terça-feira, 3 de abril de 2018

Hora de repensar, sem parar.


 
                                             
 
                                                 
                                                         Hora de repensar, sem parar. 



O Brasil que resultou de pelo menos 1 século de gestão burocrática e corrupção mais agravada, negligência e tamponamento das verdades, não deu em nada seguro e estável para o cidadão de qualquer classe social. Não habilitou, e continua não habilitando, suas gerações para o futuro. Fica cada vez mais atolado no pântano do socialismo sem reservas monetárias, do capitalismo selvagem e do anarquismo ignorante, produzindo um híbrido ideológico, sem pé nem cabeça, inaproveitável e gerador de doenças físicas, mentais e econômicas, típico de qualquer colônia sem identidade e sempre de portas abertas para qualquer “ismo” que aqui deseje sugar algo, bastando “propinar” as pessoas certas.  
É necessário repensar, projetando-se para 20, 30 anos ou mais, um país que seja mais do que uma mera fazenda ou feirinha fácil de manipular e explorar. Urge investir em reformas de base: a humana, inteiramente coordenada por um sistema novo de Educação Pública. Sim, Educação, algo que nunca deu voto, algo cujos resultados nunca aparecem no curto prazo, algo que não  é palpável, mas cuja falta contribuiu para o estado atual da Nação, hoje um nada, se preparando para um futuro de nada válido e da qual se possa orgulhar.
Discursos meramente vazios, falsos, acompanhados de inauguração de escolas, onde não se ensina nada direito e que resulta numa tragédia anualmente revelada no Enem; nos índices de miséria e violência, já sem controle, com exemplos diários de selvageria e banditismo, lembrando filmes do oeste americano, onde cidades eram invadidas por quadrilhas para o roubo a banco e barbáries. 
As gerações, com pessoas na idade de 20 a 50 anos, hoje atuando no sistema produtivo, inevitavelmente, repetem a mesmice da pobreza intelectual, o vazio da rotina produtiva ineficiente e extravagante. Não evoluem em nada, só em meios de informática, que os ensina e favorece a continuar cometendo os mesmos erros, só que através do uso de meios mais ligeiros.
Terão que ser estimulados a repensar, se quiserem preparar o Brasil para as gerações que estão nascendo e que em 20 ou 30 anos substituirão as atuais gerações. Um país de iletrados, de semianalfabetos não conseguirá sobreviver, sendo assolado pela crescente violência, selvageria e barbárie, elementos que dão sinais que serão cada vez mais fortes à medida que jovens se tornam adultos sem emprego e sem meios para satisfazer as necessidades materiais que lhe são incutidas pela propaganda a fim de garantir o consumo e a tributação. 
A se continuar com a cópia de receitas passadas e repassadas como presentes pelas esteiras portuárias do colonialismo inglês, francês, alemão, chinês, japonês, americano, suíço, holandês etc. que aqui fazem o que querem, seremos ao longo do tempo uma Namíbia, um deserto esgotado e espoliado. Acabou o garbo do estrangeirismo das décadas de 40 e 50. Poderia ter dado certo se os bons exemplos vindos de fora tivessem sido seguidos ao Inês de copiar o negativo e o que não deu certo. Nenhuma chance de mudança, se não tivermos inteligência própria para mudar este cenário, selecionar as melhores ideais vindas do exterior, aprender, ao invés de sermos meramente explorados. As classes acadêmicas continuarão a imitar a intelectualidade de outros países e contribuirão a formatar profissionais que serão portadores para o ceio da população da mesmice dos erros do atraso, da falta de identidade, da falta de esclarecimento e pensamento que criam a pior escravidão, a intelectual.  São profissionais e técnicos, investidores e empresários, no setor público e privado, que usam modelos, conceitos e princípios importados ou não, copiados um dos outros e que acabam deteriorando o gerenciamento, a administração, gerando despesas excessivas, por vezes desnecessárias, gerando preços erroneamente fixados, sistemas de sistemas onerosos num campo fértil para trapaças e fraudes, falta em ética e erros de produção, sempre numa condição pré–falimentar, onde a salvação é não pagar impostos e contribuições. 
A população continuará a ser condicionada a consumir todo o lixo industrializado, colocada em caixas atraentes, satisfazendo os interesses do consumo de 5ª qualidade, mas robusto ao satisfazer a fome da receita tributária da gestão eleitoreira, mesmo que a conta da saúde cresça causando sustos em gestões posteriores.
Sem mudança de base, simples, mais investimento em Educação Pública com mais dedicação ao ser humano, continuará o país na mesma mentalidade pobre, vazia e atrasada, egoística, fisiológica, farsante, corrupta e violenta. Não é progresso nenhum ter carros dirigidos por verdadeiras cavalgaduras nem ter casas melhores habitadas por gente vazia, autoritária, inflexível. Não vale nada ter avenidas e estradas por onde passam os coitados, os negligentes, os brutos, os irresponsáveis e os corruptos de sangue.  São arremedos de cidadãos, que em todas as classes sociais, bastando serem contrariados, afrontados em seu ego, e assim na posição de insatisfeitos, reagem inapropriadamente com a incontrolável ira, colocando-os nas barras das consequências geradas ela falta de amor ao Próximo. Sistemas que jogam o Próximo contra o Próximo, diariamente, não dão certo.
É tudo violento, “é horrível, é uma mistura do Mal, com atraso e pitadas de psicopatia”. É bílis, é maldade, é sentimento mal mesmo. Isto vale para os mais simples e vulneráveis cidadãos em sua rotina até os mais elevados ocupantes da nobreza nacional em palácios tais, onde, com sua linguagem barroca, empolada, usam a camuflagem do carneiro, para esconder o ego alerta e irado, que existe em seu interior. Todos são vítimas de sistemas defasados, atrasados culturalmente.
Ninguém com consciência aguenta a violência diária nem o teatro de horrores, o fascismo de certas autoridades com seus discursos fingidos, cheios de repetidas mentiras sobre providências positivas de um mundo de sofismas. Horríveis são os protagonistas da baixa teatralidade que aparece na TV. Horrível ser caçado nas ruas, terrível a sensação de insegurança, que leva a cada um a impor-se uma prisão doméstica noturna, horrenda a troca de mentiras, tenebroso o desperdício de tempo, às custas do erário público, escabrosa a guerra civil , horrível Brasil.
Por hora, algumas reformas no sistema precisam ser feitas no campo humano, através da Educação do ser humano, cidadão, enquanto se continua com a montagem para a infraestrutura material necessária. Com uma receita tributária de 3 bilhões ao dia, quando se está à beira da depressão, não é crível que a Educação continue nos atuais estágios. Algo está errado nas prioridades escolhidas pelo Governo. Até mesmo obras significantes perdem o colorido, face à desconfiança popular. Se o Governo faz, seus feitos são ofuscados pelas notícias de propina e corrupção. Não há crédito dado a ninguém. 
Por falta de investimento em pessoas, nesta fase pré-eleitoral, já se antecipa a verdade, os candidatos são os mesmos. A quem escolher? Todos são frases do mesmo texto, letras das mesmas palavras. Prometerão o que o eleitor quer, mas não mostrarão como fazê-lo, porque sabem que mudanças sempre mexem com pessoas e grupos reacionários. Contudo, um necessário choque radical na gestão pública no campo dos gastos públicos e na gestão de recursos humanos, dando estímulos ao funcionário público para que ele se realize no cargo e abandone a condição de ficar esperando a aposentadoria. Quando e como isto será realidade?    
A insatisfação popular irá às urnas, mais uma vez sem alternativas novas de escolha. 2018 e tudo igual. E como seria diferente? Que plantação foi feita, que fundamentos foram instalados, que base foi preparada para mudanças de base destinadas a assegurar um futuro bom?  Nada.
Os eleitos serão os mesmos em cadeiras diferentes na mesma sala. Hábeis estrategistas em manobras, intrigas, boatos, “fake news”, guerras internas de corredores do Poder. Assim, continuarão a jogar o jogo político do atraso, em busca de apoio, prestígio e aceitação unânime, gastando os dias da Nação. Uma vez eleitos terão que respeitar os acordos de Poder, venderão cargos para ter apoio, liberarão verbas para conseguir aprovação, terão que respeitar cargos de preenchimento deste ou aquele partido, não poderão mexer no Judiciário e seus porões com medo de retaliações, seguirão na cartilha de manutenção do Poder sem nada mudar. Vão somente aprimorar o que já existe hoje, mesmo sabendo que vários modelos estatais estão esgotados. O que existe não funciona, só gera exclusão e insatisfação. Sabem de antemão que não poderão acabar com marajás sobreviventes, sinecuras e benefícios que só causam indignação.
O sistema montado é centralizador, fisiológico, egoístico, “empreguista”, nepotista e colonial; gosta de burocracia, medalhas, discursos pomposos e vazios e muitas regalias a custa do erário, vive da criação de dificuldades e da venda de facilidade. Esquecem que tudo na vida é um processo que nunca escapa das consequências, tendo começo, meio e fim. Nada sendo para sempre, um dia as consequências de atos irresponsáveis ao longo de várias gerações surgirão e começarão a danificar a realidade de modo perigoso e irreversível. Já não é o que está acontecendo?
Neste cenário de assegurada continuidade, onde falta a Educação Pública de qualidade é o pano de fundo, nada é imprevisível. Pelo contrário, tudo é bem previsível: burocracia, corrupção, abuso de poder, fisiologismo, desrespeito ao Próximo, autoritarismo, inflexibilidade, aumento da violência e da criminalidade, falta de crédito nas autoridades, no Governo e nas Instituições. Falta a alma verde e amarela .
Anos e anos de gerenciamento confuso da coisa pública, a brincadeira de direita e esquerda, resultou num “umbiguismo” sem pátria. A visão míope, egoística, mexeu no futuro das gerações numa contínua brincadeira de mau gosto.
Em 15 ou 20 anos, o Brasil estará totalmente na mão das gerações que hoje ingenuamente estão ainda brincando no celular, desperdiçando tempo de estudo com diversões inúteis, alienando-se constantemente da coisa pública e do interesse coletivo, afundando-se progressivamente nas entranhas do individualismo, do pragmatismo etc. Inevitavelmente o Brasil será delas. O que pegaram, aprenderam, copiaram das gerações atualmente no Poder? Bons exemplos? Será o Brasil delas e imporão seu modo de pensamento, cultura e modo de vida, certamente, um arremedo do que viram até agora. Isto porque nenhum sistema as estimulou a pensar além do próprio umbigo. Serão meras seguidoras e continuarão no mesmo formato.
Somente uma reforma da Educação Pública poderá dar novas coordenadas, princípios para reformas do ser humano neste canto do Universo. Não é nada que se poderá colher até o final de cada gestão, mas a longo prazo. Se continuar o sistema pragmático e utilitarista, preparando pessoas para a linha de produção, mulas de carga e cortadores de frango e carne, nada irá mudar na base da cidadania. Só com Português e Matemática não estaremos preparando ninguém para ser cidadão, pensar, criticar, participar e votar em candidatos de ideias e propostas boas. Estaremos só criando cegos seguidores do bumbo da mesmice e da manipulação de massas.
Reformas de fundo, descompromissadas com interesses que não sejam puramente patrióticos, devem ser pensadas e implantadas por pensadores. As reformas para aprimorar o Estado, seu modo de gestão, seu modo de receber projetos do setor privado, seu jeito de gerenciamento da coisa pública, seus recursos humanos, suas despesas e endividamento; as reformas do sistema econômico, seu sistema de fiscalização etc. são importantes, mas não são o centro das reformas necessárias para mudar cultura, estimular comportamentos produtivos do cidadão e pensar projetos e sistemas dentro do amor à Pátria com base no amor ao Próximo. Estas reformas é que são importantes e só poderão ocorrer com a reforma da Educação Pública, que inclua disciplinas que levem a aluno a aprender a pensar, questionar, criticar e lutar por um país melhor para ele mesmo.
A corrupção é uma doença que pode ser curada, mas é necessário deixar claro que a corrupção com propina não foi nem é a principal causa da crise econômica atual. Ficamos todos indignados, diariamente, sim, mas devemos lembrar que a União arrecada mais de 3 bilhões de tributos por dia e tal cifra está longe do montante até hoje apurado como volume de propina oriunda de corrupção pelas operações policiais e processos judiciais envolvidos. A corrupção importa quanto a sua causa, sua origem: 1- a mente de quem corrompe e de quem se deixa corromper. Por que corrompem e por que se deixam corromper? Que sistema econômico social e político leva à corrupção? E mais, salários abusivamente altos das autoridades e agentes públicos, pretensamente destinados a evitar a corrupção, provam que de modo algum evitam a transformação da função pública em balcão de negócios. Não é, portanto, com salários altos nem com a polícia e com processos judiciais que se cura a corrupção, mas com educação voltada a respeitar a Pátria, o cidadão e os objetivos do país, que estão na Constituição, patriotismo, e isto só pode ser dado ao aluno através de uma Educação Pública (inclusive a universitária) forte e séria. Assim, não se pode acreditar e deixar-se levar por conversa tendenciosa de que a corrupção com propina é por si só a responsável por crises econômicas, encobrindo erros de gestão, de estratégia econômica eleitoreira de qualquer governo, de cultura política etc. A doença é maior, é de cabeça, e o país está em um processo de doença mental há muito tempo, porque as pessoas estão doentes na mente; o ego as produz e conduz em seu pensamento, levando à depressão, drogas, suicídio, alienação e abandono, levando a violência em sua diversidade, levando à criminalidade crescente. Num dos maiores países cristãos, o Próximo tem medo, desconfia e odeia o Próximo.      
O Estado e toda sua estrutura tem que ser objeto do repensar para melhor, antes que as consequências sociais dentro das tendências atuais o engulam e o tornem inviável; antes que as novas gerações se habituem a desconsiderar o Estado e comecem a desrespeitar tudo, vivendo numa sociedade paralela e em desrespeito ao “establisment” e este tenha que ser protegido e respeitado somente mediante o uso de força policial e militar. Uma camuflada  desobediência civil pode estar saindo das sementes para se apresentar como mais um dos fruto da época.  É cego quem não vê esta necessidade e acredita na preservação do que temos hoje. O mundo mudou e os meios de comunicação, pelo celular, nos mudaram também. Não podemos preservar uma estrutura que usa sistemas arcaicos que não atendem à sociedade e só geram insatisfação.
Mudanças são necessárias e devem ser objeto de análise da população. É certo que é muito fácil criticar tendenciosamente e destruir do que construir. Mas a pergunta é a seguinte: qual a chance que o cidadão tem de propor e ver suas ideias aceitas? Nenhuma. Tantos têm sido os interesses da gente do Poder com seus financiadores e partidos, que o Governo não funciona para a população, mas para si mesmo, ou seja, para os interesses da gestão, guiada para objetivos de financiamento eleitoral e pagamento de dividas de campanha. Nada de interesse público e Nação, só umbigo, é a cultura estabelecida.
Qualquer um que proponha algo de interesse geral sabe que não terá sucesso, pois há tantas barreiras e tantas análises para verificar a viabilidade da proposta quanto aos interesses existentes, que mesmo que haja aparente boa vontade da gestão, a mesma nunca caminhará. Um verdadeiro muro de contrariedades de interesses pessoais e partidários impede qualquer proposta que não seja de interesse direto e tenha nascido dentro do próprio Governo. E mesmo que haja aceitação, tantas serão as emendas, para atender os  ajeitamentos políticos, que não guarda mais a ideia inicial.  Facilmente se cavalo era, virou camelo. E mais, para a aprovação final, tantos serão os esforços para garantir a votação que o sistema de “propinagem” será acionado oficialmente. É o sistema político, é a cultura existente, é o que temos. Portanto, não há motivação alguma de que a população participe a não ser das coisas para sua rua e bairro e mesmo assim, se for reduto da oposição, terá que esperar até a queda da situação, geralmente de 8 em 8 anos. 
O Governo é para o Governo eleito. Pode aparentar ser reformista, inovador, mas continuará a ter que pagar dívidas de campanha e atender a seus financiadores. Pode fazer teatro e fazer discursos usando palavras democráticas, mas continuará objetivando reunir dinheiro para a reeleição e massacrar a oposição. Pode dar de bonzinho, mas será autoritário e antidemocrático como qualquer um que seja contrariado em seu interesse privado, oficializado como interesse público. E usará a polícia e o exército para sua defesa como se fosse a própria Nação.
Após tantas décadas de negligência e falta de investimento sério em Educação, tornamo-nos um país da violência em cidades, grandes e pequenas, em vilarejos e zonas rurais, porque temos cidadãos toscos, na maioria fisiológicos, inflexíveis, insensíveis, pragmáticos, intolerantes, impacientes, antidemocráticos, orgulhosos, com baixo nível de esclarecimento e que não gostam de ser contrariados, dar a vez, ser cordial,  bastando que algum de seus interesses estejam em jogo etc. Como as autoridades e seus partidários, saídos de dentro do povo, poderiam ser diferentes?
Mas tal estado mental que fez do país um doente passional é resultado de um  processo que começou há longo tempo e vem se desenvolvendo como qualquer doença psicológica ou neurológica. Seus portadores não estão satisfeitos tampouco. Há um incomodo geral, uma instabilidade e uma insatisfação que atormenta a todos. Quais sistemas estão dando origem a tal modo de vida perturbador? Quais sistemas devem ser reformados?
Observe-se a vida no dia à dia, a dos bairros, das empresas, a da rua, nos esportes, na vizinhança, nos condomínios, na política miúda e graúda; exemplos de violência são banalizados a toda hora. Não se tolera pensar diferente, ser ou ter diferença. Mas somos também hipócritas porque somos “solidários” e cheios de direitos humanos quando a violência é nos outros, é em outra cidade. Escandalizamo-nos facilmente com notícias de violência na casa dos outros. Nossas autoridades de qualquer nível gostam de abuso de poder, “carteiraços”, prepotência econômica, social e política. São iguais ao povo, o cargo e o diploma não os isenta de o serem e reagem com explicita ou camuflada violência. É necessário voltar a termos políticos que sonhem não com a reeleição, mas com um Brasil de gente grande, qualificada, educada para um país de futuro.  
Dizia-se que brasileiro não é solidário nem na morte, talvez hoje, nada tenha mudado. Gostamos de holofote, de aparecer, dizendo coisas da platitude e de bancar Napoleão de hospício e general da banda, fazer cortesia com chapéu alheio, endossar causas gerais que não nos toquem de perto; aqui vale o ditado “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Gostamos de bravatear e tomar posição a favor de causas de longe e que não atingem diretamente nosso ego, interesse pessoal e medo de perder. 
As religiões tentam dar uma espiritualidade para todo este cenário horrível, mas têm que lidar com a falta do domínio das letras pelo povo e acabam criando derivativos perigosos como adoração, fanatismo e um perigoso "divisionismo" social, semente para mais violência e exclusão.  Um país onde o Próximo é visto como potencial inimigo, como vai dar certo? Deixaram o individualismo ir se instalando e agora os sinais e perspectivas para o futuro derivam do comportamento de pessoas cada vez mais frias, calculistas, insensíveis, egoísticas. Já se pode observar que as reações comportamentais são animalescas e o desentendimento é por coisas mínimas.
Em 2018, talvez uma das mais importantes eleições dos últimos 50 anos, cada um terá somente um voto. É o poder do cidadão. Cada um com sua consciência e inconsciência, com seu poder de avaliação e sua liberdade de escolha.  Que cada um exerça tal poder, mas terá que esperar mudanças de base para outra época, pois mudanças que realmente interessam à Nação dificilmente deixarão de ser aquelas que só interessam ao aprimoramento do que já existe e que sabidamente não têm dado resultado bom.  Direita ou esquerda no Poder, mas nem um passo para a frente no Brasil, se não houver Educação Pública de qualidade, voltada a formar pessoas pensantes, livres, patriotas, esclarecidas, menos egoísticas e menos violentas porque conscientes.   


Odilon Reinhardt.3.4.2018.
    
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domingo, 4 de março de 2018

Até os bananais exigem ideias novas, para sobreviver.






                                   Até os bananais exigem ideias novas, para sobreviver.





Com seculares problemas no acesso à seriedade; afundando-se cada vez mais no jogo de informações e desinformações sobre o que é realmente prioritário para a Pátria; protegendo sua imagem através de mentiras, públicas e privadas, na constante manipulação de dados estatísticos determinantes; aproveitando-se da  alienação planejada da população, métodos cada vez mais explícitos de permanência no Poder; enrolando-se cada vez mais na burocracia a níveis paranoicos; gerando uma proveitosa corrupção; mantendo um sistema de fiscalização de duvidosa natureza; vendo o Governo como ação entre amigos do partido; promovendo gestões como negócio de balcão; preservando a visão de um Estado como o Sésamo a ser espoliado; permitindo a ação de quadrilhas políticas de ataque ao interesse realmente público; montando sistemas de centralização administrativa onerosos e cheios de grandes salários; preservando a sensação de quase nenhum medo da impunidade, já está evidente que continuaremos como um gigante mundo, adormecido do Sul, curtindo um sono atrapalhado por barulhentos pesadelos que se abastecem nas paradas da mesmice, da violência e da miséria física e intelectual com alarmantes índices.  

Sem Educação, não há como obter esclarecimento, não há como entender a estrutura formal do Estado e das instituições sociais, não há contrato entre partes, só imposição, adesão truculenta. Não há respeito à lei, as autoridades e ao próprio Governo. Cresce a ignorância, o fisiológico, a violência. Nem o medo de morrer é a lei. O Estado perde a voz, a polícia mesmo insuficiente, assume o executivo das ruas e vilas. Os programas estatais, mesmos os de conscientização para algo público honesto, não atingem nem criam sensibilidade na população. Os Governos só falam através da TV que o aceite. A população sem saber entender a linguagem estatal se distancia do Governo e vive cada vez mais par ao fisiológico.   

Do cenário miserável, aproveitam-se os que desejam a mesmice, a vida como ela ficou, a população açodada por estúpidos números da estatística, devendo-se destacar que só 8% dos alfabetizados tem possibilidade de ler e interpretar um texto.  Não é esta a semente, a raiz da árvore que está com problemas?  

Se a sociedade civil vê e tolera silenciosamente esta festa irresponsável, esta esculhambação perigosa, promovida por partidos e políticos, e os resultados sociais vão de mal a pior, o óbvio está nascendo: a reação conservadora, inerente a qualquer agrupamento humano. A persistirem as doenças nacionais, logo estaremos no Estado Policial ou Militar como expressão máxima da incapacidade civil de se organizar honestamente e manter a ordem e o progresso.

Diante da realidade do tecido social, derretendo a olho nu, qual tecido esfarrapado, talvez só organizações baseadas em disciplina, hierarquia e racionalidade possam colocar a casa em ordem. Desta vez com amplo apoio popular, sem nenhuma chance para choro vindo dos políticos.

Podemos estar infelizmente presenciando os últimos momentos de um ciclo político, durante o qual a sociedade civil não soube aproveitar a oportunidade de promover o progresso com ordem. Não se entra aqui em especulação sobre as condições das forças militares assumirem o comando do país, pois terão que fazê-lo, se as tendências de deterioração persistirem. Ocorrendo tal hipótese indesejável, desta vez não haverá comunistas, nem extremistas, nem subversivos, só uma população ansiosa por: trabalho honesto; remuneração justa; serviço público que retorne em qualidade o que a receita tributária retira diariamente da população ( algo como 3,5 bilhões ao dia);  Justiça e combate à violência e organizações criminosas; moralidade na gestão pública; empresas da iniciativa privada honestas, limpas e que produzam alimentos e produtos de qualidade etc., etc. Os “etcs”, certamente compõem uma lista enorme e que reflete o quão doente estamos. Que sociedade é esta que gera tanto defeito? Que comportamentos e que pessoas surgem de tal contexto?

Por enquanto, continua valendo o discurso barato, eleitoreiro, projetos de vereador para o ambiente nacional, fisiologismo político, propinagem, corrupção sem medo da punibilidade, estratégias para impressionar, visão populista para atrair votos nos dia da eleição.

É o Brasil oral que resulta da falta de Educação. Somos um país que lê e escreve o mínimo. Vale o que se escuta, não o que se pode ler, vale a demagogia orquestrada pelas empresas de marketing eleitoral, cheias de psicólogos, sociólogos, filósofos que sabem muito bem usar as fraquezas da população, explorando-a sem limites, manipulando a ignorância e o obscurantismo, duas bases fortes para o negativismo e revolta com viés de atraso social, tudo com o endosso da TV. Persiste a promoção a custos do poder econômico do candidato bem falante, charmoso etc. Certamente em 2018, a tônica será tornar cada candidato o astro salvador da Pátria, com discurso de honesto e contra a corrupção, aquele que veio do Além para limpar a casa e apresentar novo horizonte na Terra de Mel e Leite. Não sobrarão palavras de crítica a tudo e todos a fim de atrair simpatizantes, em perfeita sintonia com o que o povo pensa, mas não tem vocabulário para expressar. Nada de novos projetos, porque a população não os entenderia e mesmo porque a grande maioria de candidatos  nem sabe o que projetar para um país tão grande e com realidades que vão desde as barrancas do Amazonas, a miséria litorânea de alguns Estados,  à Bolsa de Valores. Expor projetos e entrar em debates complexos seria um grande desafio para o alquebrado senso comum e discernimento da população. Não seria campo nem mesmo para a figura do Burro de Buridan, figura criada na Filosofia, o qual deveria escolher entre o Bem e o Mal, mas morreu de fome diante de duas espigas de milho de igual qualidade.

Valerá a retórica, o filme bonito, a maquiagem, a aparência, o sofisma, a meia verdade para apresentar-se como o candidato salvador da Pátria, o que gerará  empregos de sucesso, mesmo sabendo que após as eleições tudo continuará igual e nada mudará o estado como grande corruptor, o grande chupa–cabra do progresso e que o Estado é a grande caixa de Pandora e está à mercê de uma mentalidade política egoica.

Partimos assim para as eleições de 2018. Nos apresentamos como somos, com o que construímos em 518 anos, com os péssimos “ismos” que nos fizeram e ainda estão aí .

David Nasser, em 1963, escreveu” : “Não vamos deixar que se repita com o Brasil a história daquele homem que morava num edifício de apartamentos e quando a mulher ficou grávida, tantos eram os amigos, tantos eram os sócios, tantos eram os responsáveis, que se sugeriu a convocação de uma assembleia do condomínio, para saber de quem era o filho.   Este Brasil que aí está não é filho de nada........ Não é comunista, não é democrática, não é sindicalista, não é capitalista, é apenas um país com fome, esperando nas filas, .....este Brasil é apenas uma pátria envergonhada. ....o mendigo que é esta Nação aguarda à porta da igreja.”

Diante do panorama existente, a esperança e o anseio por alguém que traga disciplina, um senso de ordem, a preferência popular pode se deslocar para um candidato mais firme, mais sincero, mais honesto ou um radical de direita ou de esquerda fabricado pelo marketing eleitoreiro, hipótese que servirá de testemunho da doença social de não aceitar debate, de odiar a democracia, de privilegiar o sargento ao invés do tenente, de amar o autoritarismo, de repudiar a oposição, de rejeitar a contestação.

Por trás do cenário eleitoreiro e que em 2018 coloca o Brasil numa esquina do tempo, corremos o risco de tudo continuar igual pelo menos no setor público, inchado, hiper valorizado em suas funções e salários, com estruturas administrativas arcaicas e que funcionam mais para dentro e onde sempre há algo escondido, negociatas, esquemas, falsos interesses etc. Evidentemente  quem está comendo bem, não tolera participação nem intromissão; acoberta-se de um autoritarismo, de uma falsa democracia , de uma diálogo de fachada que nada muda .

Nenhuma mudança será feita, se não se repensar o sistema público como um todo. Atitudes, comportamentos no setor público derivam de um sistema decadente e afastado das exigências atuais. Chegou a hora de repensar e montar um novo setor público, despojado do atual ranço, da mortalha costurada aos séculos, impregnada do sistema monárquico, onde o agente público sente-se um nobre, titular de direitos infindáveis no Executivo, Legislativo e Judiciário, que andam de boca cheia, defendendo seus benefícios acumulados e pretensamente hereditários, tudo idealizado para que se sintam ricos e não sejam tentados a prevaricar, corromper-se. Discurso falso e que nunca funcionou. 

Só uma nova constituinte com ampla participação popular poderá mudar o sistema público e sua decadente mentalidade. Quando? Difícil quando os próprios interessados na preservação do sistema serão os reformadores. Enquanto isto, a Nação perde energia em seu caminho e é entregue às crescentes mazelas sociais que contaminam e enfraquecem a mão de obra. Logo em 15 anos, uma Nação de velhos, que consumirão menos, que colocarão todo o sistema baseado no consumo em cheque. Nosso PIB é fracassado e geramos divisas mínimas com exportação. Como está a nosso investimento em tecnologia, em inovação, em qualidade para fazer frente ao mundo exportador e obtermos um status que nos diferencie de países africanos , digamos Angola e Moçambique?  Não temos medo do futuro e de uma venezuelização? Sem investimento em Educação, nada sairá do mesmo. A miopia continuará criando dependência em tudo. Dá uma sensação de ter perdido o trem da História, não ?   

Mesmo assim, em médio prazo, estaremos preparados para a possível queda da globalização? E se ela persistir, estaremos prontos e fortes para fazer frente à tentativa de acabar como Estado-Nação, já que os setores de capital e finanças é que está impondo o modo de condução dos sistemas internos de produção e trabalho, fazendo com que o sistema político interno se curve às necessidades e interesses do capital em detrimento da mão de obra, qualidade de emprego e remuneração? Poderá ser falado em soberania nacional?

 As identidades nacionais continuarão a ser fragmentadas, para não dizer, esmigalhadas em nome da preservação do global. Mas a queda do sistema globalizado poderá trazer um individualismo sem precedentes, onde só sobreviverão os países com força institucional e reservas monetárias para entrar em acordos comerciais bilaterais ao invés de multilaterais. Poderíamos sobreviver em 2019, se a China e Japão pararem de comprar?  Alguém já perguntou por que compram aqui e não de países seus vizinhos que possuem reservas minerais muito maiores e baratas?

Nosso modo de governar, nossa corrupção, nosso autoritarismo dos broncos, nossa falta de visão está nos enfraquecendo de modo perigoso. Até nossos bananais precisam de nova tecnologia administrativa e operacional, uma gestão honesta, pessoas que tenham ânimo e possam ser livres para progredir até mesmo no setor público.     

Odilon Reinhardt. 3.3.2018




sábado, 3 de fevereiro de 2018

Tudo como antes no quartel de Abrantes?












Tudo como antes no quartel de Abrantes. 
Em 2018 uma esquina do tempo para o Brasil, 
mas ainda nada mudará.  
                       


Patacoadas oficiais e privadas à parte, o que vemos também em 2018, é o resultado de nossa tumultuada, controversa e pouco fiável evolução humana, permeada por um progresso material discutível, duvidoso em sustentabilidade e igualmente questionável quanto à verdadeira natureza do interesse público que o tem motivado.
O cenário é da repetida crise econômica; aumento da violência urbana, já se alastrando para as regiões rurais; minguados resultados industriais; pífias exportações como geradoras de divisas e um Estado excessivamente caro, atrasado, burocrático, por isso corruptível e viciado, que deteriora a saúde e a educação, dois sustentáculos do tecido social, da força de trabalho etc.  
E mais, é cobrado o alcance de meta fabulosa: restabelecer o nível de empregos falsamente criado por uma economia de castelo de areia, com bases feitas com propina e fundamentos longes do clássico e do ortodoxo. 14 milhões de empregos soam, para o mundo real, como um marco inatingível diante dos  fundamentos econômicos que efetivamente temos, os quais não tem a energia para criar mais de 2,5 milhões de empregos por anos.
Nada mais é do que paradigma de falsidade mirabolante com que a TV faz sonhar a população, no afã de tentar criar um clima de retomada econômica, através do estabelecimento de um “moto” nacional positivo, igual ao do simples cidadão apostador da loteria que ao jogar, já sonha, imaginando-se como possível ganhador a fim de livrar-se de seus sofridos e parcos empreendimentos de vender docinhos para festas, massas prontas, assar churrasco, ser motorista de aplicativo etc. para assim tentar conseguir pagar as contas no fim de cada mês. A crise é grave e vai até 2020, segundo analista americano do norte, cujo estudo foi publicado há 4 anos , ou seja, em janeiro de 2014.
A colheita das plantações feitas por décadas de governos, que vem ocupando o Executivo, é agora cruel e real. Um campo estropiado, como o que fica depois de um garimpo.  A festa dessa roça chegou ao fim. Décadas de assaltos bem enrustidos, resultaram em colheitas que iam minguando sem que se notasse sua qualidade, tal o fascismo do discurso oficial, viciado e manipulador da opinião pública. A grandiosidade dos eventos, no teatro simulado, enganava a plateia, que não via nem podia entender o pano de fundo, onde  resultados já vinham apresentando sinais do destino certo em caminho errôneo, tomado pela trupe que se revezava em cenas contínuas assaltando o caixa.  
Agora o desafio. Verdadeiro, árido, seco, triste, desolador, cruel no desemprego, trazendo em seu bojo muito a temer, diante de reformas que estão sendo empurradas boca a baixo, como se fossem verdadeiras panaceias no remediar de problemas que são de raiz e não de bolso furado em consequência de gerenciamento esculhambado e negligente. Neste sentido, é o mesmo que garantir dinheiro ao alcoólatra, sem lhe curar o alcoolismo, equivale a garantir mais dias e noites de bebedeira e o relaxo com o mundo em que vive.
Educação e saúde em cacos, corrupção desenfreada, crescente violência civil em descontrole, inexplicável falta de prioridade na aplicação de recursos e desconsideração política epidêmica quanto à população são ervas daninhas que tomam o local das plantas boas no campo da colheita. São Paulo e Rio, primeira e segunda economia do país, são a amostra de um modelo estatal que resultou em caos humano e apresentam-se como cidades, onde as pessoas  decaem rapidamente em meio ao bem propinado “progresso” material de aparência. É o exemplo de futuro no qual as demais cidades tendem a chegar. Por hora, uma São Paulo agonizando e um Cristo Redentor, vendo a seus pés um Rio derretendo, talvez um Brasil que ninguém quer mais nem visitar. Nem o Exército Nacional pode ajudar a endireitar a caótica situação social.  Na lista do “The Guardian” sobre os 10 melhores lugares do mundo para visitar no verão de 2018, não entra o Brasil.  Quantas cidades do país já estão no rumo de se tornarem o Rio, a São Paulo?
Os desencontros promovidos por vários governos feitos por enrustidas quadrilhas de refinados assaltantes produziram tal realidade. Em 2018, em meio a festivais de pão e circo, haverá eleições que serão marcadas pelo continuísmo do mesmo modelo, das mesmas práticas, das mesmas mentes, das mesmas pessoas que compõem a denominada “classe política”, de onde muitos dos políticos profissionais vestirão roupas de nova aparência, de palavras de ocasião, de justiceiros, reformadores e salvadores. Mas a cultura será a mesma, buscando preservar os mesmos pensamentos, originários de uma cultura autoritária, machista, excludente, antidemocrática e que privilegia um clube fechado, norteado por privilégios com no mínimo 100 anos de atraso, cartilha de mesa de cabeceira dos oportunistas, dos salteadores e dos espertalhões. Sem mudança estrutural, sem nova concepção para o Estado, tudo será igual e funcionará às sombras do populismo, do caudilhismo, da nossa tendência de termos um pai, que salve a Pátria. Os males estão no  sangue como o ideal de “ agora eu vou me fazer”; de “o Governo ser uma ação entre amigos”; de “para tudo se dá um jeitinho”, “ a troca de favores com o chapéu alheio, o do contribuinte” etc.
Continuarão a existir as atitudes deploráveis: o balcão de negócios, o ato de criar dificuldades para vender facilidades, a negociação baseada em liberação de verbas e distribuição de cargos, a venda de informações privilegiadas, a venda de emendas, medidas provisórias e ressalvas em textos de projetos de lei e a complexa relação entre os financiadores de campanha e o governo eleito de qualquer nível.
Políticos, os mesmos, ou suas crias, todos norteados pelo umbigo de ganância, vaidade, ciúme, inveja, caçando prestígio e holofote, com seus discursos falaciosos e sempre assessorados por equipes de seguidores, técnicos e diplomados de várias profissões, os verdadeiros arquitetos das estruturas de manutenção do poder contra as equipes adversárias. Os chamados “bagrinhos”, que sobrevivem na sombra do peixe grande. São os seguidores, os muitas vezes inocentes úteis, a serem esquecidos por quem os mandou fazer. O político negará envolvimento até o fim, querendo esquecer que mandou executar a proposta de tais serviçais.
A questão é saber que há um sistema que origina comportamentos de tal ordem e que, se não alterado, continuará a gerar as mesmas atitudes. A cultura política nasce e é gerada em função da qualidade do sistema adotado. Se a acharmos que tudo está certo e que a vida é assim mesmo, então nada mudará e as atuais e históricas operações policiais de caça a corruptos e corruptores serão só um episódio a ser esquecido.
Por mais que haja vontade popular e propalado anseio de mudança, tudo permanecerá na mesma situação, seguindo a mesma cartilha. Poderão ser novas as caras, os nomes, mas as ideais continuarão as mesmas, com a consequente mesmice e o progressivo agravamento dos problemas sociais. A situação é já tão decadente que há dúvida quanto aos políticos realmente pensarem: no “povo”, nos interesses realmente públicos e por um segundo poderem deixar de lado seus interesses pessoais ou de seus financiadores. Tudo leva a confirmar que muitos só pensam no próprio umbigo e tem raiva do povo. E nem se fale dos inúmeros cargos, preenchidos por indicação de tais políticos, o que leva pessoas sem qualquer qualidade ou compromisso com o povo a exercer cargos muito importantes em empresas públicas e de economia mista, hoje verdadeiros paraísos com remunerações enormes e onde tais pessoas devem desempenhar missões, com a licença “oficial” de negociar tudo.
Não importam os desejos da população, o senso comum quanto ao Brasil desejável. As cartas do baralho já estão na mesa para um “poker” de cartas  marcadas em todos os níveis da República.
Após o fim do jogo, tudo será igual. Aumentará a distância do setor privado em relação ao atraso dos órgãos públicos em termos de modernização administrativa. De um lado as empresas geradoras do progresso, da receita tributária, do PIB e de outro lado o Governo, tomado por políticos atrasados, fazendo a festa burocrática, num castelo virtual, onde habita uma nobreza de questionável qualidade e que segue seus manuais em sistemas desatualizados.
Se a vida nacional é o resultado da soma da defesa de interesses individuais, isto até hoje pode ter resultado em claras, graves e bisonhas realidades que ampliam para a esfera nacional o pensamento ainda provinciano. É preciso pensar mais amplamente, ter um senso patriótico, que eleve a Nação. O pensamento de feirinha de barracas individuais não cabe quando se pensa em um país continental. A República hoje, mesmo com a arrecadação tributária de mais de 1 trilhão e trezentos bilhões ao ano, o equivalente a mais de 3 bilhões por dia, não pode continuar se debatendo com despesas de cozinha, interação com vizinhos, o caráter duvidoso dos investimentos no quintal.
Toda a evolução, quer seja de uma pessoa quer seja de um país, obedece fases, como um processo, tem começo, meio e fim.  Uma Nação pode estar doente, pode estar em declínio humano e material. Basta um erro estratégico e o futuro fica ameaçado gravemente. Ao longo de décadas quantos foram os erros que agora nos levam à beira do colapso material e humano? Deparamo-nos há décadas com brigas egoicas, de umbigo contra umbigo e agora o que temos? A violência vai aumentar geometricamente. Não é questão de crise material, é pura e grave crise humana, defeito de qualificação, despreparo para pensar coletivamente e atender necessidades de um mercado de trabalho novo, excludente porque exigente. 
Até um cego, que tenha suficiente interesse no país, percebe que a deterioração humana supera o interesse que uma nova obra, devidamente superfaturada e “propinada”, pode acarretar na população. De nada adianta a grande avenida iluminada, se quem vai passar por ela, é a população em péssimas condições de tudo.
É comodismo pensar que está tudo certo, que a fórmula de progresso adotada tem dado bons resultados e que tudo depende de recursos financeiros. Não estamos dando certo, não cumprimos a Constituição, não atingimos objetivos para o Brasil e sua população e estamos acomodados. Porque muitos e muitos estão com os umbigos gordos e ricos enquanto a população sofre e é submetida cada vez mais à mentira, enganação e manipulação de dados, tal situação comodista pode estar escondendo sinais graves de um futuro ameaçador. Somos o país em que as leis não pegam ou pegam só para  algumas regiões e algumas pessoas.  

O progresso, falsificado na infraestrutura, revela cada vez mais sua natureza casca de ovo. É precário, mal distribuído, cheio de obras questionáveis. Temos construído avenidas e etc. para gerar oportunidade de propina, sem se importar com quem vai utilizar a obra. Os projetos não levam em consideração o Amor ao Próximo.  Rodovias dividem cidades, isolam bairros etc. A beleza da avenida raramente muda a vida do povo, o qual continua no mesmo rumo de 100 anos atrás.
A evolução que conseguimos até agora continua pautada pelo autoritarismo, é saldo do colonialismo, ainda excludente; seguimos modelados pelas filosofias da linha de produção, tomadas como referência para o comportamento fora da fábrica e do escritório. Falta a orientação mais humana, direcionando o material para o real progresso da sociedade humana. Somos e nutrimos o espírito de terra de fazenda e produção. A orientação espiritual deixada para o setor religioso não parece ter sido suficiente para conter os efeitos da contrariedade do ego explorado pela sociedade de consumo e produção.   Vivemos em estado latente de violência, como os bárbaros, os brutos, sempre no limite, numa camuflada “guerra civil” onde o cidadão é caçado, usado como refém etc. E a violência não é só através do ato físico, eis que  aparece no campo moral , ético e espiritual, deixando a todos atônitos e ameaçados, enquanto o Governo de todos os níveis só fala em recursos e sua falta, justifica as falhas com estatísticas e promessa de já estar fazendo licitação etc. O enfoque materialista está decadente, ultrapassado, não engana mais ninguém.   
Se queremos algo, é um Brasil do futuro, forte, soberano, com uma estrutura de serviços públicos que não funcione só para dentro, tragada pela burocracia e controle.  Um Brasil, onde ninguém diante da câmara de filmagem para a TV  diga soluçando: “ eu sou só mais um Silva; trabalho o dia inteiro para poder sobreviver, chegar em casa e dar comida à crianças, respirar, suspirar, comer e dar um sorriso pelo menos, mas hoje nem isso” . Declaração feita por um pai, enquanto o filho, assassinado ao defender a esposa num assalto em ponto de ônibus, jazia no asfalto, no meio da rua de um bairro de periferia. A entrevista foi feita ali no asfalto mesmo, no meio da rua, bloqueada em um trecho, onde o cadáver ficou sendo velado no chão por mais de 13 horas, porque a polícia criminal não tinha transporte para a remoção ao Instituto de Criminalística.  Velório ali mesmo, com pai, mãe, familiares, vizinhos, a imprensa e a televisão e várias equipes da mídia, todos estarrecidos.  Que país é este?
Muito infelizmente, diante do continuísmo que se antevê, com toda a certeza,  teremos que jogar todas as cartas a favor da Justiça, da Polícia Federal e do Ministério Público para combater a corrupção, desvio de verbas e as tendências da violência ainda aumentando. A violência que até aqui conhecemos é só o começo, já é grave e vem sendo banalizada. Infelizmente, aumentará a níveis de descontrole, demonstrando a ineficácia do Governo em combatê-la na causa e na consequência. Estamos concretizando lentamente o dito de um famoso escritor carioca ”o Brasil conhecerá a barbárie antes de conhecer a civilização”.
Sem investimento maciço e quantitativo em Educação, o continuísmo no Governo estará assegurado por décadas e todo o progresso material não passará de alegoria fantasiosa, passageira e descartável. É o país, onde bandidos saqueiam escolas; pessoas furtam cabos de energia, deixando regiões sem água e luz; bandidos furtam de  pessoas caídas na rua depois de acidentadas; furtam postes de luz na via pública; trocam tiros na rua com a gang rival ou a polícia; explodem bancos de dia ou à noite etc.; alteram o leite com substâncias cancerígenas; vendem remédios falsificados; assaltam através de golpes a Fazenda Pública; num país onde escândalos financeiros só são revelados porque alguém foi deixado de fora.     
Mas apesar de tudo, não deixamos de ter futuro, basta fazê-lo com boas ideais e menos umbigo. Menos cópia, mais criação a favor da Pátria. Menos Lavoisier, mais Einstein. Menos culto ao negativo, mais esperança livre, criativa e positiva em especial na área pública. Mais oportunidade e crédito às novas  gerações que viverão o Brasil .
Ideais há, o que não há é o encorajamento para expor, para participar, eis que uma ideia, que possa ser de interesse público, tem que passar por um cipoal de análises de compatibilidade com os interesses da política dominante, a qual  está minada por interesses bem diferentes do interesse público. É esta pretensa e fingida “harmonização“ que barra a participação de pessoas idealistas. Cansado, o cidadão afasta-se, aliena-se e resolve cuidar de sua rotina de sobrevivência e pagamento de impostos. Disto se aproveita a classe política em seu fantasioso reinado em castelo de areia, onde consegue fazer a nobreza da República, cara, abusiva, ineficiente e apátrida. 
Por muita sorte, apesar de toda a barafunda que virou a coisa pública e a gestão de recursos, os Poderes da República guardaram sua independência e mostraram que governar não é mais uma ação entre amigos e deixaram de ser um do outro um capacho. A Justiça acordou, deixou de ser um consultório jurídico a favor dos demais.  Acordou braba, consciente quanto ao seu dever e posição de ultima fortaleza para o cidadão e sua Pátria.
Se não houver um esforço conjunto de todos os seres bem pensantes e patrióticos em repensar a organização do Estado, continuaremos a gastar energia produtiva enquanto o mundo exterior avança. Um Estado gerador de empregos e principal comprador de coisas e serviços não é mais a salvação, é coisa do passado. Não deu certo. Não é o caminho para o futuro. Continuar colocando a empresa privada e o empreendedorismo de lado é a receita para um bloqueio já conhecido no passado. O Estado precisa ser readaptado aos novos tempos e demandas e ser forte e eficiente na funções que efetivamente lhe couberem. 
Mas boas ideais não podem ficar só no domínio da informática e no ajeitamento ou melhor concepção de coisas materiais. A Informática é somente um belo meio de gerenciamento. O Estado não pode ficar refém de sistemas de informática e este não é o gerenciador do país. É necessário que se pense no sistema de organização do Estado como um todo, desde o Município até a União.
Novas concepções da estrutura do Estado e funções para a máquina pública só serão possíveis colocando-se o Estado numa “start-up” de interesse realmente público. Talvez uma nova Constituinte. Ao contrário tudo permanecerá como está e em rumo de uma situação cada vez mais grave de consequências previsíveis e doentias.
Odilon Reinhardt