segunda-feira, 3 de maio de 2021

Covid um cruel passageiro da agonia.

 


 

                    

 

                  

                            Covid ,um mortal e cruel passageiro da agonia

                                Por trás do cenário do caleidoscópio.

 

 

Show de multi-cenários.

 

No cipoal de informações,

a mente busca discernimento

um desafio em muitas situações.

 

Previsíveis retrações

diante de um mundo fustigado

com tantas maldições.

 

Informações manipuladas,

dados, quadros, tabelas  e curvas, 

todas cheias de tendências escondidas.

 

Contradições de todo momento,

mesmo a mente discernida

enfrenta congestionamento.

 

A sucessão de contradições,

a estabilização de figuras de entendimento

fica impossível e leva a confusões.

 

Cenários diversificados se entrelaçam,

realidades se misturam em causas e consequências,

todas diante do vírus e variantes  que se alastram.

 

Incoerência,

desmentidos, fake news,

política versus ciência.

 

Para médicos o mundo como grande hospital,

para os políticos um palanque em cada esquina,

para o povo esperança sem sinal.

 

Intransigências,

poucas explicações,

muitas divergências.

 

Decisões experimentais, inseguras,

negacionismo, poucas razões, ressitências,

situações ainda mais duras.

 

Pouco a pouco situações levam a aceitar

que planos e projetos pessoais e coletivos

impossibilitam o viver e o seu normal caminhar.

 

Incongruências ,

a TV no fogo cruzado,

sendo porta voz das falsas transparências.

 

Repetidas inconsistências,

debates inócuos,

insubsistências.

 

Desentendimentos, hipocrisia,

insuficiências , o ego agindo,

péssima energia.

 

Incompreensão popular,

dúvidas nos seguidores;

no que pensar, acreditar?

 

Maledicência

muita discrepância

e a vida de muitos na ambulância.

 

Vulgarização ,

a existência como papel barato,

o desparecer em banalização. 

 

Neste campo tão aberto de desencontros,

morre-se todo dia de ilusão

perante a impossibilidade dos reencontros.

 

Na casa de muitos

o silêncio das lágrimas interiores

em dias cada vez menos gratuitos.

 

Os questionamentos do foro Íntimo,

quem os tenta, vive a agonia

do constrangimento de estranho ritmo.

 

A história privada

sendo muitas escritas em linhas

de violência física e ou moral já depravada.

 

As soluções estão mergulhadas num achismo,

pai te todos os erros e enganos,

um campo para o ceticismo.

 

Ações se reações ,

banalizações , aceitação,

desconsiderações.

 

A realidade e suas diversões,

pessoas podadas em suas distrações,

uma vida agora espartana com poucas variações.

 

A vida pessoal  em crise,

a caminho dos frangalhos,

muito drama em reprise.

 

Insatisfações, contrariedades,

o futuro  em dúvidas,

o ego e suas muitas adversidades.

 

E assim a Pandemia força nova organização,

a vida sendo redimensionada,

a população ainda em vã ilusão. 

 

Odilon Reinhardt.

 

Será bom ter sobrevivido.

 

 

 

Passar por tudo

e ver como vai ficar

a realidade sobretudo;

 

ver quem sobreviveu,

como serão as ações e reações,

quem e o que aprendeu;

 

como será a recuperação,

o que veio como inovação,

que tendência tornou-se situação;

 

Será bom sobreviver,

reencontrar os verdadeiros amigos,

ao que não se afastaram do conviver.

 

Ver a luz de cada novo dia,

sem ter medo e apreensão no respirar,

ter segurança na nova energia.

 

Haverá certamente

mortos vivos ao redor ,

não apoiaram amigos e ou parente.

 

Será bom sobreviver para ver o valor a ser dado à vida;

como o novo normal vai se estabelecer ou desaparecer;

como será o retorno à lida?;

 

ver o brilho dos novos dias ,

os povos em festa,

momento de muitas alegrias;

 

ver novamente o sorriso,

a alegria na livre locomoção;

ver pessoas na rua só por isso;

 

recuperar os projetos, novos planos,

sem medo, sem agonia,

fazer o dia e planejar os anos;

 

ver a atividade  humana,

procurando a prosperidade

talvez mais consciente , mais humana.

 

Receber os verdadeiros amigos para um café,

fazer viagens e festas,

ou simplesmente ir livre por praças e ruas à pé.

 

Será bom sobreviver,

Para comemorar e dizer,

“ eu vi, senti, venci, estou ainda no viver!”

 

Odilon Reinhardt.

 

O Covid é o cruel protagonista e o mais impopular  ator do drama  presente, atua numa peça horrível, que se espera seja passageira,   mas por detrás desta crise pandêmica, cá para os trópicos do sul, persiste um cenário feito de múltiplas realidades, cujo caleidoscópio, talvez poucos estejam observando. É cenário feito com tintas do analfabetismo, da burocracia, do centralismo de controles, das consequências da  corrupção, da ausência de ímã de progresso e estímulo para a juventude e principalmente pelos tons de  expressões da cultura e seu modo de pensar no estágio de evolução que foi possível alcançar até agora.

Tudo vem compondo um dia a dia que parece mentira ou piada de mau gosto, dando as cores para a vida de gerações que se sucedem e acabam seu ciclo existencial sem ver melhoria no pensamento, durante sua jornada de destino sem qualidade, mas sempre ao toque do espírito hedonista e carnavalesco de beira de praia, cuja constante prática é incapaz de cativar o interesse responsável pelo amanhã, diante do festival de incongruências e perante o constante afastamento do crédito internacional bem intencionado. Persiste a prática constante de safáris e turnês econômicas de mera exploração predatória, que avançam pelas ricas veredas tropicais, enquanto o nosso modo de fazer política se abastece dos bons negócios só e na medida dos interesses dos  políticos.

O país, revestido de República e capenga democracia, ainda tem vários aspectos coloniais e teorias econômicas já defasadas,  sendo cediço às aventuras de estrangeiros exploradores; apresenta-se ao mundo com a porta aberta para ser uma feirinha multimarca de eletrônicos importados, campo de testes para a indústria farmacêutica mundial e mercado livre para os produtos asiáticos. A passos largos, perde a identidade e afunda-se nas entranhas da síndrome do cachorro vira-lata, praga que ataca os cidadãos e jovens de modo cruel. Falta sentido de Pátria, falta amor ao Próximo etc. É a terra da fartura mal aproveitada. 

Certamente, o entrelaçamento embaraçoso, na realidade do teatro no qual o pano de fundo, por si só, exibe no dia à dia, ofusca a visão crítica e dificulta a exata análise dos problemas, pois aqui consequências já viraram causa e as causas primeiras já escondem-se no cenário de fundo que a este ponto pouca relação  guarda com a encenação covídica. Nenhum dos dois é teatro para ser visto por críticos amadores. Nas duas peças, a do teatro de fundo e a do primeiro plano, o país é distraído pela TV que mostra o Coliseu à beira das chamas, enquanto as questões de fundo vão sendo jogadas cada vez mais para planos do backstage. As consequências de tal ato vão surgindo e pouco tratamento recebem, de modo que a realidade sofre uma “transformose” enganatória, mas que sempre beneficia forças poderosas do exterior e seus amigos internos e que não se referem mais só ao dinheiro.

A pandemia reforça a necessidade do Estado competente, de um governo sério e isento, de instituições firmes e modelares, mas também, cidadãos patriotas que se dediquem à manutenção de toda uma estrutura oficial que deve ser honesta e acreditável. E acima de tudo, uma população que respeite as estruturas governamentais e acredite que elas são efetivamente a espinha dorsal da organização e apoio da vida.

No que possa valer a pureza de tal modelo republicano e constitucional, sua manutenção depende do fato de a população saber que tal estrutura existe, funciona, é confiável, digna do pagamento de impostos para promover o progresso e o bem estar. Só eliminando o analfabetismo, através da Educação de qualidade, é que a estrutura oficial será conhecida, respeitada e valorizada como patrimônio de garantia para o povo. Sem educação isto fica prejudicado.

É a falta de Educação de qualidade que está devorando nosso país, o qual dia à dia se acomoda a níveis cada vez mais inferiores. Este nivelamento por baixo é que faz a vida esquecer modelos de prosperidade e estímulo ao progresso coletivo e individual, ajoelhando-se obrigatoriamente aos ditames do sempre urgente atendimento à crescente pobreza física e intelectual, realidade decorrente de décadas de mal condução e negligência, pois a Educação não é prioridade, não rende obras e não gera voto. 

Nesta realidade, feita de múltiplas imagens,  é a TV que dá o último retoque e mostra o país sempre na beira do pior, do escandaloso como se nada real de bom existisse e as estruturas oficiais de governo fossem reiteradamente as promotoras de tudo isto que é ruim.  São duchas diárias de pessimismo e derrota levadas à casa do cidadão nas últimas décadas, esteja o Governo na mão da direita, da esquerda, do centro. A mensagem, tendenciosa ou não,  é que não se está indo para frente, mas para baixo. Diante disso não é difícil imaginar qual a visão que um adolescente ou jovem-adulto tem do país e de toda sua estrutura oficial. 

A realidade é mostrada como sonho psicodélico, confusão e fatos ilógicos, desconexos, incongruentes, com idiossincrasia de ideologias customizadas para interesses de momento e já abandonados, para os fins que levaram a sua imposição ao público. Não é realmente um teatro de cenas compreensíveis e intelegíveis  para qualquer um, pelo que é comum na plateia a retirada de um a um dos espectadores, numa explicável atitude de desconsideração e abandono, já que as peças são mesmo confusas, complexas e  mostradas de modo tendencioso. A plateia ao se retirar dá as costas ao coletivo e aliena-se do interesse pelo país e pelas causas públicas. Inclusive, no teatro da Pandemia, tal atitude leva a não acreditar ou seguir as orientações dos órgãos de Saúde Pública e pouco interesse há na preservação da vida, pelo menos até que o vírus ataque sua casa e seus parentes e amigos.

O analfabetismo já é um grande óbice para o entendimento da realidade “covídica”. É um claro exemplo da desconsideração, que  quando desempenhada até por pessoas letradas, é um perigoso aditivo ao cenário nacional. É a descrença no institucional, na política, nas instituições, no sistema legal etc. Que final terá este processo, se aumenta o número de pessoas viradas de costas para a vida nacional?

Mesmo que a TV, hoje elevada à posição, não oficial, de diário das atitudes dos ocupantes do Governo e demais Poderes, exagere no sensacionalismo seguindo supostas tendências e siga noticiando e confundindo a opinião pública, quando não criando instabilidade social, incertezas e descrédito, tudo seguindo pretensas ideologias escondidas em comentários de frases de repetição diária, o discurso, as atitudes e as decisões das autoridades em nada colaboram para uma imagem boa e segura quanto aos três Poderes   e seus ocupantes, como um todo confiável e merecedor de crédito.  Notícias contraditórias, revestidas de tendências, com toques de falta de lógica, mentira  e coerência em vários níveis do Governo, leva o cidadão a concluir que se deve dar as costas à política e tudo mais e focar no dia a dia de cada um, já tão cheio de dificuldades. Ora, os políticos de momento se sentem então à vontade para fazer seus negócios. Mas para os interesses nacionais, diariamente, perde-se a chance de conquistar a juventude e parte mais esclarecida da população; pelo contrário, perde-se cada vez mais sua atenção, respeito e consideração. E isso, como num processo qualquer, vai evoluir até o momento de exigências maiores por mudança, principalmente quando na peça de primeiro plano do teatro, na qual a Pandemia, como ator principal, está criando o momento de atingir o bolso do cidadão, caldo bem salgado e mau temperado para o empobrecimento da população, do que resultará maior pressão popular; não será mais uma questão de gerir o país com ideias de esquerda ou direita, com a polícia ou como exército ou como sindicato, mas de uma exigência de radical alteração estrutural, no mínimo através da elaboração de uma nova Constituição, não sem antes passar por grave comoção civil ou de modo mais pacífico pela total desconsideração quanto à existência de Governo, uma irresponsável anarquia,  hipótese mais provável, em que a juventude e a população seguem vivendo à revelia das ações de Governo, já então acastelado em sua vida somente alimentada por jogos de Poder em seus corredores e salas de luxo. Não estranhará a ninguém escutar o jovem dizer que pouco está ligando para o Brasil, pois já está de malas para ir para o exterior ou o jovem dizendo não adianta estudar nem trabalhar com carteira, o tráfico dá muito mais e o crime compensa.  Dizeres que se hoje são exceção podem vir a ser a regra. E há tantos outros exemplos do que pode vir a acontecer como colheita das décadas de descaso quanto à Educação, a qual sofreu também um estrondoso golpe durante a Pandemia. 

O que se indaga na mente de poucos é quem está realmente por trás de toda está arquitetura, o dono do teatro,  e age através da mídia e de mestres invisíveis com a intenção de deteriorar a imagem, o significado das  instituições e entregar o país como um todo, levando ao desrespeito e desconsideração por parte principalmente da juventude, esta compreendida entre 15 e 30 anos de idade ? Será que os serviços de informação do Governo  não detectaram isto tudo como ameaça à Pátria? Por que não fazem nada? A quem aproveita tudo isto?

Difícil aceitar ou acreditar que isto tudo foi se formando por si, sem uma estrutura pensada por alguém ou é a soma das atitudes de ações e reações de todos os umbigos da cidadania? O fato é que a realidade está ficando pior e o país do “ me engana que eu gosto”, da burocracia e das leis feitas para alguns,  das palavras e discursos bonitos começa a não enganar mais ninguém. Mas o teatro da tela de fundo vai passando, intocável e isento da pobre e cada vez mais segregada crítica filosófica nacional de alguns já intimidados diante da brutal selvageria e incapacidade de entender ou da impossibilidade de agir da maioria.  O fato é que a realidade posta e suas consequências imediatas e futuras serão herança para as gerações que em décadas ocuparão as posições de liderança e decisão. Qual a qualidade desta herança e o que farão com ela?

 

Odilon Reinhardt  3.5.2021

sábado, 3 de abril de 2021

Vestígios desses tempos.

 

 

                                           




                                            Vestígios

                                        desses tempos.

 

 

Dias, semanas , meses passando,

números , curvas, estatísticas;

mais casos e mortos chegando. 

 

Medo, apreensão, dúvidas e agonia ,

amenizados pela esperança e fé dos sobreviventes,  

fazendo cada dia.

 

O horizonte oscila entre o largo e o estreito,

por vezes até some;

as pessoas já não pensam direito.

 

Lamentável, mais um tempo de guerra,

o inimigo é invisível , universal, perverso,

faz ciladas e tem como refém a gente da Terra.

 

Toda a medicina foi pega de surpresa,

aprendizado de 24 horas,

a Humanidade fica presa. 

 

O risco crescente do dia a dia,

agora um risco no respirar,

o vírus atacou pelo ar com pontaria.

 

No entanto, permite com tom de rara compaixão,

a máscara, o isolamento, o distanciamento,

ensina a higiene e  flerta com a vacinação.

 

Muita notícia ruim por um tempo muito longo,

um inusitado período de reações ainda no início;

já quase sem chão, muito humano parece tongo.

 

O imaginário popular fica paralisado,

é orientado cada vez mais pelo umbigo,

o fisiologismo fica ressaltado.

 

As estruturas tornam-se conservadoras empresas,

enquanto muito está passando a ser inútil;

os humanos fechados em suas represas.

 

Muitos dramas da vida privada,

dúvidas coletivas,

a vida constrangida. 

 

Negócios globais, planos nacionais

projetos internacionais, adaptações,

com seus objetos agora locais.

 

Contudo, viciados em fazer negócios nisso,

alguns querem faturar mais a crise, tirar proveito,

ainda não entenderam a dimensão de tudo isso. 

 

Cegos pelas coisas e pelo acumular fortuna,

pensam que tudo é só um jogo,

outra oportunidade como qualquer uma.

 

Não largam o osso,

querem mais e mais,

não veem o macro, o vírus como colosso.

 

A mão está sendo cortada,

querem os anéis,

não entenderam a sorte já cantada.

 

A fazenda está em chamas,

mas só pensam no umbigo megalomaníaco,

insistem em suas tramas.

 

São doentes donos do mercado,

players sinistros na pequena Terra,

pensamentos com o humano desconsiderado.

 

Há políticos e ideais de diferentes rumos,

ganância e politicagem,

deixando o povo sem recursos.

 

A presença governamental revela-se em essência,

organiza, evita o caos, valoriza-se, impõe-se,

mesmo com a politicagem diante de um evento mortal.   

 

A política e seu partidário debate,

“Poder” em jogo, orgulho e vaidade, domínio do ego;

o vírus é politizado, o povo se debate.

 

Continuam as corriqueiras iniquidades, injustiças,

privilégios e atitudes mal pensadas,

mas o  cenário pode estar preparando desgraças.

 

Muitas frases e decisões contraditórias,

verdades e mentiras, a imprensa faz a festa,

confusões e manipulações de confusas oratórias.

 

Governos exprimidos entre receita e despesa,

pressionados pelas realidades locais,

o abre e fecha denuncia certa esperteza.

 

Boa chance para observar e questionar ,

radiografar como funcionam o país, o povo, as pessoas

em tempos históricos deste passar.

 

Somos claramente agora página da História,

milhares de mortos 

em tempos da mais alta tecnologia.

 

É tempo de refletir sobre como agimos,

o que pensamos, sentimos, como formamos pensamentos,

com que ações e reações reagimos.

 

Comércio e indústria

metidos em surpresas traiçoeiras,

pouca garantia, a luta pelo dia a dia.

 

Espalha-se o “homeoffice” como prática comum,

a vida privada é invadida, as empresas economizam,

o pragmatismo vence um a um.

 

A imprensa no papel de informação,

exagerando o sensacionalismo, gera instabilidade,

mas vai cumprindo sua básica missão.

 

Muitas estratégias de psicologia de massa

usadas para distrair a população fracassam

perante o império do vírus e sua desgraça.

 

A cultura e artistas profissionais desaparecem,

murcharam em suas análises e manifestações,

poesia e prosa sumiram, não aparecem.

 

Futebol e outros esportes em restrição,

fechados o Coliseu local,

o povo perde o circo e fica só como pão.  

 

Incertezas, insegurança,

ansiedade geral. 

Escolas vazias, desesperança.

 

Pior, crise mais grave,  sem a Educação,

o futuro , única solução,

agora em perigo para muita geração.

 

Parte da juventude, em rebeldia,

não quer aceitar a constrição,

quer viver  sua liberdade e energia.

 

Uma juventude vítima de uma sociedade  individualista,

egoísta, pragmática, materialista, que gerou impulsividade,

agora tem que ser resiliente, altruísta?

 

O vírus agrava o analfabetismo, afeta a Educação,

ronda a manada como chacal procurando vitelos,

indefesos, que agem em confusão.    

 

O Corona e sua família ataca;

nem pela morte convence,

a juventude não aceita ser presa, se destaca.

 

As sementes beatnick , a de 1968 e outras

estão dando resultados

e suas bases rebeldes estão de há muito prontas.

 

Mas de imediato, onda após onda,

argumentos incontestáveis  surgem;

o vírus infecta a galera jovem e tonta.

 

Vai caindo o negacionismo,

os números são expressivos,

não cabe mais nem o ceticismo.

 

De qualquer idade,

a pessoa pode morrer, de um dia para o outro,

ou ficar com sequelas de gravidade.

 

O vírus pode não matar,

mas deixa sinais da batalha

com as quais a pessoa pode penar.

 

A vida é alterada,

qual  efeito psíquico para todos,

como a pessoa será redimensionada?

 

A alienação gerada pela idade e/ou analfabetismo

perfazia antes uma certa desobediência civil,

mudou agora para desconsideração, um quase novo “ismo”.

 

Virar as costas para o formal, modelos, o Governo etc.,

pode reforçar tendências perigosas,

com ou sem vírus , um futuro possível em desgoverno.  

 

Mas o vírus desde o início sempre desconheceu

as coisas do humano e sua sociedade

suas crenças e qualquer outro pensamento que apareceu. 

 

No ar de todos, o vírus pensa, está em ataque,

muda, cria variantes, adapta-se,

derrota o físico e a psique, não fica estanque.

 

Contudo  um exército de destemidos

ficou no Front, defendendo a Humanidade.

No campo de batalha dos hospitais, heróis a serem esquecidos?  

 

Médicos e enfermeiras, terapeutas no esgotamento,

fazendo tudo e o  impossível para salvar,

expondo a própria vida em cada salvamento.

 

Tribunal médico,

quem vai ou não para a UTI, quem vive, quem morre?

E ainda há ,quanto ao vírus,  muito comportamento cético.

 

Tudo gera tempos de dias bicudos,

arrepiados,

cascudos.

 

Muita apreensão diária, inquietudes,

agonias sufocadas no foro íntimo ou não,  

desafios para cada um em suas atitudes.

 

A vida do dia a dia  em revisão,

vida suspensa,

parêntesis envolvendo o normal.

 

Atividades físicas reduzidas,

o espírito afetado,

dias de vontades reprimidas.

 

A Informática e o mundo virtual

consagram-se,  são a salvação,

a tecnologia mais prática e essencial.

 

Minimizou realidades de solidão,

reduziu dramas pessoais e sociais,

mas revelou verdades e más reações.

 

Fisicamente ninguém se aproxima,

amizades se distanciam, laços se rompem ;

cancelar é máxima. 

 

Nunca houve tanta exclusão,

redes sociais em redimensão,

expulsão e muita rejeição.

 

Há em tudo um teste humano em andamento,

quem nos procurou, quem procuramos?

Cada um conta quem respondeu, quem faltou.

 

Há gente que nunca mais veremos,

desistimos de alguém, desistentes,

sabemos agora quem temos.

 

Há gente que pensamos procurar, não procuramos,

e quando o fizemos já era tarde,

nos atrasamos.

 

Há gente que um dia

está e no outro não está mais;

acabou a silenciosa sinergia. 

 

Os efeitos humanos são os de guerra,

poucos resistem a um tão longo tempo de maus dias,

maus  tempos coletivos para a Terra. 

 

Pelas vias da cidade vão máscaras no anonimato,

nas cidades, acentuada clandestinidade ,

o humano desaparece nesse mato.

 

Aumentam os ambulantes, pedintes, novos sem-nada,

perambulam pelas ruas a procura de comida,

o básico para a vida já quase em vias de ser detonada.  

 

Contam-se os milhares de mortos

e o vírus não se dá por satisfeito,

quer mais e mais corpos.

 

Insônia, desconforto emocional,

desequilíbrio, tudo fazendo violência

física, moral.

 

Separações, divórcios, feminicídio,

encrencas , atritos, idosos , mulheres , crianças

fazem o cenário com notícias do precipício. 

 

Antes o esforço era viver,

depois saber conviver,

agora tudo reduzido ao básico: sobreviver.

 

Sobressai o medo, temor, apreensão, o vazio,

a ansiedade, a exaustão,

a depressão por um fio.

 

Acumulam-se problemas,

emprego, dívidas, questões sociais e pessoais,

a vida cheia de esquinas e dilemas. 

 

Inatividade,

o fazer paralisado,

nada no  lugar de antes , só impassividade.

 

Todo o mundo com o dia, que pode ser o último dia;

o dia de hoje para administrar, 

a chance renovada de cada dia.

 

Necessidade de saber pensar,

usar a intelectualidade, o interior,

fazer cada dia com habilidade no caminhar.

 

Tempo de recolhimento,

redimensionar a vida,

aprimorar o pensamento.

 

Por vezes sentindo

o limite do físico e do espiritual,

o humano vai seguindo.

 

Já no segundo ano da Pandemia que ataca a velha realidade,

o humano sente o embate entre o egoísmo e a solidariedade,

o individualismo e a fraternidade.

 

O mundo risca cada dia do calendário,

segue seu combate, tentando salvar as possibilidades,

a ciência avança no esforço diário.

 

A vida de ação e reação

é devidamente dimensionada por alguns

e sabe-se de sua crescente insatisfação.

 

Com o agravamento de tudo, a  existência é colocada em cheque;

não havendo  remédio, hospital ou vacina,

não adianta o valor do cheque.  

 

Mesmo para o mais experiente humano,

o desafio está concentrado na sobrevivência,

cada dia é um campo de batalha, deseja-se vencer o ano.

 

Poucos entendem que recursos espirituais e intelectuais

dão mais persistência;

os hábitos e o vazio do físico parecem dar maus sinais.

 

Vale a regra : corpo e mente sanas;

tarefa difícil, mas essencial,

para esta época medida em semanas.

 

Em casas e apartamentos

os reclusos precisam evitar a monotonia,   

a repetição de notícias ruins e fazer seus momentos .

 

Oportunidade para tornar-se sujeito,

deixando de ser objeto da vida e assim

fazer suas próprias notícias em cada feito.

 

Hercúleo dever para a maioria

que sofre com dificuldades variadas e agravadas,

a morte,o medo, não são as únicas torturas da Pandemia.

 

A diferença entre os humanos está na resiliência,

uso de forças interiores além da esperança, paciência e fé,

para os instantâneos momentos de sofreguidão e agonia.

 

Surgem os destemidos que acreditam na Humanidade,

que continuam a amar o Próximo

e com sua ciência desafiam a Pandemia e sua atrocidade.  

 

Para quem pode é mesmo o tempo de redimensionar-se,

apoiar semelhantes afetivos, compartilhar, dar assistência,

reinventar, criar, reprogramar e preencher o dia, desenvolver-se.

 

Vale distrair-se, iludir-se, fantasiar, enganar-se

para afastar reflexos psicológicos e espirituais

que podem fazer a mente arruinar-se.  

 

O fracasso pessoal durante e depois desta pandemia

será marcante para alguns,

que só terão destroços da vida para colher e seguir no dia.

 

Outros, no entanto, terão crescido,

terão tido acesso a novos níveis do processo de pensamento

e ganharão com o resultado obtido.

 

Mas nenhum humano que se arrisque no orgulho,

pois persiste sendo  frágil, mortal,

e o vírus e suas variantes procuram  seu esbulho. 

 

Segue, no entanto, a locomoção cada vez mais restrita,

o mundo em cheque-mate, retração,

despreparado para o invisível; sempre materialista.

 

Torna-se agora claro que liberdade não é só a de ir e voltar,

é algo mais interior, alguém deve estar entendendo,

é enfim a possibilidade de se sentir livre e de livre pensar.

 

Também deve estar ficando claro que há fases da vida

bem definidas para todos os seres,

e que é inevitável a partida.

 

E que não importa só andar,

como Goethe ensinou

é necessário sentir o caminhar.

 

Alguém deve star aprendendo que a vida não é só fazer,

mas sentir, unir, ajudar, 

e que há algo maior que o viver , o saber conviver.

 

Que o dia não é só levantar, comer e dormir,

mas é também saber fazê-lo intelectualmente,

preenchendo as hortas com algo que nos faça elevar-se, subir.

 

Há provações e testes diários;

As dimensões estão em cheque,

a Humanidade em instantes ruins e extraordinários.

 

Muitas são as ampliações globais

de  países e seus horrores antes só isolados;

há a coletivização de realidades locais.

 

Desafios nos testam;

aprenderemos algo desta vez,

inúteis guerras regionais e outras ainda nos denunciam?

 

Aprendizado pela dor,

afastando o amar,

questionando crenças e qualquer valor.

 

No coletivo, mentiras e enganações,

tramas e muita ganância,

desrespeito e desconsiderações.

 

Fica ressaltado que a política é mesmo nojenta,

eterno campo dominado pelo ego

e os que ali habitam fazem o que o ego lhes inventa. 

 

No fundo um questionar do por quê

de tudo isso?

Há muito porquê.

 

Seremos os mesmos depois disso?

Continuaremos imbecis e tontos,

ajoelhando-se ao egoísmo e vivendo por isso?

 

Que conclusões tiraremos ,

que mudanças serão feitas no pensamento?

Não será de surpreender, se nada evoluirmos.

 

Terá sido mais uma oportunidade perdida

para ter visto a real dimensão da existência

e que a luz , paz e compaixão é que enobrecem a vida?

 

O mundo apesar da tecnologia

da facilidade e acesso ao conhecimento,

está produzindo sapiens-asno de sabedoria.

 

Graça a superficialidade,

o vapt–vupt de informações tresloucadas,

doutrinando o império da mocidade. 

 

Neste contexto, a luta esforçada da ciência

apresentou uma ou outra vacina  às pressas,

usada diretamente no povo, em fase de experiência.

 

Era previsível,

contudo com efeitos colaterais desconhecidos,

mas é a vacina possível.

 

E o vírus, talvez ser alienígena, pensante em sua dimensão reage,

faz mutações, variantes,

a ciência age. 

 

O humano planta, colhe;

as colheitas são cada vez mais rápidas e piores;

o senso de humanidade encolhe.

 

Em caminhos já trilhados,

repetidos enganos,

filosofias e ideologias de fundos fracassados.

 

Erros na experiência,

baixos e condenáveis atos na vivência,

agora a colheita e ameaças à sobrevivência.

 

O sapiens–sapiens estará em mais restrição,

se não aprender nada,

se não sair dessa com pelo menos uma lição.

 

Mais um ano de experiência de embate,

o pior ficou pior,

o humano não mostra-se melhor em seu desgaste.

 

Novas concepções ,

novas dimensões do saber e da virtude?

Talvez só para os mortos e a ausência de suas reações.

 

Registros dessa época de construção,

jornais e TV, redes sociais etc. ,

pouca análise de filosofia; muita narrativa sem reflexão.

 

No Brasil de pouca leitura, pouco se vê,

de pouca escrita, pouco se entende,

“sine qua non” o povo precisa de intérprete; oralidade, na TV.  

 

O superficial tem sido uma crescente regra,

tudo mais rápido como o jogo entre a vida e a morte,

redução da evolução espiritual desde a peste negra.

 

Enquanto isso,  o vírus toma conta do ar,

sondando , adaptando-se antes de atacar,

sentindo o ambiente para matar.

 

Impede o que o humano mais gosta,

a aglomeração,o afeto, o abraço, o contato;

muito email e telefonema sem resposta.

 

Mutante, inteligente,

em sua dimensão, o vírus torna-se mais rápido e mortal,

invisível, sente os movimentos da gente.

 

E sobre toda a realidade já devastada,

surge rumor sobre a independência de uma das variantes,

talvez uma nova Pandemia a ser enfrentada?

 

A vacina, não se sabe de seus efeitos, do tempo de validade,

se poderá matar as variantes,

se poderá restitui a antiga realidade.

 

 

A Humanidade em sua tecnologia,

a mais refinada em sua época mais avançada,

foi pega por uma invisibilidade de diferente energia.

 

Inatingível em seu ambiente,

sua dimensão está solta,

vive no ar, onde se espraia livremente.

 

Nenhum “ismo” criado,

fruto da mente humana,

tem sucesso contra o vírus malcriado.

 

Negacionismo, ceticismo e até o analfabetismo,

são apoiadores da mortandade,

amigos do egoísmo.

 

O individualismo também aparece nas Nações,

a ONU não sobressai como líder universal nesta hora.

Pior, na necessidade de encorajamento, onde estão as religiões?

 

Brinca-se com a morte,

não se segue medidas restritivas propostas,

humanos há que só veem o dinheiro como norte.

 

De fato o vírus Corona é mau,

mas seus danos não chegam nem perto

das maldades entre os sapiens-asno neste nave espacial.

 

Os sapiens–asno aprendem pouco com a dor,

continua sua eterna procura por  menos rejeição, mais carinho,

mas não através da sabedoria, aceitação e compaixão superior.

 

Hábeis em fazer,acumular coisas e administrar,

adorando o egoísmo como se fosse ele a divindade criadora,

falham perante o Próximo no seu encontrar e tratar.

 

2021 será vasto em efeitos desse comportamento,

e o noticiário trará realidades

que retratarão o boletim da guerra e seu deslocamento.

 

Até 2.4.2021 são 130 milhões de casos no mundo,

2.840.000 mortos;

o horizonte ainda está estreito sobretudo.

 

Desta época, estas são para alguns as sombras eternas

que os sobreviventes guardarão

desses  anos da vida de quase trevas.

 

Para outros tantos também no sufoco,

uma época também de descobertas, lições

e a observação do humano como foco. 

 

Como arma, a vacina já é realidade,

a vacinação está em andamento,

a sobrevivência é uma boa probabilidade.

 

E será bom ter sobrevivido,

só para, com curiosidade, ver como será a vida

depois da Humanidade ter resistido.

 

Haverá o tempo de recuperação, reconstrução,

adaptações e dias bons vão voltar,

uma chance para novas realidades de ação e reação.

 

Para alguns talvez mais luz, amor e paz.

A lição foi mais uma vez dada,

a mente,  cada um é que a faz.

 

Por enquanto, quem não tem o que fazer,

que se ocupe sabendo viver,

para garantir a qualidade no sobreviver.

 

E neste meio tempo,

a Humanidade aterrissou em Marte;

no futuro a saída para um novo tempo?

 

E assim temos ido nós até 3.4.2021,

muitas realidades , indagações; 

cada um cada um.

 

 

Odilon Reinhardt.  

 3.4.2021.