sexta-feira, 3 de março de 2023

 



Na terra do fazer, a solidão do sentir ,pensar , escrever .  

 

 

Até 2/3/23 são: no Brasil, 37.100.000 casos e 699.000 mortes. No mundo são 676.000.000 de casos e 6.880.000 mortes.

  

 

Embaixadores da morte.

 

 

 O  vírus do século ,

inteligente mutante, telepata,

invisível e minúsculo.

 

Seletivo em sua pausa,

talvez , pensando  em atualizações

para aprimorar sua causa.

 

Usa no momento atual,

aproveitando a euforia da população,

enviados com missão especial.

 

Usa humanos portadores

para penetrar em visitas familiares

e seletivamente ali contaminar , são embaixadores.

 

Um caso aqui, outro ali,

desapercebido pela manada,

que segue cega , aqui e acolá.

 

Casos graves, cheios de sequelas, 

há um silêncio quanto a divulgação,

muitos entraves.

 

O vírus trama nova invasão?

Talvez em alguma central ,

trabalhe numa nova versão.

 

O desígnio é o mesmo,

eliminar a raça humana,

nada nisto é a esmo.

 

Aqui somos forasteiros,

a luta para a permanência é diária,

o conflito perdura por séculos inteiros.

 

Numa querida visita domiciliar,

pode estar um embaixador da morte, 

involuntário agente que vai matar.

 

As vítimas agora são banalizadas,

a manada já andou, bebe água,

as dores são pela família recolhidas.

Odilon Reinhardt.

 

 Com olhos, sem poder resistir. 

 

Hoje, pensei em não escrever,

deixar o dia passar,

que a vida pudesse me esquecer.

 

Deixar tudo sem linha,

nenhuma poesia,

cada hora que mostrasse o que tinha.

 

Eu passaria só em observações,

nada de rima,

só o tempo e suas situações.

 

Mas o show era muito grande,

irresistível , havia e há muito para escrever,

onde quer que eu andasse e ande.

 

Anjos e dragões,

cobras e ninfetas,

lebres e escorpiões.

 

É a vida, é o tempo de existir,

muita gente na jornada,

não tive condição de resistir.

 

Um bebê no colo, a senhora agarrada a sua sacola,

o senhor de bengala , o menino e a bola,

a chuva chegando, alguém na calçada bebendo coca-cola.

 

Na TV, acidentes , crimes ,tempo e futebol, 

notícias sobre preços e governo, fraudes e mentiras,

muita manipulação, a tarde reclamando pelo arrebol .

 

O computador e o celular, as fontes carregadas de mensagens,

emails e a lixeira com a boca aberta,

a vida e suas rápidas e inusitadas passagens.

 

Cachoeiras de shows extraordinários,

tragédia, comédia, óperas-bufas;

como resistir a tantos espetáculos diários?

 

O circo me chama ,

para olhar,  sentir cada cena ,

por vezes com tudo quase em chama.

 

Amanhã talvez ,

eu consiga me ausentar,

vou tentar outra vez.

 

Em tudo é o show do rude e do pior “ismo”,

a consagração do fisiológico,

com a derrota até  mesmo do pragmatismo. 

 

Tudo muito louco,

a civilização doente, de verdade,

antropofágica  pouco a pouco.

 

A vida é bela e é mais do que isso

que o sensacionalismo mostra

para mente e olhos já condicionados disso.

 

Odilon Reinhardt.

 

 Com ou sem direita, o centro mandando em todos, com muito pouco indo para  frente, após décadas , agora já no século 21, tudo aqui ficou sendo mesmo uma época de maior  mediocridade, recheada de fisiologismo, com bastante toque de grosseria, inflexibilidade, egoísmo, raiva social e o tradicional negativismo. Coletivamente, ficamos enroscados nas vias da já banalizada corrupção, pandemia desestruturante, e desperdiçamos gerações, talentos, energia de crescimento ao descuidar da infraestrutura de maior visão. 

Embora desejemos, mais uma vez , somos levados a dizer que não é a época para a prosperidade, muito menos a intelectual, ao contrário, pelo que se observa, nos assustamos , no dia a dia, como  os esquemas obtusos vindos das entranhas da informalidade,onde graça o crime e um mundo invertido de valores, sustentado pela ascensão e confirmação secular dos sem mérito, os quais em décadas, catam justificativas nas pequenas exceções de insucesso do sistema. Impera o "escracho " dos bem sucedidos pelo trabalho honesto. Vale também o império quase intocável dos que montaram esquemas de negócios lastreados em interesse privado tornado público, onde megalomaníacos vivem de comparações, acúmulo exacerbado, estimulado pelo ego de inveja, ciúme, culto ao prestígio e muito jogo de aparência. Reinam os libertários às avessas, provocando os frustrados e ditos perdedores. Espalha-se o medo silencioso de mostrar sucesso legítimo e patrimônio conquistado licitamente. O humano caça o humano, 24 horas por dia. A qualidade de vida fica deteriorada.

Paripassu, a cultura vai sendo reduzida e enquadrada em termos minúsculos. A música, as artes em geral são moldadas pelos gritos da moda para atender aos gostos da multidão e seu mundo fisiológico. O belo fica assim moldado e marca a progressiva  ruína do intelecto mais elevado,  este,  nivelado ao mais baixo grau, sendo ditado pelo mais bruto. A Educação é reduzida ao pragmático programa do útil para se produzir, fazer, cortar e empacotar.

Sobram sementes da desqualificação nos  termos mais amplos sem garantir  a formação de um indivíduo mais preparado. Aumentam as chances de muitos estarem dando passos para a escravidão funcional com sacrifícios da modelagem mais ampla do perceber, sentir e agir. A indústria e o setor de serviços gritam alto devido à  falta de mão de obra. Um aviso futurista preocupante.

O que acontece é a modelagem de um sentir e agir formatado subliminarmente por reiteradas mensagens de novos usos e costumes para as novas gerações, as quais estão entregues aos mestres invisíveis de má- intenção, que entopem os jovens com ideias de um futuro pessoal insustentável. Dá-se à população jovem um céu de sonhos, mas sem estrelas. O celular traz à mão de cada um os mestres que vão dando a ilusão de modernidade e inclusão, mas, em verdade, são como a avenida nova e iluminada, que liga o centro da cidade ao bairro, mas por onde passam os capengas e miseráveis de todas as classes sociais, onde a cultura e o intelecto estão sendo ou já foram enterrados ou nunca existiram.

Vão ficando cada vez mais enfraquecidas as bases que deveriam ser fortes para todo e qualquer cidadão, que com maior intensidade vai abandonando o escrever, o ler, o pensar, o criticar e o debater assuntos mais elevados e essenciais do que cerveja, sexo oposto, carro e futebol. O vulgar toma conta e a vida cotidiana deixa até seu status de medíocre para assumir o nível rasteiro do operacional, horrível e intragável, pelo menos para quem pensa um pouco mais.

A exclusão está ocorrendo não só quanto às minorias, mas da generalidade de cidadãos, que é levado a abandonar o preparo que efetivamente poderia torná-lo mais consciente e participativo na democracia. 

Não é necessário ser pobre ou rico, em coisa materiais, para se esforçar em melhorar o teor da conversa, mas nas circunstâncias que o país ficou, após de décadas de desinteresse pela Educação e formação, nem é possível tal sonho. Aqui ninguém precisa ter medo de ir  vai para o inferno, pois , uma minoria já está nele, em termos intelectuais, pois a solidão de não ter com quem expor ou trocar ideias , de um modo mais evoluído,  está aumentando. Livros são escritos, mas seus autores nem se preocupam em publicá-los.  Ninguém quer debater nada nem escutar opinião diversa. A reação à opinião diferente díspar a o ego e as reações podem ser radicais, inflexíveis e intolerantes.  Sinal da incapacidade de trocar ideia e se aprimorar.

Democracia implica debate, escutar a parte interlocutora, argumentar, evoluir no pensamento. Onde cabe isto na vida cotidiana, onde a agitação do dia cede tempo para tal conversa? A grosseria, a brutalidade e o abuso de poder não permitem oposição nem mesmo questionamento. A imposição de ideias é a regra. Para tal, todos os meios são empregados pelos interessados. A votação seria a única saída lícita, mas o que feito com o poder de votar livremente?  

Dia após dia, observa-se a redução das rodas mais intelectualizadas. Somem os interlocutores. Os pensadores ficam na solidão de seus neurônios privilegiados, promovendo discursos e monólogos para muitos impensáveis. A politização do pensamento e a pobre polarização levam ao empobrecimento das ideias e o afastamento. A isenção do livre pensador não é compreendida e nem aceita.  Se algo vem ao público, imediatamente é classificado pelas setas de direita ou esquerda.

Observa-se que cada vez, o intelecto vai se ocupando de assuntos comezinhos,  político e comerciais, dirigidos por pessoal pago pela mídia para promover embates de falação, em debates peremptórios e sempre tendenciosos, seguindo as orientações  de cada empresa  da mídia. Os faladores aparecem e se promovem.

Com a facilidade de acesso ao contato com as redes sociais, TV e rádio, mesmo os intelectuais acabam se contaminando com o modo de se debater assuntos, de modo que fica difícil obedecer ao que Gandhi disse: “ não permitirei que ninguém entre na minha mente com os pés sujos”.

 O país empobrece a fala visivelmente. Não que se almeje a Utopia de uma pátria de filósofos, escritores e poetas, mas hodiernamente, são todos esses que estão chutando o balde e recolhendo-se para o isolamento por falta de meio digno e isento, onde possam expor suas ideias. Até mesmo os pensadores de vários ramos da ciência estão perdendo mesa e plateia, companhia e interlocutores. O meio social encolhe e nada é produzido, em termos de soluções bem pensadas para os problemas do país, se a politização os atinge de cheio. Há para o espanto geral, o cientista de direita ou de esquerda. Enterra-se a isenção, procura pela verdade, a razão limpa.  

Enfim, é o vazio e o deserto da contracultura, movimento iniciado há muito tempo na Europa e EUA. Um movimento de Beat-Nicks,  que desejava contestar e combater modelos rígidos da sociedade, sem se preocupar em propor algo superior para ocupar o espaço que seria deixado. Deu no que deu.

Mas que ninguém se assuste, o Brasil não vai acabar nem mudar, somente vai crescer mais lentamente, como tem feito desde há décadas.  Talvez fique um gigante de barriga enorme e cabeça pequena , como Pantacruel ou Gargântua, devorando talentos das gerações.  E assim vai o Brasil pelo tempo.     

 

Odilon Reinhardt - 3.3.2023

 

 

 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

O que ainda é mais importante?

 







O que ainda é mais importante? 

 

 

Até 2/2/23 são: no Brasil, 36.800.000 casos e 697.000 mortes. No mundo são 671.000.000 de casos e 6.840.000 mortes.



 

Danos ainda reparáveis.

 

 Afastamento,

distanciamento,

isolamento.

 

Cancelamento,

esquecimento,

adoecimento. 

 

Ninguém viu , mas fugiu,

não leu, mas percebeu,

não ouviu, mas sentiu.

 

Insatisfação,

contrariedade, esgotamento,

muita chateação, depressão.

 

Entre ataques de variantes,

um espaço para se redimir,

ainda há esperança entre as gentes.

 

São danos ainda reparáveis,

mas com  o tempo

podem se tornar perduráveis. 

 

Então ,

os dias de não ter ninguém,

o estranho tempo da solidão.

 

Odilon Reinhardt.

 

 

Vida comum e normal.

 

 

A senhora, com sua sacola,

arcada , de passos pequenos,

várias idades vão nela.

 

Curitiba quase lhe escapa do pé,

mas a idosa vai por sua rotina,

mais um dia, menos um dia, muita fé.

 

Para  no portão da vizinha,

quer pedir uma muda de planta,

alguém a olha pela cortina.

 

Segue em direção da feira do dia,

encontra alguém

que não encontrara na Pandemia.

 

Como vai o seu Roberto?

Está muito bem, parado, obrigada!

Morreu de Covid, fica agora na sala, no retrato!

 

Não diga! O meu já se foi também!

Morreu de velho, mas aproveitou a onda.

É muita gente foi para o Além.

 

Então, tá bom. Apareça!

Vá hoje lá em casa, para o lanche,

-Vai fazer broa!- Vou!- Que bom!

 

16 horas daquela tarde, a conhecida

de longe já vê a ambulância;

 O que aconteceu. É a  Cida?

 

A filha diz: morreu faz uma hora.

Não acredito. Me convidou para o lanche! 

Fez broa? Fez, mas agora....

 

Vou levar! Sim, tomo café lá em casa,

não se sabe,

amanhã posso eu ir embora. 

 

 

Não é de hoje, já vimos muitas vezes, tentativas de fazer o Brasil ser o Brasil, sem interferência externa em seus planos. Foi a intenção de muitos, que no passado desejaram escoimar da vida diária as influências diretas e indiretas da cultura europeia para viver a civilização aqui formada, cuja origem predominante é  indígena e africana. 

Primeiro livrar-se da Coroa colonizadora; dos Espanhóis que desejavam nossas terras; depois dos Holandeses que deram ao Nordeste anos de glória;  dos Franceses que influenciavam as artes no Rio de Janeiro e assim por diante. Nunca houve vitória nesse intento. Fomos sempre a fazenda e a feirinha no Atlântico Sul, exposta aos planos comerciais do exterior.

Modernamente, a Semana de Arte Moderna fez suas agitações, depois Chateaubriand fez sua revolução na indústria das comunicações, sempre ressaltando a brasilidade , nossa Natureza e gente. De Getúlio Vargas e Jânio Quadros, sempre a luta dos planos estrangeiros para barrar as pretensões brasileiras.

Depois da Segunda Guerra não houve mais chance alguma de resistência. Cedemos totalmente ao material e produto, à tecnologia e ciência estrangeira. Viramos a feira maior dos bens de produção, dos produtos de conforto doméstico e pessoais, dos eletrônicos e da informática. Era a época e suas vicissitudes. Difícil criticar as decisões do passado como os olhos de hoje.

Criticável mesmo foi o que fizeram depois de 1970 com a Educação e a Ciência. O que seria o preparo para as gerações futuras naufragou, comprometendo a entrega para a sustentação do progresso . O jogo dos interesses externos se apropriou do país e o enfraquecimento intelectual foi enorme.

Agora, diante da mudança de orientações de governo, todos os novos ocupantes  estão já em seus cargos, com seus altos salários e participando da nobreza temporária. O castelo de Gargântua e Pantacruel é renovado e vai funcionar a seu  “modo”.

Desafios e intenções, planos e projetos para atingir o objetivo do art. 3 da Constituição. Temos que acreditar que sim. Alguém tem que ter essa intenção, que, todavia, encontrará os desafios de sempre: corrupção; a mente de que “ agora eu vou me fazer”; fazer da vida pública um balcão de negócios; tirar vantagem de tudo; ganhar sem fazer nada; reunir fundos para a próxima eleição; aproveitar-se . A lista é longa e tem  tantas pragas , que estão em todos os governos e que decorrem da falta de Educação formal e familiar. Há desafios:  como livrar as novas gerações de mão de mestres invisíveis; colocar modelos de estudo e prosperidade; modelos de pensar positivo e fugir do negativismo do derrotado; geração de empregos, para dar ao cidadão cultura e dignidade; atacar as verdadeiras causas e não as consequências; buscar independência pela melhora da Educação e Ciência, etc.

Estaríamos diante de uma nova tentativa de fazer do país de fortalecer o país  como o Brasil brasileiro? 

Com o que poderemos alargar nossa participação internacional, buscando comércio e representatividade? Temos o melhor geografia do mundo, riquezas enormes, mas temos perdido tempo com manobras de esquerda e direita sem ir para a frente. Caberia em meio a : uma crise mundial de endividamento gigantesco chegando a 300 trilhões ( de empresas e pessoas que pegaram crédito no mundo) ; ameaça de guerra na Europa;  um “ New Deal”?

Ideias não faltam, boas ou controversas, que vão tentar fazer o  Brasil brasileiro de há muito desejado.

Num mundo entrelaçado por interesses decorrentes da globalização, vários paradigmas atuais teriam que ser colocados de lado. Vários entrelaçamentos com o sistema atual  teriam  que ser desfeitos, para se obter resultados de um novo sistema. Que setores vão se opor? Que corporativismo vai se revoltar dentro do castelo de Gargântua e pelo mundo? As forças irresistíveis que Jânio Quadros mencionou permitirão o Brasil como líder na América Latina e forte nas relações internacionais ou será tudo mais um voo de galinha?

Efetivamente, a intenção pode ser patriótica e saudável. Ao lado das possíveis resistências externas, sempre temos que considerar as condições de nossa população, a que não estudou, não se qualificou, não sabe de informática, não sabe interpretar um texto, que permaneceu operacional, que se encontra sempre endividada, obrigada a seguir uma rotina bruta e pragmática, que não a deixa se livrar do fisiológico, do egoísmo animal com reações e ações violentas que se expressam na criminalidade física e material  do dia a dia.  Não podemos esquecer, então, da mão de obra e da pessoa humana que serve de suporte para qualquer iniciativa progressista.

O fato é que se o Brasil tiver um surto de progresso, a infraestrutura existente não suporta. As estradas estão estreitas demais , podres; o serviço público e privado é para poucos. O país nunca foi mas agora ficou sendo um país que  não é para todos .

Não seria um delírio dos 523 anos ainda estar pensando em um Brasil brasileiro independente e  identificável? Seria algo hipnótico de curta validade?

Com ou sem um “New Deal” havendo o almejado progresso sustentável ou não, o povo, mistura hoje de todos os povos do mundo, vai continuar a ser o  povo brasileiro, com todas suas boas características e mazelas.  

Em breve, assim que o atual governo começar a agir, será o fim da lua de mel, inclusive com a imprensa.  Estaremos no dia a dia do país, interesses serão contrariados, exigindo negociações. E negociações aqui envolvem a mãe e a alma.

Se o povo será beneficiado, é a política econômica que vai ter que provar. O ambiente está cinza, sem recursos, nem a mais nobre das intenções pode ser implantada.

O tempo  já está passando. O país não suporta mais a perda de tempo quanto à Educação e Ciência. Se novamente nada for feito, como nas últimas décadas, todos seremos vítimas das novas gerações despreparadas, desqualificadas e desempregadas.  Ninguém mais pode-se dar ao luxo de errar na estratégia de fazer um país que cumpra o art. 3º da Constituição.

Infelizmente há mais farofa do que carne e devemos ter todo o cuidado para não nos afogaremos com a farofa que também é feita de exageros na grosseria, fisiologismo, "denuncismo" sensacionalista e o " sentencismo" atropelado, o pragmatismo frio e calculista, a falta de graça, porque "classe" mesmo, já perdemos há muito tempo.

Nem se fale nos perigos da polarização que podem levar a eliminação de qualquer manifestação, a qual corre o risco de ser rotulada erroneamente.

Ao para de todos os detalhes da vida cotidiana com suas mazelas e sequelas, o com seus shows tragicômicos e de ópera-bufa, na  economia, não podemos ousar fazer uma torcida contra, mas, sim, torcer para que os economistas acertem, caso contrário, todos nós seremos vítimas. A vida futura está em jogo. A economia é o dinheiro para todos os planos da educação à ciência; patrioticamente, o que sempre mais  importa é o Brasil.     

 

Odilon Reinhardt  3.2.23

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

O que será mais uma voo de galinha, delírio ou um grande passo?

 





Até 2/1/23 são: no Brasil, 36.400.000 casos e 694.000 mortes. No mundo são 661.000.000 de casos e 6.690.000 mortes.

  

Combalido encontrar.

 

 Tímido, cheio de receio,

o Covid tirou do encontrar

a alegria do nosso meio.

 

Medos em encontros,

o ser humano acuado,

desconfiança dos outros.

 

Em cada um há um mendigo

querendo reencontros

é o que digo.

 

Braços abertos esperando o Próximo,

era uma festa a cada encontro;

lembrança boa de um tempo ótimo.

 

Agora esse abraço meia boca,

um minguado abraço,

a máscara enterrando a ocasião quase oca.

 

Covid, se falha e não mata fisicamente,

deve estar ficando satisfeito

ao acabar com o abraçar livremente.

 

Bom apoio para o seco pragmatismo

que para aqueles seres  humanos frios e calculistas

se satisfazem com a vida do racional utilitarismo.

 

O normal ficou sendo o afastar,

desviar,

se possível evitar.

 

A máscara ajudou muito nessa miséria,

agora a máscara fixa de muitos,

deixa claro que Covid teve sua vitória. 

 

Odilon Reinhardt.

 

 Seres em imagens esvoaçantes.

 

 A separação é trasvestida de distanciamento,

o desaparecimento de isolamento;

tudo faz de nós todos, seres sombras,

que sobrevivem em mensagens de constrangimento.

 

Rostos agora imaginados ,

sorrisos defasados em fotos amareladas,

somos todos figuras de anos atrás, 2019,

retratos de momentos já apagados.

 

Somos fantasmas uns dos outros no dia,

Sobrevivendo sem a magia de corpos e gestos,

Mas em frases e textos de decadente simpatia.

 

Seres esvoaçantes,

almas caminhantes,

humanos separados,

nada como antes? 

 

Impera uma existencial agonia,

a ameaça do “nunca mais”,

o “ jamais” , vai surgindo a cada dia,

deixando a todos numa triste desarmonia.

 

Onde está você?  É o dito ,

vai pela internet , pela rua, pela mente

e a resposta virtual como está explícito

vai sendo dada cada vez mais espaçadamente.

 

Eis uma das vitórias

da Pandemia  no chamado novo normal,

separações inglórias,

preguiça e medo de socializar, algo não muito anormal.     

 

Odilon Reinhardt.

 

 O que será mais uma voo de galinha, delírio ou um grande passo?

 

 A Constituição é a única garantia escrita. Sua interpretação, a variável, adaptada a todos os momentos de conveniência e oportunidade. As instituições, o esforço e meio do seu exercício para que a Nação consiga realizar os objetivos do art. 3º.

Diferentes entendimentos e meios estão no cenário, para se chegar a tal realização. Visão de direita, de esquerda, de centro. No palco em cena revezam-se os atores no exercício do regime de governo. Num país oral, de altíssima taxa de semianalfabetismo, o discurso vale mais do que milhares de linhas. A mentalidade que  insufla a oralidade é enorme e hipnótica.

Antes mesmo da momento de mudança na gerência do castelo de Gargântua e Pantacruel,  já foi satisfeita a fome dos cortesãos, agora todos sorridentes e  gordos , prontos para a nova jornada frente ao vilarejo pobre e carcomido. Uma vez garantida a despensa com farta quitanda, o castelo vive a festa da mudança. 

No vilarejo, os comuns, pedintes de toda sorte, revezam-se em costumeiro pessimismo e dúvidas. O mercado e suas vendas duvidam do rumo para a fonte.  Não sabe se a estrada da direita ficou mais distante ou se a picada aberta pela esquerda levará mais gente para a água e a fonte logo pode secar. Pois a fonte permaneceu a mesma, ninguém a reformou nos últimos anos. Tentativa houve, mas as obras de recuperação sofreram muitos eventos com doenças que ameaçaram a sua qualidade. Não houve tempo e agora o castelo quer uma cota ainda maior de água, sob o pretexto de distribuir no vilarejo, evidentemente, desde que garantido o suprimento para os cortesões, a nobreza fixa e a encantada, agora hipnotizada pelos novos tempos. 

A cena é repaginação, todos conhecem o castelo, os cortesãos e o vilarejo. O teatro é o de costume e ali as cenas serão diárias, comédias, tragédias, opera-bufa, sessões de contos da carochinha, sessões de mágica, mentiras, fantasias, delírios e sempre a esperança e fé de um grande passo para uma espetacular Abertura ou Grande Final. Entre previsões de caos e de otimismo, os dias serão os da Pátria. Entre o castelo e o vilarejo, tudo passará, todos passarão.

E a fonte? Caberá ao administrador da fonte produzir mais água.  A gerência já olhou o aquífero. Uns do vilarejo alertaram 1 copo + 1 copo dão 2 copos e não 5.  Acreditar ao contrário poderá ser um estímulo de desenvolvimento. Mas o tamanho da fonte, qual a dimensão das obras e até aonde cabe reforma ?  Gargântua e Pantacruel são gulosos e egoístas, nada produzem, gostam de controlar e mandar, dependem do trabalho do vilarejo, onde os aldeões podem ser humildes e trabalhadores, ricos sem poder no castelo, gente de toda sorte, mas todos  de bom senso e sabedores de regras como “ laranja madura na beira da estrada, é amarga ou tem bicho no pé”, “ é fácil fazer cerimônia com chapéu alheio”, etc.

Se vai ter muita água da fonte, um dia a fonte seca.  A menos que sejam abertos novos poços. Mas no mesmo aquífero?

Ademais, como está mesmo a infraestrutura para transporte da fonte ao vilarejo e ao castelo? Anos de gastos em outros setores e a infraestrutura ainda é a mesma?  E se forem abertos novos aquíferos, a velha e decadente infraestrutura não será um problema? Temos energia para bombeamento da fonte às torneiras? Temos pessoal qualificado e ciência para reformas do sistema? Como então teremos água para farta distribuição, ou será tudo isto só um delírio, um desejo desesperado de atender à Constituição, sabendo dos limites existentes e que decorrem de décadas de abandono de setores fundamentais ao longo do caminho entre fonte, vilarejo e castelo?

1 copo +1 copo= 2 copos . Se alguém apresentar mais, vamos observar a qualidade da água e de onde está sendo tirada. Alguém vai pagar, enfrentando seca e escassez no futuro? 

Seja lá quem for que esteja gerenciando o castelo, o objetivo é realizar o art.3º da Constituição. Que se deixe de lado o ufanismo  e admita que somos um país a nível de muitas ex-colônias, com inúmeros problemas a décadas e que correspondemos a menos de 3% da economia mundial e 1% do mercado financeiro. Que todos os esforços sejam para cuidar das novas gerações com modelos positivos de prosperidade, eliminando a síndrome do Cão Vira-lata. Não podemos nos dar ao luxo de errar. Foi dada nova chance, indiscutível. Se falhar, as consequências serão graves. Não se deve ver a realização de ditos populares como “ pimenta nos olhos dos outros é refresco”. A população já mostrou que aguenta tudo, mas pode estar em processo de esgotamento.

E que se lembre de Darci Ribeiro que dizia que uma criança só tem 7 anos uma vez. E mais, que se não investirmos em Educação, teremos que gastar tudo em presídios. O que adapto acrescentando: e gastar para mais polícia, forças de segurança e criminalística. Seremos reféns da criminalidade organizada. Tudo sob o cenário de muita raiva social, discriminações e luta entre classes de ativistas .

Qualquer governo vai lidar mais com consequencias do que com causas. 


Odilon Reinhardt . 3.1.2023.