domingo, 3 de março de 2019

O dia a dia que a tudo pode engolir.


















                                   O dia a dia que a tudo pode engolir.

                               A mesmice ameaçadora na Terra do Mais uma Vez.  









Cedo para cobrar, cedo para desesperar. Dar tempo ao tempo, mesmo sabendo que o Brasil devora o Brasil a cada dia. Gargântua e Pantacruel sugam a vida nacional, mesmo que os tempos prometam ser outros, pelo menos em ar novo e esperança de que reformas modelares possam acabar com a cultura política e social que tem sido praticada com altos danos para a Nação. Créditos são dados ao combate tanto à velha política quanto aos velhos hábitos de barganha e de fazer do Governo o tradicional balcão de negócios dourados e cobertos de até agora iludida impunidade. Ilusão que já vai se desfazendo e espera-se esteja sendo desmotivada a cada ação da Polícia Federal e do Ministério Público. 

Desacreditar os velhos hábitos é o desafio do dia a dia para o Governo. O vício cultural quer ser mantido por grupos de interesses, sectários, autoritários e arrogantes, corporativistas, que não querem largar o osso. Até agora não ficou bem claro, se na raiz das denúncias contra a corrupção, não há ou havia, no íntimo, uma sensação de injustiça pessoal no sentido de que o denunciante sentia-se deixado de lado enquanto a roubalheira privilegiava só alguns grupos. Afinal, num país onde se diz que todo mundo “rouba”, porque só alguns ficam de fora? Não seria um tipo de injustiça a motivar a vingança e a denúncia? .

Num país onde as eleições mostraram que quase 50% dos eleitores acha que a monstruosa corrupção revelada era ato normal e sua eliminação não era prioridade de reforma, não é de se estranhar que a resistência seja grande. Assim, a continuidade do modo de ser corrupto, veladamente defendida por certos grupos, reflete parte do comportamento social comum, muito preocupado com seu umbigo, suas frustrações pessoais e suas revoltas contra o sistema que creem seja o causador de tudo. Pouco se pensa no futuro da Nação ou qualquer assunto coletivo. 

Neste contexto e caldo social, o cidadão comum, na posição de trabalhador, contratado ou autônomo, segue ocupado com sua sobrevivência; segue a lógica da necessidade; é pedir muito, que ele se concentre na atividade política do castelo, do qual sabe notícias através de janelas entreabertas por onde escapam aparências, sombras e luzes, que jamais permitem a visualização do todo. E quem tem acesso às informações, mesmo que  em meias verdades, e promove uma visão da realidade com se fosse jogo de quebra-cabeça, é a imprensa, sem a qual nada seria conhecido.  Quando ela silencia, nada se pode saber. Quando divulga algo, o faz no interesse de alguém, pelo que raramente é independente. A imprensa exerce seu supremo poder de fiscal, arbítrio, tolerância e ataque. Em muitos casos trabalha a favor de quem paga e muda de roteiro como e quando convier. Um minuto de palavras negativas contra alguém e este alguém já era. Seja lá como for, a imprensa é imprescindível, assume a posição de visor geral, um Big Brother sem muita estima; o eleitor dela depende para formar sua opinião, e esta advém do que o âncora da TV mostrar do pico do iceberg da vida no castelo. 

Portanto, ao cidadão amassado pela rotina, pouco é revelado. Pouco se sabe do miúdo, das entranhas da política e do poder sujo da poeira das tramas  entre empresas e almas interesseiras do mundo da “representação” em suas alcovas corruptas. É a promiscuidade danosa, sempre tramando a favor da continuidade da farra com o dinheiro do Tesouro.

Aos eleitos pelo voto e seus eleitos sem voto é entregue a carta branca, o cheque assinado para governar segundo as regras e costumes da cultura política que veio se formando.  Tradicionalmente em tal cultura, em alguns casos, há até uma velada autorização para “roubar”, assaltar. E por muito tempo este foi o alvo da oposição até tornar-se situação, ocupando o Governo para fazer seus “negócios”. Dizia-se “agora é a nossa vez...”. Oposição e situação se revezavam na mesma intenção há anos.

Sem embargo quanto à qualidade da imprensa, sem a TV, o jornal falado, o cidadão pouco saberia. Desse quadro de alienação, sempre tiraram proveito, por séculos, os políticos e governantes, fazendo do Governo dos três níveis, o seu balcão de negócios intrapoderes e externos, o seu eldorado, sua fonte eterna de fortuna. Valeu o umbigo, o ego megalomaníaco e irresponsável. O ganha-ganha, os jogos de poder e a esculhambação de cruzamentos de interesses na vida pública, o fascismo, as mentiras de esquerda e direita, da situação  e da oposição, sem qualquer preocupação com a população e suas necessidades, sem qualquer compromisso com a Nação e seu futuro. Uma tragédia humana que agora fez o dia, com gerações e gerações sendo condenadas a um futuro muito louco. Sempre valeu a fórmula diabólica, até que se visualizou o fim do poço, o prato vazio, o bolo e seu término em migalhas. Mesmo assim, quase 50% dos eleitores achou que estava tudo bem. Cegueira maior, nem a do cego.

Agora aos eleitos de 2018, as ruínas, o juntar dos cacos, o desafio do resgate, o endireitar das rotas, o recuperar das forças para salvar, em primeiro lugar o Leviatã de 519 anos, onde vivem e se alimentam os muitos alienados deuses, os supercidadãos, os nobres concursados ou não, os ditos “poderosos” e as “autoridades” que se creem eternas, as quais lutarão com unhas e dentes para manter-se intocáveis na defesa de seus balcões e clientelismo no jogo entre Poderes. A realidade é feita de um Poder Executivo deteriorado, violentado, roubado que agora assume o papel de prioridade de salvação; a energia para tal é enorme e desnorteia os eleitos em sua sinergia de grupo governante. O embalo inicial e toda uma força de novas ideais é gasta porque o Leviatã tem suas manhas e gosta de comer almas e ideais novas numa espécie mensagem que diz aos estreantes que quem manda são as consequências e inconsequências dos governos passados. Assim as medidas de “arrumar a casa” são uma liturgia imposta aos novos governantes; o perigo real é quando estes começam a ser engolidos pelo dia a dia que o castelo lhes oferece. E nesta etapa inicial, sempre comete-se o exagero de se dizer que se uma outra medida não for aprovada o Brasil acaba, o Brasil vai ao caos; deseja-se identificar o Brasil com as contas do  Governo,  tudo para justificar o esforço de conservar o Leviatã. Nunca falta o ameaçar o povo com mais este fantástico perigo. Ora, a realidade do Executivo é um item do Governo total e o todo vive de impostos. O Executivo pode entrar em crise e parar, mas a fonte geradora de tributos, a máquina privada produtiva é no mínimo 70% maior do que o Governo total. A riqueza nacional da iniciativa privada é maior e mais rica, ela dificilmente pararia por si só. Vive em crise, vive com problemas justamente porque o Leviatã a atormenta e dificulta-lhe a vida. O Leviatã é questão de moral, ética em gestão pública. Ademais sua concepção é que deve ser reformada, pois nasceu em outra época e a de hoje já não a aceita como centralizadora e distribuidora de verbas, as quais são usadas como instrumento de política partidária e poder.      

“A latere” desse problema, quem está doente é a Nação. Seria um grande erro de avaliação entender que o problema é só administrativo, financeiro e econômico. O problema é humano, é de analfabetismo, é de falta de valores bons, é de cultura. Como grupo humano, chegamos a uma esquina histórica e é para valer. Nem virar à direita nem à esquerda importa agora. O importante é ir em frente, ser pragmático e atender à necessidade de proteger o futuro. Até hoje neste país, a ideologia não teve sentido, mormente porque perpetrada por pessoas que vem do mesmo saco de farinha e com a mesma intenção. O essencial agora é dar um passo à frente e garantir o futuro das gerações que hoje assistem a tudo sem ter consciência de que têm sido as vítimas de tantos engodos de moda, som , cor e modelos libertários inconsequentes. Quando há protestos pensa-se que as vítimas agora acordaram, mas o engano é logo revelado, pois é mera manifestação de revolta por pontos pouco relevantes para não dizer insignificâncias do dia a dia.

Diante do analfabetismo gigantesco da população, o Governo, uma vez eleito, em tese, só conta com um supervisor, a imprensa. Se esta deixar de ser independente e não apontar a falta de qualidade, eficácia e legitimidade das ações de governo, pouco será sabido pelo eleitor. Pela situação gerada na gestão pública,  aos governantes cabe em primeiro lugar o Leviatã, o sugador de impostos, o metido em atividades múltiplas para gerar propina, o devorador de ideias e o incinerador de projetos. Os governantes estão livres para governar ao seu bel prazer e ideias, podendo dispor do Poder como desejarem, mas terão que gastar preciso tempo em ajeitar a casa.  Ao eleitor cabe esperar resultados da esperança depositada. Facilmente o cenário financeiro e econômico toma conta e mais uma vez esconde a realidade humana que está por trás de toda esta tragédia administrativa. A imprensa preocupa-se com os noticias do dia a dia e 98% delas estão envolvidas com fatos e fotos do castelo, a porcentagem restante refere-se a previsão do tempo, violência e fatos cotidianos de menor expressão. Não cabe à imprensa, como supervisor da realidade, o papel de professor de filosofia, moral e cívica, mesmo que alguns ancoras de TV desempenhem este papel por questão de talento e estilo pessoal. O momento e quase todos os instantes é ocupado por notícias de ações do Governo e seus políticos e entopem a casa do expectador com apreensão, medo, instabilidade e insegurança coordenada.  

O desafio da gestão atual é efetivamente grande: vencer o dia a dia do castelo,  cultura política, a cultura social, o modo e mecanismos usados para defender interesses, o analfabetismo vestido de comportamentos privados, os quais só sabem corromper para conseguir vantagens contra a concorrência de mercado. É parte do desafio, vencer as investidas e cercos montados pelos corruptores e o ego de ganância, os quais não têm pátria nem nação, só suas empresas e interesses comerciais contra a empresa concorrente. São os que defendem a redução de impostos, o livre mercado e a livre concorrência, mas são os primeiros a procurar vantagens junto aos eleitos. Ética e moral são os últimos itens em cada cartada. O objetivo foi sempre a obtenção de benefícios e vantagens contra a concorrência. Corrompem, lançam mão de balanços maquiados, da protelação de despesas, principalmente as de alto custo, que possam comprometer dividendos e diminuir a imagem na Bolsa de Valores. Se a estratégia der errado, o percentual de reparo é mínimo parente o ganho. Um país de empresas, assim sujas, só pode esperar a lama do destino.

Não podendo fiscalizar a contento a administração de milhares de empresas, o Governo, pelo menos, pode começar a desacreditar o vício de as empresas corromperem autoridades e a fiscalização. Já será um avanço substancial impor nova conduta entre Governo e empresas, porque estas é que antes de tudo corrompem. São o centro do problema, o foco a ser trocado. Não é fato brasileiro, é mundial. Só que para nós é letal. É necessário extirpar este mal que em 519 anos, só enfraqueceu o país, condenando a população à miséria e ao analfabetismo e a empresa nacional honesta à falência ou estagnação.

São os negociadores, os representantes, os gerentes de empresas que são cidadãos comuns a serviço de seus negócios e patrões e nesta função não abandonam nunca suas características culturais de pessoas comuns: corruptas, brutas, antidemocráticas, autoritárias, prepotentes, egoísticas, frias e calculistas, fisiológicas, morais quando convém, bajuladoras, corruptoras, conservadoras quando oportuno, hipócritas. A ética e a moral são vistos como problemas e itens antiprogresso para muitos. São os que sustentam financeiramente as campanhas eleitorais e esperam beneficiar-se do Poder a qualquer custo.

 Como esperar o contrário, considerando que as pessoas são o resultado do sistema educacional formal ou sistema familiar que frequentaram.

Faltou educação de qualidade. A mão de obra é falha, viciada e seguidora. O analfabetismo está na cabeça do empregado, do gerente, da cozinheira, do político do local, no balcão da repartição pública ou do açougue, na padaria e no serviço da clínica. É uma praga modeladora. Neste quadro, será sempre difícil demonstrar que a imposição de propostas sem debate é atitude danosa e que o melhor é o diálogo propenso a fazer valer a melhor ideia como solução democrática.

Como se vê, ao Governo maior, cabe antes a reforma das cabeças, do modo de ser e agir. Isto é possível dando exemplos, mostrando atitudes, convencendo quanto a valores do respeito ao Próximo em todas as facetas da vida nacional, respeito ao interesse público para a Nação. Esforços mais duradouros exigem uma estrutura maior e constante ao longo do tempo,a Educação. Açodado pelas necessidades do presente, as prioridades materiais são as mais evidentes, de modo que o Governo, sendo um provedor e um fazedor materialista, tende a ir deixando a Educação para segundo plano. Educação demanda tempo, não dá voto e seu resultado é subjetivo, mas sempre se tem notado que o país perde muito em qualidade por falta de Educação. Em todos os setores de atividades ,até hoje, sempre se observou que se um projeto qualquer é feito sem amor ao Próximo e à Nação, certamente um dia revelará sua ideia nefasta através de consequências desastrosas, espiritual e materialmente.  A mentira continua a ter pena curta, muito embora em termos de estratégias nacionais, algumas mentiras só aparecem décadas depois e a impunidade é garantida.

Afinal, até agora, este é país do remédio falsificado, do leite adulterado, do combustível batizado, dos produtos industrializados com química temerária, da carne com bactéria, da obra paga, mas inexistente, do serviço pago a firmas de fachada etc. etc. Em tudo há golpe e fraude.

O desafio para transformar isto tudo em energia positiva de progresso e prosperidade é, portanto, gigantesco, mas valerá, no dia a dia, desacreditar tal cultura, substituindo-a por modo menos selvagem. Em 519 anos de História, pouco se alterou em termos de condição humana. Saímos da escravidão física de índios e afros, saímos da miséria absoluta como regra, mas permanecemos fisiológicos e egoístas.  Não muito distante de qualquer centro urbano, pode-se ver o Brasil no dia a dia de séculos passados. Uma miséria e tragédia humana que poderia ter sido evitada. E alguém ainda ousa falar em implantação de ideologias autoritárias de falácia utopiana e antidemocráticas. Um delírio ideológico, como em tantos casos que nos remetem a discussões políticas e teológicas de 600 anos atrás. Aliás, aqui nem a transição do rural para o urbano está definida e por vezes ainda há discussão se o Brasil deve ficar agrário ou industrial, discussão que nos EUA deu-se por volta de 1780 entre Hamilton e Thomas Jefferson. E por tantas outras discussões, básicas e já resolvidas em terras mais evoluídas, que vemos no país, parecemos estar por vezes na pré-história da evolução do pensamento humano. Nem se toque no aspecto religioso atual. E ainda vale citar Nelson Rodrigues que disse ”o Brasil conhecerá a selvageria, antes de chegar à civilização.“

A questão aqui é falta de valores de preenchimento intelectual, de cultura universal, de espiritualidade e humanidade e de amor à Pátria, tudo por falta de Educação de qualidade.

Que as reformas venham, que sejam estruturais, que o Governo tenha sucesso, que o país faça a base para prosperar e o país tenha produtos úteis e de qualidade para si e para o mundo, porque hoje pouco temos a oferecer em troca ou venda, que não seja direto da natureza e da roça, sempre com tremendo impacto ambiental. Perdemos pela Educação, pela falta de tecnologia e não passamos de uma feirinha de eletrônicos importados e consumidores de bugigangas de US 1,99 e da condição de exportadores, quando e se o real for desvalorizado.

Ficamos atrasados na Educação básica, aquela que o povo precisa; não avançamos na Educação média e a superior é sofrível. Um reflexo disto esta na realidade de podermos estar sendo condenados a continuar com milhares  de empregos que a tecnologia já poderia ter eliminado, permitindo que as pessoas possam evoluir para funções melhores. Talvez muitos empregos, que não existam mais no mundo desenvolvido precisem ser mantidos, para não gerar desemprego. A falta de Educação de qualidade, que desperte o talento de cada um, gera escravidão. A falta de melhor qualificação pode já estar nos condenando a décadas futuras de atraso, o qual será politicamente necessário, acredite quem quiser.

E pela mesma estrada, perdemos até agora o tempo de vencer no mundo pela nossa identidade nacional, porque o atraso conquistado, só vale para o tupi do passado, não vale nada para o sistema de geração de divisas, e participação na riqueza mundial. Acho que ficamos sem importância por não ter investido em Educação, na sucessão e nas gerações futuras. Já passou há décadas o momento de querer dar ao país uma identidade indígena, como queria o movimento iniciado na  Semana de Arte Moderna de 1922  e como queriam Assis Chateaubriand e outros ou uma identidade afro, como queriam movimentos no governo anterior. Hoje somos o resultado da idiossincrasia cultural e populacional, somos síntese do mundo e com isto é que vamos para o teatro internacional.  Se há vantagem ou não nisto, o futuro que o diga , pois até o presente tudo está difuso e sem cor. 

A questão que se põe é qual a porcentagem da população de 96% de analfabetos tem mais de 30 anos e jamais poderá sair de tal condição de ignorância, tendo que apelar para o crime e a violência como meio de sobrevivência. Se a corrupção nas suas variadas formas é regra, porque a violência não seria?  A que ponto a mão de obra, qualificada ou não, poderá corresponder a uma economia que produza para fazer face aos produtos de um mercado mundial?

Neste cenário que mereceria planos sérios e estratégicos, a verdadeira prioridade não seria a Previdência, se a economia estivesse girando com sucesso. Ficou sendo a prioridade por causa da crise econômica, da falta de pagamentos por parte dos empregadores púbicos e privados, da falta de geração de empregos. A corrupção, a má gestão, a recessão e a depressão econômicas e o erro de concepção do sistema, unindo Assistência social e Previdência Social na Constituição de 1988, fizeram agora esta prioridade.  E o novo Governo começa a dobrar-se, ajoelhar-se ao Leviatã aceitando o jogo de sempre; cai na conversa mole das coisinhas e assuntos menores do dia a dia. Marra-se. O truque é velho, o castelo é manhoso e quer engolir qualquer um que desafie suas rotinas e salários. 

Em vez de o Governo e sua Diplomacia estarem se ocupando com o mercado exterior, com a modernização da indústria e serviços, com a qualificação de mão de obra futura, com a ciência e tecnologia, com a geração de riquezas e empregos, com o desenvolvimento de produtos que sejam interessantes ao mundo e a sociedade, estão concentrados na reforma da Previdência como salvação, quando na verdade os resultados de tal reforma, se aprovada, levarão décadas para surtir efeito. Até lá, o Leviatã poderá ter engolido muitos governos e a cultura política e social terá evoluído sabe-se lá para que patamar de miséria. 

O esforço de se concentrar tanto na reforma da Previdência, sem alterar a sua união com a Assistência Social, ou seja, a raiz do problema, conduz a pensar que é uma reforma para agora e no futuro haverá outra necessidade de reforma. Mas,” en passant “, se o país se tornar rentável, obtiver progresso, participar de exportações mundiais, captar riquezas no exterior, for resgatada as bases sólidas para uma economia próspera, e puder, enfim, promover os objetivos constitucionais a favor da população, muitas questões e inclusive a Previdência ficarão entre os itens de pouca preocupação. Numa economia rica que gire com riquezas novas, em que haja prosperidade e empresas e Municípios paguem a Previdência em dia, esta não é problema e pode bem ser ajustada ao longo do tempo.  

Todavia, observe-se que o exagero em colocar que a reforma da Previdência é essencial, justificando que se não passarem as reformas o Leviatã passará fome, os vencimentos de altos funcionários ficará ameaçado, e deixar assunto mais relevantes e imediatos para segundo plano é muito curioso e talvez esteja sinalizando que o Brasil não obterá sucesso comercial na próxima década.  E assim sendo, permanecerá restrito a sua produção interna, ao seu consumo interno e receita tributária nos patamares de hoje; continuará na posição de vender produtos da roça e pedras ou do que com elas possa se fazer com tal matéria prima nas nações industrializadas.

 Somente neste contexto de estagnação, muitas das pretendidas medidas de reforma e contenção são justificáveis. Cortar as gorduras, procurar moedas nas gavetas, garantir consumo interno com liberação de saldos de contas como PIS e FGTS, vender patrimônio, privatizar etc. são medidas atuais, recursos desesperados para manter o nível de consumo e a receita tributária, mas esgotáveis, pois logo o dinheiro acaba e volta-se ao mesmo ponto inicial. Mesmo que se coloque que a aprovação da reforma da Previdência é um marco a partir do qual toda a economia passará a reagir e o mundo será diferente com mais confiança, estabilidade e perspectivas positivas, o Leviatã exigirá mais e mais e seu nobres não hesitarão em amassar a população em busca de preservar seus altos salários e cargos de influência. À população cabe habituar-se a tal rotina e ao consumo de bens e serviços de quinta qualidade a preço de dólar.   

A esperança é que o Governo consiga esmo reverte este quadro, com ou sem aprovação da reforma da Previdência, fazendo reformas estruturais para eliminar culturas do atraso, ideologias negativistas e mostrando incentivo ao progresso material e intelectual dos cidadãos.  Se no conjunto de cidadãos, o pensamento é pequeno e negativo, estas serão as características da colheita futura. Cabe ao Governo estabelecer novos padrões, novos modelos de prosperidade que libertem o povo da pobreza intelectual e material e que cada cidadão sinta-se livre para empreender com segurança e objetivos legítimos e prósperos.

E então, as dúvidas quanto ao sucesso do Governo sempre advém da mesma questão: como promover reformas sem priorizar a Educação de qualidade? E mais, como qualquer resultado em Educação leva no mínimo de 25 a 30 anos, a sensação é mesmo de a gente ter perdido o trem da História?

Educação não rende votos, mas leva à pobreza intelectual, a pior das misérias humanas; leva à mão de obra sem condição de ascensão funcional ou ao sonhar com objetivos pessoais superiores. Mas políticos nunca pensaram nisto, pois a cultura os leva a focar no umbigo, na reeleição, no espírito retardado da falsa realização e na megalomaníaca sensação de ser poderoso e inatingível.

Agora o que vemos é o resultado de tal cultura inconsequente que terá que ser alterada pela força da honestidade praticada, amor ao Próximo e ao futuro da Pátria.

As reformas estruturais terão que ser feitas com a casa funcionando, com a máquina trabalhando, pois nada pára, o país tem a vitalidade e energia privada, é só colocá-lo na estrada certa. Os vícios do castelo e sua  burocracia é que em grande parte têm amarrado o país.

A ameaça é de o dia a dia começar a engolir o espírito de reformas necessárias e tudo tornar-se a mesmice do impossível. Há sempre este perigo de a carcomida cultura política e social começar a exigir que sejam respeitadas suas origens do politicamente correto. Mais uma vez temos o perigo real e imediato: a antropofagia que engole nosso futuro.  A mesquinhez dos assuntos menores toma do Governo o tempo precioso de pensar e tomar atitudes concretas quanto ao futuro.

Odilon Reinhardt  3.3.2019.  
























domingo, 3 de fevereiro de 2019

Herança secular e regular embaraço.







                          


                                                  
                                     Herança secular e regular embaraço.









E novamente os restos, as reminiscências de gestões no Estado gigante, centralizador, caro, explorador, estão a ocupar o Governo. Todas as cabeças e cérebros pensantes, focados na necessidade de cuidar do Leviatã e mantê-lo alimentado; uma máquina devoradora de esperanças, que facilmente amassa e consome idealistas .

Claramente, toda uma equipe de Governo propondo medidas para garantir as contas públicas; o novo, a reforma, o espírito, que gerou promessas e propostas, esforça-se para não serem engolidos pela tal máquina pública e seu alto custo com o funcionalismo e o desperdício. Eis a cornucópia, o atoleiro, a roda vida em que a ideia de renovar atola-se.   

Boquiaberta fica a população, antes esperançosa e “naïv”, diante do bate –boca, das propostas com as quais já desconfia que nada sobrará de bom a não ser o papel de pagar impostos para manter muitos órgãos que passaram a funcionar só para dentro na eterna máquina de papel da burocracia e seus controles, tradicional e rica pagadora de alguns nos jardins das delícias do Poder. 

A cena é tradicional e secular. O castelo exige mais e mais recursos e os estropiados vilarejos se depuram para providenciar os meios. A história é a mesma. O aldeão que trabalhe mais, que pague mais, que se sacrifique mais, que produza mais, que morra mais.

O fato é que nosso Estado tem órgãos que estão ainda no Brasil da monarquia. Muitos de seus integrantes vivem alienados do país que os paga, têm a vista embaçada em sua burocracia, refestelam-se em seus benefícios e salários e o ego de seus nobres ocupantes tem momentos de céu antes do inferno. O Brasil em alguns nichos é o Brasil de 1800. É dantesco, arcaico, barroco demais . Tem ilhas como aquelas perdidas e fora do roteiro dos navios e a cada ano perdem relevância para o mundo e suas necessidades.

Assim, qualquer ideia de reforma deve voltar-se para dentro da máquina administrativa dos Três Poderes e ali criar uma mentalidade nova de trabalho e serviço, através de leis e regulamentos que gerem um sistema que condicione os comportamentos. A persistir o que existe, chegaremos logo ao tempo em que não teremos meios para sustentar tal “modus vivendi”.

Temos que admitir que este é o status existente de nosso  “establishment”, produto cinzelado em nossa evolução institucional que através de regulamentos, leis, instruções, portarias etc., foi construindo o modelo de funcionamento dos órgãos públicos, onde os funcionários devem se enquadrar sob pena de enfrentar a punição. O sistema de hoje, fruto de muita vontade de se aposentar logo, desmotivação funcional, incompetência, protecionismo e corporativismo etc., foi o que os nossos mais intelectualizados concursados produziram; todavia, é necessário reconhecer que todo este “modus vivendi” perdeu sua validade para os padrões do mundo atual desenvolvido, no qual temos agora a pretensão de nos incluir. 

Sim, a inclusão desejada é a solução para trazer divisas, riqueza nova. A inclusão deve ser resultado da nova diplomacia. Que esta tenha produtos da iniciativa privada para oferecer. Produtos com valor agregado, fruto da industrialização limpa e competitiva. Nosso tamanho continental merece mais do que exportar minérios, soja e itens exóticos. Não podemos continuar a desvalorizar a moeda para vender mais porque só assim nossos produtos ficam mais baratos frente a concorrência. Hoje, apesar de nosso gigantismo,  pouco temos a oferecer ao mundo. O século passa, o tempo passa e ainda continuamos a exportar as mesma coisas e a querer recuperar o espaço de produtor de café. O mundo mudou e a nossa cara no mundo é a mesma. Esquecemos da Educação e da ciência. Não inventamos nada .

Ou exportamos mais e ganhamos divisas ou ficamos produzindo o mesmo para o mercado interno e nos contentamos com as minguadas sobras da balança comercial. Depender do mercado interno para crescer nos coloca perante o pobre consumidor interno e vimos o resultado da política desastrada de querer depender do mercado interno para garantir crescimento e aumento de arrecadação. Ademais a população está ficando velha e consumirá muito menos.

Para exportar produtos que possam chamar a atenção do mundo, a burocracia dos órgãos públicos, desde a abertura de empresas até a efetiva produção, parece ser o grande empecilho. A falta de mão de obra qualificada, decorrente da nossa Educação, é uma tragédia. O analfabetismo aumentou em relação a 1910.  A carga de impostos, da qual o Governo depende inteiramente, sufoca qualquer iniciativa. O Governo parece, em alguns aspectos, torcer contra a iniciativa privada, usando um jogo de luzes e ilusões.

È certo que mudanças, reformas geram desconforto, desafios, incomodo, readaptações, alterações e muitos não gostam disso. Há um jargão que denota o atraso cultural: “não se mexe, em time que está ganhando”. É a pandega institucional. Veremos, portanto, resistência por parte do corporativismo nos três Poderes, ressaltando-se que quem quer mudar é do Executivo e gente vinda de fora da Administração. Veremos por muito tempo as consequências de séculos de assistencialismo e populismo que sempre se alimentaram mantendo sua clientela como vítima incapaz de mudar e prosperar. Afinal eram eleitores de caderno. Acima de tudo, veremos os efeitos do paternalismo, marca registrada das nações latinas, onde se espera que tudo caia dos céus, da janela do castelo, sem que nada se precise fazer. Também as consequências do continuísmo do “agora eu vou me fazer” por parte de certas pessoas que ao assumir função pública não hesitam em fazer seus “negócios”.

Diante de tais mazelas e com tal mão de obra, o espírito reformador de alguns dos eleitos, pode perder-se em atitudes meramente cosméticas, algo como as medidas de Jânio Quadros: proibição de biquíni praia, proibição de briga de galo, mas atribuição de medalha a Che Guevara etc. É como encerar o carro , trocar os pneus, mas esquecer do motor e sua revisão ou retífica. É fácil o Leviatã começar a engolir os reformistas, se estes como o tempo passando, se acomodarem-se às rotinas palacianas, enquanto a Economia  não cresce.

É necessário reformar a Administração Pública para adaptá-la aos novos tempos. Muitos dos princípios e práticas utilizadas não deram resultados. Entre ao pontos decadentes temos, por exemplo, os altos  salários para evitar a corrupção. Ora, medida semelhante já era prevista na Utopia de Thomas More , onde se pode ler:  “ Suprimir o fausto e a representação nos altos cargos ( a fim de que o funcionário, para sustentar sua posição, não se entregue à fraude e à rapina) a fim de que não seja obrigado a dar aos mais ricos os cargos que deveriam caber  aos mais capazes. “ Isto mostra  que a problemática ligada aos cargos públicos, salários e corrupção não é de hoje. Com a volta da meritologia já se pode esperar algo melhor. Muitos são os itens que merecem revisão, mas todos estão intimamente ligados a mudança de cultura.

Modernizar o Estado, sua gestão. Espera-se que novos métodos sejam empregados e os objetivos de eficiência e racionalidade no serviço à população. É um meio de criar nova mentalidade, caso contrário, a nobreza bizantina dos altos escalões continuará mamando sem ser cobrada e sempre protegida pelo seu corporativismo e intocabilidade no “prestígio do cargo”. 

Com a estrutura montada por décadas para centralizar as verbas, dar emprego e controlar a vida em seus vários aspectos, o Governo habituou-se a meter o nariz para além das atividades de Saúde, Educação  e Segurança, as quais são hoje um desastre quase total. E metendo-se em atividades outras, visava a realização de obras e logo veio a tentação de colher recursos ilícitos a título de propina. Os interesses particulares tornaram-se oficiais e por consequência públicos. O importante era fazer obras e contratar serviços para receber propina. Não importava onde, quando ou o porquê da obra ou serviço, pois o que importava era a propina. Resultaram serviços e obras paradas, incompletas, de má qualidade, pagas e não feitas, superfaturadas. Não bastasse isto, o Estado, que prima e é rigoroso no concurso, na concorrência, em qualquer seleção, sempre descurou na fiscalização e na manutenção das obras e serviços. A obra nova é inaugurada e entregue ao uso, mas logo, por falta de manutenção, entra em decadência. Uma tragédia nacional. É esta mentalidade que existe e precisa também ser eliminada. Obra nova tem que ser interesse público desde o projeto até a hora da manutenção. 

Quanto ao impacto de toda uma mentalidade atrasada no país, muita energia é desperdiçada para montar e manter estruturas ineficientes em todos os setores.

Que o espírito reformador não se perca e ajeite a estrutura do aparelhamento estatal para que funcione para a Saúde, Educação e Segurança, deixando de fomentar um Estado gigante, centralizador, que escraviza as demais Unidades federativas, tornando-as miseráveis pedintes. Que a União seja respeitada pelo seu mérito, pelo poder de regulamentação e coordenação, mas não pelo simples fato de ser a dona das verbas a distribuir.

A oportunidade é histórica, a mudança é relevante e de urgência. Não pode a União perder tempo como o cão que caça a própria cauda. Depois de tantas décadas de conturbada vida, mentira, fascismo, teatro e comédia, ópera –bufa e corrupção, quase chegamos ao fundo do poço. O sistema existente é e sempre foi ruim, e como tal, arruinou-se por si só. Acostumamo-nos ao baixo nível de tudo, à mediocridade, ao intelectualismo fajuta, ao discurso de efeito, até aos produtos importados de péssima qualidade mas que destruíram a indústria nacional.

Com a volta da meritologia, espera-se o melhor. É a última cartada. Espera-se melhor planejamento, sem erros estratégicos. Espera-se a eliminação da cultura do “ agora eu vou me fazer”. Agora o ideal seria  a adoção da cultura “ agora eu vou contribuir para a  minha Nação”. Não há mais a chance para quem quer “mamar” às custas do Tesouro. Este modelo de Estado, centralizador e pai de todos, faliu. Espera-se a montagem de modelos que signifiquem reformas contundentes.

Nesta hora, supostamente, a equipe do Governo Federal é constituída em sua grande maioria dos melhores, dos eleitos pelo mérito e curriculum. É o que sobrou para a reconstrução. Se esta equipe falhar, talvez não haja mais chance alguma. Nem os índios vão desejar cuidar do que lhes sobrará .

E tudo num país livre de ideologias, porque isto pouco importa. O cidadão honesto quer: condições para prosperar, ter um ambiente social com estabilidade, justiça ( igual para todos) , segurança a qualquer hora, educação formal para os filhos, honestidade, e principalmente a ausência da perturbadora sensação de:  estar sendo enganado, de seu futuro estar sendo comprometido, de o país não estar indo a lugar algum, de o país estar ficando para trás. Ademais, qualquer ser humano quer trabalhar, ganhar seu sustento, realizar seus sonhos; não quer ser tratado como vítima, tampouco quer ficar preso a sua realidade financeira, pois quer prosperar.  Miséria, quem a adora é o intelectual e o político pensando em seu curral eleitoral; o povo quer riqueza, luxo e ostentação.

O Governo reformador que fique de olho aberto, a “velha política” está aí viva em todos os estados e Municípios e nas suas entranhas também. Os políticos “antigos” são os atuais, os mesmos, conduzidos pela mesma cultura, pelo mesmo sistema. É o que conhecem. Logo esquecerão o que prometeram na onda eleitoreira de 2019, logo poderão engolir o dia a dia do Governo, pois continuarão na prática pequena de proteção do próprio umbigo, mirando a reeleição, pouco pensarão no futuro do país e da Nação. Novos representantes estarão mais perdidos do que cegos em tiroteio, velhos representantes refestelar-se-ão no seu reinado nos jardins das delícias do Poder.  Vale o antigo ditado: “um olho no prato, outro no gato” ou talvez tenha havido uma mudança “ um olho no rio, outro na represa” .



Odilon Reinhardt. 3.2.2019.              



      



  













  














































quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Agora vai...? Tem que ir.










                                                                                            
                                                       Agora vai...? Tem que ir.





O desafio está diante de todos. Vencer forças internas de grande calado negativo. Agora não são as forças externas, alegadas por Jânio Quadros, como justificativa para sua inesperada renúncia. São forças internas que não são de hoje, ao contrário, são ervas daninhas, brotos do subdesenvolvimento, cancros da cultura, do social e da política, que caracterizam o modo de ser e do fazer predominante e cuja eliminação agora se apresenta como desafio para o futuro, são pedras no caminho que devem ser eliminadas.

Certo que as eleições recentes não possuem o condão de purificar os eleitos, ungindo-os com a santificação e colocando-os, como que por passo de mágica,  na galeria dos honestos, dos puros, dos justos, virtuosos patriotas, mas há uma vontade popular, pelo menos de 50 % da população, de  lavar o país , de mostrar novos tempos, novo norte. 

As manifestações do eleito para a União, honesto em seu propósito, patriota em sua missão, demonstram determinação em mudar, reformar. A questão é saber se os governadores eleitos, alguns adotando o mesmo discurso reformista, também poderão implantar uma gestão administrativa que altere substancialmente o modo de agir que sempre contaminou e corroeu as bases  de qualquer governo. Espera-se que não tenha sido um mero e comum oportunismo demagógico eleitoreiro ter adotado o mesmo discurso do candidato para a União. Os eleitos, mesmo os mais idealistas e bem intencionados, conseguirão vencer ou controlar a natureza de seus colaboradores? Conseguirão evitar a continuidade das práticas do ”toma lá-dá cá”, do“ fazer negócio”? Terão sucesso em mostrar um caminho melhor para estas pessoas tão contaminadas pela cultura onde nasceram e cresceram?

Eis o desafio, talvez o maior da História. Uma verdadeira revolução cultural, que mexerá com interesses muito grandes de grupos que atuam na legalidade e na ilegalidade. Equivale a reformar o carro com ele em movimento.

Que os eleitos fiquem de olho em seus assessores e equipe de governo. Lembre-se que a vida de assessores e conselheiros mereceu na Divina Comédia o canto XXVII, onde na oitava vala do Círculo oitavo do Inferno eram jogados os conselheiros fraudulentos e ocultos.  E no Canto XXVIII, na nona vala do mesmo Círculo, estavam os semeadores de ódios, divisões e discórdias entre pessoas e povos. Isto demonstra que a gestão pública e a vida dos corredores palacianos sempre foi objeto de espanto e indignação por parte da intelectualidade. Deve-se agora quebrar esta continuidade e usar a tolerância zero para a corrupção.

Será uma ação permanente de contrariar interesses e colocar sobre tudo o interesse público pelo bem do Brasil. Que sejam interesses públicos, efetivamente públicos. Que se acabe com a continuidade de se fazer da gestão pública uma ação entre amigos com esquemas privados de intenção duvidosa e que se tornam oficiais. Chega desse sistema, chega desse Brasil.

Certamente a mentalidade e o comportamento, que informam o modo de se fazer negócios na sociedade, decorrem de um sistema legal e de suas lacunas. O Governo tem o poder de aprimorar a lei, pois, é ela que gera e orienta, as ações no Brasil formal; é a chamada ordem jurídica, cabendo à Justiça aplicar a lei e corrigir o comportamento ilegal, decidindo com isenção e distanciamento do interesse político que possa existir. Polícia Federal, Ministério Público e Justiça devem ser órgãos orientados pela independência absoluta a nível estadual e federal. Sem tais órgãos, mesmo como hoje estão, seria impossível chegar onde estamos. Status atual para o qual colaborou também a imprensa livre, sem a qual a população não saberia de nada.    

A revolução é acabar com a pátria dos “expertos”, dos que acham lacunas legislativas, dos que se aproveitam da impunidade. Sem alteração da legislação, seja constitucional, seja infraconstitucional, conviveremos com comportamentos predatórios que aos poucos vão exterminando o bom futuro.

Por uma série de fatores, a sociedade foi construindo um modo corrupto de fazer negócios, onde a falta de ética, a imoralidade e a sordidez humana sobressaíram e tornaram-se banalizadas. Vários itens egoísticos ficaram livres e formaram uma “cultura“, um “modus faciendi”, que existe em todos os países, onde a educação é mínima. Um oba-oba da miséria, um trem da euforia tropical inconsequente e promovida pelas gerações que passavam pelo Poder, menosprezando as gerações futuras.  Prevaleceu o umbigo, a megalomania , a loucura existencial , a ideia libertária do vazio dos decaídos.  Um verdadeiro carnaval dos aloprados. 

Ninguém pensou em Educação de qualidade. Prevaleceram as coisas ruins, mantidas pelo elemento humano subdesenvolvido neste local do mundo e nesta quadra da existência, onde tem prevalecido o vazio intelectual e onde a selvageria egoística anda livre.

Neste campo há tantos itens de reforma que o desafio fica amplificado e chega a tocar os muros da própria impossibilidade de se alterar alguma realidade. Mas há uma consciência de que algo deve ser feito e a esperança e a fé, informando a vontade de mudar para não morrer, deve atacar pelo menos alguns pontos como o nepotismo camuflado, o corporativismo, a burocracia, o empreguismo na gestão, o gigantismo do Estado, o egoísmo oficial, a mediocridade nas decisões, o horror dos políticos ao planejamento, o conservadorismo caipira, o analfabetismo e a falta de esclarecimento quanto à estrutura formal do Estado e dos órgãos públicos, a falta de transparência, o fascismo na comunicação oficial, o negativismo religioso, o paternalismo, a corrupção, o academicismo atrasado, a impunidade, o uso da mentira estatística, a falsa nobreza do alto funcionalismo, o Governo como principal empregador...etc. vezes muito mais.

O Brasil continuará devorando o Brasil a cada mês, se não houver mudança. 

O novo governo Federal estará lidando com forças grandes que possuem interesses umbilicais enormes.  Haverá contrariedade e muitos conflitos, esperando-se que o diálogo seja uma prática paciente e determinante para convencer pela melhor ideia. Será necessária muita cautela e ações inteligentes para impedir a continuidade do que temos visto. E ainda terá o Governo que lidar com restos dos governos anteriores, cargos em abundância e de plena inocuidade, a crise econômica de 2008, cujas marolinhas viraram um vagalhão que abateu a economia dos Estados e Municípios etc. De males o paciente está cheio. 

Pelo menos dois anos serão gastos em tentativas para dar à sociedade uma nova orientação, mesmo que o ar já seja outro. Não somos um país desenvolvido, pouco saímos do status de ex-colônia mercantilista e adentramos no capitalismo e na era da informática sem qualquer preparo físico e emocional; fomos pegos na transição entre o rural e o urbano sem termos a necessária Educação; a incompleta formação religiosa,colocou-nos num estágio onde se perdeu a noção do certo e do errado e o analfabetismo geral contribui em muito para a falta de espírito de crítica e o passo necessário e certo para o progresso humanista.  

É decisivo para as novas gerações mudar para um mundo de mentalidade superior ou viver à beira da estrada do progresso, vivendo de migalhas jogadas nas telas dos aparelhinhos de comunicação.

Em 20 anos, muitos dos líderes atuais da política estarão mortos por idade ou inválidos. O que terão feito para as novas gerações em termos de mudanças neste estilo de gestão que a cada ano levou o Brasil para a fronteira da Venezuela? O que as gerações terão aprendido e feito para seu próprio futuro?

Fizemos a opção pelos pobres e ficamos miseráveis. Desejamos brincar de ricos socialistas, distribuindo sem ensinar a gerar riqueza e acabamos pedindo dinheiro. Desejamos recuperar nossa identidade e descobrimos nosso atraso e quase impossibilidade de competir para sobreviver no mundo moderno. Toleramos políticas de manutenção da pobreza para assegurar votos e vimos o caos social aproximando-se em violência, avanço da criminalidade e miséria. Erramos ao deixar, por falta de crescimento intelectual e espiritual, que o individualismo, o pragmatismo, o utilitarismo etc., saíssem da linha de produção para nortear o relacionamento pessoal e social tornando-nos grosseiros, intolerantes, fisiológicos, egoístas etc., tudo dos brutos e violentos. Desejamos progredir, mas desvalorizamos a indústria nacional, vendemos nossa produção em troca de produtos de quinta qualidade e tornamo-nos uma feirinha de eletrônicos e campo de teste de agrotóxicos e remédios. Detonamos a diplomacia e isto ficou claro recentemente. Desejamos modernizar e adotamos modelos decaídos e impregnados de negativismo e de conceitos ultrapassados.  Desejamos abrir as Universidades Federais para a liberdade e elas se tornaram uma fonte de empreguismo e centros de ideais recalcadas e negativas, etc. Não é hora de mudar?  Precisamos acabar com a era da escuridão, das ameaças ideológicas, das mentiras, do teatro ilusionista  e do fascismo.  Precisamos chegar ao fim deste túnel. Fazer voltar a meritologia, o bom planejamento e especialmente acabar com as ações para contentar o eleitor porque o populismo e todas as mentiras teatrais é que geraram o que estamos vivendo.  O estrago foi grande e sem precedentes. 

“Que país é este?”. Pergunta que traduz a indignação de alguns hoje. Todas as esperanças estão voltadas para que no futuro se possa perguntar “Que país era este?“.  Já houve tentativa de fazer do país uma igreja, um quartel, um circo. E agora? Esperança e fé fazem o ar novamente. Cada cidadão que contribua com a melhora do país.

Metemo-nos numa esquina da História e esta estará de olho em cada linha que será doravante escrita. Um erro estratégico agora e o futuro trará  consequências graves.  Vencer desafios não amedronta ninguém, se o objetivo é para a o bem da Nação. Para tal, deve-se por vezes inovar, contrariar o comum e avançar. Arriscar o que se é pelo que se pode vir a ser.

Robert Frost finaliza um de seus poemas com as seguintes linhas:



“Two roads diverged in a wood, and I took the one less traveled by, and that has made all the difference.”



              

Odilon Reinhardt . 3.1.2019

  
















segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Nem tanto a terra nem tanto ao mar.










                                             



                                             
                                            Nem tanto a terra nem tanto ao mar.





              No ar, a esperança de novos tempos. Mais limpos, mais honestos, mais transparentes e com objetivos claros e sinceros. O brasileiro é um povo condenado à esperança, dizia Millor Fernandes.

             Reformas e novas ideais do mundo livre, onde o cidadão quer basicamente honestidade e verdade.  Nas últimas décadas , teatro, egoísmo, falsidade e roubalheira atiçaram a sensação de injustiça e deixaram mais longe o ideal de conforto social. Agora um longo caminho para a normalidade.

            A esperança é de mudança no mundo político e na gestão pública. Urge o fim da corrupção e o uso da receita tributária para promover o que o país precisa. Que o interesse público deixe de ser contaminado por segunda intenções.

           O Executivo Federal mostra-se voluntarioso em propor mudança e capitanear a mesma pelo país.  O Presidente eleito apresenta-se com motivação reformista. Espera-se que seja acompanhado pelos Estados e Municípios, nesta mentalidade nova. Mesmo os outros Poderes na União terão que acompanhar a onda saneadora, caso contrário não haverá união para mudar. Se imperar a velha política matreira e corrupta, haverá dificuldades para enfrentar a crise econômica e alcançar os objetivos constitucionais. Se continuar a carcomida mentalidade dos falsos nobres do Poder, só haverá reação e sabotagem.

          A rejeição dos meios errôneos de se fazer política comuns à vida brasileira,  não pode, todavia, afastar a boa política, a manifestação justa da população através dos meios institucionais de representação. Tampouco pode o interesse público ser eleito sem tal participação política.  Sempre se deve preservar o amplo debate, pois este é o coração da democracia.

       O grande desafio histórico será diminuir o Estado, privatizar o necessário, reformar a Previdência, vender patrimônio ocioso, gerenciar os ativos, reduzir o quadro de funcionário e seus benefícios, adotar boa gestão financeira, executar um orçamento factível, fazer a reforma tributária, instituir um sistema de Educação que desenvolva as pessoas no seu todo e desperte talentos, reduzir o analfabetismo de 4% e o semianalfabetismo de 96%, propor legislação de tolerância zero contra o crime organizado e a corrupção, rejeição total às antigas fórmulas da política  para aprovação de projetos e reafirmando a vontade popular de que o Governo não seja uma ação entre amigos, fazer o retorno dos bons valores do humano, estimulando o crescimento e o refinamento, ao contrário de perpetuar sua miséria para efeitos políticos de perpetuação no Poder de grupos  ideológicos, abandonar a diplomacia ideológica para o terceiro mundo e a opção pela miséria, eleger obras de interesse público legítimo, priorizar o social e a infraestrutura sadia e produtiva, aperfeiçoar a fiscalização e o controle sobre esta, fazer voltar a meritologia para o preenchimentos de cargos, estimular as exportações como fonte de captação de recursos, desburocratizar, promover a transparência das contas públicas, eliminar o discurso fascista,as estatísticas manipuladas e mentirosas , fazer voltar a ética e a moral para a sociedade, etc.  ao infinito.   

Como se pode ver a lista de itens de reforma é tão longa a ponto de fazer o retrato do país empobrecido que estávamos vivendo. É um desafio histórico e vai de encontro à cultura de muitos que se habituaram a usar o dinheiro público como direito divino, atuando sem limites em sua megalomania. Nem se pode pensar em admitir que entre os 44 milhões do candidato derrotado, alguém estivesse pensando no continuísmo da realidade acima mencionada. A rota era a “venezualização” do país. Será que isto seria bom para a população? Não. Será que os tais eleitores pensaram nisto? Será que não estavam acreditando numa  falácia perigosa e niilista? A mentira repetida por tantos anos foi fazendo crenças e tornando-se escamoteada verdade. A população estava de adaptando a níveis cada vez mais baixos de realidade.

Agora, a torcida e a esperança é que tais reformas sejam bem feitas e estejam nas mãos de bons políticos, patrióticos e humanos. O imenso grupo para compor o Governo, com figuras pinçadas de carreiras técnicas da atividade pública e da iniciativa privada, eleitas sem eleição, terá o desafio de promover o progresso e alcançar o bem público com qualidade e solidez. Não será possível errar. A História não permite mais. 

De nenhuma das pessoas, alçadas ao poder, espera-se que sirva para caracterizar no teatro público, o papel do “Asinus ad Lyram” ou seja o “burro diante da Lira” , equivalente ao “burro no Palácio do Poder”.  Que usem do seu saber e não esqueçam que de nada adiante termos avenidas novas e iluminadas, se por ela continuar a passar a miséria em suas várias versões. Bons lucros no mercado financeiro e fartos dividendos podem não significar nada em termos dos objetivos constitucionais. Espera-se que estas pessoas não sejam picadas pelas moscas do Poder e não sejam tomadas pela megalomania que costuma atingir tais círculos e circos. 

Que tais pessoas não esqueçam a Educação de qualidade como sólido preparo para a economia no futuro e sua sustentabilidade. Sem o humano qualificado nem o “robot” da fábrica recebe boa manutenção. Sem Educação que faça do estudante descobrir seu talento e procure oportunidades para exercê-lo, nada se sustenta. A esperança, passada a euforia inicial, é que a nova equipe do Governo não caia em erros de “tecnocrata”. Que não se esqueça que os representantes eleitos pelo povo e empresas devem sempre ser ouvidos e consultados para as grandes decisões ou pelo menos bem orientado para elas.  Que não seja verdadeira a frase de um Governador eleito, que ao ser entrevistado pela TV, afirmou com a boca cheia:” Meu Governo será de técnicos, pois não tenho compromisso com ninguém”. Cabe lembrar que a Ordem do Dia estará sendo feita durante cada dia e de acordo com a representatividade. Não somos mais a pátria sindical, mas não somos quartel.  Não somos a nau pirata à deriva, mas não somos nenhum transatlântico.  Há muito a ser feito e tudo com diálogo e debate.  A construção se faz com o esforço e participação de todos. Para tanto não será possível eliminar subitamente o presidencialismo de coalizão, pois no momento não há outro sistema que corresponda à cultura política já instalada. Certamente o Governo eleito não tem um plano pré-fabricado para ser implantado tecnocraticamente. Tem, sim, princípios e sabe o que não vai tolerar. Portanto, dependerá de muito debate e diálogo com os representantes da população.

Entre as mudanças espera-se que o Governo reverta as tendências de fundo no cenário nacional, dosando o pragmatismo, o individualismo, o puro racionalismo, o utilitarismo etc., que vêm condicionando a mentalidade dos mais jovens e produzindo seres calculistas, frios, sem sensibilidade humana. Lembre-se que num edital para contratações de soldados de polícia militar havia uma exigência de que o candidato fosse insensível às manifestações humanas, não se afetasse com histórias humanas de romance e amor etc. Após reclamação a exigência foi excluída, mas foi o suficiente para denunciar a mentalidade que se instala na cabeça das gerações atuais. Evidentemente, a exigência eliminada, havia sido incluída por pessoas de dentro da corporação, foi submetida a apreciação jurídica e o edital aprovado para publicação, denotando a vontade já instalada de obter a contratação de pessoas insensíveis ao humano. Os “ismos” acima mencionados já não são itens de filosofia invisível à medida que aparecem todos os dias como fundo de comportamentos na sociedade e habitam vários vídeos de comerciais na TV. A coisificação do humano e o desamor ao Próximo são banalizados .

A Educação de qualidade tem que ser a humana, a da afetividade, a que desperta talentos, a que dá compreensão da natureza do ser e seus defeitos, e não a educação mecânica para cortar frango e apertar parafuso.

Só através de uma cuidadosa supervisão poder-se-á reverter tais tendências e assim reduzir os conflitos e a violência em todas as classes sociais. Deve-se reforçar o amor ao Próximo e a empatia em tudo e em todos os projetos. Uma rodovia ou avenida projetada sem levar em conta o humano torna-se um caminho da morte. É um cruzamento sem sinaleiro.

Fica a esperança que desta vez o Governo olhe para a Educação como centro de todas as atenções. Que o Presidente e qualquer dos Governadores saibam extirpar de seus quadros qualquer um que venha a ser picado pelo Poder e denunciado por corrupção. Que os eleitos não pensem em reeleição e não norteiem suas decisões para este fim, pois se a gestão for bem sucedida o próprio povo exigirá a reeleição quase com fato natural, um prêmio por mérito.

Só com Educação de qualidade será planada a semente para daqui algumas gerações começarmos a ver os primeiros sinais de uma sociedade de pessoas menos tosca, grosseiras, autoritárias, inflexíveis, tarefeiras, fisiológicas, intolerantes, egoísticas, materialistas, operacionais, pragmáticas, sem refinamento e com cultura geral zero, seguidoras, manipuladas e condicionadas, caso contrário, só haverá má colheita: a crescente violência em tudo, o desrespeito ao Próximo, a grosseria coletiva, ainda fazendo valer Nelson Rodrigues que disse que o Brasil conheceria a selvageria antes de conhecer a civilização e fazendo valer também Darci Ribeiro que antes de morrer disse que uma criança só tem 7 anos uma vez. A falta de investimento na Educação custará milhões na construção de presídios.

Ninguém os escutou. E esta má qualificação pessoal será determinante na qualidade da mão de obra de todas as profissões e funções. Não adianta querer milagre, sem o humano qualificado por dentro e por fora, não haverá progresso sustentável. Leva décadas para preparar uma pessoa e tirá-la da miséria cultural e da falta de esclarecimento.

O país está precisando de seriedade e honestidade no trato da causa pública. Todas as fichas foram apostadas no novo Governo e não haverá tolerância  com erros estratégicos e nem a Histórica perdoará tais erros. Acabou a brincadeira. O teatro de esquerda e direita fazendo do povo ora um palhaço sentado na arquibancada, ora um tigre vendendo pipoca, não tem vez no cenário. Ficamos muito atrasados, não acompanhamos o mundo. Houve opção  pelos pobres, fazendo-os  de coitadinhos e não contribuímos para crescimento de ninguém. Ao invés de ensinar a pescar, promoveu-se a ociosidade com motivos eleitoreiros.  

Então, com a esperada volta da meritologia para preenchimento de cargos, espera-se mais planejamento, racionalidade e um choque de gestão, mas que não se esqueça o elemento humano. O combate à corrupção será um desafio. Manter diálogo e debate com a sociedade e seus representantes exigirá impor novos meios de comunicação e entendimento. Será um desafio dizer não às propostas de corruptos e corruptores, mas é o necessário, pois as investidas corruptas continuarão porque é cultural e resiste à punibilidade.

Todavia, deve-se evitar o excesso de tecnicismo, porque já vimos isto da esquerda e da direita. Nunca deu certo. Sempre deve haver cuidado para que não haja a supervalorização da técnica, pois pode virar tecnocracia. Deve ser lembrado que a técnica é sempre um meio e nunca o objetivo final.

A tecnocracia anda sempre com o autoritarismo, não gosta de debate e diálogo, é pragmática, rude e inflexível ao apelo humano. Pertence ao tempo das cavernas da democracia. Usada pela direita ou pela esquerda sempre se alimenta do descompromisso com a população representada e geralmente é usada por quem está certo de seus planos no Governo; planos quase sempre que envolvem interesses de dinheiro para a política e acúmulo de recursos para partidos e candidatos. Para que e como dar ouvidos à participação popular ao povo diante de tais objetivos?  Em alguns casos, a lei prevê até audiências públicas, mas estas são “só para inglês ver”, dito popular antigo que mascarava a realidade, tentando enganar o fiscal do agente financiador ou do concessionário.  No autoritarismo camuflado, tudo estava envolto em interesses pela propina. A participação popular era escamoteada e iludida com falsos movimentos de inclusão social, dando uma aparência de popularidade participativa enquanto as quadrilhas assaltavam os cofres públicos com uma voracidade jamais vista. No que efetivamente interessava aos esquemas da corrupção, não havia participação alguma, pois o plano tinha que ser realizado tecnocraticamente, sem engano. 

Assim tem sido a tecnocracia usada por Governos para atingir seus objetivos pouco aproveitáveis para o país, todavia altamente rentáveis para seus promotores. A técnica deste modo aplicada é a arma do tecnocrata. Mas outra realidade pior ainda é a falta de técnica boa e experiente. Tal realidade é danosa quando reflete a falta de planejamento e traduz uma avacalhação total e o descuido com a coisa pública. A politicagem aproveita-se facilmente de tal  realidade e redunda em consequências graves para as finanças do país.

Ademais quem são os técnicos desta época? Não são os oriundos de um sistema educacional falido? Não vêm de faculdades e cursos técnicos dessas últimas décadas? Não são defeituosos tanto quanto a sua origem? Podem ser super-homens da “sabedoria”, com doutorado e cursos no exterior, mas podem  ditar regras finais aos humanos?

Já vimos erros dessa gente no passado de décadas. Resultados assustadores estão por aí até hoje e suas consequências já viraram causa. Não eram técnicos e profissionais de diversas áreas os que estruturavam e organizavam as mega operações de corrupção e lavagem de dinheiro?  Não eram deste tipo os que localizam brechas legais e elaboram meios de burlar a fiscalização, fazendo planejamentos para o mal? Técnicos são operacionais a serviço de alguém, mas logo assumem o comando e passam a ditar regras e condicionar políticos. A manipulação de dados e estatísticas etc., é um forte instrumento de enganação. A técnica pela técnica pode conduzir para que haja uma super preferência por números, porcentagens etc., e a coisificação do humano.

Um critério técnico pode levar a raciocínios frios como neste exemplo: numa estrada há uma curva onde todos os meses ocorrem acidentes e mortes. Na estrada há 200 curvas e passam 1 milhão de carros por mês. Só 0,03% dos carros tem acidente com morte na dita curva. Portanto, o que ocorre na curva X não é importante e nem prioridade. A frieza dos números leva o tecnocrata a operar assim.  Aliena-se da realidade, esquece que um dia na mesma curva podem morrer seu pai, mãe e três irmãos ou um importante político. Daí o tecnocrata se mexe.  

O alerta é este. Não se incorra no erro de alijar a boa política das decisões porque isto nunca dará certo. A missão é afrontar a politicagem, os interesses mesquinhos do nosso modo de cuidar de interesses pessoais e partidários.  A missão é reorganizar, mostrar novos meios e métodos de postura pública, mas sempre com debate, adoção da melhor ideia e visando o bem da Pátria e da Nação. 

Que o brasileiro reganhe sua autoestima, seu orgulho pelo país e não tenha vergonha de dizer que é brasileiro, principalmente quando estiver no exterior estudando, mesmo que com bolsa de estudo paga pelo Governo.   Que ninguém tenha vergonha de cantar o hino nacional e homenagear sua bandeira, que deve permanecer verde, amarela, azul e branca para sempre. Que seja uma Pátria a caminho do progresso e não de retorno ao bom-selvagem, vivendo na beira do mato, detestando tudo e todos que não lhe seja igual.  

É necessário reconhecer e aceitar que não há como ter objetivo de querer uma ilha isolada para ser líder do terceiro mundo, de viver a fantasia de uma economia de mentira, de sucumbir à trama da mentira e da corrupção, de agravar o visível empobrecimento da população enquanto o comitê central da direita ou da esquerda enchia as burras de dólares para se perpetuar no Poder, desejando fazer uma má intencionada revolução caipira, que atrasou o país por décadas e nos deixou à beira da estrada da História como pedintes moribundos. Nos últimos 35 anos pouco foi conseguido para nos libertar da miséria material e espiritual com passos fundamentados, sólidos e honestos. Vimos a roubalheira, a corrupção chegar ao máximo de sua consequência, o aprofundamento da crise moral no sistema político e o comprometimento do futuro das novas gerações. O legado é de fazer chorar e lamentar.  Agora nova esperança e mais fé. 

Assim com um pai faz a vida pensando no futuro dos filhos, um país deve ter Governos que pensem nas gerações futuras em termos materiais e com  Educação sólida e sadia para trabalhar com qualidade e com o sentimento de realização pessoal.  Nas últimas décadas  o que se constatou foi políticos pensando em seus umbigos, em sua megalomania, em seu egoísmo e na reeleição como garantia para continuar no Poder.

Odilon Reinhardt. 3.12.2018