sábado, 3 de fevereiro de 2018

Tudo como antes no quartel de Abrantes?












Tudo como antes no quartel de Abrantes. 
Em 2018 uma esquina do tempo para o Brasil, 
mas ainda nada mudará.  
                       


Patacoadas oficiais e privadas à parte, o que vemos também em 2018, é o resultado de nossa tumultuada, controversa e pouco fiável evolução humana, permeada por um progresso material discutível, duvidoso em sustentabilidade e igualmente questionável quanto à verdadeira natureza do interesse público que o tem motivado.
O cenário é da repetida crise econômica; aumento da violência urbana, já se alastrando para as regiões rurais; minguados resultados industriais; pífias exportações como geradoras de divisas e um Estado excessivamente caro, atrasado, burocrático, por isso corruptível e viciado, que deteriora a saúde e a educação, dois sustentáculos do tecido social, da força de trabalho etc.  
E mais, é cobrado o alcance de meta fabulosa: restabelecer o nível de empregos falsamente criado por uma economia de castelo de areia, com bases feitas com propina e fundamentos longes do clássico e do ortodoxo. 14 milhões de empregos soam, para o mundo real, como um marco inatingível diante dos  fundamentos econômicos que efetivamente temos, os quais não tem a energia para criar mais de 2,5 milhões de empregos por anos.
Nada mais é do que paradigma de falsidade mirabolante com que a TV faz sonhar a população, no afã de tentar criar um clima de retomada econômica, através do estabelecimento de um “moto” nacional positivo, igual ao do simples cidadão apostador da loteria que ao jogar, já sonha, imaginando-se como possível ganhador a fim de livrar-se de seus sofridos e parcos empreendimentos de vender docinhos para festas, massas prontas, assar churrasco, ser motorista de aplicativo etc. para assim tentar conseguir pagar as contas no fim de cada mês. A crise é grave e vai até 2020, segundo analista americano do norte, cujo estudo foi publicado há 4 anos , ou seja, em janeiro de 2014.
A colheita das plantações feitas por décadas de governos, que vem ocupando o Executivo, é agora cruel e real. Um campo estropiado, como o que fica depois de um garimpo.  A festa dessa roça chegou ao fim. Décadas de assaltos bem enrustidos, resultaram em colheitas que iam minguando sem que se notasse sua qualidade, tal o fascismo do discurso oficial, viciado e manipulador da opinião pública. A grandiosidade dos eventos, no teatro simulado, enganava a plateia, que não via nem podia entender o pano de fundo, onde  resultados já vinham apresentando sinais do destino certo em caminho errôneo, tomado pela trupe que se revezava em cenas contínuas assaltando o caixa.  
Agora o desafio. Verdadeiro, árido, seco, triste, desolador, cruel no desemprego, trazendo em seu bojo muito a temer, diante de reformas que estão sendo empurradas boca a baixo, como se fossem verdadeiras panaceias no remediar de problemas que são de raiz e não de bolso furado em consequência de gerenciamento esculhambado e negligente. Neste sentido, é o mesmo que garantir dinheiro ao alcoólatra, sem lhe curar o alcoolismo, equivale a garantir mais dias e noites de bebedeira e o relaxo com o mundo em que vive.
Educação e saúde em cacos, corrupção desenfreada, crescente violência civil em descontrole, inexplicável falta de prioridade na aplicação de recursos e desconsideração política epidêmica quanto à população são ervas daninhas que tomam o local das plantas boas no campo da colheita. São Paulo e Rio, primeira e segunda economia do país, são a amostra de um modelo estatal que resultou em caos humano e apresentam-se como cidades, onde as pessoas  decaem rapidamente em meio ao bem propinado “progresso” material de aparência. É o exemplo de futuro no qual as demais cidades tendem a chegar. Por hora, uma São Paulo agonizando e um Cristo Redentor, vendo a seus pés um Rio derretendo, talvez um Brasil que ninguém quer mais nem visitar. Nem o Exército Nacional pode ajudar a endireitar a caótica situação social.  Na lista do “The Guardian” sobre os 10 melhores lugares do mundo para visitar no verão de 2018, não entra o Brasil.  Quantas cidades do país já estão no rumo de se tornarem o Rio, a São Paulo?
Os desencontros promovidos por vários governos feitos por enrustidas quadrilhas de refinados assaltantes produziram tal realidade. Em 2018, em meio a festivais de pão e circo, haverá eleições que serão marcadas pelo continuísmo do mesmo modelo, das mesmas práticas, das mesmas mentes, das mesmas pessoas que compõem a denominada “classe política”, de onde muitos dos políticos profissionais vestirão roupas de nova aparência, de palavras de ocasião, de justiceiros, reformadores e salvadores. Mas a cultura será a mesma, buscando preservar os mesmos pensamentos, originários de uma cultura autoritária, machista, excludente, antidemocrática e que privilegia um clube fechado, norteado por privilégios com no mínimo 100 anos de atraso, cartilha de mesa de cabeceira dos oportunistas, dos salteadores e dos espertalhões. Sem mudança estrutural, sem nova concepção para o Estado, tudo será igual e funcionará às sombras do populismo, do caudilhismo, da nossa tendência de termos um pai, que salve a Pátria. Os males estão no  sangue como o ideal de “ agora eu vou me fazer”; de “o Governo ser uma ação entre amigos”; de “para tudo se dá um jeitinho”, “ a troca de favores com o chapéu alheio, o do contribuinte” etc.
Continuarão a existir as atitudes deploráveis: o balcão de negócios, o ato de criar dificuldades para vender facilidades, a negociação baseada em liberação de verbas e distribuição de cargos, a venda de informações privilegiadas, a venda de emendas, medidas provisórias e ressalvas em textos de projetos de lei e a complexa relação entre os financiadores de campanha e o governo eleito de qualquer nível.
Políticos, os mesmos, ou suas crias, todos norteados pelo umbigo de ganância, vaidade, ciúme, inveja, caçando prestígio e holofote, com seus discursos falaciosos e sempre assessorados por equipes de seguidores, técnicos e diplomados de várias profissões, os verdadeiros arquitetos das estruturas de manutenção do poder contra as equipes adversárias. Os chamados “bagrinhos”, que sobrevivem na sombra do peixe grande. São os seguidores, os muitas vezes inocentes úteis, a serem esquecidos por quem os mandou fazer. O político negará envolvimento até o fim, querendo esquecer que mandou executar a proposta de tais serviçais.
A questão é saber que há um sistema que origina comportamentos de tal ordem e que, se não alterado, continuará a gerar as mesmas atitudes. A cultura política nasce e é gerada em função da qualidade do sistema adotado. Se a acharmos que tudo está certo e que a vida é assim mesmo, então nada mudará e as atuais e históricas operações policiais de caça a corruptos e corruptores serão só um episódio a ser esquecido.
Por mais que haja vontade popular e propalado anseio de mudança, tudo permanecerá na mesma situação, seguindo a mesma cartilha. Poderão ser novas as caras, os nomes, mas as ideais continuarão as mesmas, com a consequente mesmice e o progressivo agravamento dos problemas sociais. A situação é já tão decadente que há dúvida quanto aos políticos realmente pensarem: no “povo”, nos interesses realmente públicos e por um segundo poderem deixar de lado seus interesses pessoais ou de seus financiadores. Tudo leva a confirmar que muitos só pensam no próprio umbigo e tem raiva do povo. E nem se fale dos inúmeros cargos, preenchidos por indicação de tais políticos, o que leva pessoas sem qualquer qualidade ou compromisso com o povo a exercer cargos muito importantes em empresas públicas e de economia mista, hoje verdadeiros paraísos com remunerações enormes e onde tais pessoas devem desempenhar missões, com a licença “oficial” de negociar tudo.
Não importam os desejos da população, o senso comum quanto ao Brasil desejável. As cartas do baralho já estão na mesa para um “poker” de cartas  marcadas em todos os níveis da República.
Após o fim do jogo, tudo será igual. Aumentará a distância do setor privado em relação ao atraso dos órgãos públicos em termos de modernização administrativa. De um lado as empresas geradoras do progresso, da receita tributária, do PIB e de outro lado o Governo, tomado por políticos atrasados, fazendo a festa burocrática, num castelo virtual, onde habita uma nobreza de questionável qualidade e que segue seus manuais em sistemas desatualizados.
Se a vida nacional é o resultado da soma da defesa de interesses individuais, isto até hoje pode ter resultado em claras, graves e bisonhas realidades que ampliam para a esfera nacional o pensamento ainda provinciano. É preciso pensar mais amplamente, ter um senso patriótico, que eleve a Nação. O pensamento de feirinha de barracas individuais não cabe quando se pensa em um país continental. A República hoje, mesmo com a arrecadação tributária de mais de 1 trilhão e trezentos bilhões ao ano, o equivalente a mais de 3 bilhões por dia, não pode continuar se debatendo com despesas de cozinha, interação com vizinhos, o caráter duvidoso dos investimentos no quintal.
Toda a evolução, quer seja de uma pessoa quer seja de um país, obedece fases, como um processo, tem começo, meio e fim.  Uma Nação pode estar doente, pode estar em declínio humano e material. Basta um erro estratégico e o futuro fica ameaçado gravemente. Ao longo de décadas quantos foram os erros que agora nos levam à beira do colapso material e humano? Deparamo-nos há décadas com brigas egoicas, de umbigo contra umbigo e agora o que temos? A violência vai aumentar geometricamente. Não é questão de crise material, é pura e grave crise humana, defeito de qualificação, despreparo para pensar coletivamente e atender necessidades de um mercado de trabalho novo, excludente porque exigente. 
Até um cego, que tenha suficiente interesse no país, percebe que a deterioração humana supera o interesse que uma nova obra, devidamente superfaturada e “propinada”, pode acarretar na população. De nada adianta a grande avenida iluminada, se quem vai passar por ela, é a população em péssimas condições de tudo.
É comodismo pensar que está tudo certo, que a fórmula de progresso adotada tem dado bons resultados e que tudo depende de recursos financeiros. Não estamos dando certo, não cumprimos a Constituição, não atingimos objetivos para o Brasil e sua população e estamos acomodados. Porque muitos e muitos estão com os umbigos gordos e ricos enquanto a população sofre e é submetida cada vez mais à mentira, enganação e manipulação de dados, tal situação comodista pode estar escondendo sinais graves de um futuro ameaçador. Somos o país em que as leis não pegam ou pegam só para  algumas regiões e algumas pessoas.  

O progresso, falsificado na infraestrutura, revela cada vez mais sua natureza casca de ovo. É precário, mal distribuído, cheio de obras questionáveis. Temos construído avenidas e etc. para gerar oportunidade de propina, sem se importar com quem vai utilizar a obra. Os projetos não levam em consideração o Amor ao Próximo.  Rodovias dividem cidades, isolam bairros etc. A beleza da avenida raramente muda a vida do povo, o qual continua no mesmo rumo de 100 anos atrás.
A evolução que conseguimos até agora continua pautada pelo autoritarismo, é saldo do colonialismo, ainda excludente; seguimos modelados pelas filosofias da linha de produção, tomadas como referência para o comportamento fora da fábrica e do escritório. Falta a orientação mais humana, direcionando o material para o real progresso da sociedade humana. Somos e nutrimos o espírito de terra de fazenda e produção. A orientação espiritual deixada para o setor religioso não parece ter sido suficiente para conter os efeitos da contrariedade do ego explorado pela sociedade de consumo e produção.   Vivemos em estado latente de violência, como os bárbaros, os brutos, sempre no limite, numa camuflada “guerra civil” onde o cidadão é caçado, usado como refém etc. E a violência não é só através do ato físico, eis que  aparece no campo moral , ético e espiritual, deixando a todos atônitos e ameaçados, enquanto o Governo de todos os níveis só fala em recursos e sua falta, justifica as falhas com estatísticas e promessa de já estar fazendo licitação etc. O enfoque materialista está decadente, ultrapassado, não engana mais ninguém.   
Se queremos algo, é um Brasil do futuro, forte, soberano, com uma estrutura de serviços públicos que não funcione só para dentro, tragada pela burocracia e controle.  Um Brasil, onde ninguém diante da câmara de filmagem para a TV  diga soluçando: “ eu sou só mais um Silva; trabalho o dia inteiro para poder sobreviver, chegar em casa e dar comida à crianças, respirar, suspirar, comer e dar um sorriso pelo menos, mas hoje nem isso” . Declaração feita por um pai, enquanto o filho, assassinado ao defender a esposa num assalto em ponto de ônibus, jazia no asfalto, no meio da rua de um bairro de periferia. A entrevista foi feita ali no asfalto mesmo, no meio da rua, bloqueada em um trecho, onde o cadáver ficou sendo velado no chão por mais de 13 horas, porque a polícia criminal não tinha transporte para a remoção ao Instituto de Criminalística.  Velório ali mesmo, com pai, mãe, familiares, vizinhos, a imprensa e a televisão e várias equipes da mídia, todos estarrecidos.  Que país é este?
Muito infelizmente, diante do continuísmo que se antevê, com toda a certeza,  teremos que jogar todas as cartas a favor da Justiça, da Polícia Federal e do Ministério Público para combater a corrupção, desvio de verbas e as tendências da violência ainda aumentando. A violência que até aqui conhecemos é só o começo, já é grave e vem sendo banalizada. Infelizmente, aumentará a níveis de descontrole, demonstrando a ineficácia do Governo em combatê-la na causa e na consequência. Estamos concretizando lentamente o dito de um famoso escritor carioca ”o Brasil conhecerá a barbárie antes de conhecer a civilização”.
Sem investimento maciço e quantitativo em Educação, o continuísmo no Governo estará assegurado por décadas e todo o progresso material não passará de alegoria fantasiosa, passageira e descartável. É o país, onde bandidos saqueiam escolas; pessoas furtam cabos de energia, deixando regiões sem água e luz; bandidos furtam de  pessoas caídas na rua depois de acidentadas; furtam postes de luz na via pública; trocam tiros na rua com a gang rival ou a polícia; explodem bancos de dia ou à noite etc.; alteram o leite com substâncias cancerígenas; vendem remédios falsificados; assaltam através de golpes a Fazenda Pública; num país onde escândalos financeiros só são revelados porque alguém foi deixado de fora.     
Mas apesar de tudo, não deixamos de ter futuro, basta fazê-lo com boas ideais e menos umbigo. Menos cópia, mais criação a favor da Pátria. Menos Lavoisier, mais Einstein. Menos culto ao negativo, mais esperança livre, criativa e positiva em especial na área pública. Mais oportunidade e crédito às novas  gerações que viverão o Brasil .
Ideais há, o que não há é o encorajamento para expor, para participar, eis que uma ideia, que possa ser de interesse público, tem que passar por um cipoal de análises de compatibilidade com os interesses da política dominante, a qual  está minada por interesses bem diferentes do interesse público. É esta pretensa e fingida “harmonização“ que barra a participação de pessoas idealistas. Cansado, o cidadão afasta-se, aliena-se e resolve cuidar de sua rotina de sobrevivência e pagamento de impostos. Disto se aproveita a classe política em seu fantasioso reinado em castelo de areia, onde consegue fazer a nobreza da República, cara, abusiva, ineficiente e apátrida. 
Por muita sorte, apesar de toda a barafunda que virou a coisa pública e a gestão de recursos, os Poderes da República guardaram sua independência e mostraram que governar não é mais uma ação entre amigos e deixaram de ser um do outro um capacho. A Justiça acordou, deixou de ser um consultório jurídico a favor dos demais.  Acordou braba, consciente quanto ao seu dever e posição de ultima fortaleza para o cidadão e sua Pátria.
Se não houver um esforço conjunto de todos os seres bem pensantes e patrióticos em repensar a organização do Estado, continuaremos a gastar energia produtiva enquanto o mundo exterior avança. Um Estado gerador de empregos e principal comprador de coisas e serviços não é mais a salvação, é coisa do passado. Não deu certo. Não é o caminho para o futuro. Continuar colocando a empresa privada e o empreendedorismo de lado é a receita para um bloqueio já conhecido no passado. O Estado precisa ser readaptado aos novos tempos e demandas e ser forte e eficiente na funções que efetivamente lhe couberem. 
Mas boas ideais não podem ficar só no domínio da informática e no ajeitamento ou melhor concepção de coisas materiais. A Informática é somente um belo meio de gerenciamento. O Estado não pode ficar refém de sistemas de informática e este não é o gerenciador do país. É necessário que se pense no sistema de organização do Estado como um todo, desde o Município até a União.
Novas concepções da estrutura do Estado e funções para a máquina pública só serão possíveis colocando-se o Estado numa “start-up” de interesse realmente público. Talvez uma nova Constituinte. Ao contrário tudo permanecerá como está e em rumo de uma situação cada vez mais grave de consequências previsíveis e doentias.
Odilon Reinhardt






domingo, 3 de dezembro de 2017

Feliz Natal 2017




                                                   
 
 
                                                                    
                                                      Feliz Natal 2017.

Para os amigos da existência, fiz esta árvore de Natal; está com bolinhas coloridas este ano, para mostrar que a cada um cabe, durante o próximo ano, enfeitar sua própria árvore. Serão 365 bolinhas de cada um, até 25 de dezembro de 2018. Isto é possível, se considerarmos cada dia um Natal eterno e, por agradecimento, colocar uma bolinha na sua árvore com mérito de ter bem vivido mais um dia. 
Cada um pode fazer a diferença no ambiente onde convive pelo comportamento. O tempo de Natal traz um espírito que pode ser o do ano inteiro, se a cada dia vencermos as forças do pragmatismo, do individualismo, do materialismo, do egoísmo e considerarmos o Próximo como irmão e não como coisa nem como rival. Devemos lembrar que estamos sozinhos no Universo e a fraternidade e a solidariedade devem se unir no cooperativismo para superar as diferenças do humano em prol de salvar o seu comportamento, o qual deveria  ser regido pelo Amor e a Bondade como referência maior, pois é fonte verdadeira e confiável de energia positiva; vale nisto investir e a cada dia reforçar tais princípios para ter qualidade na nossa única casa, a bola azul, que vai girando sem destino na solidão do espaço sideral. 
Na  época de Natal, estamos sempre com a alma aberta, esperando reunir, confraternizar, receber pessoas e presentes e aguardando que nossos presentes agradem; estamos com ar de festa e fraternidade, dispostos a evitar conflitos e preservar a harmonia; pensamos com compaixão, somos humanos, ficamos emocionados, desejamos que o mundo seja melhor e as pessoas tenham felicidade e não só alegrias mercadológicas passageiras e desejos contaminados, num ambiente condicionado por filosofias que nos tornam já tão áridos, embora carentes e silenciosos sofredores, que conscientes, sabem, no fundo, que o dia a dia pode ser diferente. Se cada um conseguir fazer diferença, poderá enfeitar sua vida, a árvore de Natal, como a aqui colocada, com a bolinha colorida, ganha com mérito próprio ao final de cada dia. Façamos de cada um dos 365 dias uma vida melhor, de verdade, fiel a nossas promessas de fim de ano, deixando nossa boa essência prevalecer sobre o ego e assim teremos 365 dias de Natal na árvore de 2018. Façamos um plano de vida diária para isso. Que cada um destaque-se das tendências da vida atual, vença os condicionamentos impostos pelo mundo da produção, do trabalho, e consiga ser sujeito de sua história de vida e não o objeto dos eventos e dos meios de comunicação, e assim consiga  vencer a si mesmo todos os dias e saiba conviver sem gerar conflitos.
Por que abandonar o fascínio do olhar que ressurge na época do Natal e deixar de fazê-lo reaparecer na manhã de todos os dias da vida,esquecendo que ele  pode fazer e ser a própria vida?  

 Odilon Reinhardt  - Feliz Natal. 2017

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Florestas e desertos já em degradação.




                                        


 
                                                     
                                                        Florestas e desertos já em degradação.




Muito do que está se passando no país é banalizado, vulgarizado ou negligenciado, seja pela intensidade e frequência da divulgação de problemas nacionais pendentes, para os quais não há aparente solução, seja pela multiplicidade de problemas das cidades, seja pela descrença da população quanto a real intenção do Governo em tentar resolver os eventos problemáticos.
Como num circo mambembe, na zona de subúrbio, numa quarta feira à noite, a plateia está inquieta, no picadeiro a peça até chama a atenção, mas o pano de fundo, destinado a ser parte do cenário do teatro, está descolorido, sendo degradado a cada apresentação. Ninguém nota, que os atores estão esbodegados, que as mulheres têm meias desfiadas, isto porque a euforia é fabricada pelos tocadores de bumbo e cornetas, que prosseguem fazendo as vezes de orquestra de um mundo colorizado num jogo de luzes sem parar, mascarando a realidade e encobrindo o pano de fundo de um circo de lona rasgada, que deixa entrever estrelas que aparecem no céu e com as quais parte da plateia ainda sonha com o amanhã lá fora.  A audiência feita de pessoas, assim hipnotizadas ou entorpecidas pelos espetáculos de cada noite, nada vê e nada sente além do que lhe digam para sentir e ver.
Afora o que acontece no ambiente, tido como humano do Antropoceno, há muito que está acontecendo e que não ocupa nenhum espaço de jornal televisivo, o qual assumiu hodiernamente o papel de escriba moderno ou prestidigitador para as massas, de modo que sem as preleções diárias do âncora do jornal, quase nada é entendido por uma população já farta de tudo sobre a realidade do dia a dia e do mundo político. Qual a isenção das orientações e explicações diárias? Não é oportunidade para manipulação e tendenciosa interpretação dos fatos? 
Há sempre este caleidoscópio fantástico, eufórico e ilusório para desviar a atenção da realidade. Governos e Governos sempre se aproveitam disso e vão minando a Nação, tudo com a justificativa de estar defendendo o “interesse público”, a receita de impostos, o progresso de seus próprios bolsos, a criação de empregos, a estabilidade política etc.
Assim foi que a inconsciência popular nem notou que nas décadas de 40 a 60 acabaram as florestas no Paraná e ninguém deu a mínima importância, pois o mato só era lucrativo para alguns e o que importava era mostrar “progresso”, num modelo atrasado desde o início. Acreditava-se que uma cidade com prédios era o moderno. O caso do Paraná é só um exemplo no contexto nacional, onde o mesmo modelo vai se arrastando para o centro-oeste e noroeste do país.
O gafanhoto humano hoje prossegue. Acabou como o Oeste de Santa Catarina, com o Oeste do Paraná, Mato Grosso e segue para Rondônia, Acre e Amazônia, tudo em nome do progresso num modelo ultrapassado de colônia espoliada. 
Por tudo, a mesma ideologia tributária e o resto que se dane. Recursos para obras e que gerem propina; “negócios” para garantir a reeleição e a soberania partidária.  As gestões do futuro a Deus pertencem e as gentes de Deus que se virem.
O que prevalece é a visão materializada do panorama. Somem as florestas por alguns dólares a mais, diminuem as cidades pequenas, crescem os arrabaldes da grande cidade. Tudo vai mudando de geração para geração, dando a aparência de progresso, enquanto há uma lenta degradação de todas as classes sociais numa imperceptível e irresponsável manobra amalucada.
É funesta a realidade, com danosas consequências para o ambiente inteiro e não só para a porção verde que o compõe. Mas tal quadro não parece ter sido   prioridade nas últimas décadas; sociólogos, na parte humana, e ambientalistas , na parte verde, são ridicularizados em toda parte como obstáculos ao  “progresso” promovido pela gente da propina e do clubinho fechado do “interesse público”. Situação e oposição são ambas tendenciosas, desejam atender seus objetivos eleitoreiros e fazem tudo para agradar quem os financie, enquanto o eleitor é mantido no circo em sessões que se alternam entre o ruim e o medíocre. 
Na parte verde dessa história, tudo é feito para garantir a produção agrícola, abrindo novas fronteiras a todo dia, numa guerra aberta “progresso x mato”. O mato significativo aqui é agora a Amazônia, o pulmão do mundo.  A atitude é de degradação consciente. Má-fé mesmo. Nenhuma preocupação com o futuro.
Sistematicamente, passa-se para o visual da população a ideia de uma Amazônia interminável, um oceano verde, patrimônio nacional, onde populações indígenas vivem ainda isoladas. É imagem da mesma qualidade enganadora de como se mostra o Nordeste, seco, com casas de barro e o jegue na porta. Fabrica-se uma imagem para puxar cada vez mais recursos para a região nordestina onde ainda impera o coronelismo e instituições coloniais do autoritarismo e pobreza cativa, raiz de nossa história política e de alienação social. 
David Nasser, em seu livro “A revolução que se perdeu a si mesma” escreveu que: “ a chuva é o flagelo do Nordeste. Quando chove, falta dinheiro aos políticos. Outros dizem que a seca dos flagelados é o inverno dos ladrões. Seca significando fome. Inverno significando fartura...... “. E quantos nordestes existem, sendo usados para iludir o país?
Não podendo conter a farsa amazônica, de tempos em tempos, a mídia coloca em linhas miúdas que a devastação em tal ano foi equivalente a tantos milhares de campos de futebol. Só neste país, face seu gigantismo, campo de futebol virou unidade de medida.
O fato é que desde os tempos imperiais, com recrudescimento no tempo da última ditadura, a região amazônica nunca foi colocada no contexto de importância mundial quanto ao clima, mas sim como propriedade do Brasil, argumento ufanista  contra a possível invasão estrangeira. Com intenso medo patriótico de perder a região, a política era de ocupação a qualquer custo e modo. 
Seria inteligente dar um fim ao modelo de ocupação através de fazenda de soja e gado e mineração. Talvez não seja o caso de dar aos índios o seu território, criando milhares de parques nacionais na região? Isto como primeira medida para congelar o assunto e não atrair já a atenção do mundo, que vai reagir logo contra a degradação em detrimento da Humanidade.   
Mesmo assim, a Amazônia já tem seu futuro marcado. Será cada vez mais tida como o pulmão do mundo, última reserva de tudo da mais completa selvagem Natureza. Uma mera questão de tempo. A continuar a ocupação predatória, a sua tresloucada degradação, será declarado o fim da brincadeirinha do fazendeiro contra o mato e o índio, porque a questão será objeto de reunião da ONU e certamente em alguma geração futura haverá a declaração de Patrimônio da Humanidade. Por que não será decretada a utilidade pública mundial da região, se o assunto referir-se ao Mundo e à Civilização? Não que isto leve à desapropriação no primeiro momento, mas certamente implicará administração compartilhada da região, defendida por forças internacionais.
Quando se tratar da sobrevivência do próprio Planeta, os estados nacionais terão muito pouco a mandar. Se detectado que a região é fundamental para a atmosfera da Terra, não haverá alternativa. O mundo será administrado pela ONU ou por um grupo de Estados responsáveis pela manutenção da Terra, que estabelecerá limites, permissões e autorizações para a região Amazônia em todos os países que ela envolver.
Se hoje, há países que invadem militarmente outros para defender seus interesses comerciais, por que a ONU ou qualquer outro órgão que vier a substituí-la não fará o mesmo para garantir a segurança do Planeta? Acabarão a autonomia e a soberania dos países para assuntos como energia, saúde, poluição e alimentação, se a espécie humana estiver em risco e isto ameaçar qualquer regime baseado em produção e consumo. Ou vamos continuar acreditando em projetos de colonização da Lua ou Marte? Não estará descartada uma administração de força radical e autoritarismo.
A devastação lenta e progressiva é inevitável quer pela impossibilidade financeira do Estado Nacional, quer pelo interesse ruralista de expansão, quer pelo gigantismo da área, quer pela impossibilidade de ações preventivas e pró-ativas, quer pela insensatez política e falta de visão de futuro. Em algum tempo do futuro, alguma geração vai sofrer as graves consequências do impacto ambiental gerado.
O caso da Amazônia é aqui só um exemplo; é uma vírgula num contexto muito maior feito de muitas interrogações, de muitas frases negativas e afirmativas de cruel realidade.
Esta é a devastação do verde. Mas o que assusta é a devastação humana em andamento. O que hoje ocorre nos bairros do Rio de Janeiro não é o resultado de 500 anos de governo e muitas decisões erradas? Não é a versão mais atual da evolução social e política a que chegamos? Não mostra a impossibilidade de o Governo controlar o movimento social e a humanidade ali colocada? Darci Ribeiro não foi atendido. Agora temos as consequências. Mais de 70 % da população da Cidade Maravilhosa gostaria de abandonar a cidade. Ora, pode-se menosprezar isto? É a falência do tecido social. E não adiantará a polícia, o exército ou qualquer outra força como esforço de solução, pois quem está doente é o cidadão, a comunidade, o bairro inteiro que nada no analfabetismo, na falta de cultura, na falta de emprego, na avacalhação do social. De Cabral a Cabral, tudo está dando errado aos pés do Redentor. Está claro que a civilização ali não está dando certo. Observe-se o que deu do jeitinho brasileiro de ser, deu motivos para a Lava Jato; e assim com o jeitinho carioca, o jeito do Tenório defender seus interesses, o pequeno grupo de jovens que começou a usar boletas vindas do exterior etc., etc. E como evoluiu o estereótipo do carioca bom de papo, malandro, de linguagem descontraída, egoísta e cheio de si, como meio de se autoafirmar contra o anonimato da cidade grande? E o que deu de toda aquela democracia de botequim, aquele orgulho de bêbado falante de verdades absolutas e populistas, aquele inato espírito de vedete, aquela brutalidade nos relacionamentos, sempre camuflada pela pieguice sexualizada do carioca mulherengo e vulgar? Como estão as estatísticas da violência contra a mulher, infância, juventude e idosos? E a violência moral que nunca é registrada até que vire violência física? Tudo é uma
Evolução, que em algum lugar do passado começou como pequenos atos, tidos como modinha passageira e nunca como tendência perigosa, pelo que passou desapercebida, pois a peça no picadeiro era outra, iludia do mesmo modo que qualquer outra, enquanto o pano de fundo já começava a ser deteriorado sem que ninguém notasse.  E isto tudo não foi semente para todo o país, onde hoje as pessoas já estão condicionadas pelo individualismo, pragmatismo e pela selvageria do ego?
Quanto ao humano, usuário do meio ambiente, o campo está cada vez mais complicado, com sinais que indicam que a civilização não está dando certo aqui. Se o Governo não tomar providências, desde já, e que sejam eficazes, se perdurar o mesmo empurra-empurra para gestões futuras, se não houver autocrítica e vontade de reformar todo o Estado brasileiro, se persistir a acomodação e o pensamento de que tudo está bem, as consequências serão funestas, já havendo sinais e perspectivas que indicam que haverá uma evolução para realidades que gravemente marcarão época para as gerações do futuro, se o quadro social não for revertido para melhor. 
Neste sentido, estressando algumas tendências é de se prever que haverá: um aumento dos efeitos danosos do pragmatismo com o consequente vazio existencial e espiritual, provocando maiores conflitos entre as pessoas; insuficiência do materialismo em promover o bem social e o conforto emocional; avanço da violência por insatisfação egoística; envelhecimento da população e redução da taxa de nascimentos; falência do sistema dependente do consumo; enfraquecimento do ser humano como mão de obra; enfraquecimento da democracia e surgimento de regimes extremistas; apodrecimento do tecido social urbano em primeiro lugar; aumento de doenças fatais devido à alimentação e vícios (álcool, fumo, drogas e sexo) usados como fuga da realidade produtiva; aparecimento de consequências finais do processo evolutivo de doenças sociais coletivas que já vem se formando há séculos; ocorrência de "divisionismo" social e religioso; aumento dos guetos sociais; aumento nas casas legislativas dos representantes do crime organizado; aumento do custo de vida nas cidades e fuga para as zonas rurais do município; imensos problemas de energia e mobilidade; surgimento de mais crimes hediondos; mais demonstrações de insanidade em crimes; maior perda de identidade; questionamento das estruturas oficiais e suas bases ideológicas para fazer face aos problemas humanos; volta ao primitivismo animal e domínio escancarado do ego; reações conservadoras e antidemocráticas; reflexos imensos da falta de investimento em educação e ciência; aumento da dependência tecnológica externa; importação de mão de obra estrangeira; surgimento de poderes paralelos ao Estado, fatiando a economia informal; crises orçamentárias sérias, atingindo setores essências; é previsível que o Estado queira aumentar o controle, para não se perder, assim haverá aumento da burocracia e sua característica barroca de uma pátria enrolada, cartorial, estrangulada pelos seus próprios sistemas internos e muita papelada; aumento da truculência policial; aumento do fascismo oficial, escamoteando números e tudo que lhe diminua politicamente; cadeias abarrotadas de jovens; realidades físicas mais cruéis entre as pessoas, resultantes do pragmatismo, racionalismo, utilitarismo radical, individualismo, materialismo, capitalismo selvagem; aumento da exploração do país como campo de teste de alimentos, medicamentos, feirinha de eletrônicos e informática; deterioração do ambiente laboral no mercado de trabalho, gerando absenteísmo e “turn-over” em níveis nunca vistos; deterioração do consumo e tributação; intensificação da corrupção e invasão do Governo por quadrilhas políticas; alienação da população quanto à política e assuntos gerais, face estar a mesma envolvida com seu esforço para suprir necessidades fisiológicas para sobreviver;  excessiva deterioração do relacionamento entre as pessoas esfarrapando o tecido social e aumentando a selvageria dentro e fora das famílias; aumento das religiões evangélicas e diminuição da Igreja católica; aumento de movimentos populares pontuais como sem teto, sem terra, sem alimento, sem água etc.; descontrole do serviço público, gerando bolsões de caos social;  surgimento das consequências fatais referentes ao semianalfabetismo da população como barreira para a inclusão tecnológica baseada na informática; impossibilidade de atendimento dos conflitos pessoais e contratuais pelo Judiciário; surgimento do Nordeste como centro da Indústria e Comércio por estar mais perto da América do Norte, Europa e África com o consequente abandono do Sul e Sudeste, os quais ficarão como fazendas mecanizadas e indústrias fechadas; maior distanciamento entre escola pública e particular; brutal evasão escolar e universitária; fuga de profissionais jovens para o exterior; aumento substancial de doenças gastro-cardiológicas face à qualidade dos alimentos,  uso de produtos químicos e abuso do sal e açúcar em receitas e fórmulas; serviços de saúde ineficientes e insuficientes; desaparecimento da vida noturna nas cidades face ao aumento descontrolado da violência; a noite será controlada pelo império do crime; diminuição do turismo; em algum lugar do futuro, diminuição das importações agrícolas e de matéria prima face o surgimento da África e Rússia como celeiros mundiais; intensificação dos processos de desertificação de parte do Norte do país etc., etc.    
Muito problema, não? O país só se manterá e será viável enquanto o interesse econômico estrangeiro perdurar. O que aconteceria hoje, se as montadoras de carros mudassem para outro Continente? Bastaria, por enquanto, mudarem para o Nordeste. Ainda estamos no colonialismo e poderemos ser abandonados, como foram muitos países no passado, que deixaram de ser interessantes. Os exemplos do passado podem ser repetidos como no caso de Fordlândia e Projeto Jari. 
O meio ambiente e o ambiente inteiro onde vivemos, com a falta de consciência existente, vem sendo devastados. Uma geração consciente preocupa-se em plantar árvores que darão frutos e sombra que só gerações futuras irão desfrutar.  A perdurar a inconsciência, o egoísmo atual, o que será colhido?
Muitas decisões do passado, tomadas porque atendiam conveniências eleitoreiras do momento, mostraram-se erradas em estratégia e estão fazendo a atual realidade. E hoje, também, há decisões sendo tomadas que irão afetar o futuro. Tudo por falta de visão, planejamento de longo prazo, aprofundamento das discussões, projeções de consequências etc., mas sempre para atender ao míope interesse de geração de impostos, propina e coisas de dentro do umbigo da classe política e seus pérfidos acordos eleitoreiros. Tudo sob o efeito hipnótico da TV e mídia, que fazem a versão moderna do circo de arrabalde.  
A corrupção é, antes de ser um mal material, um mal espiritual que assola mentes egocêntricas e individualistas. A União arrecada 3 bilhões por dia de impostos em plena recessão. Toda a corrupção indicada até agora talvez não chegue a um dia de arrecadação. Onde está o problema, senão na mente gerencial do agente público, do prestador de serviços e empreiteiro e do político vindo do coração das massas? A corrupção causa indignação, assusta, mas está longe de ser o centro da causa da má-gestão. Não se surpreendam, se muito do conflito político gerado pela corrupção, não for por ciúme, ganância e inveja de ver certos grupos enricando e enchendo suas burras para a reeleição em detrimento de outros que estão à margem da farra e sentem-se menosprezados bem como excluídos do processo de “Rachid”. Não se esqueça do lema “agora eu vou me fazer “usado amplamente na política. O problema é de alma, de valores, de sistema, de cultura. Itens invisíveis que o mundo pragmático e racional sempre despreza, embora sempre pague pelas consequências em muito terror emocional. Muito ego, vaidade, orgulho, ganância etc. e pouca Essência, Virtude. Extrema obediência ao lema “ganhar sem trabalhar”.
O centro do problema está na educação que é exclusivamente voltada para ajeitamentos científicos do mundo das coisas no sistema de produção, sem qualquer preocupação em proteger o emocional e a melhoria da convivência. O país está doente no seu mundo interior de modo que o mundo exterior é só uma feia consequência. Como dizia um escritor carioca “O Brasil conhecerá a selvageria antes de conhecer a civilização”. É o que já estamos vendo. Cada vez mais o fisiológico, o animal.
O tecido social está esfarrapando-se a passos largos. Há sinais e perspectivas perigosas. Exemplificando, no Acre um menor, após ter sido repreendido pelo professor por ter chegado atrasado, colocou fogo na escola. Isto ocorreu em 21/10/2017. Inúmeros exemplos apontam para o descontrole individual. Recentemente, a fiscalização destruiu equipamentos de garimpagem ilegal em algum local do Amazonas, os garimpeiros atearam fogo na sede e carros dos  órgãos de fiscalização. Ninguém foi preso. Há vários casos de crise de maluquice a ser generalizada. E não são avenidas novas nem prédios lustrosos que irão solucionar isto. Só a educação de base e a família estruturada poderão reverter tais tendências em décadas do porvir.
E assim vai a vida, de bairro em bairro, com o circo mambembe no final de cada rua, com seus espetáculos diários, iludindo o povo. As sessões têm o poder alucinatório, hipnotizante e ninguém vê o que está ocorrendo. O moço da bilheteria desvia recursos, o filho do mestre de cerimônias rouba a fiação dos trailers dos próprios artistas do circo, o tratador de cavalos já vendeu parte da manada para poder desviar a forragem e vendê-la em proveito próprio; o próprio circo está sendo hipotecado.
Com toda esta degradação do ambiente inteiro, certamente haverá revoadas conservadoras para salvar desesperadamente os interesses materiais. É que após o período de democratização, como sistema dentro da globalização, com a característica diluição do patriótico, do nacional em favor do global, chegou-se à avacalhação da identidade de cada país, o que foi fatal para as sociedades dos países emergentes em especial. Infelizmente, o mundo não estava ainda preparado para a implantação da ideia de aldeia global. O ideal de abertura de mercado, o mercado comum e a interdependência voltados inteiramente para atender interesses materiais e financeiros, prevaleceram, todavia, esquecendo o lado humano, sua diversidade e diferenças de evolução. O regime democrático flexibilizou tudo e gastou as reservas financeiras de modo antecipado e irresponsável, trazendo crises econômicas. A festa atraiu os corruptos e avacalhou com a  época inteira.
Agora, depois da festa, da época de difusão, de inclusão, de diluição e de flexibilização de tudo, vem a época do recolhimento, da recuperação da identidade nacional e isto é prato cheio para  o conservadorismo, para o  regime de força, seja de direita seja de esquerda. Não que haja preocupação com o Ser Humano não, é para manter o sistema de produção–consumo e geração de impostos. O interesse é de recuperação de Poder e de caixa, só. Sem dinheiro, não há obras e sem propina, não há reeleição.
Infelizmente, mais uma vez perdemos. Não foi o trem nem o bonde, mas o próprio caminho todo. As consequências serão peculiares, democráticas nas perdas econômicas, na miséria e antidemocráticas na conservação da “Ordem e do Progresso. 
As eleições de 2018 serão de importância histórica. Um erro de escolha e estaremos talvez para sempre sentados no cirquinho de arrabalde vendo tudo ser deteriorado progressivamente. Se a educação jamais for prioridade, avenidas novas continuarão a ser inauguradas, mesmo que por ela só passem pessoas de grande miséria intelectual, mas em carros novos, financiados talvez em 20 anos.     
Fé e Esperança parecem não ser mais a receita suficiente para reverter as perspectivas graves quanto ao futuro. 
 
Odilon Reinhardt 3.11.2017