sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Vamos lá , aberta a caça ao pote sagrado no Jardim das delícias, mas...







                                        Vamos lá, aberta a caça ao pote sagrado no Jardim das Delícias , mas...  









E no silêncio dos dias do povo, muitos partidos fazem suas reuniões para escolherem os mesmos de sempre, os que irão ser expostos para a escolha pela população, a qual, em mais um ímpeto inconsciente, pensará estar votando e alçando ao Poder, seus salvadores, seus “Robin Hoods”, com espadas de renovação e flechas de justiça e mudança. “Pari passu”, setores da vida econômica ficam de olho nos escolhidos, para ali depositarem seus dinheiros, visando a defesa de seus múltiplos e variados interesses de momento. Afinal, trata-se de representação popular.

Mas num ano tão importante como o de 2018, com eleições majoritárias, que assumem o papel de possibilidade de porta de saída para a crise gerada por anos de fantasioso e inconsistente crescimento econômico, o que se avizinha é a eleição de figuras conhecidas e ainda pior, todos imbuídos da mesma mentalidade perniciosa : “agora eu e meu grupo de empresas irão se fazer”, “agora irei me perpetuar e colocar os meus no Poder”, “ agora os negócios irão bem e a favor “ etc. etc., mas certamente nada de “ eu farei minha Pátria melhor “.

É o que a evolução do modo de fazer política e negócios neste canto do mundo produziu até o momento. Nada de diferente e inédito, só o que a própria vida brasileira produziu. E a imprensa, canal especial de publicidade e de entrada diária franqueada na casa de cada cidadão, espera com olhos ávidos quem vai montar ou desmontar. No passado elegeu a trupe que quase tornou o Brasil, um lugar escuro do “bas-fond” no Terceiro Mundo, mas também soube se redimir ao reportar e escancarar todos os eventos pecaminosos de grupos políticos que assaltaram a Pátria. Seja lá como for, com altos e baixos, sem imprensa livre não saberíamos de nada que ocorre no Governo, não teríamos como responder à pergunta “Que país é este?” nem contestar a frase de que “tudo não passa de uma imaginário popular”.

No entanto o momento que se formou é sempre amenizado pela clássica e cultuada esperança e fé em renovações e mudanças, base da mente do povo crédulo, sem o que o país mergulharia em algo pior. Todavia,  é esperança mesclada com certo ar de desconfiança, já que nenhum dos falhos modelos de desenvolvimento, tentados nas últimas décadas, era de fundo honesto e dirigido à estabilidade e progresso, pelo que o crescimento e geração de empregos fantasiosos era disfarçada estratégia para negócios bilionários que só aproveitariam a poucos.

Não há, portanto, clima para se acreditar em salvador algum que trará modelos puros e patriotas, de interesse para o futuro do país. Não. Haverá sim, ao contrário,  continuidade de modelos simplistas e de impacto na mídia, os modelos de faz de conta; persistirá a vida de ajeitamentos politiqueiros, a vida de negociatas de oportunidades e conveniência pessoal, deixando o país à mercê de “negócios”, mas de grande interesse econômico, promovidos por cegos interessados, que não observam o país indo aos poucos para o brejo. São pessoas e grupos de umbigo maior que o Brasil, que pouco se importam com o geral, sabendo que o interesse é encher as burras, suficiente para o sustento em terras estrangeiras, quando todas as pontas da mortalha se encontrarem, empacotando a estropiada mão de obra com sua vida de consumidora, sustentáculo do Governo com a palavra mágica: receita tributária.

A continuar a mentalidade atual, muitos dos candidatos vão se preocupar em prometer corte de despesas, diminuição da máquina do Executivo, e medidas para estraçalhar ainda mais o funcionário público de carreira ao passo que continuarão a privilegiar os milhares de cargos em comissão, preenchidos livremente por protegidos políticos, carregadores de caixa nas campanhas, todos indicados por seus aliados da base.  A gestão continuará mambembe, cara, ineficaz, ineficiente. Cada candidato fará o máximo para iludir o eleitor com promessas populistas e simplórias, muitas delas cheirando ao caudilhismo. Eleito, terá como prioridade a reeleição e seu financiamento. A preocupação será dar cargo aos seus carregadores de caixa. Via de regra, o eleito é acompanhado por uma tralha de apoiadores, os quais formam uma quadrilha de “negócios”. Quem são, de onde vem? Qual sua qualificação? Entram para a “ vida pública” pela porta dos fundos e ocupam espaço e tem passaporte para o “abuso do poder” e o franco exercício de suas segundas intenções. Não é incomum que montem esquemas próprios à revelia do candidato, pois é comum que pessoas se aproveitem e usem o nome da autoridade para em seu nome fazer “negócios”. Muitas vezes os chamados bagrinhos aprontam mesmo e o peixe grande é que vai responder por tudo.  

E mais uma vez, valerá o candidato que falar mais agressivamente, mostrando pulso forte, aparentando ser o honesto, o sério e indignado como se isto não fosse um já desgastado jargão, um clichê desde os momentos mais autoritários da Humanidade. Todavia, a realidade de nossos 96% de semianalfabetos comprará estas mensagens totalmente, porque se encaixam perfeitamente no seu grau de autoritarismo, intolerância, prepotência, típico do egoísmo do fisiológico e grosseiro conservadorismo das massas. Mais uma vez não haverá debate de ideais e projetos, só a superfície de questões mais populares.     

Nenhum candidato fará discurso referindo-se a “ Industriais do Brasil.....” ou “ Trabalhadores do Brasil.....”, mas , sim, “ Eu vou...”, Eu farei....” , deixando por mais uma vez promessas no ar e soltas em seu plano de Governo, incompleto, superficial e seguramente e apartado de qualquer coisa factível. Não pode ser diferente , pois não conhece a fundo as realidades do Governo, pois a transparência é um grande problema. Poucos dizem de suas ideias e projetos por causa desse desconhecimento. Na prática, se o candidato for eleito fará mudanças cosméticas, portanto, mais uma vez, a gestão será capenga e ilusória. Seja lá quem for, seja lá quantos forem, ninguém mexerá no Executivo, com medo de greves, da resistência e do desgaste político; não mexerá  como Legislativo, com medo de perder apoio e tampouco mexerá no Judiciário, com medo mórbido de ser punido. Apresentar-se prometendo falácias populistas é fácil. Uma vez no Poder o que vale é o jogo intrincado do Poder, dos três Poderes e dos poder dos setores organizados.  

Nada será feito porque quase ninguém neste país tem hoje a crença de que poderá dar de si e deixar de lado algum privilégio ou interesse pessoal  em prol da Pátria, face o clima de desconfiança quanto aos “projetos” dos eleitos, que hoje são políticos que fazem a vida política e que são os mesmos das últimas décadas, espaço de tempo em que o Brasil perdeu o imã do progresso sustentável e honesto.

Quer por razões políticas, quer por razões constitucionais, quer por falta de visão, quer por falta de adesão por parte dos defensores de interesses particulares, as medidas serão pequenas e serão tomadas para dar satisfação ao desejo popular, mas logo tudo voltará ao normal e a gestão será novamente engolida por problemas do dia a dia, de modo que o programa partidário de reformas, se existente, será deixado de lado, dando espaço para a administração por crise.

Certamente, pouco lugar haverá para fazer reformas profundas na gestão da coisa pública com a finalidade de acabar com realidades como a de termos um Estado que até hoje tem sido um provedor, empregador, centralizador, dominador, operador, financiador, corruptor, construtor e empreendedor etc., em detrimento da iniciativa privada. Com tantas atividades, o Estado permanece imperial, o centro de tudo; gasta grande parte do dia com ajeitamentos e menospreza sua figura de regulador, fiscalizador, legislador e provedor de Justiça; querendo fazer e ser tudo, falha em quase tudo, pois é caro, burocrático, amarrado e não deixa a iniciativa privada fluir; quer gerar empregos, mas faz de tudo para atrapalhar e dificultar a gestão privada; em muitos casos gosta de criar dificuldades para vender facilidades. Perde-se na fiscalização.

Em 518 anos de gestão pública, o elefante foi ficando mais caro e guloso; seu dono não se adaptou às realidades do caixa, cultua a mentalidade burocrática, com restos do nababesco em seus altos escalões, onde há sinecuras, mamatas típicas de pessoas que se tomam por “nobres”, os escolhidos financiados pelo povo. Tomam o Tesouro como uma galinha dos ovos de ouro e de vida eterna em folgado espaço de marajás. 

Como fazer mudanças sem ferir a estrutura dos negócios e interesses do “establisment”?  Quem teria a força autêntica e descompromissada de pensar na Pátria, na Nação e seu futuro? Quem teria força para propor e implantar um “New Deal”? Uma pessoa de tal calibre parece não se achar facilmente em 2018. De certo modo, não se pensa em um Roosevelt ou um Vargas, bastaria que houvesse um  entendimento partidário para um pacto nacional e o presidente eleito fosse um mero gestor do momento, para talvez uma revisão constitucional ou mostrar pelo menos patriotismo sincero e honesto.  Mas com este clima político que foi formado e com o Estado sendo um Sésamo para qualquer Ali Babá, fica cada vez mais difícil um entendimento patriótico e o surgimento de uma pessoa de união nacional para liderar o processo de repensar o país.  

Repensar o país, mas quem e como? Quem deixaria seus mesquinhos interesses locais para uma reforma geral nesse clima de defesa de umbigos e interesses escusos? Talvez seja até um equivoco pensar que será possível montar uma reforma geral e que possa dar início de solução para as grandes questões nacionais de uma só vez.  Talvez seja o Brasil um trem fumegante que vai se modernizando aos poucos  sem precisar parar, a não ser de tempos em tempos, em estações aleatórias onde algo o faz ser acrescido de novos vagões. Uma evolução cara e que desperdiça energia enquanto a diferença em relação a trens de terras estrangeiras aumenta a cada dia. Somos facilmente sufocados por consequências de causas negligenciadas. Qualquer novo Governo, passada a euforia da posse, afoga-se em questões pendentes, consequências da realidade e dedica-se a soluções corriqueiras abandonando suas ideias de renovação. Tantos são os interesses privados de tantos setores, que a vida nacional aparenta-se a uma colcha de retalhos perambulando nas costas de um mendigo na avenida do Tempo. 

Apesar de tal reforma, com altos e baixos, implicar democracia brasileira forjada com autoritarismo, traições e mentiras, o fato é que de 4 em 4 anos a máquina pública é entregue a grupos cujo “projeto de governo” é perfunctoriamente conhecido, cujos ministros e assessores são desconhecidos e muitas vezes visivelmente desqualificados, enquanto portadores de missões exclusivamente predatórias para o interesse público. Para os novos ocupantes, o Governo é um excelente balcão de negócios e só. São os “brasileiros espertos”, mas cegos quanto ao impacto de seus atos para o país. Um trem que está em risco na sua viagem futura e que cada vez mais chega em cada estação com menos produtos para vender e menos pessoas capacitadas.

E quanto às questões fundamentais, quem está falando em Educação, ciência , pesquisa? É! Mais uma vez a descura já está anunciada. E sem Educação de qualidade, todas as estruturas do país, públicas e privadas, não têm condição de ter boa qualidade e resultados aceitáveis. É a mão de obra capenga que promove a produção defeituosa e a comercialização sem ética e moral. A falta de Educação de qualidade já há muito tempo apresenta reflexo negativo em todos os setores da vida nacional. Ética, moral e amor ao Próximo ficam em terceiro plano no tal “capitalismo selvagem”, tocado à base de golpes e safadezas pessoais e institucionais.

Sem produção de qualidade, sem ter o que vender para o exterior, sem recursos no caixa, o qual é corroído por gastos com pessoal, corrupção, desperdício e problemas de falta de distribuição honesta de verbas, o Governo eleito em 2018 terá a missão de transformar a depressão em medidas concretas de progresso. Mas sem entendimento nacional, o Governo já desde o início poderá viver o clima de fim de festa, da terra devastada, mas sempre com o ar do “malandro agulha”, o refinado falido, que vive na euforia ilusória. Não é de se descartar que o FMI já deve estar por aí.

Certamente toda a verdade sobre a economia será evidenciada já no início de 2019.O resultado do desentendimento nacional será novamente posto na mesa e no bolso dos brasileiros e a Pátria poderá mais uma vez ser conduzida ao curral das nações arrebanhadas, onde curtirá a síndrome dos anos de cão vira lata. A quem aproveita tudo isto?

Tanta luta entre direita e esquerda e tudo que vemos no horizonte é um pálido futuro mergulhado em procrastinações, enquanto a violência, bruta e cada vez mais inédita, mina o tecido social; a direita, desejando mais produção e infraestrutura com menos impostos, mas cega quanto à esbugalhada mão de obra; a esquerda sonhando e pretendendo vender sonhos de seu defasado socialismo, num país sem caixa; um prometendo que se deve fazer o bolo para depois reparti-lo; o outro querendo comer o bolo antes da hora. De direita e esquerda, não fomos a lugar algum, só demos tímidos passos para  frente, como esforço para sair da estagnação.

Que “startup” gigantesca poderia aceitar o desafio de solucionar tal Nação?

Enfim, 2018, o ano estranho em que perdemos a chance de mudar, enquanto algumas hordas dos mesmos planejam suas estratégias para atrair eleitores e ganhar a permissão para adentrar os limites dos cofres dos Estados e União. Eleitos ou não, o  que encontrarão em 2019?



      

Odilon Reinhardt. 3/8/2018.



    

         



terça-feira, 3 de julho de 2018

Mais uma vez, o nada de novo.





                                               
                                       
                                           Mais uma vez, o nada de novo.  

                                           

 3.7.2018.
Com o foco na bola, grande porcentagem da mídia, ocupa-se com o rendimento do pão e do circo e deixa o país viver um pouco sem a agitação televisiva, que cultiva e turbina a ansiedade do dia a dia.  Há uma pausa e a população parece poder respirar sem as diárias e intensas chuveradas de negativismo coletivo. As notícias espalha-brasa ou espanta-gato cessam por alguns dias e há uma aparente calma na intenção de incluir o país inteiro em realidades mais atrozes nos grandes centros. Pode-se pensar assim em condições normais. Mas agora pensar assim seria uma “capitis de minutio” de qualquer cidadão pensante. A realidade produz notícias ruins a toda hora, impossível escondê-las.

Esvaziada a bola, encerrado o circo, volta-se ao pleno cotidiano televisivo de agitação da audiência, restando opção de desligar a TV ou não. Na verdade a realidade foi substituída, desfocada, mas nada cessou. O tempo é só um, o dinheiro é que determina a prioridade e intensidade das notícias. Tais fatos já não se repetem em 2018, pois a bola não conseguiu o efeito de abstração. O noticiário continuou dividindo o lance com a bola, mostrando os dias recheados de corrupção, violência, ações do crime organizado, operações do tráfico, deficiências na infraestrutura e serviços públicos etc. O efeito pão e circo parece não ter mais o efeito de anestesiar a Pátria.

A realidade em que estamos, com TV ou sem ela, continua a produzir consequências.  As questões estruturais que foram negligenciadas durante décadas pressionam a Nação e cutucam a realidade. Tomar conta de tais questões é agora demorado, mormente quando não há dinheiro. A maior questão estrutural, coluna vertebral do futuro é a Educação. Qual a estratégia de nossa educação formal? No ano das eleições algum candidato apresenta um plano de reformulação do sistema educacional? Tudo leva a pensar que o programa de governo de cada candidato é ele mesmo. O programa é a estratégia para ganhar as eleições. Depois é que verá o que fazer, de acordo com a vontade e mando de seus financiadores.  

Pressionado pelos vários setores da sociedade, o Governo tem que resolver problemas acumulados e urgentes no saneamento, na mobilidade, no meio ambiente, na economia etc. e a Educação vai ficando de lado, sendo esquecida, pois, como imaterial produz efeitos no indivíduo e é facilmente reduzida a problema individual e jamais coletivo. 

E assim , o  “ Leviatã” criado está nos engolindo lentamente. É o “ Gargantua e Pantacruel” que vão devorar a vida aqui. O sinal vermelho está acesso há pelo menos duas décadas. Não é brincadeira. Os jovens estão desqualificados para o mercado de trabalho mais avançado. As providências estão sendo exigidas, mas como tomá-las? Há tempo? Pouco para semear e colher a médio prazo. Muito para semear agora e colher em décadas. Que partido político se interessa por isso?

Estamos doentes, atropelados pelo que não foi feito, investido e criado. Agora a falta da colheita está fazendo realidade cruel e a população vive na exigência, quer o que não foi plantado. Os defeitos materiais são fruto da questão imaterial, a Educação.

Por falta de educação formal, por falta de qualificação apropriada ao mundo atual mais avançado, podemos estar perdendo a sintonia, ficando defasados em mão de obra especializada e principalmente em mentes pensantes para ciência e tecnologia. Podemos estar sendo condenados mesmo a ficar como fazenda do mundo e a população obrigada a trabalhos manuais e braçais.  Os jovens talvez tenham que ir se habituando como horizonte mais curto, pouco dinheiro e um bom lugar para cortar frango e entregar pizza.

A miséria do país é tanta que nem os europeus vindos depois de 1870 conseguiram sair da vida sofrida do campo, são vítimas da falta de escolas e infraestrutura, mal sabem falar o Português, tendo preservado dialetos da língua que nem mais existem no país de origem. São os capiaus, os colonos  do século 21, cultuando uma Itália, uma Alemanha, Polônia etc. que não existe mais. O movimento MST é formado por quem?

Na mistura étnica e cultural com a qual vamos formamos essa idiossincrasia nacional, somos o Brasil como ele é hoje, resultante de políticas públicas desde 1500. Sem educação pública, deu no que deu, um arremedo de “Frankstein” do mundo moderno em termos de desenvolvimento humano e material. Somos feitos de retalhos, ora de fazenda de grande valor, ora de tecido de baixa qualidade.

Por belas e novas avenidas continuam passando a miséria e o sucesso, o desprovido de letras, o vazio de tudo, a mediocridade e os arautos do progresso material mascarados de excelência e autoridade. O celular está na mão de qualquer um na feira experimental de eletrônicos que virou o país. Os bens materiais estão acessíveis a qualquer um que tenha crédito. Mas a cabeça, como está a cabeça? O que ali passa? O que carregam os cidadãos de todos os naipes? Como escrevem, o que podem entender?

A insegurança de futuro, o horizonte distante e miúdo, a preocupação com o umbigo, a desesperança quanto ao progresso bem sedimentado, a visão miúda do aqui-agora fazendo o dia, a perda da noção do certo e errado, o descrédito quanto ao porvir. Tudo tem um vir de indagação, de dúvida e deixa o cidadão carregando sua cabeça pesada, atormentada, pronta para explodir tal é insegurança quanto a realização dos planos, desejos e projetos pessoais, todos condicionados e formatados pelos sonhos ali enfiados pelos estímulos de modelos de nível econômico, tendente a propiciar e satisfazer a vaidade , a aceitação  no social, o orgulho etc. O único ponto de segurança é que a pessoa continuará a ser contrariada; viverá neste tom e deve estar pronta para se defender a qualquer momento, pois aqui o Próximo virou rival e inimigo e competidor e ladrão e assassino. 

É o Brasil feito do fisiológico, cada vez mais pele, emocional, carne. A falta de Educação nega o desenvolvimento do intelecto, o esclarecimento e o progresso mental. Sem Educação, a realidade é feita do bruto, do básico, do grotesco e os relacionamentos são feitos do tosco encontro entre mundos selvagens.

A mão de obra vem carimbada com este estigma. É sem qualidade, sem adereços mentais. Em qualquer ramo do mercado, há desqualificação. Basta um aquecimento de algum setor e já se observa a falta de mão de obra. Os reflexos econômicos são funestos e limitadores. O país habituou-se a investir pouco, plantar pouco e quando precisa, colhe o que plantou na safra da Educação.

Habituou-se a ser pequeno, um país para poucos, de chances para poucos. Continuou a cultuar o “karma” de cão vira-lata, a copiar moda e modelo do negativismo e seguir ideais piores dos mundos do primeiro escalão. Se formos ficar neste padrão, teremos que nos habituar a ele, aceitar seus limites e não se arvorar em querer alcançar padrões de primeiro ou segundo mundo. É uma questão de viver a realidade, assumir-se: o pobre convicto e feliz; o bom-selvagem. A estrutura de poder que criou para o povo crenças dessa natureza deve estar feliz e sentindo-se realizado em sua missão; conseguiu embotar um continente inteiro. Prevalece o nivelamento por baixo, com máscara de humildade.

Passada a época da vida de euforia e falsa luminosidade, como reagirão os jovens atuais e os das gerações próximas quando descobrirem que muito do “ prometido pelo mercado” não lhes será inacessível? Que pressão, tal lapso de consciência poderá exercer, para quem desejar cumprir seus sonhos de consumo e constatar que não poderá fazer nada? Hoje planta-se no sentido de “prometer “ padrões e modelos de aquisição de bens que possam corresponder a um grau de “ felicidade” e inclusão ou ascensão social sem garantir os meios. Como será a colheita? Como estarão os índices de furtos e roubos? Que força terão as milícias e esquadrões do crime organizado?  É o culto do material como expressão da aparência e de um sucesso sem mérito algum.

Sem estudo, sem Educação de qualidade, tudo será mais difícil, mais inacessível e o ego estará sempre sendo contrariado, oferecendo a ira social, a raiva do não ter, do não saber, o ciúme e a inveja do não poder. O medíocre estará raivoso e revoltado, querendo vingança pelo estado em que ficou. A revolta terá como origem a situação pessoal, mas ficará mascarada na multidão e esta terá alguma bandeira descorada de alguma revolução fantasiosa.   

Certamente a incompreensão e o inconformismo serão fortes nas exigências sociais. Ninguém desejará saber das causas, mas exigirá remédios para as  consequências e governos da época estarão em situação difícil na busca de contentamento da população. Como terá evoluído nosso autoritarismo, intolerância, inflexibilidade quanto às diferenças de opinião, corrupção, prepotência, violência física e mental? Como será a evolução de nosso modo desonesto, brejeiro, corrupto de fazer negócios? 

As consequências de uma população, sem educação de qualidade, serão fatais para os negócios, os empreendimentos, para as políticas públicas, serviço público e privado, pois a base para a qualificação e progresso social não é feita de uma semana para outra, mas pelo menos em duas décadas. Nem tudo no futuro será cortar frango e cuidar do gado. Será cada vez mais exigido esclarecimento, discernimento, capacidade de entendimento e diálogo, bom senso, vontade de crescer.

Nossos avanços materiais esquecem o ser humano. Está visível que a quaisquer quilômetros da rua principal das grandes cidades encontramos realidades do Brasil de 1920 a 1950. A infraestrutura vai se esvaindo no distanciamento das cidades, mas mesmo assim é melhor do que nas décadas mencionadas, todavia o que chama a atenção é a condição humana, o pensamento, o grau de esclarecimento e qualificação da mão de obra. A Educação foi esquecida, abandonada. Máquinas mais refinadas poderão ficar paradas por falta de operadores ou técnicos de manutenção com maior frequência. Uma realidade a ser amplificada, pois hoje já há máquinas que ficam paradas esperando o técnico de manutenção que vem da Europa ou outro país. Há máquinas sofisticadas, doadas ou adquiridas, que nem chegam a sair da caixa por falta de mão de obra.   

Em 2018, há uma esperada eleição que seria esquina do tempo, mas nada. Os políticos não esboçam nenhum sinal de mudança; estão acomodados, jogando o mesmo jogo, as mesmas regras, o mesmo baralho velho e marcado. Não há planos novos que possam ser tomados com atenção; só palavras de faz de conta. A nossa evolução como sociedade tem sua manha, seu jeito. Estamos atrasados por que ficamos atrasados e é este o nosso passo, é esta nossa picada ainda para sair do mato da nossa cultura, sovada e assada desde 1500. O nosso aprendizado coletivo segue lento, com anos de avanço e anos de reprovação e assim prosseguimos em nossa História. Nosso subdesenvolvimento tem raízes coloniais e estigmas do rural e do selvagem e levará décadas e décadas para chegar à civilização plena. 

Mudanças de gestão poderão ocorrer, mas não de atitudes e de pensamento. Ainda levará décadas até a colheita, se hoje pudermos plantar algo de bom. E plantar é só na Educação. Poderemos continuar com obras para fazer propina, talvez agora com maior sofisticação em seu pagamento, mas elas só serão o material e nunca o espiritual para a mudança. A carroça de legumes que passa pela picada até a cidade pode passar por uma bela avenida, mas continuará uma carroça, um veículo de passeio ou será um caminhão de legumes, mas seu motorista continuará a ser o mesmo, com o mesmo comportamento tosco, autoritário, intolerante, inflexível, egoístico, violento, pronto para qualquer devaneio.

A vida continuará a produzir seres moralmente desqualificados para os setores da vida produtiva; a produzir cidadãos grotescos na aparência e no comportamento; a propiciar os negócios feitos com corrupção, desonestidade, eivados de má–fé, antiéticos, irresponsáveis e descomprometidos com o país, mas perfeitamente adequados ao umbigo de cada um.

E tal cenário social, certamente viverá momentos ainda mais intensos de contrariedade, violência, ações e reações egoísticas, fazendo com que o relacionamento pessoal seja mais violento e animalesco. E o rebanho está ficando velho, calejado, sem esperanças e sem nada para perder. Pessoas para as quais a verdade já silenciou na boca por falta de palavras, mas que pode embalar a mão de seus descendentes, já espoletas de revolta.  Cresce o desrespeito aos padrões de vida digna e inteligente. Aumenta o desrespeito às instituições e autoridades, aumenta a atuação dos meios de polícia. Há sinal pior de semente de má qualidade?  Uma sociedade onde a educação não é a prioridade para todos é regida pelo fisiológico, pela emoção, pela carne e isto não é um modo de vida de bons resultados. A estratégia melhor seria priorizar a educação como meio justo de “subir na vida”. Na falta ou negligência quanto a dar estímulos para que os jovens decidam adotar os estudos como meio de progresso pessoal, o que se pode esperar é descaso, depois revolta.

Hoje já se pode ver que qualquer um, a qualquer tempo e por qualquer razão, não descartado o devaneio, a loucura pessoal, pode pelo celular arregimentar seguidores para iniciar um ataque ao Próximo ou a uma instituição. Basta que o convite encontre respaldo na ira popular, estocada em razão de inúmeros problemas pessoais e coletivos e inicia-se uma crise sem precedentes. Com a  ansiedade provocada pela época atual, todos querem resultados rápidos, o que é impossível em muitos casos, principalmente na Educação.

Basta um “hoje tem quebra-quebra na rua tal...” e lá vai cada um fazer a multidão explodir, procurando mudar algo, por meios que não incluem a possibilidade de diálogo, mas, sim, vontade de desabafar sem nada resolver. 

Só a Educação de qualidade, com objetivos de formar seres livres e conhecedores da universalidade de conhecimentos, pode ajudar cada pessoa a pensar melhor, a ter metas superiores de vida, a desejar alcançar inteligência que possa ajudar a melhorar a vida e a convivência.  Sem Educação, só se conhece a mediocridade da manada e seus condicionamentos baixos e fisiológicos do animal, querendo sobreviver e entregando-se à manipulação, à falsa condução. Sem Educação não há valorização de ideais inteligentes nem de valores da Nação.

Na última ocasião de demonstração de descompromisso com a democracia e seus meios de debate, a desobediência civil, o desrespeito ao cidadão e sua família, vimos os sinais perigosos da mentalidade incendiária; cada um se sentiu mais perto do que deve ser países onde a gestão do Governo com erros estratégicos que levam ao desabastecimento, pobreza, agravamento de tudo. A má gestão da coisa pública pode, sim, levar ao caos, invasões, saques, crimes etc. E mais, levar o cidadão a ver no Próximo um rival e um competidor. É imperdoável a negligência, pois o tempo cobrará em vidas e no material o descaso com a Educação. Nenhum país consegue sobreviver dignamente sem ela. No mundo atual, um país pode aguentar por algumas décadas , mas logo ficará clara sua posição escravizada.

Difícil não recorrer a David Nasser que em 1963 escreveu, incrível “a indiferença do brasileiro do centro, do brasileiro acomodado, contemplativo, preso a um Brasil brasileiro, que não mais existe, certo de que Deus ainda é brasileiro, convencido de quem sempre haverá um jeitinho...”.

2018, ano de eleições, em que se esperava, depois de tantas revelações sobre a verdade de nossas empresas públicas, políticos, corrupção etc., alguma mudança substancial, dá sinais de que pouco mudará e que continuaremos sem plantar corretamente. Ainda não há união para repensar o Brasil, só umbigos a preservar. Enquanto nosso processo de evolução vai prosseguindo com graves sinais de agravamento da questão humana com reflexos diretos na produção.  Em alguma geração para frente, algo pior acontecerá. Até lá iremos vivendo neste empurra-empurra para a gestão seguinte, a qual, cada vez mais, estará atolada com seu funcionalismo arcaico de mentalidade sofrível e com seus nababos e marajás do médio e alto escalão dos Poderes, querendo mais e mais benefícios, numa espoliação irresponsável e inconsequente do erário sustentado pelo povo e empresas privadas. 

Odilon Reinhardt.  3.7.2018.                    
            

domingo, 3 de junho de 2018

Pensar em reformas que sejam necessárias, não ilusórias.




                    

 3.6.2018

                            Pensar em reformas que sejam necessárias, não ilusórias.

Antes de mudar, o país precisa pensar. Algumas ideias têm surgido a esmo, mas ficam de lado porque sufocadas pelos interesses predominantemente políticos de momento. Já é algo, um início, que mostra que há gente patriota e interessada nas futuras gerações. Falta união, todavia. As mudanças devem atender à Nação, ao país e não a esquemas de interesses de partidos e seus meios de financiamento, os quais transformam interesses privado em público e só dão prioridade a ideias umbilicais de momento e que sirvam ao propósito eleitoreiro, a preservação do umbigo.
Ideais que se encaixem nos objetivos justos e benéficos para a Nação estão longe de serem complexas, se despojadas dos interesses mesquinhos dos inquilinos do Poder a qualquer tempo. Os objetivos de uma reforma não passam de ajustar o Estado para que qualquer cidadão sinta-se seguro, saudável e educado para colocar em prática seus objetivos pessoais de humano comum. A base da Nação é o cidadão forte e bem instruído.
A Constituição da República prevê que os fundamentos da República são a dignidade humana, a cidadania e os valores sociais do trabalho e os objetivos são ter uma sociedade livre, justa, solidária, desenvolvimento nacional e promoção do bem de todos. Não é nada complexo nem enliado em algo místico se os cérebros estiverem limpos para pensar sem a contaminação de ideologias pequenas.
Certamente, não se objetiva tornar o cidadão comum um “Robocop” nem um  Sócrates nem um Diderot, bastando que o cidadão se sinta confortável, seguro, livre para fazer sua vida com prosperidade e sinta-se feliz, saudável para procriar e produzir conforme seus valores e objetivos pessoais, educado para se qualificar e entender e criticar o que se passa em sua pátria. Não é cultuando o negativismo, adotando modelos errados de outros países e sempre pensando no caos que iremos atingir algo bom.
Ajustar o Estado, mediante verdadeiras revoluções culturais é uma lenta missão, atualmente exemplificada com a atual operação chamada Lava-jato, que iniciou cheia de dúvidas, sem saber a intensidade e profundidade do mal que estava fadada a combater: a corrupção. Novas gerações e as atuais sentiram na carne o efeito da corrupção e como ela segue arraigada no comportamento nacional com evidências claras na coluna vertebral da política nacional. Embora os esquemas nacionais resistam ao seu desmonte e esquemas estaduais estejam aos poucos sendo revelados, a luta contra a corrupção é essencial, necessária e justa. Implica Amor ao Próximo e ao país, não pelo valor monetário envolvido, mas pela existência cruel de uma índole perversa de oportunismo, de falta de valor quanto ao trabalho, da desigualdade na concorrência, de espírito de vantagem sem fim etc. Parte de uma cultura nefasta.
Outras revoluções, igualmente culturais, dizem respeito ao comportamento de cada cidadão na sua vida pessoal e quando ocupante do Poder. Toda e qualquer revolução, neste campo pacífico e educacional, deve tender ao alcance de uma realidade nacional em que qualquer cidadão não tenha vergonha de ser patriota, de cantar hinos da pátria e não tenha vergonha de dizer que é brasileiro, que vem da América do Sul; mas que se sinta orgulhoso de dizer que é brasileiro em qualquer lugar o mundo e que isto não represente ser alguém vindo de uma terra nos confins da América onde só há banana, café, turismo sexual, futebol, carnaval, caipirinha, as praias do Rio e corrupção moral, financeira, ética etc. O ideal é que se sinta orgulhoso e confiante nas pessoas que ocupam as instituições nacionais e agradeça ao apoio do Exército Nacional, a Justiça, a Promotoria Pública e a Polícia Federal.
O orgulho de ser brasileiro tem que ser resgatado e as reformas têm que se dirigir para os objetivos nacionais, fazendo com que a síndrome do “cachorro vira-lata” deixe de prevalecer. Para este fim, é necessário sacrifício para um objetivo comum, o engrandecimento do Brasil. Como construir e avançar solidamente baseando-se em cidadãos com problemas constantes de  autoestima, depressão, tentando a toda hora fugir para vícios danosos etc., o que os leva a viver no limite, enfraquecendo a mão de obra para todos os setores. Como depender de alquebrados cidadãos para construir e avançar?
É certo que fazer mudanças com dinheiro mal distribuído no orçamento é um desafio. São mais de três bilhões recolhidos em impostos por dia e o Governo apresenta déficit mensal. Dificilmente, em tal contexto, qualquer item de reforma deixará ser restritiva e com viés de diminuir o Estado em suas funções atuais. Por isso mesmo, é exigido pensamento e sabedoria para fazer reformas que garantam a receita tributária, não estufem o Estado e garantam o progresso do cidadão e das empresas dentro dos princípios de ordem, progresso, economia de mercado livre e foco no humano.
Não podem ser reformas só para adequação de orçamento e adequações politiqueiras de momento em tempos de crise econômica, pois quando o país voltar a crescer em 2020, iremos ver que adotamos reformas de mente pequena, baseados em sacrifício do humano e favorecendo empresas e Municípios que não recolhem tributos porque a fiscalização é precária ou má conduzida.
É preciso criar objetivos mais nobres, que contribuam para a construção de uma conjuntura a fim de fazer com que os jovens queiram vencer pelos estudos; que a população deseje vencer seu umbigo animalesco e fisiológico e ache soluções para seu futuro e que este não seja entendido como algo que vai cair do céu, ou seja, fruto de um grupo de políticos eleitos ou não, como parte de um sonho paternalista e de marcante influência religiosa mal repassada para a população.  O cidadão reduzido ao fisiológico é presa fácil do individualismo, do pragmatismo, do racionalismo animalesco, frio e calculista, do utilitarismo etc. Vive, portanto, como refém de condicionantes  destas linhas filosóficas, as quais são facilmente transferidas da linha produção-comércio para o relacionamento pessoal, cheio de contrariedades, conflitos, violência e selvageria. Prevalece o tosco, o bruto, o violento, no egoístico esforço de sobrevivência em competição e rivalidade como o Próximo.
A Educação formal e de qualidade é que poderá fazer o país trabalhar para exportar, ganhar divisas, dinheiro novo, com a qual poderá ser criado algo mais elevado coletivamente. Sem educação continuaremos a ver cenas de fisiologismo explícito em todos os campos com a predominância da selvageria, do quebra-quebra, da ignorância, da invasão de prédios públicos e baixaria física e intelectual. Repito sempre Darci Ribeiro que antes de morrer disse que havia sido vencido em seus objetivos para a Educação, fracassado, mas seu fracasso era sua vitória, pois jamais gostaria de viver um dia do futuro de seus vencedores.  É o que estamos vendo atualmente.
A nossa pátria não crescerá com ideologias defasadas no tempo que só recebem adeptos em tempos de crise e miséria, colocando-se como salvadora das gentes e no objetivo de se aproveitar da população a fim de alçar ao Poder um grupo de comando perpétuo de grupos de poucos.
Se continuarmos a apedrejar as Instituições e desejar o negativo, vamos tê-lo e o ego será o regente da vida sem exceção. Se todos só desejam o mal, ele virá, pois vem fácil. Construir leva tempo, destruir é muito fácil. Uma vez conquistadas, na evolução de uma sociedade, a Democracia, a Ordem e o Progresso como objetivos nobres à coletividade, não é com ego e ignorância que faremos algo bom. Se acreditarmos em igualdade social e liberdade, sem trabalho e dedicação, esperando ajuda paterna, logo veremos as divisas acabarem e a economia nos fustigar com dias muito piores. Brincar com a Economia é negar que 2+2 são quatro.
A briga entre direita e esquerda não deixa o país ir para frente; são necessários objetivos patrióticos, com base no amor à Pátria, amor ao Próximo, união nacional para objetivos comuns.Na falta deles,estaremos sempre nas fronteiras perigosas da miséria intelectual com reflexos diretos na material. Não há milagre sem Educação. Mais perigoso é aceitar o nivelamento por baixo, a mediocridade e assumir como irremediáveis e aceitáveis os padrões de miséria.
Com pessoas sem espírito esclarecido, sem objetivos que levam a uma vida sólida, estável e acreditável, ficaremos sempre na beira da estrada do progresso e, pior, à mercê de ideologias baratas, principalmente, a niilista, que deseja infantilmente, ver o fundo do poço, o caos, para daí reconstruir tudo dentro de sua concepção de mundo imaginado há mais de 100 anos atrás, tudo ,certamente, baseado na antidemocracia, no anticapitalismo e sempre norteando-se pelo princípio de “ quanto mais carente e inculto o povo, mais fácil controlá-lo e mais fácil perpetuar-se no Poder, como um clubinho partidário, sustentado obviamente por pesada propaganda mentirosa e fascista”. Pessoas sem esclarecimento são alvo fácil disto, pois por falta de visão crítica advinda de uma Educação formal, tendem a desconhecer leis, regras, estruturas do Governo e órgãos públicos, o vocabulário formal e desacreditam tudo que é formal e estabelecido, partindo do pressuposto ainda mais atrasado de que a estrutura social existente não lhes deu nada e , portanto, é necessário destruí-la, para que consigam sair da miséria. Crença que é bem estimulada quando se revela que políticos e seus partidos por décadas só cuidaram de enriquecer à base de propinas e interesses pessoais divorciados do povo. Isto só favorece a frase dita por um escrito famoso carioca “o Brasil conhecerá a barbárie antes de chegar á civilização”.
Na ausência de políticas claras e duradouras, ficaremos expostos a cutucões de movimentos políticos de momento, que visam resolver problemas do umbigo de cada um, seja mediante a promoção do caos em setores específicos ou colocando a sociedade toda em apuros de economia de guerra, sem nenhum pudor ou preocupação com o cidadão, sua família e a sociedade organizada num total desrespeito à dignidade humana. Deve-se lembrar da frase de um famoso carnavalesco “o povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é o intelectual”.
Só resta lembrar que o Exército tem por função institucional manter a Ordem e a Democracia. Qualquer delas em situação concreta de perigo faz com que o Exército tenha que atuar.  Mas seu objetivo está limitado a tal, sem arvorar-se em governar ou transformar o país em um quartel.
Outro desafio é fazer com que os donos de interesses possam ser convencidos da natureza das mudanças necessárias, pois mudança nunca é bem vinda para quem não quer se preocupar com novos sistemas e modos de gerir a vida. O comodismo e a preguiça são parceiras da estabilidade para alguns ,que cegos, não veem a realidade necessitando de mudanças e não identificam o crescimento de realidades que vem se formando aos poucos. Adoram o chavão” não se mexe em time que está ganhando ”. A questão é saber se a vitória é de qualidade ou é egoística. Mas é sempre legítima a resistência pacífica e bem fundamentada ao populismo e à politicagem eleitoreira, quando se sabe que são medidas para o momento e que não levam a nada de bom para o futuro. Fantasmas que sempre rondam a América do Sul e seus países com tendência ao caudilhismo. Faltou identidade e caráter para fazer frente às medidas populares dos últimos 10 anos e agora a crise sem precedentes num país caído, administrado no limite de tudo. A quem aproveitam a fome, o desabastecimento, a mortandade e a ameaça à vida e à Ordem e Democracia?
É certo que em país emergente, a História é nova e tudo está ainda em formação, mas a pouca experiência democrática tem demonstrado que populismo e socialismo só são possíveis com muito dinheiro em reservas. Como estas acabaram e o país é administrado no limite, vale o que já disseram: “o socialismo é bom, até que acabe o teu dinheiro”.
O momento então passa a ser de repensar e pensar em como reconstruir as bases para o futuro. Quem pensa no futuro quando o presente ocupa todas as preocupações para a mera sobrevivência e a classe política está preocupada com as eleições?
O maior desafio do pensamento é livrar-se de certos itens de cultura que foram se apegando ao comportamento e viciando as bases do pensar.
Será muito difícil qualquer mudança, se continuarmos a ver o acesso a cargos públicos e emprego público como a grande oportunidade de vida “para se fazer, se arrumar “, fazendo do Governo um grande balcão de negócios, numa grande venda, onde a eleição e o concurso público são passaportes para enricar e ser importante em esquemas de quadrilhas que assaltam de tempos em tempos os cofres públicos pela via indireta do superfaturamento de obras e serviços, falsas contratações etc. ou simplesmente se aposentar .
Muitos pensadores nos inúmeros setores do país certamente terão suas ideais, mas a reforma mais fundamental será a da educação que em longo prazo acabará com todas as mazelas que se possa apontar para a realidade atual.
A Educação serve para as novas gerações poderem construir o seu país e não persistam em ficar esperando que os céus possam melhorar. Hoje, para a grande maioria da população, Deus explica tudo que a falta de esclarecimento não deixa entender na vida. Com Educação de qualidade, os jovens poderão também entender o lado espiritual de tudo, o cerne da questão, e lutar contra o ego, buscando a reforma interior, base para toda a construção exterior.
Enquanto, o adequado nível de esclarecimento não é alcançado, a realidade favorece a espera de alguém forte para colocar a fazenda em ordem, alguém com poderes de Super-homem, que venha resolver com autoritarismo, disciplina, censura, patrulhamento etc. a vida, que milhares de pessoas com suas associações, partidos etc. não têm conseguido. Tal espera é bizarro objetivo de quem não conhece a História e seus desdobramentos e nega que a solução verdadeira é a democrática, construída no debate e evolução dos meios de participação.
Sem Educação formal, clássica e enciclopédica como prioridade, nada vai acontecer de sério nos próximos 20 anos. Seria excelente plantar agora para colher no futuro, mas isto não dá voto, não garante a reeleição, posto que são obras invisíveis. Ademais, a Educação de qualidade qualifica, abre a visão, aumenta o espírito crítico e as exigências do cidadão. A quem interessaria isto?
Enquanto tudo é lento em reformas de base realmente necessárias, justas, sóbrias,continuaremos egóicos, contrariados, e, portanto, intolerantes, autoritários, inflexíveis, violentos física e moralmente, conservadores burros, oportunistas do “ganha-ganha”, concentrados no umbigo e sem paciência para o debate.
Diante de 96 % de semianalfabetos, onde só 8% podem ler e interpretar um texto, nada mudará para melhor, se nada continuar a ser feito na Educação. Repita-se, cidadãos, sem conhecimento da estrutura estatal e da vida formal, não têm condição de dar valor aos órgãos e ao patrimônio público e muito menos ao Próximo, o qual é visto como inimigo a ser eliminado; não têm nada a perder, mormente quando todo o arcabouço estatal não lhes ajuda a melhorar a vida. E nossas instituições, por outro lado, continuarão a ser ocupadas por muitas pessoas que espelham a mentalidade feita pela realidade econômica, política e social, com a missão de preservar o umbigo, antes de tudo. São excelentes instituições com seus estatutos, regulamentos, missões constitucionais, mas onde pessoas agem conforme a cultura do país e não deixam de refletir a pobreza intelectual norteada por objetivos pouco nobres.
Este desconhecimento dos meios formais assume mais força e abre campo para a bagunça, a qualquer tempo e por qualquer motivo, quando hoje a sociedade começa a se organizar horizontalmente através das redes sociais, agindo emocionalmente, desrespeitando regras e os instrumentos de representação tradicionais, os quais estão sendo rejeitados e menosprezados como legítimos representantes do popular. Desafio para as instituições e para o Governo. É preciso saber ler os sinais que a realidade está dando, para possível adequação do Governo e instituições aos tempos atuais.    
Para mudar é preciso muito mais do que palavras bonitas e frases de efeito e de mera esperança por parte de políticos amedrontados pelo que poderá surgir  das urnas em 2018. Falsamente despidos de suas mazelas e culpas individuais, políticos apresentam-se como inusitados idealistas, encampando os desejos populares, muitos de momento.
Sem Educação e afogados em burocracia, corrupção, dúvidas e desconfiança,  passados 518 anos e ainda estamos perguntando que Brasil queremos.  
Robert Frost, poeta, escreveu o poema “The Road not Taken” onde disse :
“Two roads diverged in a wood, and I-  I took the one less travelled by, and that has made all the difference. “

Odilon Reinhardt.    3.6.2018 
 

               

                                                                      
                                                                                                                                     
       

quinta-feira, 3 de maio de 2018

O Brasil que queremos....


  




                                       







 

                                         O Brasil que queremos, agora ainda não.    
                                          Para as gerações novas, só muito depois.




                               Do autóctone das matas ao astronauta, do ribeirinho ao imigrante refugiado  este é o Brasil em sua mistura populacional, onde há gente ainda vivendo o Brasil da monarquia, o da república de 1910 ou 1932, 1950 ou 1964 até os anos atuais, com pouca ou muito lenta evolução civilizatória e sempre perto da selvageria moral e física, da prática concreta do fisiologismo egoístico e do rude e tosco sobreviver.
Perdemos o imã do progresso e desconcertamos o pouco que tínhamos em termos de civilização. O país ficou demente com graves prejuízos para sua autonomia e independência. Entretanto, se houve avanço político-social, pode-se considerar que o país ficou forçosamente democrático, pelo menos em ímpetos de consumo, tendo grande parte da elite político–econômica revelado ser da pior espécie em Governo e em caráter ao ter elaborado e adotado um sistema egoístico para se perpetuar no Poder. Sem dúvida um bando refinado de subdesenvolvidos caloteiros oportunistas, ora financiando ora sugando, mas sempre usando o Governo. 
A falta de boa e ajustada Educação de qualidade para todos estagnou para ser a maior pedra no caminho da intenção de obter o progresso almejado pela Constituição. Com o objetivo de democratizar o ensino, desvalorizou-se o colégio público para que grupos privados se ocupassem da Educação ao seu modo e prazer lucrativo. Abandonou-se quem não podia pagar, a população. Perdeu-se precioso tempo de preparo da mão de obra e de pensadores para inserir o país no mundo progressista. Um erro estratégico colossal. Só igualado pelo controle de natalidade quando se tentava transformar o país em quartel, com orçamento apertado face o fechamento das relações com o mundo econômico.  
Ficamos assim como meio selvagens e meio esclarecidos, que diante de uma novidade qualquer não sabem, se a destroem ou a tornam um deus.  Ficamos discutindo ideias ultrapassadas sejam de direita sejam de esquerda enquanto o mundo evoluía e agora pode ser que oportunidades de mudança já tenham passado.  Direita, centro ou esquerda no Governo, qualquer que seja  dependerá de um só item: a receita tributária, vinda do “consumo”. Os números têm mostrado “saldo negativo” crônico e apontam para o dia do encontro final com a realidade da Economia.   Sem consumo, não há tributo, sem este, o Estado entra em perigo. Fracassamos no comércio exterior e nossa diplomacia ainda é preparada para transitar em castelos que não existem mais e vive nos tempos do Barão do Rio Branco, apesar de valorosos diplomatas e cônsules de talento, que resistem às pedras do caminho. O mundo mudou e nossa diplomacia é obrigada a seguir diretivas políticas ocasionais e vazias no tempo e no espaço.  
Teríamos atingido o “no turning point” num dolorido processo de atraso?  Para as gerações atuais e seguintes até 30 anos, sim. Só o bebê, que esteja nascendo hoje, poderá ver o futuro diferente, se receber adequada Educação, caso contrário nada mudará.
Sem Educação formal adequada, estaremos retardando qualquer processo de mudança estável e que signifique progresso. Apesar da aparente deterioração dos centros urbanos e a já agonia de seus cidadãos, o país dificilmente conhecerá avanço humano, mesmo que a idiossincrasia de sua população é sua maior fonte de compensação. Se o Norte vive uma realidade por alguns tempos, o Sul pode a desconhecer e vice–versa. Essa imensa diversidade apresenta-se também como garantia contra qualquer radicalismo de regime de esquerda ou direita. Nada vira caos suficiente para abalar o país como um todo, justamente por causa das diferenças regionais em cultura, população, política e economia popular. A miséria e as diferenças de realidade, até certo ponto, são garantia contra o caos uniforme e a radicalização.
Mas é bom não abusar deste aspecto, pois a latência da insatisfação individual pode a qualquer momento unir-se em ato coletivo, bastando o acendimento de um estopim gerado por motivo qualquer, como, por exemplo, o aumento de uma passagem de ônibus, o que provocou as manifestações ao início pacíficas em São Paulo, mas espalhando-se logo a seguir pelo país de modo violento, como que gritando a dor de toda uma população nacional, a qual, até então, curtia a insatisfação individualmente. O Brasil acordou ali mais uma vez. A população deu o recado democraticamente. E é assim, uma massa insatisfeita vai sempre reagir de acordo com sua qualidade de educação e meios.
Considerando que no Brasil dificilmente pais de família e trabalhadores têm se expostos em manifestações de rua mais agressivas, embora estejam original e massiçamente muito insatisfeitos, a demonstração de revolta tem ficado por conta de jovens e aí qualquer proposta meramente abstrata e libertária ganha a rua onde as “ideologias” se misturam confusamente em qualquer utopia ou fantasia sob o comando de lideranças com ou sem bandeira. Os atos diversificados acontecem sem que se explique claramente a motivação e sem que o ativista saiba mesmo o porquê de estar ali, mas toda a autoridade contestada e odiada no momento fica dirigida contra o mero policial militar ou soldado de exército, destacado para a missão local. O protesto acaba sendo resumido como briga de rua entre anônimos revoltados, por múltiplas razões disformes e individuais, e a polícia.  O resultado político é indeterminado até as eleições, dependendo só do prolongamento das manifestações e seu impacto para a produção e comércio.  No mais, a manifestação mesmo que mais séria e abrangente, foi só uma válvula de escape temporária, já que nenhum Governo eleito é deposto, no regime democrático, por demonstrações de rua. Esta é a grande vantagem de um país continental, mesmo assim é bom não se aproveitar de tal aspecto. A massa tem suas forças de boiada.       
Poderemos demorar pares de décadas para atingir os estágios de civilização mais evoluída, mas chegaremos lá. Para o arrepio das gerações atuais, não adianta lamentar nada, para elas nada mudará ainda, daí talvez o desespero atual de certas camadas da sociedade ao saber que estão barradas em possibilidade de mobilidade e ficarão estacionadas com a forte tendência de queda em face da idade e aposentadoria. O que está errado continuará errado, talvez com picos de agravamento, mas progressivamente com viés de mudança, mesmo porque uma sociedade tão diversa só será nivelada pela Educação formal adequada e de nível, uma que faça pensar, criticar e não uma que só ensine matérias básicas e prepare o indivíduo para a linha de produção. Uma que desenvolva o potencial das crianças e não sirva para formar só cegos seguidores. 
Mesmo o nivelamento das conquistas materiais em infraestrutura etc. demorará muitas décadas face à diversidade geográfica, embora tal nivelamento possa ser objeto de maiores avanços, dependendo do investimento feito e o interesse a ser atendido.  As diferenças regionais existem face setores que estão muito bem em algumas regiões com sucesso até internacional, o que não é visto em outros setores. É óbvio que mesmo nas regiões progressistas, o sucesso material não é acompanhado de sucesso na evolução humana, apesar de todos os esforços. O Rio de Janeiro é o exemplo mais grave. Progresso material sem reflexo na evolução humana é fantasia, ilusão de momento.  O nivelamento não é obtido porque o sistema continua errando ao não ver a parte humana do progresso. O país se deixa usar pelos interesses que não são públicos. Por que há favelas em volta das indústrias? Por que basta a instalação de uma fábrica em uma cidade, onde nunca houve indústria, e logo surgem favelas no entorno?   
O momento a que chegamos na evolução como povo, aqui existente em terra de colônia, é uma das muitas esquinas históricas que enfrentamos e vamos enfrentar. É um instante que exige reflexão e decisão precisa, atributos de difícil endereço aqui. Não sendo possível unificar ou mudar a cultura por uma canetada, não sendo possível mudar a cabeça do cidadão, tão diversamente distribuído pelas várias realidades do país, a reforma mais plausível, possível e factível é a mudança do modo de gestão da coisa pública, sua estrutura e seu modo de existir. Tal gestão parece ser caótica em alguns pontos, mas no geral é absurdamente cara e sem qualquer dúvida um dos centros de desperdício a serem tratados com atenção. Se nada for feito, um dia o elefante vai atolar.  
Até agora, na mão de um sistema arcaico, intencionalmente burocrático, arrogante e monárquico, “momesco” e vazio de espírito, com vários balcões de negócio e sinecuras preenchidas à custa dos impostos, pouco conseguimos além do enriquecimento dos próprios inquilinos de Palácios, todos compromissados com interesses de seus financiadores, enquanto, passo a passo, entramos num viés de aumento da selvageria nas relações pessoais, marcando momentos de desespero e horrendos exemplos de desamor ao Próximo, mas louvor ao umbigo e aos motivos e intenções egoísticas jamais vistas.
É o Brasil doente, onde as pessoas já desacreditam de tudo, pois a gestão tem se mostrado errada por décadas; os Governos tropeçam na incapacidade pessoal do gestor e na ineficiência do próprio sistema em continuidade; têm funcionado para si mesmo e muito a favor de seus ocupantes, todos movidos pela cultura de “agora eu vou me arrumar”, “ganhar sem muito trabalhar”, considerando o Tesouro como uma mina a desbravar ao seu bem querer e com a sempre presente sensação de que o mandato é um passaporte para o livre proceder, furtar para se garantir e porque não se perpetuar na fictícia sensação de pertencer à “nobreza”.
Já se configura mais ou menos o quadro de candidatos para 2018, os mesmos. Todos com seus esquemas, apoiadores e más intenções. Mudanças então, onde, quando, com quem, para quem?  O sistema que os rege é o mesmo.
E o que dizer dos sistemas de controle e fiscalização, que nunca barraram ou intimidaram a malandragem oficial. Companhias do Governo e economias mistas estaduais continuam gastando como se fossem extensão das secretarias de Estado ou Ministérios, o que catapulta o valor das tarifas e preços públicos sem que a população saiba que tudo poderia ser muito mais barato. Quantos milhões escorrem por esta raia, ainda considerada miúda, face os grandes escândalos já conhecidos a nível federal?  
Assim ainda conviveremos ainda com políticas desencontradas, com medidas que punem as consequências sem tratar da causa, com a falta de entrosamento entre órgãos públicos, marcadamente em função dos seus ocupantes, indicados por partidos políticos diferentes e peritos em interesses os mais variados possíveis, todos a minar a Administração. Perdidos nos tiroteios do Poder e brigas de corredor palaciano, os Governos têm recorrido a protelar estatísticas, esconder mudanças na realidade agravada, manipular mensagens em eterna preocupação com a imagem eleitoreira, adotar discursos cheios de sofismas, falsamente positivos, sempre apontando para medidas ou obras futuras, mas nunca mostrando medidas eficazes e concretas.  E mais, através de psicologia de massa, há frequente estímulo para que a população seja complacente com a mediocridade reinante no Governo; provoca o frequente desvio de atenção para problemas amplificados e doenças, cuja gravidade é largamente ampliada, fazendo com que o indivíduo sinta-se ameaçado quanto à liberdade de ainda estar vivo, vendo o Governo como o grande salvador ou valorizando mais seus problemas pessoais com o consequente abandono do coletivo. Mais ainda, fazer com que a culpa pelas mazelas da realidade recaia sobre o próprio indivíduo, fazendo-o sentir-se  culpado por não ter qualificação, não ter saúde, não ter conseguido nada. Mas os Governos sempre surgem com o “amanhã tudo será diferente e melhor, depois de passada a crise”. Os meios são plurais quando se trata de escamotear a realidade e preservar a imagem política. Vale o “se colar, colou”, ícone de uma geração que tem se enganado e vem mentindo para si mesma.  
Com anos e anos de políticos nos Governos, experimentando modos de gestão kamikaze, já está por demais claro, que o problema, em grande parte, está na gestão e no gestor. A desculpa mais frequente acaba sendo a falta de recursos, mas basta mudar a direção de um órgão e os recursos aparecem ou desaparecem de vez. E a população é levada a engolir tal desculpa.  A cada novo Governo, vemos que as iniciativas são pessoais; há pequenas melhorias, avanços na burocracia, barroca e grudenta; medidas óbvias que poderiam ter sido adotadas a qualquer tempo em Governos anteriores, mas por que não foram? Porque havia pessoas e seus interesses pessoais diretos e indiretos que seriam contrariados. Tudo é muito lento, quase cosmético e de impacto eleitoreiro e sem qualquer garantia de durabilidade. Quem pensa o Brasil de longo prazo? O Ministério do Planejamento, qual a sua transparência? Quem poderia participar da leitura de seus planos? Há planos diferentes dos planos para 4 anos do Governo do momento?  O desenvolvimento humano da Nação entra no planejamento ou este é feito só para obras?  Há planejamento? Qual sua orientação e parte mais acreditável?
Delfim Neto, na época de hiperinflação, 2% ao dia indo para 3%, disse para a imprensa, atordoando alguns ouvintes, que “a inflação é decisão política”. É o que podemos constatar em várias ocasiões. O perigo maior parece então ser a decisão de manipular a inflação por motivos eleitoreiros. Em ano eleitoral já vimos Governos criarem euforia econômica e fazerem o país crescer falsamente 7% no PIB; já vimos decisões de segurar tarifas públicas como luz ou segurar o preço dos combustíveis, fazer renúncia fiscal para aumentar o consumo e dar o ilusório cenário de fartura e prosperidade, e podemos estar diante de outras estratégias quanto ao juro e inflação para estimular a economia e para a mesma finalidade eleitoreira. Mas sempre temos descoberto, em dias de mais dor, que passado o ano das eleições, tudo volta ao que deve ser como resultado do verdadeiro passo da economia, onde 2 mais dois são quatro e não há outra verdade. 
O fato é que após tantas manobras e estratégias, passo a passo, estamos piorando os índices sociais com reflexos para a produção. As pessoas vão perdendo resquícios de humanidade e vão vendo a humanidade animal, o ego prevalecer. Estabelece-se aos poucos a cultura regida pelo utilitarismo, pragmatismo, individualismo vindos da linha de produção como única referência filosófica a seguir. Prevalece, então, o zero de refinamento, o zero de cultura geral, zero de sensibilidade por homens e mulheres, já quase nivelados em sua conduta rude, tosca e insensível. Cresce a prepotência pessoal e institucional, a inflexibilidade, a intolerância. Enfim, a mulher iguala-se socialmente ao homem, ambos são violentos e insensíveis.
Uma Nação é feita de todos e para todos e por todos. A vida deve se  desenvolver com liberdade e estímulo à responsabilização de todos pelos caminhos decididos democraticamente. Na Nação, fica-se em casa, com o sentimento de ser o construtor de algum pedaço. O cidadão deve ter e garantir a liberdade de qualquer um decidir sobre sua liberdade de decidir, ser o que decidir ser. Para a Nação é importante o ambiente de liberdade individual sadia que traga felicidade no modo do indivíduo viver e conviver. Se a Nação tratar o indivíduo como mera engrenagem da produção, não estará assegurando nada, além da criação de comportamentos secos e pragmáticos.  Se a Educação é dada no nível do mínimo necessário, que desenvolvimento será alcançado? Em 15, 20 anos muitos dos jovens de hoje estarão preparados para o mercado de trabalho em todas suas necessidades? Tais jovens ficarão contentes ao descobrir que perderam anos em atividades de mera subsistência ou distraídos por modinhas inventadas no mercado para lhes explorar economicamente e que não poderão adquirir tudo que o condicionamento consumista lhes colocou na cabeça como imaginário padrão de vida razoável?
Como um jovem de hoje e do futuro sente-se quando descobre que não poderá casar com sucesso, sustentar uma família e educar filhos e prosperar dentro do modelo imposto pela mídia? Quando este tempo chegar como será que esses jovens reagirão, sabendo que estão bloqueados talvez para sempre por terem sido usados? Não é desde já que, na condição de impetuosos e ansiosos, estão reagindo e aumentando a violência dia a dia?   É no Brasil desses jovens que os Governos e seus inescrupulosos políticos têm mexido, sem mostrar qualquer preocupação com o futuro, sempre no espírito de “quem pode, pode, quem não ....” .
Sem educação formal de qualidade, o esclarecimento, necessário para a participação e inclusão, fica prejudicado.  Darcy Ribeiro disse” a criança só tem 7 anos uma vez”. Ninguém escutou Darcy suficientemente. Em seus últimos dias de vida, disse que havia fracassado em várias tentativas na Educação, mas seu fracasso era sua vitória, pois não gostaria de viver no lugar de seus vencedores.
Não é selvageria furtar equipamentos escolares de escolas públicas, deixando um rastro de distribuição no local, que raiva é esta? Não é selvageria abandonar obras de escolas porque a propina já foi paga e o objetivo era esse mesmo? Não é selvageria roubar cabos de energia, deixando bairros inteiros sem luz? A casuística é enorme e repleta de casos inacreditáveis de absoluta inconsciência cívica. Que gente é esta?                 
A que tudo parece, o velho hábito de empurrar os problemas com a barriga, jogando tudo para a gestão seguinte montou esta realidade atual. Reformas são urgentes e impostergáveis, mas como o problema esbarra na cultura e no atraso em que estamos atolados, é a gestão do Governo que deve ser reformada. Tributos para pagar custeio e pessoal estão afogando o país. O elefante pede cada vez mais forração. A gestão dos Governos têm se preocupado principalmente em deixar o barco flutuando, de modo que as reformas econômicas são basicamente dirigidas para esta intenção. Infelizmente todas as receitas estão esgotadas e ninguém mais engole este angu de terra e caroço, caro, desumano. Está longe de ter gosto de feijão e não serve para dar a entender que comeu camarão. É socialmente intragável. 
Infelizmente, vã é a esperança para 2019 e anos seguintes. A única garantia é que haverá posses em janeiro, com cerimônias onde muitos cidadãos sentirão o que Rui Barbosa soube bem sintetizar no começo do século passado: “ de tanto ver triunfar as nulidade, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”
E mais uma vez poderemos que o texto abaixo, escrito há muito tempo, é realidade mais uma vez. O texto deve ser lido, em primeira leitura, na ordem de cima para baixo e depois de baixo para cima: 

ANTES DA POSSE, o discurso tem sido sempre:
“Nosso partido cumpre o que promete.”
 Só os tolos podem crer
que não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é
A honestidade e a transparência são fundamentais para alcançar nossos ideais
Mostraremos que é grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguraremos sem dúvida que a justiça social será o alvo de nossa ação
.Apesar disso, há pessoas que imaginam que
 se possa continuar a governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos nossos propósitos mesmo que
os recursos econômicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
compreendam que,
somos a nova política.
DEPOIS DA POSSE
(Basta ler o mesmo texto acima, de baixo para cima.)


                       Para fazer com que tudo isto desapareça em 2018 e anos seguintes, é necessário discernimento, amor ao Próximo, amor à Pátria e à Nação. Um dia chegaremos lá, alguma geração do futuro verá isto e terá orgulho em responder: que país é este?  

Odilon Reinhardt.  3.5.2018