sexta-feira, 3 de maio de 2019

No espaço dos mestres invisíveis I















                                       No espaço dos “mestres invisíveis” I .



 Diante de tanta informação e desinformação vindas de tantas fontes, deve-se questionar a qualidade das mensagens que vem sendo, por décadas, enviadas aos lares, sem que tais invasões, geralmente de forma subliminar, possam ser claramente percebidas. Que mentalidade vem sendo incutida como veículo de mudança?  Talvez preparando para um mundo de consumo ou realidade que não vai acontecer? Para um mundo que só existe na mente doentia e interesseira de alguns? Ou talvez seja só a mistura inconsequente de vontade de fazer consumir?

Por dentro de tantas mensagens, quais são os verdadeiros “professores” que têm influenciado as gerações das últimas décadas? Será que todas as comunidades estão no estágio evolutivo para receber tais mensagens, sem que tal fato lhes cause problemas graves de mudança de comportamento? Inevitável, da comunidade indígena ao centro urbano, todos têm estado expostos a tais fontes de mensagens diárias.

Há uma parte de uma construção, que está sendo feita aos poucos, e que tira vantagem do espaço negligente deixado pela falta de Educação formal de qualidade como orientação estrutural para cada Ser. E é esta parte da construção que afeta diretamente a qualidade da mão de obra e mesmo de vida de todos. Uma parte que visivelmente não tem dado certo, porque tem gerado violência explicita e implícita e gera consequências que serão constantes em cada dia do futuro. Talvez esteja dando certo para os produtores interessados em passar mensagens para a população, mas não para a Nação. Há um desespero em aumentar o consumo, gerar falsas necessidades, em convencer as pessoas a comprar. Nada fora do previsto para a sociedade de consumo, mas o fato é que os meios utilizados aproveitam as oportunidades para introduzir mensagens subliminares que precisam ser filtradas, todavia é bem provável que nossos 96% de semianalfabetos comem tudo com farinha.

Os sinais estão por todo lugar; em fatos isolados aqui e ali, em várias regiões do país e já se pode antever o agravamento das características que têm feito do presente um caminho de árdua degradação entre os humanos, mesmo que em alguns casos, o progresso material seja visível, bastando por si só para iludir os incautos e servindo para mostrar “progresso e sucesso” como incontestes resultados materiais, todavia jamais admitindo que há algo apodrecendo; invisível na raiz.    

Que fontes estão sendo usadas para passar mensagens diretas e indiretas capazes de fazer as novas gerações pensarem que o comportamento calculista, frio, racional, insensível, pragmático, individualista e egoico  é o ideal para fazer-se parecer “atual”, ajustado ao presente, em detrimento do bom comportamento, dos  estudos, da leitura, da escrita, da linguagem materna a ponto de colocarem seu futuro à míngua? Por que a falta de interesse, a falta de persistência, a desistência perante qualquer esforço exigido? Uma verdadeira cilada para muitos jovens que estão colocando seu destino em perigo e que quando a verdade, o choque de vida for dado, descobrirão que o tempo passou, foi desperdiçado em “modinhas“, no transitório, no efêmero, que pareciam tão essenciais para a vida, tão eternas, tão definitivas. E mais , que foram enganados pela falta de Educação de qualidade .

Mensagens bem coordenadas, persistentes insistem em querer mudar comportamentos e estes objetivam mudar a vida. Com que propósito? Os libertários atuam a toda hora; papagaios sem juízo. Está nossa população, espalhada em milhares de localidades de diversa realidade, com 96% de semianalfabetos, preparada para esta vida e este pensar que “alguém” lhes está impondo? Qual o nível de discernimento para selecionar certas mensagens? Estaria tal população de crianças, jovens e adultos preparados para serem “livres”, nos termos propostos, a ponto de vivenciar a realidade imposta, tirar suas conclusões e decidir seu caminho como pessoal sem Educação de qualidade?  Escolheriam caminhos compatíveis com suas reais possibilidades e com os interesses do país? Que interesses seriam os do país em determinadas épocas, neste jogo de direita e esquerda? A realidade existente é a resposta clara de que a negligência, o vazio educacional em todos os campos que constroem uma pessoa, têm resultado em má orientação, escolhas ruins para si e que resultam em abandono pessoal, descrença quanto ao país e uma brutal ignorância que escraviza mais e mais.

A que modelos têm estado expostas as gerações das últimas quatro décadas, que resultam em um aparente desinteresse pelos estudos, inconsciência e muita vontade de não respeitar nada de autoridade? Por que tais modelos são tão eficazes e superam os da escola? Quais as influências mais intensas que precisam ser analisadas para aproveitamento ou eliminação? Quais sistemas estão tendo tanto sucesso em atiçar cada vez mais o ego, o fisiologismo e a consequente selvageria frente a cada contrariedade gerada pelo próprio fracasso em conseguir o que tais modelos prometem? Por que a educação familiar, a orientação religiosa, o professor tradicional, etc. não estão atingindo o jovem? Qual a verdadeira filosofia das ruas? Por que a escola formal, o saber, o conhecimento não atrai o jovem? Que “professores” estão sendo mais eficazes junto às pessoas? Que fontes geram esta ansiedade que dá em depressão por não conseguir tudo agora, rápido, instantâneo, sem muito esforço? Por que o país, mesmo com as religiões existentes e a educação familiar, está cada vez mais desinteressante frente a tantas fontes de diversão e dispersão para os jovens? 

Alguns dos antigos modelos tornaram-se ineficazes. Não deram certo mais. Ficaram ultrapassados. O conteúdo curricular e seus métodos de ensino estão em descompasso com a celeridade e ansiedade criada pelos “mestres” invisíveis. A ansiedade e a pressão econômica levam à vontade de ir para a prática antes da teoria, a colher antes de plantar, a entregar-se a atividades de menor preparo, mas que garantam um dinheirinho qualquer. Os resultados estão aí, a sociedade está doente, mas os fatos isolados são tidos como problemas pessoais e nunca como problemas da sociedade e seus sistemas de condicionamento. Nenhum governo quer admitir a realidade do descaso ou mesmo incompetência em reverter o processo em andamento, para não se comprometer nas eleições. A escola de métodos antigos e conteúdo ultrapassado é uma realidade. Não atrai mais o jovem.  A falta de qualificação adequada gera desemprego, subemprego e violência; gera também o stress via medo de perder o salário, motivo de tensão permanente pelo desafio diário de poder manter-se no emprego, o que motiva doenças funcionais e afastamento do trabalho. Não seriam estes motivos suficientes para chamar a atenção oficial? Verifique-se a evasão em cursos de engenharia, o fracasso dos meios no ensinar a Medicina etc.

Quem preocupa-se, quem vai debater o centro do problema sem se enroscar em correntes teóricas de variada ideologia? Aparentemente esquecem que os resultados da Educação, como sendo aplicada, atestam que nada deu certo. O mundo existente entrou em total dissintonia com o mundo dos estudos, nos métodos até agora utilizados. As necessidades práticas e utilitárias instigam e combinam bem com a ansiedade coletiva. A crise econômica atiça a pressão sobre o indivíduo. O consumo oferece bens e atrai os jovens, cria ansiedade e frustração. No entanto, o aprendizado exige tempo; construir um cidadão na escola leva tempo em qualquer lugar do mundo. A título de exemplo, ninguém aprende Inglês em duas semanas, muito embora haja anúncios comerciais para atrair alunos. Há tentativa de reduzir o processo de aprendizagem a um mero objeto de consumo. A frustração é certa. O Governo na acompanhou a velocidade das mudanças de mentalidade, perdeu-se nas coisinhas da política do dia a dia e deixou de analisar o que está ocorrendo e tomar as providências necessárias. Ou será que intelectualidade tão preocupada com a direita e a esquerda perdeu o tato filosófico de entender o que os jovens estão querendo, o que as ruas estão reclamando, o que o mercado internacional está impondo e exigindo?

E na avalancha de prioridades na vida nacional e as questões políticas tomando a cena dos coredores dos palácios, a Educação vai e sempre foi ficando para outro plano e, década após década, vai-se perdendo jovens. “Isto é assim mesmo!”, “é o progresso!”,“ é a vida moderna!”, “ cada um que se vire!”. É o que se escuta como conformismo nacional na boca das pessoas. E a cada dia, a violência aumenta esboçando anos futuros de selvageria. E mais, os  jovens estão acabando, pois o pais está envelhecendo. Em muitos locais escolas recentemente construídas funcionaram por algum tempo e depois não há mais crianças. 

Tudo contribui para a defasagem entre exigências atuais geradas pela modernidade e a falta de aparelhamento moderno e atual da educação. Não há mais o porquê de fazer aluno saber todos os afluentes do Amazonas ou coisa e tal. O tempo está passando e mais jovens passam pela Escola sem saber até mesmo o que o sistema defasado tem por meta. O exame Enem atesta tal realidade. O indivíduo não tem preparo para as necessidades do trabalho mais elaborado, de alta tecnologia. Fica desempregado; não pode casar, não pode comprar, frustra-se e vai reagir. A violência só tende a aumentar em suas modalidades. A violência explícita é a que esta nos fatos da vida. A violência reprimida é a que se prepara para sair para fora, na rua, no trabalho, nas horas de diversão, em casa. Sufoca e tende a sair em explosão. Qualquer delas é violência e está aí se alastrando. Não será combatida com polícia, multa e revólver. Será maior, será incontrolável, se as tendências atuais continuarem.

Não é insatisfação contra este ou aquele Governo, é insatisfação contra a vida, contra a mera existência, contra o Próximo. É a agitação egoica, a contrariedade que gera a ira, fazendo com que o ser fisiológico agrida o Semelhante, como sinal de seu protesto existencial. Na rua, há vulcões ambulantes prestes a explodir por qualquer motivo. De novo, pergunta-se quais são os “mestres” invisíveis que estão atuando e fazendo a cabeça das gerações? Vamos continuar a engolir a justificativa de que é incontrolável e nada pode ser feito? Ora, alguém tem interesse neste caos, na juventude desorientada e fracassada? Os mentores do caos querem impingir a mentalidade, moda e nível de evolução decadente de modelos que não deram certo em outras terras? A quem interessa isto? A quem interessa despreparar e desnortear nossa mão de obra? Ou isto tudo foi se formando sem interesse ou o entrelaçamento de métodos contribuiu para algo incontrolável, como doença incurável?

Certamente, o maior veículo de introdução nos lares era a TV nos mundos fora do primeiro. É bom ficar de olho na virtualidade e seus diversos instrumentos, no marketing e programas de TV, este antes só na sala da família, depois na cozinha e quartos, hoje na mão de todos os jovens e pessoas e atua, pelo menos, corroendo 4 a 8 horas por dia, em horas gastas em imbecilizantes momentos de nada para nada, gerando ansiedade, rejeição e depressão devido ao mau uso.  O instrumental entra nas casas e cabeças por dois fios e ali fica fazendo a mentalidade de todos. O respeito à liberdade de expressão e pensamento deve ser preservada, mas deve-se observar que tal liberdade quando invadida por mensagens negativas tem produzido más mentalidades.

 ”Cabe a cada um discernir e escolher o que quer para si” diriam os libertários, sem se preocupar com a falta de alternativas de escolha, face à insistente presença de mensagens negativas e de desconstrução e diante da negligente falta estatal em providenciar o contra ponto com preenchimento do espaço com modelos positivos, eficazes que impulsionem os jovens para objetivos melhores.

 Se o objetivo é construir cada cidadão, deve ser construir novas gerações para o Brasil pelo ensino isento de ideologia, pregar o saber pelo saber, o acúmulo de conhecimentos gerais sobre a vida e a ciência para a vida e para a ciência como elas passaram a existir hoje, suficientes para esclarecer e possibilitar escolhas e debates no momento certo de cada indivíduo. O estudo das ciências humanas, a moral, a filosofia geral não podem ser esquecidos.

O que nos trava? Quem tem criado e conduzido o intelecto pessoal e coletivo? Até agora a infância e a juventude têm sido as vítimas da falta de Educação de qualidade, do fornecimento de remédios falsificados, da merenda escolar sem nutrientes e proteínas, quando não contaminada, de leite adulterado, da ausência de unidade escolar, de abusos físicos e intelectuais por parte da população adulta, assolada pela miséria egoística e material, selvagem e brutal. Como proteger as gerações futuras sem que isto seja assunto prioritário? “Que país é este”, onde a infância e a juventude são tratadas como carga, encargo, e mesmo assim geralmente negligenciado?

No vazio deixado pelo Estado, que sofre com a falta de recursos para a infraestrutura e deixa a Educação em segundo plano, as fontes de influência aproveitam-se do espaço deixado. Ali têm atuado os “mestres” mais atualizados e eficazes, inculcando na mente dos jovens e da população, em geral, lições tidas de falsa “modernidade e progresso”. Tudo passa incólume. O Governo não reage e a Educação embola-se na burocracia, na politicagem enquanto deveria chamar a atenção para análise e critica mais contundente para as verdadeiras causas do reforço ao individualismo, ao pragmatismo e ao comportamento egoístico, o que vem caracterizando a sociedade como um todo e fornecendo alimento à violência, intolerância, fanatismo e extremismo.  Mas a realidade de tantas mazelas não é exclusividade terceiro mundista, pois abrange a juventude do ocidente, até em países de primeiro mundo, em proporções bastante graves. Há uma mentalidade que foi se formando e que redundou no desinteresse pelos estudos, no acumular sabedoria, na desnecessidade de ler e escrever, no desprezo por tudo que lembre autoridade. Todavia, em países mais conscientes há contra ponto e há oferta de escolha por modelos mais positivos. Aqui, a rachadura entre esta mentalidade e os antigos modelos só pode ser preenchida com o meio termo e não com a radicalização, pois se trata de uma longa fase de transição entre o novo e o antigo; a ausência estatal deixa o caso ao descaso e por dentro de forças renovadoras, há o predomínio de forças negativas de decadência e negativismo.   

Ao longo de décadas foram muitos os episódios que contribuíram para a mudança de comportamento e mentalidade. Talvez não tenha havido um causa determinante, mas uma sequência de eventos que mostraram o início de uma  formação proposta para um mundo novo, o qual está sendo implantado progressivamente em descompasso com o aparelhamento estatal para a Educação. Um caminho novo para a Humanidade que foi surgindo e causa espanto quanto às mudanças radicais de sentir, pensar e agir. Um condicionamento mais eficaz e que atinge diretamente a infância e a juventude, carente de modelos e Educação positiva. Diante do espaço deixado pelo atraso do Estado, a sociedade achou seu próprio meio de evoluir. Se o espaço foi motivado por falta de recursos ou por planos estratégicos de forças econômicas, isto hoje pouco importa, diante da realidade instalada, a qual possui bons e ruins aspectos materiais e pobres reflexos humanos que precisam ser corrigidos, já que falta de Educação de qualidade tem se mostrado como semente ruim para o progresso da Economia, o avanço da mesma, em decorrência da mão de obra diretamente atingida por sinais de despreparo com todas as consequências decorrentes para o indivíduo, sua família e para a Nação. Impera a miséria intelectual como antecedente da material, o nivelamento por baixo e a mediocridade como forças negativas.   Quanto da mão de nossa mão de obra morre todos os dias em acidente, violência, por causas de saúde e simples falta de esclarecimento?

O progresso educacional tem que entrar em sintonia com o progresso material.

Um importante componente para a formação da nova mentalidade é que ao longo da História do Ocidente tem havido, sem dúvida, uma linha de conquistas sociais, todas decorrentes da vontade do ser humano de ser livre, de poder determinar-se, de poder escolher seu caminho. Em vários episódios as novas mentalidades sempre se chocaram com a mentalidade reinante, no entanto esta sempre cedeu e as duas, em simbiose, lançaram-se para a fase seguinte, exposta por sua vez a novas mudanças. As gerações mais antigas de uma época horrorizam-se com a mudança de hábitos e costumes; querem preservar os modelos com os quais foram criados e fizeram seu mundo e escuta-se: “ o mundo está perdido!”, “onde isto vai parar?”, esquecendo que elas mesmas ao seu tempo também criaram mudanças e horrorizaram seus avoengos. Todavia, a Educação sempre esteve presente e nunca foram abandonados os ideais de sabedoria, conhecimento, busca de esclarecimento e domínio do ego, seja por quem tinha acesso à escola ou por parte dos financeiramente excluídos. Na fase atual é novidade chocante e bem conflitante com os padrões de inteligência tradicionais este desinteresse pelo estudo tradicional de conhecimento geral e mesmo técnico, este desapego à sabedoria como meio de desenvolvimento intelectual, este apego a informações superficiais. E assim, o instinto de luta pela liberdade pode encontrar limites fatais, pois um indivíduo sem escola, sem Educação não se desenvolve, não passa do bruto, exposto à escravização, em suas versões modernas e atuais do consumismo como âncora inevitável para a Economia e sobrevivência do próprio Estado. Tal indivíduo será um seguidor, objeto dos eventos, um fisiológico irritável e explosível, fracassando em vários tipos de relacionamentos humanos e materiais, será uma ameaça ambulante para todos e tudo. Surge o predomínio do “homo-asinus (burro)” ao invés do “homo-sapiens”?  Tudo pela falta de adaptação dos currículos escolares e seu modo de aplicação aos meios e finalidades modernas da Educação para a produtividade, para o trabalho, para o emprego.

A falta de : atividade intelectual humanística, holística, diletante, o desenvolver do bem pensar, a liberdade de criar e imaginar, a adoção do pragmatismo   leva à imbecilização do indivíduo e da população, tornando-o superficial, seguidor de qualquer onda, pelo que o seu instinto de liberdade o joga no cativeiro da ignorância e da manipulação por poucos. É o rebanho solto na campina sem orientação.  A ignorância traz os componentes mais funestos da nova época em busca da liberdade: o “saber nada”, o “querer tudo já” e o exercício do ego mais animal.   A manada lutou muito para vencer a cerca e ganhar a porta da liberdade, mas ficou exposta ao animalesco, à escravidão moderna da falta de discernimento.

Adentrando no processo evolutivo da sociedade ocidental, encontra-se a luta contra qualquer amarra que barrasse ou protelasse a liberdade individual, certamente a queda da escravidão e da monarquia foram eventos que abriram as porteiras para a sociedade livre, surgindo o Governo do povo, pelo povo e para o povo. Os anseios de liberdade, igualdade e fraternidade estigmatizaram os movimentos pessoais e o caminho foi aberto ao tempo futuro. As reações de preservação do mundo contra as novidades de cada fase foram marcantes e ao início conquistas de direitos, hoje básicos, originaram muitos conflitos e guerras.

O fato é que vencidas as restrições, o novo vence e as gerações acabam fazendo o que, como e quando querem. É questão de tempo e intensidade. No entanto, nestas últimas gerações, como dito acima, há componentes novos que podem derrotar a liberdade. A adaptação da Educação às necessidades modernas é um imperativo de sobrevivência. As gerações mais novas é que estarão no poder da vida. Ninguém hoje, com idade acima de 65 anos, no Poder de mando para mudar a Educação, vencerá as novas gerações e sua mentalidade, pois o Brasil será dos jovens de hoje com esta Educação que lhes foi dada.  Eles administrarão o Brasil e farão dele o que lhes aprouver. 

Seguindo o histórico, a  Primeira Guerra Mundial foi um grande susto para as monarquias e a sociedade humana, abalou os modelos conservadores e abriu o mundo para a democracia. A condução do Estado já não podia ficar na mão de alguns sem a participação popular, os soldados e suas famílias etc. Até mesmo entra no questionamento a autoridade da fé cristã e sua propaganda de amor ao Próximo, recuperação até hoje em andamento. No interregno das guerras, face à necessidade de reestruturação do Poder e a crise econômica, houve avanço substancial para as liberdades individuais com legislação correspondente.  Com o advento da Segunda Guerra Mundial o mundo monárquico e as forças conservadoras cederam à realidade, a democracia era o caminho de liberdade. Os países se abrem ao mundo, há a migração e as culturas mostram-se em sua diversidade. A diversidade dos povos está no palco da Humanidade exposta. Surge uma nova ordem mundial e os modelos antigos e conservadores não conseguem se restabelecer. O povo toma conta. 

Nos anos pós-guerras, as nações unem-se, as colônias libertam-se, as grandes descobertas da física e da química são alavancadas e fazem surgir mecanismos, armas, aparelhos e novos materiais. Surgem os meios rápidos de comunicação e os transportes globais, unindo culturas, fazendo uma nova época para a Humanidade.  Surgem instrumentos domésticos em escala de venda internacional como o telefone, a geladeira, os carros populares, a máquina de lavar roupas, a geladeira e uma imensidade de produtos alimentícios. Novas fontes de energia são exploradas etc. A medicina e a pesquisa científica geram avanços no prazo de existência do ser humano. Tudo é progresso e favorece o homem e a mulher. As conquistas materiais são todas promovidas por tecnologia de países que nunca abandonaram as pessoas, investindo em Educação de qualidade, isto é, uma mão de obra preparada não só para pensar como também para fazer. Obviamente, as exigências econômicas, principalmente com os planos de recuperação da Europa e Japão, fizeram os países exportadores saírem de casa à busca de mercados novos, lucrativos, que garantissem sua prosperidade. Há intercâmbio de modo de “fazer”; a técnica é vendida como mercadoria valiosa.

A época era de desbravar mercados, novos nichos de mercado.  A população tem acesso a mais emprego, salário e bens materiais. As ditaduras e regimes autoritários e totalitários remanescentes começam a ser questionados e perdem espaço, mas ainda são modelos e fontes de Poder; todavia, o instinto de liberdade alimenta a democracia para um caminho sem retorno. A população começa a participar, as oportunidades são novas e variadas, os países precisam crescer, ter PIB, e as novas chances exigem pessoas, para ocupar os inúmeros cargos e postos de decisão e trabalho. A participação popular é inevitável em todos os campos e o preparo através da Educação de qualidade sempre foi a prioridade. A escola pública torna-se forte e essencial.  Quanto à Economia, a  receita tributária atrela-se ao consumo e é fundamental para a sustentação do próprio Estado. O emprego, a mão de obra assume a importância e a Educação deixa de ser algo para alguns num país de empregos de esforço físico, mas algo essencial para todos que possam trabalhar e contribuir para a geração de ideias produtivas. A Educação é questão de Estado e o saber não é só aquele de manusear uma enxada, cortar carne, plantar, mas o saber que desenvolva a pessoa e desperte seus talentos e capacite-a para pensar, produzir na indústria, gerar ideias, gerenciar com qualidade, investir com segurança etc. As viagens espaciais e suas experiências faz surgir o mundo inédito da computação; seus fabulosos instrumentos democratizam a informação. Qualquer um tem acesso a tudo e qualquer assunto. É a maior revolução já vista.

Com a progressiva industrialização, surge o interesse econômico multinacional, a balança de pagamentos entre países, os blocos econômicos e o interesse globalizado. Este como sustentação da ordem mundial. O ser humano sai de sua pátria e vale pelo seu saber em grupos científicos, mistura-se; há a  abertura cultural, e a consequente ameaça a crenças e modelos nacionais que tentam conservar seus padrões , todos em “delirium extremis” , principalmente  os mais fechados, procurando preservar seus paradigmas autoritários e controladores da liberdade individual. Quebra-se a hegemonia de indústrias e de pequenos grupos econômicos e empresas individuais, eis que a liberdade de empreendimento é para qualquer um do povo que tenha o espírito de empreendedor. O ser humano muda, vai adquirindo nova mentalidade, mas no primeiro mundo a Educação nunca é abandonada. 

Inegável o progresso material das últimas cinco décadas. No Brasil ou em outros países o processo está em andamento. O mundo muda e novas fases estão chegando. Cria-se este descompasso entre Escola e a mente do aluno, um “gap” entre o pobre curriculum escolar e o que o aluno vê e assimila no mundo da computação etc. Infelizmente temos 96% de semianalfabetos, excluídos da Educação e de qualquer Educação de qualidade, mas expostos às fontes onde mestres invisíveis atuam negativamente. E é com isto que estamos entrando para novas fases do mundo ocidental. Uma demanda reprimida inimaginável em vontades materiais e necessidades instigadas pelo marketing.

Esta mesma massa de mão de obra precisa ter emprego, salário e precisa consumir. Teremos que manter empregos já em desuso em outros países somente para garantir empregos? Sim.  Novas gerações estão expostas ao despreparo e sofrerão as consequências na carne. Do mesmo modo a automatização e mecanização serão inimigos do povo quando reduzirem empregos e serão fatores da falta de competição e preço para nossos produtos no exterior.

Estas novas gerações que demonstram este aparente desinteresse pelo acúmulo de saber e são influenciadas por “mestres “outros, sem correta orientação, poderão ser os cidadãos mais fisiológicos e egoísticos dos últimos tempos. Seu ideal de liberdade não cessará, mas os meios para obter tal condição estarão cada vez mais difíceis e poderão tornar-se escravos de si mesmos e das características mais baixas do rebanho.

A realidade atual, como se formou por ausência de adaptações inteligentes, expôe gerações ao abandono das lições de mestres invisíveis e terá desdobramentos, ainda por várias décadas, pois mesmo que haja uma retomada da Educação e que recursos sejam efetiva e seriamente destinados a ela, trazem a questão: quais as condições materiais, sociais e familiares para que haja sucesso imediato? O indivíduo como criança sofre a miséria de tais condições ao seu redor, criando um hiato entre escola, casa, família e bairro. Tal fato não ajuda em nada, a escola em tempo integral seria a ilha de salvação, a proteção da infância e da adolescência contra as circunstâncias sociais de miséria e mau nutrição nas redondezas.  Se algo for feito, tem que ser feito agora para começar a dar resultados em 18 anos ou mais.   Lembre-se Darci Ribeiro “ uma criança só tem 7 anos uma vez....”l   

É o nível a que chegamos.  Mesmo com o aparelhamento estatal defasado, mas existente, e a contribuição da escola privada, pergunta-se: como o progresso material não atingiu a todos? Como  produziu gerações, mesmo nas classes de maior poder aquisitivo, que deixaram de lado o interesse pelo saber, pela Educação como fator de progresso individual e nacional? Como surgiu a falta de interesse do indivíduo em saber, em estudar, em ler, escrever, pensar em meios de melhorar o intelecto, passando a se enganar com ondas de manipulação do seu intelecto por “mestres” do vazio e do saber nada sobre tudo?

Avanços para atualizar e conseguir reduzir o “gap” entre a Educação e o progresso material aparece no ensino à distância, com consequente eliminação da vida escolar, da aula presencial, do local físico de Escola ou Faculdade, da turma de formatura, a diversidade de livros e fontes de pesquisa livre, a pluralidade de métodos, o Google como dicionário aberto, etc. Isto sem entrar no mérito, se o conteúdo mostrado no visor de TV é assimilável com a mesma eficácia de uma aula presencial. Ademais para que acumular conhecimentos e dados na cabeça, se tudo está à disposição para consulta por meios virtuais e para o indivíduo normal basta saber procurar a fonte?  São novas mentalidades no campo da Educação que precisam ser consideradas.

O certo é que diante da lentidão estatal, a vida segue e a iniciativa privada toma suas providências e investe em nichos do mercado; também “mestres” invisíveis ocupam o espaço e os jovens acham soluções nem sempre positivas para assegurar seu futuro, a final este é o país onde cada um ainda pode se virar por conta própria, onde qualquer um pode ser pintor de parede, encanador, eletricista, cozinheiro, pedreiro, sem ter diploma nem escola, podendo mudar de ofício como e quando desejar, podendo inclusive tornar-se soldado do tráfico de drogas ou do crescente crime organizado como desejar.     

Onde estariam as raízes da nova mentalidade distraída, descolada, ignorante embora bem focada em várias efemeridades inócuas ou não, a não ser na falta de contraponto oferecida pelo Governo diante dos “mestres“ invisíveis da negatividade?  Seria esta a pergunta certa a ser feita?  A nova mentalidade não estaria a exigir novos métodos, novos conteúdos na escola para aproveitar toda a energia e vivacidade dos jovens para a adoção de modelos positivos e mais inteligentes?

Uma nova época vem surgindo e jovens muito mais ágeis e talentosos não se interessam pela aula regular e tradicional, pelo livro, pelos métodos antigos do ensinar, pelo professor atrasado e etc. A falha em acompanhar e tomar providências por parte do Estado, gordo, lento e ineficaz e pobre, está deixando um espaço abismal entre realidade e escola. Espaço onde reinam mestres invisíveis de influência e validade questionáveis.  ( continua em 3/6/2019). 



Odilon Reinhardt .   3/5/2019.    















   




quarta-feira, 3 de abril de 2019

Tempo de consequências








                                                       Tempo das consequências.

                                             Não basta trabalhar, há que haver futuro bom.







Esperança e fé nos governantes nunca deixou de existir. Eleitos e seus assessores que são indicados e não eleitos, devem colocar o país em rumo diferente. Todavia, a falta de Educação de qualidade nunca foi tão evidente, tendo-se tornado a raiz de problemas estruturais. O abuso foi enorme, o desleixo monstruoso, a negligência terrorista. É o tempo de colher. Os efeitos aparecem no dia a dia, na qualidade das soluções, na prestação do serviço, no exercício de ofícios e profissões, no escritório, no consultório, na oficina, no restaurante, no relacionamento pessoal, nos negócios. Uma tragédia danosa e perturbante.

O mercado dobra-se ao analfabetismo para não perder o contato com o consumidor. A língua portuguesa é deteriorada para chegar ao povo; falar, destruindo as regras gramaticais, dá a sensação de as pessoas serem informais, mais democráticas, serem atuais e jovens. Via mídia, o marketing garante a aproximação com a “galera”, mantendo a soberania dos níveis inferiores da baixa alfabetização.   O país dobra-se ao fisiológico e vive do nível de mediocridade em vários setores artísticos, que detona as letras de músicas, os diálogos teatrais, etc. O que interessa é vender o popular, sem forçá-lo a se inspirar em algo mais elevado como se a miséria fosse algo perpétuo e as pessoas nela estivessem acorrentadas na existência. Que ideologia alimenta tal disparate?Rejeita-se qualquer modelo, qualquer padrão mais intelectual porque sua adoção passou a ser vista como algo elitista, conservador, autoritário e distanciado do povo.

Não se exige nada, respeito a qualquer nível que exija esforço intelectual para que a pessoa sinta-se inspirada ou mesmo forçada a alavancar seus conhecimentos e sinta que deve seguir etapas para crescer. A mediocridade e o nivelamento por baixo parecem reinar. Há o esvaziamento dos bons modelos sob a justificativa de terem sido criados pela “elite”.

O país vive na oralidade, com poucos livros novos e de qualidade, poucos jornais, pouco interesse na leitura. Vale a imagem, a foto, os números e o que a TV deles diga. A crítica, o pensamento, a interpretação e o discernimento são terceirizados para o comentarista, para o âncora de TV. É a progressiva tendência no caminho de esvaziamento intelectual. Na enxurrada vão as pessoas  para a vala comum a poesia, o romance, o amor bem como qualquer outra manifestação humana mais sensível, porque o pragmatismo e o utilitarismo dominaram o cenário, levando a esta situação de morte do cérebro pensante e para esta falência do pensamento e a progressiva redução da sensibilidade.  A cada dia uma evolução social baseada em filosofias boas para a fábrica e sua linha de produção, filosofias que orientam a massa também mas relações sociais e familiares, produzindo um país rude, grosso, insensível, egoísta,  violento e sem Educação. 

O país torna-se cada vez mais um rebanho de seguidores, que em hordas fisiológicas, vivem e se alimentam de dias pobres e sem qualquer encanto ou elevação intelectual. Os livres pensadores fazem raridade e mesmo entre eles o egoísmo os joga em seus desertos. A intelectualidade deixa de ser profusa, variada, passando a concentrar-se em ideologias decaídas, em assuntos ultrapassados, os quais  que  no país parecem um círculo vicioso; certos temas são trazidos à discussão de modo que parecemos estar em 1910 ou até no século XVI; fatos históricos são discutidos e criticados com os olhos e valores de hoje, por falta de estudo e conhecimento. 

O fato é que a Educação da década de 1970 para cá vem sendo descurada  em suas bases. Os resultados aparecem no Enem e outros testes nacionais. Inegável a existência de péssimos resultados e nos castelos do Poder o assunto não é prioridade, não rende votos, não é nada. Há uma cegueira que impede de observar que os resultados são pragmáticos também, aparecem na dificuldade de achar soluções no dia a dia nos mais variados setores produtivos, onde visivelmente a carência de mão de obra assusta qualquer empreendedor, simplesmente por falta de pensadores, idealizadores. Todo dia, recorre-se aos consultores, doutores ou especialistas, os quais tentam  suas fórmulas, geralmente alienígenas, feitas em famosas faculdades, mas pouco testadas . Aliás, o país é um excelente campo de testes em vários setores e também no educacional. Teorias, teses etc., que não deram em nada. 96¨% da população é de semianalfabetos.  Não há unanimidade em nada, só uma interminável luta de egos e inconsequente disputa ideológica atrasada, enquanto milhares de crianças, adolescentes e acadêmicos são vitimas desse estelionato que os marcará para sempre. 

Hoje os estudantes não aprendem a seguir o valor do estudar, ler, debater, escrever, ganhar conhecimento geral, esclarecer a vida, criticar, ter curiosidade saber, descobrir talentos, procurar oportunidades intelectuais de crescimento individual e coletivo. Se isto ocorre, é logo desestimulado face ao fascínio pelo mundo real do consumo, que cada vez mais apresentam mais e mais fontes de distração, de passageiras modinhas. Como superar tais atrações, impondo atividades escolares tidas como monótonas e sem contribuição alguma para a aparência, competição e comparações? Enganados os jovens perdem precioso tempo de preparação, pensando poder recuperar quando desejarem, enquanto a vida segue e provavelmente ensinará a cada um que “uma criança só tem 7 anos uma vez”.

E assim vai o país mantendo seu imaginário coletivo irreal e nebuloso, inconsequente e irresponsável.

Considerando os últimos 519 anos, podemos estar na pior época, a das consequências. O esboço de humanidade aqui tentada desencontra-se com o paraíso geográfico. Inquilinos da terra bonita e formosa, parecem estar seguindo rotas em desertos verdes sem saber onde chegar.  De geração em geração, pouco é feito, muito é destruído em termos de construção intelectual humanística. É o processo iniciado com a Reforma de Ensino do Ministro Passarinho, que a título de democratizar o ensino, reduziu o “curriculum” escolar para Matemática, Português, Geografia e História, abandonando assim o modelo francês de ensino enciclopédico e que visava a construção do cidadão em termos humanos e como elemento da civilização. Mesmo diante de tal drástica redução, nada deu certo. Não houve avanço nem para os jovens destinados a plantar, colher, cuidar do gado, cortar frango etc. O objetivo democrático no ensino falhou pela qualidade, produziu evasão, reprovação, excluiu. Que tipo de mão de obra temos hoje?  Já que gostam tanto de pragmatismo e utilitarismo, que se questionem para que servem, que qualidade têm? As incógnitas nos levam a questionar: há tempo para recuperação?

Dos castelos do Poder, o Leviatã está engolindo a todos com a imposição de rotinas de sempre, futricas de corredor, assuntos menores espalhados pelas redes sociais e imprensa, lutas mesquinhas norteadas por vaidades, invejas, ciúmes e muito orgulho. Evidenciam-se assuntos que a nada levam e a Educação de 1972 até agora tem sido brinquedo na mão de caprichosos burocratas e acadêmicos. Como elevar o cidadão, como dar-lhe estímulo e dignidade, como incluir modelos mais nobres a serem seguidos para  o bem do saber e do país?

Apesar do elogiável esforço de milhares de professores da rede pública e privada, o fato é que muitos são meros operadores e representantes da mesma sociedade defeituosa, fisiológica e egoica. O sistema utilizado falha no conteúdo e na sua exposição, na falta de materiais atualizados, na precariedade das instalações, na falta de pensar grande e no país do futuro. O Enem tem sido a prova cabal desse fracasso. O dia a dia do país tem sido o campo de prova de resultados do sistema em frangalhos.

O sistema é insuficiente para dar ao jovem modelos superiores a serem seguidos. E então pergunta-se, neste país de terceiro mundo, a que modelos estão expostas as novas gerações e que tem desaguado  neste desinteresse pelos estudos e nesta grande inconsciência, despreparo e deserto intelectual? Cabeça vazia é a oficina do diabo. Alguém tem argumentos para dizer que não?.

96% de semianalfabetos estão por aí, sem palavras suficientes para se expressar, para pensar, acumulando raiva social, insatisfação, contrariedades que só podem ser exprimidas pelos modos mais brutos e selvagens. A violência explícita e implícita usada  como desabafo só tende a crescer.

Que sistemas estão ocupando o vazio deixado pela ineficácia da Educação? Que “professores” estão sendo mais eficazes junto aos jovens e adultos? Que sistemas estão tendo sucesso em atiçar cada vez mais o ego, o fisiologismo e a consequente selvageria frente a cada contrariedade do ego humano redundando em violência sem precedentes?

Temos construído as bases frágeis para uma construção doentia. Adultos despreparados, frios, calculistas, insensíveis, alienados, arrogantes, e sempre  prontos para a reação física violenta, resultante da falta de Educação ampla, de qualidade e humana. São as pessoas que vão ocupar os cargos públicos, as posições nas empresas privadas, os gerentes e os presidentes sem compromisso com nada a não ser seus interesses de umbigo. Que futuro se faz com tal mão de obra? E não há consequências?

É o país do Deus-dará, dará as costas, dará pena, dará em nada aproveitável. E queremos ter posição no mundo, participar de decisões, exportar itens de interesse mundial para aumentar nossas receitas? Com que não de obra? 

Espera-se que a Educação de qualidade seja encarada doravante como prioridade para que o país progrida com sustentabilidade humana. Se cada ministro do STF, por onde transita, é o próprio STF, por que um dia o professor não pode ser o próprio Ministério da Educação?

Por enquanto mais triste do que a realidade é o inferno de ficar olhando tudo isto sem nada poder fazer e de só ter um voto.

Sem Educação de qualidade, gerações permanecerão escravas da pobreza mental por muitas décadas; nunca cessará o esperar que o país seja salvo por algo divino, por alguém que tenha a solução central, que melhore de cima para baixo sem que o cidadão tenha que participar ou se esforçar; a coletividade nunca  chegará a pensar que o país se faz pela soma dos interesses pessoais orientados para o progresso, seguindo modelos dignos de desenvolvimento.

Nação e país permanecerão expostos ao acaso, à decisão de alguns e as soluções menores de assuntos pouco prioritários para o futuro. A violência continuará a se exprimir, tanto a explícita com fatos horrendos quanto a que fica reprimida, a que devora a saúde e a qualidade de vida do cidadão. Será ilusão pensar que não conheceremos a selvageria antes da civilização, porque isto já está ocorrendo. Poderá o estado providenciar a contento serviços e instrumental para conter tal tendência?

A falta de investimento sério e coerente em Educação de qualidade, a falta de  revisão dos métodos e conteúdos, que claramente não têm atingido o aluno,   tem contribuído para a realidade atual onde os jovens e as pessoas estão expostas a outros tipos de “ professores”, os quais são atuais, eficazes em seus objetivos.

Se o Governo é materialista, gosta de recursos, que tente fazer uma empresa e veja como está a qualidade da mão de obra; que observe quanto tempo durará até que feche as portas por este mesmo motivo.  Empresas fecham as portas, mas a causa apresentada é a concorrência, mudança de mercado, perda de lucratividade enquanto ninguém ousa admitir que o fechamento foi causado por problemas de mão de obra em todos os cargos, falta de ideais, falta de administração, problemas corporativos criados pelos próprios  empregados por falta de gestão etc. Sem providências sérias e coerentes, até quando aguentaremos?   As consequências estão ferozes , graves e expondo a vida à instabilidade e insegurança permanentes.   



Odilon Reinhardt.  3.4.2019.  




































domingo, 3 de março de 2019

O dia a dia que a tudo pode engolir.


















                                   O dia a dia que a tudo pode engolir.

                               A mesmice ameaçadora na Terra do Mais uma Vez.  









Cedo para cobrar, cedo para desesperar. Dar tempo ao tempo, mesmo sabendo que o Brasil devora o Brasil a cada dia. Gargântua e Pantacruel sugam a vida nacional, mesmo que os tempos prometam ser outros, pelo menos em ar novo e esperança de que reformas modelares possam acabar com a cultura política e social que tem sido praticada com altos danos para a Nação. Créditos são dados ao combate tanto à velha política quanto aos velhos hábitos de barganha e de fazer do Governo o tradicional balcão de negócios dourados e cobertos de até agora iludida impunidade. Ilusão que já vai se desfazendo e espera-se esteja sendo desmotivada a cada ação da Polícia Federal e do Ministério Público. 

Desacreditar os velhos hábitos é o desafio do dia a dia para o Governo. O vício cultural quer ser mantido por grupos de interesses, sectários, autoritários e arrogantes, corporativistas, que não querem largar o osso. Até agora não ficou bem claro, se na raiz das denúncias contra a corrupção, não há ou havia, no íntimo, uma sensação de injustiça pessoal no sentido de que o denunciante sentia-se deixado de lado enquanto a roubalheira privilegiava só alguns grupos. Afinal, num país onde se diz que todo mundo “rouba”, porque só alguns ficam de fora? Não seria um tipo de injustiça a motivar a vingança e a denúncia? .

Num país onde as eleições mostraram que quase 50% dos eleitores acha que a monstruosa corrupção revelada era ato normal e sua eliminação não era prioridade de reforma, não é de se estranhar que a resistência seja grande. Assim, a continuidade do modo de ser corrupto, veladamente defendida por certos grupos, reflete parte do comportamento social comum, muito preocupado com seu umbigo, suas frustrações pessoais e suas revoltas contra o sistema que creem seja o causador de tudo. Pouco se pensa no futuro da Nação ou qualquer assunto coletivo. 

Neste contexto e caldo social, o cidadão comum, na posição de trabalhador, contratado ou autônomo, segue ocupado com sua sobrevivência; segue a lógica da necessidade; é pedir muito, que ele se concentre na atividade política do castelo, do qual sabe notícias através de janelas entreabertas por onde escapam aparências, sombras e luzes, que jamais permitem a visualização do todo. E quem tem acesso às informações, mesmo que  em meias verdades, e promove uma visão da realidade com se fosse jogo de quebra-cabeça, é a imprensa, sem a qual nada seria conhecido.  Quando ela silencia, nada se pode saber. Quando divulga algo, o faz no interesse de alguém, pelo que raramente é independente. A imprensa exerce seu supremo poder de fiscal, arbítrio, tolerância e ataque. Em muitos casos trabalha a favor de quem paga e muda de roteiro como e quando convier. Um minuto de palavras negativas contra alguém e este alguém já era. Seja lá como for, a imprensa é imprescindível, assume a posição de visor geral, um Big Brother sem muita estima; o eleitor dela depende para formar sua opinião, e esta advém do que o âncora da TV mostrar do pico do iceberg da vida no castelo. 

Portanto, ao cidadão amassado pela rotina, pouco é revelado. Pouco se sabe do miúdo, das entranhas da política e do poder sujo da poeira das tramas  entre empresas e almas interesseiras do mundo da “representação” em suas alcovas corruptas. É a promiscuidade danosa, sempre tramando a favor da continuidade da farra com o dinheiro do Tesouro.

Aos eleitos pelo voto e seus eleitos sem voto é entregue a carta branca, o cheque assinado para governar segundo as regras e costumes da cultura política que veio se formando.  Tradicionalmente em tal cultura, em alguns casos, há até uma velada autorização para “roubar”, assaltar. E por muito tempo este foi o alvo da oposição até tornar-se situação, ocupando o Governo para fazer seus “negócios”. Dizia-se “agora é a nossa vez...”. Oposição e situação se revezavam na mesma intenção há anos.

Sem embargo quanto à qualidade da imprensa, sem a TV, o jornal falado, o cidadão pouco saberia. Desse quadro de alienação, sempre tiraram proveito, por séculos, os políticos e governantes, fazendo do Governo dos três níveis, o seu balcão de negócios intrapoderes e externos, o seu eldorado, sua fonte eterna de fortuna. Valeu o umbigo, o ego megalomaníaco e irresponsável. O ganha-ganha, os jogos de poder e a esculhambação de cruzamentos de interesses na vida pública, o fascismo, as mentiras de esquerda e direita, da situação  e da oposição, sem qualquer preocupação com a população e suas necessidades, sem qualquer compromisso com a Nação e seu futuro. Uma tragédia humana que agora fez o dia, com gerações e gerações sendo condenadas a um futuro muito louco. Sempre valeu a fórmula diabólica, até que se visualizou o fim do poço, o prato vazio, o bolo e seu término em migalhas. Mesmo assim, quase 50% dos eleitores achou que estava tudo bem. Cegueira maior, nem a do cego.

Agora aos eleitos de 2018, as ruínas, o juntar dos cacos, o desafio do resgate, o endireitar das rotas, o recuperar das forças para salvar, em primeiro lugar o Leviatã de 519 anos, onde vivem e se alimentam os muitos alienados deuses, os supercidadãos, os nobres concursados ou não, os ditos “poderosos” e as “autoridades” que se creem eternas, as quais lutarão com unhas e dentes para manter-se intocáveis na defesa de seus balcões e clientelismo no jogo entre Poderes. A realidade é feita de um Poder Executivo deteriorado, violentado, roubado que agora assume o papel de prioridade de salvação; a energia para tal é enorme e desnorteia os eleitos em sua sinergia de grupo governante. O embalo inicial e toda uma força de novas ideais é gasta porque o Leviatã tem suas manhas e gosta de comer almas e ideais novas numa espécie mensagem que diz aos estreantes que quem manda são as consequências e inconsequências dos governos passados. Assim as medidas de “arrumar a casa” são uma liturgia imposta aos novos governantes; o perigo real é quando estes começam a ser engolidos pelo dia a dia que o castelo lhes oferece. E nesta etapa inicial, sempre comete-se o exagero de se dizer que se uma outra medida não for aprovada o Brasil acaba, o Brasil vai ao caos; deseja-se identificar o Brasil com as contas do  Governo,  tudo para justificar o esforço de conservar o Leviatã. Nunca falta o ameaçar o povo com mais este fantástico perigo. Ora, a realidade do Executivo é um item do Governo total e o todo vive de impostos. O Executivo pode entrar em crise e parar, mas a fonte geradora de tributos, a máquina privada produtiva é no mínimo 70% maior do que o Governo total. A riqueza nacional da iniciativa privada é maior e mais rica, ela dificilmente pararia por si só. Vive em crise, vive com problemas justamente porque o Leviatã a atormenta e dificulta-lhe a vida. O Leviatã é questão de moral, ética em gestão pública. Ademais sua concepção é que deve ser reformada, pois nasceu em outra época e a de hoje já não a aceita como centralizadora e distribuidora de verbas, as quais são usadas como instrumento de política partidária e poder.      

“A latere” desse problema, quem está doente é a Nação. Seria um grande erro de avaliação entender que o problema é só administrativo, financeiro e econômico. O problema é humano, é de analfabetismo, é de falta de valores bons, é de cultura. Como grupo humano, chegamos a uma esquina histórica e é para valer. Nem virar à direita nem à esquerda importa agora. O importante é ir em frente, ser pragmático e atender à necessidade de proteger o futuro. Até hoje neste país, a ideologia não teve sentido, mormente porque perpetrada por pessoas que vem do mesmo saco de farinha e com a mesma intenção. O essencial agora é dar um passo à frente e garantir o futuro das gerações que hoje assistem a tudo sem ter consciência de que têm sido as vítimas de tantos engodos de moda, som , cor e modelos libertários inconsequentes. Quando há protestos pensa-se que as vítimas agora acordaram, mas o engano é logo revelado, pois é mera manifestação de revolta por pontos pouco relevantes para não dizer insignificâncias do dia a dia.

Diante do analfabetismo gigantesco da população, o Governo, uma vez eleito, em tese, só conta com um supervisor, a imprensa. Se esta deixar de ser independente e não apontar a falta de qualidade, eficácia e legitimidade das ações de governo, pouco será sabido pelo eleitor. Pela situação gerada na gestão pública,  aos governantes cabe em primeiro lugar o Leviatã, o sugador de impostos, o metido em atividades múltiplas para gerar propina, o devorador de ideias e o incinerador de projetos. Os governantes estão livres para governar ao seu bel prazer e ideias, podendo dispor do Poder como desejarem, mas terão que gastar preciso tempo em ajeitar a casa.  Ao eleitor cabe esperar resultados da esperança depositada. Facilmente o cenário financeiro e econômico toma conta e mais uma vez esconde a realidade humana que está por trás de toda esta tragédia administrativa. A imprensa preocupa-se com os noticias do dia a dia e 98% delas estão envolvidas com fatos e fotos do castelo, a porcentagem restante refere-se a previsão do tempo, violência e fatos cotidianos de menor expressão. Não cabe à imprensa, como supervisor da realidade, o papel de professor de filosofia, moral e cívica, mesmo que alguns ancoras de TV desempenhem este papel por questão de talento e estilo pessoal. O momento e quase todos os instantes é ocupado por notícias de ações do Governo e seus políticos e entopem a casa do expectador com apreensão, medo, instabilidade e insegurança coordenada.  

O desafio da gestão atual é efetivamente grande: vencer o dia a dia do castelo,  cultura política, a cultura social, o modo e mecanismos usados para defender interesses, o analfabetismo vestido de comportamentos privados, os quais só sabem corromper para conseguir vantagens contra a concorrência de mercado. É parte do desafio, vencer as investidas e cercos montados pelos corruptores e o ego de ganância, os quais não têm pátria nem nação, só suas empresas e interesses comerciais contra a empresa concorrente. São os que defendem a redução de impostos, o livre mercado e a livre concorrência, mas são os primeiros a procurar vantagens junto aos eleitos. Ética e moral são os últimos itens em cada cartada. O objetivo foi sempre a obtenção de benefícios e vantagens contra a concorrência. Corrompem, lançam mão de balanços maquiados, da protelação de despesas, principalmente as de alto custo, que possam comprometer dividendos e diminuir a imagem na Bolsa de Valores. Se a estratégia der errado, o percentual de reparo é mínimo parente o ganho. Um país de empresas, assim sujas, só pode esperar a lama do destino.

Não podendo fiscalizar a contento a administração de milhares de empresas, o Governo, pelo menos, pode começar a desacreditar o vício de as empresas corromperem autoridades e a fiscalização. Já será um avanço substancial impor nova conduta entre Governo e empresas, porque estas é que antes de tudo corrompem. São o centro do problema, o foco a ser trocado. Não é fato brasileiro, é mundial. Só que para nós é letal. É necessário extirpar este mal que em 519 anos, só enfraqueceu o país, condenando a população à miséria e ao analfabetismo e a empresa nacional honesta à falência ou estagnação.

São os negociadores, os representantes, os gerentes de empresas que são cidadãos comuns a serviço de seus negócios e patrões e nesta função não abandonam nunca suas características culturais de pessoas comuns: corruptas, brutas, antidemocráticas, autoritárias, prepotentes, egoísticas, frias e calculistas, fisiológicas, morais quando convém, bajuladoras, corruptoras, conservadoras quando oportuno, hipócritas. A ética e a moral são vistos como problemas e itens antiprogresso para muitos. São os que sustentam financeiramente as campanhas eleitorais e esperam beneficiar-se do Poder a qualquer custo.

 Como esperar o contrário, considerando que as pessoas são o resultado do sistema educacional formal ou sistema familiar que frequentaram.

Faltou educação de qualidade. A mão de obra é falha, viciada e seguidora. O analfabetismo está na cabeça do empregado, do gerente, da cozinheira, do político do local, no balcão da repartição pública ou do açougue, na padaria e no serviço da clínica. É uma praga modeladora. Neste quadro, será sempre difícil demonstrar que a imposição de propostas sem debate é atitude danosa e que o melhor é o diálogo propenso a fazer valer a melhor ideia como solução democrática.

Como se vê, ao Governo maior, cabe antes a reforma das cabeças, do modo de ser e agir. Isto é possível dando exemplos, mostrando atitudes, convencendo quanto a valores do respeito ao Próximo em todas as facetas da vida nacional, respeito ao interesse público para a Nação. Esforços mais duradouros exigem uma estrutura maior e constante ao longo do tempo,a Educação. Açodado pelas necessidades do presente, as prioridades materiais são as mais evidentes, de modo que o Governo, sendo um provedor e um fazedor materialista, tende a ir deixando a Educação para segundo plano. Educação demanda tempo, não dá voto e seu resultado é subjetivo, mas sempre se tem notado que o país perde muito em qualidade por falta de Educação. Em todos os setores de atividades ,até hoje, sempre se observou que se um projeto qualquer é feito sem amor ao Próximo e à Nação, certamente um dia revelará sua ideia nefasta através de consequências desastrosas, espiritual e materialmente.  A mentira continua a ter pena curta, muito embora em termos de estratégias nacionais, algumas mentiras só aparecem décadas depois e a impunidade é garantida.

Afinal, até agora, este é país do remédio falsificado, do leite adulterado, do combustível batizado, dos produtos industrializados com química temerária, da carne com bactéria, da obra paga, mas inexistente, do serviço pago a firmas de fachada etc. etc. Em tudo há golpe e fraude.

O desafio para transformar isto tudo em energia positiva de progresso e prosperidade é, portanto, gigantesco, mas valerá, no dia a dia, desacreditar tal cultura, substituindo-a por modo menos selvagem. Em 519 anos de História, pouco se alterou em termos de condição humana. Saímos da escravidão física de índios e afros, saímos da miséria absoluta como regra, mas permanecemos fisiológicos e egoístas.  Não muito distante de qualquer centro urbano, pode-se ver o Brasil no dia a dia de séculos passados. Uma miséria e tragédia humana que poderia ter sido evitada. E alguém ainda ousa falar em implantação de ideologias autoritárias de falácia utopiana e antidemocráticas. Um delírio ideológico, como em tantos casos que nos remetem a discussões políticas e teológicas de 600 anos atrás. Aliás, aqui nem a transição do rural para o urbano está definida e por vezes ainda há discussão se o Brasil deve ficar agrário ou industrial, discussão que nos EUA deu-se por volta de 1780 entre Hamilton e Thomas Jefferson. E por tantas outras discussões, básicas e já resolvidas em terras mais evoluídas, que vemos no país, parecemos estar por vezes na pré-história da evolução do pensamento humano. Nem se toque no aspecto religioso atual. E ainda vale citar Nelson Rodrigues que disse ”o Brasil conhecerá a selvageria, antes de chegar à civilização.“

A questão aqui é falta de valores de preenchimento intelectual, de cultura universal, de espiritualidade e humanidade e de amor à Pátria, tudo por falta de Educação de qualidade.

Que as reformas venham, que sejam estruturais, que o Governo tenha sucesso, que o país faça a base para prosperar e o país tenha produtos úteis e de qualidade para si e para o mundo, porque hoje pouco temos a oferecer em troca ou venda, que não seja direto da natureza e da roça, sempre com tremendo impacto ambiental. Perdemos pela Educação, pela falta de tecnologia e não passamos de uma feirinha de eletrônicos importados e consumidores de bugigangas de US 1,99 e da condição de exportadores, quando e se o real for desvalorizado.

Ficamos atrasados na Educação básica, aquela que o povo precisa; não avançamos na Educação média e a superior é sofrível. Um reflexo disto esta na realidade de podermos estar sendo condenados a continuar com milhares  de empregos que a tecnologia já poderia ter eliminado, permitindo que as pessoas possam evoluir para funções melhores. Talvez muitos empregos, que não existam mais no mundo desenvolvido precisem ser mantidos, para não gerar desemprego. A falta de Educação de qualidade, que desperte o talento de cada um, gera escravidão. A falta de melhor qualificação pode já estar nos condenando a décadas futuras de atraso, o qual será politicamente necessário, acredite quem quiser.

E pela mesma estrada, perdemos até agora o tempo de vencer no mundo pela nossa identidade nacional, porque o atraso conquistado, só vale para o tupi do passado, não vale nada para o sistema de geração de divisas, e participação na riqueza mundial. Acho que ficamos sem importância por não ter investido em Educação, na sucessão e nas gerações futuras. Já passou há décadas o momento de querer dar ao país uma identidade indígena, como queria o movimento iniciado na  Semana de Arte Moderna de 1922  e como queriam Assis Chateaubriand e outros ou uma identidade afro, como queriam movimentos no governo anterior. Hoje somos o resultado da idiossincrasia cultural e populacional, somos síntese do mundo e com isto é que vamos para o teatro internacional.  Se há vantagem ou não nisto, o futuro que o diga , pois até o presente tudo está difuso e sem cor. 

A questão que se põe é qual a porcentagem da população de 96% de analfabetos tem mais de 30 anos e jamais poderá sair de tal condição de ignorância, tendo que apelar para o crime e a violência como meio de sobrevivência. Se a corrupção nas suas variadas formas é regra, porque a violência não seria?  A que ponto a mão de obra, qualificada ou não, poderá corresponder a uma economia que produza para fazer face aos produtos de um mercado mundial?

Neste cenário que mereceria planos sérios e estratégicos, a verdadeira prioridade não seria a Previdência, se a economia estivesse girando com sucesso. Ficou sendo a prioridade por causa da crise econômica, da falta de pagamentos por parte dos empregadores púbicos e privados, da falta de geração de empregos. A corrupção, a má gestão, a recessão e a depressão econômicas e o erro de concepção do sistema, unindo Assistência social e Previdência Social na Constituição de 1988, fizeram agora esta prioridade.  E o novo Governo começa a dobrar-se, ajoelhar-se ao Leviatã aceitando o jogo de sempre; cai na conversa mole das coisinhas e assuntos menores do dia a dia. Marra-se. O truque é velho, o castelo é manhoso e quer engolir qualquer um que desafie suas rotinas e salários. 

Em vez de o Governo e sua Diplomacia estarem se ocupando com o mercado exterior, com a modernização da indústria e serviços, com a qualificação de mão de obra futura, com a ciência e tecnologia, com a geração de riquezas e empregos, com o desenvolvimento de produtos que sejam interessantes ao mundo e a sociedade, estão concentrados na reforma da Previdência como salvação, quando na verdade os resultados de tal reforma, se aprovada, levarão décadas para surtir efeito. Até lá, o Leviatã poderá ter engolido muitos governos e a cultura política e social terá evoluído sabe-se lá para que patamar de miséria. 

O esforço de se concentrar tanto na reforma da Previdência, sem alterar a sua união com a Assistência Social, ou seja, a raiz do problema, conduz a pensar que é uma reforma para agora e no futuro haverá outra necessidade de reforma. Mas,” en passant “, se o país se tornar rentável, obtiver progresso, participar de exportações mundiais, captar riquezas no exterior, for resgatada as bases sólidas para uma economia próspera, e puder, enfim, promover os objetivos constitucionais a favor da população, muitas questões e inclusive a Previdência ficarão entre os itens de pouca preocupação. Numa economia rica que gire com riquezas novas, em que haja prosperidade e empresas e Municípios paguem a Previdência em dia, esta não é problema e pode bem ser ajustada ao longo do tempo.  

Todavia, observe-se que o exagero em colocar que a reforma da Previdência é essencial, justificando que se não passarem as reformas o Leviatã passará fome, os vencimentos de altos funcionários ficará ameaçado, e deixar assunto mais relevantes e imediatos para segundo plano é muito curioso e talvez esteja sinalizando que o Brasil não obterá sucesso comercial na próxima década.  E assim sendo, permanecerá restrito a sua produção interna, ao seu consumo interno e receita tributária nos patamares de hoje; continuará na posição de vender produtos da roça e pedras ou do que com elas possa se fazer com tal matéria prima nas nações industrializadas.

 Somente neste contexto de estagnação, muitas das pretendidas medidas de reforma e contenção são justificáveis. Cortar as gorduras, procurar moedas nas gavetas, garantir consumo interno com liberação de saldos de contas como PIS e FGTS, vender patrimônio, privatizar etc. são medidas atuais, recursos desesperados para manter o nível de consumo e a receita tributária, mas esgotáveis, pois logo o dinheiro acaba e volta-se ao mesmo ponto inicial. Mesmo que se coloque que a aprovação da reforma da Previdência é um marco a partir do qual toda a economia passará a reagir e o mundo será diferente com mais confiança, estabilidade e perspectivas positivas, o Leviatã exigirá mais e mais e seu nobres não hesitarão em amassar a população em busca de preservar seus altos salários e cargos de influência. À população cabe habituar-se a tal rotina e ao consumo de bens e serviços de quinta qualidade a preço de dólar.   

A esperança é que o Governo consiga esmo reverte este quadro, com ou sem aprovação da reforma da Previdência, fazendo reformas estruturais para eliminar culturas do atraso, ideologias negativistas e mostrando incentivo ao progresso material e intelectual dos cidadãos.  Se no conjunto de cidadãos, o pensamento é pequeno e negativo, estas serão as características da colheita futura. Cabe ao Governo estabelecer novos padrões, novos modelos de prosperidade que libertem o povo da pobreza intelectual e material e que cada cidadão sinta-se livre para empreender com segurança e objetivos legítimos e prósperos.

E então, as dúvidas quanto ao sucesso do Governo sempre advém da mesma questão: como promover reformas sem priorizar a Educação de qualidade? E mais, como qualquer resultado em Educação leva no mínimo de 25 a 30 anos, a sensação é mesmo de a gente ter perdido o trem da História?

Educação não rende votos, mas leva à pobreza intelectual, a pior das misérias humanas; leva à mão de obra sem condição de ascensão funcional ou ao sonhar com objetivos pessoais superiores. Mas políticos nunca pensaram nisto, pois a cultura os leva a focar no umbigo, na reeleição, no espírito retardado da falsa realização e na megalomaníaca sensação de ser poderoso e inatingível.

Agora o que vemos é o resultado de tal cultura inconsequente que terá que ser alterada pela força da honestidade praticada, amor ao Próximo e ao futuro da Pátria.

As reformas estruturais terão que ser feitas com a casa funcionando, com a máquina trabalhando, pois nada pára, o país tem a vitalidade e energia privada, é só colocá-lo na estrada certa. Os vícios do castelo e sua  burocracia é que em grande parte têm amarrado o país.

A ameaça é de o dia a dia começar a engolir o espírito de reformas necessárias e tudo tornar-se a mesmice do impossível. Há sempre este perigo de a carcomida cultura política e social começar a exigir que sejam respeitadas suas origens do politicamente correto. Mais uma vez temos o perigo real e imediato: a antropofagia que engole nosso futuro.  A mesquinhez dos assuntos menores toma do Governo o tempo precioso de pensar e tomar atitudes concretas quanto ao futuro.

Odilon Reinhardt  3.3.2019.