quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Mais observações e consequências.

 

                                  Mais observações e consequências .

 

 Até 2/11/21 são: no Brasil, 21.800.000 de casos e 608.000 de mortes; no mundo 248.000.000 de casos, 5.000.000 de mortes.    

 
                                            Do pó ao pó.

 

Esses distanciamentos

que tem marcado o mover-se,

que derrotam os relacionamentos.

 

Essa máscara 

que tem escondido o sorriso, as palavras,

que a tudo mascara.

 

Esse álcool de mão

que tem entorpecido os contatos

que explicita a rejeição.

 

Esse isolamento 

que tem esvaziado a rua,

que nos tira o encantamento.

 

Casos do dia ,

mortes antes do tempo ,

que dão à vida medo e agonia.

 

Poucas boas notícias,

no horizonte

velas de graves consequências.

 

Verdades e irrealidades,

platitudes e frases de efeito,

adversidades.

 

Nunca caíram de uma só vez

tantas fichas, mostrando que

a humanidade pode mesmo virar pó.

 

Vai mal,

do jeito que vai.

A Terra dá o sinal.

 

Material e espiritualmente

o humano acabou em confusão,

perde-se nos labirintos de sua mente.

 

Socorre-se do brilho material,

ajoelha-se e nele se diz feliz,

no fundo vive o medo da viagem mortal.

Odilon Reinhardt.

 

 

                                Onde estão?

 

Onde está

aquele senhor que ficava na praça

e não está mais lá?

 

E aquela criança

que brincava no jardim

e não há ninguém na balança?

 

A menina que passava

todo dia a caminho da escola

e sua amiga que tanto falava?

 

Até o carrinheiro deixou de vir,

desapareceu em seu mundo,

não pode prosseguir?

 

Para onde foram

todos que compunham a rua

e hoje ali não mais andam?

 

Voltarão um dia?

Partiram, não voltam mais.

Foram embora no trem da Pandemia.

 

Aquela idosa senhora,

de andar lento, com sacola vazia,

não passa mais na mesma hora.

 

Onde estão?

Agora que tudo parece mais calmo,

para onde foram?

 

Foram embora ,

não puderam nem se despedir,

estamos sem eles agora.

 

Pais, avós, parentes,

amigos, conhecidos, colegas,

foram todos , nossas gentes.

 

O que deixaram para entender,

o que levaram de nós?

Cada um é que deve saber.

 

Silentes indagações,

os afazeres preenchem  as horas

e o humano não se importa com maiores reflexões.

 

E a vida continuará,

os sobreviventes e seu “normal”

e assim será.

Odilon Reinhardt.

 

                                          Foram

 

 

embora para qualquer lugar

no Universo ou só no cemitério,

o que agora pode isso importa?

 

Foram com suas verdades,

inverdades, conclusões, decisões, segredos,

acumulações, convicções, experiências e realidades.

 

Deixaram de existir ,

solução final;

doravante, o eterno inexistir.

 

A sociedade que os classificou,

numerou, categorizou, usou,

agora das tabelas os retirou.

 

Como partida, ainda vão aparecer

na lista de casos e mortos

e assim vão desaparecer.

 

Aos sobreviventes a vida,

um pouco mais de inseguro respirar,   

até a chamada para partida.

 

O dia a dia terá seu calor,

algo que dê ânimo;

que se procure sempre algo indolor.

 

Os que se foram talvez diriam

“aproveitem todos os instantes do dia”,

é o que recomendariam.

Odilon Reinhardt.

 

 

 

O vírus não gostou da vacina. Foge aos poucos em busca de bolsões de pouca resistência. A ciência humana resistiu e fortalece sua defesa. Dentro em breve, talvez uma pílula de salvação e todo o aparato de vacina será um passado detestado. Por enquanto, a vida continua, sem o temor e a aflição do início da Pandemia. O humano ensaia sair da toca, com um pouco mais de coragem, mas ressabiado do que lhe foi mostrado como realidade em vários aspectos da TV, política e seu círculo de amizade. A rotina vai se recuperando e tende ao normal. Não haverá novo normal, a não ser alguns aspectos comerciais que ganharam algumas inovações, muitas de passageira estadia. Lentamente os afazeres externos vão sendo recuperados e ajudam a preencher o tempo dos seres humanos. Se houve ganhos pessoais em termos de evolução espiritual, de conquistas contra o ego, etc., isto pertence a indagações silentes . O certo é que a grande maioria segue sem muito refletir, pois não vê ainda ganho no meditar e no aprimoramento do seu mundo interno. Dentre os vários pontos que podem ser listados em continuidade ao que foi mostrado na postagem de 3.9.21 , temos que filósofos e pensadores , que ainda não divulgaram suas grandes sínteses , devem estar observando pontos como os seguintes:

 

Depois da Segunda Guerra Mundial , o invisível Covid conseguiu aprimorar-se para fazer a Guerra do Século. Se é guerra interplanetária, talvez nunca saberemos. 

 

O mundo virtual e seus múltiplos instrumentos salvaram a Humanidade de consequências muito maiores em todos os campos.  

 

A ciência foi pega de surpresa, mas reagiu e diminuiu o sofrimento;  mostrou seus limites e deve ser controlada. Erros podem ser fatais. 

 

Em alguns lugares, onde a inexperiência foi mais acentuada, o processo de aprendizado foi marcado por estratégias erradas desde o início. Os erros foram pagos com muitas mortes e sem culpados; 

 

Políticos deram um jeito de controlar a pandemia com discursos e palavras soltas, fizeram seu palco no rodeio da morte.

 

Políticos só sabem da política do cercadinho e da reeleição;

 

As teorias de psicologia de massa ajudaram a controlar a população, por vezes, com mentiras e muita manipulação. Os meios de comunicação tiveram sucesso. Ficou visível como e o que o Poder usa para conduzir o povo. Houve muitas trapalhadas nesse campo.

 

Foi uma grande oportunidade para se observar como funcionam a sociedade, as pessoas e o Governo.

 

A Justiça foi obrigada a descer ao dia a dia da praça e ao bate boca em ponto de ônibus, perdeu sua dignidade. Foi obedecida por puro temor reverencial. 

 

Em alguns aspectos, o combate aos vírus fez lembrar os regimes fechados de opressão.  Ficaram evidenciadas as incapacidades do aparelhamento oficial, o que de certo modo levou certos órgãos a estimular o denuncismo para cobrir suas insuficiências.  

 

Os decretos municipais de condução das medidas de controle, em alguns aspectos, foram duvidosos e incoerentes quanto ao modo  de flexibilização. Ficou claro que muitas medidas eram para garantir a capacidade de atendimento pelos hospitais. Seus insucessos acarretam mortes em massa.     

 

Mostrou-se a política usando da ditadura médica, por vezes, alarmista, política e mal intencionada. Houve notícias de “tribunais” de médicos para decidir quem iria ou não para a UTI.  Alguém se preocupou?

 

Ficou destacada a dependência suprema do mundo quanto a recursos materiais e muito menosprezo aos recursos humanos. 

 

Os recursos para pesquisa científica e ciência no Brasil precisam aumentar. Mesmo assim pelo menos dois laboratórios mostraram-se atuais e prontos para responder a demandas.

 

Mentes corruptas acharam um jeito de desviar recursos públicos para compra de medicamentos  e acessórios a seu proveito. 

 

Quem era mau humano não deixou de se aprimorar.

 

A pandemia afastou os já afastados e mascarou os já mascarados, acelerando tendências em vários campos.

 

Durante a crise foi observado o reforço do individualismo, utilitarismo e pragmatismo, pelo que o humano se afastou ainda mais do humano. 

 

Nem a morte em massa tem força contra o ego e a ambição dos políticos e comerciantes.

 

As reações do povo são iguais em todo o mundo, não importando a riqueza do país.

 

Ações e reações de manada ficaram igualmente visíveis e televisíveis como nunca. Momentos de euforia e sofreguidão se revezaram . Também momentos de louca debandada com trágicas consequências.

( a lista continua na próxima edição). 

Odilon Reinhardt . 3.11.2021.

 

 

 


domingo, 3 de outubro de 2021

Para milhares, agora, a velha e esfarrapada vida normal?

 











Para milhares, agora, a velha e esfarrapada vida normal? 




Até 2.10.2021 temos 21.445.651 casos, 597.255  mortos no Brasil e  no mundo  219 milhões de   casos  e  4.550.000 de  mortos, em números aproximados.   



Nem sabiam. 


E mais uma vez, o trem partiu

com muita gente,

gente que sumiu. 


Nunca mais vi

aquela gente

que conheci. 


O por quê de não ter ido junto ,

é agora 

o que pergunto. 


Naquela gente 

tinha gente que nem se despediu,

muitos partiram de repente. 


Entraram no trem

sem avisar,

nem os vi partirem.


Foram, 

era a última viagem ,

muitas nem disso sabiam. 


Deixaram muita gente em surpresa,

nenhum aviso, 

parece que tinham pressa. 


Não! Foram pegos da noite para o dia,

surpreendidos, sem malas nem suas coisas;

quando viram já estavam na travessia. 


Quem ficou,

nada entendeu,

a fatalidade o silenciou.


E há esse barulho constante

dos trilhos do trem, 

parece nunca estar distante. 


Se estiver por perto, 

que não pare por aqui, 

mas a possibilidade é um aperto. 


E todo dia vivemos

com este barulho ensurdecedor,

dos trilhos do trem que não vemos. 


 Odilon Reinhardt. 




Tempo 



Logo serão 2 anos

desse constrangimento

em que participamos. 


Estaremos todos mais afastados, 

dois anos mais distantes, 

dois anos mais isolados. 


Quem tinha 16 terá 18,

mas terá ainda muito pela frente;

quem com mais idade estará tão afoito? 


Com que cara “migos” e parentes

irão aparecer tentando remendar contatos, 

se não se importaram na crise com seus semelhantes? 


Muito do tempo de viver livremente

foi roubado, surrupiado, 

mas cada um de nós é “ o sobrevivente”. 


Irrecuperável 

é esse tempo que aqui se intrometeu, 

que tornou muito plano impossível. 


Irreversível prejuízo

à convivência, à vida, à existência;

o dia a dia quase fora do juízo. 


Dias de apreensão, 

de medo, luto, falência, 

muito distanciamento e solidão. 


Até tudo isso efetivamente acabar, 

quanto tempo terá passado

e como será o que sobrar? 


E a estória de cada um como prosseguirá? 

Quem sobrará na lista de amizades, de humanos? 

Quem responderá?  


A fé, a esperança e a compaixão, 

usadas até o máximo do limite; 

esfarrapados e persistentes pedaços de ilusão.  


Cada um como “ o sobrevivente”

estará marcado na alma pelo que não foi e não fez, 

no tempo que espalhava dúvida como semente. 


Isso tudo 

terá deixado lições? 

Quem conseguirá seguir mudo? 


Milhões nada pensaram sobre a dor,

nada viram, seguiram na manada,  

nada  concluíram de melhor. 


E a vida seguirá no velho e viciado normal, 

alguns avanços meramente comerciais 

e nada de especial.     


Odilon Reinhardt. 




Com resultados surpreendentes da ciência, mesmo diante de centros de euforia e ansiedade por parte da vida econômica, há luz do sol no fim do túnel. Possivelmente em breve a vida iniciará a retomada quanto a normalidade material para os sobreviventes. 

Tempo, então, de contar os mortos, de juntar lições, de tirar algumas conclusões mais gerais, que nos façam conhecer melhor o país, o Governo e o povo onde estamos. Certamente grandes pensadores e intelectuais devem estar fazendo suas listas conclusivas, procurando sínteses apuradas e verbetes filosóficos que lhes dê destaque. Nesse propósito devem ter anotado algo como: 

          Pode-se fazer e viver com menos ;

A indústria tem produzido muita coisa sem necessidade.

          A massa é crédula e seguidora; dirigí-la é uma responsabilidade grande;

Os meios de informática salvaram a Economia e impediram a solidão das pessoas; a logística triunfou.   

          A cidade tornou-se uma grande ratoeira;

O meio ambiente foi favorecido no Ocidente, enquanto na China, a poluição continuou; 

         Na economia, indústria e comércio nada é transparente;

A inflação é manipulação. 

         O Ocidente está cada vez mais dependente da China;

O Governo é algo necessário; a pandemia derrotou as teses anarquistas;

         Para muitos governistas, a vida humana não é a prioridade, mas , sim,  o sistema que conduza à reeleição; 

A TV mostrou-se como o primeiro poder, primeiro influenciador social, podendo criar o sufoco e a instabilidade social; conforme a ênfase dada pelas equipes locais do noticiário, aumentou a instabilidade até tragicamente; todavia o vocabulário usado e as entrevistas com especialistas não chegou ao entendimento do povo. Mesmo para quem pode entender, o jogo de frases levou ao limite máximo o uso do discernimento; 

        O Governo fica indefeso diante das interpretações dadas pela imprensa e tem que pagar pela resposta em sua defesa; 

Mesmo assim, a TV é a porta voz, o diário oficial do Governo. 

       O poder da imprensa pode ser de manipular, desestabilizar, motivar, eleger, depor, iludir; 

A estatística nunca foi usada e abusada para tantos propósitos; seus quadros falham em prever o futuro e enganam o presente. 

        A pandemia ajudou as emissoras de rádio e TV a preencher a programação, pois as mesmas já estavam recorrendo só a notícias de trânsito, polícia e clima. Quantos brasileiros, no entanto, deixaram de ver noticiários? 

Sem notícias da vida do Governo e frases das autoridades, o que a TV teria para criar intrigas e competição? 

       A política de pão e circo foi severamente afetada. 

A saúde, enfim, foi alçada a prioridade nacional. O mesmo não deveria ocorrer com a Educação? 

       Há 110 anos usávamos carroças e enfrentamos a Gripe Espanhola. Hoje, estamos em Marte e a Covid quase nos derrotou. 

A mentira repetida algumas vezes vira verdade; 

       Nem todas as estruturas criadas pelo humano são incompetentes perante a morte antecipada;  

O negacionismo pode conduzir a massa ao precipício; o Poder quando cria e segue ideias ruins pode matar milhões;

      Países dependentes de tecnologia não conseguem a liberdade a não ser aquela dos animais e dos incautos; 

Na tentativa de equilibrar receita, política e vida humana , as autoridades locais fizeram a última pagar a conta com mortes em excesso. Ninguém será responsabilizado;

      O Brasil de bons empregos e oportunidades continuará sendo só para poucos;

A corrupção continuou. A punibilidade não assusta ninguém. 

      Conflitos nacionais e internacionais continuaram e o ser humano mostra sua dessemelhança e falta de respeito ; 

As piores pragas têm vindo da China e Ásia. A teoria  de Malthus tem razão. ( a lista segue) 


Odilon Reinhardt 3.10.2021





sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Um dia chegaremos lá?

 




                                                               
                                                                 ( foto Odilon Reinhardt)



                                                            ( obra de Eduardo Kobra -revista Veja)


                             Um dia chegaremos lá? Mas onde chegaremos desse jeito?                                                    Mais um voo de galinha?

 

 

Até 2/9/21 são: no Mundo 219 milhões de casos e 4.500 milhões de mortos; Brasil, 20.378.570 casos e 569.492 mortes.  No meio de tudo para os sobreviventes,  cabe perguntar: 

 

E a antiga e diária melodia?

 

 

No meio dessa pandemia,

o que já se viu ,

vê-se ainda todo dia.

 

Muito afastamento.

Houve o cancelar, o distanciar,

surgiu o separar, muito ressentimento.

 

Tudo em rudes e toscos movimentos,

com o esquecer.

Maus momentos.

 

“Como vai você? “

é agora pergunta rara,

nessa falta de entendimento.

 

“Bom dia! Tudo bem!”

expressão mais esquecida ainda,

mas sempre cheia de brilhante energia.

 

“Estou bem e você?”

mais raridade em questão,

como se algo estranho fosse.

 

A melodia dos encontros na existência

vai perdendo um pouco de harmonia

e o sapiens afasta-se mais da essência.

 

Nos relacionamentos

vai faltando algo especial,

os antigos sentimentos.

 

Os dias e o tempo vão passando,

a lista de eliminações aumenta,

e há muito que vai acabando.

 

E assim vão os humanos,

fazendo máscaras,

cancelando seus manos.

 

“Como vai você?

Bom dia, !!! Tudo bem?

Estou bem e você?”

 

Esta é a mais bela melodia,

que muitos vão querer resgatar

quando o normal voltar para o dia.

 

Incomparável musicalidade

que traz o tom fraterno

e melhora a realidade. 

 

Durante a pandemia

a pior das ações de cada dia

é cancelar  esta melodia.   

 

Odilon Reinhardt.

 

 Sem saber,

 

Aquele lanche no meio da manhã,

aquele jantar tão suave,

aquele passeio comendo maçã.

 

Sem saber,

aquela conversa,

era a última que se pode ter.

 

Aquele aceno na rua,

aquele aperto de mão,

aquela despedida vendo a lua.

 

Sem saber ,

tudo ficou na última página,

não se sabia nada sobre o morrer.

 

Mas Covid e sua invisibilidade

estava sempre rondando

em toda e qualquer realidade.

 

Espreita e ataca,

não escolhe função , nada,

quer matar e a TV o destaca.

 

Ele acompanhava o telefonema,

sabendo que seria

o último como no cinema .

 

Observava alguém

que mandava um whatsapp,

sabendo ser o derradeiro também.

 

Via palavras ficarem no ar,

beijos e abraços que não chegariam,

o email nunca poderia chegar.

 

Aquele almoço de fim de semana,

aquela compra na segunda feira,

a última da vida, que drama.

 

Em silêncio via o que acabava,

com a romântica mensagem,

a reunião de trabalho que ali se findava.

 

Foi assim , sem saber,

que muita gente foi embora,

sem ver o próximo amanhecer.

 

Quem ficou na manhã,

lamenta não ter feito aquela ligação,

ter deixado para amanhã.  

Odilon Reinhardt.

 

 

Depois de tudo isso.

 

 

Serão dias de um novo rumo,

novas visões, ilusões,

intenções, presumo.

 

Talvez diferentes nos comportamentos,

não teremos mais o que éramos,

mas talvez melhores pensamentos.

 

O recado foi dado,

não precisa muito para ser entendido,

a vida está no modo acelerado.

 

O tempo, mergulhado em águas inseguras,

cada dia terá que ser valorizado,

em horas onde o amor e a felicidade são maduras.

 

Cada dia como se fosse o último,

sem desperdício de alegria e bons momentos,

até o fim nesse ritmo.

 

Não poupar expressões

de amor, de afeto,

viver e conviver sem repressões.

 

Viver amizades com intensidade,

não economizar nada,

fazer uma livre realidade. 

 

Quem já conquistou

a Luz, Paz e Compaixão

que faça o tempo a que chegou.

 

Odilon Reinhardt.

 

Em meio à pandemia, mortes, caso e suas sequelas, muitos órfãos, muitos dramas familiares, falências; a manipulação de informações,  a politização de tudo, com  políticos chamando os holofotes para si,  com os temas mais insignificantes; o escamotear  da verdade sobre o Vírus e seus mutantes assassinos, etc.

A galinha está ficando magra e perdendo peso. O voo perde a direção. Se era a galinha dos ovos de ouro para muitos, agora é a de poucos.

Criam-se bois de piranha para distrair, não a população porque está virando as costas para o noticiário político, mas os cidadãos ainda politizados. O foco da TV é colocado em problemas momentâneos, costurados a qualquer custo para comporem cenários de crise e que possam “sensacionalizar” todo e qualquer o momento. Eventos político-partidários, falsas contextualizações, manipulações fraseológicas e de imagens; o país vai passando na tela de fundo, trôpego e carregando seus problemas fundamentais.

Se a pandemia trouxe um tempo de reflexão pessoal e até empresarial, deveria também ser um tempo de revisão para o  modo de gerenciamento da vida do país. Onde vamos com esse modo de fazer política e de divulgar seus eventos? Seria o tempo de rever os sistemas, os processos; repensar tudo quanto a sua eficácia em resultados para os objetivos constitucionais,mas não parece que a Pandemia esteja sendo usada para isto. Talvez, depois. Talvez, intelectuais e pensadores estejam acumulando suas impressões para depois contribuir. Talvez surja uma grande start-up. Caso contrário, será mais um evento que só foi usado para beneficiar os mais expertos.

Não está descartada a hipótese de que a pobreza intelectual venha a emergir com mais força. O fato é que Rui Barbosa no começo do século passado já resumiu tudo no seguinte: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

 

Não seria este o momento para refletir sobre o que e como temos obtido ou desperdiçado energia até agora? Vamos continuar no mesmo? Há pessoas dedicadas, sérias, que passam a vida repetindo processos antiquados, gastando energia em nunca pensar no seu próprio desperdício existencial. Seguem assim, sem inovação alguma, colocam-se como meros seguidores. Em nada inovam.  Acomoda-se no fazer dos antecessores. Agora já se revela que não basta só repetir, quando o que é repetido já está defasado. Veja-se o que acontece em muitas Universidades públicas quanto ao curriculum, método, aulas etc., tudo já era. O mesmo acontece com um país, soma da realidade e esforços de seus cidadãos. O encalhe diante da História começa com os resultados pífios. Os ímpetos progressistas são como voos de galinha e nada é permanente quando o país continua se enrolando em sua burocracia, interesses menores e intenções pouco claras.

Tudo indica que, em alguns setores de mando, não temos união, que estamos cada vez mais polarizados por diversas razões, mas todas frutos de nossa mediocridade e falta de pensar melhor. Não estamos mais acompanhando os países de sucesso na Ásia, Europa e América do Norte por falta de investimento em Educação e Ciência. Os Governos e alguns Poderes formam um só Leviatã gordo, lento, caro, antiquado em sistemas. Essa Entidade consome-se e dorme em palácios altistas, está cheio de incapacidades e negócios internos. Embaraça a produção, não fornece imãs de progresso. Se o país sobrevive, é pela força de seus empresários, aqueles que se arriscam a inovar, ir em frente, apostar no futuro, mas que sentem na pele as deficiências existentes, todas decorrentes de um histórico de maus tratos da coisa pública, muito origina do costume  de oficializar interesses privados tornando-os públicos de momento.  A força do empresariado já foi comprovada em vários eventos, reage, impulsiona, sobrevive, avança. É energia boa, de progresso. Quem e o que a diminuí? Quem responder chegará ao centro do problema. Puxando o fio da meada chegará à ovelha mãe no curral; constatará que o novelo vem de várias ovelhas.

Não iremos a lugar nenhum se os sistemas existentes continuarem a ser compostos de procedimentos que gerem comportamentos orientados para: ganhar rápido para trabalhar menos; obter o mais alto lucro antes; tirar proveito de cargo público; produzir sem compromisso com a saúde do consumidor; tirar vantagem pessoal de tudo; fazer tudo só por dinheiro; cultuar o eu primeiro, os outros depois; esquecer o patriotismo e o amor ao Próximo; usar a burocracia para criar problemas e vender soluções; manter os Três Poderes com ranço barroco e bem monárquico, onde funcionário pagos com dinheiro do contribuinte só se preocupam com prestígio, vaidades funcionais, e nunca com a legitimidade e eficácia em suas tarefas ;  manter uma imprensa, mídia e marketing na dependência de recursos públicos, etc. A lista é longa; será certamente objeto de estudo por pensadores e intelectuais?

O certo é que o papel do Governo não é produzir. Deve viver  nas costas da indústria, comércio e população, todavia seu papel de regulador é medíocre, tendencioso e cheio de interesses duvidosos ou incompetentes.  O resultado de décadas deu no que está dando. Há alguém satisfeito? Alguns sim. O coletivo não.  Só seguimos a mesma cartilha há anos. Ninguém questiona a qualidade do conteúdo. Se todos devem seguir a lei, o problema está então na qualidade do sistema adotado. Este é que gera comportamentos.      

Todos os números estatísticos são ruins. Assustam. Quando alguns são piores, ficam péssimos quando se imagina quais seriam os patamares que poderiam ter sido alcançados com sistemas melhores.

Mesmo a indústria e comércio, grande empreendimentos foram feitos por motivos meramente egoísticos do empreendedor, favorecidos pelo protecionismo, benefícios fiscais, monopólios, centralismo estatal, reservas de mercado, privilégios políticos, corrupção, concessão de empréstimos duvidosos etc. São como que castelos de areia que não resistirão à concorrência que uma abertura econômica trará. Ademais, o custo-Brasil, basicamente é feito para pagar a folha de pagamento de repartições, onde funcionários altamente remunerados são conduzidos a uma  pandega confortável e  sempre estão exercitando seus poderes pessoais em “inferninhos funcionais” de Poder e injustificável ganância, talvez um exercício que esconde seu espírito de empreendedor e luta represados ou frustrados.       

Os piores números vão chegando, mas pouco é feito. O Leviatã não se mexe, só segura verbas e centraliza.  Não sai da realidade que é de eterno gerenciamento de crise, apagar fogueiras. Não há estabilidade para poder progredir e prosperar.  Tampouco tem ânimo para criar estímulos e imãs de progresso para os cidadãos. 

O fato é que o tempo passa e o nivelamento por baixo está fazendo outras realidades que começam a atingir o modo de sentir, pensar e agir da população. Todos os setores começam a ser atingidos pela praga da mão de obra desqualificada.

Já passou da hora de repensar país. No jogo direita /esquerda em  estreitos corredores palacianos e nas palavras da mídia, qual o avanço? Só descrédito, esmorecimento, dúvidas e incertezas. Quanto jovens de talento estão à deriva, jogando fora o potencial? Mas tal desconcertante realidade não é vista como problema nacional, mas como problema pessoal, assim como tudo que ocorre no país, embora decorra da mesma fonte. 

Seja lá como for, para milhares de cidadãos comuns, em suas casas, empresas,ruas e praças, o que importa é a vida do dia a dia, parte da Pátria, que comporta o perigoso invisível no muito que vai acontecendo e formatando a vida . Nas proximidades do tempo, já despontam possivelmente trechos mais duros economicamente e dias politicamente agitados. Nada diferente do passado, mas sempre tiros ao ar para atrapalhar o voo, mesmo o da galinha. E a imprensa nada confortavelmente, promovendo só o negativo e cativando o sensacionalismo.

Mas apesar de tudo que a mídia usa para montar cenários sensacionalistas e alargar crises, tendo como fonte principal a atividade das autoridades, sem o que não teria nem 90% de suas notícias, o país, à parte, tira vantagem de sua diversificação e mostra ainda grande força de recuperação. Saímos de inúmeras crises no passado. Eram crises econômicas. Agora temos uma crise humana, decorrente da Educação, do esmorecimento, do abandono por falta de bons modelos e estímulos.  Vamos sair dessa também, mas com mais tempo. Urge que se comece a dar sinais de projetos de prosperidade pessoal, modelos superiores de progresso. Isto ficará a cargo da mídia e dos mestres invisíveis?

Temos que acreditar nisso. Fé e esperança aqui sempre foram mais importantes. Pão e Circo de todos nós.

À espera de um imã de progresso que estimule as pessoas a pensar positivamente, que a galinha pouse em paz e perceba que seus voos estão cada vez mais curtos e os locais de pouso mais insustentáveis.

Odilon Reinhardt. 3.9.2021