domingo, 3 de fevereiro de 2019

Herança secular e regular embaraço.







                          


                                                  
                                     Herança secular e regular embaraço.









E novamente os restos, as reminiscências de gestões no Estado gigante, centralizador, caro, explorador, estão a ocupar o Governo. Todas as cabeças e cérebros pensantes, focados na necessidade de cuidar do Leviatã e mantê-lo alimentado; uma máquina devoradora de esperanças, que facilmente amassa e consome idealistas .

Claramente, toda uma equipe de Governo propondo medidas para garantir as contas públicas; o novo, a reforma, o espírito, que gerou promessas e propostas, esforça-se para não serem engolidos pela tal máquina pública e seu alto custo com o funcionalismo e o desperdício. Eis a cornucópia, o atoleiro, a roda vida em que a ideia de renovar atola-se.   

Boquiaberta fica a população, antes esperançosa e “naïv”, diante do bate –boca, das propostas com as quais já desconfia que nada sobrará de bom a não ser o papel de pagar impostos para manter muitos órgãos que passaram a funcionar só para dentro na eterna máquina de papel da burocracia e seus controles, tradicional e rica pagadora de alguns nos jardins das delícias do Poder. 

A cena é tradicional e secular. O castelo exige mais e mais recursos e os estropiados vilarejos se depuram para providenciar os meios. A história é a mesma. O aldeão que trabalhe mais, que pague mais, que se sacrifique mais, que produza mais, que morra mais.

O fato é que nosso Estado tem órgãos que estão ainda no Brasil da monarquia. Muitos de seus integrantes vivem alienados do país que os paga, têm a vista embaçada em sua burocracia, refestelam-se em seus benefícios e salários e o ego de seus nobres ocupantes tem momentos de céu antes do inferno. O Brasil em alguns nichos é o Brasil de 1800. É dantesco, arcaico, barroco demais . Tem ilhas como aquelas perdidas e fora do roteiro dos navios e a cada ano perdem relevância para o mundo e suas necessidades.

Assim, qualquer ideia de reforma deve voltar-se para dentro da máquina administrativa dos Três Poderes e ali criar uma mentalidade nova de trabalho e serviço, através de leis e regulamentos que gerem um sistema que condicione os comportamentos. A persistir o que existe, chegaremos logo ao tempo em que não teremos meios para sustentar tal “modus vivendi”.

Temos que admitir que este é o status existente de nosso  “establishment”, produto cinzelado em nossa evolução institucional que através de regulamentos, leis, instruções, portarias etc., foi construindo o modelo de funcionamento dos órgãos públicos, onde os funcionários devem se enquadrar sob pena de enfrentar a punição. O sistema de hoje, fruto de muita vontade de se aposentar logo, desmotivação funcional, incompetência, protecionismo e corporativismo etc., foi o que os nossos mais intelectualizados concursados produziram; todavia, é necessário reconhecer que todo este “modus vivendi” perdeu sua validade para os padrões do mundo atual desenvolvido, no qual temos agora a pretensão de nos incluir. 

Sim, a inclusão desejada é a solução para trazer divisas, riqueza nova. A inclusão deve ser resultado da nova diplomacia. Que esta tenha produtos da iniciativa privada para oferecer. Produtos com valor agregado, fruto da industrialização limpa e competitiva. Nosso tamanho continental merece mais do que exportar minérios, soja e itens exóticos. Não podemos continuar a desvalorizar a moeda para vender mais porque só assim nossos produtos ficam mais baratos frente a concorrência. Hoje, apesar de nosso gigantismo,  pouco temos a oferecer ao mundo. O século passa, o tempo passa e ainda continuamos a exportar as mesma coisas e a querer recuperar o espaço de produtor de café. O mundo mudou e a nossa cara no mundo é a mesma. Esquecemos da Educação e da ciência. Não inventamos nada .

Ou exportamos mais e ganhamos divisas ou ficamos produzindo o mesmo para o mercado interno e nos contentamos com as minguadas sobras da balança comercial. Depender do mercado interno para crescer nos coloca perante o pobre consumidor interno e vimos o resultado da política desastrada de querer depender do mercado interno para garantir crescimento e aumento de arrecadação. Ademais a população está ficando velha e consumirá muito menos.

Para exportar produtos que possam chamar a atenção do mundo, a burocracia dos órgãos públicos, desde a abertura de empresas até a efetiva produção, parece ser o grande empecilho. A falta de mão de obra qualificada, decorrente da nossa Educação, é uma tragédia. O analfabetismo aumentou em relação a 1910.  A carga de impostos, da qual o Governo depende inteiramente, sufoca qualquer iniciativa. O Governo parece, em alguns aspectos, torcer contra a iniciativa privada, usando um jogo de luzes e ilusões.

È certo que mudanças, reformas geram desconforto, desafios, incomodo, readaptações, alterações e muitos não gostam disso. Há um jargão que denota o atraso cultural: “não se mexe, em time que está ganhando”. É a pandega institucional. Veremos, portanto, resistência por parte do corporativismo nos três Poderes, ressaltando-se que quem quer mudar é do Executivo e gente vinda de fora da Administração. Veremos por muito tempo as consequências de séculos de assistencialismo e populismo que sempre se alimentaram mantendo sua clientela como vítima incapaz de mudar e prosperar. Afinal eram eleitores de caderno. Acima de tudo, veremos os efeitos do paternalismo, marca registrada das nações latinas, onde se espera que tudo caia dos céus, da janela do castelo, sem que nada se precise fazer. Também as consequências do continuísmo do “agora eu vou me fazer” por parte de certas pessoas que ao assumir função pública não hesitam em fazer seus “negócios”.

Diante de tais mazelas e com tal mão de obra, o espírito reformador de alguns dos eleitos, pode perder-se em atitudes meramente cosméticas, algo como as medidas de Jânio Quadros: proibição de biquíni praia, proibição de briga de galo, mas atribuição de medalha a Che Guevara etc. É como encerar o carro , trocar os pneus, mas esquecer do motor e sua revisão ou retífica. É fácil o Leviatã começar a engolir os reformistas, se estes como o tempo passando, se acomodarem-se às rotinas palacianas, enquanto a Economia  não cresce.

É necessário reformar a Administração Pública para adaptá-la aos novos tempos. Muitos dos princípios e práticas utilizadas não deram resultados. Entre ao pontos decadentes temos, por exemplo, os altos  salários para evitar a corrupção. Ora, medida semelhante já era prevista na Utopia de Thomas More , onde se pode ler:  “ Suprimir o fausto e a representação nos altos cargos ( a fim de que o funcionário, para sustentar sua posição, não se entregue à fraude e à rapina) a fim de que não seja obrigado a dar aos mais ricos os cargos que deveriam caber  aos mais capazes. “ Isto mostra  que a problemática ligada aos cargos públicos, salários e corrupção não é de hoje. Com a volta da meritologia já se pode esperar algo melhor. Muitos são os itens que merecem revisão, mas todos estão intimamente ligados a mudança de cultura.

Modernizar o Estado, sua gestão. Espera-se que novos métodos sejam empregados e os objetivos de eficiência e racionalidade no serviço à população. É um meio de criar nova mentalidade, caso contrário, a nobreza bizantina dos altos escalões continuará mamando sem ser cobrada e sempre protegida pelo seu corporativismo e intocabilidade no “prestígio do cargo”. 

Com a estrutura montada por décadas para centralizar as verbas, dar emprego e controlar a vida em seus vários aspectos, o Governo habituou-se a meter o nariz para além das atividades de Saúde, Educação  e Segurança, as quais são hoje um desastre quase total. E metendo-se em atividades outras, visava a realização de obras e logo veio a tentação de colher recursos ilícitos a título de propina. Os interesses particulares tornaram-se oficiais e por consequência públicos. O importante era fazer obras e contratar serviços para receber propina. Não importava onde, quando ou o porquê da obra ou serviço, pois o que importava era a propina. Resultaram serviços e obras paradas, incompletas, de má qualidade, pagas e não feitas, superfaturadas. Não bastasse isto, o Estado, que prima e é rigoroso no concurso, na concorrência, em qualquer seleção, sempre descurou na fiscalização e na manutenção das obras e serviços. A obra nova é inaugurada e entregue ao uso, mas logo, por falta de manutenção, entra em decadência. Uma tragédia nacional. É esta mentalidade que existe e precisa também ser eliminada. Obra nova tem que ser interesse público desde o projeto até a hora da manutenção. 

Quanto ao impacto de toda uma mentalidade atrasada no país, muita energia é desperdiçada para montar e manter estruturas ineficientes em todos os setores.

Que o espírito reformador não se perca e ajeite a estrutura do aparelhamento estatal para que funcione para a Saúde, Educação e Segurança, deixando de fomentar um Estado gigante, centralizador, que escraviza as demais Unidades federativas, tornando-as miseráveis pedintes. Que a União seja respeitada pelo seu mérito, pelo poder de regulamentação e coordenação, mas não pelo simples fato de ser a dona das verbas a distribuir.

A oportunidade é histórica, a mudança é relevante e de urgência. Não pode a União perder tempo como o cão que caça a própria cauda. Depois de tantas décadas de conturbada vida, mentira, fascismo, teatro e comédia, ópera –bufa e corrupção, quase chegamos ao fundo do poço. O sistema existente é e sempre foi ruim, e como tal, arruinou-se por si só. Acostumamo-nos ao baixo nível de tudo, à mediocridade, ao intelectualismo fajuta, ao discurso de efeito, até aos produtos importados de péssima qualidade mas que destruíram a indústria nacional.

Com a volta da meritologia, espera-se o melhor. É a última cartada. Espera-se melhor planejamento, sem erros estratégicos. Espera-se a eliminação da cultura do “ agora eu vou me fazer”. Agora o ideal seria  a adoção da cultura “ agora eu vou contribuir para a  minha Nação”. Não há mais a chance para quem quer “mamar” às custas do Tesouro. Este modelo de Estado, centralizador e pai de todos, faliu. Espera-se a montagem de modelos que signifiquem reformas contundentes.

Nesta hora, supostamente, a equipe do Governo Federal é constituída em sua grande maioria dos melhores, dos eleitos pelo mérito e curriculum. É o que sobrou para a reconstrução. Se esta equipe falhar, talvez não haja mais chance alguma. Nem os índios vão desejar cuidar do que lhes sobrará .

E tudo num país livre de ideologias, porque isto pouco importa. O cidadão honesto quer: condições para prosperar, ter um ambiente social com estabilidade, justiça ( igual para todos) , segurança a qualquer hora, educação formal para os filhos, honestidade, e principalmente a ausência da perturbadora sensação de:  estar sendo enganado, de seu futuro estar sendo comprometido, de o país não estar indo a lugar algum, de o país estar ficando para trás. Ademais, qualquer ser humano quer trabalhar, ganhar seu sustento, realizar seus sonhos; não quer ser tratado como vítima, tampouco quer ficar preso a sua realidade financeira, pois quer prosperar.  Miséria, quem a adora é o intelectual e o político pensando em seu curral eleitoral; o povo quer riqueza, luxo e ostentação.

O Governo reformador que fique de olho aberto, a “velha política” está aí viva em todos os estados e Municípios e nas suas entranhas também. Os políticos “antigos” são os atuais, os mesmos, conduzidos pela mesma cultura, pelo mesmo sistema. É o que conhecem. Logo esquecerão o que prometeram na onda eleitoreira de 2019, logo poderão engolir o dia a dia do Governo, pois continuarão na prática pequena de proteção do próprio umbigo, mirando a reeleição, pouco pensarão no futuro do país e da Nação. Novos representantes estarão mais perdidos do que cegos em tiroteio, velhos representantes refestelar-se-ão no seu reinado nos jardins das delícias do Poder.  Vale o antigo ditado: “um olho no prato, outro no gato” ou talvez tenha havido uma mudança “ um olho no rio, outro na represa” .



Odilon Reinhardt. 3.2.2019.              



      



  













  














































quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Agora vai...? Tem que ir.










                                                                                            
                                                       Agora vai...? Tem que ir.





O desafio está diante de todos. Vencer forças internas de grande calado negativo. Agora não são as forças externas, alegadas por Jânio Quadros, como justificativa para sua inesperada renúncia. São forças internas que não são de hoje, ao contrário, são ervas daninhas, brotos do subdesenvolvimento, cancros da cultura, do social e da política, que caracterizam o modo de ser e do fazer predominante e cuja eliminação agora se apresenta como desafio para o futuro, são pedras no caminho que devem ser eliminadas.

Certo que as eleições recentes não possuem o condão de purificar os eleitos, ungindo-os com a santificação e colocando-os, como que por passo de mágica,  na galeria dos honestos, dos puros, dos justos, virtuosos patriotas, mas há uma vontade popular, pelo menos de 50 % da população, de  lavar o país , de mostrar novos tempos, novo norte. 

As manifestações do eleito para a União, honesto em seu propósito, patriota em sua missão, demonstram determinação em mudar, reformar. A questão é saber se os governadores eleitos, alguns adotando o mesmo discurso reformista, também poderão implantar uma gestão administrativa que altere substancialmente o modo de agir que sempre contaminou e corroeu as bases  de qualquer governo. Espera-se que não tenha sido um mero e comum oportunismo demagógico eleitoreiro ter adotado o mesmo discurso do candidato para a União. Os eleitos, mesmo os mais idealistas e bem intencionados, conseguirão vencer ou controlar a natureza de seus colaboradores? Conseguirão evitar a continuidade das práticas do ”toma lá-dá cá”, do“ fazer negócio”? Terão sucesso em mostrar um caminho melhor para estas pessoas tão contaminadas pela cultura onde nasceram e cresceram?

Eis o desafio, talvez o maior da História. Uma verdadeira revolução cultural, que mexerá com interesses muito grandes de grupos que atuam na legalidade e na ilegalidade. Equivale a reformar o carro com ele em movimento.

Que os eleitos fiquem de olho em seus assessores e equipe de governo. Lembre-se que a vida de assessores e conselheiros mereceu na Divina Comédia o canto XXVII, onde na oitava vala do Círculo oitavo do Inferno eram jogados os conselheiros fraudulentos e ocultos.  E no Canto XXVIII, na nona vala do mesmo Círculo, estavam os semeadores de ódios, divisões e discórdias entre pessoas e povos. Isto demonstra que a gestão pública e a vida dos corredores palacianos sempre foi objeto de espanto e indignação por parte da intelectualidade. Deve-se agora quebrar esta continuidade e usar a tolerância zero para a corrupção.

Será uma ação permanente de contrariar interesses e colocar sobre tudo o interesse público pelo bem do Brasil. Que sejam interesses públicos, efetivamente públicos. Que se acabe com a continuidade de se fazer da gestão pública uma ação entre amigos com esquemas privados de intenção duvidosa e que se tornam oficiais. Chega desse sistema, chega desse Brasil.

Certamente a mentalidade e o comportamento, que informam o modo de se fazer negócios na sociedade, decorrem de um sistema legal e de suas lacunas. O Governo tem o poder de aprimorar a lei, pois, é ela que gera e orienta, as ações no Brasil formal; é a chamada ordem jurídica, cabendo à Justiça aplicar a lei e corrigir o comportamento ilegal, decidindo com isenção e distanciamento do interesse político que possa existir. Polícia Federal, Ministério Público e Justiça devem ser órgãos orientados pela independência absoluta a nível estadual e federal. Sem tais órgãos, mesmo como hoje estão, seria impossível chegar onde estamos. Status atual para o qual colaborou também a imprensa livre, sem a qual a população não saberia de nada.    

A revolução é acabar com a pátria dos “expertos”, dos que acham lacunas legislativas, dos que se aproveitam da impunidade. Sem alteração da legislação, seja constitucional, seja infraconstitucional, conviveremos com comportamentos predatórios que aos poucos vão exterminando o bom futuro.

Por uma série de fatores, a sociedade foi construindo um modo corrupto de fazer negócios, onde a falta de ética, a imoralidade e a sordidez humana sobressaíram e tornaram-se banalizadas. Vários itens egoísticos ficaram livres e formaram uma “cultura“, um “modus faciendi”, que existe em todos os países, onde a educação é mínima. Um oba-oba da miséria, um trem da euforia tropical inconsequente e promovida pelas gerações que passavam pelo Poder, menosprezando as gerações futuras.  Prevaleceu o umbigo, a megalomania , a loucura existencial , a ideia libertária do vazio dos decaídos.  Um verdadeiro carnaval dos aloprados. 

Ninguém pensou em Educação de qualidade. Prevaleceram as coisas ruins, mantidas pelo elemento humano subdesenvolvido neste local do mundo e nesta quadra da existência, onde tem prevalecido o vazio intelectual e onde a selvageria egoística anda livre.

Neste campo há tantos itens de reforma que o desafio fica amplificado e chega a tocar os muros da própria impossibilidade de se alterar alguma realidade. Mas há uma consciência de que algo deve ser feito e a esperança e a fé, informando a vontade de mudar para não morrer, deve atacar pelo menos alguns pontos como o nepotismo camuflado, o corporativismo, a burocracia, o empreguismo na gestão, o gigantismo do Estado, o egoísmo oficial, a mediocridade nas decisões, o horror dos políticos ao planejamento, o conservadorismo caipira, o analfabetismo e a falta de esclarecimento quanto à estrutura formal do Estado e dos órgãos públicos, a falta de transparência, o fascismo na comunicação oficial, o negativismo religioso, o paternalismo, a corrupção, o academicismo atrasado, a impunidade, o uso da mentira estatística, a falsa nobreza do alto funcionalismo, o Governo como principal empregador...etc. vezes muito mais.

O Brasil continuará devorando o Brasil a cada mês, se não houver mudança. 

O novo governo Federal estará lidando com forças grandes que possuem interesses umbilicais enormes.  Haverá contrariedade e muitos conflitos, esperando-se que o diálogo seja uma prática paciente e determinante para convencer pela melhor ideia. Será necessária muita cautela e ações inteligentes para impedir a continuidade do que temos visto. E ainda terá o Governo que lidar com restos dos governos anteriores, cargos em abundância e de plena inocuidade, a crise econômica de 2008, cujas marolinhas viraram um vagalhão que abateu a economia dos Estados e Municípios etc. De males o paciente está cheio. 

Pelo menos dois anos serão gastos em tentativas para dar à sociedade uma nova orientação, mesmo que o ar já seja outro. Não somos um país desenvolvido, pouco saímos do status de ex-colônia mercantilista e adentramos no capitalismo e na era da informática sem qualquer preparo físico e emocional; fomos pegos na transição entre o rural e o urbano sem termos a necessária Educação; a incompleta formação religiosa,colocou-nos num estágio onde se perdeu a noção do certo e do errado e o analfabetismo geral contribui em muito para a falta de espírito de crítica e o passo necessário e certo para o progresso humanista.  

É decisivo para as novas gerações mudar para um mundo de mentalidade superior ou viver à beira da estrada do progresso, vivendo de migalhas jogadas nas telas dos aparelhinhos de comunicação.

Em 20 anos, muitos dos líderes atuais da política estarão mortos por idade ou inválidos. O que terão feito para as novas gerações em termos de mudanças neste estilo de gestão que a cada ano levou o Brasil para a fronteira da Venezuela? O que as gerações terão aprendido e feito para seu próprio futuro?

Fizemos a opção pelos pobres e ficamos miseráveis. Desejamos brincar de ricos socialistas, distribuindo sem ensinar a gerar riqueza e acabamos pedindo dinheiro. Desejamos recuperar nossa identidade e descobrimos nosso atraso e quase impossibilidade de competir para sobreviver no mundo moderno. Toleramos políticas de manutenção da pobreza para assegurar votos e vimos o caos social aproximando-se em violência, avanço da criminalidade e miséria. Erramos ao deixar, por falta de crescimento intelectual e espiritual, que o individualismo, o pragmatismo, o utilitarismo etc., saíssem da linha de produção para nortear o relacionamento pessoal e social tornando-nos grosseiros, intolerantes, fisiológicos, egoístas etc., tudo dos brutos e violentos. Desejamos progredir, mas desvalorizamos a indústria nacional, vendemos nossa produção em troca de produtos de quinta qualidade e tornamo-nos uma feirinha de eletrônicos e campo de teste de agrotóxicos e remédios. Detonamos a diplomacia e isto ficou claro recentemente. Desejamos modernizar e adotamos modelos decaídos e impregnados de negativismo e de conceitos ultrapassados.  Desejamos abrir as Universidades Federais para a liberdade e elas se tornaram uma fonte de empreguismo e centros de ideais recalcadas e negativas, etc. Não é hora de mudar?  Precisamos acabar com a era da escuridão, das ameaças ideológicas, das mentiras, do teatro ilusionista  e do fascismo.  Precisamos chegar ao fim deste túnel. Fazer voltar a meritologia, o bom planejamento e especialmente acabar com as ações para contentar o eleitor porque o populismo e todas as mentiras teatrais é que geraram o que estamos vivendo.  O estrago foi grande e sem precedentes. 

“Que país é este?”. Pergunta que traduz a indignação de alguns hoje. Todas as esperanças estão voltadas para que no futuro se possa perguntar “Que país era este?“.  Já houve tentativa de fazer do país uma igreja, um quartel, um circo. E agora? Esperança e fé fazem o ar novamente. Cada cidadão que contribua com a melhora do país.

Metemo-nos numa esquina da História e esta estará de olho em cada linha que será doravante escrita. Um erro estratégico agora e o futuro trará  consequências graves.  Vencer desafios não amedronta ninguém, se o objetivo é para a o bem da Nação. Para tal, deve-se por vezes inovar, contrariar o comum e avançar. Arriscar o que se é pelo que se pode vir a ser.

Robert Frost finaliza um de seus poemas com as seguintes linhas:



“Two roads diverged in a wood, and I took the one less traveled by, and that has made all the difference.”



              

Odilon Reinhardt . 3.1.2019

  
















segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Nem tanto a terra nem tanto ao mar.










                                             



                                             
                                            Nem tanto a terra nem tanto ao mar.





              No ar, a esperança de novos tempos. Mais limpos, mais honestos, mais transparentes e com objetivos claros e sinceros. O brasileiro é um povo condenado à esperança, dizia Millor Fernandes.

             Reformas e novas ideais do mundo livre, onde o cidadão quer basicamente honestidade e verdade.  Nas últimas décadas , teatro, egoísmo, falsidade e roubalheira atiçaram a sensação de injustiça e deixaram mais longe o ideal de conforto social. Agora um longo caminho para a normalidade.

            A esperança é de mudança no mundo político e na gestão pública. Urge o fim da corrupção e o uso da receita tributária para promover o que o país precisa. Que o interesse público deixe de ser contaminado por segunda intenções.

           O Executivo Federal mostra-se voluntarioso em propor mudança e capitanear a mesma pelo país.  O Presidente eleito apresenta-se com motivação reformista. Espera-se que seja acompanhado pelos Estados e Municípios, nesta mentalidade nova. Mesmo os outros Poderes na União terão que acompanhar a onda saneadora, caso contrário não haverá união para mudar. Se imperar a velha política matreira e corrupta, haverá dificuldades para enfrentar a crise econômica e alcançar os objetivos constitucionais. Se continuar a carcomida mentalidade dos falsos nobres do Poder, só haverá reação e sabotagem.

          A rejeição dos meios errôneos de se fazer política comuns à vida brasileira,  não pode, todavia, afastar a boa política, a manifestação justa da população através dos meios institucionais de representação. Tampouco pode o interesse público ser eleito sem tal participação política.  Sempre se deve preservar o amplo debate, pois este é o coração da democracia.

       O grande desafio histórico será diminuir o Estado, privatizar o necessário, reformar a Previdência, vender patrimônio ocioso, gerenciar os ativos, reduzir o quadro de funcionário e seus benefícios, adotar boa gestão financeira, executar um orçamento factível, fazer a reforma tributária, instituir um sistema de Educação que desenvolva as pessoas no seu todo e desperte talentos, reduzir o analfabetismo de 4% e o semianalfabetismo de 96%, propor legislação de tolerância zero contra o crime organizado e a corrupção, rejeição total às antigas fórmulas da política  para aprovação de projetos e reafirmando a vontade popular de que o Governo não seja uma ação entre amigos, fazer o retorno dos bons valores do humano, estimulando o crescimento e o refinamento, ao contrário de perpetuar sua miséria para efeitos políticos de perpetuação no Poder de grupos  ideológicos, abandonar a diplomacia ideológica para o terceiro mundo e a opção pela miséria, eleger obras de interesse público legítimo, priorizar o social e a infraestrutura sadia e produtiva, aperfeiçoar a fiscalização e o controle sobre esta, fazer voltar a meritologia para o preenchimentos de cargos, estimular as exportações como fonte de captação de recursos, desburocratizar, promover a transparência das contas públicas, eliminar o discurso fascista,as estatísticas manipuladas e mentirosas , fazer voltar a ética e a moral para a sociedade, etc.  ao infinito.   

Como se pode ver a lista de itens de reforma é tão longa a ponto de fazer o retrato do país empobrecido que estávamos vivendo. É um desafio histórico e vai de encontro à cultura de muitos que se habituaram a usar o dinheiro público como direito divino, atuando sem limites em sua megalomania. Nem se pode pensar em admitir que entre os 44 milhões do candidato derrotado, alguém estivesse pensando no continuísmo da realidade acima mencionada. A rota era a “venezualização” do país. Será que isto seria bom para a população? Não. Será que os tais eleitores pensaram nisto? Será que não estavam acreditando numa  falácia perigosa e niilista? A mentira repetida por tantos anos foi fazendo crenças e tornando-se escamoteada verdade. A população estava de adaptando a níveis cada vez mais baixos de realidade.

Agora, a torcida e a esperança é que tais reformas sejam bem feitas e estejam nas mãos de bons políticos, patrióticos e humanos. O imenso grupo para compor o Governo, com figuras pinçadas de carreiras técnicas da atividade pública e da iniciativa privada, eleitas sem eleição, terá o desafio de promover o progresso e alcançar o bem público com qualidade e solidez. Não será possível errar. A História não permite mais. 

De nenhuma das pessoas, alçadas ao poder, espera-se que sirva para caracterizar no teatro público, o papel do “Asinus ad Lyram” ou seja o “burro diante da Lira” , equivalente ao “burro no Palácio do Poder”.  Que usem do seu saber e não esqueçam que de nada adiante termos avenidas novas e iluminadas, se por ela continuar a passar a miséria em suas várias versões. Bons lucros no mercado financeiro e fartos dividendos podem não significar nada em termos dos objetivos constitucionais. Espera-se que estas pessoas não sejam picadas pelas moscas do Poder e não sejam tomadas pela megalomania que costuma atingir tais círculos e circos. 

Que tais pessoas não esqueçam a Educação de qualidade como sólido preparo para a economia no futuro e sua sustentabilidade. Sem o humano qualificado nem o “robot” da fábrica recebe boa manutenção. Sem Educação que faça do estudante descobrir seu talento e procure oportunidades para exercê-lo, nada se sustenta. A esperança, passada a euforia inicial, é que a nova equipe do Governo não caia em erros de “tecnocrata”. Que não se esqueça que os representantes eleitos pelo povo e empresas devem sempre ser ouvidos e consultados para as grandes decisões ou pelo menos bem orientado para elas.  Que não seja verdadeira a frase de um Governador eleito, que ao ser entrevistado pela TV, afirmou com a boca cheia:” Meu Governo será de técnicos, pois não tenho compromisso com ninguém”. Cabe lembrar que a Ordem do Dia estará sendo feita durante cada dia e de acordo com a representatividade. Não somos mais a pátria sindical, mas não somos quartel.  Não somos a nau pirata à deriva, mas não somos nenhum transatlântico.  Há muito a ser feito e tudo com diálogo e debate.  A construção se faz com o esforço e participação de todos. Para tanto não será possível eliminar subitamente o presidencialismo de coalizão, pois no momento não há outro sistema que corresponda à cultura política já instalada. Certamente o Governo eleito não tem um plano pré-fabricado para ser implantado tecnocraticamente. Tem, sim, princípios e sabe o que não vai tolerar. Portanto, dependerá de muito debate e diálogo com os representantes da população.

Entre as mudanças espera-se que o Governo reverta as tendências de fundo no cenário nacional, dosando o pragmatismo, o individualismo, o puro racionalismo, o utilitarismo etc., que vêm condicionando a mentalidade dos mais jovens e produzindo seres calculistas, frios, sem sensibilidade humana. Lembre-se que num edital para contratações de soldados de polícia militar havia uma exigência de que o candidato fosse insensível às manifestações humanas, não se afetasse com histórias humanas de romance e amor etc. Após reclamação a exigência foi excluída, mas foi o suficiente para denunciar a mentalidade que se instala na cabeça das gerações atuais. Evidentemente, a exigência eliminada, havia sido incluída por pessoas de dentro da corporação, foi submetida a apreciação jurídica e o edital aprovado para publicação, denotando a vontade já instalada de obter a contratação de pessoas insensíveis ao humano. Os “ismos” acima mencionados já não são itens de filosofia invisível à medida que aparecem todos os dias como fundo de comportamentos na sociedade e habitam vários vídeos de comerciais na TV. A coisificação do humano e o desamor ao Próximo são banalizados .

A Educação de qualidade tem que ser a humana, a da afetividade, a que desperta talentos, a que dá compreensão da natureza do ser e seus defeitos, e não a educação mecânica para cortar frango e apertar parafuso.

Só através de uma cuidadosa supervisão poder-se-á reverter tais tendências e assim reduzir os conflitos e a violência em todas as classes sociais. Deve-se reforçar o amor ao Próximo e a empatia em tudo e em todos os projetos. Uma rodovia ou avenida projetada sem levar em conta o humano torna-se um caminho da morte. É um cruzamento sem sinaleiro.

Fica a esperança que desta vez o Governo olhe para a Educação como centro de todas as atenções. Que o Presidente e qualquer dos Governadores saibam extirpar de seus quadros qualquer um que venha a ser picado pelo Poder e denunciado por corrupção. Que os eleitos não pensem em reeleição e não norteiem suas decisões para este fim, pois se a gestão for bem sucedida o próprio povo exigirá a reeleição quase com fato natural, um prêmio por mérito.

Só com Educação de qualidade será planada a semente para daqui algumas gerações começarmos a ver os primeiros sinais de uma sociedade de pessoas menos tosca, grosseiras, autoritárias, inflexíveis, tarefeiras, fisiológicas, intolerantes, egoísticas, materialistas, operacionais, pragmáticas, sem refinamento e com cultura geral zero, seguidoras, manipuladas e condicionadas, caso contrário, só haverá má colheita: a crescente violência em tudo, o desrespeito ao Próximo, a grosseria coletiva, ainda fazendo valer Nelson Rodrigues que disse que o Brasil conheceria a selvageria antes de conhecer a civilização e fazendo valer também Darci Ribeiro que antes de morrer disse que uma criança só tem 7 anos uma vez. A falta de investimento na Educação custará milhões na construção de presídios.

Ninguém os escutou. E esta má qualificação pessoal será determinante na qualidade da mão de obra de todas as profissões e funções. Não adianta querer milagre, sem o humano qualificado por dentro e por fora, não haverá progresso sustentável. Leva décadas para preparar uma pessoa e tirá-la da miséria cultural e da falta de esclarecimento.

O país está precisando de seriedade e honestidade no trato da causa pública. Todas as fichas foram apostadas no novo Governo e não haverá tolerância  com erros estratégicos e nem a Histórica perdoará tais erros. Acabou a brincadeira. O teatro de esquerda e direita fazendo do povo ora um palhaço sentado na arquibancada, ora um tigre vendendo pipoca, não tem vez no cenário. Ficamos muito atrasados, não acompanhamos o mundo. Houve opção  pelos pobres, fazendo-os  de coitadinhos e não contribuímos para crescimento de ninguém. Ao invés de ensinar a pescar, promoveu-se a ociosidade com motivos eleitoreiros.  

Então, com a esperada volta da meritologia para preenchimento de cargos, espera-se mais planejamento, racionalidade e um choque de gestão, mas que não se esqueça o elemento humano. O combate à corrupção será um desafio. Manter diálogo e debate com a sociedade e seus representantes exigirá impor novos meios de comunicação e entendimento. Será um desafio dizer não às propostas de corruptos e corruptores, mas é o necessário, pois as investidas corruptas continuarão porque é cultural e resiste à punibilidade.

Todavia, deve-se evitar o excesso de tecnicismo, porque já vimos isto da esquerda e da direita. Nunca deu certo. Sempre deve haver cuidado para que não haja a supervalorização da técnica, pois pode virar tecnocracia. Deve ser lembrado que a técnica é sempre um meio e nunca o objetivo final.

A tecnocracia anda sempre com o autoritarismo, não gosta de debate e diálogo, é pragmática, rude e inflexível ao apelo humano. Pertence ao tempo das cavernas da democracia. Usada pela direita ou pela esquerda sempre se alimenta do descompromisso com a população representada e geralmente é usada por quem está certo de seus planos no Governo; planos quase sempre que envolvem interesses de dinheiro para a política e acúmulo de recursos para partidos e candidatos. Para que e como dar ouvidos à participação popular ao povo diante de tais objetivos?  Em alguns casos, a lei prevê até audiências públicas, mas estas são “só para inglês ver”, dito popular antigo que mascarava a realidade, tentando enganar o fiscal do agente financiador ou do concessionário.  No autoritarismo camuflado, tudo estava envolto em interesses pela propina. A participação popular era escamoteada e iludida com falsos movimentos de inclusão social, dando uma aparência de popularidade participativa enquanto as quadrilhas assaltavam os cofres públicos com uma voracidade jamais vista. No que efetivamente interessava aos esquemas da corrupção, não havia participação alguma, pois o plano tinha que ser realizado tecnocraticamente, sem engano. 

Assim tem sido a tecnocracia usada por Governos para atingir seus objetivos pouco aproveitáveis para o país, todavia altamente rentáveis para seus promotores. A técnica deste modo aplicada é a arma do tecnocrata. Mas outra realidade pior ainda é a falta de técnica boa e experiente. Tal realidade é danosa quando reflete a falta de planejamento e traduz uma avacalhação total e o descuido com a coisa pública. A politicagem aproveita-se facilmente de tal  realidade e redunda em consequências graves para as finanças do país.

Ademais quem são os técnicos desta época? Não são os oriundos de um sistema educacional falido? Não vêm de faculdades e cursos técnicos dessas últimas décadas? Não são defeituosos tanto quanto a sua origem? Podem ser super-homens da “sabedoria”, com doutorado e cursos no exterior, mas podem  ditar regras finais aos humanos?

Já vimos erros dessa gente no passado de décadas. Resultados assustadores estão por aí até hoje e suas consequências já viraram causa. Não eram técnicos e profissionais de diversas áreas os que estruturavam e organizavam as mega operações de corrupção e lavagem de dinheiro?  Não eram deste tipo os que localizam brechas legais e elaboram meios de burlar a fiscalização, fazendo planejamentos para o mal? Técnicos são operacionais a serviço de alguém, mas logo assumem o comando e passam a ditar regras e condicionar políticos. A manipulação de dados e estatísticas etc., é um forte instrumento de enganação. A técnica pela técnica pode conduzir para que haja uma super preferência por números, porcentagens etc., e a coisificação do humano.

Um critério técnico pode levar a raciocínios frios como neste exemplo: numa estrada há uma curva onde todos os meses ocorrem acidentes e mortes. Na estrada há 200 curvas e passam 1 milhão de carros por mês. Só 0,03% dos carros tem acidente com morte na dita curva. Portanto, o que ocorre na curva X não é importante e nem prioridade. A frieza dos números leva o tecnocrata a operar assim.  Aliena-se da realidade, esquece que um dia na mesma curva podem morrer seu pai, mãe e três irmãos ou um importante político. Daí o tecnocrata se mexe.  

O alerta é este. Não se incorra no erro de alijar a boa política das decisões porque isto nunca dará certo. A missão é afrontar a politicagem, os interesses mesquinhos do nosso modo de cuidar de interesses pessoais e partidários.  A missão é reorganizar, mostrar novos meios e métodos de postura pública, mas sempre com debate, adoção da melhor ideia e visando o bem da Pátria e da Nação. 

Que o brasileiro reganhe sua autoestima, seu orgulho pelo país e não tenha vergonha de dizer que é brasileiro, principalmente quando estiver no exterior estudando, mesmo que com bolsa de estudo paga pelo Governo.   Que ninguém tenha vergonha de cantar o hino nacional e homenagear sua bandeira, que deve permanecer verde, amarela, azul e branca para sempre. Que seja uma Pátria a caminho do progresso e não de retorno ao bom-selvagem, vivendo na beira do mato, detestando tudo e todos que não lhe seja igual.  

É necessário reconhecer e aceitar que não há como ter objetivo de querer uma ilha isolada para ser líder do terceiro mundo, de viver a fantasia de uma economia de mentira, de sucumbir à trama da mentira e da corrupção, de agravar o visível empobrecimento da população enquanto o comitê central da direita ou da esquerda enchia as burras de dólares para se perpetuar no Poder, desejando fazer uma má intencionada revolução caipira, que atrasou o país por décadas e nos deixou à beira da estrada da História como pedintes moribundos. Nos últimos 35 anos pouco foi conseguido para nos libertar da miséria material e espiritual com passos fundamentados, sólidos e honestos. Vimos a roubalheira, a corrupção chegar ao máximo de sua consequência, o aprofundamento da crise moral no sistema político e o comprometimento do futuro das novas gerações. O legado é de fazer chorar e lamentar.  Agora nova esperança e mais fé. 

Assim com um pai faz a vida pensando no futuro dos filhos, um país deve ter Governos que pensem nas gerações futuras em termos materiais e com  Educação sólida e sadia para trabalhar com qualidade e com o sentimento de realização pessoal.  Nas últimas décadas  o que se constatou foi políticos pensando em seus umbigos, em sua megalomania, em seu egoísmo e na reeleição como garantia para continuar no Poder.

Odilon Reinhardt. 3.12.2018




sábado, 3 de novembro de 2018

Agora, já é o depois? Ou será tudo como antes?


                                                    










                                     
                                     

                                       Agora, já é o depois? Ou será como antes?  









Acabou mais uma inútil guerra de fosquinhas e fofocas eleitoreiras, de frases soltas e de efeito, de factoides e promessas descabidas, de ataques pessoais características de vizinhança de bairro e estratégias pequenas e pobres, que desmereceram o momento que deveria ter sido tratado com mais seriedade e respeito. Passou uma das maiores demonstrações de menosprezo à importância das eleições na época que se formou: a discussão relevante de mecanismos para a retomada econômica, a questão energética e a educação em 2019. Promessas de mais renúncia fiscal, redução de preços, populismo, aumento da taxação punitiva a setores da economia, exagero no dualismo entre o Bem e Mal e tantas outras ideias pequenas diminuíram ainda mais o país, colocando-o no nível de eleição de condomínio de periferia. O voto foi como aposta de loteria.


Imperou nos Estados e na União o que a nossa política é, o que somos como resultado da lenta evolução neste canto do mundo, onde a idiossincrasia fez um caldo social, espoleta suficiente tóxica e inflamável para a violência doméstica, empresarial e social sempre que haja contrariedade e oposição para pessoas, em geral, ainda egoístas, autoritárias, conservadoras, prepotentes, inflexíveis, antidemocráticas, intolerantes, sem cultura geral, pragmáticas, vazias, operacionais, fisiológicas, desinformadas, de mínima leitura, de limitado recurso vocabular, condicionadas, fazendo características que, entre outras tantas, independem da classe social, profissão e categoria econômica. Ressalta-se o nível educacional: 96% de semianalfabetos, de onde só 8% podem ler e interpretar um texto. Algo compatível como os mais de 40 milhões de votos nulos e em branco. Uma alienação histórica de 28%. Um país oral, superficial, guiado por mexericos e frases curtas e aparência. Todavia, no passado já foi bem pior. Pelo menos vimos que nossas instituições estão firmes e sólidas.  Muitas são as lições do processo eleitoral oficial, muitas mudanças, novas tendências, avanços e necessidades de correção.  


Doravante então, a verdadeira eleição. O preenchimento de milhares de cargos políticos nos três Poderes na União e nos Estados. Pessoas a serem eleitas sem eleição pelo sufrágio popular. Nomes desconhecidos e que com “poder” irão gerenciar o país nos detalhes da vida do dia a dia. Só haverá reforma cultural para adoção da honestidade e em nome da Pátria, se efetivamente neste tocante houver mudança de comportamento de modo quantitativo por parte dessas novas autoridades. Foi eleito um Presidente, muitos Governadores, mas estes dependerão de milhares de subalternos a serem nomeados conforme indicação das coligações. Quem são , de onde vêm, que méritos têm?  

Sem mudança de comportamento, o que depende de mudança no modo de pensamento, tudo continuará igual, queira o Presidente, queira o Governado ou não. As novas autoridades dos escalões inferiores, empossadas em cerimônias internas, é que irão através de resoluções, instruções, portarias etc., interferir em vários setores da sociedade, forçando fatos e criando dificuldades, chamando para o “negócio”. O desafio será não aceitar; mostrar patriotismo e valor ao interesse público, um novo modo de proceder tanto para tradicionais ofertas de corruptores como para os a serem corrompidos, que eufóricos com o Poder pensarão estar num Jardim das Delícias.   Mas estarão os empresários com a mentalidade de mudar, de abdicar de seus interesses em sempre tirar vantagem de seus amigos no Poder e descartar a concorrência para facilitar as coisas? Tudo dependerá da qualidade e ideologia das exigências das coligações. Será necessário deixar de lado interesses pequenos e ajudar a mudar. O desafio é não aceitar o “negócio”; é não continuar com a cultura até hoje usada; é reconstruir o imã da ordem e do progresso. Todavia, é necessário ressaltar que o sistema de financiamento de campanha ainda precisa ser alterado, a reforma política ainda precisa ser aprimorada, eis que são sistemas que geram comportamentos.     


Assim, o eleito estadual ou federal ganhou numa eleição democrática, mas pode não ter levado. Quem manda agora são as coligações, que vão indicar pessoas para milhares de funções. Mostrarão quem manda no formigueiro em termos de prática. É o ônus do partido vencedor que depende de apoio de outros partidos. Vai depender de apoio para tudo e terá que ceder às vontades particulares. No Congresso ou na Assembleia, os eleitos terão que negociar. Qual é o instrumento de troca senão as moedas tradicionais?  Será necessário convencer com bons argumentos em prol de uma nova mentalidade e dentro de uma intenção de fazer o país sair do mato e da mentalidade atrasada e mesquinha. O desafio é não errar na gestão e no diálogo.   


Também será um milagre, preencher cargos sem usar o que existe hoje em termos de recursos humanos disponíveis e sua cultura. Só por milagre, o novo Governo livrar-se-á da realidade humana existente em termos de má-qualificação e cultura política atrasada. Será que os elementos neste meio vão virar “santos” da noite para o dia? Será uma batalha parar com o envolver pessoas, comprometê-las a ponto de lhes amarrar o rabo, formar quadrilhas, fazer acordos duvidosos, fazer ameaças e achaques e extorsões, tramas e esquemas sujos. E o que dizer da inveja, ciúme, ganância, ânsia pelo poder, prestígio e dinheiro que são tradicionais habitantes do mundo da política? E a megalomania dessa gente?


Vimos que as operações e processos judiciais não impediram as quadrilhas de continuar com suas ações corruptas na Administração. Através do uso exacerbado de

“fake news”, etc.,demonstrou-se que a má-fé sempre ronda as atitudes de Poder e conflitos da espécie. Quem promoveu isto? Não é a pura expressão da cultura existente? Ela será exterminada da noite para o dia? Não se espere, que dentre os “nomeados”, deixarão de existir os que seguem o lema “agora eu vou me fazer”; os que de acordo com a capacidade técnica continuarão a “ fazer negócios” usando o nome do eleito e com justificativa de reunir fundos para a reeleição.


A realidade é tão velha quanto a criação do primeiro cargo em volta do soberano. Dante Alighieri na sua Divina Comédia, ao retratar as lutas pelo Poder em Florença e região, relata no Canto XXI o que viu, assim que alcançou com Virgílio a quinta vala do Círculo oitavo do Inferno, onde são punidos os que exercem o tráfico de cargos e influência; são os funcionários corruptos e venais, os prevaricadores e trapaceiros, mergulhados num poço de betume fervente.


Esta época de hoje a um ano é de deixar inebriado, encantado, esperançoso por novos tempos. Equivale ao período desde a festa de casamento até o fim da lua de mel em que só o noivo sabe que depois não haverá fundos, haverá dívidas, só 30 bilhões para investir (equivalente a 10 dias de arrecadação em 365 dias), os problemas herdados serão a contínua realidade, a vida real como ela é, seca, esvaziada, quase horrível em muitos locais. Os eleitos, os estaduais e o federal, atuarão dentro de seus limites constitucionais e na maioria do tempo como negociadores, articuladores, gestores de pessoas. Deverão colocar um novo modo de ser e gerir, um modelo de progresso, ordem, patriotismo, honestidade e tudo num discurso coerente e num ambiente de transparência. Valerá a ação concreta para a Nação.


Nem por mágica os fundamentos da economia e as bases sociais serão rapidamente melhorados. Só por milagre esta base deixará de gerar comportamentos coerentes com a cultura até hoje praticada e afinada com a miséria do estágio da evolução alcançada até agora. Só por passe de fada os fundamentos e base deixarão de apresentar pessoas que deixem de transferir para os locais, onde devam exercer Poder, os seus defeitos pessoais oriundos da cultura em que vivem. Talvez seja um mandato de reconstrução e preparo para mudanças marcantes no futuro de cinco ou mais anos.


Levará algum tempo para que seja demonstrado que democracia é mais do que poder exercer o direito de voto, que a nacionalidade exige esforço conjunto, diálogo, boas decisões e voltadas ao interesse público acima de tudo; que progresso é mais do que aumentar receita e que avanço empresarial não pode ser baseado em sonegação, fraude à licitação, participação em cartéis, corrupção do Poder e obtenção de renúncia fiscal como falso incentivo à produção e consumo; que qualificação profissional e educação é mais do que ensinar matemática e Português;  que uma Pátria não se faz só com braços que cortem frango e carne, mas também com a cabeça, pensando em ideias limpas e produtivas. O grito de muito tempo é “a gente não quer só comida”.


É certo que os olhos se voltam para a União, mas em verdade deveriam se voltar para os Estados e os Municípios, pois é ali que tudo acontece, devendo-se ter em conta  que as eleições municipais foram realizadas há quase dois anos e com pouca preocupação em pensar em mudanças e reformas. Em muitas localidades ainda persistirão os currais de pensamento e práticas da política velha, de tudo que ainda tem para mudar.  


Mesmo diante de um panorama deteriorado e com tantos escândalos, 44 milhões ainda acreditaram na política velha, na desnecessidade de mudar. Procuravam ainda um caudilho que fosse a expressão de nosso atraso; procuravam um salvador que continuasse a fazer a ajuda cair do céu. Foi a manifestação mais atual de nosso atraso intelectual que insiste em nos aproximar do Estado mentiroso, centralizador e autoritário, mandando em um povo esfarrapado, manipulado por frases pequenas e mentirosas usados pelo fascismo. Certamente a volta à aldeia e a repulsa ao progresso era o objetivo. Um niilismo absurdo.


O espólio deixado, de erros e mentiras, por vários governos de décadas passadas desde 1950, deixou um país mais complexo e dividido, quase uma massa falida. Se houver oposição radical que continue pregando ideologias já historicamente defasadas, pouco debate haverá e o confronto marcará a vida política. Sem união para gerar emprego, dar renda e aumentar o consumo, continuaremos sendo vítimas do dualismo existente, que não tem levado a nada. Nem direita, nem esquerda. Nada disso serve. O que faz o progresso é ir em frente.


Não adianta se enganar, quem gera riquezas e empregos, salários e receita tributária é a empresa privada. Combatê-la ideologicamente e tentar dificultar seu caminho só tem produzido a realidade que nos aproxima da miséria ainda mais grave, de episódios como a greve dos caminhoneiros, que se revelou terrorista, marcante e cheio de revelações sobre o potencial de destruição da teia econômica.  


Tampouco se pode continuar vendo os órgãos do Governo como castelos a serem destruídos porque ali está uma parcela da tirania, o moinho de vento ou, seja lá o que for, que mentes preocupadas em reviver teatros revolucionários procuram realizar aqui como sua fantasia política.   


É necessário crer em um novo ar de prosperidade, de trabalho, algo que impulsione as pessoas a irem para o futuro; fazê-las acreditar que nada cai do céu e que cada uma delas é responsável por uma parte na construção do país. O que está em jogo é a vida dos jovens das gerações novas e futuras. Vários governos vêm mexendo no futuro delas com erros estratégicos enormes, principalmente na Educação.


A vitória dos eleitos não é para amassar os derrotados, é para convencê-los através de ações concretas que há uma saída melhor. É necessário focar nesta intenção de melhorar a vida na Nação e provar que as ideias de progresso são para todos. Só através de debate e argumentos sólidos é que serão resolvidas as questões nacionais.A esperança e fé são sempre de mudança para melhor no processo democrático.


Sem mudanças na gestão da coisa pública e sem mudança no comportamento arraigado que vem sendo marcado pelo “agora eu vou me fazer”, só dependeremos da autonomia da Polícia Federal, do Ministério Público, da Justiça e da Imprensa livre para que a população saiba sempre o que está acontecendo e possa discernir corretamente. A corrupção tem histórico sanguíneo.  


Em 2019, ainda teremos a crise financeira fruto de erros estratégicos gigantescos. Bom lembrar que enquanto a indústria etc. e toda a população prosseguia anestesiada, acreditando num modelo econômico fantasioso, críticos como Arnaldo Jabor, diariamente chamavam a atenção para a essência do que vinha acontecendo. Eram vozes no deserto. Fazer o país crescer mais de 2 % ao ano foi uma irresponsável medida que chegou a 7% por motivos eleitoreiros, esgarçando todos os fundamentos da economia. As consequências começaram a aparecer depois de 2010, a partir de quando as medidas para garantir a receita tributária foram inconsequentes, desesperadas e mentirosas. Logo o bolso furou com tanta pressão.


Mesmo com crise grave de recursos, não se pode negar que para o futuro, sem Educação de qualidade, nada mudará. Só com investimento em Educação de qualidade será possível diminuir a mediocridade, a falta de cultura geral; isto para podermos ampliar a visão de qualquer cidadão e que as novas gerações tenham o despertar para a conquista da sabedoria como fonte de qualquer riqueza duradoura. Intolerância, inflexibilidade, extremismo, divisionismo, fanatismo, radicalismo, insensibilidade, descriminação etc., são consequências e sinais de atraso e ocupação da mente por níveis baixos do pensar, sentir e agir, são doenças que podem atingir qualquer pessoa independentemente da classe social e comportamentos típicos dos fisiológicos e egoicos que, não sabendo dialogar, só possuem como argumento a violência, a provocação e o conflito, o que nunca é solução para nada, mas a fonte de pessoas depressivas, frustradas, contrariadas e com grande preferência pela negatividade e suas expressões múltiplas. Com a mente confusa e despreparada, a visão do mundo também é confusa e decadente, daí a adoção de padrões baixos, do nivelamento medíocre e de ideias pequenas, o que não é bom para ninguém.


No mais, o que o cidadão comum espera é mudança no sentido de ver honestidade na gestão pública, coerência, progresso, ordem, respeito à Lei e a Justiça para tocar sua vida de acordo com seu talento e oportunidade sadia e útil para a continuação e prosperidade da vida.  Sem mentiras. O cidadão comum não gosta de politicagem porque ela implica desigualdade e promove injustiça. Todavia, o combate à politicagem, que anda sempre com a corrupção, não deve se converter em ataque à política honesta, meio democrático para se carrear os legítimos interesses de cada comunidade, para se acabar com a miséria. Quem gosta de miséria é intelectual, porque confunde a mesma com pureza, simplicidade, honestidade e outras. A vida é feita de procura pela prosperidade pessoal.


Alea jacta est! Que o leito, a nível federal, possa resistir às pressões da gente que o cerca e das coligações que desejarão usá-lo enquanto no Poder.        



Odilon Reinhardt .  3.11.2018