sábado, 3 de julho de 2021

Comportamentos Pandêmicos.

 







                                Comportamentos pandêmicos.



Sim , ainda


vou querer ver

pessoas sorrindo na rua,

crianças correndo,

no dia em que eu estiver;


vou querer olhar,

a cor do amanhã,

o céu azul do verão,

quando tudo isto acabar;


vou querer ir pela liberdade

de visitar pessoas ,

lembrar das que sumiram do contato,

quando a vida normal prosseguir;


vou querer por

esperança em amizades,

fé em pessoas,

quando a Pandemia se for.


Pessoas vão se reencontrar

nas calçadas a qualquer hora

e poderão se abraçar

sem medo do agora.


Pessoas vão sorrir

sem temer

podendo ir e vir sem fugir.


Sim ainda vou querer

ver o depois

nem que tenha que escrever

imaginando como seria o renascer.


Quero sobreviver

para poder admirar

as pessoas em seu admitir

que a Pandemia não eliminou o amor.


Odilon Reinhardt.


A vida em urbe.



Mal conduzida

move-se;

a urbe constrangida.


O sapiens estreita-se

ora na camisa do asno sapiente

ora na do sanatório circense.


Vai pastando no supermercado,

procura a direção do rio,

lagarteia o dia no gramado.


Tem rotina neste vazio,

esperando a ordem de seguir,

em ciclos de abre e fecha doentio.


A urbe não difere do demais,

um fazer limitado, ora estagnado pensar,

um passado fraco de cenários iguais.


Tudo sendo colocado no microscópio,

Verdades, realidades e consequências afloram,

os cacos fazem o caleidoscópio.


Vale o fisiológico;

descartada a virtude,

a vida esborracha-se no lógico.


Comer, beber, dormir,

reprodução em dúvida,

medo de prosseguir.


Quem dorme não sabe se acorda,

e quem acorda ,

não sabe, se o Covid já o consome.


A luta é entre o ser e o estar,

Realidades itinerantes,

ambivalências e ambiguidades a enganar-se.


A existência vai anestesiada,

o supermercado é a fronteira,

o limite cercado da vida assegurada.


O respirar segue mascarado,

perigo de infração,

todo passo é vigiado.


As reações humanas normais, agora anormais,

todas passíveis de multa,

abraçar e beijar, jamais.


O respirar livre na praça,

violação municipal , galática,

o cidadão acuado ficou sem graça.


O ar vai na brisa , no vento pela rua a passear,

carruagem do Covid e suas filhas acompanhantes,

a urbe ajoelha-se ao seu passar.


Existir, não existir,

questão de minutos,

ninguém sabe do segundo a seguir.


Vidas sitiadas,

seguem oprimidas na agonia do não- fazer

em rotinas entediadas.


A urbe como refém;

última fortaleza espacial,

mas o mamífero pensante evita o Além.


O tribunal covídico, em regime de exceção,

na sua sumária diversão entre sorte e a morte,

distribui sentenças sem fundamentação.


A existência desesperada

em agonia espera a esperança

da vacina mitigada.


Um dia após o outro dia em rotina desconcertada,

a vida é contada em horas,

só Covid e suas crias tem vida diária acertada.


O séquito em manada sofre o impacto

das médias móveis , números e decisões,

e sabe quem vai pagar o pato.


Até a discutível imunidade de nossa manada,

a urbe e seu centro arrisca tudo e todos,

afinal pode ser premiada.


Truncado show da vida,

não há nada de fantástico,

em cada acelerada partida.


O humano se divide entre dinheiro e vida,

prossegue, afoga-se em seco açude,

e não consegue deter a ida nem a vinda.


Covid se farta e esnoba a ciência,

tem como aliados os asnos sapiens

e seus resquícios de má inteligência.


Dúvidas e incertezas,

graves crises pessoais e coletivas,

a urbe se arrasta em ilusórias incertezas.


Queima invisível em suas entranhas,

mas sorri para o público televisível,

no teatro de peças estranhas .Odilon Reinhardt.




O mundo diminuindo?



Vai o mundo

pessoal de cada um

com alteração de fundo.


Diminuí o círculo,

relacionamento pessoal menor,

cancelamento em acúmulo.


Somem os “migos”;

surgem os novos amigos, sem interesse,

mais sérios, mais dignos.


O mundo diminuído,

pessoas desistem umas das outras todo dia,

redes sociais se esvaziam ao mínimo.


Mais rejeição,

muitos reflexos,

inusitada reação.


Cresce a solidão,

o silêncio barulhento

no interior do cidadão.


Que realidade o mundo social terá

quando a pandemia acabar

e a máscara não tiver necessidade?


Quem sobreviver verá,

Nada que foi será,

será?


Estarão as pessoas mais sozinhas,

mais frias e calculistas,

magoadas e arredias?


Muitos já se perguntam

o que terá sido aprendido,

o que as pessoas preparam?


Odilon Reinhardt.


Peso da morte. Medo de perder. Fardo de consequências. Grilhões de dependência. As correntes do analfabetismo. Pesadelo do desemprego. Algemas da falência. Exaustão e desespero. Muita contrariedade e ansiedade. Até 2.7.2021, no Mundo:183 milhões de casos e 3.960 milhões de mortos; no Brasil 18.622 milhões de casos e 520.095 mil mortos. Isto é Ilusão? Desconsideração da realidade estatística? É tudo uma estratégia de Poder? O enterro do irmão, do pai, do melhor amigo, da mãe não existiram. É tudo um erro midiático de sensacionalismo?

Negar, aceitar? Se é negado é porque que existe? Isto serve para algumas situações. Mas a vida é maior do que a morte e o humano tem que lutar, se defender, manter suas estruturas de sobrevivência. O ponto central não é negar ou aceitar, mas o que se deseja com tal atitude e a estratégia utilizada para tal. A diferença é comportamental.

Negar para manter o exemplo de resistência, de luta, de motivação de um grupo ou população, para que não haja esmorecimento, queda de estímulo, mas sim, desmoralização e menosprezo do inimigo e garantindo que a vida continue e permaneçam as bases da economia. A vida continua! É a estratégia usada na guerra, onde soldados vão morrer para que se ganhe cada a batalha. Morre-se para salvar vidas. Avante! É nesta seara que entra a estatística, sempre fria, calculista, visando metas mais altas, embasando decisões. Se entre 1000 soldados morrerem 100 para salvar 5000 outros, já é um sucesso, mesmo que nos 10% haja o filho do general que ordenou a operação, afora as interpretações tendenciosas e manipulações numéricas que são feitas para desviar a atenção, minimizar a realidade, talvez no caso até o general chegar em casa e perguntar pelo filho. Estatística é dado para grupos de decisão e não para ser usado em termos manipulados e tendenciosos com a TV costuma fazer, deixando a população atônita.

Negar é também, uma estratégia pessoal, para preservar a continuação de projetos e planos individuais. Resistindo e persistindo mesmo sabendo que as condições e circunstâncias reais estão mudando radicalmente. Dar uma de avestruz é um comportamento. Esta coisa toda não deve ser verdade, não existe!

Negar é igualmente reação infantil, uma defesa para não ser contrariado no orgulho, na impulsividade, protegendo ou enganando o ataque ao ego. É mentir para si mesmo. Não foi o que eu disse!

Qual seja a explicação que profissionais da área mental possam apresentar, o fato concreto é que o Vírus existe e quer matar.

A liberdade de pensar, sentir e agir permite o seu livre exercício, o de negar. Pode ser o tal do “negacionismo”, um “movimento” que pode ser mais retórico do que prático, se não traduzido em atitudes efetivas. É um movimento a ser seguido por qualquer um que por ele se deixe convencer. Existe mais na boca de comentaristas políticos do que por escrito; existe entre as tantas manifestações contestatórias que usam palavras de efeito e são promovidas por pessoas que vivem como a síndrome de controlador, apontando defeitos. Tais manifestações gostam de termos novos, de neologismos de momento e seu conteúdo hoje está muito baseado em ditos e trechos extraídos do discurso de autoridades, servindo para preencher a meta jornalística e cumprir o contrato com o jornal, gerando assunto, furos de reportagem etc., pois, na verdade, os ditos de autoridades nunca são transformados em atos oficiais. É só a criação de buchicho e encrenca diária. Alguém tem que criar polêmica a qualquer custo. E esta é enfiada goela abaixo do cidadão, pelo menos aquele que ainda vê televisão ou escuta o rádio. Mas esta atitude da mídia vai criando a imagem negativa pretendida, já que a intenção é desmoralizar o sistema e para tal são usados rótulos, qualificações, classificações repetidamente negativas há décadas. Aqui temos o negativismo, uma pandemia midiática muito mais grave e que vai matando a energia de um país e suas instituições. Assim tanto o negacionismo momentâneo quanto o negativismo perene levam a questionar o que se pretende com tanto jogo de palavras, boca a boca de fuxiqueiros. Qual a ideologia de tal depredação, constante e progressiva, e que nunca é declarada? O negacionismo é momentâneo e ligado à Pandemia. Já o negativismo, o pessimismo constante, é ideológico, tem finalidades perversas, mas nunca deixa claro o que quer implantar. Quem já descobriu, lê nas entrelinhas as mensagens vermelhas; mas nada se pode fazer com um mero voto de cidadão.

Outro aspecto a ser considerado é que não se pode confundir as atitudes de negacionistas, (seja lá qual a versão explicativa deste termo), com os comportamentos advindos do analfabetismo e das condições de extrema miséria de várias regiões do país, onde até a aquisição de máscaras e meios de higiene são financeiramente impossíveis. No mesmo sentido, a desconsideração, o relaxo por exaustão e desmotivação existencial não têm nada a haver com o negacionismo.

Ainda outro aspecto é que também não se pode caracterizar o comportamento derivado da exaustão causada pela Pandemia como negacionismo. Tampouco a provável banalização que um tão longo período de más notícias, restrições pessoais e sociais possa estar causando.

Com acima ressaltado, não é com o negacionismo que devemos nos distrair, mas com o negativismo, esse pessimismo sistemático, pois estes são aspectos que geram o relaxo de muitos que já não veem horizonte algum neste Brasil, país descascado e vilipendiado por interesses múltiplos.

Já vão longe as consequências de uma constante e persistente intenção de desmoralizar e pichar o Brasil. Construir é difícil, o fácil é destruir. Se a intenção ideológica não é combatida, ela com sua vontade de destruir também constrói, pois leva à construção do “Nada”, um estado para se iniciar tudo de novo, dentro de um ideal niilista, revolucionário, totalmente ilegítimo que desconsidera a Nação como trabalho de um povo, num local e Governo ao longo do tempo e de acordo com sua evolução. É intenção extremista e anti- democrática, embora use sistematicamente o termo democratização como seu carro chefe. Segue e faz o momento cheio de oportunismo retórico, incutindo ideais e a mentalidade de que no país até agora nada foi feito para o povo. É este o movimento mais pernicioso, mais perigoso para toda a sociedade. Querer eleger o “negacionismo” como mais um evento oportuno é criar boi de piranha e mais uma vez esconder o negativismo e o pessimismo que já invadiram o país há décadas.

Mas não é por acaso que a avalancha de negativismo (, este movimento de não se confiar em nada, de não dar crédito a nada e ninguém, de não se confiar ou acreditar), esteja gerando reações como “não ler jornal”, “não ver TV”, “não querer saber de nada“, mesmo por parte de pessoas que possuam acesso à mídia e tenham capacidade de discernimento. Hoje, com a baixa popularidade, as notícias só atingem os já atingidos, só atacam os já atacados, só impressionam os já impressionados, assim dirigem-se aos mesmos , um restrito grupo, formado por um pingo de gente que ainda insistem na autoimolação e no ato de amolar a existência com mais stress e chateação na dança do palco das mentiras no teatro da má informação e da contrainformação.

Por conta de tendências ideológicas que só confundem, destroem e nada propõem, parte do jornalismo segue comprometido e viciado, prejudicando os demais ramos de um serviço que é de primeira utilidade para a democracia e liberdade.

Não podendo dar créditos à mídia, o cidadão, sempre mantido no modo derrotado, isola-se em alienação forçada, estimulado pela Pandemia, que já lhe impõe comportamentos de final dos tempos. Nem se fale nos milhares de anestesiados que passam o dia em fábricas e escritórios e nem possuem tempo para se informar face a rotina a que são submetidos. No entanto, mesmo que os comportamentos possam estar sendo alterados, os pensamentos continuam sendo insuflados pela insatisfação. Como são os comportamentos decorrentes do pensar insatisfeito? Ora, é só observar a realidade, o dia a dia, em qualquer lugar. Nada de bom. De Norte a Sul de Leste a Oeste todos os dias as diversas formas de violência. O humano se afasta do humano em vários sentidos.

O fato é que o tempo não para, mas o presente com nova capa, repete o passado de pensamentos atrasados.

A falta de Educação barra o esclarecimento, o desinteresse pela cultura universal e nacional, o descaso pelo registro da história pessoal, a falta do interesse pelo crescer intelectualmente vão conduzindo o cidadão à perpetuação de sua ignorância, a qual está diretamente conexa com: a desobediência civil por não conhecer a lei, a estrutura oficial e produtiva; a desconsideração do Estado; o fisiologismo(com o acirramento dos conflitos individuais e dificuldades financeiras e econômicas); a desmotivação quanto aos modelos de prosperidade e felicidade; o abandono pessoal.

Quantos milhões são conduzidos a ter como objetivo o encher a panela e viver a vida do mínimo. Tudo por falta de modelos de prosperidade, de progresso. O imã de um pensamento positivo e patriótico foi sendo destruído pelas forças negativas, as mesmas que fazem uma pessoa talvez ingenuamente tatuar no braço uma caveira, um cabeça de bode, figuras infernais etc. Ao fazer essa opção não sabe a que causa está servindo, como está sendo usado; talvez seja só por necessidade básica de parecer atualizado, pertencer, ser igual. Mas imagine-se uma criança de hoje daqui a 50 anos, quando questionada o que lembra do pai, do tio ou do avô ou talvez da mãe, venha a responder: “lembro pouco, mas o avô tinha uma diabo no braço e uma cabeira no peito, como eu! E minha mãe tinha uma caveira de pirata na perna. Depois que ela se separou do meu pai, fez uma tatuagem de cobra nas costas como o namorado dela tinha!”. Talvez tudo isto seja só modismo de terceiro mundo, sem maior significado, mas…! Isto é aqui só um mero exemplo de como o negativismo penetra e faz a realidade sem nada propor de bom e de prosperidade. Vai se instalando, criando modelos decadentes. Ou se pode pensar que quem usa uma caveira na perna ou coisa assim do mundo exotérico e das trevas não tem sua mente já condicionada por algum profundo sentimento de insatisfação e contestação negativista?

Subliminarmente instalou-se no país o negativo, a descrença, o culto ao “desmérito”, ao grotesco e ao bruto. Não é só aqui, mas é aqui que interessa. A Pátria deixa de ser prioridade e as reações em efeito de manada vão assumindo formas variadas, não necessariamente em violência física, mas eivada de desmotivação em progredir e acreditar no progresso pessoal e coletivo. Uma ponte nova tem mais efeito do que uma conquista intelectual científica no país. Estaríamos perante uma desistência civil? Ou desmotivação coletiva decorrente de um abandono pessoal de objetivos pessoais de vida? O fenômeno é imperceptível, mas é uma doença danosa que redunda no descrédito de que haverá mudanças nos fatores que geram contrariedade; da consciência quanto à impossibilidade de solucionar, progredir, prosperar, crescer. Diante de tal quadro falimentar e derrotista, não há reação positiva, só o danoso e lento abandono pessoal e suas bem escondidas reações. E se isto voltar a acontecer no país numa intensidade maior do que as famílias já vem sentindo no comportamento de alguns de seus membros, não será nenhuma campanha nacional de “mexa-se” que irá resolver. Da última vez, surgiram os esportes, as academias, os hábitos de exercícios físicos. Isto já está tudo aí, e se a desmotivação de manada crescer e assumir proporções inéditas, o que fará o cidadão reagir para estudar, ser próspero consumir, etc.? Nenhum sargento ou sindicalista terá pode de motivar o cidadão parado (sem o espontâneo querer movimentar-se), que hoje já está tão desinteressado e propenso a abandonar-se. Em todas as classes sociais já há os andarilhos, os desocupados, os moradores de rua espirituais que já traduzem seus sentimentos em ações relaxadas.

Num país que envelhece rapidamente, se as novas gerações não tiverem ideais de estudo, de prosperidade e não tiverem perspectivas de futuro quanto a emprego, família e acumulação de bens, desenvolvimento pessoal etc., vão mesmo entrar na desistência civil, abandonando-se.

Esta Pandemia poderá alavancar efeitos danosos sob a juventude. Um recado está sendo dado: a vida é uma só e muito curta. Todo este negativismo, já tão adiantado que é a semente contestatória existente, está recebendo adubo extra e poderá fazer com que as tendências, que se têm imposto aos jovens, se intensifique e haja mesmo um desinteresse fixo pelo não ler, não escrever, não estudar, não saber, não ter curso superior, não ter profissão, não ter família etc, não trabalhar. Afinal, segundo o negativismo pregado sistematicamente nada do que é será; nada do que existe presta; nada que é Governo, é honesto; nada que é verdade, não deixa de ser mentira; o que importa é a liberdade libertária. Qual o efeito disso nas novas gerações? Os negativistas propõem algo que não seja a destruição, o descrédito? Nuvens de destruição lenta e progressivamente vão fazendo mentalidades e comportamentos e são traduzidos em ação ou alguém pensa que a mentalidade que já é demonstrada pela juventude e pessoas adultas caiu do céu, surgiu do nada, é produto dos tempos e veio por si só?

A continuarem as tendências, já aceleradas pela Pandemia, a mediocridade tenderá para o lado negativo mesmo e o rebaixamento dos níveis culturais será cada vez mais danoso para todos. Já não basta cada um fazer a sua parte, se a parte não está mais identificável e reconhecida como coletiva e de interesse. O que um só mísero foto poderá fazer pelo país, portanto, o que cada um passa a fazer é votar nos seus assuntos de umbigo, onde talvez ainda tenha a maioria dos votos em pífias vitórias diárias.

Não é mais a política descambando para politicagem e a corrupção sendo reestabelecida e encorajada com aval de decisões “judiciais”, mas as consequências de um sistema político de décadas que menospreza todos os assuntos de profundo interesse nacional e privilegia o umbigo dos políticos e seus anseios de custear a reeleição. No longo rol de consequências desastrosas está a Educação e o todos os aspectos de segurança para as novas gerações que a cada ano recebem um país mais burocrata, corrupto, de modelos com influências negativistas e sem nenhum sinal de progresso e prosperidade. As novas gerações ao não ter modelos sadios para seguir, entregam-se mesmo aos modelos do submundo, do nivelamento por baixo, da mediocridade, do mundo sem rumo exatamente como parte do pessoal interno da mídia deseja dentro dos moldes libertários do “Mundo do Nada”, por ela construído. Um mundo livre e libertário , mas derrotado.


Odilon Reinhardt. 3.7.2021


quinta-feira, 3 de junho de 2021

Reflexos Humanos da Pandemia.

 






                                       Reflexos Humanos da Pandemia.

                                   Fala-se em ondas do Corona, mas 

                                qual  onda que vem sendo menosprezada?



Estar por dentro.


O que anda rosnando

por dentro das pessoas

e está incomodando?


Cansado de se distanciar,

triste quanto ao isolamento,

exausto quanto ao não aglomerar.


Estressado de não poder abraçar,

estafado de não poder beijar,

tudo a perturbar.


Desmotivado pelo não-fazer,

chocado pelos fatos,

devastado pelo medo de falecer.


Estarrecido com os números e dados,

paralisado por danos financeiros,

irritado com os dias parados.


Atordoado com os cancelamentos,

assustado com os afastamentos,

desconsertado com os desaparecimentos.


Abatido com a falta de mobilidade,

derrotado pela saudade,

desolado com as perspectivas.


Pasmado em não poder usufruir da amizade,

perplexo com a falta do falar face a face,

devastado em sentir a liberdade limitada.


Surpreso com a realidade de muitas pessoas,

estupefato diante do horizonte diminuído,

arruinado por danos espirituais.


Desacorçoado com as reações humanas,

pessimista quanto ao novo normal,

intoxicado pela TV .


Atropelado por tantos eventos negativos,

desalentado pelas más notícias por tanto tempo,

desesperado pela falta de meios de sobrevivência.


Isto é que se aglomera,

é a máscara que sufoca,

dentro da mente nesta hora.


Tudo faz esse mundo

dentro da pessoa

de um jeito nada mudo.


Dúvidas, incertezas,

confissões e confusões externas,

a mente procura certezas.


Mas uma delas está agora bem identificada

muitas pessoas já estavam distanciadas,

mascaradas, isoladas sem saber de nada.


E por outro lado ,


há pessoas equilibradas

que conseguem ver tudo como lição

e aprender com a vida em horas desequilibradas.


Entusiasmadas com as perspectivas e seus sinais,

satisfeitas com suas revelações internas,

emocionado com seus sinais de progresso espirituais.


Contente com algumas amizades que sobreviveram,

alegres com a persistência de algumas,

estimuladas com os bons aspectos das realidades que surgiram.


Motivadas pela visão positiva do futuro,

deslumbradas com a ciência humana,

maravilhadas com um caminho mais seguro.


Extasiadas com as previsões positivas,

seduzidas com as adaptações para um novo normal,

encantadas com suas medidas ativas.


Admiradas diante das reações do mundo,

esperançosas quanto às mudanças que virão,

otimistas quanto a uma solução de fundo.


A Pandemia criou desordem

das coisas e do comportamento

e deixou a necessidade de outra ordem.


Mas como todas as sensações geradas

vão alterar a estrutura do pensar

e deixar as pessoas mais equilibradas?


Que novos pensamentos surgirão,

que orientação vai criar ideias melhores,

como a Humanidade e as pessoas prosseguirão?


Odilon Reinhardt.



Silêncio das gentes.



Há um silêncio engolido,

todo dia por muita gente,

pelo cidadão comprimido.


Silêncio dos inocentes,

dos justos, dos que trabalham ,

silêncio escondido nas mentes.


Vão todos com este silêncio, mudos,

a violência ,o medo do Próximo ,

na rua , nas empresas , atrás dos muros.


Silêncio que coexiste por detrás

dos ruídos da cidade , nas ruas e avenidas,

atrás das consequências que ela traz.


Vamos todos assim,

empurrando, carregando,

um silêncio que vive assim.


Silêncio que vive em cada conflito,

em cada acidente, em cada murro na cara,

em cada tiro da mente, coisa pessoal, aflito.


Muitos são os sons do silêncio,

que matam, que machucam, que violam

que andam pela cidade em silêncio.


Até quando haverá

esse silêncio ,

até quando cada um suportará ?


O som deste silêncio cresce,

invade ruas, casas e lares

e a realidade desce

para inferiores patamares.


Ninguém mais escapa,

o silêncio invade a Serenidade

e o que resta é uma capa,

um parecer em cada idade.


Quando ando sobre pedras em ruas,

vendo grades e muros, alarmes e câmaras,

vejo realidades nuas,

de um silêncio em tons duros de muitas caras. .


O silêncio das buzinas, dos motores,

de pessoas em ambulâncias barulhentas,

dos pensamentos em mentes confusas,

a cidade em silêncio grita suas dores.


E assim vou andando ,

escrevo e digo coisas em silêncio

e as pessoas vão passando,

fazendo barulho, mas repletas de silêncio.


Ruas e praças, corredores da vida,

dobram-se ao silêncio da cidade,

que ecoa num movimento de ida

e realiza-se e quebra-se em verdade.


Teatros, shows cancelados para pessoas,

e um só silêncio coexistindo mesmo ao som da TV,

um algo escondido que une todas

e uma existência se esvaindo.


Escutem o barulho da cidade,

é fruto de um silêncio que está matando,

acabando com a Humanidade,

porque no fundo as pessoas estão falando.


Odilon Reinhardt.




Quando se olha o país e suas maravilhas geográficas, somos levados a pensar na vida que ocupa tal diversidade. Uma existência de seres humanos em muito variegada e de diversa origem. Antigos estrangeiros e novos estrangeiros, todos procurando dinheiro e estabilidade para a vida na luta pelo amanhã melhor. Até que ponto tal diversidade garante amor à Pátria e seus valores há muito tempo firmados? Toda está “estrangeirisse” realmente tem amor pelo Brasil ou está conectada com seus ninhos de além mar? Seus negócios e comportamento refletem isto? Diante da experiência histórica até aqui acumulada e vendo tanta riqueza, tempo, talento e energia desperdiçadas, é de se questionar se muito dessa imigração em sua versão, nos últimos 80 anos, considera estar aqui ou nunca considerou ser daqui. Até que ponto não está ainda ligada ao espírito aventureiro, colonial de enricar, voltar a sua terra natal? Isto explicaria muitos dos negócios cediços aos interesses estrangeiros em detrimento do desenvolvimento do país e o fato de esta terra envidar esforços e nunca chegar ao desejado progresso sustentável? Talvez sim, talvez em parte. Há espaço para xenofobia entre novos e velhos imigrantes? Todavia, certamente, muito político vende-se aos interesses estrangeiros que fazem do país a feirinha R$1,99 de produtos de quinta qualidade, insumos de dependência e campo de teste de remédios, etc. Talvez em parte isto explique porque o país vive sempre dando “voos de galinha” como disse Ermírio de Moraes e está sempre a esmo, sujeito a eventos de fora e seus desígnios; sempre mendigando pelo mundo, para que comprem seus produtos da roça e do solo a preço feito com o aviltamento da moeda para ser mais barato ao estrangeiro.


Seja lá como for, qual a razão deste engasgo, deste encalhe sistemático? Na tentativa de resposta, a quantos por quês e porquês chegariam as indagações?


A este ponto da História, causas já viraram consequências e estas por sua vez causas. Não faltariam razões, explicações sociológicas, políticas, econômicas, filosóficas. Certamente muitos pesquisadores devem estar à caça de razões que expliquem esta realidade posta. Seja lá ter sido ela formada ao longo do tempo pela corrupção, falta de amor ao Próximo, o capitalismo selvagem, a religião com tendência socialista e seus reflexos no pensamento popular, adoção de filosofias capengas e defasadas, mixagem racial, educação precária e descaso do Governo nesta área, avanço do marxismo, a política de esquerda ou de direita, qualidade da imigração recebida, processo democrático ainda em implantação, evolução social ainda atrasada, falta de patriotismo, diversidades regionais, reflexos os problemas sociais até hoje com pouca solução, o ego do ser humano, seja a mistura formada por tudo que foi acima mencionado, o fato é que a tal altura da História, a situação que está se agravando já é preocupação bastante para criar instabilidade e insegurança quanto ao futuro. Igualmente é fato concreto que somos uma população vivendo nesta terra com o que ela tem e pode dar num processo de contínuo desperdício. Seja lá o que nos impede, seja a política, a cultura, a burocracia, o analfabetismo, o umbigo, mereceríamos, só pelo tamanho, estar mais desenvolvidos, todavia encalhamos na estrada seja pela direita seja pela esquerda, nada vai para a frente. Nem o centro da estrada vai a lugar algum.

Aproveitando-se da realidade já instalada há décadas, as forças exteriores, as mesmas mencionadas por Jânio Quadros, só vem criando dependência técnica, científica e econômica acelerada pelas consequências humanas que vemos em evidência agora com a Pandemia. Em acréscimo, há a contribuição do marketing e dos meios de comunicação, que estimulados pelo comportamento e discurso confuso e tendencioso de políticos fisiológicos e funcionários públicos do alto escalão, não perdem tempo em avacalhar com a imagem do país, montando diariamente um consenso contra as instituições e formatando a mente do cidadão, o que certamente deve deixar satisfeitos os interessados internos e externos com seus propósitos variados para facilitar negócios e ideologias. Cuidado. Cresce a insatisfação e tudo tem começo, meio e fim. Está onda vem se formando há várias décadas.

A TV, tipo de diário oficial tendencioso, faz notícia de qualquer pedaço de frase vinda de qualquer autoridade, recheando tudo com tendências ideológicas e empurrando tal alimento para o povo diariamente, o qual não tem como saber se as palavras de uma autoridade efetivamente são só uma expressão oral de momento ou se foram efetivamente formalizadas em documentos que movem a máquina pública como decretos, portarias, ordens de serviço etc. A TV faz seu diário tribunal de inquisição e condenação, mas contrasta notícias, faz retificações; já alguns jornais são verdadeiros donos da verdade, carregam fatos com suas tendências ideológicas e políticas e de modo algum as desmentem ou dão voz à contrariedade; infestam a visão do mundo político com informações suas, tomadas como verdades absolutas, inatacáveis, deixando a outra parte sem defesa, seja lá quem for e como for. Isto explica bem as contradições entre a sentença dada pela imprensa, sem processo, e as sentenças judiciais. Em permanente contradição, o povo se irrita sem entender a lógica diferente das duas realidades. Numa, a lógica forçada por tendências ideológicas, políticas de momento, conveniências; na outra, a lógica jurídica, com a realidade dos papéis anexados ao processo na guerra de capacidades dos advogados e seus argumentos perante as provas efetivamente ali existentes e as interpretações judiciais dos juízes, campo livre para a formação de estruturas lógicas nem sempre razoáveis, mas certamente sempre a serviço de alguém. Basta mencionar que se as provas não foram produzidas legalmente, tudo é nulo e o réu é solto, não importando a gravidade de seu delito, o que, para o povo, é difícil entender. Fica a mensagem errônea de que o crime pode compensar. Afinal, em permanente clima da crise econômica, a falta de ética, moral, seria precipitado afirmar que a realidade é feita de muita má-fé, ganha-ganha, ganhar sem muito trabalhar, tirar proveito se possível do Governo, vender-se etc., etc? Em tudo, há a confirmação da teoria da conspiração, é o país do golpe, da mumunha, da maracutaia, do ganho fácil. Absolutamente tudo e todos são vistos com desconfiança.

O fato é que a mídia, no conjunto, da obra de sua obra, vai fazendo uma imagem cumulativa de desgaste que sendo passada para o ao povo, mira, numa visão curta, atingir um ou outro político, mas sempre vai desgastando o Estado Brasileiro como um todo. Diante ,por vezes, errônea visão, o cidadão, não podendo reagir, a não ser com 1 voto, vira as costas ou se rebela em pequenos atos de insatisfação.

Diante dos péssimos resultados que vem se formando desde a década de 1980, o quadro em formação mexe direto no bolso do cidadão e atinge diretamente as panelas de sua casa e suas necessidades de família. Esta é a espoleta mais sensível e suficiente para a insatisfação e sua reação por parte até mesmo do mais pacato pai de família e adolescente.

As causas e tendências em andamento que tinham passo lento antes da Pandemia e que construíam o suporte para a insatisfação generalizada, gerando até desconsideração quanto ao espírito público, mas que eram de certo modo neutralizadas ou amenizadas por compensações aqui e ali ajustadas, agora ficam em evidencia e pressionam a imaginação popular e seus sonhos de prosperidade. O fato que se observa em cenas do cotidiano é que ninguém mais quer saber de explicações, promessas e razões; prevalece o espírito de boiada a estourar; em todas as classes sociais não há satisfação e os meios de compensação começam a rarear.

Um descontrole social de massa nunca leva a nada de bom, só traz más escolhas e erros estratégicos para a própria boiada, que mal conduzida ou mesmo quando sem líder, não vê opções e pode errar radicalmente nos caminhos a escolher seja pelo voto, seja pela inconsequente baderna das ruas ou pela desconsideração quanto à lei e instituições.

Políticos enrolados em seus umbigos vaidosos e gananciosos, miram a massa, mas esquecem que esta está dando as costas e pode estourar por estourar, o que não aproveita a ninguém, a não ser os promotores das mensagens sublimares de constante desmoralização do país e sua gente, avançando cada vez mais agressivamente sobre a juventude e novas gerações com ideologias do nada, libertárias e sem propósito próspero para o país.

Os reflexos humanos da Pandemia certamente vão falar mais alto que os danos à Economia. Preocupam-se todos com o sistema, a sua máquina produtiva e a circulação do dinheiro, colocando o humano como mero e manipulável consumidor, eleitor, cidadão, sempre em segundo plano. Com ou sem Pandemia, o mundo está mudando e os jovens das novas gerações, internautas de nascimento, com maior acesso ao mundo melhor e suas realidades podem ser um item de surpresas; vendo as discrepâncias, diversidades e desigualdades irão os jovens aceitar as misérias do existir sem reagir, sem desistir, sem fugir? E que reações irão ter, senão a desconsideração do interesse público ou a inconsequente revolta? Um jovem sem Educação de qualidade poderá recuperar o tempo perdido? O tempo a curto prazo dirá.

A sistemática desmoralização do País, movimento de décadas a favor de interesses externos ou internos não revelados, está agora colocando o “Frankstein” de pé e não apresentou nenhuma solução para ao caminho a tomar. Só contestação, só persistente crítica e descrédito diário. Será que pensaram que não iria ter consequências? O alquebrado Leviatã ainda é o centro do Poder e poderá reagir com mais confirmação de autoridade e poder.

A juventude poderá se rebelar sem obter nada além de mais insucesso. Em todo caso nada dá sinal de futuro próspero e saudável. Há um silêncio nas ruas e nas casas, marcados pela exaustão do fisiológico, acelerado pela Pandemia, mas motivado por insatisfação existencial anterior; espoleta para reações improdutivas. A silenciosa desconsideração ou a rebelião em nada serão produtivas para o país, que progride lentamente mesmo assim, mas perdendo energia e mão de obra e tornando seus cidadãos uma manada tosca, inflexível, conservadora de suas próprias concepções atrasadas, intolerante, pragmática, utilitarista, seguidora e tarefeira, desejando democracia para poder expressar seu egoísmo livre e abertamente uns contra os outros. Nada de prosperidade sadia e sustentável, nada de progresso intelectual, nada ainda do Brasil que está imaginado na Constituição.

Estaria em preparo, não uma Primavera Árabe, mas uma inédita “Primavera Humana” ou latina? Uma revolta talvez silenciosa, mas potente, virtual, jovem, para realizar mais uma jornada esperançosa? Tudo fica no talvez do tempo passando, enquanto as estruturas do capital prosseguem com seus erros, um deles a cegueira, porque não vem a juventude virtual, preocupada com sua época futura que logo vem chegando com negações múltiplas quanto a seus desejos e sonhos de consumo, criados pelo próprio e inevitável sistema de capital.

Mas não há algo tão violento como que se preocupar, pois não será uma luta por ideologias, filosofias, será mais uma contestatória baderna como sempre, para que o sistema se atualize e atenda as reivindicações para ser mais sensível às necessidades básicas de sobrevivência para desesperançados seres humano; será talvez como sempre mais uma época de agitações movidas por questões básicas e fisiológicas de bolso e de bolsa, talvez no meio de gritos e janelas quebradas por democracia e liberdade, dentro do vago e difuso ideal libertário, sempre genérico e estratosférico para muitos e muitos de seus seguidores, com palavras cujos significados poucos dos lançadores de pedras tem cultura e educação para entender.

A verdadeira revolução que vai ocorrendo vem do silêncio do indivíduo e sua insatisfação genérica, resultando em posição contestatória não expressa, em silêncio estressante na desconsideração e permanente irreverência quanto à existência do Estado, mas sempre com reflexos quase sempre violentos na família, no trânsito, no emprego e nas horas de lazer. Reflete-se mais lenta e imperceptivelmente no relaxo pessoal, na falta de interesses pessoais e coletivos, na falta de vontade de estudar e prosperar, no modo de vestir, falar e pensar. Um modo de contestação autopunitiva, infantil. A ela junta-se o modo de a mão de obra se comportar, gerando doenças psicossomáticas que refletem na saúde pessoal e de coletiva. Mas tudo isto nunca é atribuído a causas gerais mas, sim, as causas individuais. Há sempre esta visão, por parte das autoridades e da mídia, que é amenizadora; nada é entendido como grave e coletivo. Até quando poderá ser encoberto o sol com a peneira? Nunca se sabe se Nelson Rodrigues terá razão ao ter dito :”o Brasil conhecerá a selvageria antes de conhecer a civilização”.Quem vai surfar nesta onda?

Odilon Reinhardt 3.6.2021