terça-feira, 3 de setembro de 2019

Mais um centro esquecido III?









                                              Mais um centro esquecido III?


Banalizado quanto ao seu papel para a produção de qualidade, esquecido quanto ao seu status na qualidade da vida, o local de trabalho de milhões de pessoas vem, no entanto,  sofrendo as eventuais melhorias que os delegados de cada empreendedor decidem implantar,obedecendo sempre a racionalidade e o pragmatismo imposto do custo benefício. 
Não há uniformidade quanto ao que fazer para reduzir a agrura da realidade dos resultados frente à redução da produtividade ou do seu aumento mediante altos custos para a empresa e para todos que ali convivem, com reflexos para  o país. As soluções são individuais, submetidas a regras trabalhistas existentes, quase todas de natureza protecionista-paternalista, basicamente impregnadas do fundamento de que o empregado é uma nulidade e o empregador um explorador e sempre limitadas aos limites da lucratividade num ambiente de total insegurança e instabilidade, onde os Governos têm tido  sua participação sempre desastrada.  
O empreendedor, aquele que arriscou, endividou-se para criar empregos, para gerar renda e impostos, é visto como um explorador capitalista. Que ideologia leva a isto e fez a realidade retrógrada por tantas gerações? Que ideologia contribuiu para que o país permanecesse pequeno no seu pensar? 
O assunto é de interesse social, mas as iniciativas de melhoria e progresso serão sempre particulares na medida que o tema é visto como fator diferencial entre as empresas, cada uma com seus segredos na disputa  pelo sucesso no mercado. As práticas internas, com seus sucessos e insucessos, são assunto interno. Boas práticas no setor só são divulgadas até o limite que não revelem detalhes do segredo de cada empresa.  
Considerando a enorme quantidade de empreendimentos privados  e sua diversidade de organização e composição, uma crise econômica atiça a competição, mas não altera a visão errônea de que o local de trabalho em seus aspectos físicos e humanos é menos importante para os resultados da empresa, tanto assim é, que ,diante de qualquer financeira crise, o setor de treinamento é o primeiro a ser vitimado com cortes bruscos, bem como qualquer benefício para o humano.
E na crise permanente  do país, com o desemprego e seus efeitos, quem tem o privilégio de manter o emprego ou de conseguir um local de trabalho aceita qualquer condição, sujeita-se a tudo pelo salário salvador; aceita o local, suas mazelas e sua cultura, feita por pessoas que ali habitam e por tradicionais erros de organização, planejamento e um sistema de recursos humanos voltado ao cumprimento de rotinas trabalhistas e não verdadeiramente voltado aos humanos e sua inteligência.
Nem se ouse falar em correta motivação e sua sustentabilidade para tornar a empresa um centro de aprimoramento do ser humano. Evidentemente,  não se pode deixar de pensar nos  erros e intenções em prol da uniformidade e padronização, abarcando a todos como se iguais fossem, menosprezando suas diferenças. O que se pode objetivar no campo do ideal é que tantos erros contribuam para o surgimento de idéias que criem condições melhores a fim de possibilitar no local de trabalho, ou melhor dizendo, no "local de vida", a implantação progressiva de estímulos ao pensamento de prosperidade e libertação das ideologias erradas que até agora têm sido a estrutura da vida de miséria intelectual.
Gerentes e diretores administrativos, de variada educação e gama, tendem , de acordo com seu estilo gerencial, implantar sistemas e rotinas de pessoal, visando o treinamento, folha de pagamento, recrutamento e seleção etc., mas raramente têm sucesso no sistema de motivação e inteligência emocional. Isto ocorre, porque num ambiente altamente estressado, pragmático e racional, os aspectos humanos acabam sendo relevados e deixados em segundo plano, quer por desamor ao Próximo apesar de 519 anos de pregação católica, quer pela desorganização administrativa, a qual vive no sistema de gerenciamento de crise e eliminação e fogueiras, quer pelo conjunto da empresa e seus ocupantes que nunca deixam de espelhar os defeitos da própria sociedade a que pertencem.  
Não é incomum que o despreparo gerencial  adote técnicas erradas e estas venham a descambar para o estágio em que o recurso usado é manter o pessoal ameaçado, com mensagens de fusão empresarial, venda da empresa ( no setor público, a privatização), tudo para que as pessoas não reclamem, fiquem sempre acuadas e trabalhem mais, não tenham pretensões salariais maiores nos momentos de acordo coletivo etc., aceitem a administração como ela se apresenta, pois, tudo torna-se um esforço para salvar a empresa, o salário. É o ponto maquiavélico mais agressivo. O objetivo é manter a realidade sempre em perigo, em instabilidade.  Outra estratégia comum é pregar que lá fora no mercado tudo é muito pior. O pior é que do próprio pessoal,  são escolhidos pela gerência os formadores de opinião que devem plantar tais mensagens na rádio peão. Notícia ruim espalha-se com rapidez e quase nunca é negada.  
A maioria das empresas vive assim, ilhas de amargura, mas a produção continua sendo feita e vendida pelo que as nuances humanas são engolidas com farofa seca e relegadas ao drama do universo pessoal de cada pessoa. Mas quase sempre a evolução do problema recorrente leva a um ponto de estrangulamento e a organização adoece e exige,portanto, tratamento.
O empreendedor, diante dos números acusando queda de qualidade e das vendas, pergunta a si mesmo qual foi o erro.  É esta a mão de obra que o Governo prepara com seu danado sistema de Educação? São estes os cidadãos e o que fazem quando reunidos? Diante da margem de lucro comprometida, o que fazer para mudar a realidade? Este recurso é o fator negativo imutável que deve ser considerado  como constante no risco do negócio e do custo que o país apresenta?
No miudinho, foi falha do setor de admissão? Falhou a seleção? Geralmente, os problemas de pessoal e seu desenvolvimento são tidos como resposta às questões acima. Como  nenhum administrador é psicólogo ou psicanalista para fazer tratamento de pessoal, porque o caso é de grupo ou de massa, até uma análise organizacional raramente, apesar de propor, consegue resolver o problema instalado. O que se consegue é uma reengenharia de unidade, mas quase nunca melhorias para o "pessoal", um problema que se gera e se basta.
E com o passar do tempo, mesmo que algo novo tenha sido instalado,  tudo volta à estaca zero e nova análise é necessária, a preço de ouro, porque a produção está sendo afetada e o desempenho da empresa comprometida, mas a culpa é colocada no sistema utilizado, defasado, e nunca no pessoal, com se o material, as máquinas,etc., tivessem vida e a propriedade de gerar o mundo por si só. Esta visão puramente material cega a todos e impede soluções de fundo.
Diante da impossibilidade de resolver, em definitivo, o problema humano no local de trabalho, as empresas que possuem recursos, de tempos em tempos, continuam a sobreviver com ajustes, mas pecam nos fundamentos. As demais empresas vão sendo estranguladas até perder o mercado e fechar as portas, geralmente na falência. Perde o Brasil, perde o consumo-receita, perde o empresário, e muitos perdem o emprego. A questão é material?
Na cadência de aberturas e fechamentos de empresas, quanta energia é gasta? Quanto perde o país, quanto sofre a qualidade de vida? No que pese a tragédia decorrente da perda de tal energia e seus danos para a receita pública e para o  índice de qualidade de vida, o empreendedorismo não sofre abalo; empresários com seu espírito de sobrevivência continuam a montar empresas, o que coloca o empreendedor como um herói incansável. Num país tão rico em Natureza, as perdas de energia fazem parte do conjunto de desperdícios em todos os setores. Até mesmo os maus empresários, os que cedem à corrupção , às tentações de burlar a competição, à mania de quere beneficiar-se do Poder , certamente pensam, no fundo,  na preservação de seu negócio.
E assim vai o nosso país, como um caminhão lotado, perdendo carga até chegar ao porto; dá pequenos saltos e avanços; parece brincar com o futuro; parece reserva-se para algo maior talvez, mas sempre que se prepara para ajustes sérios, os mesmos, quando realizados,  só servem para enfrentar mais uma crise . 
O "local de trabalho, como visto, assunto de cada empresa,vai sendo relegado para o segundo plano, pode até receber inovações materiais, mas continua a ser o local onde o brasileiro tem a sua vida em primeiro lugar: um local de passagem, de 8 a 10 horas por dia? Se a casa do cidadão é sua fortaleza, porque ele volta do trabalho, todo dia, tão cansado, tão derrotado? Após tantas horas de contrariedades, fazendo e vivendo num ambiente adverso, a pessoa não leva para casa maus sentimentos que irão influenciar relacionamentos?     
E é no local de trabalho que coabitam os tipos humanos com seus comportamentos, onde o ego é atiçado como meio de defesa para sobrevivência do bruto, o intolerante, o radical, o inexperiente, o extremista, o inflexível durante as fases da vida, o que por si só já é suficiente para fazer o clima de permanente conflito,mas que quando submetido à pressão advinda da incompetência,  ineficiência, prejuízo financeiro etc., facilmente vira o inferno diário, vindo a constituir o laboratório infalível em geração de doenças, da  violência doméstica e de rua, da contrariedade, instigadora do ego animal; é o germe do conflito certo contra o Próximo, fator de redução da  vida.
Tudo contribui para menos qualidade, menos produção, menos impostos, mais doenças, mais reclamações trabalhistas, mais prejuízos. É ou não é um aspecto essencial para a Economia?
Todo o escrito acima não passa de uma platitude, mas o intuito é alertar sobre mais um dos centros de onde surgem problemas graves, que são determinantes para o  crescimento material e espiritual. Na sua pior fase, o local de trabalho é autocrático, pragmático, frio, calculista, racional, individualista, utilitário, inflexível, nada democrático quanto à produção e é também o meio onde o ego faz sua dança entre os viventes, com muita disputa, competição, intolerância, truculência, inflexibilidade, brutalidade, grosseria, quase nenhuma empatia, características do egocentrismo, tudo circundado por muita mediocridade, desorganização pessoal e coletiva, nivelamento por baixo, uma exigência de todo mundo ser igual numa vontade de uniformização material e espiritual. É o caldo para a sujeira humana diante de permanente  contrariedade; ali o dia é tocado à base de fofoca, maltrato,  assédio, traições, injustiças,  tudo para inervar a pessoa e mantê-la em estado de sofrimento, retirando-lhe a boa energia. É o campo dos seguidores, sem opção de crescimento intelectual. No meio surgem eventualmente criadores e idealizadores, mas que logo  são  sufocados em seus talentos. Ninguém se preocupa com a fuga de estudantes para o exterior, como alto índice de turn-over, com uma juventude que simplesmente não se interessa pelo trabalho em empresas? 
Mas o  campo é fértil para o conserto, mesmo que lento e individualizado, através do trabalho do treinamento, programas de inteligência emocional, meditação grupal, constelação empresarial, criatividade de consultores, até ginástica de descompressão.   Um bom local de trabalho ajuda a melhorar a vida das pessoas e do país.
Eis aqui mais um ponto que deve ser levado em consideração como item dos fundamentos da Economia e seu crescimento sustentável. O local de trabalho é em verdade, pelo número de horas ali passadas, a casa do cidadão, embora quase ninguém o entenda como tal.  Sua qualidade tem efeitos pessoais e coletivos. Todos devem trabalhar para chegar a um nível melhor, a um local que não seja tão agressivo.  Não é questão de dinheiro, de pleitear compensações materiais pela insegurança, instabilidade, sofrimento e agonia; é questão de saúde e de vida. Só mentes despreparadas pensam que por dinheiro vale vender a vida. O esforço tem que ser de todos os humanos em construir o local onde não seja exigido tanto ego, umbigo. Com o esforço de todos poder-se-á chegar a  mais diálogo, estudo, esclarecimento, luz.

Odilon Reinhardt . 3.9.2019























sábado, 3 de agosto de 2019

Mais um centro esquecido II?




                              




                                




                                             Mais um centro esquecido II?
                                             O local por onde todos passam.

  
Mesmo no quadro de um Brasil ainda só para poucos, de Educação /escola para uma minoria muito exprimida entre o programa curricular defasado e as necessidades efetivas do mundo da produção, sempre ficou clara, para mentes mais aguçadas, que havia uma dissintonia muito grande entre escola e empresa, esta vista como fonte de empregos e o passaporte para o mundo do consumo e suas classificações sociais, de modo que qualquer um com título superior ou médio, ao adentrar o emprego, mesmo como dono, estagiário ou empregado, recebe um choque de mundo real, chegando a perguntar a si mesmo sobre a empresa: ” que mundo é este aqui?
Fato é que a escola, em seus níveis mais elevados, é defasada em relação à realidade do emprego, não só quanto à qualificação para o trabalho em si com também quanto ao preparo para conviver com o Próximo. Sem embargo do esforço empresarial para adaptar o indivíduo às necessidades práticas, o fato concreto é que na empresa, o cidadão encontra-se no mundo para valer e deve dividir o espaço com os semelhantes para formar o chamado ambiente de trabalho.
Sim, o “ambiente de trabalho”, encontrável, no modo mais estressado, que vai do terrível ao fantasioso, mas o local onde a nacionalidade se desenvolve. Ali, encontram-se os brasileiros, com seu “preparo”, suas características pessoais, seu “ego”, prontos para tornar o ambiente em um espaço vivencial, que pode ir da euforia ao calvário e deste ao caos, com inúmeras passagens de grande provação existencial. Aqui considerando o emprego fora do Governo, pois neste, só basta dizer que, com dois ou três meses, cada um já está pensando em como conseguir melhor posição para não trabalhar, caçar benefícios e salários indiretos e assim esperar a aposentadoria. Sem mais comentários, sobre tal suplício ou elegante escravatura paga como os impostos.
Nas instalações básicas, criadas pelo empreendedor, com seu desejo de produzir, gerar empregos etc., o ser humano reunido e agindo no dia a dia cria a cultura da empresa, com suas crenças e vícios, fazendo nascer condicionamentos, que à revelia do empreendedor, começam a contaminar qualquer novato bem como dificultar as atitudes de mudança, reengenharia de processos e alterações necessárias que a evolução operacional da empresa exigir para atender à competição no mercado. O “pessoal” cria, assim, seu aquário, seu covil, seu campo e as características de tal aspecto refogem ao poder do dono da empresa e sua direção. Muitas vezes nem mesmo demissões em grande número são capazes de eliminar os vícios e maus aspectos da cultura instalada, por vezes já grudada em normas internas, manuais, praxes e instruções. Contra isto, só o espírito lutador e talentoso de algumas consciências que podem sobreviver neste caldo, preservando a vontade, a identidade e a determinação. São todas menos algumas. 
Quanto pior a cultura interna, mais grave e complexa a dinâmica social ali existente, podendo determinar até mesmo um processo lento e gradual de falência da empresa, após progressivos e onerosos esforços, envolvendo análises organizacionais, horas e horas de consultoria e planos de reengenharia etc.
Num país de semianalfabetos, pessoal mal preparado, profissionais formados em faculdades atrasadas, certamente a formação da ambiente de trabalho facilmente orienta-se mal e rapidamente descamba para acomodar o pior local para o desenvolvimento humano e profissional, com reflexos horríveis para a saúde pessoal e para o sucesso da empresa, que continua a gastar em treinamento, palestras de motivação, de inteligência emocional, tentativas de harmonização e incentivo ao trabalho em equipe.
Evidentemente a tal cenário, medidas e atitudes da gerência empresarial, podem desde a origem ou durante a evolução espontânea do agrupamento “humano” que ali foi se formando, agravar os itens formadores do ambiente de trabalho. Seja lá como for, o “pessoal” torna-se um ser que se gera e se basta, nunca se afastando das sementes sociais e culturais da sociedade a que pertencem, mas vindo a constituir uma pequena sociedade local que age e reage contra ou a favor da empresa, pelo que o dono da empresa, criador do empreendimento, ou sua gerência, facilmente perde o controle.
Uma vez instalada tal doença, o diálogo passa a ser truncado, passando a ser exercidas ameaças de greve e demissões, cortes de benefícios, sabotagem, imposição de horários, salário no rigor da lei, etc. O ambiente passa a ser regido pela lei do mais forte, do “dente por dente, olho por olho“. Nada pior? Pior, se ao natural ajuntamento humano ali existente, juntarem-se ideologias como a que predispõe o empregado contra o “patrão”. Este visto como pecador, por procurar o lucro, como explorador de almas, como pessoa não confiável em suas intenções, ou até, como pai, responsável por tudo de errado, etc., o que cria uma fantasiosa névoa que esconde e diminui a figura do gerador de salários, de empregos, de oportunidades individuais dentro da liberdade de cada pessoa.
Sem embargo do que ambas as partes façam para se impor, o fato é que o ambiente está contaminado pelo próprio “pessoal” e seu modo de viver ali, com sua acomodação brejeira, seu vazio intelectual, suas rusgas pessoais e seus agrupamentos de contrariedades. O trabalho é feito com raiva, raiva da empresa, do dono, do colega, do mundo. Que produtividade, que qualidade pode resultar disso? É certamente um mundo esquecido que precisa ser revisto, pois arrisca na decadência e ser radicalmente substituído pela robotização ou recusa das novas gerações em trabalhar. Qualquer reexame mais aprofundado desta temática deve explicar porque há tantos acidentes de trabalho, erros operacionais, “retrabalho”, defeitos de qualidade, atestados de saúde, absenteísmo, afastamentos por saúde, turn-over etc. E o tempo passa e este aspecto agrava-se sem ser considerado como relevante; é como se a natureza do local fosse assim mesmo e quem ali habita devesse simplesmente aguentar.
Está assim formado o “ambiente” para o progresso pela dor onde o trabalho é “matar um leão por dia”, pois o caldo é meio propício para a prática direta e feroz do pragmatismo, individualismo, utilitarismo, racionalismo material, egocentrismo, todos turbinados por muita pressão, raiva, competição e concorrência de modo que a proteção ao umbigo fica na essência de todos os atos. Todas estas filosofias que no regime de 8 a 10 horas por dia ao longo de 30 anos ou mais acabam modelando o comportamento, anestesiando a vontade e assim o indivíduo leva para casa orientações próprias para o mundo da produção, mas em completa impropriedade para o mundo do lar e a chamada “vida pessoal”. Certamente, filosofias que constituem um grande motivo para inúmeros ataques ao ego, formando contrariedades além da ira social e doméstica, e acabam redundando no mais variados tipos de doenças e violência.
É fácil identificar na empresa mergulhada em ambiente de conflitos, traições, encrencas e armações os tipos: raposa, lobo, urubu, leão, cobra, escorpião, garça etc. Uma fauna bem agressiva em defesa de seu umbigo contra qualquer colega e todos vistos como lebres indefesas para ideologias do atraso.
E este todo vai evoluindo, acompanhando as fases da vida da pessoa até redundar em doenças forjadas no dia a dia. O “pessoal” é o cidadão brasileiro; faz por si só seu “ambiente”, seu caldo cultural, que existe no silêncio do despreparo profissional e pessoal. São milhões de ambientes de trabalho de pequenas e médias e grandes empresas, as quais contribuem para a qualidade da produção, do serviço, da vida do cidadão e fazem o PIB. Quanta energia não é jogada fora? Poderia ser muito melhor. Como seria se fosse melhor?  Mas apesar do esforço de dúzias de consultores e boas práticas de recursos humanos, o ambiente de trabalho continua esquecido, nunca é considerado como o centro onde o ser humano passa sua vida “útil”. 
Não é assunto para o Governo interferir, embora por décadas tenha sido um dos fatores predominantes de atuação no cidadão e na empresa, pois, bem ou mal, é sócio indireto de todas as empresas que o sustentam. A solução lenta e gradual virá com a melhoria conjuntural do país. Soluções em algumas empresas podem ter sucesso, mas seus bons efeitos sobre o indivíduo são em parte danificados pelo que ocorre na sociedade como um todo.
Para 2019, é assim que vamos precisar de crescimento para fazer o progresso do país. Anos de negligência na Educação redundaram neste colapso humano, um dos mais graves fatores para a Economia. Quantas empresas deixam de funcionar por falta de mão de obra? Quantas empresas deixam de ser criadas pelo mesmo fator?  Aqui se fez mal, aqui se paga caro. Agora serão anos de espera, acreditando que mais este aspecto não atrapalhe tanto o progresso. O que se observa e questiona-se: será que isto é assim mesmo? Será que sendo assim, só resta aceitar? A realidade atrai as novas gerações?
Este tema merece mais consideração como fator relevante para a satisfação do cidadão, para o crescimento do país no campo material e espiritual. Quem estiver num bom ambiente de trabalho pode-se considerar um privilegiado.

Odilon Reinhardt - 3.8.2019


                        

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Mais um centro esquecido?












                                                   Mais um centro esquecido?




Quem não quer ter um lugar para trabalhar, poder se realizar, ganhar seu sustento? Após os anos de formação ou de simples acumulação de idade, o emprego é o objetivo comum, passaporte para o mundo das coisas, a serem compradas para a vida e para o deleite pessoal com a correspondente sensação de estar vencendo, assumindo posição na sociedade e justificando sua existência no mundo da produção. Eis a inegável platitude, modelar e desejável por qualquer cidadão.
Em milhares de minúsculas, médias e grandes empresas, é realizado o sonho individual e também feita a receita tributária, com a qual o Estado deve promover o bem–estar social, diminuir as diferenças regionais etc. Em milhares de ambientes de trabalho, a nacionalidade é vivida na prática e o país rola para o sucesso ou insucesso do PIB. Ali pessoas com seu “preparo” conduzem seus negócios ou efetivam seus conhecimentos técnicos e profissionais.  Ali também o analfabetismo e o semianalfabetismo revelam suas faces no despreparo, no “turn-over” gigantesco, no subemprego, na errônea precificação com reflexos graves para a inflação, nos erros contábeis enormes, no péssimo relacionamento entre o “pessoal”; no preparo de doenças; fatos estes misturados a outras mazelas que ficam escondidas por trás do portão da fábrica e da porta da loja e do escritório. 
Quem passa na rua, nunca adivinhará o que se passa entre as paredes da produção e jamais sabe realmente como a humanidade ali é exprimida e condensada em conflitos entre os humanos em verdadeiros caldeirões do inferno. Quanto custa a produção nacional em termos humanos?
Pouco se fala, ouve falar ou se lê sobre a realidade existente nas empresas, geralmente motivadas por sistemas errados de administração e gerenciamento, mas frequentemente causadas pelos próprios empregados e seus companheiros de trabalho.
Na vida diária da empresa, encontram-se os resultados do ego contrariado bem como as ações e reações decorrentes que marcam o relacionamento entre as pessoas, resultando quase sempre em conflitos e contrariedades, fatos marcantes para a vida de cada um.  O cidadão vai ao trabalho com as perturbações de sua vida particular e retorna para casa com perturbações ainda maiores que não se distanciam das consequências do que é obrigado a praticar na linha de produção e na prestação de seu serviço em termos de pragmatismo, individualismo, utilitarismo, racionalismo etc., filosofias que sempre tentaram ajustar o humano à produção, fazendo com que suas problemas  pessoais não interfiram no objetivo do negócio que é colocar a produção no comércio para venda e vencer a concorrência; embate diário e por vezes inglório, quando o empregado é sacado do rebanho sem preparo ideal para o trabalho e diante das falhas do treinamento meramente operacional, continua a agir como um ser fisiológico, bruto, semianalfabeto, intolerante, inflexível, antidemocrático em permanente estado egoístico de defesa e sempre encarando o Próximo como adversário. No ambiente de trabalho a raiva é engolida com óleo e graxa todos os dias e a doença futura tem endereço e tempo certo para aparecer.  
Tal realidade e mais outras que envolvem a empresa em si, apresenta a  baixa competitividade dos produtos do país perante o  mercado externo, com muito desperdício, retrabalho, erros de projeto e estrondosa falta de qualidade e segurança, etc. Sabidamente para o mercado interno a qualidade é de quinta categoria em qualquer ramo e o consumidor já se acostumou a este padrão. Nem se fale na qualidade de nossa química industrial. Já seria demais avançar na análise da qualidade e segurança dos alimentos. Mas a questão é que o país se defronta com a imperiosa necessidade de crescer, de ganhar divisas e de exportar. Todavia, com uma das piores qualificações de mão de obra e incríveis níveis de qualidade no relacionamento humano, o país é agora refém do ser humano que tem gerado, fato jamais a ser admitido por qualquer Governo. Faltou visão, faltou patriotismo, sobrou corrupção e ganância. Muito umbigo megalomaníaco. 
Assim, no momento de crescer e vencer desafios, no que depender da qualidade da mão de obra, o país conta com um punhado de profissionais e um exército de operários braçais que pouco servem para uma produção que não seja de cortar frango, colocar tijolos carne ou produzir algo que sempre perde para a competitividade. Em 120 países, somos a 9ª economia do mundo e ocupamos a 64ª posição em inovação.
Neste quadrante da História, o desafio é monstruoso. Como inovar sem excluir a mão de obra que temos, semianalfabeta, viciada, desqualificada e envelhecendo. Mão de obra esta que não poderá ocupar funções na automatização, na robotização ou qualquer função que envolva tecnologia, forçando o país a manter empregos que no primeiro mundo já estão sumindo. É a falta da Educação, item negligenciado nas últimas décadas e que agora será um dos demoníacos entraves ao progresso e ao crescimento.
Estamos no sinal amarelo há mais de décadas e chegamos a uma das esquinas mais importantes da História com risco de encontrar um sinal vermelho e mais uma vez ver o trem da História passar. Com tanta corrupção, erros estratégicos, o país ficou no desvio, numa dobra do tempo. Quanto o país deixará de ganhar com este devaneio? Foi isto que os políticos e a corrupção fizeram e causaram. Após décadas de negligência, a falta de Educação não aparece só nas cadeiras do setor de contratação. Quantos acidentes na realização de serviços autônomos e no trânsito são causados por falta de noção básica de química e física? A qualidade sofrível de nossas faculdades aparece no ambiente de trabalho também. No escritório, fábrica ou comércio se encontram todos os defeitos da má formação. Educação deficiente, curso superior sofrível, tudo fica sem consequência prática? Não é o que a realidade mostra.

Se temos algum PIB é bom considerar que um punhado de multinacionais não será suficiente para assegurar um PIB maior e uma boa exportação mesmo porque só conseguimos competir quando derrubamos o real em relação ao dólar ou através de acordos comerciais conseguimos migalhas e sempre negando apoio à indústria nacional. 
O fato é que descuramos de centros importantes de humanidade como a família e o ambiente de trabalho. A realidade é feita de péssimo ambiente de produção. Qual a qualidade do ambiente de trabalho e sua influência na qualidade de vida do cidadão? O ambiente de trabalho é espaço para a liberdade empresarial e para o discutível “livre arbítrio” do empregado em permanecer na empresa ou não. Como medidas públicas poderiam interferir em espaço tão relegado à liberdade empresarial? Ora, as leis e a Justiça do Trabalho nada mais têm feito que tutelar as relações empregatícias, mas sempre como o viés paternalista, colocando o empregado como vítima frente ao empregador, este visto como explorador. Qualquer benefício oferecido pelo empregador é visto como aliciamento da mão de obra e à vista do sindicato, motivo para incorporação ao salário. Aí entram décadas de ideologia às avessas, sempre contra o capital, contra a produção, contra o empreendimento particular e não público, contra a livre iniciativa; o mote foi sempre obedecer a pregações: que tinham o lucro como pecado; que consideram o trabalhador como indefeso eleitor ou ovelha; que têm a população como rebanho a ser tutelado e guiado por culturas de miséria e opção pelos pobres, estes confinados numa classe imutável; que o trabalho dentro de uma visão da elite colonial é para os escravos; de que todos são iguais sem considerar os desiguais na medida de sua desigualdade. Fomos vítimas de interesses eleitoreiros e de culturas atrasadas impregnadas de filosofia da decadência e estagnação, esperando que as soluções viessem do céu. A mentalidade marxista, endossada pela legislação, precedentes trabalhistas, juízes de esquerda, não deixa que o “patrão” seja bonzinho e o “ empregado” deixe de ser visto com medo. O “patrão”, nem sempre uma isolada pessoa física, mas um grupo de gerentes, todos esfolados na Justiça do Trabalho e nas agências de receita se defendem com medidas que retroalimentam o pensamento capitalista ou o marxista, reforçando-se um ao outro, fechando um círculo de atraso e decadência.  A roda viva da miséria.
Como resultante de toda esta cultura pode-se perguntar se o que ocorre  na empresa não interfere na vida da pessoa, que leva tudo para casa, onde desabafa em inocentes ou engole tudo no silêncio dos ignorantes? Não seria este o motivo também para separações e divórcios, conflitos pessoais, violência de todo tipo deteriorando a vida no país? Não seria prioridade cuidar deste ponto? Até onde uma pessoa que passa de 8 a 10 horas, sofrendo ou promovendo consequências sociais no ambiente de trabalho, deixa tudo no portão de saída?
Um aspecto também a ser considerado é que na maioria das vezes não é só o sistema de produção, o gerencial e administrativo adotado na empresa que gera consequências sobre o indivíduo, mas, sim, o próprio ajuntamento de cidadãos desqualificados, egoístas, brutos que acabam criando a cultura do quadro funcional. Então o truculento, inflexível, radical, etc. não tem seu posto na empresa? O caldo cultural das ruas é levado para o ambiente de trabalho e ali, se o ambiente for coberto, vira circo; se apagada a luz, zona; se fechadas portas e janelas, hospício.
Evidentemente o estilo gerencial pode refletir muito dos 96% de semianalfabetismo, craca histórica que acompanha a vida neste quadrante do mundo. Qual o grau de instrução de nossos gerentes e empreendedores?   Eles e os empregadores fazem o dia a dia, com o qual é levada a vida aqui. É o país em funcionamento com seus resultados. É o efetivo exercício da qualidade que o país deu ao cidadão. Que idiotas pensaram que a falta de Educação não deixaria de ter consequências funestas da mais variada gama? 
Embora a empresa seja o local de produção dentro do rigor de prazos contratuais de entrega; campo de ataque da fiscalização; centro de bombardeio pela Justiça do Trabalho, gamela de comida para a voracidade tributária do Governo, é o parque de produção que gera emprego, consumo, impostos e faz o PIB. Não seria de se dar atenção a este centro tão importante?
É o empresário que, dentro de sua liberdade e capacidade administrativa e talento para o mundo dos negócios, pode desafiar todas as limitações para ter sucesso na selva brasileira do capitalismo selvagem que o Governo gera. Num mercado altamente disputado, com margens de lucro desafiadoras, o empresário pouca alternativa tem para sair da rotina burocrática, fiscal, produtiva ou para novos negócios. Neste sentido, pouco sobra para o empregado e seu ambiente, este visto pelo empregador também com permanente desconfiança, num enredo de medo de ataques do sindicato, greves e de reclamação trabalhista. 
Em mútua desconfiança, o ambiente de trabalho dificilmente deixa de ser um péssimo local para o ser humano, que ali passa sua vida produtiva, resumindo seu dia em ir e voltar do trabalho por 30 a 50 anos ou até a vida inteira. Em geral sai sem saúde com severos danos psicológicos, psíquicos e os físicos que vão aparecer em dois ou três anos após o desligamento. Já o patrão e seus gerentes perigam morrer de enfarte, derrame bem antes quando não saem falidos e endividados.  Quantas mil empresas não encerram as atividades por mês, criando impacto na economia e na comunidade?
A empresa parece que no Brasil deixou de ser item no esforço de aprimoramento do pacto civilizatório. O empreendedor tem sido visto com maus olhos e nunca como um ser que teve coragem de empreender, criar empregos, de se arriscar no mercado onde pode tudo perder, fechar as portas ou simplesmente desistir de seu negócio ou automatizar a produção ou mudar de região e até de país. É ser eclipsado pela exceção baseada em notícias de empresas fantasmas, empresas de lavagem de dinheiro etc.  O ambiente de trabalho, por sua vez, vem sendo, por décadas, negligenciado como ponto de melhoramento da pessoa, vindo a ser o seu calvário. Empregados e empregadores são também vitimas, todas fustigadas pelo Governo numa cultura espoliativa e contra o empreendedorismo, adotando a toda hora medidas polêmicas e contraditórias contra a produção que lhe garante o sustento. O Leviatã, por vezes pisa no cocho onde come e não explica o porquê. 
Nesta conjuntura e a manter-se a falha de qualificação pessoal e profissional por falta de Educação formal, a mão de obra será um problema a ser agravado com sensível impacto na vida.
Todavia, o empreendedor nato vai se defender para adaptar seu negócio e continuar a sobreviver. Sem poder contar com seres humanos, vai partir para a substituição destes por máquinas robotizadas na linha de produção etc., fato já iniciado e que gera desemprego e miséria, ameaçando o consumo e a geração de impostos. Máquina não tem ideologia, não tem sindicato nem ego, não geram folha de pagamento e impostos a pagar. 
A persistir tal cenário, o ambiente de trabalho continuará a ser o que é, ou seja,  um centro de problemas para o indivíduo e para a empresa. Não se espere grandes mudanças operadas por congressos de recursos humanos, treinamento e motivação e boas práticas administrativas.  O negócio será se livrar do humano? Que país será este?
Inovação para crescer e competir, a reforma da mentalidade etc., só serão importantes para empresas que exportam e enfrentam competição no mercado externo. Diante das condições existentes e persistentes para o mercado interno, este pouco exigente quanto à qualidade e mais focado no preço, inovar será sempre reduzir o custo Brasil e diminuir a folha de pagamento, o que causa desemprego e agrava o problema social econômico na medida em que não mantemos empregos para as pessoas semi qualificadas bem como acrescenta ao fato de que o país está se fixando como exportador de produtos da fazenda e da mina, ficando relegado a tal posição no teatro mundial pela mera impossibilidade de formar cidadãos para o mundo de tecnologia mais avançada. Eis o dano decorrente de décadas de negligência na Educação, na redução do analfabetismo, eis a posição de falta de independência, eis a condição para a submissão futura. Para exportar mais e crescer, mais fazendas, menos Amazônia e Mata Atlântica.  Aqui de fez, a que se paga. 

Odilon Reinhardt. 3.7.2019.

                         












segunda-feira, 3 de junho de 2019

No espaço dos mestres invisíveis II


















                                     No espaço dos mestres invisíveis II.









Na sequência da primeira parte deste texto, publicada em 3.5.2019, prosseguimos para expor que o avanço social e tecnológico produz efeitos sobre as pessoas de modo a entender que o mundo vai em frente e a população acha seu caminho, não ficando à espera de o Governo tomar atitudes, quando atrasado pela burocracia, brigas de gabinetes, lutas por poder, politicagem e a costumeira pobreza financeira e intelectual.
A tecnologia avançou, a iniciativa privada atualizou-se, o Governo não acompanhou nos setores que obrigatoriamente teria que fazê-lo; ficou enleado e atrasado em métodos, livros, aparelhos, falta de escola, equipe docente e discente qualificada, enquanto os jovens de hoje têm um computador na mão, prosseguem procurando escola  sozinhos, vão se ensinando com o que veem e estão expostos ao negativo também na medida que o “mundo” ensina assistematicamente e sem objetivo público e útil para o país. A sociedade avançou sozinha e mais do que o seu Governo, o qual se preocupa em manter a atualização tecnológica focada nos instrumentos de recebimento e controle da receita tributária, descurando do resto, onde encontramos a Educação. 
Mas no hiato deixado pelo Governo, “mestres invisíveis“ manipulados pela mais diversa fonte de interesses, atuam, treinam e educam as crianças, adolescentes e adultos em aspectos positivos e negativos, gerando uma lógica geralmente de reforço egoístico, gerando atitudes correspondentes que entram em conflito com forças conservadoras, mas que sempre trazem o novo e vencem para fazer uma nova época com seus avanços ou para se tornarem a sementeira do empobrecimento intelectual e escravidão.
No espaço acima referido, o qual tem crescimento geométrico, o país na medida em que o Governo dorme nos setores em que deveria estar bem acordado, fica no atraso enquanto o mundo avança, as pessoas se desqualificam ou gastam a energia à mercê de lições extravagantes, de modinha e de pura distração promovidas por várias fontes de interesses diversos. Sem qualificação formal para o desempenho de atividades úteis para o crescimento do país com qualidade e segurança, não haverá emprego mesmo que haja vagas a preencher.
A tecnologia, no mundo de progresso, avança a passos largos, cria novos modos de trabalho, as funções exigem mais técnica, é necessário saber antes de fazer, não vale mais o ir aprendendo ao fazer. Ademais, com o envelhecimento da população, por quantas décadas ainda teremos jovens? As funções de esforço físico estão sendo banidas do cenário pela robótica, porque o ser humano só causa problemas na ambiente de trabalho, enquanto os custos diretos e indiretos aumentam muito. Há indústrias que não precisarão mais de gente na linha de produção e outros setores. Com a tecnologia e sua rápida evolução há muitos empregos que ainda serão criados, todos virtuais, sem muita gente com força física.
O mundo lá fora anda rápido, estabelece novos modos de fazer e construir. Nós continuamos na época do Estado antigo, que vive de controle; de burocracia; dos sistemas antiquados, que são feitos para empregar alguns e funcionar pouco e se necessário não funcionar; da política pela política, benefícios e propinas.  Nosso Governo ficou velho, pobre, perdeu força, míope, gordo, lento. Ficou dentro da mesma caixinha e se desatualizou.
E quem decretou este fim melancólico, este crescente distanciamento entre o Brasil e o mundo inteiro? Certamente, o atraso, a falta de visão, a falta de mobilidade, a burocracia intencional, a corrupção, a falta de gente pensante, a política arcaica, o analfabetismo.
E como foi sendo formado o avanço mundial, as forças jovens e democráticas que hoje fornecem desejos e conteúdos que percorrem a informática e seus instrumentos? Fontes difusas contribuíram para mudanças nos modos de ver, sentir e agir; nova mentalidade, atingindo pontos irreversíveis. Afinal, os jovens é que sempre estão mudando o mundo; a nossa juventude fará o seu com o computador na mão; se estão errados ou não, enfrentarão seus próprios sucessos e erros, mas como qualquer ser humano, todos terão que pagar suas contas no final do mês. Depois, com o tempo, os jovens de cada tempo, também perderão o controle, o poder e novas gerações farão seu papel com as inovações da época.
Mudança, esta é a palavra chave e acompanha a humanidade. A meu ver, as mudanças foram formando-se a partir de algo muito básico: a vontade do ser humano de ser livre. É o anseio da liberdade, democracia e justiça.  Mudanças contra forças resistentes do poder de uma referida época, mas que sempre se estabeleceram. Neste sentido, a evolução pelo anseio de liberdade e maior participação passou por vários eventos, cada um acrescentando um novo passo e uma conquista da juventude em prol de todos. Todos se juntaram para atingir aleatoriamente a juventude.
Em países de permanente crise econômica, a libertação e a democracia, sem Educação de qualidade vira a pior das misérias: a escravidão da mente, eis que submetida à manipulação por forças externas, o vazio existencial, cheio de frustrações e as contrariedades pessoais bem como a violência decorrente. Com certeza, o bruto tem seus meios rudes, violentos, mas também quer liberdade e luta por ela com seus meios fisiológicos em detrimento do diálogo e entendimento.  Novamente a falta de Educação é entrave para a existência de bons avanços democráticos.
Ao longo da História, alguns eventos merecem citação, face sua importância na manifestação pela liberdade e democracia. Assim, o instinto de liberdade talvez tenha desaguado, com mais ênfase, nos tempos atuais a partir da Segunda Guerra Mundial, quando se quebrou a normalidade das fronteiras e das culturas, forçando a invasão de países através de imigração e da comunicação; a ruína das economias locais, causando a dependência de apoio de outros países, a queda do populismo originado com a Primeira Guerra Mundial, propiciando o avanço da democracia e a queda do colonialismo e das ditaduras. A estrutura política poder, que não foi capaz de evitar o conflito geral apresenta-se defasado; o “establisment” é contestado pelos jovens, a maioria transformada em soldados, que haviam sido obrigados a lutar.  O pós-guerra faz nascer uma nova ordem mundial. Surge a ONU e os povos começam a se conhecer culturalmente, surgindo intercâmbios e alianças comerciais. Surgem os Estados Unidos da América do Norte como líder e modelo para tudo, fornecendo dinheiro, novas máquinas e tecnologia, inspirando negócios e a ideia de que “time is money”.
Face à vitória da economia americana, após a Guerra da Coréia, a juventude americana tem sua grande revolução de contestação, quer novo modo de vida, quer liberdade. O rapaz não quer ser a cópia do seu pai; a moça não quer seguir os mesmos passos de sua mãe. A juventude não quer ser clichê, continuidade, quer tentar algo novo. Com movimentos musicais bem claros como o Rock and Roll , a juventude americana quer viver o “american dream”, “o american way of life” . Concomitantemente surge a cultura anti-establisment dos Beatnicks e uma enorme onda de fertilidade que fez surgir milhares de novos bebês, gerando o que se conheceu como “Baby-Boomers”. Tal fenômeno impulsionou a economia para novos ciclos à medida que os babys iam crescendo. Surge a juventude revoltada que fez surgir o problema do “gap” de gerações. A Educação em casa e na escola sofre revoluções. Os modos antigos de se comportar, se vestir e se divertir são alterados substancialmente.  A juventude do pós–guerra controla o país e cria novos ambientes sociais a serem copiados pela juventude do mundo inteiro. Na sequência, a revolta contra o “establisment”, este baseado no poder dos país,  disciplina, autoritarismo e militarismo, falta de diálogo e democracia,  ganha alguns ídolos num ambiente em que o socialismo e o comunismo tentam avançar para o Ocidente, desafiando a América. Assim em 1958, surge Fidel Castro e Che Guevara, para inspirar ideais libertários e moldar ideias de queda de poder por meios violentos. Nos EUA, o avanço é rechaçado prontamente com o Macartismo e as forças democráticas. Mas a juventude pós–guerra, com coca-cola na mão, continua com seus ideais libertários focados na flexibilização dos  costumes e comportamentos, mas não na política, pois a democracia é convincente e forte, acompanhada de uma escolaridade de primeira linha e uma economia sólida e próspera.
A vida segue no mundo e o progresso econômico é gritante. Mas novamente há guerra e a juventude está para ser castigada. É o Vietnam, guerra sem objetivo, lógica, sem razão. Talvez o modo do Governo americano de amedrontar sua juventude transviada, rebelde, contestadora. Milhares foram jogados na guerra, milhares ficaram em casa. E os que ficaram, o fizeram para prosseguir na luta pela liberdade. Assim, a guerra surgiu em meio a manifestações da juventude libertária americana, sempre enredada em música e música de protesto com suas letras simples, fazendo surgir ídolos que modernizavam a expressão popular, liderando a juventude do primeiro mundo e popularizando seus anseios para a juventude de outros países.  É a época das filosofias da Índia, do love-power, dos hyppies, da juventude desligada, revolução sexual, igualdade dos sexos, divórcio, libertação dos costumes, luta pelos direitos sociais dos afro-descentes nos EUA, transformações de base na moda, na cultura, a época da pílula anticoncepcional, do amor livre, das drogas afrontando tudo que os adultos da época haviam tido como regime e educação. Beatles, Rolling-stones e milhares de outros sucessores de Elvis Presley dão a melodia para a juventude avançar. O mundo não seria jamais o mesmo. A TV surge, com muita importância no mundo, como eficaz e rápida difusora de tudo que estava ocorrendo e possibilitando a cópia pela juventude de todos os países, cada uma com suas particularidades e circunstancias do país onde estava inserida. O cinema mostra modelos de vida solta, livre, afrontando as regras da sociedade como os filmes Easy Rider e os de James Dean. Evidentemente, uma letra de música (ou filme) existente no primeiro mundo era entendido em outros países só como música (ou cenas diferentes), mas era copiada e servia para embalar os atos que afastassem a juventude local dos condicionamentos ligados aos costumes e a educação rígida e inflexível. Ia sendo contestada a educação da vara de marmelo, do chinelo e da palmada. Contestavam-se dogmas e tabus religiosos. A religião católica entra em crise, mesmo porque na época as missas eram em latim e o sacerdote mal falava o Português ou a língua do país; não atinge o povo e quando o faz torna-se adoração cega, pois as metáforas da Bíblia não são entendidas pelos semianalfabetos. Os padres na maioria italianos nem sabem falar o Português direito e não entendem as carências do povo. Surgem seitas; religiões mais populares começam a crescer.
A juventude vai aos poucos moldando seus valores, princípios, gostos e desejos e principalmente sua visão de vida e mundo, dentro de sua lógica e meios para prosseguir. Agora já são os filhos da juventude coca-cola que estão na jogada. Nascidos na década de 50, já estão na adolescência. Se a primeira era rebelde, transviada, esta última é desligada quanto ao “establisment”, quer libertar-se de vez dos resquícios de autoritarismo, fascismo e educação “quadrada”, rígida, autoritária. Nada que tenha conexão com o sistema antigo é válido; o jovem quer lançar-se a sua própria experiência, bater a cabeça no muro por sua conta. São estimulados a isto pela indústria e comércio que desejam explorar a onda e modelar novos consumidores. As forças econômicas de produção e consumo logo viram nos jovens um mercado consumidor nunca antes visto. Há produtos novos para os jovens, produtos unisex, produtos de todos os tipos e há os produtos nocivos também. Os meninos usam cabelos compridos, afrontando o machismo ocidental. Os milhares de instrumentos e peças de vestuário possibilitariam a expansão do comércio do Ocidente para o mundo. E o episódio mais marcante desta época é a revolução da juventude na França em 1968, o que se espalhou pelo mundo ocidental, dizendo que não queria seguir os velhos métodos e educação rígida de até então. Era a mais moderna revolução francesa, num contexto cheio de uma juventude ansiosa e com sonhos de liberdade com vias à libertinagem e perda da dignidade, o abandono de si como protesto, o uso de drogas. Já aí verificam-se os primeiros atos das forças econômicas para exploração da juventude e a própria extensão da juventude até os 30 anos com protelação de casamentos, alongamento do período de entrada no mercado de trabalho, filosofias existencialistas, desnecessidade de fazer patrimônio, de “ter”, ideologia do “ have fun”. A fase da adolescência e juventude marcada pela vontade de a pessoa ser aceita e o início da sociabilidade é explorada ao extremo e lança tendências para a juventude do mundo inteiro.  Com as drogas vem o negativismo, as tatuagens, o obscurantismo cultural, o exotérico cadavérico. O anseio de liberdade concentra-se na mediocridade de afrontar o comum, o visual, a moda tradicional, o comportamento regular entre as pessoas. O negócio é escandalizar os mais velhos. 
Entre nós, a juventude universitária tinha uma motivação maior, pois estávamos no início da ditadura militar e os conflitos de rua, promovidos pelos estudantes universitários motivou o endurecimento do regime, dando a médio prazo mais combustível para o ideal libertário e democrático da juventude. Censura de obras culturais fechava o bico de qualquer expressão de revolta política ou libertária, tida como subversiva. Bane-se o ensino de Filosofia nas escolas e universidades para evitar o espírito crítico. Surge a restrição de direitos políticos etc. Tudo aguçava o anseio de liberdade. Os adultos tinham medo da repressão política e a população seguia o toque de caixa e a ordem do dia, mas o progresso seguia a toda. Havia programas de eliminação do analfabetismo como o Mobral e atendimento à miséria como o Projeto Rondon. O plano econômico era o do Milagre Brasileiro, a infraestrutura estava recebendo importantes obras para o futuro, a industrialização estava por conta de multinacionais, obras e mais obras surgiam no dia a dia, estradas estratégicas e aparelhamento de portos. As grandes cidades recebiam financiamentos para obras viárias, surgiam cidades industriais longe de São Paulo. Estava sendo construído um país realmente grande com financiamentos do exterior.  Era uma verdadeira revolução material, sem a qual hoje estaríamos em miséria muito maior.
O cenário político era pacificado com meios ditatoriais. A juventude em geral seguia livre, sendo abastecida por suficientes mensagens subliminares.  A indústria e o comércio investiam em propaganda para criar hábitos e também  aumentar o consumo.  O objetivo era condicionar e conduzir  a juventude, um mercado sem limites.  Para isto era necessário dar poder à juventude, libertá-la dos costumes domésticos e do poder do pai de família, que centralizava o poder aquisitivo. A vontade de liberdade virava negócio a ser explorado. Aqui o capitalismo não teria eira nem beira. Aqui, o choque de gerações corria mais lentamente com os pais perdendo poder e controle, mesmo porque os pais não queriam repetir a rigidez com que foram criados. A juventude coca-cola e, grande parte não tinha o pulso firme para educar e mesmo orientar os seus filhos na década de 60 e seguintes. Com o aumento do poder aquisitivo, muitos pais criavam seus filhos no pensamento de “eu não quero que meus filhos passem o que eu passei”, assim criavam reizinhos e cinderelas que também no futuro próximo já como adolescentes ou adultos, face às crises econômicas, não encontrariam reinos e seus príncipes, mas uma realidade mais dura que o esperado.  Também a necessidade de os pais trabalharem fora, deixava os filhos livres em casa, pelo que as forças influenciadoras externas estavam livres para agir como desejassem e moldar mentalidades mais “modernas”. A TV já funcionava trazendo para dentro de casa novelas de mudança radical em hábitos e costumes, veículo de lançamento de modas, integração de classes sociais, democratização e transformação social, tudo com viés político e econômico.  Os horários de estudo e leitura diminuíam. Já havia distração demais. Ao início ser livre era não estudar, fumar, beber, ir para a rua com os amigos, contrariar os pais para mostrar independência. Surgem os pais permissivos e as mães cheias de culpa por deixar os filhos em casa.
As novidades eram diárias e a vida prosseguia com as limitações de um país de terceiro mundo querendo crescer e participar do mundo, livrando-se da miséria, do analfabetismo, do atraso industrial etc.
Com o passar dos anos, o Governo militar preocupava-se em conter a crescente oposição política e os artistas censurados, também em busca da liberdade; a luta era travada no campo político e tomava conta do cenário e do noticiário enquanto a juventude seguia solta, mesmo porque a maioria sem escola mergulhava cega nos novos hábitos, comportamentos e atraída pelo brilho dos materiais de moda. Apesar dos esforços para eliminar o analfabetismo, este sempre estava por trás do cenário social. Poucos tinham oportunidade de estudar e uma minoria podia ir à universidade, na época, em grande maioria pública, que contando com restrições orçamentárias só podia oferecer um número limitado de vagas. Mesmo que houvesse mil bons candidatos, só 100 poderiam passar. Uma tragédia educacional.
Iniciada a década de 70, um fator ilusório de grande potencial aconteceu, o Brasil conquista pela terceira vez a Copa do Mundo de Futebol. O povo é distraído, a inflação está baixa, a industrialização está a todo ritmo e as fazendas agora plantam soja para exportação. A juventude universitária fica amedrontada com o endurecimento do regime militar, os políticos estão quietos e a TV agora é em cores. As cidades se incham com gente do campo, perdem identidade, surge o anonimato urbano e desaparece o controle social e visual de quem é quem e o que tem.  O emprego ainda não é problema. Os jovens que conseguem escola, estudam pelo sistema antigo enciclopédico, conforme a escola francesa. Salvo os bastidores políticos e artísticos, há estabilidade e a população está em relativa calma. O plano econômico Milagre Brasileiro vai bem. Todavia, em 1974, ocorre o choque do petróleo. A Arábia Saudita aumenta o preço e isto é fatal para muitas economias do mundo. O Brasil é atingido brutalmente e o regime militar sofre o impacto em suas estratégias econômicas e financeiras para o país. A inflação aparece para começar a minar a economia e todos os fundamentos são afetados. O regime militar muda o pensar porque entendeu que não haveria mais Milagre e o bom futuro seria interrompido, todavia, continua a repressão política e a censura, o que deixa a oposição irritada e em ação. No entanto, muitos programas reformadores do Governo continuam, agora sem muito entusiasmo.
Mesmo com as agitações e motivações políticas, a juventude continua com seu ideário inovador. A música agora é do “tropicalismo”, bastante brasileira, inovadora, mas seu conteúdo muito popular e brasileiro contraria o regime e a censura age. É lançada a campanha “Brasil ame-o ou deixe-o”. Muitos são exilados ou abandonam o país temporariamente. As forças de influência sobre a juventude e a população em geral continuam, com ou sem conhecimento oficial.
Apesar de o choque do petróleo ter abortado os sonhos brasileiros de economia forte, muitos resultados começam a aflorar comércio e a indústria através do marketing muito bem estudado trabalham em conjunto com a TV para intensificar a mudança de hábitos de consumo e a cultura do país de modo uniforme, espalhando o estado de evolução social de Rio e São Paulo para todos os cantos do país.  O país deixa de ser o local só de “jeep”, FNM e fusca. Há uma pluralidade de modelos de carros fabricados aqui mesmo. Os “sports” nascem com força após as Olimpíadas do Canadá e o país deixa de ser só do futebol. Os jovens tem mais campo para diversão e também futura profissão.  O comércio e a indústria crescem e continuam a afrontar os paradigmas católicos, entre eles o que pregava que o lucro é pecado. Já há jovens entrando no mercado de trabalho com salários maiores do que o de seus pais. A grande maioria de jovens que são empregados nas áreas de serviços ganham salário suficiente para bancarem sua independência e liberdade. O plano de acabar com o chefe de família começa a dar certo e a juventude ganha as ruas e pode comprar o que desejar.  Homens e mulheres jovens adquirem poder aquisitivo e o dinheiro fala mais alto do que o poder dos pais em casa. Mulheres começam, em maior escala, a assumir funções até então só para homens, a mulher começa a ter liberdade de escolha e salário para calçar seus projetos. 
Na escola, para os poucos privilegiados, os estudantes ainda continuam com o curriculum enciclopédico, aprendendo quase de tudo, no sentido de que a escola deveria mostrar ao estudante todos os cantos do saber e assim formar cidadãos inteligentes, esclarecidos e críticos. Tal motivação, no entanto, foi também objeto de reforma. Surge a reforma do ensino. O estudante não precisava mais ter noções de todas as matérias, entre elas filosofia, sociologia, psicologia, literatura, música etc. Bastaria Português, Matemática, História e Geografia, pois o objetivo era democratizar o ensino e fazê-lo se dobrar as necessidades práticas da indústria e comércio. Hoje, tantos anos depois sabemos no que resultou tal reforma e continuamos a ter 96% de semianalfabetos. As vagas no ensino público continuam no mesmo número e o vestibular segrega milhares de jovens.
Assim na década de 70, ainda tínhamos um Brasil identificável com anos anteriores quanto aos movimentos sociais; a juventude, embora toda a estrutura mediática para torná-la consumidora, ainda era familiar; os que tinham condição de estudar o faziam e os pais e a família ainda eram referência, embora já descorada. A liberdade era limitada a fumar, beber, sair sem permissão dos pais, contrariar alguma ordem ou costume social, tudo ainda dentro dos tímidos limites da sociedade. Poucos jovens deixavam de estudar, de ver o estudo como segurança para o futuro, de perder interesse pelo coletivo, de não se interessar pelo conhecimento e de desrespeitar o Governo. A violência era aquela normal, com crimes geralmente de origem patrimonial. As drogas ainda eram a maconha e a bolinha de anfetamina, vindas do Paraguai e os jovens usuários eram facilmente identificados.
E então chegamos aos anos 80, com o regime militar já desistindo do Poder e preparando-se para a redemocratização do país. O cenário político agitava-se com tal perspectiva. Os exilados voltam, ocorrem eleições diretas, a política dos atuais políticos é restabelecida. Os militares retiram-se lentamente e conforme sua programação, não obstante a oposição ( basicamente o MDB) não perdesse tempo em promover passeatas e comícios para faturar o momento e fazer-se de grande vencedor . Com a retirada dos militares, a horta está aberta aos sedentos e famintos que haviam sido impedidos de fazer negócios por mais de 20 anos. As porteiras estavam abertas aos corruptos. No entanto, o país já estava em outra época. As obras do regime militar surtiam efeitos e havia infraestrutura, empresas públicas, as economias mistas de luz e saneamento. Agora tudo entregue às mãos dos políticos, muitos hoje na cadeia e com múltiplos processos criminais.
Sossegado o país quanto à política, o discurso contra a ditadura etc. desaparece e o país respira ares novos: cheios de inflação, crise econômica, dívidas externas monstruosas, as quais teriam sido facilmente pagas não fosse o choque do petróleo e a continuidade do plano econômico traçado.  Não obstante a crise econômica, comércio e indústria vão em frente e continuam com mensagens inovadoras para aumentar o consumo via a mudança de hábitos sociais, utilizando companhias de marketing com direta participação na TV, aparelho agora mais acessível. Jovens são escolados na TV em várias orientações libertárias contra os pais, a família, ressaltando o individualismo, o hedonismo, pragmatismo, o existencialismo etc. Em tudo o país, católico em sua maioria até então, ressente a contrariedade aos valores e princípios com que foram criados no rebanho e o certo e o errado estão sendo contestados. O sentimento é de incertezas e desorientação que a inversão de princípios traz, mas nada é feito por quem deveria tomar providências. Com os pais fora de casa, face à dificuldade econômica e os anseios de liberdade já mencionados como características das gerações pós-guerra, a informática vai surgindo com seus aparelhos, jogos e uma lógica agressiva contra o Próximo. Ao início apresenta-se como maravilha do século e um belo modo de distração. O instrumental é uma luva na mão dos professores invisíveis e seus intentos libertários, que fazem surgir  das telas de computador uma nova mentalidade, uma nova lógica só acessível aos jovens em formação e apartada da mentalidade dos pais, muitos dos quais delegavam à escola toda a parte educacional. (Também pais semianalfabetos ou muito ocupados que já não tinham condição de acompanhar o aprendizado dos filhos na escola, acabaram deixando os filhos soltos neste campo. Ainda outro aspecto a ser considerado é a falta de espaço em casa para estudar e ter livros face à miséria das residências onde não havia hábito de leitura etc. Com pais semianalfabetos ou analfabetos, onde encaixar a necessidade de estudo e sua validade na vida diária, qual o incentivo prático diante da necessidade de sobrevivência pelos pais? Sem exemplos e sem incentivo, o jovem estava sozinho também neste sentido.) Como a escola não possuía computadores e ainda funcionava com métodos antigos para a aplicação de um curriculum escolar pobre, os jovens vão criando um mundo à parte entre eles, dissociado da dos pais. Vai nascendo um hiato, campo livre onde as mensagens subliminares com diversos interesses de caráter libertário comportamental atingem os jovens de todas as idades na solidão de seus quartos e salas. O Governo, priorizando obras de propina, de longe abandona a Educação Pública, porque não há verbas, não dá voto e os resultados são de longo prazo. O espaço entre escola-pais-jovens está livre para qualquer orientação.
Aos poucos, os pais vão ficando como dinossauros e a escola como parque dos desinteresses.  Aliás, a escola como espaço físico esta a cada dia sofrendo os reflexos da selvageria humana, pois as notícias trazem fatos alarmantes como vandalismo, furto de objetos para o ensino, furto de comida, “bullying” entre os alunos, assaltos em horário de aula, venda e consumo de drogas, tiroteios e mortes, professores ameaçados e agredidos por alunos etc. A questão é só falta de verba? A área da Educação ficou isenta da corrupção e das negociatas feitas por políticos? A escola é centro seguro de ensino hoje?
Ao mesmo tempo, atendendo aos chamados do comércio e indústria, milhares de jovens procuram trabalho no setor de serviços em busca do salário que lhes daria a liberdade e independência e passaporte ao poder de compra e acesso a milhares de novos produtos da indústria brasileira. Começam as surgir os supermercados e as redes de lojas de departamentos com mais intensidade e fora de São Paulo e Rio. Criadas as necessidades de consumo, a juventude entra de cabeça e tudo na onda de serviços, prevista por Peter Drucker. A pressão consumista aumenta com a crise econômica e a necessidade de o Governo aumentar a receita tributária.  Todavia, a chance de trabalho em subempregos  atrai estudantes e jovens sem estudo. Muitos passam a estudar à noite e muitos abandonam os estudos ou mesmo desistem de tentar achar uma vaga no sistema escolar. Há então menos horas de estudo, menos tempo para leitura, a juventude é conduzida pela dinâmica do mercado-salário-consumo.  A juventude que fica em casa é distraída pelos aparelhos da informática e jogos de computador. A escola fica mais distante com seus conteúdos sem atração ou de dinâmica atrasada em relação ao mundo que os jovens estavam adotando.
As crises econômicas não evitaram que o país fosse tornado uma feirinha de eletrônicos. Um imenso mercado consumidor de televisão e computador, este ainda rudimentar. A década de 80 foi marcada por crises econômicas, inflação crescente e política estável. Desviava-se dinheiro público no silêncio dos balcões de negócio das empresas e repartições públicas, a corrupção era ignorada. As drogas e a violência social ainda não perturbavam as autoridades. A Educação não era prioridade mesmo, mas a consequência de tal crime contra a juventude e o país não eram sentidos claramente. O país acomodava-se a sua mediocridade, vazio cultural e ao fisiologismo, tudo de acordo com o estágio civilizatório possível no momento.
A população ainda ressentia-se do cenário passado onde tudo que exaltasse a Pátria era tido como adesão ao regime militar. Se de um lado a oposição havia pregado isto, de outro o regime tinha sido contra qualquer movimento que fizesse referência a manifestações populares, direitos e etc. que não estivesse estritamente contido nos limites da ordem do dia do quartel.
Nesta dualidade de negações, durante e após o regime, o espírito crítico era qualidade só para alguns. A juventude, em sua esmagadora maioria, ficava “a latere” e mesmo que com seu anseio de liberdade física e econômica não se interessava muito por política. Aos poucos e inconscientemente os jovens iam definindo sua visão de mundo com especificações novas, retiradas das lições dos mestres invisíveis, estes falsos libertários, interesseiros e com intenções escondidas, porque exploravam o instinto de liberdade humana e a manipulavam e conduziam para objetivos nunca transparentes como: destruição de valores e princípios, mudança de pensamento, hábitos e usos, transposição do individualismo, pragmatismo e comportamento egoístico sempre instigando a competição e a comparação entre os jovens e demais pessoas, o que vem caracterizando a sociedade como um todo e fornecendo alimento à violência, intolerância, fanatismo e extremismo na medida em que o ego não é satisfeito, gerando insatisfação, medo de perder e muita ansiedade colocada em prática través de ações se reações de conflito), pragmatismo, utilitarismo do ambiente de trabalho para o relacionamento pessoal, descrença em regras de respeito ao Próximo, transferência de caráter obsoleto e transitório dos materiais para a relação entre humanos, abandono do coletivo, desrespeito a autoridade do Estado e do pai de família, crença de que a vida é curta e não há o porquê de se entregar a algo definitivamente, total obliteração do conhecimento das fases da vida, desinteresse por reunir patrimônio e pelo casamento, emprego descartável, negativismo e adoção de padrões estéticos correspondentes, descrédito do estudo, leitura e pesquisa, exaltação das vaidades e do ego, adoção de comportamentos frios, calculistas etc., etc., etc. Destarte a juventude vai catando aos poucos subsídios para montar sua lógica de mundo e a partir dela escolher seus objetivos e sonhos de vida, diferentes da dos professores, pais, avós, diferentes das do Estado e de todas as gerações até então. Com tanta diversão e fontes de variação o mundo da informática ainda engatinha na década 80, mas se prepara para se apresentar como instrumental eficaz para as aulas dos mestres invisíveis de um modo a atingir a juventude fabulosamente.
Mesmo sem computador ou com os computadores pré-históricos, com  celulares bem limitados e sem aplicativos, a juventude apresenta-se desligada do mundo dos adultos da época, mas muito ligada ao seu mundo e ao instrumental fornecido por jogos de computador, cujo nascimento foi feito no treinamento de soldados americanos que necessitavam ir à guerra sem piedade de matar o inimigo; eram jogos para diminuir a sensibilidade humana. E o Governo não soube captar a importância do momento, negligenciou, deixou de aproveitar a energia do jovem e orientá-la para o Bem. Os professores estavam sem equipamentos e restritos à programação escolar defasada e monótona. Os pais de época não sabiam controlar a onda e ressentiam a perda de poder junto aos filhos porque não participavam do mesmo mundo, o virtual que ia fazendo o real, em divisão na mesma casa. As sementes lançadas progressivamente nas décadas anteriores iam germinando.
E aí chegamos à década 90. A crise econômica estava devastando o país com uma inflação tornando-se incontrolável. O cenário político era dos políticos e os militares estavam fora. Greves eram comuns. Agora o Partido dos Trabalhadores era a oposição. A corrupção certamente continuava às escondidas e nada era divulgado. Farra total na Bolsa de Valores e empresas estatais e de economia mista. Todavia, os interesses externos não perdiam de vista o mercado Brasil, a feirinha promissora para as telecomunicações, aparelhos de informática etc. O país ia mal, mas havia mecanismos de recuperação dos efeitos inflacionários que davam renda extra para muitos, eis que a havia uma distorção entre índices e o preço real no comércio. 
Foi a partir de 1994 que a economia melhorou. Com a estabilidade, a informática invade o país com maior qualidade, a telefonia recebe um grande impulso , os celulares melhoram , surge a internet, e daí em diante a evolução dos meios acompanha o mundo. O Brasil liga-se ao globo e a população usufruiu da abertura dos portos, dos produtos e tudo. A juventude vê um incremento substancial na comunicação para o seu mundo e o que dele  quer fazer. Tal fato reforça mais a separação deste mundo jovem quanto ao mundo da escola, dos pais, dos professores. O conteúdo escolar, mesmo nas escolas particulares, monótono e envelhecido não acompanha a agilidade de informações e possibilidade de pesquisa no mundo virtual. O Governo perde-se de vez quanto à Educação na medida em que não tem verbas para equipar as escolas e universidades.  
A revolução dos meios é contínua, agressiva, ansiosa, rápida e cativante. A escola fica no passado, as aulas ficam na boca de professores defasados. O discurso jovem divorcia-se da realidade da escola e até da família. Todavia, por mais brilhante que sejam os materiais, os meios de comunicação, há mensagens subliminares conduzindo a juventude para falsos objetivos e interesses meramente egoísticos de consumidor e aparência, esquecendo as fases seguintes da vida.  A juventude parece eterna, mas mesmo assim é estendida até os 30 anos.
Os meios podem ser variados, mas o fim, a vida é a mesma. Há contas para pagar o fim de cada mês, há responsabilidades, há o Enem, o vestibular, a seleção para o emprego e há as fases da vida. Não se vai poder trabalhar eternamente em subserviços, andar de skate, de boné, ganhar pouco e só para pagar contas, ter o celular para o exercício diário do vazio do ti-ti nas egoísticas redes sociais etc., etc. Mas o jovem continua sendo iludido, desorientado por mestres invisíveis que continuam atuando no espaço deixado aberto pelo Governo, pelos pais e escola.
Começa a ser mais visível a mudança de mentalidade do jovem com o desinteresse por itens fundamentais para a vida de adulto com responsabilidades.  Num mundo de “fazedores”, as rápidas mudanças de tecnologia dos anos 80 em diante, quebraram os ensinamentos de “avô-pai-filho-neto”. Há uma ruptura total e a quebra dos modelos e padrões de educação. O adolescente foi “empoderado” com equipamentos e aplicativos de informática que aceleraram a comunicação e a troca de informações; adquire poder de acesso a fontes de informação que só ele na família possui. Isto quebra o diálogo e faz surgir uma nova crise entre gerações, pois os “velhos” se retraem e deixam de passar ensinamentos para a vida e importantes para o relacionamento. Com redes sociais e tantos outros meios de comunicação, o diálogo fica mais distante e o jovem mergulha no seu mundo à parte com seus colegas e amigos virtuais que por vezes nem conhece. Os adultos, na maioria despreparados para lidar com esta realidade, sentem-se de lado, deixam de mostrar o caminho certo. As crianças ficam sozinhas na frente da tela de seus computadores de mão em casa, na sala de aula ou em qualquer lugar. Será que o pai da jovem que disparou a revolução da Primavera Árabe sabia que a filha pelo computador iria provocar a queda do Presidente?  Assim, hoje não se escuta o jovem dizer “meu pai  ou meu avô me ensinou que ...”, mas “eu vi na internet, no Face Book ou fulano me disse que ...” As orientações vem de fora de casa, de fontes diferentes. E isto ocorre muitas vezes no período de adolescência quando o jovem mais precisa de orientação para resolver suas inúmeras perguntas existenciais. O mundo virtual enche os jovens de sonhos manipulados, desprezando a realidade da vida e dos pais.
Logo a ilusão começa a desaparecer e a contrariedade do mundo feito como mundo real cria o desajuste, fazendo surgir os jovens sem leniência para enfrentar as situações de relacionamento pessoal, as dificuldades no emprego ou no desemprego, as separações e conflitos pessoais e com o Próximo. Não era o mundo que esperavam. Nada corresponde a realidade montada com vídeos, games, mensagens subliminares de sucesso e consumo, de vida em si. Há insatisfação quanto à realidade. Desta juventude estendida até os 30 anos, quantos estão preparados para serem pais e contrariar seus pretendidos padrões de interesse e fantasias plantadas em suas mentes? Nasceu certamente um número considerável, multiplicando a figura do Peter Pan.Há resistência em entrar para o mundo adulto e contrariar tudo que pensaram de mundo e vida.  No entanto muitas antigas tendências já viraram realidade e são o passo para a sociedade em constante fluxo e mudança. Não há retorno. Com valores, paradigmas, incertezas, ansiedades cada vez maiores, idiotices pessoais e coletivas e o jovem terá o mundo que fez em sua distração e negação do “establisment”. Mas é certo, para todas épocas, que sem estudo, desejo pelo saber, ciência e controle do ego nenhuma liberdade será atingida com sucesso. Sem estudo, uma geração será vítima da outra. Sem discernimento, sem esclarecimento, o Governo terá cada vez mais dificuldade, mas não deixará de se fortificar, para controlar a população egoísta, fisiológica, bruta, animal, fria, calculista e violenta.  Teremos mais violência oficial e mais a do povo.  O povo é sempre maior que o Governo.  
Ademais, o país, em permanente crise econômica, não oferece oportunidades para realização pessoal, nem empregos à altura de seus conhecimentos. A pressão consumista feita até então gerou uma demanda reprimida enorme e difícil de ser satisfeita. A frustração é grande. Sem emprego é ainda maior. O recurso ao crime, ao mercado do submundo aumenta.   Os que conseguiram uma Educação de qualidade por talento, sorte ou poder aquisitivo dos pais podem ir para outros mercados no exterior, mas sofrem com a solidão e a depressão, a saudade da família etc.      
Quando o jovem já não é tão jovem mais, começa a ser vítima da exclusão em tudo, não tem emprego, não pode comprar, não tem o que fazer, não pode se mostrar a contento etc. Os resultados só levam à ansiedade, a frustração, a tristeza existencial e a depressão, a violência contra si mesmo e contra o Próximo, as tentativas de fuga e todas as consequências que a contrariedade ao ego trazem. Os traumas e problemas gerados para o mundo interno das pessoas são então considerados como dramas individuais e nunca erros estratégicos do Governo e sua negligência quanto à juventude.
O país já sofreu a tentativa de ser um convento, um quartel, um circo e agora chegou a infeliz época de uma grande clínica psiquiátrica, o que não vai acontecer de modo algum. Perante as necessidades materiais e o analfabetismo, o mundo interno de cada um não recebe qualquer atenção e deve ser solucionado pelo próprio sofredor.  
A juventude enganada está aí, é inteligente, é criativa, é esperançosa, mas construiu um mundo diferente e nele terá que viver sozinha. Haverá erros e acertos, mas tudo será uma nova realidade e terão que achar suas soluções para poder sobreviver. O Brasil será deles e para eles. Com 96% de semianalfabetos, a realidade será muito disputada entre jovens que podem e jovens que não podem. Campo propício para o nascedouro do ódio social, quando a mediocridade entra em cena e o ego de vaidade , ciúme e inveja comandam a mente.  Muito egoísmo, muita frustração e muita violência. O maior desafio é acabar com esta porcentagem maléfica de 96%. Para isto a Educação tem que ser prioridade. Haveria muito para ser feito com o aparelhamento das escolas, capacitação de professores.
Pessoas sem estudo são limitadas, desqualificadas, vivem frustradas e incompletas. A falta de estudo prejudica o pensar, embrutece, recalca, cria o cidadão de segunda categoria, condicionado a viver em estritos limites da liberdade outorgada. Há aumento da intolerância, radicalização, procura pela tribo igual, e o consequente repúdio à diferença. A falta de estudo deixa a pessoa exposta à manipulação das lições subliminares dos “professores” da má orientação, que vem usando o mais fabuloso dos inventos, a informática e seus aplicativos que deveriam ser usados corretamente para o Bem.
Hoje com a diversidade de meios e aparelhos cada vez mais admirável, tudo isto é usado também para o Mal, por pessoas malévolas e criminosas que se dirigem aos incautos dando-lhes falsos nortes e estimulando para que usem o ego para mostrar suas baixezas animalescas e vários tipos de violência. Só o estudo e o esclarecimento podem ser o antídoto contra o ego humano, hoje tão explorado pelas forças invisíveis. A liberdade é sempre o objetivo da humanidade, mas envolve responsabilidade, comprometimento social, estudo, esclarecimento, boa referência e aquisição de níveis superiores do pensamento. Com uma porcentagem tão alta de semianalfabetos é quase utópico pensar que a liberdade será atingida, mas é a única saída para o Governo, porque a liberdade é instinto humano e será sempre perseguida com Governo ou sem ele. Falta de educação pode culminar na avacalhação social, desrespeito civil, desgoverno etc. O controle de uma massa é sempre impossível com a lei e os meios policiais.
 Assim, no espaço de abandono deixado pelo Governo, pais e escola, a juventude de todas as classes sociais está sendo nivelada, achou e acha seus meios e montou e monta seu mundo. Teve por instrutores os agentes variados de influência boa e má, catou seus fundamentos e está para assumir o Brasil das próximas décadas, com sua mentalidade, com seus valores, desejos e prioridades. O dia a dia já indica os resultados que vão alcançar sem estudo, sem interesse pelo saber, sem leitura.  Mas, certamente, estarão com seus computadores e celulares ligados e os mestres invisíveis fazendo a cabeça de seus filhos. Continuará a pressão sobre os jovens e a população quanto ao consumo. Não haverá pausa, Governo, comércio e indústria precisam de receita para sobreviver. As dificuldades continuarão quanto à empregabilidade e a qualificação dos economicamente ativos e inativos.
Muitas pessoas já entenderam que sem estudo não farão patrimônio, não serão ricos nem conseguirão muito. O paternalismo estatal será cada vez maior, não será possível escapar do fascismo, entendido como controle estatal sobre o indivíduo, modo mais comum de conduzir um rebanho. Quais os limites da liberdade almejada pelos jovens em tal cenário? Será que tal liberdade resolve-se no sair de casa, fumar, beber, usar drogas, mostrar irreverência, afrontar a polícia, tomada como Governo, comprar o que desejar? Que tipo de ações ainda mais desesperadas será colocada em prática pela juventude que hoje ocupa lugares em subempregos no setor de serviços quando descobrirem que ganharam idade e as tarefas e o salário não são mais compatíveis com suas necessidades de adulto, casados ou não? Com o previsto envelhecimento da população, haverá jovens para garantir a substituição?
O desafio será sempre qualificar a mão de obra para os empregos do futuro. Se hoje forem tomadas as medidas corretas quanto ao conteúdo e aparelhamento da Educação por pais, professores, escola e Governo, só em 20 anos teremos resultados. Dar orientação correta e diminuir a influência de mestres invisíveis no meio tempo é o modo de diminuir a imposição de mentalidades adversas, só combatida com uma Educação que vise ensinar a lógica dos sistemas da vida, crítica, filosofia geral, para que as pessoas saibam lidar com as informações e suas diárias transformações. Isto é vital, pois o conteúdo dos livros está mudando diariamente face o avanço da pesquisa e da ciência. Portanto, melhor que ter informação é saber lidar com sua evolução e transformação. 
O Governo dorme quando não aproveita a energia, a inteligência e o potencial da juventude, altamente informatizada e apta a lidar com os meios, esperando  boa orientação para usá-los para fins úteis e de bom futuro. Na falta de boa orientação, o jovem está exposto.    
As linhas gerais foram estas. O Brasil do pós-guerra, até hoje, nunca foi para todos e nem construiu bases até agora para deixar de ser.
Seja lá como for o modelo de Educação formal a ser adotado para ocupar o espaço vazio até agora existente, só terá sucesso se afastar os mestres que reforçam o homo-asinus, egoístico, bruto, fisiológico e dado à violência.
Somos brasileiros resultantes do tempo feito por gerações anteriores em casa, na escola e no Governo. Esperamos que nossa nossos passos de hoje sejam corrigidos e que ensinem o futuro a andar em passo mais seguro e honesto. Pelo menos uma década à frente ainda viveremos sob o domínio das consequências das aulas dos “professores” do passado, sob o risco de vermos  aulas inéditas. Por falta de a Educação ser prioridade, estamos atrasados, perdendo trens na História, perdendo energia.
Um questionamento que pode estar sendo feito por alguns do Governo, talvez seja: “mas se a Educação de qualidade tiver sucesso ,a tingir a todos , haverá lugar de emprego para todos, se o país não crescer economicamente? Esta não é a realidade de tantos países que exportam mão de obra qualificada porque suas economias não entregaram o que prometeram ? Não se pode tomar decisões estruturais com base em tais questionamentos. A Educação é dever do Governo e tem que ser de qualidade e ser ofertada para todos, independentemente da situação econômica do momento. O ideal é formar o ser humano, qualificá-lo também como pessoa para que saia da miséria do vazio existencial, saiba controlar o ego e adote a civilização como meio de vida e todos os progressos que ela oferece com discernimento e esclarecimento. A Educação não é treinamento para exercer funções de fazer e produzir, é muito mais ampla, é melhorar o ser humano, o cidadão. Um belo modo de acabar com os castelos de areia montados pelos mestres invisíveis, falsos libertários com suas criações fantasiosas, transitórias, o que só gera contrariedade, frustração, ansiedade, medo de perder e depressão.  
Sempre alguém que tenha sobrevivido com suficiente espírito crítico em cada geração, preocupa-se com a linha geral, com as tendências e sinais de alerta na Educação e outros setores, porque a cada geração não sentem segurança para os jovens no futuro e têm a sensação de ver o Titanic afundando por falta de estudo e certeza no rumo a tomar para o intelecto, hoje cada vez mais exposto ao vazio da transitoriedade e ao terror da manipulação e péssimos condicionamentos. Sem estudo, sem esclarecimento, a mente fica exposta à  manipulação, ao fisiológico, ao segregacionismo, à radicalização etc. que dificultam a participação na democracia. A juventude que anseia liberdade é a primeira a ser manipulada. Não existe liberdade, se a mente que a deseja é cativa de forças externas de fonte diversa e objetivos transitórios, interesseiros e de natureza duvidosa. O instintivo sonho de liberdade pós–guerra não estaria em perigo? Os jovens manipulados não são a nova versão para a função:  escravo? 
Uma Educação de qualidade para reocupar o espaço existente entre juventude e o Governo, escola e família, envolve conteúdo curricular adequado, aparelhamento de informática, novos métodos, professores capacitados.   Isto se desejarmos realmente participar do mundo industrial e científico e não decidirmos ficar só como fazenda e local de extração.  Se efetivamente for esta a decisão, que o país se conforme com isto e não queira “comer feijão e arrotar camarão”, porque não precisará de pessoas qualificadas e aptas para o trabalho como ocorre numa economia inteligente, criativa e competitiva. Brasil fazenda e mina continuará a exigir o bruto, o fisiológico, o insensível, o “homo-asinus”, egoístico, este não precisa de estudo, vem com a Natureza do rebanho, isto é, galera.
Portanto, por várias décadas do pós-guerra, vários foram os eventos que podem ter reforçado a formação de uma nova modalidade para a juventude que com ela irão gerenciar o “mundo” nas próximas décadas. E seus filhos, se os tiverem, e se incomodarem serão calados com um celular ou game para que  fiquem quietos e não perturbem ou “ não encham o saco”, o que hoje já se observa em alguns casais de nova geração. Os próprios pais a título de egoísmo ou por ansiedade, pensando estar introduzindo a criança, ainda com o cérebro em crescimento, à modernidade e igualdade com as demais crianças introduzem o aparelho do século, expondo as mesmas às lições subliminares dos mestres invisíveis. Ademais milhares já são filhos de pais separados desta geração e só por isso já carregam suficientes problemas pessoais, com graves consequências para seu desempenho como pessoa “livre”.  
Vários fatores e eventos ocorreram, mas seguindo uma orientação subjacente, subliminar explorando o anseio de liberdade dos jovens. Mestres invisíveis com mensagens sublimares foram inculcando sementes. A difusão de tais mensagens certamente foi turbinada com o advento da informática, que invadiu a TV, o rádio, a imprensam, mas sempre com conteúdos feitos por mentes que usaram o marketing na mídia em geral para atingir a das pessoas para seus objetivos libertários tendenciosos. Que liberdade foi atingida com tal manipulação global em sua versão nacional?  
Sem Educação de qualidade, continuaremos a dar saltos no escuro.

Odilon Reinhardt  3.6.2019.