Judiciário pode mudar isto, já que a ética e a moral são raras na política. 
Há falta de transparência e isto atiça, em cada cidadão, com ser humano, o instinto da curiosidade, o amor pela verdade e o ódio ao falso e obscuro, itens que contrariam na essência o anseio por justiça e equidade. Diante de representantes vendidos e falta de meios mais eficazes de debate direto com o povo, ao cidadão comum cabe baixar a cabeça, calar e tratar de sua vida, pois o Estado é o reino onde o autoritarismo, o mando e o desmando existem velada ou indiretamente e há democracia só se existir interesse do Poder e nos limites que este estabelecer através da ação policial e do exercício de manobras de bastidor, para fazer calar e intimidar qualquer um que ataque sua hegemonia. É o Brasil no miúdo.
Ninguém quer se indispor com ninguém no Estado, onde a economia é menor e os interesses são bem definidos e expostos. Grandes esquemas de corrupção ou simples benefícios da nobreza fabricada sempre existiram, enriqueceram famílias por décadas e nada acontece. Só há revezamento no Poder, como uma espécie de acordo de cavalheiros no submundo do crime, especialmente em Estados com capitais menores e onde os políticos são ligados por inevitáveis laços familiares. Talvez por isso uma decisão tão importante quanto esta do STF deixa de ser realçada e comentada, pois se Governadores caírem, há sempre milhares de interesses pessoais e familiares entrelaçados com a política em jogo. Situação que pode se estender para ramos da limitada mídia local, facilmente controlável mediante maior ou menor quantidade de anúncios e propaganda oficial a ser publicada; inegavelmente representa uma grande renda para a mídia. Um jornal que recebe mensalmente uma  quantia de publicações oficiais tem isenção para denunciar? É imprensa livre? Onde fica o limite para se definir isto? Qual tem sido a participação desses jornais na manipulação da opinião popular?
Com fatos e fotos inquietantes a classe política tem sido fustigada em sua imagem geral, mas há ainda o político idealista e honesto como também o tradicional desonesto. A decisão do STF veio para dar uma esperança de que a blindagem não mais ocorra. É a mais importante decisão para acabar com a corrupção nos Estados, onde grupos se revezam no Poder, havendo pouca opção para a população eleitora, geralmente traída em negociações e atos do mundo político após as eleições. O coronelismo ainda está vivo, embora travestido para os tempos modernos.
Após a secular roubalheira, o Estado foi tornando-se um local de armações. Na Capital o Estado mistura-se com a Prefeitura, mas no interior só aparece na precária estrutura do eventual hospital local, na escola estadual e na polícia civil, tudo deficitário. Aparece também em obras paralisadas e inacabadas abandonadas sem qualquer justificativa ou objeto de denúncias. Assim o Município é que aparece pobre, carente, cheio de necessidades que acabam sendo promessas a serem cumpridas por lideranças políticas nas eleições.
O desempenho estadual sofre com a corrupção impunida, com os esquemas que ficam abafados e nunca descobertos. No dia a dia há as “decisões” que são igualmente polêmicas, mas morrem nas atas das empresas estatais e de economia mista, nichos de Poder, usados como operacionais das “coisas” que o Governo não consegue fazer na Administração Direta, onde enfrenta fiscalização mais reforçada e um rígido controle orçamentário. São decisões para uso interno e tantas para uso externo que assustariam qualquer usuário pagador de suas tarifas mensais. Erros administrativos gritantes que redundam em aumento de despesas e perda de tempo.
Com a decisão do STF, pelo menos enquanto ela valer e não for derrogada por outra ou até mesmo esquecida no emaranhado de decisões, há esperança de acabar com a hipocrisia, o fascismo, a proteção política e a farsa. O fim dos “reizinhos” estaduais, cheios de meia-luz, de holofotes imaginários, mas sempre salvos pela blindagem dos interessados em pactuar com o estado das coisas e muito dinheiro.
A decisão do STF colocou para fora do ordenamento jurídico artigos das Constituições estaduais; não seria imprudente que a mesma fosse revista para dar maior autonomia ao Tribunal de Contas e este fosse deslocado para o Ministério Público e seus conselheiros tivessem mandato de 10 anos e fossem eleitos pela população estadual quando das eleições municipais, exigindo-se “curriculum” especial apropriado para o cargo? Se isto fosse colocado em discussão, certamente outras propostas surgiriam. O importante é que haja mudança e o Tribunal deixe de ser político.
É no âmbito estadual que as mazelas podem acontecer sob a proteção da maioria política, de danosos acordos políticos, de gestões caóticas e tendentes a deixar o estado no fundo do poço.
Efetivamente o STF arrebentou com o cadeado para o esconderijo dos lobos, onde a transparência é zero, prevalecendo sempre a linguagem técnica, empolada e a divulgação de estatísticas tendenciosas, a proteção aos tráficos de todo tipo e a preservação do “status quo”, inteiramente modelado pelo jeitinho da província e seus provincianos. 
Falta agora e seria um ato de bravura e honestidade arrombar as covas Municipais, o verdadeiro local onde mora o cidadão, sofrendo o verdadeiro efeito da crise causada pela corrupção endêmica e sob a coordenação política de grupos políticos estaduais em seus tentáculos locais. Tarefa para todos os cidadãos e para o Ministério Público.
É no Município que vive o cidadão e é onde tudo ocorre de verdade. Ali as consequências de políticas federais e estaduais atuam na vida, no dia a dia do cidadão em sua cozinha e em sua sala bem como nas ruas e praças. A saúde, a educação e a segurança aos cacos, descuradas, porque muitos são os políticos que só estão preocupados com suas alianças e esquemas de preservação eleitoral, pouco se importando com o cidadão e a vida; preocupam-se, sim, como interesse de seus financiadores e pouco importando-se  com a imagem política no decorrer do mandato  em função  de suas  decisões, pois tudo será esquecido na campanha,  se houver dinheiro para pagar uma boa e fantasiosa ação de marqueteiros políticos, que saibam bem manipular imagens e a opinião popular.
O município, salvo raras exceções, está igualmente blindado pela força política eleita e tudo ali é tutelado pelo interesse estadual do momento. Escândalos locais são abafados e há a lei do silêncio para proteger o interesse particular dos envolvidos e para não prejudicar alianças eleitoreiras e a imagem partidária. O Ministério Público tem atuado, mas tem limites, tem que haver denúncia política e isto depende da oposição, da conveniência e oportunidade, da oportunidade e não do anseio pela moralidade e justiça, pois todos estão de olho no prato principal: o tesouro municipal, o qual será saqueado com os mesmos garfos e colheres seja oposição ou situação, já que a cultura é de “agora eu vou me fazer”.
A cidade é que deveria tornar o cidadão satisfeito, para que ele tenha incentivos para progredir como pessoa e grupo. Mas ali só há motivos para desmotivação, instabilidade e perda do orgulho de ser cidadão. Cada cidadão é pressa fácil, possível e provável próxima vítima de arrastões, violência, golpes, assaltos. É a fácil caça na intranquilidade diária, sem o discernimento suficiente para identificar as iscas lançadas à frente de seus familiares. Realidade que se compara à paranoia animal. Até quando? Até a sorte e destino de cada um? O modelo está chegando à exaustão e esgotamento do humano.
Nada muda, nada acontece a não ser por interesse de cabide de emprego, sinecuras e planos de obras que gerem propinas.
Da União às cidades, distritos e vilas de cada um dos mais de três mil Municípios, a estrutura de distribuição tributária tem assegurado a satisfação do cidadão?  Há décadas a estrutura é a mesma e não tem dado resultado. A verba fica retida até que o Município ou o Estado peçam água, ajoelhem-se ao poder dominante e a ele se aliem ou deixem de se opor diretamente. O prefeito e vereadores são laçados e encilhados para obedecer ao poder maior se quiserem continuar na política. O cidadão e a empresa honesta que pagam tributos são as vítimas do sistema que só aproveita a quem está no Poder. É um modo perverso de mostrar quem manda e quem pode fazer. Por causa disso, o cidadão e sua cidade vivem na penúria. E quando há liberação da verba, a mesma é para obras já contaminadas por esquemas de corrupção. Vergonha nacional.
No município é o espaço onde flui a vida, onde ocorre na prática a violência já banalizada. Cidades com casas cercadas, alarmadas, saqueadas onde o cidadão tem que procurar proteção  em cercas, grades, câmaras, seguranças esperando, no entanto, a hora de ser vítima dentro ou fora de seu refúgio. Cidades onde o trânsito mata, afetando diretamente a vida da família e das empresas. Que qualidade de vida é esta? E o noticiário de todo dia, mostrando as agruras não faz o quadro de guerra civil, guerra moral, constrangimento?  Não somos reféns de aves de rapina que vem caçar na cidade? Alguém pode usufruir livremente das praças, dos parques sem ter medo? Alguém pode sair de casa e ir à calçada  e para a rua sem se arriscar? Para sobrevier a isto: sorte, destino, inteligência de prevenção, consciência. O humano com medo, receio e desconfiança do humano. É fácil desconfiar de alguém, mas não é terrível ser olhado como objeto de desconfiança, sabendo ser honesto?  
 
                             Cidades, distritos, vilas e vilarejos.
 
Cidades derretidas
pelas balas da noite escura
em vidas escorridas
nas vielas de vida dura.
 
Cidades de antes sonhadas,
agora em ruas de medo
em esquinas alarmadas
onde a calma vive só em arremedo.
 
Vidas espremidas
em noites e dias de refém
aves de rapina em suas rondas
procurando coisas e pessoas também.
 
Cidades desfiguradas e inibidas,
em ruas, praças e avenidas;
o humano em vidas ameaçadas
cheio de traumas e feridas.
 
Para poucos as horas comprometidas
em livrar-se desta agonia,
tentando achar horas mais descontraídas
e talvez algum instante de alegria.
 
O país arrecada mais ou menos 3 bilhões de reais por dia.  Qual o retorno? Para onde vai tudo isto. Mais de 50% para salários de cargos públicos, muitos deles supervalorizados. O Poder aqui é local das práticas mais odiosas do pragmatismo caboclo, do utilitarismo tupiniquim, tudo em desrespeito ao ser humano, o eleitor e sua família e empresa. O planejamento, uma grande piada, serve em muito para poucos localizarem e anteciparem informações privilegiadas.  E o que falar do desempenho dos vereadores? Não deveriam se preocupar com a educação, saúde e segurança na cidade? Se abrirem a boca ou ferem a imagem da gestão e são punidos pelo partido ou são oposição, e se assim são enquadrados, são logo abafados, neutralizados. Talvez isto responda a algumas perguntas. Por que só se limitam a projetos esquisitos, miúdos, a projetos de nomes de rua e títulos honorários?  Uma energia muito mal usada e valorizada. Por que alguns só atuam junto a repartições públicas para acelerar pedidos e processos que deveriam transitar normalmente? 
O estágio atual a que chegamos como Nação é resultado de nossa construção humana aqui na chance que tivemos neste pedaço do mundo ao longo de séculos. A corrupção nasceu nas caravelas há  517 anos,gerada pela estrutura e sistemas de Poder Monárquico em relação à Colônia. Estamos agora numa das esquinas do tempo, talvez numa das aprendizagens de nossa evolução. É inacreditável que após tantos séculos, tudo que conseguimos apresentar como sinais de evolução humana, tenha sido a mentalidade de representantes da sociedade como refinados vigarista, capazes de trair a Pátria, assaltando seu caixa e esvaziando seu bom futuro. É a realidade, somos vítimas de nós mesmos, de nossa cultura subdesenvolvida e quando há denúncia pela imprensa, alguns dos nobres voltam-se para o povo e dizem “isto faz parte do jogo retórico midiático” ou “ é o imaginário acusatório”.  
Todo este modo de estruturação política que vai do Município à União é nossa construção e resulta do nosso estágio de desenvolvimento intelectual. Somos os responsáveis porque votamos nisso. O que existe hoje como estrutura tem sua lógica e não pode ser atacada a grosso modo, no entanto serviu para privilegiar e acobertar esquemas de corrupção. A mudança dos sistemas exigirá intelecto mais nobre e mais patriótico. A persistir o corromper e o enricar ilicitamente, através da estrutura existente, a miséria será pior com consequências funestas no setor produtivo.
Todo o sistema está calcado em fundamentos pouco nobres como a vontade de não trabalhar, de tirar vantagem, de se fazer, de ficar independente economicamente o mais rápido possível para ficar de folga, de ser leite, a lei do menor esforço, em suma, a vagabundagem com Poder e o desamor ao Próximo (a população).
Se nos livrarmos da cultura da “folga, da megalomania, do egoísmo, da vantagem, da má-fé, do arrepio ao trabalho”, cultuada por muitos que podem ser incluídos na elite, vamos entrar numa outra fase da história.
Todo este modo de ser está sendo questionado e sepultado. Grupos políticos, eleitos ou não, escondem-se através da falta de transparência, do corporativismo, da impunidade, da falta de cobrança quanto à responsabilidade e podem montar esquemas milionários, regalias e legislar a sua perpetuidade. Isto durou décadas, um século ou mais. Agora precisa terminar. A falta de transparência antes usada como escudo infalível agora é contestada. Talvez agora com a decisão do STF, tudo fique no  passado sombrio e haja vergonha na cara e no bolso.  Caso contrário, a corrupção assegurará a miséria nacional, com pessoas sem saúde, sem segurança e sem educação. Como prosperar? Como ser competitivo no cenário internacional e exportar para conseguir dinheiro novo?
Tudo que se tem hoje como estrutura tributária e política não deu certo, pois atrasou o país, gerou miséria, violência e precisa desaparecer. Que seja lavada a nojeira histórica, endêmica, histórica, cruel e impiedosa. Deve ser revista igualmente a supervalorização de certos cargos públicos da “nobreza da República” que se move num mundo paralelo em palácios etc., tentando preservar e se beneficiar de estruturas da Monarquia. A tradição de “bem remunerar para evitar a corrupção“ não funcionou nunca, pois era uma mentira centenária. Mais uma das enganações institucionais criadas por quem interessa a preservação da mama estatal. 
Há muitas mudanças a serem pensadas. Seria o começo de um verdadeiro começa de uma “revolução cultural”. Seria o início de uma reforma na cabeça de políticos e seus partidos. Seria o começo para melhorar o DNA da política e seu substrato social.  A revolução silenciosa e pacífica almejada por qualquer um do povo, tendo este em mente que deve existir “honestidade, boa-fé, correta aplicação de recursos, transparência”. A equidade e justiça social seriam consequências esperadas. 
O STF lançou a semente para explodir o “bunker” estadual de malandragem, incompetência etc. Já é um grande passo. Isto não interessa aos políticos locais e seus servos utilitários, mas interessa ao povo, ao país e à Nação das novas gerações, cuja infância pode estar sendo gravemente comprometida, desde já, pela atuação nem sempre digna das autoridades políticas, com seus egos e mentiras em discursos para boi dormir.  Podem enganar a todos por um tempo, mas não todo o tempo. A juventude de 10 a 30 anos que abra os olhos, estão mexendo nos seus dias do futuro.
Necessário dizer que a vida brasileira é superior aos seus defeituosos sistemas de Governo e político, que ocupam grande parte do noticiário do dia a dia e emprestam à vida a imagem negativa e de desesperança. Mesmo a imprensa é bem menor que a vida que ela em pequenos quadros quer acompanhar.  O Governo é só uma pequenina parte da vida nacional. Suas trapalhadas afetam a vida, mas não a ponto de ameaçar com o caos que políticos e a imprensa apregoam. Todavia, há pontos tão maltratados que efetivamente são recorrentes e derivam de várias décadas de erros estratégicos no campo da educação, saúde e segurança e economia. 
Em nossa História há e houve grandes e dignos brasileiros e o tempo está passando de modo diferente face o avanço dos países tecnologicamente mais desenvolvidos. O processo evolutivo da humanidade aqui vai sendo retardado, mas vai indo aos trancos e barrancos. Pergunte-se como vai a nossa mão de obra? As start-ups estão avançando? Por que não? Um supermercado está encontrando moças e mocinhos para a função de caixa, a qual necessita de pessoas que saibam calcular? E na indústria, como estão sendo preenchidas as funções de ensino técnico? Quais os números da evasão em cursos universitários.
Darcy Ribeiro dizia que uma criança só tem 7 anos uma vez. Se não cuidamos dela com a correta educação e saúde, a oportunidade foi perdida e a criança será jogada na marginalidade, para mais tarde custar muito caro para o Estado com um revólver na mão.
É preciso preocupar-se com a vida brasileira e o cidadão com mais interesse e amor ao Próximo. Há sinais e perspectivas que denunciam diariamente uma desestruturação do humano.
Darcy Ribeiro, já sabendo que ia morrer por doença incurável, sempre dizia que detestaria estar no lugar de quem o derrotou em suas tentativas de cuidar da Educação.
Hoje estamos aqui vendo como é detestável ver a corrupção. Fizemos até agora sistemas-tentativa que geraram e reforçaram o ego de homens e mulheres corruptas na política e na administração do país e da vida. Somos todos eleitores cegos de representantes que implantaram sistemas que precisam ser revistos com urgência, antes que sejamos vítimas de um histórico passo para a selvageria como regra e não mais como exceção. Num país de muitos seguidores, cabe aos poucos pensadores honestos mudar os sistemas para o Bem: o sistema tributário, o sistema de preenchimento de cargos, o sistema de financiamento de campanha, o de fiscalização etc. Pouco adianta punir pessoas e seus esquemas,  preservando os sistemas que geram erros e vítimas. Alterado os sistemas, os seguidores a eles se adaptam. Falar de operações, falar de pessoas é quase inócuo, basta ler  jornal e assistir TV.   É necessário questionar e criticar sistemas. As mudanças tem que ser isentas, feitos com amor à Pátria e não devem respeitar os interesses de políticos e seus financiadores com até hoje tem acontecido.  
Todavia, só podemos ter alento e esperança se compararmos o Brasil de 30, 40 anos atrás onde a propina era normal, nem se falava em transparência e a imprensa não ousava denunciar. Mas onde estaríamos se tivesse havido leis, sistemas, cultura de melhor qualidade, boa-fé, menos ego, mais amor ao Próximo, à Pátria?
Que cada um pense, questione, critique para poder propor algo ou ao menos saiba votar com mais cuidado.         
 
Odilon Reinhardt