quinta-feira, 3 de setembro de 2020

E o Fator Humano?

 

   

                                                                









 

                                          Um Sinal do Universo 




Estamos nesta  bola azul entre cada anoitecer e amanhecer,

sinalizando no escuro do Universo

para que alguém talvez  possa nos ver .

 

Enviamos nossas naves poderosas,

nossos telescópios e satélites,

mas permanece o silêncio em notas vigorosas.  

 

Somos moradores pensantes ,

cheios de enigmas e perguntas,

mas  também meros passantes.

 

Somos Natureza ,

somos parte de tudo,

somos tudo e nada na Criação e sua beleza.

 

Ignoramos que dependemos do sol,

da água , do ar, da Natureza como um todo,

e até mesmos dos sonhos da hora do arrebol. 

 

Fazemos dificuldades, complexidades,

esquecemos nossa  simplicidade,

negamos nossa fragilidade.

 

Com orgulho e soberba inventamos

governos, estruturas complexas e hierárquicas

mas da essência, da inocência e da simplicidade esquecemos.

 

Nossos intelectuais criaram todos osismos

para tentar explicar e entender a vida ou o que fazemos,

mas ao final nada entendemos e explicamos com estes ismos. 

 

Acumulamos o negativo,

vivemos e perturbamo-nos com este depósito,

esquecemos do que é positivo.

 

Vivemos embaraçados dentro de nossa mente,

cegos, inconscientes, numa congestão,

afogados na materialidade complexamente.

 

Temos intensa dificuldade em saber viver,

somos levados a ver o Próximo é inimigo natural e competidor,

nossa vida espiritual é conflituosa e afeta o conviver.

 

Criamos conflitos, disputas, diferenças,

que levam a guerras e destruição,

temos cerimônias e rituais e lutas de religiões e crenças.

 

Ficamos cegos com a emoção e a ira,

ficamos fascinados e nos ajoelhamos diante do material,

temos o dinheiro e competição como mira.

 

Perdemos a  percepção e a sensibilidade,

gastamos muito com coisas transitórias

e depois muito tempo tentando retornar à nossa realidade.     

 

Fazemos classificações, categorias e classes de seres humanos,

perdemos energia nos diferenciando por critérios escusos ,

criamos ilusões e muitos enganos.

 

Sabemos estar submissos ao Tempo,

tentamos estendê-lo, multiplicá-lo,

mas  achamos contratempo.

 

Não sabemos lidar com a limitação da existência,

não aceitamos nossa inferioridade,

queremos criar eternidades e falsas essências. 

 

Temos medo de perder,

mesmo sabendo que daqui nada levaremos;

temos medo da morte e seu acontecer. 

 

Sabemos que nada é para sempre na Terra onde estamos, 

a instabilidade é geral e o movimento constante,

não sabemos de onde viemos e para onde vamos. 

 

Nos debatemos na busca de um preenchimento ,

na busca para um sentido para a vida

e tudo que obtemos é um contínuo vazio no sentimento.

 

Sabemos de nossa pequenez perante a Natureza,

que somos indefesos perante a física e a química do Universo,

mas continuamos orgulhosos e soberbos em nossa natureza.

 

notamos a impossibilidade de mudar o roteiro fatal

entre o nascer, crescer e morrer ,

mas ainda nos matamos e afogamos no material.   

 

Temos medo da dor da morte, da sua essência,

da verdade que dela ninguém voltou,

do enigma da perda e da inexistência.

 

Tentamos viver explicando porquês,

o nascer, o crescer e o morrer,

fazemos teorias e nada sai dos por quês.

 

Lutamos entre o material e o imaterial,

entre o palpável e o impalpável,

aceitamos ou negamos o espiritual.

 

Perdemo-nos em nossa pequenez,

em nossas injustiças, iniquidades,

em nosso orgulho e soberba cada vez.

 

Nossa bola azul , nosso lar,

por ganância não é mais a mesma,

mas não aceitamos nossos crimes no seu cuidar.

 

Preenchemos nosso peito com medalhas, condecorações,

prêmios e comemorações,

mesmo sabendo que não valemos nada por nossas atuações.     

 

Ignoramos nossa fraqueza total,

perante a doença, um simples mosquito,

uma bactéria,um vírus pode nos fazer virar pó, fatal.

 

Basta não respirarmos por alguns minutos

e a existência cessa, desaparecemos;

vence o tempo, a Natureza; a bola azul reclama seus frutos.

 

Portanto, o dia é o que temos;

o foco no aqui e agora,

na vida e seus bons momentos.

 

E do Universo, nem um sinal,

o nada absoluto,

estamos aqui, é a Terra nosso mundo especial.

 

 

Odilon Reinhardt.

 

 

                                   Tédio nos céus.

 

 

Prédios inteiros

de gente acuada ,

cheia de grandes dinheiros.

 

Gente esvaziada,

sem nada para fazer,

matando o tempo nesta parada.

 

Andares cheios de animais humanos

com gente usando o intelecto ou não,

todos já apresentando sinais de desenganos.

 

Não é só a ansiedade ,

a depressão , é a Exaustão,

uma cruel verdade.

 

Prédio após prédio,

cheios de nada,

amplos em tédio. 

 

Elevadores do medo,

ponto de estrangulamento,

todo dia desde cedo.

 

O vírus pode estar no sobe e desce,

a sorte , o destino, o azar,

o destino de cada um ali nasce.

 

Dia após dia ,

um andar desconfiado do outro,

instalou-se a agonia.

 

“ Bom dia” que já era raro ouvir,

agora com máscara,

tal rugido nem se ousa.

 

Conveniente e social afastamento,

o prédio virou caixa vazia,

e local de certo constrangimento.

 

Odilon Reinhardt.

 

 

 

                                 Novo normal.

 

 

Sorrisos escondidos,

olhares estarrecidos,

rostos repartidos.

 

A máscara ,

os mascarados,

a realidade cara.

 

A expressão sem graça,

os olhos como contato,

a aparência em desgraça.

 

Olhos tristes, enternecidos,

irados, assustados,

feios, raivosos , cansados.

 

A máscara escondendo o rosto,

como a mulher de burka, de shador,

uma sombra sobretudo sem gosto.

 

A máscara do Covid-19,

fazendo a beleza feminina passar ,

um tempo,um 2020, sem que nada a renove.

 

Quando veremos os olhos se abrindo,

os rostos felizes e livres,

femininos mostrando beleza e sorrindo? 

 

Agora vale enfim a mulher

que seja inteligente,

mostrando seu mundo interno de bom ser.

 

Só ego e aparência,

isto agora não pega mais, 

doravante, vale a essência.

 

Por enquanto, olhos que procuram se aproximar,

de humanos que passam, que fogem, que desviam,

que se afastam , que se distanciam.

 

Onde estão os amigos,

todos mascarados agora,

se misturam aos inimigos?

 

Prossigo na esperança do amanhã,

quero encontrar os amigos,

um irmão, uma irmã.

 

Estão em algum lugar,

atrás de uma máscara qualquer,

o velho normal deve voltar.

 

 

Odilon Reinhardt.

 

 

                           O que estou vi e estou vendo.

 

 

Vi e estou vendo nesta crise

pessoas  com medo, mas 

ainda mais fechadas; muitos egoístas em crise.

 

Vi e estou vendo a realidade,

o humano se afastando do humano,

ainda em maior intensidade.

 

Amigos, conhecidos e parentes,

todos tão recolhidos,

tão sós sem suas gentes.

 

Ficavam até alegres com o contato,

mas será que procuraram alguém,

será que perderam o tato?

 

Habituados ao toma lá da cá dos interesses,

estão perdendo o lado sensível humano,

não sabem se relacionar sem materiais interesses.

 

Nenhuma ligação de interesse puramente humano, querendo saber:

perguntar simplesmente, “Como está ? Como tem passado?” ;

emudecidos, refreados fazem tudo pior até neste afazer.

 

Vejo pessoas que não ligam,

pessoas que não retornam mensagens,

muito presas, sem palavras, não se importam.

 

Criam sem querer uma sensação de ter falado ao vento,

sem resposta, sem retorno, sem atitude ,

é o frio isolamento.

 

Pessoas que se habituaram a esperar,

seguir, receber, e nada podendo fazer,

agora sabem reajeitas mas não sabem criar.

 

São dificuldades a vencer,

deveriam agitar o dia, a vida, sacudir a rotina,

gerar as suas próprias novidades e fazer acontecer. 

 

Senti muitos tão reprimidos,

de poucas palavras, sem expressão,

animais na toca, de pensamentos espremidos.

 

Vejo gente se arrastando pelos momentos,

sem ter o que fazer por horas exaustas;

gente presa com medo de seus sentimentos. 

 

Sem hábitos intelectuais,

tudo fica mais difícil de preencher;

esperar a hora de dar comida aos animais.

 

Vi pobreza, de comportamento,

falta intelectualidade, pouca nobreza no atuar,

pouca beleza no sentimento.

 

Pessoas que nada podendo fazer,

dedicam-se ao vazio de coisas inúteis para matar o tempo,

crueldade, pois é  tempo de vida que está a correr.

 

E a certo ponto vi palavras de solidão,

uma tristeza camuflada em vírgulas e pontos finais,

um adiantado estado de exaustão. 

 

Vi e estou vendo muitos neste caminho

com  seus umbigos, a realidade que já existia,

agora mais intensa na falta de atenção e carinho.

 

Nada para surpreender,

só uma constatação,um teste

de como tudo está frio, calculista ,pragmático no coviver.

 

Tanta superficialidade

já era o comum no ti-ti-ti

em redes da sociedade.

 

Isto virou agora ícone da ansiedade,

uma tortura lenta e diária no vazio,

cheio de dissimulação e fragilidade.

 

Vi e estou vendo a solidão,

sombra que vai se aproximando

da individualidade de cada coração.

 

Fico a perguntar se durante

toda esta crise humana não só de saúde

irão refletir ou ficar ainda mais distante.

 

Vi e vejo muitos preferindo

concentrar-se na dor e não no amor-compaixão,

alienar-se, negar , evitar debater o que vai prosseguindo.

 

Será que tudo isto nada ensinará,

será que tirarão conclusões certas,

será que isto tudo para algo servirá? 

 

Odilon Reinhardt.

 

 

                               Em meio a todas as demonstrações do Leviatã quanto ao seu caráter materialista e assaz egoísta, visando sempre a preservação de seus órgãos, os quais muitas vezes, só funcionam para dentro, fica por demais visível que o espírito do Poder é mesmo de existir para si mesmo. Nada de diferente e nem uma quebra de expectativa, pois as estruturas e o espírito monárquico continuam a existir dentro da aparente modernidade do ideal republicano e suas estruturas. Evidentemente, tal continuidade dá aos inquilinos, eleitos, pelo condomínio nacional, o modo de “vida nobre” a ser preservado com se eternos os mandatos fossem;  tal moto está personificado em muitas das inatingíveis figuras,  elevadas aos altos escalões de seres que se creem  perpétuos, e que em ações corporativistas procuram manter suas salvaguardas, privilégios e benefícios estratosféricos diante de milhares de comuns, famigerados ou não, que devem seguir a rotina da vila, ameaçados pelas adversidades da vida e suas doenças.

O show entre os níveis de Poder Executivo no país politizou a crise de saúde, economizou dinheiro público distribuindo migalhas ao povo, propiciou que quadrilhas fizessem seus negócios milionários em equipamentos de saúde, favoreceu a corrupção e deu fartos exemplos de dissonância, falta de planejamento, descaso, manipulações, jogo de falsas orientações, enquanto o festival de barbaridades e politicagem continua esnobando o crescente número de casos e mortes. Nada de anormal para o país onde se faz de tudo para ganhar sem trabalhar muito.

Por trás da cortina da crise da saúde, passam boiadas e as piranhas ficam gordas, o Leviatã acossado pelos factoides políticos e “side-shows”, permanece inabalável em sua administração econômica fantasiosa à mercê do tsunami que vem vindo.  Políticos ocupam-se com sua prioridade: a reeleição. Os eleitores expostos à sorte e destino. A principal ocupação de toda a estrutura político administrativa é a preservação de seus corredores e o que ali se comenta e prepondera: luta pelo Poder e colocações.

Quem se ocupa em ousar perturbar a normalidade de tal realidade palaciana e suas intrigas é a TV, a qual, entre seus muitos aspectos negativos e que ao início da crise quase levaram o povo à loucura e a histeria, organizou-se para informar e mostrar as agruras, devaneios e discursos contrastantes entre os jogos do Poder.

Em tudo, fica demonstrado, pouca preocupação de certas autoridades com o fator humano e as consequências humanas da pandemia. Tal fator é aspecto secundário diante da pressão econômica para reabrir o comércio, garantir a receita pública, negar a realidade, divertir o foco enquanto os falecimentos se acumulam .

A tríade, Saúde, Educação e Segurança a cargo do Estado mostrou sua realidade. Não fosse o trabalho heroico de médicos e enfermeiras, tudo seria pior. No todo, o Poder mostrou-se burocrático, lento, atrapalhado, pouco convencido da seriedade da crise, sobretudo, desunido e fragmentado. A dissonância entre as autoridades foi  tônica diária e a incompetência a marca registrada em tudo que politicamente podia ser decidido.  

Mas todo este cenário , por vezes até surreal pelo modo com que a TV o comunica, está sendo percebido só por alguns, pois fica embaçado pela fumaça do analfabetismo, da alienação, do pouco interesse pela causa pública, pela educação precária que impede o completo entendimento do que vai ocorrendo, pela falta de crítica e também pela audiência desistente, a qual cansou de tanta má notícia por um período tão extenso. 

É assim que cansado de tanto desencontro, falta de união e contradições absurdas, a reação comum começa a nascer na multidão, tratada como rebanho.

O fator humano subjacente é catastrófico, consequência de várias mazelas da vida nacional. Entre elas a Educação, colocada agora em tentativas de aprendizagem por meios virtuais, não só no Brasil, mas no mundo; revelou-se um fracasso. Pais e mães fechados em casa com seus filhos, que caldo fazem? Se a Educação era delegada para a escola, agora voltou à mão dos pais e não prosperou, faltou equipamento, cultura, sensibilidade e tempo e interesse. As horas de negligência foram alteradas e sabe-se  lá mais quanta encrenca doméstica em imbecis discussões por falta de paciência, hábitos intelectuais ,costume, foco e até mesmo amor. As crianças em casa; centro de atritos e muita violência física e moral entre casais, crianças, jovens e idosos. Os desdobramentos serão múltiplos e persistirão pelo depois da crise. Pelo menos vai ficando demonstrada a essencialidade da escola e o caráter insubstituível do professor.

A Educação como prioridade supranacional. Nunca foi, não dá voto. Todavia a Educação é o berço do cidadão, mais importante do que a sua própria casa onde pais nem sempre contribuem para a correta educação,  seja a formal para o trabalho seja a pessoal. Até a lei considera a casa com fortaleza do cidadão, mas como está a cada do cidadão antes, durante e depois desta crise? Até que ponto a casa e o que nela acontece não está sendo o centro da demolição da vida íntima do indivíduo, mormente quando o país não consegue ali existir para fornecer base sólidas para uma vida conforme prevê os objetivos da Nação nos termos da Constituição da República. O estado materialista, em décadas e décadas, tem olhado  o fator humano com interesse de quem quer o voto, quer o consumo, quer a receita. Pouco faz pela qualidade de vida e educação sustentável. Não é de agora, é posicionamento de sempre e a sequência de um Governo após o outro que só apresenta as mesmas políticas precárias. Consequências viram causas e assim vamos perdendo energia e tempo. Qual a qualidade de nossa mão de obra para fazer face ao futuro. Como está sendo afetado o cidadão em seu ninho? Quais os efeitos da Pandemia na pessoa e sua possibilidade de consumir e prosseguir na vida? No que possa pesar o bom desempenho de secretários estaduais e municipais de saúde, a população deixou de prestar atenção à TV e decidiu continuar a vida assumindo o risco, utilizando-se da fé e esperança, dois pilares da vida restante neste país.

A necessária quarentena, o afastamento social e o distanciamento foram biocotados pelas notícias e orientações contraditórias a ponto do cidadão decretar por si só o fim da Pandemia e ir em frente. Com tanta notícia ruim, por período tão prolongado, invadindo os lares, de todos os itens da psicologia de massa mais aplicados como o Pão e Circo, pelo menos um teve que ser liberado: futebol, mesmo que sem presença de torcidas nos estádios. Como elemento de luz no final do túnel, a promessas de vacina rápida. Mas o vírus desafia a tudo e todos, não conhece das coisas humanas. Aproveita-se do negativismo propalado pelos meios de comunicação e afeta a moral do povo em casa.

Diante do afastamento social, das restrições impostas, do vai e vem de comandos municipais, da dissintonia de orientações entre níveis de Governos e dentro do próprio Governo, a pressão econômica, as dívidas, os dias cheios de más notícias, os problemas familiares etc., o cidadão não tem mais como resistir e acaba banalizando a crise e vulgarizando o vírus como pura reação animal ansioso pela liberdade. A pressão sobre o cidadão confinado foi até agora a maior já vista no país. A instabilidade gerada fez pressão que levou  certas camadas da população e faixas etárias decretarem o fim da Pandemia por si só, promovendo perigosos eventos de aglomeração, desfeitos a cavalo , tiros e sirenes. Ademais os comerciantes e empreendedores foram sendo surpreendidos com o prolongamento da crise e olhando seus negócios e empreendimentos irem para o brejo. Ficar em casa nesta situação certamente foi uma tortura e a saída foi fazer pressão sobre os prefeitos e governadores. É de se supor que o Covid atrapalhou também todo o processo de lavagem de dinheiro e caixa dois praticado por muitos comerciantes e indústrias. Diante da pressão, as prefeituras tiveram que ceder e criaram muita contradição, notada pela audiência popular. A decisão é norteada sempre para não perder ou não deixar de ganhar e isto levou à perda da vida de muitos. Ademais, num país muito egoísta, o Próximo que se dane e os idosos mais ainda, pois alguém tem que morrer para salvar o negócio. E nestas decisões, políticos afrontaram a área médica diretamente. O político virou médico, deveria também assumir o encargo de agente funerário, bom negócio nesta época.   

O fato é que Governo e TV terão que fazer um esforço enorme para resgatar o otimismo e objetivos de vida positiva após tanta degradação e um impressionante impacto social equiparável ao ano do pós-guerra. Por hora, forma-se um perfil de miséria e desgraça quanto à estabilidade emocional dos sobreviventes. Diante da dissintonia entre Governos, nem Governo nem a TV consegue chamar a atenção do povo que já esboça sinais de Exaustão.

O chamado rebanho demonstra por atos concretos não mais seguir notícias e acenos de medidas econômicas amenizadoras; já vinha demonstrando sinais de desobediência civil de modo fragmentado e em lugares bem televisionados. O fato pode evoluir para a desconsideração civil, se o teatro político e judicial continuar a fornecer o bizarro e o inatingível ao entendimento popular. Não é o que se deseja, mas é o que está se formando para juntar-se à chegada das consequências econômicas de modo ainda mais severo na porta da frente da casa do cidadão, dando-lhe bofetadas finais com desemprego, instabilidade emocional, desmoralização do homem e da mulher perante as responsabilidades domésticas diante dos filhos, enfim, a sensação de fracasso e esmorecimento, a insatisfação existencial e seus enormes desdobramentos na vida individual. Então, isto não vai se refletir no consumo, na receita e no desempenho laboral para quem tiver emprego?

De certo modo, a alienação e o analfabetismo já eram problemas graves, mas podem juntar-se à exaustão para formar a desconsideração civil, uma espécie de apartheid entre Povo e Governo, retirando a legitimidade para ação. Não se pode ainda prever em que intensidade isto vai acontecer, se coletivo ou pessoal, mas basta que atinja o comportamento de pessoas chave na família ou na empresa, onde as gerações que estão assumindo o poder, já esboçavam comportamentos de rebeldia, desinteresse, visão voltada ao dinheiro, falta de quanto à acumulação de patrimônio, individualismo e o nunca trabalhar vestindo a camisa da empresa.

A nova realidade doméstica nada contribuirá para a melhoria na educação da infância em curso pelas razões já expostas, devendo-se acrescentar que o “home-office”, nos casos em que é possível  de acordo com a natureza do trabalho, será mais um componente a contribuir com a negligência dos pais na questão educacional, pois o trabalho profissional passará a invadir o único espaço e tempo que poderia ser de atenção exclusiva à casa e aos filhos. A título de  modernidade e necessária adaptação aos efeitos da crise, a empresa vai invadir agora fisicamente a cada do trabalhador de modo mais grave e usurpador. É a verdadeira invasão da vida privada, roubando o tempo livre das pessoas e diminuindo sua individualidade. Muitos desdobramentos são previsíveis, alguns bons outros ruins, mas os ruins já são suficientes para agravar a situação de casais, adolescentes crianças e idosos. Chegar-se- á à coisificação geral de todos, submetidos agora diretamente à aplicação de filosofias da linha de produção, como o pragmatismo, racionalismo, utilitarismo etc. Tudo isto em lares exprimidos onde possivelmente a sala de estar e a cozinha vão virar ambiente de trabalho. Um desastre para a convivência familiar e atenção aos filhos ou para o companheiro/a. A Pandemia acelerou muitas tendências boas e ruins que já vinham se formando; várias realidades foram precipitadas e o retrato do Brasil agora é real, sem ilusões e falsas luzes. O Brasil enfim mostrou a sua cara. Nas barbas das Igrejas Cristãs, os políticos demonstram que a Educação e as crianças são problema e não a solução. Entre tudo de ruim a resolver, o problema referente à negligência familiar é um dos piores.

Muitas serão as novas realidades domésticas e numa sociedade fisiológica e egoística cada vez será mais difícil dar orientação para a população e ser atendido. Atos ignorantes serão mais difíceis de controlar só com lei, multa e polícia. Perigosa e temida realidade. Pouco adianta questionar em que esquina da História nos perdemos, mas certamente a descura quanto à Educação e a vida familiar, se não consertadas e bem concertadas, levará às consequências ruins quanto ao interesse do Governo: rebanho, eleitor e consumidor.

Ademais, com todos os problemas intensificados e agravados pela crise, o cidadão é que será a vítima número um. Um eleitor desnorteado, alienado e desinteressado, um consumidor endividado, sem fundos, sem emprego e com a família cheia de problemas.  Pergunta-se, a doença do século, propiciada pela ansiedade galopante, não é mais a depressão? O indivíduo sobrevivente estará mais forte e imune aos problemas comportamentais e mentais?

Seja lá como for, o país é do povo, para o povo, e tem que ser feito com o povo e  pelo povo representado democraticamente. Ninguém retira da população este poder.  A História Universal mostra que isto é verdade e assim será para sempre. Por maior que sejam os problemas, o povo tem instinto coletivo, bom senso e move-se de acordo. Em processos sempre há começo, meio e fim, de modo que as consequências decorrentes da descura quanto à Educação logo começarão a ser mais agressivos e afetarão a mão de obra substancialmente. Não é questão de dinheiro, é questão de vida e preservação do fator humano. Que tipo de humanos são os que mediante a corrupção e assalto aos cofres públicos brincaram com dinheiro de obras e serviços por séculos, esquecendo do país e da Nação? Quem brincou com obras e recursos da educação e saúde em sua ganância, fazendo do Governo um balcão de negócios?  Isto agora tem consequências invisíveis para quem está na infância, mas bem visíveis para o adulto e seu futuro no país.

E de tanta esquerda e de tanta direita, o país vai pouco para frente. Não há união para uma causa comum, o combate a um vírus, que uns negam, outros esquecem, mas que é em sua invisibilidade quer a todos, mortos ou falidos. A União seria apolítica, seria pelo bem comum, no interesse público original, sem negócios, sem caixa dois, sem jogos partidários, sem umbigo, sem ego, sem ego, sem corrupção. Difícil, não? Muitos preferem ver morrer do que a se unir. E assim vamos todos nós pelos caminhos escuros e desconhecidos da Pandemia. Face o tamanho continental do país, não foi possível optar por salvar vidas ou salvar o negócio. Ficamos no meio termo e vamos sofrer as cruéis consequências.

Nem se ouse pensar que toda esta crise e suas verdades não terão efeitos na vida privada e o fato humano não será abalado. Como estará o cidadão, o eleitor e o consumidor?   

 

 

Odilon Reinhardt -3.09-2020.

 

 

 

 

 

 

 

 

                              Um sinal no Universo.

 

 

Estamos nesta  bola azul entre cada anoitecer e amanhecer,

sinalizando no escuro do Universo

para que alguém talvez  possa nos ver .

 

Enviamos nossas naves poderosas,

nossos telescópios e satélites,

mas permanece o silêncio em notas vigorosas.  

 

Somos moradores pensantes ,

cheios de enigmas e perguntas,

mas  também meros passantes.

 

Somos Natureza ,

somos parte de tudo,

somos tudo e nada na Criação e sua beleza.

 

Ignoramos que dependemos do sol,

da água , do ar, da Natureza como um todo,

e até mesmos dos sonhos da hora do arrebol. 

 

Fazemos dificuldades, complexidades,

esquecemos nossa  simplicidade,

negamos nossa fragilidade.

 

Com orgulho e soberba inventamos

governos, estruturas complexas e hierárquicas

mas da essência, da inocência e da simplicidade esquecemos.

 

Nossos intelectuais criaram todos osismos

para tentar explicar e entender a vida ou o que fazemos,

mas ao final nada entendemos e explicamos com estes ismos. 

 

Acumulamos o negativo,

vivemos e perturbamo-nos com este depósito,

esquecemos do que é positivo.

 

Vivemos embaraçados dentro de nossa mente,

cegos, inconscientes, numa congestão,

afogados na materialidade complexamente.

 

Temos intensa dificuldade em saber viver,

somos levados a ver o Próximo é inimigo natural e competidor,

nossa vida espiritual é conflituosa e afeta o conviver.

 

Criamos conflitos, disputas, diferenças,

que levam a guerras e destruição,

temos cerimônias e rituais e lutas de religiões e crenças.

 

Ficamos cegos com a emoção e a ira,

ficamos fascinados e nos ajoelhamos diante do material,

temos o dinheiro e competição como mira.

 

Perdemos a  percepção e a sensibilidade,

gastamos muito com coisas transitórias

e depois muito tempo tentando retornar à nossa realidade.     

 

Fazemos classificações, categorias e classes de seres humanos,

perdemos energia nos diferenciando por critérios escusos ,

criamos ilusões e muitos enganos.

 

Sabemos estar submissos ao Tempo,

tentamos estendê-lo, multiplicá-lo,

mas  achamos contratempo.

 

Não sabemos lidar com a limitação da existência,

não aceitamos nossa inferioridade,

queremos criar eternidades e falsas essências. 

 

Temos medo de perder,

mesmo sabendo que daqui nada levaremos;

temos medo da morte e seu acontecer. 

 

Sabemos que nada é para sempre na Terra onde estamos, 

a instabilidade é geral e o movimento constante,

não sabemos de onde viemos e para onde vamos. 

 

Nos debatemos na busca de um preenchimento ,

na busca para um sentido para a vida

e tudo que obtemos é um contínuo vazio no sentimento.

 

Sabemos de nossa pequenez perante a Natureza,

que somos indefesos perante a física e a química do Universo,

mas continuamos orgulhosos e soberbos em nossa natureza.

 

notamos a impossibilidade de mudar o roteiro fatal

entre o nascer, crescer e morrer ,

mas ainda nos matamos e afogamos no material.   

 

Temos medo da dor da morte, da sua essência,

da verdade que dela ninguém voltou,

do enigma da perda e da inexistência.

 

Tentamos viver explicando porquês,

o nascer, o crescer e o morrer,

fazemos teorias e nada sai dos por quês.

 

Lutamos entre o material e o imaterial,

entre o palpável e o impalpável,

aceitamos ou negamos o espiritual.

 

Perdemo-nos em nossa pequenez,

em nossas injustiças, iniquidades,

em nosso orgulho e soberba cada vez.

 

Nossa bola azul , nosso lar,

por ganância não é mais a mesma,

mas não aceitamos nossos crimes no seu cuidar.

 

Preenchemos nosso peito com medalhas, condecorações,

prêmios e comemorações,

mesmo sabendo que não valemos nada por nossas atuações.     

 

Ignoramos nossa fraqueza total,

perante a doença, um simples mosquito,

uma bactéria,um vírus pode nos fazer virar pó, fatal.

 

Basta não respirarmos por alguns minutos

e a existência cessa, desaparecemos;

vence o tempo, a Natureza; a bola azul reclama seus frutos.

 

Portanto, o dia é o que temos;

o foco no aqui e agora,

na vida e seus bons momentos.

 

E do Universo, nem um sinal,

o nada absoluto,

estamos aqui, é a Terra nosso mundo especial.

 

 

Odilon Reinhardt.

 

 

                                   Tédio nos céus.

 

 

Prédios inteiros

de gente acuada ,

cheia de grandes dinheiros.

 

Gente esvaziada,

sem nada para fazer,

matando o tempo nesta parada.

 

Andares cheios de animais humanos

com gente usando o intelecto ou não,

todos já apresentando sinais de desenganos.

 

Não é só a ansiedade ,

a depressão , é a Exaustão,

uma cruel verdade.

 

Prédio após prédio,

cheios de nada,

amplos em tédio. 

 

Elevadores do medo,

ponto de estrangulamento,

todo dia desde cedo.

 

O vírus pode estar no sobe e desce,

a sorte , o destino, o azar,

o destino de cada um ali nasce.

 

Dia após dia ,

um andar desconfiado do outro,

instalou-se a agonia.

 

“ Bom dia” que já era raro ouvir,

agora com máscara,

tal rugido nem se ousa.

 

Conveniente e social afastamento,

o prédio virou caixa vazia,

e local de certo constrangimento.

 

Odilon Reinhardt.

 

 

 

                                 Novo normal.

 

 

Sorrisos escondidos,

olhares estarrecidos,

rostos repartidos.

 

A máscara ,

os mascarados,

a realidade cara.

 

A expressão sem graça,

os olhos como contato,

a aparência em desgraça.

 

Olhos tristes, enternecidos,

irados, assustados,

feios, raivosos , cansados.

 

A máscara escondendo o rosto,

como a mulher de burka, de shador,

uma sombra sobretudo sem gosto.

 

A máscara do Covid-19,

fazendo a beleza feminina passar ,

um tempo,um 2020, sem que nada a renove.

 

Quando veremos os olhos se abrindo,

os rostos felizes e livres,

femininos mostrando beleza e sorrindo? 

 

Agora vale enfim a mulher

que seja inteligente,

mostrando seu mundo interno de bom ser.

 

Só ego e aparência,

isto agora não pega mais, 

doravante, vale a essência.

 

Por enquanto, olhos que procuram se aproximar,

de humanos que passam, que fogem, que desviam,

que se afastam , que se distanciam.

 

Onde estão os amigos,

todos mascarados agora,

se misturam aos inimigos?

 

Prossigo na esperança do amanhã,

quero encontrar os amigos,

um irmão, uma irmã.

 

Estão em algum lugar,

atrás de uma máscara qualquer,

o velho normal deve voltar.

 

 

Odilon Reinhardt.

 

 

                           O que estou vi e estou vendo.

 

 

Vi e estou vendo nesta crise

pessoas  com medo, mas 

ainda mais fechadas; muitos egoístas em crise.

 

Vi e estou vendo a realidade,

o humano se afastando do humano,

ainda em maior intensidade.

 

Amigos, conhecidos e parentes,

todos tão recolhidos,

tão sós sem suas gentes.

 

Ficavam até alegres com o contato,

mas será que procuraram alguém,

será que perderam o tato?

 

Habituados ao toma lá da cá dos interesses,

estão perdendo o lado sensível humano,

não sabem se relacionar sem materiais interesses.

 

Nenhuma ligação de interesse puramente humano, querendo saber:

perguntar simplesmente, “Como está ? Como tem passado?” ;

emudecidos, refreados fazem tudo pior até neste afazer.

 

Vejo pessoas que não ligam,

pessoas que não retornam mensagens,

muito presas, sem palavras, não se importam.

 

Criam sem querer uma sensação de ter falado ao vento,

sem resposta, sem retorno, sem atitude ,

é o frio isolamento.

 

Pessoas que se habituaram a esperar,

seguir, receber, e nada podendo fazer,

agora sabem reajeitas mas não sabem criar.

 

São dificuldades a vencer,

deveriam agitar o dia, a vida, sacudir a rotina,

gerar as suas próprias novidades e fazer acontecer. 

 

Senti muitos tão reprimidos,

de poucas palavras, sem expressão,

animais na toca, de pensamentos espremidos.

 

Vejo gente se arrastando pelos momentos,

sem ter o que fazer por horas exaustas;

gente presa com medo de seus sentimentos. 

 

Sem hábitos intelectuais,

tudo fica mais difícil de preencher;

esperar a hora de dar comida aos animais.

 

Vi pobreza, de comportamento,

falta intelectualidade, pouca nobreza no atuar,

pouca beleza no sentimento.

 

Pessoas que nada podendo fazer,

dedicam-se ao vazio de coisas inúteis para matar o tempo,

crueldade, pois é  tempo de vida que está a correr.

 

E a certo ponto vi palavras de solidão,

uma tristeza camuflada em vírgulas e pontos finais,

um adiantado estado de exaustão. 

 

Vi e estou vendo muitos neste caminho

com  seus umbigos, a realidade que já existia,

agora mais intensa na falta de atenção e carinho.

 

Nada para surpreender,

só uma constatação,um teste

de como tudo está frio, calculista ,pragmático no coviver.

 

Tanta superficialidade

já era o comum no ti-ti-ti

em redes da sociedade.

 

Isto virou agora ícone da ansiedade,

uma tortura lenta e diária no vazio,

cheio de dissimulação e fragilidade.

 

Vi e estou vendo a solidão,

sombra que vai se aproximando

da individualidade de cada coração.

 

Fico a perguntar se durante

toda esta crise humana não só de saúde

irão refletir ou ficar ainda mais distante.

 

Vi e vejo muitos preferindo

concentrar-se na dor e não no amor-compaixão,

alienar-se, negar , evitar debater o que vai prosseguindo.

 

Será que tudo isto nada ensinará,

será que tirarão conclusões certas,

será que isto tudo para algo servirá? 

 

Odilon Reinhardt.

 

 

                               Em meio a todas as demonstrações do Leviatã quanto ao seu caráter materialista e assaz egoísta, visando sempre a preservação de seus órgãos, os quais muitas vezes, só funcionam para dentro, fica por demais visível que o espírito do Poder é mesmo de existir para si mesmo. Nada de diferente e nem uma quebra de expectativa, pois as estruturas e o espírito monárquico continuam a existir dentro da aparente modernidade do ideal republicano e suas estruturas. Evidentemente, tal continuidade dá aos inquilinos, eleitos, pelo condomínio nacional, o modo de “vida nobre” a ser preservado com se eternos os mandatos fossem;  tal moto está personificado em muitas das inatingíveis figuras,  elevadas aos altos escalões de seres que se creem  perpétuos, e que em ações corporativistas procuram manter suas salvaguardas, privilégios e benefícios estratosféricos diante de milhares de comuns, famigerados ou não, que devem seguir a rotina da vila, ameaçados pelas adversidades da vida e suas doenças.

O show entre os níveis de Poder Executivo no país politizou a crise de saúde, economizou dinheiro público distribuindo migalhas ao povo, propiciou que quadrilhas fizessem seus negócios milionários em equipamentos de saúde, favoreceu a corrupção e deu fartos exemplos de dissonância, falta de planejamento, descaso, manipulações, jogo de falsas orientações, enquanto o festival de barbaridades e politicagem continua esnobando o crescente número de casos e mortes. Nada de anormal para o país onde se faz de tudo para ganhar sem trabalhar muito.

Por trás da cortina da crise da saúde, passam boiadas e as piranhas ficam gordas, o Leviatã acossado pelos factoides políticos e “side-shows”, permanece inabalável em sua administração econômica fantasiosa à mercê do tsunami que vem vindo.  Políticos ocupam-se com sua prioridade: a reeleição. Os eleitores expostos à sorte e destino. A principal ocupação de toda a estrutura político administrativa é a preservação de seus corredores e o que ali se comenta e prepondera: luta pelo Poder e colocações.

Quem se ocupa em ousar perturbar a normalidade de tal realidade palaciana e suas intrigas é a TV, a qual, entre seus muitos aspectos negativos e que ao início da crise quase levaram o povo à loucura e a histeria, organizou-se para informar e mostrar as agruras, devaneios e discursos contrastantes entre os jogos do Poder.

Em tudo, fica demonstrado, pouca preocupação de certas autoridades com o fator humano e as consequências humanas da pandemia. Tal fator é aspecto secundário diante da pressão econômica para reabrir o comércio, garantir a receita pública, negar a realidade, divertir o foco enquanto os falecimentos se acumulam .

A tríade, Saúde, Educação e Segurança a cargo do Estado mostrou sua realidade. Não fosse o trabalho heroico de médicos e enfermeiras, tudo seria pior. No todo, o Poder mostrou-se burocrático, lento, atrapalhado, pouco convencido da seriedade da crise, sobretudo, desunido e fragmentado. A dissonância entre as autoridades foi  tônica diária e a incompetência a marca registrada em tudo que politicamente podia ser decidido.  

Mas todo este cenário , por vezes até surreal pelo modo com que a TV o comunica, está sendo percebido só por alguns, pois fica embaçado pela fumaça do analfabetismo, da alienação, do pouco interesse pela causa pública, pela educação precária que impede o completo entendimento do que vai ocorrendo, pela falta de crítica e também pela audiência desistente, a qual cansou de tanta má notícia por um período tão extenso. 

É assim que cansado de tanto desencontro, falta de união e contradições absurdas, a reação comum começa a nascer na multidão, tratada como rebanho.

O fator humano subjacente é catastrófico, consequência de várias mazelas da vida nacional. Entre elas a Educação, colocada agora em tentativas de aprendizagem por meios virtuais, não só no Brasil, mas no mundo; revelou-se um fracasso. Pais e mães fechados em casa com seus filhos, que caldo fazem? Se a Educação era delegada para a escola, agora voltou à mão dos pais e não prosperou, faltou equipamento, cultura, sensibilidade e tempo e interesse. As horas de negligência foram alteradas e sabe-se  lá mais quanta encrenca doméstica em imbecis discussões por falta de paciência, hábitos intelectuais ,costume, foco e até mesmo amor. As crianças em casa; centro de atritos e muita violência física e moral entre casais, crianças, jovens e idosos. Os desdobramentos serão múltiplos e persistirão pelo depois da crise. Pelo menos vai ficando demonstrada a essencialidade da escola e o caráter insubstituível do professor.

A Educação como prioridade supranacional. Nunca foi, não dá voto. Todavia a Educação é o berço do cidadão, mais importante do que a sua própria casa onde pais nem sempre contribuem para a correta educação,  seja a formal para o trabalho seja a pessoal. Até a lei considera a casa com fortaleza do cidadão, mas como está a cada do cidadão antes, durante e depois desta crise? Até que ponto a casa e o que nela acontece não está sendo o centro da demolição da vida íntima do indivíduo, mormente quando o país não consegue ali existir para fornecer base sólidas para uma vida conforme prevê os objetivos da Nação nos termos da Constituição da República. O estado materialista, em décadas e décadas, tem olhado  o fator humano com interesse de quem quer o voto, quer o consumo, quer a receita. Pouco faz pela qualidade de vida e educação sustentável. Não é de agora, é posicionamento de sempre e a sequência de um Governo após o outro que só apresenta as mesmas políticas precárias. Consequências viram causas e assim vamos perdendo energia e tempo. Qual a qualidade de nossa mão de obra para fazer face ao futuro. Como está sendo afetado o cidadão em seu ninho? Quais os efeitos da Pandemia na pessoa e sua possibilidade de consumir e prosseguir na vida? No que possa pesar o bom desempenho de secretários estaduais e municipais de saúde, a população deixou de prestar atenção à TV e decidiu continuar a vida assumindo o risco, utilizando-se da fé e esperança, dois pilares da vida restante neste país.

A necessária quarentena, o afastamento social e o distanciamento foram biocotados pelas notícias e orientações contraditórias a ponto do cidadão decretar por si só o fim da Pandemia e ir em frente. Com tanta notícia ruim, por período tão prolongado, invadindo os lares, de todos os itens da psicologia de massa mais aplicados como o Pão e Circo, pelo menos um teve que ser liberado: futebol, mesmo que sem presença de torcidas nos estádios. Como elemento de luz no final do túnel, a promessas de vacina rápida. Mas o vírus desafia a tudo e todos, não conhece das coisas humanas. Aproveita-se do negativismo propalado pelos meios de comunicação e afeta a moral do povo em casa.

Diante do afastamento social, das restrições impostas, do vai e vem de comandos municipais, da dissintonia de orientações entre níveis de Governos e dentro do próprio Governo, a pressão econômica, as dívidas, os dias cheios de más notícias, os problemas familiares etc., o cidadão não tem mais como resistir e acaba banalizando a crise e vulgarizando o vírus como pura reação animal ansioso pela liberdade. A pressão sobre o cidadão confinado foi até agora a maior já vista no país. A instabilidade gerada fez pressão que levou  certas camadas da população e faixas etárias decretarem o fim da Pandemia por si só, promovendo perigosos eventos de aglomeração, desfeitos a cavalo , tiros e sirenes. Ademais os comerciantes e empreendedores foram sendo surpreendidos com o prolongamento da crise e olhando seus negócios e empreendimentos irem para o brejo. Ficar em casa nesta situação certamente foi uma tortura e a saída foi fazer pressão sobre os prefeitos e governadores. É de se supor que o Covid atrapalhou também todo o processo de lavagem de dinheiro e caixa dois praticado por muitos comerciantes e indústrias. Diante da pressão, as prefeituras tiveram que ceder e criaram muita contradição, notada pela audiência popular. A decisão é norteada sempre para não perder ou não deixar de ganhar e isto levou à perda da vida de muitos. Ademais, num país muito egoísta, o Próximo que se dane e os idosos mais ainda, pois alguém tem que morrer para salvar o negócio. E nestas decisões, políticos afrontaram a área médica diretamente. O político virou médico, deveria também assumir o encargo de agente funerário, bom negócio nesta época.   

O fato é que Governo e TV terão que fazer um esforço enorme para resgatar o otimismo e objetivos de vida positiva após tanta degradação e um impressionante impacto social equiparável ao ano do pós-guerra. Por hora, forma-se um perfil de miséria e desgraça quanto à estabilidade emocional dos sobreviventes. Diante da dissintonia entre Governos, nem Governo nem a TV consegue chamar a atenção do povo que já esboça sinais de Exaustão.

O chamado rebanho demonstra por atos concretos não mais seguir notícias e acenos de medidas econômicas amenizadoras; já vinha demonstrando sinais de desobediência civil de modo fragmentado e em lugares bem televisionados. O fato pode evoluir para a desconsideração civil, se o teatro político e judicial continuar a fornecer o bizarro e o inatingível ao entendimento popular. Não é o que se deseja, mas é o que está se formando para juntar-se à chegada das consequências econômicas de modo ainda mais severo na porta da frente da casa do cidadão, dando-lhe bofetadas finais com desemprego, instabilidade emocional, desmoralização do homem e da mulher perante as responsabilidades domésticas diante dos filhos, enfim, a sensação de fracasso e esmorecimento, a insatisfação existencial e seus enormes desdobramentos na vida individual. Então, isto não vai se refletir no consumo, na receita e no desempenho laboral para quem tiver emprego?

De certo modo, a alienação e o analfabetismo já eram problemas graves, mas podem juntar-se à exaustão para formar a desconsideração civil, uma espécie de apartheid entre Povo e Governo, retirando a legitimidade para ação. Não se pode ainda prever em que intensidade isto vai acontecer, se coletivo ou pessoal, mas basta que atinja o comportamento de pessoas chave na família ou na empresa, onde as gerações que estão assumindo o poder, já esboçavam comportamentos de rebeldia, desinteresse, visão voltada ao dinheiro, falta de quanto à acumulação de patrimônio, individualismo e o nunca trabalhar vestindo a camisa da empresa.

A nova realidade doméstica nada contribuirá para a melhoria na educação da infância em curso pelas razões já expostas, devendo-se acrescentar que o “home-office”, nos casos em que é possível  de acordo com a natureza do trabalho, será mais um componente a contribuir com a negligência dos pais na questão educacional, pois o trabalho profissional passará a invadir o único espaço e tempo que poderia ser de atenção exclusiva à casa e aos filhos. A título de  modernidade e necessária adaptação aos efeitos da crise, a empresa vai invadir agora fisicamente a cada do trabalhador de modo mais grave e usurpador. É a verdadeira invasão da vida privada, roubando o tempo livre das pessoas e diminuindo sua individualidade. Muitos desdobramentos são previsíveis, alguns bons outros ruins, mas os ruins já são suficientes para agravar a situação de casais, adolescentes crianças e idosos. Chegar-se- á à coisificação geral de todos, submetidos agora diretamente à aplicação de filosofias da linha de produção, como o pragmatismo, racionalismo, utilitarismo etc. Tudo isto em lares exprimidos onde possivelmente a sala de estar e a cozinha vão virar ambiente de trabalho. Um desastre para a convivência familiar e atenção aos filhos ou para o companheiro/a. A Pandemia acelerou muitas tendências boas e ruins que já vinham se formando; várias realidades foram precipitadas e o retrato do Brasil agora é real, sem ilusões e falsas luzes. O Brasil enfim mostrou a sua cara. Nas barbas das Igrejas Cristãs, os políticos demonstram que a Educação e as crianças são problema e não a solução. Entre tudo de ruim a resolver, o problema referente à negligência familiar é um dos piores.

Muitas serão as novas realidades domésticas e numa sociedade fisiológica e egoística cada vez será mais difícil dar orientação para a população e ser atendido. Atos ignorantes serão mais difíceis de controlar só com lei, multa e polícia. Perigosa e temida realidade. Pouco adianta questionar em que esquina da História nos perdemos, mas certamente a descura quanto à Educação e a vida familiar, se não consertadas e bem concertadas, levará às consequências ruins quanto ao interesse do Governo: rebanho, eleitor e consumidor.

Ademais, com todos os problemas intensificados e agravados pela crise, o cidadão é que será a vítima número um. Um eleitor desnorteado, alienado e desinteressado, um consumidor endividado, sem fundos, sem emprego e com a família cheia de problemas.  Pergunta-se, a doença do século, propiciada pela ansiedade galopante, não é mais a depressão? O indivíduo sobrevivente estará mais forte e imune aos problemas comportamentais e mentais?

Seja lá como for, o país é do povo, para o povo, e tem que ser feito com o povo e  pelo povo representado democraticamente. Ninguém retira da população este poder.  A História Universal mostra que isto é verdade e assim será para sempre. Por maior que sejam os problemas, o povo tem instinto coletivo, bom senso e move-se de acordo. Em processos sempre há começo, meio e fim, de modo que as consequências decorrentes da descura quanto à Educação logo começarão a ser mais agressivos e afetarão a mão de obra substancialmente. Não é questão de dinheiro, é questão de vida e preservação do fator humano. Que tipo de humanos são os que mediante a corrupção e assalto aos cofres públicos brincaram com dinheiro de obras e serviços por séculos, esquecendo do país e da Nação? Quem brincou com obras e recursos da educação e saúde em sua ganância, fazendo do Governo um balcão de negócios?  Isto agora tem consequências invisíveis para quem está na infância, mas bem visíveis para o adulto e seu futuro no país.

E de tanta esquerda e de tanta direita, o país vai pouco para frente. Não há união para uma causa comum, o combate a um vírus, que uns negam, outros esquecem, mas que é em sua invisibilidade quer a todos, mortos ou falidos. A União seria apolítica, seria pelo bem comum, no interesse público original, sem negócios, sem caixa dois, sem jogos partidários, sem umbigo, sem ego, sem ego, sem corrupção. Difícil, não? Muitos preferem ver morrer do que a se unir. E assim vamos todos nós pelos caminhos escuros e desconhecidos da Pandemia. Face o tamanho continental do país, não foi possível optar por salvar vidas ou salvar o negócio. Ficamos no meio termo e vamos sofrer as cruéis consequências.

Nem se ouse pensar que toda esta crise e suas verdades não terão efeitos na vida privada e o fato humano não será abalado. Como estará o cidadão, o eleitor e o consumidor?   

 Odilon Reinhardt -3.09-2020.

 

 

 

 

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

O que observar e questionar.

    


                                             O que observar e questionar.

 

 

               A consagração do dia.

 Agora tornado

pária,

na jornada diária,

o indivíduo encarcerado.

 

Nessa condição,

aprisionado, segregado,

isolado, afastado, distanciado,

metido em cruel situação.

 

Perseguido

pela invisibilidade,

mortalidade,

o humano mascarado.

 

Se faz reflexão

nesta realidade,

chega à estranha e inevitável verdade

da sua dimensão em evolução.

 

Todos como andarilhos ,

suas riquezas acumuladas, estocadas, ocas,

profissões e ligações inócuas,

a vida fora dos trilhos.

 

Para isto pelo menos a suspensão da rivalidade:

a competição, a ganância,

a intolerância, 

e toda a grande imbecilidade?.

 

Enfim, o individualismo

ressaltado;

exaltado

o pragmatismo.

 

No entanto, venceu

a fragilidade ,

a obsolescência, a transitoriedade

o senso de eterno se perdeu.

 

Ressalta-se o drama humano,

a tragédia social,

a ilusão do irreal ,

pessoas em desengano.

 

A lógica ,

a filosofia, a razão,

a ciência e a religião,

em linha ilógica e trágica.

 

Quem somos e o que temos,

de onde viemos,

para onde vamos,

o sentido da vida que vemos?

 

Todos os artifícios e criações,

naturais,

sobrenaturais,

agora em inúteis explicações.  

 

Algumas religiões continuam a valer

para que humanos

em obediência ao ego e seus planos 

não se matem; possam se manter.

 

O vírus faz a agonia e tem o lugar

de poder fatal

de juiz de tribunal,

e tem a missão de impiedosa de matar.

 

Cidades

casas e prédios cheios de medo,

a vida em arremedo,

atrozes células e suas realidades.

 

O juiz decide pela suspensão

da vida, do futuro,

da história e de qualquer plano tido como seguro,

ou pelo caminho da interrupção e eliminação.

 

Sorte,

tudo ou nada no jogo de cada hora,

sorteios de que fica ou vai embora,

todos à espera do corte ou de um novo norte.

 

Resta a consagração do dia,

a célula do tempo,

a fé em não ter contratempo,

a chance de viver o dia. 

 

A esperança de passar

para o outro dia,

ganhar o direito de passagem,

sobreviver e continuar.

 

A cada vivente

o mérito,

o crédito,

mais um dia como sobrevivente.

 

Na normalidade

havia guerras, perseguidos, violência

e agora na “nova realidade”

que realidade está sendo construída?

 

E não é então em cada dia

que a humanidade terá que reagir

e achar valores superiores de harmonia?

 

De toda a experiência

o humano é que pode pensar,

atributo para poder melhorar;

como tem usado a inteligência? 

 

Cabe a cada humano ser inteligente

e no dia fazer o melhor no viver e no conviver;

já será um grande passo para sua própria mente.

 

Viva o dia!

No dia há vida

e na vida há energia de alegria e harmonia.

Odilon Reinhardt.

 

          Parte da História.

 

Das páginas da História Universal,

agora estamos numa delas,

nessa época tão anormal.

 

Somos figurantes ,

linhas anônimas no individual,

mas da Humanidade representantes.

 

Grandes eventos estão no passado

nenhum tão televisionado,

o presente todo dia fica registrado.

 

Cada Ser em seu itinerário,

fazendo parte do cruel evento histórico,

marcando seu caminho diário.

 

Com consciência ou não,

o que ficará para cada um,

pertencerá a sua trilha e solidão. 

 

Move-se a massa humana,

exposta aos eventos , às vezes, desumanos,

fazendo História ,a humana.

 

Após, a página será virada,

quem dela participou, quem ficou,

seguirá para a nova página a ser registrada.

 

E ali novos dias e o futuro virá,

novas linhas e frases da História, 

feita a cada dia que aparecerá.

 

E assim vai sendo escrita

no fluxo da vida

a Historia e a estória não escrita.

 

Cada um de nós é vírgula, palavra, verbo, rima,

é parágrafo, frase, ponto, conjunção,

na redação da página até ponto final. 

 

Odilon Reinhardt.

3.8.2020

 

 

 

Quanto ao observar e questionar, muito há nesse campo fértil, de onde se pode retirar o retrato atual de nossa gente e de nosso país, ficando ressaltado o que ainda temos para progredir.

É essa época inusitada que veio para a História da Humanidade que vai deixando suas marcas e muito para observar e questionar. Cada país responde com o que tem, revela suas mazelas, suas deficiências, virtudes e o que ainda tem para melhorar. Cada humano com seus valores presencia o momento e analisa o que vê, tirando suas conclusões. Nunca um problema de saúde mundial foi tão registrado e acompanhado pela TV e meios de comunicação. Estamos todos participando da História da Humanidade numa de suas cruéis páginas. Cada ser humano é ali , linha, ponto, palavra, frase, parágrafo e pode ser ponto final de qualquer frase na página que vai sendo escrita no dia a dia. Cada um registra também sua estória, sua vida, para um dia lembrar e contar o que viu, como foi, o que aprendeu, como agiu e reagiu ou talvez quede em silêncio por não ter observado nada.

Entre nós, desde o início da crise, ficou claro que um ponto do calcanhar de Aquiles iria doer mais. O analfabetismo seria e está provando ser um dos grandes obstáculos, talvez o mais contundente, para a obediência às  medidas sociais de combate ao vírus. A falta de conhecimento de ciências,  dificuldades  de esclarecimento, as doenças psicológicas decorrentes do estado de miséria, o egoísmo e o fisiologismo levam à desorientação e à indisciplina. A população, acostumada a ser guiada de modo uniforme, encontra-se confusa, sem orientação clara e não entende a administração da crise de acordo com cada local e com diárias ordens contrastantes no mesmo local; perde-se nas notícias de TV, sem saber como proceder, sofre em agonia e ansiedade. O abre e fecha do comércio e as medidas conflitantes adotadas pelas Prefeituras de acordo com a pressão econômica mais poderosa levam a uma diversificação incompreensível. Ademais, a necessidade de sobreviver e manter a família leva a população a arriscar a vida todos os dias. Necessário aqui ressaltar a importância da TV para o acompanhamento da crise, todavia, este precioso instrumento de informação, ao início, seguindo seus ímpetos de sensacionalismo para garantir audiência, criou um clima assustador, levando pessoas a ter um agravarem seu processo de estresse e ansiedade, exaustão, o que certamente contribuiu para o impacto pessoal levando a mortes naturais, agravamento de doenças mentais e surgimento de tantas outras.   

Neste clima de pânico amenizado por fé e esperança, não bastassem as consequências da falta de Educação, o sistema educacional vai perdendo um ano inteiro. A adoção de aulas pela Internet não deu certo por motivos óbvios que vão da falta de internet, de local apropriado para estudar, falta e alto custo de aparelhagem para todos; falta de costume de estudar pelo método de pesquisa autodidata etc.. Enfim, não deu certo, porque sofre com as deficiências sociais, consequências da falta de investimentos em infraestrutura já que o Leviatã come tudo por si mesmo e enrola-se em definir e implantar medidas claras e duradouras. Se o ano não for considerado perdido, a qualidade foi no mínimo terrível. O Enem trará o retrato desta confusão toda.  Sem se aprofundar na tese já defendida em países de primeiro mundo que concluiu que é difícil aprender conteúdo educacional na TV, muito menos quando a TV está no celular. O tema da Educação no terceiro mundo é vasto e seu impacto é sempre devastador. Assim o vírus causou dano maior, atingiu a Educação em cheio, atingiu o preparo das novas gerações. Mas ressaltou mais uma vez sua importância prioritária e a necessidade de se investir pesadamente em TI para todos e a baixo custo. Deixou claro que a internet é serviço de primeira necessidade e que o país não pode continuar só como feirinha de eletrônicos e campo de teste de tecnologias bem como sua comercialização sempre como primeiro interesse.  

Diante desta realidade educacional trágica para o presente e futuro, bem como diante de tantas outras consequências imediatas e de médio prazo, aparece o  negacionismo, que é reação características para quem não aceita que seus planos sofreram  severo abalo e até demolição. A reação é de não aceitar e sempre querer persistir. As ações são do boneco de neve no fim do inverno e caem em descompasso com a realidade.  A TV turbina palavras de efeito dos negacionistas, esperando que a população tenha discernimento para identificar a falácia, a manipulação, todavia, somente poucos podem fazê-lo e a mensagem atinge a população com toda sua força de contradição, desafiando até o instinto, o bom senso e a razoabilidade. O dano concreto é que a negação da realidade e a inexperiência médica confundiram  todos e acabaram atrasando o combate à pandemia e agora acarretam milhares de mortes. Mesmo assim, os efeitos de discursos mal pensados continuam embaraçando a vida e colocando dúvidas na mente popular desprotegida. Tantos outros fazem teorias conspiratórias, tentando explicar a pandemia como ato de proveito comercial, político, etc.: alguém teria fabricado o vírus para tirar proveitos com todos os equipamentos, remédios e vacinas; alguém diz que o mundo merecia esta parada para ter mais consciência etc. A mente miúda e a graúda acham explicações de igual calibre e na sua arrogância tem por explicada a origem da tragédia, com o que se contenta intelectualmente, passando a agir como se o vírus não fosse mortal.  Isto tudo reflete as características de uma sociedade conservadora, inflexível, intolerante, cínica, arrogante, impaciente, ansiosa, egoística, que agem em reação porque não encontra satisfação no que construiu até hoje. O que temos aqui é o embasamento para uma vida do cotidiano onde o Próximo nunca sou eu; onde cada um é o centro do mundo, sendo infalível, protegido contra o visível e o invisível. O descaso toma proporções neste momento e produz ações e reações de grande cinismo, hipocrisia e violência moral e física. A negação da realidade é um coadjuvante de outros tantos efeitos e com o analfabetismo desempenha papéis horríveis no teatro do dia a dia, menosprezando o Próximo. Tal reação desesperada de quem tem medo de perder, é o indício de que muitos de nossa população ainda têm que melhorar e que seu caminho está ainda tosco e precisa de refinamento.

Sim, para muitos, o Próximo é qualquer coisa, objeto distante. Embora seja o centro de tantos anos de pregação, tão exaltado pela religião, o Próximo, diante do cruel vírus, passou a ser a vítima inferiorizada, sem proteção, um pária social em qualquer classe, objeto de desvio. O humano se afasta e nada  que a Humanidade tenha criado para viver no Planeta faz frente ao Covid  e sua invisibilidade. Fica ressaltado que há muito para ser feito no aspecto religioso contra o ego. A religião e todos os seus ensinamentos e cerimônias não podem ficar só para os tempos normais. Deve a Igreja e outras religiões perguntar como está e como ficará ao final o Próximo, como Fiel. Onde está a falha?  Mesmo que o vírus desconheça sua presença, crenças, santos e cerimônias de adoração, em defesa, os humanos mais fiéis se transformam em animais; mesmo assim, diante de tal falha secular, sempre o caminho de reforço espiritual é a solução e evita que os humanos se matem mesmo antes que o vírus o faça.  Sem amor ao Próximo, prevalece o egoísmo, o individualismo, e isto faz desrespeitar as restrições impostas para o correto combate ao vírus e qualquer outra doença coletiva. A negação em usar máscara, isolar-se ou afastar-se denota o grau de egoísmo existente, porque não se pensa no Próximo nem que sejam os de dentro de casa.

Mas para o mundo da produção e comércio, agora o Próximo, antes só um número, passa a ser a peça central, é o Consumidor, o que tem o poder de decisão de comprar ou não, elemento determinante na economia. Menos consumo, menos impostos. O Leviatã se desespera diante do desastre econômico. Onde está o Consumidor? Por que não compra? A União quer continuar a ser imperial, é materialista, fria e calculista e impessoal em todas suas atitudes. Talvez comece a perguntar com maior como está o Consumidor ? Como será o Consumidor? 

Acostumados a fazer, produzir, comprar, vender, enfim, promover a vida normal, o Consumidor está preso em casa de onde tem saído conforme há esse vai e vem de restrições ou não, dando origem ao vai e vem dos números na  curva montada e usada pelos meios de comunicação para possibilitar o acompanhamento dos casos da Pandemia. Em casa ou nos seus arredores, a maioria sofre os efeitos das restrições, do medo e da agonia ao ver seus negócios, seus planos pessoais e empresariais indo para o brejo, as dívidas se acumulando, o emprego sumindo e os problemas de convivência aparecendo. A fome e a miséria material chegando mais rapidamente. A exaustão surge no futuro mediato, mas não antes da ansiedade, do medo de perder e da agonia do não saber como reagir perante um inimigo invisível.

O quadro vai se fechando gravemente enquanto a violência física e moral aumenta vitimando casais, infância, idosos. Quantos cenários tristes estão acontecendo na vida privada? Quantos traumas estão sendo gerados em crianças e todos?  Ademais, com as dificuldades normais da vida, o desenvolvimento de atividades intelectuais como recreação pessoal e familiar sempre foi dificultada e não pertence aos hábitos do dia a dia da grande maioria da população, a qual, agora em casa, sente o vazio deixado pelo fazer e ter, o qual não pode ser preenchido a não ser por impaciências e crescentes desentendimentos pessoais. Para quem pode, o dia é preenchido pelos eletrônicos  até o ponto da exaustão.

Com medo, inseguro, instável, muito ser humano vai fazendo seu desequilíbrio e perdendo sua boa energia. A exaustão é o grau mais alto da reação, fazendo com que as pessoas saiam de casa mesmo contra as restrições impostas pelos Governos Estadual e Municipal. Surge um tipo de desobediência civil como fuga à prisão domiciliar. E tal realidade não é exclusiva do nosso país. Mesmo em países onde a educação e a qualidade da habitação não são problemas sérios, verifica-se a exaustão e a necessidade de fuga do lar sob qualquer pretexto. A presença do Governo não convence nem domina a população, mesmo que decretos municipais e estaduais prevejam multas e outras punições. O descumprimento das medidas restritivas alimenta a Pandemia e causa mortes. Está certo que algumas linhas espiritualistas pregam o desapego, mas não a este ponto de descurar da própria saúde.

É visível o sufoco pessoal. As consequências da falta de interiorização e da falta da vida intelectual acima referida são uma constante, apresentando danos  diversificados. No entanto, o ser humano sempre fica sujeito a aprender com a dor. Depois de ver os Semelhantes sendo enterrados em valas comuns, pessoas de influência falecendo sem ter cerimônias, falências e seu bar ou loja preferido sendo fechado, o humano vai tirando suas conclusões. O Consumidor poderá sair desta com mudança radical de hábitos, costumes e uma consciência maior. Caberá aos sociólogos e psicólogos das agências publicitárias identificar as mudanças, para com propagandas, convencer o Consumidor a voltar a comprar além dos itens básicos. Por algum período, alguns itens do Ego estarão em baixa, como a vaidade, o orgulho, pois a ostentação ficará encoberta pela máscara, vidro escurecido dos carros e pelo afastamento e isolamento social. O medo do Próximo, do outro Consumidor, marcará os dias do futuro por algum tempo. Certamente a Pandemia vai acarretando um redimensionamento quanto à vida, com influência direta sobre a vontade, o desejo de consumo e acumulação de bens. Vai ficando ressaltada a transitoriedade da vida, a obsolescência das coisas e a inutilidade das riquezas e cerimônias perante a doença, com a total insegurança quanto à  persistência do Covid em suas possíveis novas versões que podem surgir para tornar a Pandemia um duradouro problema mundial.

E o cidadão, preso em casa, fica submetido então à tela do computador, da TV e do celular em sessões diárias de notícias alarmantes. Ao início, repita-se,  com o avanço da Pandemia houve um efeito de apavoramento geral, o que certamente levou muitas pessoas a desligar a TV, pelo menos no horário dos noticiários. A TV, como quarto poder da República é o serviço público número um e sem ela ninguém saberia de absolutamente nada. E foi no campo da TV que a população assistiu as contradições entre o discurso negacionista e o normal. Ao desenvolver da crise, observa-se o poder de manipulação das massas mediante a utilização de psicologia aplicada com distrações, falsas promessas, criação de factoides, jogos de opinião, uso de bois de piranha e venda da fé e esperança, desafiando o discernimento mesmo de quem o tem neste país. Curioso como certos assuntos sumiram da tela, pois o Covid monopolizou o noticiário e sendo uma fonte de notícias mais baratas, fez esquecer assuntos que antes a TV esticava ao máximo para preencher a programação. Por meses os atos concretos do Governo sumiram da crítica televisiva, mas ficou a impressão de que o Governo muito estava fazendo às escuras em seus ministérios.  O que passou não se sabe. Tampouco se eram bons atos. Mas isto revela mais um ponto a ser corrigido, pois mostrou que muito pode ser feito utilizando portarias e resoluções sem efeito lei, mas que interferem diretamente nos vários setores produtivos e portam vontades e ilusões pessoais de verdadeiros ditadores de quarteirão.  Afastado pelo STF, a  União a certo ponto tentou retomar seu papel de liderança ao listar atividades essenciais e fez novamente uma grande trapalhada, deixando de ser seguida pelos Estados e Municípios no combate ao vírus. Tal rebeldia haverá de repercutir no futuro em desacertos e acrimônia. Nada que possa melhorar a situação.

Em socorro do Consumidor envolto em inusitado panorama, foi o celular que provou ser muito eficaz, pois na mão está o rádio, a TV, o computador e o telefone. No conjunto de aplicativos à disposição, as redes sociais assumiram importância máxima como distração, aula em casa etc. Certamente é o aparelho do século, que possui aspectos negativos quando mal usado, mas positivamente ajudou a combater a solidão, o stress, a exaustão e a depressão de muitas pessoas.  Deve a TV perguntar como estará na audiência, o Próximo travestido de Ouvinte, tele-espectador após toda esta grave situação.  A TV tem o poder de entrar nas casas sem pedir licença, ali transmite notícias de acordo com suas tendências, oportunidades e conveniências de momento; mexe na cabeça do povo e orienta ações e condena antes dos Tribunais; informa e desinforma ao fazer fragmentação de notícias e discursos contextualizando-os do seu modo, palavras e ênfase; cria confusões, estica notícias para preencher horários, entope a mente da audiência. Tal aspecto levou muitos jovens a não assistir TV e isto explica certas atitudes de desrespeito às medidas restritivas, vistas em ocasionais abre e feche de bares e outros conhecidos locais de aglomeração. A negativa de expor-se ao caleidoscópio levado ao ar pela TV pode explicar em parte o ocorrido e o aumento imediato de casos da doença.  Não se pode esquecer, tampouco, que até medidas de ajuda financeira, oferecidas pela União, na sua parte de operacionalização, conforme mostrado na TV, contribuíram para gigantescas aglomerações o que contrastava diretamente com as restrições determinadas  pelos Estados e Prefeituras, gerando cenas incompreensíveis à mente mediana, a qual, confusa, não sabia o que era verdade ou mentira, o que seguir ou não seguir, esperando que só a presença da doença em sua família pudesse efetivamente demonstrar a seriedade da situação em termos cruéis, como final convencimento.         

A tecnologia do computador, do celular e da TV representam benefício que ajuda na distração e  descontração, contribuindo para dar continuidade à vida e ao comércio,  mesmo assim, com o passar dos meses e os danos materiais visíveis, o esmorecimento pessoal do empreendedor e do Consumidor são evidentes de modo que o fator humano começa a se sobrepor. São planos, projetos, firmas sendo fechadas, o consumo diminuindo e a receita tributária esmigalhando-se. Separações, divórcios, encrencas, danos irreparáveis vão causando um negativismo extra para as pessoas. Curiosa é a vida da Bolsa de Valores, onde o mercado financeiro continua a agir como se nada tivesse acontecido. Antes bastava um boato político, um índice menor e o efeito era imediato. Agora a economia se apronta para ir para o brejo e nada acontece. Talvez o maior exemplo de negacionismo, tentando continuar no jogo, mesmo descolado da realidade.  O mesmo ocorre com a Inflação, antes aumentava o preço do tomate e da gasolina e a inflação aumentava, hoje tudo aumenta e a inflação é insignificante. Talvez tudo manipulação, medida de proteção, o que mais ?

Mas nada prejudicou tanto o cidadão e o combate à Pandemia como a politização da crise de saúde. A União, Estados e Municípios se desencontraram diante da falta de recursos e a necessidade de enfrentar a Pandemia, evento inédito, para o qual, não têm experiência nenhuma. Primeiramente, houve a tentativa de seus porta-vozes mais centrais de dizer à população de que não se tratava de algo sério, depois o erro estratégico de que a doença não afetaria as Américas, era de inverno, só atacava idosos e homens, não era necessário usar máscara, seguiu-se então, com o surgimento progressivo de casos, um festival de demonstrações de descura e menosprezo, gerando dúvidas e instabilidade junto à população, que na época ainda assistia os noticiários impulsionada pela curiosidade.  E diante do temor que as visões e entendimentos do poder central fossem colocados em prática, os Estados e Municípios foram levados a buscar junto à Justiça a carta de alforria para escapar dos devaneios dos porta-vozes e combater a crise de acordo com a realidade de cada localidade. A princípio Estados já alquebrados e Municípios esfarrapados tomaram medidas diversas, o que redundou na retirada da União do cenário de combate direto, com visível troca de orientações e Ministros da Saúde, mas a TV a jogou em suas telas como um grande trapalhão, um Leviatã gordo, rico, ineficiente e com apetite imenso. Todavia, A União não deixou de ser generosa ao destinar recursos do castelo para as aldeias. (Como que por passe de mágica, bilhões surgiram do nada, foram remanejados de outras contas do orçamento. Certamente não ficará barato e será cobrado com novas alíquotas e impostos. De qualquer forma o PIB já foi condenado).  Continuou o Leviatã, no entanto, a querer negar números, desfigurar índices e confundir a opinião pública, contrariando e escarnecendo medidas tomadas pelos Estados. Ficou clara a tentativa de manipular o levantamento do número de casos, de manipular a situação, o que deu um ar de descontrole e anarquia no  jogo de poder e prestígio.  O Ministério encarregado perdeu-se na confusão, a ponto de um consórcio de emissoras de televisão organizar seu modo de colher números para informar a população. O Ministério atrapalhou-se muito e teve dificuldades em suprir a Nação com remédios básicos e deixou de dar orientações de combate ao vírus. O Leviatã, neste tocante, demonstrou só saber funcionar para dentro, para seus objetivos egoísticos de repartição, poder e jogos palacianos. Mas a psicologia do Governo em qualquer nível é sempre de nunca admitir a realidade, pois sempre quer defender-se e mostrar-se no poder, informando que está fazendo obras, tomando medidas e compras para solucionar, mesmo que o discurso seja uma deslavada mentira, mas serve para o momento e para quem escutou o ato televisivo; é a antiga retórica dos sofista. Vale o “se colou,valeu”.  E qualquer membro do Governo que quebre esta regra é punido e já está de saída.  A TV fez a festa com toda esta munição, colocando a União como ridículo combatente, um recruta zero das casernas esvaziadas. Por vezes, até mesmo a TV representou a imprensa livre que se prende por dinheiro e é manipulada pela necessidade de recursos para sobreviver como empresa. É visível a troca de orientação editorial, a bagunça provocada na opinião pública. Isto contribui sobremaneira para a desobediência civil. Quanto ao aspecto político de tudo isso, pergunta-se como o Consumidor, travestido ocasionalmente como Eleitor, vai reagir. É uma incógnita? Em 3/8/2020, já temos mais de 94.000 eleitores a menos e mais de 2.733.0000 infectados que não são mais as mesmas pessoas em termos de saúde, nem tão dispostos a comprar como antes. Quem pessoas eram, qual sua qualificação e posição em empresas, preparo participar, para produzir etc.?  E era tudo para ser só uma gripe e tudo seria como antes no Quartel de Abrantes. Não deu.   

Ao mesmo tempo, os Estados tentaram liderar seus Municípios, mas a guerra política em ano eleitoral é enorme. É a luta de quem manda aqui sou eu. Governadores saíram chamuscados e suas Secretarias de Saúde perdidas no combate, sem leitos, sem dinheiro, sem remédios. Se a saúde pública era a penúltima prioridade para todos os níveis de Poder, com o Covid, foi pega em total despreparo. O agravamento da crise não é medida pelo número de mortos, mas pelo número de leitos de UTI à disposição para atender aos milhares de infectados.

E o Município, sempre o coitadinho da família do Poder, esquecido, deixado à míngua, sem recursos foi eleito como o grande lutador, o centro das decisões de combate. Decreto Municipal virou lei, medidas foram baixadas, cada localidade com suas leis. Uma legislação geralmente a orientar o comércio, repentinamente foi alçada a nível de Constituição e a Guarda Municipal conjuntamente como fiscal da Prefeitura passaram a ser os “robocops” dos tempos modernos. Talvez um exercício de como seria o Municipalismo. Mas a nível municipal, a crise de saúde sofre a pressão direta do comércio local, levando os Prefeitos a se contradizerem com mediadas de abre e fecha que não deram certo de modo algum, determinando a abertura do comércio antecipada e com reflexos diretos no aumento de casos.  Em algumas cidades, o descompasso de medidas que fecharam o comércio e deixaram o transporte coletivo solto só criam surpresa e indignação. O Consumidor chegou a duvidar da seriedade de tudo.  Com o aumento da interiorização do vírus, o número de casos e mortes ficou solto à sorte e destino em cidades que não possuíam nem hospital.  Na euforia da inexperiência, as subidas e descidas da curva são comemoradas antecipadamente até com euforia, mas o vírus não sabe de política e conveniências humanas, quer matar, eliminar a raça humana. Surpreendeu médicos e hospitais, derrotou o sistema de saúde, derrota previsões e não respeita marcos estabelecidos pela imprensa e Governo para retorno de qualquer atividade. Nos países da Europa, que dizem ter passado pelo ápice da pandemia, o vírus está voltando à medida que as atividades vão sendo liberadas. Isso demonstra que a volta ao normal só será possível com um “lockdown” mundial por 30 dias ou mais, até que nenhum caso surja e não haja ninguém mais infectado.  Todavia, o mundo da produção não quer perder, não admite parar.

Da desunião do Executivo em seus três níveis, contam-se os mortos e milhares de famílias enlutadas. Uma mortandade que, talvez ao final, quando em certo distanciamento histórico for analisado o que de fato ocorreu, sejam tidas como mero descaso com o Próximo das aldeias ou mesmo genocídio como dito por Gilmar Mendes. O fato é que para muitos, aumenta a dúvida e suspeita quanto à eficácia de órgãos públicos e autoridades, que se repita, só sabem funcionar para dentro e numa hora destas se afundam em trapalhadas e frases de efeito. Só dignos médicos, enfermagem e assistentes, verdadeiros heróis desta época, muitos inclusive já mortos em combate, são confiáveis. Em tudo, todavia, apesar de esforços isolados, observa-se a falta do bom planejamento, do entrosamento entre Município e Estado; há falta de coordenação e um show diário de discurso tendencioso, perdido, mentiroso, cheio de falsas esperanças;um desafio constante para quem tem discernimento e infelizmente, uma pregação aceita com os olhos pelo povo. Por enquanto, a única esperança  que podemos ter é sermos poupados pelo vírus.

E nem mesmo com toda a crueldade da pandemia, os salteadores abandonaram seus sórdidos planos criminosos. Todos os dias continuam a aparecer autoridades metidas em compras e contratações de serviços superfaturados, desvios de verbas. Lojas são assaltadas, pessoas roubadas ou vítimas de golpes, bancos arrombados, contrabando e tráfico 24 horas por dia, aplicação contra programas de auxílio à crise, corrupção. É uma doença que está na veia. Lastimável realidade, mas não poderia ser diferente num país onde se falsificam remédios, altera-se o leite, ladrões de galinha vão para a cadeia e gente “ importante” envolvida em golpes milionários contra o Tesouro é solta. Há uma perda constante de boa energia para o progresso do país. Pode-se dizer que o crime compensa, a Justiça sobrecarregada, ficou cega, tarda, falha e favorece a prescrição. Lamentável.  O desrespeito ao Próximo seja como Consumidor, Fiel, Eleitor ou cidadão é visível.

Nesse contexto, as novas gerações devem estar mesmo criando um asco em relação a tudo isso. Mas enquanto as leis para o galinheiro forem feitas por raposas, nada mudará. Depois de todas as operações da Lava Jato e outras, prisões e expropriações, persiste a impunidade; há o surgimento de quadrilhas ,eleitas ou não, que se beneficiam da moderna tecnologia e afrontam a todos e tudo com arrogância ou ignorância.

Como lenitivo e para dar esperança à massa humana, promete-se a vacina, prestes a ser elaborada na pressa; serão descumpridas todas as etapas de  necessária validação? Espera-se que a população não seja usada como cobaia de teste. Fica ressaltada a impotência da ciência humana perante o vírus, mas com as grandes potências esnobando no cenário mundial com lançamentos espaciais e viagens para outros planetas. O individualismo mostrou-se em estado adiantado e a ONU mostrou ter dificuldades em promover ações a favor da união dos países e dos povos. Prevaleceu a inexperiência  em assuntos que realmente deveriam ser de interesse global. A Pandemia poderá determinar a revisão de toda a ordem estabelecida à medida que as consequências econômicas começarem a determinar a ação e reação de cada país.

Infelizmente, tudo que estamos vendo é um preparativo para uma crise econômica de feitos devastadores para todos. No jogo econômico entre as Nações, algumas poderão ser trituradas. Pequenas economias terão que ser reestudadas e muitas terão que reagir co suas próprias forças internas, o que dependerá  de seus Consumidores. Quanto mais demorar a Pandemia, e isto irá até que todos os países importadores e exportadores do Brasil voltem ao normal, mais danos estarão sendo gerados. O mundo acordou quanto à dependência da China e certamente reações serão tomadas com mais nacionalismo, uso de soluções internas, maior disputa entre as grandes potências quanto ao domínio no mercado mundial, diminuição de importações, volta da inflação, dificuldades em manter a política de juros baixos, repercussão na política da condição econômica e suas consequências para a vida da população, perpetuação do endividamento com falências e desemprego, esmorecimento pessoal, queda da arrecadação de impostos e capacidade de investimento. Mas com o Leviatã fazendo de tudo para não perder um quilo de sua majestade e bazófia. Inúmeros serão os desdobramentos desta cruel realidade que está ainda se formando. Como será o cenário político? Como estará a guerra pessoal entre os Três Poderes? Tudo será feito e impregnado das características da sociedade brasileira. Mas o busílis é como estará o Consumidor, o cidadão, Eleitor, o Fiel, o Espectador depois dessa provação? A TV tem a missão de informar, mas também ao fazê-lo, deve ter a responsabilidade de não exagerar suas tendências.  O momento é delicado para a sobrevivência em cada mente, em cada lar. 

Como se pode ver, há no país muito para evoluir. Estamos longe de qualquer excelência em termos de qualidade, respeito ao Próximo, democracia e direitos sociais, mas estamos num processo de evolução constante com mortos e feridos. Avançamos lentamente, graças aos empreendimentos privados. O Brasil de 1950 em termos materiais não pode ser comparado ao atual, todavia, face aos vários fatores de perda de energia, alguns mencionados no texto acima, o nosso país vai sendo progressivamente entregue as novas gerações, que terão nas mãos os meios de conseguir progresso do seu modo, conforme o seu preparo, de acordo com seus princípios e terão que viver com isto. Não há milagre, todos terão que passar por etapas e construir o futuro melhor. No entanto, sem Educação, cada vez será mais fácil dizer e lamentar ” não se preocupe , nada vai dar certo”. Nada nasce sem ser plantado. Os milimétricos erros de hoje serão os quilômetros de diferenças amanhã. Um pequeno gole hoje, um bêbado caído amanhã.

 

Odilon Reinhardt . 3.8.2020