segunda-feira, 3 de julho de 2017

Receita insegura. Muito a melhorar.



                                   
 3.7.2017
                                   
                                                   
                                                         
                                                        A receita insegura. Muito a melhorar.




Na busca por proteína, lipídios, sais minerais e vitaminas, a Humanidade tem tido grandes avanços em tecnologia. Cada país, mediante cooperação internacional,  tem desenvolvido seus meios de produção para suprir seu rebanho com o mínimo para a manutenção da saúde do corpo, mas há inegavelmente muito a progredir.
A tão falada crise universitária e a deficiência dos cursos técnicos não jogam reflexos em toda a cadeia produtiva de alimentos, desde a fazenda até o supermercado? Não coloca em permanente estado de insegurança a manipulação de receitas industriais, a fabricação dos ingredientes químicos? Não é agravada pelo gerenciamento de custos de produção em tempos de crise? Quantos erros e fraudes existem neste sistema que dão motivo para corrupção da fiscalização ou simplesmente são engolidos pela população, deixando que o corpo de cada um resista como puder e pelo tempo que puder?
A mesma bolacha, a mesma carne, a mesma farinha vai para todas as classes sociais. Pelo menos neste campo há democracia, todos estão ficando progressivamente doentes. Lembrando que o corpo leva de 10 a 15 anos resistindo até apresentar sinais suficientes, para o médico então dar as primeiras sentenças de prisão perpétua a este ou aquele remédio e muito frequentemente a sentença de morte, não antes de fazer o cliente alimentar toda a ganância de laboratórios, consultórios, farmácias, clínicas e hospitais, na vã finalidade de dizer estar tentando salvar vidas. Não é por acaso que o número de medicamentos tem aumentado consideravelmente. Não é o ser humano que fica doente por si mesmo: em parte é sua alimentação que o mata, outra parte é o ego que apressa o caminho para o não existir e ainda outra parte é o meio ambiente que não o quer na Terra, pois um mundo invisível de bactérias e micróbios militam diariamente para o expulsar da vida, como que dizendo vá embora daqui e volte para o  lugar de onde veio, se é que veio de algum lugar .
Num país onde a grande maioria da população trabalha o dia para o ato mais humano e básico que é se alimentar, os produtos alimentícios teriam que no mínimo receber mais atenção por parte dos órgãos estatais de fiscalização. Mas até que ponto as mazelas que tem feito o nosso mundo político não atingem este setor e revelam uma negligência que também aqui demonstra a falta de amor ao Próximo, justamente no país mais católico do mundo?
Na plantação, na fabricação, no transporte, na comercialização e no preparo dos alimentos, há o mesmo pensamento recorrente de má-fé, de impunidade, de descompromisso com a saúde pública. O pragmatismo, o utilitarismo, o racionalismo, criados para serem aplicados à produção, aqui não deixam de ser contaminados pelo preparo pessoal de funcionários, gerentes, profissionais e técnicos na condução do negócio, especialmente em época de crise econômica.  Leite adulterado com substâncias altamente danosas, carne, produtos químicos de baixa qualidade, remédios falsificados, reaproveitamento de produtos vencidos etc. tudo para manter a lucratividade, mas sem qualquer preocupação com as consequências para o cidadão e sua família. Qual é o sentimento de uma mãe que prepara a mamadeira para seu filho e depois vê na TV ou escuta no rádio que a marca utilizada era adulterada perversamente e continha substâncias cancerígenas? A violência não é só a física que aparece todos os dias na TV. Tornamo-nos o país mais violento do mundo neste campo. Mas a violência na mesa? É também violência expor à venda produtos como os acima mencionados.
Certo que o agronegócio representa importante percentual da balança comercial e a receita tributária decorrente trará benefícios para a sociedade. Mas por que temos que engolir o pior, o excedente, o refugo? Isto sem falar na guerra interna entre produtores. Foi o caso do setor pecuário contra o soja. Quantos anos deixamos de extrair proteína de soja e leite de soja para favorecer o leite e seus derivados? Ora, o soja, sabe-se, desde o cientista americano Washington Carver, pode ser utilizado como matéria prima para mais de 2000 produtos, mas nós ficamos por décadas só como plantadores e exportadores pelo fato de necessitarmos de dólares. E a saúde pública, quanto paga hoje por erros estratégicos gerados pela mesma ganância? E o caso do cigarro, que produziu um desastre coletivo. Na década de 40 e 50, a população foi condicionada a pensar que fumar era elegante. Propaganda maciça através de todos os meios. Fumar era liberdade, aventura, elegância e garantia uma receita tributária enorme. Todavia, 30 anos depois nada disso era mais realidade, o fumar passou a ser o inimigo público número um, já que os problemas de saúde passaram a custar caro para o Poder Público e sua miserável rede de atendimento ao público. Assim, é o país, cego, sem planejamento, subdesenvolvido, descomprometido com seu povo, perverso em suas estratégias somente eleitoreiras. Milhares de famílias  perderam entes queridos devido ao fumo. Impossibilitado de acabar com os viciados, a campanha milionária agora é para fazer as pessoas deixar de fumar. Para isto aumenta-se a tributação etc., mas o contrabando de cigarro aumenta ainda mais. Esta falta de visão é recorrente e atinge vários produtos hoje, cujo consumo ira produzir muitos falecimentos e perda de mão de obra. Lembre-se do caso da famosa cachaça, a pinga, que era o maior problema para as famílias e empresas. No caso, num Brasil do século 20, tais eram os interesses dos coronéis da cana e também da tributação que tais consequências sociais e trabalhistas, a tradicional pinga nunca chegou a ser atacada por propagando oficial. Cada família, cada mãe de família que aguentasse o problema individualmente. Hoje, ainda temos o problema que se refinou para bebidas como a cerveja e vinho, que garantem uma receita tributária de grande porte, sem que o Governo se preocupe como os resultados sociais, mesmo diante dos números no trânsito. O Legislativo até se ocupa em votações e votações quanto à venda de bebida alcoólica nos estádios de futebol e beira de estrada, discussão altamente contaminada por interesses da indústria do setor.
O certo é que houve progresso em quantidade de produtos ofertados. Se comparada uma mercearia ou venda ou birosca ou armazém de 1950 com um supermercado de hoje, a quantidade de produtos aumentou em números gigantes.  Por trás disto, mais indústrias, mais negócios, mais pontos de venda etc., gerando emprego e renda. Melhoramos muito, mas há muito a melhorar em qualidade e segurança nutricional.
Há muito já nos afastamos do Brasil produtor só de café e produtos de cachaça, lembrando que a delegação olímpica de 1932- Los Angeles-USA, saiu do Brasil num navio comercial, simulando ser um navio de guerra para não pagar tarifa no Canal do Panamá, o que já revelava a má-fé institucionalizada. O truque não valeu. O navio transportava café e cachaça que a delegação olímpica deveria vender no caminho para bancar suas despesas durante os jogos, o que também não valeu, pois o dinheiro nacional foi desvalorizado em 70%, face à revolução paulista. A solução para ganhar algum dinheiro foi transformar o navio em uma boate, onde a bebida era livre, como meio de atrair os americanos que estavam na época enfrentando a Lei Seca.  O café foi vendido por trocados de dólar.
Hoje em outra realidade, a má-fé e o espírito espertalhão ainda persistem. Falta amor à Pátria e respeito ao Próximo. Só a passos lentos vamos curando as mazelas nacionais. A fiscalização efetiva é diminuta e exposta à corrupção. Em verdade, o fiscal verdadeiro fica por conta da boca e olhos de cada um, muitas vezes para depois da compra já realizada e sem originar muita reclamação mesmo com os instrumentos oferecidos pelo Código do Consumidor. As consequências ocorrem no sigilo da vida privada, com repercussões na economia familiar, no emprego e nas despesas públicas.
A questão alimentícia pertence ao domínio do lar e ninguém sabe como o vizinho realmente administra este assunto. Sabe-se, no entanto, que na cozinha alguém está preparando, com o maior carinho e inconsciência, a doença do amanhã. Valem os costumes culturais regionais, os produtos à disposição, muitas vezes danosos e sabidamente prejudiciais à saúde como é o caso do churrasco, da feijoada. Mas quem vai criticar tal hábito, tal instituição como tantas outras? Crenças como: criança que come tudo vai para o céu, criança gorda é saudável e forte etc. não são contestadas.
Ademais a industrialização invadiu as cozinhas a partir dos anos 70 no Brasil, de modo que a refeição familiar, passou a ser contaminada por produtos químicos, fazendo poções da morte. Ninguém lê os rótulos que descrevem a composição dos produtos. Observe-se esta composição simples e básica: aroma sintético idêntico ao natural, reguladores de acidez ácido cítrico e citrato de sódio, estabilizantes carboximetilcelulose sódica e goma xantina, conservadores benzoato de sódio e sorbato de potássio, sequestrantes Hexametafosfato de sódio e edta, cálcio dissódico, edulcorantes acesulfame de potássio e sucralose, corantes artificiais tartrazina, amarelo crepúsculo etc. Se um menino de 3 anos beber esta poção diabólica, estará consumindo algo que é um arremedo de um simples suco de laranja. Só pode ser coisa do diabo, quando temos laranja para exportar e consumir internamente à vontade. Explicitando a bagunça neste campo, não é raro ver no rótulo dos produtos de supermercado, algo como vi num pacote de bolacha: “pode conter centeio”, indicando que nem o fabricante sabe o que vai em sua receita. E a população como fica? E são assim nossos produtos alimentícios. Que cada consumidor mais esclarecido comece a prestar atenção nestas composições e ler mais sobre estes produtos químicos, muitos deles altamente criticados em pesquisas no exterior. 
Se o cardápio construído pela indústria mudou o Brasil movido a feijão com arroz ,batata frita e bife com ovo e salada, os índices de saúde pública podem dizer se foi saudável e no interesse da saúde pública ou se foi mero negócio altamente lucrativo.
Colocada em suspeita a cozinha de cada lar, nem se fale nos restaurantes, lanchonetes, bares e barzinhos onde Lavoisier revive seus dias mais gloriosos
com a perseverante e lucrativa transformação de restos em novos pratos para o dia seguinte ou do almoço para o jantar. A sorte é que tudo é cozido ou exposto a temperaturas que queimam ou eliminam tudo de ruim e o cliente sai pensando que comeu bem quando na verdade não comeu nada, muito menos se alimentou.
Claro que nem tudo entra nesta generalização, mas o problema é a hipótese  sempre rotativa de cairmos na ciranda alimentar, em sua versão perversa e perigosa. Nas redes sociais, internet e mídia em geral, o jogo de informações e contrainformações sobre os efeitos de algum item da alimentação é perceptível. A guerra da farinha, do glúten, do açúcar, dos ovos, do álcool, da carne etc.etc., deixa o consumidor na dúvida nunca esclarecida. Um jogo de interesses sem ética nenhuma.
Nutricionistas de plantão correm para dar suas opiniões teleguiadas e parciais. Elaboram receitas visivelmente carregadas de sal, açúcar e gorduras visando aumentar o consumo. Os químicos das indústrias e suas composições, nunca contestadas, quando se sabe que muitos itens são cancerígenos ou tornam-se cancerígenos quando do preparo na cozinha. A população não tem a mínima condição de entender o que se passa; tem que comer e come mal. Não há compromisso algum com o Próximo. Nosso capitalismo caiu em mãos perigosas e selvagens. Prevalece e sempre prevaleceu o interesse de plantadores e da indústria da carne, leite, sal e açúcar. Exatamente dos fazendeiros que são senadores e deputados para defender seus próprios interesses. Observe-se a dificuldade do Governo em reduzir os teores de sal e açúcar nos alimentos industrializados, mesmo já tendo sido comprovadas as consequências para a saúde pública e o elevado custo para tratamento em hospitais.
Assim, nas horas das refeições, momento inevitável, pois somos todos animais, não temos nenhuma garantia de que estamos realmente nos alimentando. Estamos, sim, enchendo a barriga com alto risco, portanto, nos intoxicando. Ao menos 3 vezes por dia estamos contribuindo para algum tipo de doença que vai se acumulando no corpo. Uma ciranda absurda: impostos são recolhidos da aquisição de alimentos, que geram doenças, que por sua vez são pagas pelos impostos, todavia, o déficit nesta conta aumenta geometricamente. Mas quem se importa, quando estourar o problema será do governo em que estourar talvez seja governo da oposição e isto não é bom?
Observe-se a disposição dos alimentos nos supermercados: corredores definidos para bebidas, setor de lacticínios, setor de doces e salgadinhos, setor de bolachas e macarrão, em verdade nada de bom para a saúde. Uma alimentação deficiente baseada em carboidratos e gordura “trans”, dando chance à necessidade de complementação, a qual só é acessível a uma minoria da minoria. A indústria de alimentos alternativos apresenta-se como salvação aos olhos de muitos, mas é campo minado e cheio de enganações. Ali vende-se o modismo, como o “churrasco orgânico”, o “ óleo de coco orgânico” e tantos outros itens colocados à venda numa incontrolável espoliação do povo dito mais “experto”. E nem vamos nos aprofundar no engodo dos produtos importados, resquício de um Brasil colonial. Não há segurança nenhuma no importado. Pode ser tudo porcaria também, produtos de terceira qualidade de outros países, mas altamente lucrativos e só este aspecto já basta para justificar a venda pelo inescrupuloso comerciante. O fascínio dos importados ganha adeptos que ficarão doentes
igualmente. A questão de suprir proteína para a população ainda fica em segundo plano, pois o importante é que haja alimentos, mesmo que inúteis, e que o seu consumo gere impostos, empregos e mantenha as empresas em operação. E nem se mencione a qualidade de nossas embalagens e a interação dos produtos químicos ali constantes com a dos alimentos. Uma tragédia plástica.       
Todavia, o grau de interesse dos políticos por tais assuntos é quase nulo. Recentemente eventos nacionais demonstraram claramente que a população está alienada em proporções maiores do que em qualquer época e que os políticos vivem no seu mundo próprio de conquista e preservação do Poder. Enquanto o teatro se desenvolve para comédias e dramas mais picantes, a classe média torna-se mais vazia e preocupa-se  em mostrar suas posses em busca de status e os jovens de 10 a 35 anos reclamando e protestando pontualmente por questões meramente umbilicais; uma esquerda obtusa e sonhadora com épocas do passado e atirando a esmo; uma classe A perdida em seu vazio existencial, questionada por caos de corrupção privada e pública, onde são a maior parte dos protagonistas como refinados golpistas e vigaristas.
Com tanta corrupção e instabilidade, quem se importa com a mesa e a cozinha? Alguns poderiam argumentar que a alimentação é assunto pessoal, é gosto, é intimidade do cidadão, não cabendo ao Estado interferir. Hipocrisia, pois o Estado permite que a indústria e o comércio condicionem o indivíduo a comer tal e tal produto, sem qualquer exame de sua real utilidade para a saúde. Ficaria tudo então para o cidadão decidir: o que comprar e o que comer. Nem se ouse falar em discernimento. Na hora de comprar alimentos e comer, o que vale é o elemento nacional pensante mais relevante: a barriga.
E todo este cenário de mil facetas é turbinado ao máximo, se considerarmos que a ansiedade, o mal dos séculos, é descarregada quase totalmente na alimentação, seja “fastfood” ou não.  Ora, o sistema produtivo ajustado ao racionalismo, pragmatismo e utilitarismo garante a produção em quantidade. Faz o cidadão ajoelhar-se a seus prazos e metas de modo que tais “ismos” acabaram por condicionar o ser humano que facilmente os transpôs para o relacionamento humano. O que era ser só para aplicação no ambiente da produção acabou por se instalar na vida de todos contaminando os lares e a convivência dos humanos. Por consequência o ser humano hoje encontra-se instável, vive em reação sob o poder do medo de perder e torna-se  péssimo em autoconhecimento, inapto para conviver e pensar adequadamente, portanto, um egoico sempre contrariado, insatisfeito e mantido em permanente ansiedade, a qual é preenchida amalucadamente com bebida e comida. Para que esquecer qualquer problema, por que não uma bela, gordurosa pizza? Para muitas pessoas, no vazio da vida que restou no mundo da produção, a hora da almoço e do jantar passou a ser a grande ilha do prazer e o grande episódio do dia. Muitos vivem só para isto. A cultura evoluiu também acompanhando esta falácia. Reunião tem que ter comida e bebida, caso contrário perde a graça. O relacionamento começa e termina na mesa hoje. O parente mais antigo ou o amigo só é visitado, se tiver o que oferecer para ser consumido.   
Mas a questão refoge ao simples fisiologismo. Embora a nossa democracia ainda esteja se aperfeiçoando, ela aparece mais na época das eleições. Depois, o mundo político se gera e se basta sem qualquer intromissão popular. A imprensa exerce algum aspecto de isenção no controle da gestão pública, mas é confusa e fica facilmente à deriva, face ser remunerada pelos donos de interesses múltiplos. A questão alimentícia pertence à quinta categoria de notícias. A questão é na verdade muito séria para a saúde pública e as despesas dela decorrentes, que reduzem substancialmente a capacidade de investimento em infraestrutura etc.
E é mais séria quando se questiona qual a segurança da receita tributária advinda dos produtos alimentícios, se a população está ficando doente a cada dia? Não seria dos políticos estarem pensando nesta questão ao invés de estarem preocupados se irão para a cadeia ou não? 
Ademais a alimentação que traz doenças, a obesidade, as doenças do coração, fígado, estomago, intestino e rins e a demência tem repercussões econômicas. Não seria então de se melhorar isto, já que a diminuição da força de trabalho, os recursos humanos diminuem a todo dia, há absenteísmo em níveis altos, excesso de licença saúde, “turnover”, etc. Políticos são políticos e não técnicos. Caberia às associações de profissionais de saúde (médicos, psicólogos etc.) alertar. Mas há algum médico interessado em reduzir o número de pacientes? Uma minoria brutalmente amassada pela contrainformação.
A questão é séria, mas deixada ao abandono, e no futuro, com o envelhecimento da população e a diminuição do consumo, como ficará esta receita tributária face à enorme despesa com a saúde pública? Em tudo, o futuro a Deus pertence. A miopia do presente e os projetos meramente eleitoreiros para a gestão de 4 anos é o que interessa. As consequências ficam para as futuras gestões da fazenda nacional.
E permeando toda esta deficiência, sempre a negligência, desleixo, corrupção, fraude, leis penais de processo para proteger o infrator, fazendo uma realidade camuflada no dia a dia pelo manto da impunidade, porque o que interessa é gerar empregos, gerar impostos, garantir a receita tributária e o “progresso” e evidentemente a propina.
O cenário agrava-se, tornando-se mais banalizado e, portanto, imperceptível fazendo suas vítimas. Cada um que se cuide. 
No aguardo de maior conscientização e melhorias, pergunta-se: nossos jovens da geração Y sabem cozinhar ou irão só esquentar pacotes de lasanhas e outros pratos comprados no supermercado? E seus filhos terão acesso à cozinha tradicional da bisavó? Quais as repercussões para a saúde pública do consumo de tanta química? 
Muito do Brasil atual já deveria estar “walking the mile”, para possibilitar uma Pátria sadia, produtiva e progressista.        
 
Odilon Reinhardt 3-7-2017

sábado, 3 de junho de 2017

Decisão de Justiça para mais justiça.


Blog 3.6.2017

 
 

                       Decisão de Justiça para maior justiça.

 



É por mais evidente que no emaranhado de notícias que informam, assustam, chocam e atormentam a vida nacional de hoje, há também notícias auspiciosas que ocupam segundos, mas que são de uma grande repercussão para o futuro. Assim, no burburinho das notícias políticas, algumas atropeladas e intoxicadas pela impetuosidade de imprensa em causar sensacionalismo, de vez em quando há espaço para notícias divulgadas rapidamente, como que quase não merecendo muita atenção. Foi assim que foi divulgada uma  verdadeira decisão histórica, marcando mais um ponto para a real e efetiva desvinculação do Judiciário dos interesses dos demais Poderes, que participam da escolha de ministros, cuja independência de alguns deles foi sempre objeto de polêmica, conforme sempre aparece na imprensa.  Montesquieu agradece agora pelos atos de independência como nesta decisão.  Diante de tantos horripilantes e tétricos fatos e fotos do dia a dia, que ameaçam severamente a equidade, a Justiça deve sempre, sem perder sua isenção e dignidade, retirar suas vendas técnicas processuais e sua prolixidade, para assim ver como os demais Poderes estão explodindo a materialidade.   
Destarte, ocorreu a divulgação da decisão do STF de que não é necessária a autorização da Assembleia Estadual para a abertura de processo contra o Governador do Estado. Ora, tal decisão foi divulgada e sumiu do comentário com a mesma velocidade com que veio à luz. Nos dias agitados pelo negativismo adotado e fomentado por fatos e fotos que ocupam as manchetes, esta decisão não pode ser devidamente valorizada como devia. Trata-se na verdade de uma das decisões mais importantes e de validade histórica contra a corrupção.
Na necessária lavagem contra a corrupção, até agora tudo tem se passado no nível da União. Corruptor e corruptores são os de nível da administração federal, tendo-se resvalado aqui e ali em casos estaduais e municipais, tidos talvez como peixe miúdo ou talvez por escassez de pessoal na Polícia Federal e Ministério Público, tal a dimensão da corrupção no país.  No nível da União, o que temos já basta para ocupar e alarmar os olhos e ouvidos da população, a qual recebe choques todos os dias, tal o assombro com os casos divulgados sobre uma rede de corrupção jamais vista no mundo, a ponto de assustar até Bancos suíços.  Uma vergonha continental.
A decisão acima referida equivale ao arrombamento da cova dos lobos, a chave da caixa de Pandora, a entrada para a Montanha do Sésamo dos 40 ladrões, a porta da fazenda do coronelismo e dos cartéis do poder estadual. O que se passa na União é a mera ponta do iceberg, considerando a nossa estrutura política e partidária e o sistema de financiamento das campanhas políticas e do patrimônio dos políticos, candidatos ou não, eleitos ou não. Todos enriquecem na vitória ou na derrota. Há uma mágica patrimonial inusitada e até hoje intocada. Um grande e promissor balcão de negócios fabulosos: o Governo em todos seus níveis.  Um Governo atrasado, centralizador, burocrata, contra a iniciativa privada, criador de leis enroladas que de propósito lhe colocam como dono do Poder de criar dificuldades para vender facilidades e que hoje está se enrolando em sua própria máquina e folha de pagamento.
É nos Estados e Municípios que se formam as quadrilhas da pirâmide do Poder, com suas empreiteiras, prestadores de serviço e fornecedores. Os vícios derivados do sistema de financiamento de campanha não afetam candidatos municipais e estaduais? Os males do nível federal não se alastram pelos níveis inferiores? Pergunta e respostas óbvias.
Esquemas de formiguinhas e jacarés, todos acobertados por conveniências e oportunidades políticas do momento e também protegidos pelo corporativismo, bairrismo e pelo sistema de cooptação e atrelamento das pessoas ao “establishment” local, o que garante que não haverá denúncias nem traição, já que todos estão vinculados entre si a algum benefício ou favorecimento.
As mazelas e defeitos do sistema, no nível Municipal e Estadual, vem sendo mantidos como inatingíveis até hoje, face os esquemas de blindagem das autoridades locais e os interesses políticos envolvidos. A maioria nas Assembleias Estaduais tem garantido os esquemas mais deploráveis, como se o Governador não soubesse e não comandasse nada no Estado, quando o contrário é a verdade. Nada é feito sem que o Governador ou seu partido saiba. Se alguém do partido comete ilícito, tudo é abafado para não afetar a gestão, a imagem do partido e etc. O indivíduo sofre alguma sanção moral, mas sempre cai para cima, assume algum cargo e nunca é deixado de lado. É este o sistema tradicional. Ali corvo não come corvo. Tudo é mantido em sigilo, à boca pequena, devido às alianças partidárias com vistas às próximas eleições. Poder-posto é sempre forte e prepotente. Qualquer crítica é encarada como coisa da oposição. Onde está a democracia? Há, sim, hipocrisia, defesa de propina em projetos e um fascismo que deixaria Mussolini de boca aberta ao ver como sua doutrina aqui floresceu tão bem.
Ademais, salvo raras exceções em homenagem aos bons políticos que estão do mesmo modo enojados, os projetos do Governo ou são para dar propina ou ajustar a bagunça da gestão anterior, mas sempre com arrocho e avanço no bolso da população. O Governo sempre tem justificativas técnicas e informações tais que não permitem discussão eficaz. O governo sempre vence em suas propostas, pois tem maior Poder, meios de negociar e prometer benefícios, nomear pessoas, manobrar, acobertar, enfim defender-se por qualquer meio, até com mensalões e mensalinhos. Uma verdadeira truculência que anula qualquer ação contrária. Só o Poder Judiciário pode mudar isto, já que a ética e a moral são raras na política. 
Há falta de transparência e isto atiça, em cada cidadão, com ser humano, o instinto da curiosidade, o amor pela verdade e o ódio ao falso e obscuro, itens que contrariam na essência o anseio por justiça e equidade. Diante de representantes vendidos e falta de meios mais eficazes de debate direto com o povo, ao cidadão comum cabe baixar a cabeça, calar e tratar de sua vida, pois o Estado é o reino onde o autoritarismo, o mando e o desmando existem velada ou indiretamente e há democracia só se existir interesse do Poder e nos limites que este estabelecer através da ação policial e do exercício de manobras de bastidor, para fazer calar e intimidar qualquer um que ataque sua hegemonia. É o Brasil no miúdo.
Ninguém quer se indispor com ninguém no Estado, onde a economia é menor e os interesses são bem definidos e expostos. Grandes esquemas de corrupção ou simples benefícios da nobreza fabricada sempre existiram, enriqueceram famílias por décadas e nada acontece. Só há revezamento no Poder, como uma espécie de acordo de cavalheiros no submundo do crime, especialmente em Estados com capitais menores e onde os políticos são ligados por inevitáveis laços familiares. Talvez por isso uma decisão tão importante quanto esta do STF deixa de ser realçada e comentada, pois se Governadores caírem, há sempre milhares de interesses pessoais e familiares entrelaçados com a política em jogo. Situação que pode se estender para ramos da limitada mídia local, facilmente controlável mediante maior ou menor quantidade de anúncios e propaganda oficial a ser publicada; inegavelmente representa uma grande renda para a mídia. Um jornal que recebe mensalmente uma  quantia de publicações oficiais tem isenção para denunciar? É imprensa livre? Onde fica o limite para se definir isto? Qual tem sido a participação desses jornais na manipulação da opinião popular?
Com fatos e fotos inquietantes a classe política tem sido fustigada em sua imagem geral, mas há ainda o político idealista e honesto como também o tradicional desonesto. A decisão do STF veio para dar uma esperança de que a blindagem não mais ocorra. É a mais importante decisão para acabar com a corrupção nos Estados, onde grupos se revezam no Poder, havendo pouca opção para a população eleitora, geralmente traída em negociações e atos do mundo político após as eleições. O coronelismo ainda está vivo, embora travestido para os tempos modernos.
Após a secular roubalheira, o Estado foi tornando-se um local de armações. Na Capital o Estado mistura-se com a Prefeitura, mas no interior só aparece na precária estrutura do eventual hospital local, na escola estadual e na polícia civil, tudo deficitário. Aparece também em obras paralisadas e inacabadas abandonadas sem qualquer justificativa ou objeto de denúncias. Assim o Município é que aparece pobre, carente, cheio de necessidades que acabam sendo promessas a serem cumpridas por lideranças políticas nas eleições.
O desempenho estadual sofre com a corrupção impunida, com os esquemas que ficam abafados e nunca descobertos. No dia a dia há as “decisões” que são igualmente polêmicas, mas morrem nas atas das empresas estatais e de economia mista, nichos de Poder, usados como operacionais das “coisas” que o Governo não consegue fazer na Administração Direta, onde enfrenta fiscalização mais reforçada e um rígido controle orçamentário. São decisões para uso interno e tantas para uso externo que assustariam qualquer usuário pagador de suas tarifas mensais. Erros administrativos gritantes que redundam em aumento de despesas e perda de tempo.
Com a decisão do STF, pelo menos enquanto ela valer e não for derrogada por outra ou até mesmo esquecida no emaranhado de decisões, há esperança de acabar com a hipocrisia, o fascismo, a proteção política e a farsa. O fim dos “reizinhos” estaduais, cheios de meia-luz, de holofotes imaginários, mas sempre salvos pela blindagem dos interessados em pactuar com o estado das coisas e muito dinheiro.
A decisão do STF colocou para fora do ordenamento jurídico artigos das Constituições estaduais; não seria imprudente que a mesma fosse revista para dar maior autonomia ao Tribunal de Contas e este fosse deslocado para o Ministério Público e seus conselheiros tivessem mandato de 10 anos e fossem eleitos pela população estadual quando das eleições municipais, exigindo-se “curriculum” especial apropriado para o cargo? Se isto fosse colocado em discussão, certamente outras propostas surgiriam. O importante é que haja mudança e o Tribunal deixe de ser político.
É no âmbito estadual que as mazelas podem acontecer sob a proteção da maioria política, de danosos acordos políticos, de gestões caóticas e tendentes a deixar o estado no fundo do poço.
Efetivamente o STF arrebentou com o cadeado para o esconderijo dos lobos, onde a transparência é zero, prevalecendo sempre a linguagem técnica, empolada e a divulgação de estatísticas tendenciosas, a proteção aos tráficos de todo tipo e a preservação do “status quo”, inteiramente modelado pelo jeitinho da província e seus provincianos. 
Falta agora e seria um ato de bravura e honestidade arrombar as covas Municipais, o verdadeiro local onde mora o cidadão, sofrendo o verdadeiro efeito da crise causada pela corrupção endêmica e sob a coordenação política de grupos políticos estaduais em seus tentáculos locais. Tarefa para todos os cidadãos e para o Ministério Público.
É no Município que vive o cidadão e é onde tudo ocorre de verdade. Ali as consequências de políticas federais e estaduais atuam na vida, no dia a dia do cidadão em sua cozinha e em sua sala bem como nas ruas e praças. A saúde, a educação e a segurança aos cacos, descuradas, porque muitos são os políticos que só estão preocupados com suas alianças e esquemas de preservação eleitoral, pouco se importando com o cidadão e a vida; preocupam-se, sim, como interesse de seus financiadores e pouco importando-se  com a imagem política no decorrer do mandato  em função  de suas  decisões, pois tudo será esquecido na campanha,  se houver dinheiro para pagar uma boa e fantasiosa ação de marqueteiros políticos, que saibam bem manipular imagens e a opinião popular.
O município, salvo raras exceções, está igualmente blindado pela força política eleita e tudo ali é tutelado pelo interesse estadual do momento. Escândalos locais são abafados e há a lei do silêncio para proteger o interesse particular dos envolvidos e para não prejudicar alianças eleitoreiras e a imagem partidária. O Ministério Público tem atuado, mas tem limites, tem que haver denúncia política e isto depende da oposição, da conveniência e oportunidade, da oportunidade e não do anseio pela moralidade e justiça, pois todos estão de olho no prato principal: o tesouro municipal, o qual será saqueado com os mesmos garfos e colheres seja oposição ou situação, já que a cultura é de “agora eu vou me fazer”.
A cidade é que deveria tornar o cidadão satisfeito, para que ele tenha incentivos para progredir como pessoa e grupo. Mas ali só há motivos para desmotivação, instabilidade e perda do orgulho de ser cidadão. Cada cidadão é pressa fácil, possível e provável próxima vítima de arrastões, violência, golpes, assaltos. É a fácil caça na intranquilidade diária, sem o discernimento suficiente para identificar as iscas lançadas à frente de seus familiares. Realidade que se compara à paranoia animal. Até quando? Até a sorte e destino de cada um? O modelo está chegando à exaustão e esgotamento do humano.
Nada muda, nada acontece a não ser por interesse de cabide de emprego, sinecuras e planos de obras que gerem propinas.
Da União às cidades, distritos e vilas de cada um dos mais de três mil Municípios, a estrutura de distribuição tributária tem assegurado a satisfação do cidadão?  Há décadas a estrutura é a mesma e não tem dado resultado. A verba fica retida até que o Município ou o Estado peçam água, ajoelhem-se ao poder dominante e a ele se aliem ou deixem de se opor diretamente. O prefeito e vereadores são laçados e encilhados para obedecer ao poder maior se quiserem continuar na política. O cidadão e a empresa honesta que pagam tributos são as vítimas do sistema que só aproveita a quem está no Poder. É um modo perverso de mostrar quem manda e quem pode fazer. Por causa disso, o cidadão e sua cidade vivem na penúria. E quando há liberação da verba, a mesma é para obras já contaminadas por esquemas de corrupção. Vergonha nacional.
No município é o espaço onde flui a vida, onde ocorre na prática a violência já banalizada. Cidades com casas cercadas, alarmadas, saqueadas onde o cidadão tem que procurar proteção  em cercas, grades, câmaras, seguranças esperando, no entanto, a hora de ser vítima dentro ou fora de seu refúgio. Cidades onde o trânsito mata, afetando diretamente a vida da família e das empresas. Que qualidade de vida é esta? E o noticiário de todo dia, mostrando as agruras não faz o quadro de guerra civil, guerra moral, constrangimento?  Não somos reféns de aves de rapina que vem caçar na cidade? Alguém pode usufruir livremente das praças, dos parques sem ter medo? Alguém pode sair de casa e ir à calçada  e para a rua sem se arriscar? Para sobrevier a isto: sorte, destino, inteligência de prevenção, consciência. O humano com medo, receio e desconfiança do humano. É fácil desconfiar de alguém, mas não é terrível ser olhado como objeto de desconfiança, sabendo ser honesto?  
 
                             Cidades, distritos, vilas e vilarejos.
 
Cidades derretidas
pelas balas da noite escura
em vidas escorridas
nas vielas de vida dura.
 
Cidades de antes sonhadas,
agora em ruas de medo
em esquinas alarmadas
onde a calma vive só em arremedo.
 
Vidas espremidas
em noites e dias de refém
aves de rapina em suas rondas
procurando coisas e pessoas também.
 
Cidades desfiguradas e inibidas,
em ruas, praças e avenidas;
o humano em vidas ameaçadas
cheio de traumas e feridas.
 
Para poucos as horas comprometidas
em livrar-se desta agonia,
tentando achar horas mais descontraídas
e talvez algum instante de alegria.
 
O país arrecada mais ou menos 3 bilhões de reais por dia.  Qual o retorno? Para onde vai tudo isto. Mais de 50% para salários de cargos públicos, muitos deles supervalorizados. O Poder aqui é local das práticas mais odiosas do pragmatismo caboclo, do utilitarismo tupiniquim, tudo em desrespeito ao ser humano, o eleitor e sua família e empresa. O planejamento, uma grande piada, serve em muito para poucos localizarem e anteciparem informações privilegiadas.  E o que falar do desempenho dos vereadores? Não deveriam se preocupar com a educação, saúde e segurança na cidade? Se abrirem a boca ou ferem a imagem da gestão e são punidos pelo partido ou são oposição, e se assim são enquadrados, são logo abafados, neutralizados. Talvez isto responda a algumas perguntas. Por que só se limitam a projetos esquisitos, miúdos, a projetos de nomes de rua e títulos honorários?  Uma energia muito mal usada e valorizada. Por que alguns só atuam junto a repartições públicas para acelerar pedidos e processos que deveriam transitar normalmente? 
O estágio atual a que chegamos como Nação é resultado de nossa construção humana aqui na chance que tivemos neste pedaço do mundo ao longo de séculos. A corrupção nasceu nas caravelas há  517 anos,gerada pela estrutura e sistemas de Poder Monárquico em relação à Colônia. Estamos agora numa das esquinas do tempo, talvez numa das aprendizagens de nossa evolução. É inacreditável que após tantos séculos, tudo que conseguimos apresentar como sinais de evolução humana, tenha sido a mentalidade de representantes da sociedade como refinados vigarista, capazes de trair a Pátria, assaltando seu caixa e esvaziando seu bom futuro. É a realidade, somos vítimas de nós mesmos, de nossa cultura subdesenvolvida e quando há denúncia pela imprensa, alguns dos nobres voltam-se para o povo e dizem “isto faz parte do jogo retórico midiático” ou “ é o imaginário acusatório”.  
Todo este modo de estruturação política que vai do Município à União é nossa construção e resulta do nosso estágio de desenvolvimento intelectual. Somos os responsáveis porque votamos nisso. O que existe hoje como estrutura tem sua lógica e não pode ser atacada a grosso modo, no entanto serviu para privilegiar e acobertar esquemas de corrupção. A mudança dos sistemas exigirá intelecto mais nobre e mais patriótico. A persistir o corromper e o enricar ilicitamente, através da estrutura existente, a miséria será pior com consequências funestas no setor produtivo.
Todo o sistema está calcado em fundamentos pouco nobres como a vontade de não trabalhar, de tirar vantagem, de se fazer, de ficar independente economicamente o mais rápido possível para ficar de folga, de ser leite, a lei do menor esforço, em suma, a vagabundagem com Poder e o desamor ao Próximo (a população).
Se nos livrarmos da cultura da “folga, da megalomania, do egoísmo, da vantagem, da má-fé, do arrepio ao trabalho”, cultuada por muitos que podem ser incluídos na elite, vamos entrar numa outra fase da história.
Todo este modo de ser está sendo questionado e sepultado. Grupos políticos, eleitos ou não, escondem-se através da falta de transparência, do corporativismo, da impunidade, da falta de cobrança quanto à responsabilidade e podem montar esquemas milionários, regalias e legislar a sua perpetuidade. Isto durou décadas, um século ou mais. Agora precisa terminar. A falta de transparência antes usada como escudo infalível agora é contestada. Talvez agora com a decisão do STF, tudo fique no  passado sombrio e haja vergonha na cara e no bolso.  Caso contrário, a corrupção assegurará a miséria nacional, com pessoas sem saúde, sem segurança e sem educação. Como prosperar? Como ser competitivo no cenário internacional e exportar para conseguir dinheiro novo?
Tudo que se tem hoje como estrutura tributária e política não deu certo, pois atrasou o país, gerou miséria, violência e precisa desaparecer. Que seja lavada a nojeira histórica, endêmica, histórica, cruel e impiedosa. Deve ser revista igualmente a supervalorização de certos cargos públicos da “nobreza da República” que se move num mundo paralelo em palácios etc., tentando preservar e se beneficiar de estruturas da Monarquia. A tradição de “bem remunerar para evitar a corrupção“ não funcionou nunca, pois era uma mentira centenária. Mais uma das enganações institucionais criadas por quem interessa a preservação da mama estatal. 
Há muitas mudanças a serem pensadas. Seria o começo de um verdadeiro começa de uma “revolução cultural”. Seria o início de uma reforma na cabeça de políticos e seus partidos. Seria o começo para melhorar o DNA da política e seu substrato social.  A revolução silenciosa e pacífica almejada por qualquer um do povo, tendo este em mente que deve existir “honestidade, boa-fé, correta aplicação de recursos, transparência”. A equidade e justiça social seriam consequências esperadas. 
O STF lançou a semente para explodir o “bunker” estadual de malandragem, incompetência etc. Já é um grande passo. Isto não interessa aos políticos locais e seus servos utilitários, mas interessa ao povo, ao país e à Nação das novas gerações, cuja infância pode estar sendo gravemente comprometida, desde já, pela atuação nem sempre digna das autoridades políticas, com seus egos e mentiras em discursos para boi dormir.  Podem enganar a todos por um tempo, mas não todo o tempo. A juventude de 10 a 30 anos que abra os olhos, estão mexendo nos seus dias do futuro.
Necessário dizer que a vida brasileira é superior aos seus defeituosos sistemas de Governo e político, que ocupam grande parte do noticiário do dia a dia e emprestam à vida a imagem negativa e de desesperança. Mesmo a imprensa é bem menor que a vida que ela em pequenos quadros quer acompanhar.  O Governo é só uma pequenina parte da vida nacional. Suas trapalhadas afetam a vida, mas não a ponto de ameaçar com o caos que políticos e a imprensa apregoam. Todavia, há pontos tão maltratados que efetivamente são recorrentes e derivam de várias décadas de erros estratégicos no campo da educação, saúde e segurança e economia. 
Em nossa História há e houve grandes e dignos brasileiros e o tempo está passando de modo diferente face o avanço dos países tecnologicamente mais desenvolvidos. O processo evolutivo da humanidade aqui vai sendo retardado, mas vai indo aos trancos e barrancos. Pergunte-se como vai a nossa mão de obra? As start-ups estão avançando? Por que não? Um supermercado está encontrando moças e mocinhos para a função de caixa, a qual necessita de pessoas que saibam calcular? E na indústria, como estão sendo preenchidas as funções de ensino técnico? Quais os números da evasão em cursos universitários.
Darcy Ribeiro dizia que uma criança só tem 7 anos uma vez. Se não cuidamos dela com a correta educação e saúde, a oportunidade foi perdida e a criança será jogada na marginalidade, para mais tarde custar muito caro para o Estado com um revólver na mão.
É preciso preocupar-se com a vida brasileira e o cidadão com mais interesse e amor ao Próximo. Há sinais e perspectivas que denunciam diariamente uma desestruturação do humano.
Darcy Ribeiro, já sabendo que ia morrer por doença incurável, sempre dizia que detestaria estar no lugar de quem o derrotou em suas tentativas de cuidar da Educação.
Hoje estamos aqui vendo como é detestável ver a corrupção. Fizemos até agora sistemas-tentativa que geraram e reforçaram o ego de homens e mulheres corruptas na política e na administração do país e da vida. Somos todos eleitores cegos de representantes que implantaram sistemas que precisam ser revistos com urgência, antes que sejamos vítimas de um histórico passo para a selvageria como regra e não mais como exceção. Num país de muitos seguidores, cabe aos poucos pensadores honestos mudar os sistemas para o Bem: o sistema tributário, o sistema de preenchimento de cargos, o sistema de financiamento de campanha, o de fiscalização etc. Pouco adianta punir pessoas e seus esquemas,  preservando os sistemas que geram erros e vítimas. Alterado os sistemas, os seguidores a eles se adaptam. Falar de operações, falar de pessoas é quase inócuo, basta ler  jornal e assistir TV.   É necessário questionar e criticar sistemas. As mudanças tem que ser isentas, feitos com amor à Pátria e não devem respeitar os interesses de políticos e seus financiadores com até hoje tem acontecido.  
Todavia, só podemos ter alento e esperança se compararmos o Brasil de 30, 40 anos atrás onde a propina era normal, nem se falava em transparência e a imprensa não ousava denunciar. Mas onde estaríamos se tivesse havido leis, sistemas, cultura de melhor qualidade, boa-fé, menos ego, mais amor ao Próximo, à Pátria?
Que cada um pense, questione, critique para poder propor algo ou ao menos saiba votar com mais cuidado.         
 
Odilon Reinhardt      
  
 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

As escolhas e o futuro.Por que o negativo?


Blog. 3.5.2017

 
                               As escolhas e o futuro. 
                               Por que  o  negativo?
                         
                         

 
 
 
                      Multidões encarceradas em cidades, com seu direito de ir e vir deletado; presas em seus lares, na tensão de ser a próxima vítima, dando razão à frase de que há coisas que nos matam mais do que a morte. Até que ponto somos todos reféns desta exceção tornando-se quase regra?.  Se todos os fatos noticiados pelo país acontecessem na mesma cidade e no mesmo dia, teríamos o retrato maior de uma crise humana, típica dos dramas de guerra civil, do caos humano, da barbárie.
O ser humano criou o Estado a sua semelhança e assim ele é diariamente gerenciado pelas mesmas virtudes e defeitos do homem comum. O Estado, na mão de maus políticos e maus objetivos políticos, com suas mazelas e lampejos de bondade, facilmente toma a forma da média das pessoas a que deve liderar e proteger, podendo adoecer em sua mente e por isso estar exposto a um processo de evolução psíquica igual à de um mero indivíduo. É uma mera questão de intensidade e tempo. A cura pode levar décadas num século ou nunca mais ser possível.
Num reino de corrupção em tudo, não é nada estranho que um país seja controlado por “forças superiores” ( não só as que levaram Jânio Quadros a renunciar) , mas as mais baixas possíveis, onde o tosco, o fisiológico, a grosseria do bruto em pensamento dita modelos e a grande maioria é levada a ajoelhar-se. 
A liberdade de ação e organização bem como a alta rentabilidade de tráfico de pessoas, de drogas, de influência, de armas, de produtos roubados, de medicamentos falsos, de produtos alterados etc., etc. fazem com que várias quadrilhas conquistem o Poder, blindando seus seguidores e executores operacionais, escamoteando a realidade, praticando o corporativismo e escondendo, atrás de linguagem empolada e hipócrita,  a verdade , não só do povo (e o que importa o povo?), mas principalmente do oponente político.
O Governo de pessoas pode passar a ser só um instrumento na mão de pessoas tomadas pelos objetivos egoicos e a megalomania no Poder interesseiro de preservação, de modo que valores superiores ficam à deriva, enquanto o teatro montado é gerenciado só para seus financiadores e para o mundo político e seus partidos, embravecidos pelo Poder , mas todos distanciados da população.
Como exigir que a população  empreste  credibilidade e legitimidade às instituições sem desconfiança? Quando o Governo é para o cidadão comum só a Polícia Militar, chegamos ao nível mais básico da ideia de organização. E mais, que legitimidade têm esses corruptos alçados ao Poder, quando se sabe que foram eleitos graças a milionárias campanhas de marketing eleitoreiro, criando ilusão perante a população de um grande figurão político que asseguraria o bom futuro para todos com sua imagem miraculosa. Marqueteiros tem o poder de criar caudilhos, figuras luminosas de momento, inventadas na época das eleições.     
Na prática, ao longo de décadas, nem um deles fez nada a não ser assaltar, deixando para seus eleitores a saúde, a educação e a segurança aos cacos. Em consequência, num país tão diversificado e de tamanho continental, a toda hora há manifestações por causas mais variadas. As manifestações de bairros com problemas pontuais no dia a dia são substituídas, conforme a conveniência, pelas sindicais, sendo estas mais divulgadas a nível nacional. Alguns dos seus comandantes tendem a mostrar que tem poder junto à “base”, força de mobilização, mas em termos práticos só conseguem se vingar do próprio povo na medida em que propiciam eventos em que levam pessoas a obstar a livre passagem, quebram lojas e detonam o aparelho público municipal, vindo a interferir diretamente em milhares de interesses privados da vida comum. Aos manifestantes junta-se a gurizada aventureira da baderna pela baderna. Será que lojas quebradas, ônibus e pneus queimados, pedradas e flechas não são prejuízo só do povo para o povo? Carros e caminhões parados na estrada significam algo? Isto não é como pichação, só afeta o proprietário do imóvel pichado? Vandalismo e brutalidade não são resquícios da vida selvagem dos bárbaros e dos que não tem como dialogar? Será que isto realmente comove o Governo?  Nas manifestações com piquetes, os discursos não são para os próprios sindicalizados já cientes da “luta”, é o roto falando para o esfarrapado? A missa não é para os fiéis já conquistados? Seria o fim do sindicalismo nos termos atuais?
 Tais manifestações são de duvidoso êxito, pois o Governo acaba aprovando no Congresso tudo como quer. Sempre foi assim e depois a vida volta ao normal. O ego sindicalista foi satisfeito pela arruaça em si e o comandante mostrou seu poder local para seus seguidores locais. Vai ser reeleito também para mais uma gestão ou vai indicar o sucessor com tranquilidade. Na rua, o comerciante gasta com reparos, o povo continua na rotina, o Município recolhe as pedras e paus, repara os prejuízos em placas e o Governo comemora a falta de adesão popular. Em poucos dias nada mais se comenta. What´s next?.
Faltam meios mais ágeis de debate e diálogo. Os modelos atuais de democracia aqui estão defasados. Isto favorece a truculência oficial, a imposição e o menosprezo. 
Alguns políticos continuam com suas vidas de estratégia e arranjos com os mesmos defeitos e intenções de arranjar dinheiro para a reeleição. Na época da próxima campanha todo o passado é apagado e os marqueteiros, em filmes mitológicos, fazem seus heróis do momento. Se surgem acusações de corrupção, algum advogado, eufórico com os honorários, solta a premissa básica que ressoa pelos canais de televisão: “isto é coisa da oposição, faz parte do imaginário acusatório”.  E assim só para ilustrar esta realidade, que arrasta a vida, temos o seguinte:
 
É tudo “ imaginário acusatório”.
 
A todos os megalomaníacos,
que tentam  derrotar o Brasil,
deixando a vida em cacos,
a prisão, já que não se pode usar no muro o fuzil. 
 
O Brasil de cara escancarada,
a miséria evoluindo todo dia,
os vários tipos de  violência em via incontida,
a mentira fazendo parte de toda esta sinfonia.
 
Vergonha perante o mundo,
mas a esperança de acabar com eles,
a limpeza de Governos imundos ,
a verdade para acabar com todos eles. 
 
Para isso a Justiça tirou a venda oficial,
a Polícia Federal libertou-se,
o Ministério Público Federal tornou-se independente afinal.
 
A imprensa, honrando sua missão de informar,
a liberdade em cada página investigativa,
o Brasil pronto para se renovar.
 
Depois de toda a lavagem,
a esperança da queda do fascismo,
o país do povo, para o povo e pelo povo em nova passagem?
 
Faltará tratar do povo insatisfeito,
abandonado, egoico, manipulado,
contrariado, sem educação e alienado. 
 
Virá a verdadeira democracia
numa República de todos?
Talvez a violência cesse um dia.
 
Talvez o Governo tenha verdadeira legitimidade,
talvez mude e o povo nele acredite
e o país entre em outra realidade. 
 
Muitas décadas para isto,
uma tarefa tal,
sem a qual a vida será tal e qual ao até hoje visto.
 
Obras, viadutos e ruas bonitas,
para dar propina e fazer a produção passar,
não podem ser a via para a miséria e vazio infinitos.
 
Que país é esse?
Exatamente o país que a corrupção, a má-fé fizeram.
Que presente secular foi esse?
 
Brasil não pode continuar como “ bela viola”,
sendo por dentro “ pão bolorento” ,
se tudo do povo , vida , futuro e alma se viola.
 
 
Como a corrupção de décadas e décadas deixou o país em situação trágica com realidades que vão da miséria à luxúria, temos uma verdade para o momento: nada mudará da noite para o dia. A violência aumentará. Continuarão a má-fé, a má-intenção, os golpes. Ainda viveremos na carne o subdesenvolvimento, cujo desparecer foi retardado pela corrupção. Mesmo assim, do Brasil de 1950  ao de 2017, muito foi conquistado materialmente. Todavia, o atraso na cabeça, na cultura da Nação não acompanhou o mesmo passo.
Assim, por hora, enquanto nada acontece, qualquer pessoa, em qualquer lugar, de dia ou de noite, pode ser a vítima direta, pois o quadrilheiro é que escolhe. A impunidade é explícita; o banditismo está à vontade para aterrorizar as cidades grandes e pequenas. Bandoleiros invadem cidades à noite como nos filmes do velho-oeste. A população é refém da escolha dos bandidos.  
O Governo é igualmente refém na medida em que sua receita tributária é assaltada permanentemente em bilhões pelo sistema de caixa dois das empresas privadas, pela fiscalização corrupta etc., pelo contrabando, pela sonegação fiscal, por decisões tendenciosas em empresas públicas e de economia mista etc. De toda e em cada violência, cada cidadão que engula e digira as consequências na solidão doméstica, se escapar vivo. Quantas já não são as pessoas mortas e que continuam por aí? Quantas não estão e não são, mas ocupam empregos e cargos públicos e privados, produzindo algo com seu descaso, negligência, preguiça, desinteresse pelo bem do Próximo, pensando em sua aposentadoria?  
Num país de atividade ilegal, imoral e atos e medidas políticas desse naipe, só pode mesmo surgir a “Justiçocracia”, onde o Poder Judiciário e o Ministério Público é que vão indiretamente governar, pelo menos após os fatos, para dar uma aparência de formalidade e respeito diante da bagunça ameaçadora para qualquer vida e/ou empreendimento honesto no país.
É a “insegurança” generalizada num estado de tensão a todo instante. Há em todo lugar um olhar de desconfiança entre as pessoas, pois o Próximo não é mais amigo; há um ar de descrédito e de receio. Donos da vida e da morte, escolhendo vítimas com planejamento ou à esmo, os quadrilheiros, em bando ou solitários, andam por aí à caça. A rua, ao invés de ser o local de encontro e reencontro do humano, tornou-se o reino dos desumanos à espera da presa. Dizer um “bom dia!” para um estranho, nem pensar. Psicopatas, monstros sociais, doentes mentais se misturam aos bandidos comuns na sombra do dia. Pessoas honestas baixam suas cabeças e chegam a se sentir culpadas por ter conseguido algo com trabalho honesto. Rui Barbosa tinha plena razão.    
As antigas estratégias para fingir equilíbrio social de: pão e circo; notícias tipo boi de piranha para desviar a atenção da população; uso de vocabulário essencialmente técnico e difuso; apelo a assuntos externos, para fazer esquecer a realidade interna; criação de clima ruim para que a pessoa não pense que só ela é que está se danando; apelo à ameaça fisiológica, amedrontando a população com doenças que a fazem preocupar-se mais com a saúde do que com causas nacionais etc., não têm mais o mesmo sucesso e seu convencimento é parcial, graças à imprensa livre e às redes sociais. O discurso fascista já não tem mais vez e a realidade em números é gigante e atroz. Todavia, quanto à imprensa, ela será a última salvaguarda da comunicação desde que permaneça livre. Quanto às redes sociais, a sua credibilidade começa a macular seu destino; o serviço de informação e contrainformação já está colocando tudo em dúvida face à mentira estar sendo banalizada.
Com isto ou sem isto, não adianta cobrir o sol com a peneira. A verdade está escancarada. O Estado brasileiro não consegue cumprir suas missões constitucionais a contento.  A população quer soluções.  
Mas num pais, onde se pressiona o cidadão a consumir para que com isto a receita tributária aumente e ao mesmo tempo não lhe dá condições para tal, só pode haver uma grande frustração no preenchimento das necessidades impostas. Há uma juventude inteira recebendo tal pressão sem nenhuma perspectiva de chegar ao nível de consumo prometido. Fazem modelos de consumo de primeiro mundo e os impõem à população.  Isto gera insatisfação e apelo ao cometimento de violência em suas mais variadas modalidades, não necessariamente o crime visto nas ruas.  Natural que a insatisfação gere pessoas problemáticas, conflituosas e que se preocupam só como seu umbigo, como última defesa. O relacionamento pessoal pega fogo em qualquer lugar.
É comum que seres insatisfeitos ou permanentemente contraídos façam a opção errada e procurem agrupar-se aos seus iguais, em busca de soluções erradas. Surgem grupos, tribos, gangues com a mais variada intenção. Não pensam em uma solução construtiva, positiva. Preferem “criar” uma amizade com pessoas que estejam vivendo o mesmo problema e ali façam um grupo para fundar todos juntos. O “bêbado” une-se aos bêbados, os desonestos aos seus iguais.
Uma verdadeira mediocridade, todavia, dentro da realidade dos analfabetos e pessoas sem perspectivas. É o comum para os milhões de comuns; nada de extraordinário. Tudo é coerente com a estupidez, a grosseria de ideias e ideais de mentes teleguiadas e condicionadas num vazio preenchido por necessidades fisiológicas temperadas por contrariedade e raiva. Há um vazio cada vez mais difícil de ser preenchido. O fato é que o material não basta para preencher a vida e mentes ignorantes que já  não conseguem achar saída a não ser em obter mais e mais material, embora sua essência humana clame por liberdade, justiça e respeito. 
Em busca de material as saídas são igualmente imbecis e contra o país: economia e mercado paralelos, crime, violência, fugas, grandes golpes que ressaltem a vontade de não trabalhar e folgar na melhor, o que jamais é alcançado por tais ansiosos, gananciosos e megalomaníacos exibicionistas que acabam sendo pegos e/ou delatados.
O caleidoscópio vivo é feito de cacos da vida diária; um quebra-cabeças com peças móveis horríveis e de mau gosto.  A opção pela vagabundagem, pelo negativo, pelo submundo e seus símbolos, pelos modos de vida alternativa denuncia a descrença na possibilidade de mudança pessoal e nas políticas governamentais. Em suma uma descrença e um horizonte de vida reduzida. O dia a dia é preenchido pela realização efetiva ou perspectivas de  assassinatos, vingança, conflitos em todo lugar, brigas de rua, disputas de gangues, assaltos, invasão de casas e condomínios, atos de vandalismo, golpes diversos pelo mundo virtual, crimes de trânsito, várias modalidades de tortura doméstica entre casais e contra crianças e idosos e a negligência com a juventude. Enumerar atos que fazem parte do cotidiano nacional fica já até sem graça, pois toda a população vê e sente a realidade todos os dias. O triste é sentir que este drama humano está banalizado. Quanto dos problemas de saúde, hoje existentes, não decorrem dessa pobre realidade?  
O ser honesto vive no meio das aves de rapina que podem atacar a qualquer hora do dia: o ataque pode ocorrer pelo celular; no portão de casa; no carro que entrou por engano em algum bairro dominado pelo crime; no carro parado para trocar um pneu ou em pane; em falsos acidentes; em ruas bloqueadas com se fossem redes de pescar etc., na calada da noite e a qualquer momento. O que falar dos crimes hediondos, os esquartejamentos, os corpos sendo jogados em terrenos baldios com se lixo fossem, os espancamentos de ira total, sem piedade e muita frieza de caráter, os maus tratos ao Próximo, revelando um desamor pela vida.  A criatividade para a maldade é enorme e inesgotável. Em cada crime, roubo, assalto denuncia-se a falência do Estado, enleado em sua burocracia e eterna falta de verbas.  O que interessa haver Justiça após o crime? E que Justiça ágil temos numa pátria enrolada em burocracia?
É a selvageria e o medo. O estado de tensão. Pior do que o terrorismo esporádico é o terrorismo permanente na guerra civil à tarde e noite. A vida cruel nas ruas, a vida do dia a dia em perigo. Em meio a tudo isto a infância descurada, negligenciada física e moralmente, abandonada. A juventude violentada. As sementes do futuro estão contaminadas. Como não colher resultados? Um país onde o Governo paga pela construção de escolas que não foram construídas e o índice de inflação é afetado pela variação do preço do tomate. Ora bolas! Isto deve ser no mínimo parte da rede das  grandes mentiras e manobras da mentira. Polícia Federal e Ministério Público não são suficientes para acabar com isto.
Nas ondas diárias do mar de corrupção que envolvem o país, fala-se em milhões e bilhões com se fosse amendoim e pipoca, numa distribuição de naturalidade espontânea. Alguns partidos e alguns políticos, buscando defesas absurdas frente a veracidade; querendo exigir prova escrita neste tipo de delito. Agem e falam como se tudo que fizeram fosse um direito de assaltar. Enquanto isto a população arde com o desemprego e a violência; em qualquer lugar há um pai de família desempregado e com contas vencidas, com filhos a passar fome etc. etc., ferido em sua responsabilidade familiar mais relevante, em sua honra e dignidade. E as “elite” da política e do crime, assaltando as obras públicas, sem piedade; quebrando a economia, afetando a vida do país.  Uma atitude de dilapidação, um ato egoico que colocou o país diante da Vergonha internacional. Será que os políticos malfeitores com sua plêiade de seguidores e imbecis subalternos do crime preocupam-se com a tensão gerada no meio familiar devido à falta de dinheiro e de emprego? Será que pensam na criança que à beira da morte espera para ser atendida no posto de saúde? Será que se preocupam com o policial e sua família? Obviamente que não, pois o megalomaníaco só pensa em si e seu umbigo. 
O dano causado ao longo de décadas e séculos desta prática corrupta hoje é cruel, revela falta de amor ao Próximo, ato de facínoras, apátridas contra as famílias brasileiras.  
Que país deveria ter sido este sem toda esta devassa? Que país é este, onde um partido atrás do outro tenta jogar o mesmo jogo endinheirado, onde se tentou até alegar que era tudo imaginário acusatório e defensores tentaram alegar que isto tudo não era dinheiro de origem pública?
A miséria material, as consequências do analfabetismo e semianalfabetismo, a contrariedade ao ego, o fisiologismo etc. não são, todavia, suficientes para justificar a violência, a falta de amor à vida, ao Próximo, o menosprezo pelo coletivo e a raiva social contaminando os relacionamentos.  São elementos que ajudam a formação de um quadro onde a sociedade é infestada por elementos inferiores que se unem para construir o modo de pensar agir. Entre estes elementos está o Pragmatismo, o qual se uniu ao utilitarismo e ao racionalismo, métodos exclusivos para produção e comercialização, que acabaram contaminando e condicionando o ser humano, tornando-o uma mera peça útil para a produção. 
A tríade produtiva, aplicada de 8 a 10 horas por dia ao trabalhador, transferiu-se rapidamente para o relacionamento humano, fazendo com que as pessoas não acreditem no Amor ao Próximo e na a afetividade, a não ser a sexualizada; o sucesso de qualquer relacionamento entre homem e mulher medido pelo sexo, sem ele nada persiste, o que traz ainda mais contrariedade e insatisfação.
A redução da vida a uma realidade seca ,gerou agruras sentidas por algumas gerações e já integrantes do comportamento de outras sem muita dor, de modo que  da vida foram aos poucos se retirando do cenário humano o afeto, o romance, a poesia, o belo. Cordialidade, delicadeza, sensibilidade, gentileza, respeito e consideração já somem da vida diária e quando praticados são fatos de exceção e recebem por vezes desconfiança. A conversa e o humor dos operacionais há muito tempo não tem requinte de sabedoria, pois ficou na descrição de atos rotineiros, o básico sem qualquer reflexão. Prevaleceu o mecânico, o útil, o interesseiro, a robotização e o condicionamento para usar o Próximo.  É hoje o centro motivador dos seres enfiados em rotinas pragmáticas, uniformizadas e utilitárias. Esta realidade vai desde a linha de produção até a vida em escritórios. Oito ou mais horas ali e temos o perfeito robô, o legitimo filho da chocadeira que vai para casa, cego.   
Quem pensa que o humano não está morrendo se engana; mesmo afogado em dinheiro, coisas materiais e grandes e pequenas obras públicas, o humano aqui está virando robô frio, calculista e interesseiro num sistema onde os relacionamentos começam a ser perigosamente conduzidos pelas regras de “dente por dente , olho por olho” e expostos ao ego e sua ira quando contrariado, a semente da violência.   
Inevitável os efeitos do pragmatismo quando a multidão só tem como perspectiva de vida o papel de tarefeira e consumidora na mão de executivos subdesenvolvidos, diretores autoritários, atrasados e mal preparados que objetivam operacionalizar sistemas corporativos igualmente imbecis e fazer de suas mesas um balcão de negócios políticos e financeiros ou no mínimo ganhar dinheiro e só.  
O pragmatismo uniu-se assim a todos os “ismos”,aqui customizados a nossa maneira, e tornou o humano um mero seguidor tarefeiro, sem alternativas outras para sobreviver; sob suas teias, o humano passou a ter que pensar em “viver”, mas não “ como viver” ou melhor “conviver”. Certamente porque só um tarefeiro manipulado pode ser alienado a ponto de facilmente aceitar as falácias, mentiras e teatros do mundo político, governamental e corporativo, agora revelados e que eram estruturados para favorecer interesses de empresas financiadoras de propina. E houve dias nesta Pátria que pensar,  questionar e criticar era subversão, era crime contra a segurança nacional. Os efeitos foram devastadores. Hoje nem há está preocupação, pois a crítica construtiva inexiste.
No dia a dia, seja no ambiente de trabalho seja em casa, é ressaltado o lado seco da vida, portanto, uma vida seca. Enfim, um comunismo, não só o material determinista, mas o emocional, militando para tornar todos os cidadãos iguais, ou seja, contrariados, insatisfeitos, violentos em potencial. É natural que o humano submetido a tal escravidão mostre reação violenta, irritada, intolerante e intransigente ou fique também doente sendo obrigado a tolerar e engolir tal sapo. 
Como dar valor à vida de si mesmo e a do Próximo? As vidas secas, pragmáticas, interesseiras, estão em todas as ditas classes sociais e as consequências igualmente brutais e violentas. A revolta consciente ou inconsciente torna-se o campo é propício para o negativo, para a adoção de modelos de quinta categoria,  importados de outros países e/ou do mundo das trevas, do caos.
A preferência por imagens de caveiras, bodes, figuras assustadoras e demoníacas em vestuário e no próprio corpo denuncia a opção pela imagem negativa. É para afastar Próximo, com a mensagem horrível de “cuide-se, eu sou mais violento do que você, não se aproxime”. Também um indicativo de que pessoas não acreditam em mudanças em suas vidas e na do país, pelo que assumem uma imagem despreocupada. Isto pode ser só fantasia, aparência e alegoria, mas pode também ser só a ponta do iceberg de uma realidade em formação e sem muita perspectiva.
A juventude e as pessoas já teria entendido que não adianta mais insistir? Não vale a pena viver? Não é bom e necessário seguir modelos honestos? Muitas são as perguntas que as gerações retirantes estão a fazer, mas quem herdará o Brasil é a juventude atual e futura e que Brasil será este? Que imagens esses maus políticos, governantes e executivos atuais estão deixando na vitrine do museu do futuro a ponto de terem gerado tal desmotivação? Estaremos condenados a ser uma eterna feirinha de importados com produtos de quinta qualidade, campo de prova de medicamentos, área rural do primeiro mundo? Será que a juventude já aceitou isto e não entende que estão mexendo no futuro? Ou entendeu que a mexida já o contaminou de tal modo que nada adianta mais?
Seja lá o que e como seja, o negativismo e o pessimismo estimulados por determinados setores do comércio e indústria é derrotista, condiciona jovens a seguir um modelo entreguista que não dará bons resultados. Não há boa essência em nada disso.
Como promover o espírito empreendedor e o progresso do país no campo material e moral, se todo dia há um ambiente cheio de exemplos, modelos ruins e efetiva violência?
O campo é favorável ao pragmatismo e sua vida seca, ao utilitarismo e seu intuito interesseiro, ao racionalismo e seu vício de
berço quando aplicado no relacionamento entre humanos. Se tais “ismos”, aliados ao individualismo, continuarem a doutrinar as relações humanas, certamente os efeitos do ego contrariado serão muito piores e a selvageria será um modo de vida antes de a  civilização chegar ao Brasil. Continuaremos a assistir um verdadeiro filme/ série, com inúmeras temporadas, fazendo o horror social, é o que virou a vida em qualquer lugar, exposta ao crime. O cidadão se encolhe. O nivelamento é por baixo no país das quadrilhas. A mediocridade é o grande vazio da vida cotidiana.  A população ajoelha-se ao medo e chora os seus, que o crime levou ou pode ainda levar.  Precisamos de um Trump ou de um Rudolph Giuliani com tolerância zero para limpar o país?  
Enquanto a educação não for prioridade, enquanto houver negligência quanto aos caminhos da juventude, nada ficará como está, vai piorar. Como ser otimista, se a realidade mostra todos os dias quadros cada vez piores? O Enem de 2017 focará em Matemática e Português. Não é este o reconhecimento oficial de que chegamos ao fundo do poço? O Governo está sendo pragmático como sempre. Bom, para que cultura geral com História e outras disciplinas que enobreçam e tragam esclarecimento ao Ser em sua totalidade e deem uma visão geral da Humanidade, se a grande maioria das pessoas , digamos, vai passar de 8 a 10 horas por dia, de pé na linha de produção, por exemplo, cortando frango e picanha para exportar? Quem vai repensar o país para o progresso humano como prioridade? Como está nosso ensino superior? A miopia de interesses pessoais negou melhorar o futuro de muitos talentos. Como foi nosso investimento em ciência e tecnologia? Há como formar superbrasileiros honestos e isentos para isto? Enquanto ficarmos na luta já saturada entre direita e esquerda, nada irá para frente. Povo sem educação gera República e Governos igualmente despreparados; não pode ser diferente. Estamos longe do ideal de Thomas Jefferson de um governo de pessoas altamente virtuosas e preparadas.  E o Presidente da República já sobrecarregou os novos diplomatas com a hercúlea tarefa, dizendo “ vocês devem mostrar lá fora que o Brasil não é um “paiseco” “. Difícil missão diplomática a de acabar com a síndrome do cão vira-lata. No retorno de viagens internacionais, a primeira impressão que se tem é a da “liberdade” existente no Brasil, mas agora tal liberdade mostra sua cara, pois foi facilitada pela pura “negligência”, “descaso” com tudo e todos aqui. É o mesmo que acontecia com os que antes se vangloriavam do “jeitinho brasileiro” e hoje sabem que tal jeitinho era e é pura “ corrupção”.  Ademais esta negligência e este jeitinho existiam porque os governantes estavam para lá  de ocupados com seus umbigos megalomaníacos, descurando da coisa pública e do verdadeiro interesse público, deixando o povo livre e só dele se interessando na mediada em que a obra projetada para dar propina pudesse ser objeto de propaganda eleitoreira para garantir votos de reeleição.
Os modelos estão saturados, não se consegue avançar para construir uma sociedade livre, justa e solidária, erradicar a pobreza e a marginalização, reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem estar de todos, conforme prevê o artigo 3º da Constituição, onde certos políticos tornaram-se a nobreza em plena República com diretos de montar esquemas para assaltar os cofres públicos à luz do dia como execução de suas reuniões noturnas ou diurnas. 
Ao cidadão honesto só cabe colocar um olho no prato e outro no gato. Bom, pelo menos neste Brasil aqui, conseguimos responder algumas das grandes questões filosóficas da Humanidade, pois sabemos de onde viemos, quem somos e para onde estamos indo, aliás, voltando. E enquanto eu escrevia este texto, o muro do vizinho ganhou pintura nova: rsssssssssss
 Odilon Reinhardt.   3-5-2017