quinta-feira, 3 de junho de 2021

Reflexos Humanos da Pandemia.

 






                                       Reflexos Humanos da Pandemia.

                                   Fala-se em ondas do Corona, mas 

                                qual  onda que vem sendo menosprezada?



Estar por dentro.


O que anda rosnando

por dentro das pessoas

e está incomodando?


Cansado de se distanciar,

triste quanto ao isolamento,

exausto quanto ao não aglomerar.


Estressado de não poder abraçar,

estafado de não poder beijar,

tudo a perturbar.


Desmotivado pelo não-fazer,

chocado pelos fatos,

devastado pelo medo de falecer.


Estarrecido com os números e dados,

paralisado por danos financeiros,

irritado com os dias parados.


Atordoado com os cancelamentos,

assustado com os afastamentos,

desconsertado com os desaparecimentos.


Abatido com a falta de mobilidade,

derrotado pela saudade,

desolado com as perspectivas.


Pasmado em não poder usufruir da amizade,

perplexo com a falta do falar face a face,

devastado em sentir a liberdade limitada.


Surpreso com a realidade de muitas pessoas,

estupefato diante do horizonte diminuído,

arruinado por danos espirituais.


Desacorçoado com as reações humanas,

pessimista quanto ao novo normal,

intoxicado pela TV .


Atropelado por tantos eventos negativos,

desalentado pelas más notícias por tanto tempo,

desesperado pela falta de meios de sobrevivência.


Isto é que se aglomera,

é a máscara que sufoca,

dentro da mente nesta hora.


Tudo faz esse mundo

dentro da pessoa

de um jeito nada mudo.


Dúvidas, incertezas,

confissões e confusões externas,

a mente procura certezas.


Mas uma delas está agora bem identificada

muitas pessoas já estavam distanciadas,

mascaradas, isoladas sem saber de nada.


E por outro lado ,


há pessoas equilibradas

que conseguem ver tudo como lição

e aprender com a vida em horas desequilibradas.


Entusiasmadas com as perspectivas e seus sinais,

satisfeitas com suas revelações internas,

emocionado com seus sinais de progresso espirituais.


Contente com algumas amizades que sobreviveram,

alegres com a persistência de algumas,

estimuladas com os bons aspectos das realidades que surgiram.


Motivadas pela visão positiva do futuro,

deslumbradas com a ciência humana,

maravilhadas com um caminho mais seguro.


Extasiadas com as previsões positivas,

seduzidas com as adaptações para um novo normal,

encantadas com suas medidas ativas.


Admiradas diante das reações do mundo,

esperançosas quanto às mudanças que virão,

otimistas quanto a uma solução de fundo.


A Pandemia criou desordem

das coisas e do comportamento

e deixou a necessidade de outra ordem.


Mas como todas as sensações geradas

vão alterar a estrutura do pensar

e deixar as pessoas mais equilibradas?


Que novos pensamentos surgirão,

que orientação vai criar ideias melhores,

como a Humanidade e as pessoas prosseguirão?


Odilon Reinhardt.



Silêncio das gentes.



Há um silêncio engolido,

todo dia por muita gente,

pelo cidadão comprimido.


Silêncio dos inocentes,

dos justos, dos que trabalham ,

silêncio escondido nas mentes.


Vão todos com este silêncio, mudos,

a violência ,o medo do Próximo ,

na rua , nas empresas , atrás dos muros.


Silêncio que coexiste por detrás

dos ruídos da cidade , nas ruas e avenidas,

atrás das consequências que ela traz.


Vamos todos assim,

empurrando, carregando,

um silêncio que vive assim.


Silêncio que vive em cada conflito,

em cada acidente, em cada murro na cara,

em cada tiro da mente, coisa pessoal, aflito.


Muitos são os sons do silêncio,

que matam, que machucam, que violam

que andam pela cidade em silêncio.


Até quando haverá

esse silêncio ,

até quando cada um suportará ?


O som deste silêncio cresce,

invade ruas, casas e lares

e a realidade desce

para inferiores patamares.


Ninguém mais escapa,

o silêncio invade a Serenidade

e o que resta é uma capa,

um parecer em cada idade.


Quando ando sobre pedras em ruas,

vendo grades e muros, alarmes e câmaras,

vejo realidades nuas,

de um silêncio em tons duros de muitas caras. .


O silêncio das buzinas, dos motores,

de pessoas em ambulâncias barulhentas,

dos pensamentos em mentes confusas,

a cidade em silêncio grita suas dores.


E assim vou andando ,

escrevo e digo coisas em silêncio

e as pessoas vão passando,

fazendo barulho, mas repletas de silêncio.


Ruas e praças, corredores da vida,

dobram-se ao silêncio da cidade,

que ecoa num movimento de ida

e realiza-se e quebra-se em verdade.


Teatros, shows cancelados para pessoas,

e um só silêncio coexistindo mesmo ao som da TV,

um algo escondido que une todas

e uma existência se esvaindo.


Escutem o barulho da cidade,

é fruto de um silêncio que está matando,

acabando com a Humanidade,

porque no fundo as pessoas estão falando.


Odilon Reinhardt.




Quando se olha o país e suas maravilhas geográficas, somos levados a pensar na vida que ocupa tal diversidade. Uma existência de seres humanos em muito variegada e de diversa origem. Antigos estrangeiros e novos estrangeiros, todos procurando dinheiro e estabilidade para a vida na luta pelo amanhã melhor. Até que ponto tal diversidade garante amor à Pátria e seus valores há muito tempo firmados? Toda está “estrangeirisse” realmente tem amor pelo Brasil ou está conectada com seus ninhos de além mar? Seus negócios e comportamento refletem isto? Diante da experiência histórica até aqui acumulada e vendo tanta riqueza, tempo, talento e energia desperdiçadas, é de se questionar se muito dessa imigração em sua versão, nos últimos 80 anos, considera estar aqui ou nunca considerou ser daqui. Até que ponto não está ainda ligada ao espírito aventureiro, colonial de enricar, voltar a sua terra natal? Isto explicaria muitos dos negócios cediços aos interesses estrangeiros em detrimento do desenvolvimento do país e o fato de esta terra envidar esforços e nunca chegar ao desejado progresso sustentável? Talvez sim, talvez em parte. Há espaço para xenofobia entre novos e velhos imigrantes? Todavia, certamente, muito político vende-se aos interesses estrangeiros que fazem do país a feirinha R$1,99 de produtos de quinta qualidade, insumos de dependência e campo de teste de remédios, etc. Talvez em parte isto explique porque o país vive sempre dando “voos de galinha” como disse Ermírio de Moraes e está sempre a esmo, sujeito a eventos de fora e seus desígnios; sempre mendigando pelo mundo, para que comprem seus produtos da roça e do solo a preço feito com o aviltamento da moeda para ser mais barato ao estrangeiro.


Seja lá como for, qual a razão deste engasgo, deste encalhe sistemático? Na tentativa de resposta, a quantos por quês e porquês chegariam as indagações?


A este ponto da História, causas já viraram consequências e estas por sua vez causas. Não faltariam razões, explicações sociológicas, políticas, econômicas, filosóficas. Certamente muitos pesquisadores devem estar à caça de razões que expliquem esta realidade posta. Seja lá ter sido ela formada ao longo do tempo pela corrupção, falta de amor ao Próximo, o capitalismo selvagem, a religião com tendência socialista e seus reflexos no pensamento popular, adoção de filosofias capengas e defasadas, mixagem racial, educação precária e descaso do Governo nesta área, avanço do marxismo, a política de esquerda ou de direita, qualidade da imigração recebida, processo democrático ainda em implantação, evolução social ainda atrasada, falta de patriotismo, diversidades regionais, reflexos os problemas sociais até hoje com pouca solução, o ego do ser humano, seja a mistura formada por tudo que foi acima mencionado, o fato é que a tal altura da História, a situação que está se agravando já é preocupação bastante para criar instabilidade e insegurança quanto ao futuro. Igualmente é fato concreto que somos uma população vivendo nesta terra com o que ela tem e pode dar num processo de contínuo desperdício. Seja lá o que nos impede, seja a política, a cultura, a burocracia, o analfabetismo, o umbigo, mereceríamos, só pelo tamanho, estar mais desenvolvidos, todavia encalhamos na estrada seja pela direita seja pela esquerda, nada vai para a frente. Nem o centro da estrada vai a lugar algum.

Aproveitando-se da realidade já instalada há décadas, as forças exteriores, as mesmas mencionadas por Jânio Quadros, só vem criando dependência técnica, científica e econômica acelerada pelas consequências humanas que vemos em evidência agora com a Pandemia. Em acréscimo, há a contribuição do marketing e dos meios de comunicação, que estimulados pelo comportamento e discurso confuso e tendencioso de políticos fisiológicos e funcionários públicos do alto escalão, não perdem tempo em avacalhar com a imagem do país, montando diariamente um consenso contra as instituições e formatando a mente do cidadão, o que certamente deve deixar satisfeitos os interessados internos e externos com seus propósitos variados para facilitar negócios e ideologias. Cuidado. Cresce a insatisfação e tudo tem começo, meio e fim. Está onda vem se formando há várias décadas.

A TV, tipo de diário oficial tendencioso, faz notícia de qualquer pedaço de frase vinda de qualquer autoridade, recheando tudo com tendências ideológicas e empurrando tal alimento para o povo diariamente, o qual não tem como saber se as palavras de uma autoridade efetivamente são só uma expressão oral de momento ou se foram efetivamente formalizadas em documentos que movem a máquina pública como decretos, portarias, ordens de serviço etc. A TV faz seu diário tribunal de inquisição e condenação, mas contrasta notícias, faz retificações; já alguns jornais são verdadeiros donos da verdade, carregam fatos com suas tendências ideológicas e políticas e de modo algum as desmentem ou dão voz à contrariedade; infestam a visão do mundo político com informações suas, tomadas como verdades absolutas, inatacáveis, deixando a outra parte sem defesa, seja lá quem for e como for. Isto explica bem as contradições entre a sentença dada pela imprensa, sem processo, e as sentenças judiciais. Em permanente contradição, o povo se irrita sem entender a lógica diferente das duas realidades. Numa, a lógica forçada por tendências ideológicas, políticas de momento, conveniências; na outra, a lógica jurídica, com a realidade dos papéis anexados ao processo na guerra de capacidades dos advogados e seus argumentos perante as provas efetivamente ali existentes e as interpretações judiciais dos juízes, campo livre para a formação de estruturas lógicas nem sempre razoáveis, mas certamente sempre a serviço de alguém. Basta mencionar que se as provas não foram produzidas legalmente, tudo é nulo e o réu é solto, não importando a gravidade de seu delito, o que, para o povo, é difícil entender. Fica a mensagem errônea de que o crime pode compensar. Afinal, em permanente clima da crise econômica, a falta de ética, moral, seria precipitado afirmar que a realidade é feita de muita má-fé, ganha-ganha, ganhar sem muito trabalhar, tirar proveito se possível do Governo, vender-se etc., etc? Em tudo, há a confirmação da teoria da conspiração, é o país do golpe, da mumunha, da maracutaia, do ganho fácil. Absolutamente tudo e todos são vistos com desconfiança.

O fato é que a mídia, no conjunto, da obra de sua obra, vai fazendo uma imagem cumulativa de desgaste que sendo passada para o ao povo, mira, numa visão curta, atingir um ou outro político, mas sempre vai desgastando o Estado Brasileiro como um todo. Diante ,por vezes, errônea visão, o cidadão, não podendo reagir, a não ser com 1 voto, vira as costas ou se rebela em pequenos atos de insatisfação.

Diante dos péssimos resultados que vem se formando desde a década de 1980, o quadro em formação mexe direto no bolso do cidadão e atinge diretamente as panelas de sua casa e suas necessidades de família. Esta é a espoleta mais sensível e suficiente para a insatisfação e sua reação por parte até mesmo do mais pacato pai de família e adolescente.

As causas e tendências em andamento que tinham passo lento antes da Pandemia e que construíam o suporte para a insatisfação generalizada, gerando até desconsideração quanto ao espírito público, mas que eram de certo modo neutralizadas ou amenizadas por compensações aqui e ali ajustadas, agora ficam em evidencia e pressionam a imaginação popular e seus sonhos de prosperidade. O fato que se observa em cenas do cotidiano é que ninguém mais quer saber de explicações, promessas e razões; prevalece o espírito de boiada a estourar; em todas as classes sociais não há satisfação e os meios de compensação começam a rarear.

Um descontrole social de massa nunca leva a nada de bom, só traz más escolhas e erros estratégicos para a própria boiada, que mal conduzida ou mesmo quando sem líder, não vê opções e pode errar radicalmente nos caminhos a escolher seja pelo voto, seja pela inconsequente baderna das ruas ou pela desconsideração quanto à lei e instituições.

Políticos enrolados em seus umbigos vaidosos e gananciosos, miram a massa, mas esquecem que esta está dando as costas e pode estourar por estourar, o que não aproveita a ninguém, a não ser os promotores das mensagens sublimares de constante desmoralização do país e sua gente, avançando cada vez mais agressivamente sobre a juventude e novas gerações com ideologias do nada, libertárias e sem propósito próspero para o país.

Os reflexos humanos da Pandemia certamente vão falar mais alto que os danos à Economia. Preocupam-se todos com o sistema, a sua máquina produtiva e a circulação do dinheiro, colocando o humano como mero e manipulável consumidor, eleitor, cidadão, sempre em segundo plano. Com ou sem Pandemia, o mundo está mudando e os jovens das novas gerações, internautas de nascimento, com maior acesso ao mundo melhor e suas realidades podem ser um item de surpresas; vendo as discrepâncias, diversidades e desigualdades irão os jovens aceitar as misérias do existir sem reagir, sem desistir, sem fugir? E que reações irão ter, senão a desconsideração do interesse público ou a inconsequente revolta? Um jovem sem Educação de qualidade poderá recuperar o tempo perdido? O tempo a curto prazo dirá.

A sistemática desmoralização do País, movimento de décadas a favor de interesses externos ou internos não revelados, está agora colocando o “Frankstein” de pé e não apresentou nenhuma solução para ao caminho a tomar. Só contestação, só persistente crítica e descrédito diário. Será que pensaram que não iria ter consequências? O alquebrado Leviatã ainda é o centro do Poder e poderá reagir com mais confirmação de autoridade e poder.

A juventude poderá se rebelar sem obter nada além de mais insucesso. Em todo caso nada dá sinal de futuro próspero e saudável. Há um silêncio nas ruas e nas casas, marcados pela exaustão do fisiológico, acelerado pela Pandemia, mas motivado por insatisfação existencial anterior; espoleta para reações improdutivas. A silenciosa desconsideração ou a rebelião em nada serão produtivas para o país, que progride lentamente mesmo assim, mas perdendo energia e mão de obra e tornando seus cidadãos uma manada tosca, inflexível, conservadora de suas próprias concepções atrasadas, intolerante, pragmática, utilitarista, seguidora e tarefeira, desejando democracia para poder expressar seu egoísmo livre e abertamente uns contra os outros. Nada de prosperidade sadia e sustentável, nada de progresso intelectual, nada ainda do Brasil que está imaginado na Constituição.

Estaria em preparo, não uma Primavera Árabe, mas uma inédita “Primavera Humana” ou latina? Uma revolta talvez silenciosa, mas potente, virtual, jovem, para realizar mais uma jornada esperançosa? Tudo fica no talvez do tempo passando, enquanto as estruturas do capital prosseguem com seus erros, um deles a cegueira, porque não vem a juventude virtual, preocupada com sua época futura que logo vem chegando com negações múltiplas quanto a seus desejos e sonhos de consumo, criados pelo próprio e inevitável sistema de capital.

Mas não há algo tão violento como que se preocupar, pois não será uma luta por ideologias, filosofias, será mais uma contestatória baderna como sempre, para que o sistema se atualize e atenda as reivindicações para ser mais sensível às necessidades básicas de sobrevivência para desesperançados seres humano; será talvez como sempre mais uma época de agitações movidas por questões básicas e fisiológicas de bolso e de bolsa, talvez no meio de gritos e janelas quebradas por democracia e liberdade, dentro do vago e difuso ideal libertário, sempre genérico e estratosférico para muitos e muitos de seus seguidores, com palavras cujos significados poucos dos lançadores de pedras tem cultura e educação para entender.

A verdadeira revolução que vai ocorrendo vem do silêncio do indivíduo e sua insatisfação genérica, resultando em posição contestatória não expressa, em silêncio estressante na desconsideração e permanente irreverência quanto à existência do Estado, mas sempre com reflexos quase sempre violentos na família, no trânsito, no emprego e nas horas de lazer. Reflete-se mais lenta e imperceptivelmente no relaxo pessoal, na falta de interesses pessoais e coletivos, na falta de vontade de estudar e prosperar, no modo de vestir, falar e pensar. Um modo de contestação autopunitiva, infantil. A ela junta-se o modo de a mão de obra se comportar, gerando doenças psicossomáticas que refletem na saúde pessoal e de coletiva. Mas tudo isto nunca é atribuído a causas gerais mas, sim, as causas individuais. Há sempre esta visão, por parte das autoridades e da mídia, que é amenizadora; nada é entendido como grave e coletivo. Até quando poderá ser encoberto o sol com a peneira? Nunca se sabe se Nelson Rodrigues terá razão ao ter dito :”o Brasil conhecerá a selvageria antes de conhecer a civilização”.Quem vai surfar nesta onda?

Odilon Reinhardt 3.6.2021


segunda-feira, 3 de maio de 2021

Covid um cruel passageiro da agonia.

 


 

                    

 

                  

                            Covid ,um mortal e cruel passageiro da agonia

                                Por trás do cenário do caleidoscópio.

 

 

Show de multi-cenários.

 

No cipoal de informações,

a mente busca discernimento

um desafio em muitas situações.

 

Previsíveis retrações

diante de um mundo fustigado

com tantas maldições.

 

Informações manipuladas,

dados, quadros, tabelas  e curvas, 

todas cheias de tendências escondidas.

 

Contradições de todo momento,

mesmo a mente discernida

enfrenta congestionamento.

 

A sucessão de contradições,

a estabilização de figuras de entendimento

fica impossível e leva a confusões.

 

Cenários diversificados se entrelaçam,

realidades se misturam em causas e consequências,

todas diante do vírus e variantes  que se alastram.

 

Incoerência,

desmentidos, fake news,

política versus ciência.

 

Para médicos o mundo como grande hospital,

para os políticos um palanque em cada esquina,

para o povo esperança sem sinal.

 

Intransigências,

poucas explicações,

muitas divergências.

 

Decisões experimentais, inseguras,

negacionismo, poucas razões, ressitências,

situações ainda mais duras.

 

Pouco a pouco situações levam a aceitar

que planos e projetos pessoais e coletivos

impossibilitam o viver e o seu normal caminhar.

 

Incongruências ,

a TV no fogo cruzado,

sendo porta voz das falsas transparências.

 

Repetidas inconsistências,

debates inócuos,

insubsistências.

 

Desentendimentos, hipocrisia,

insuficiências , o ego agindo,

péssima energia.

 

Incompreensão popular,

dúvidas nos seguidores;

no que pensar, acreditar?

 

Maledicência

muita discrepância

e a vida de muitos na ambulância.

 

Vulgarização ,

a existência como papel barato,

o desparecer em banalização. 

 

Neste campo tão aberto de desencontros,

morre-se todo dia de ilusão

perante a impossibilidade dos reencontros.

 

Na casa de muitos

o silêncio das lágrimas interiores

em dias cada vez menos gratuitos.

 

Os questionamentos do foro Íntimo,

quem os tenta, vive a agonia

do constrangimento de estranho ritmo.

 

A história privada

sendo muitas escritas em linhas

de violência física e ou moral já depravada.

 

As soluções estão mergulhadas num achismo,

pai te todos os erros e enganos,

um campo para o ceticismo.

 

Ações se reações ,

banalizações , aceitação,

desconsiderações.

 

A realidade e suas diversões,

pessoas podadas em suas distrações,

uma vida agora espartana com poucas variações.

 

A vida pessoal  em crise,

a caminho dos frangalhos,

muito drama em reprise.

 

Insatisfações, contrariedades,

o futuro  em dúvidas,

o ego e suas muitas adversidades.

 

E assim a Pandemia força nova organização,

a vida sendo redimensionada,

a população ainda em vã ilusão. 

 

Odilon Reinhardt.

 

Será bom ter sobrevivido.

 

 

 

Passar por tudo

e ver como vai ficar

a realidade sobretudo;

 

ver quem sobreviveu,

como serão as ações e reações,

quem e o que aprendeu;

 

como será a recuperação,

o que veio como inovação,

que tendência tornou-se situação;

 

Será bom sobreviver,

reencontrar os verdadeiros amigos,

ao que não se afastaram do conviver.

 

Ver a luz de cada novo dia,

sem ter medo e apreensão no respirar,

ter segurança na nova energia.

 

Haverá certamente

mortos vivos ao redor ,

não apoiaram amigos e ou parente.

 

Será bom sobreviver para ver o valor a ser dado à vida;

como o novo normal vai se estabelecer ou desaparecer;

como será o retorno à lida?;

 

ver o brilho dos novos dias ,

os povos em festa,

momento de muitas alegrias;

 

ver novamente o sorriso,

a alegria na livre locomoção;

ver pessoas na rua só por isso;

 

recuperar os projetos, novos planos,

sem medo, sem agonia,

fazer o dia e planejar os anos;

 

ver a atividade  humana,

procurando a prosperidade

talvez mais consciente , mais humana.

 

Receber os verdadeiros amigos para um café,

fazer viagens e festas,

ou simplesmente ir livre por praças e ruas à pé.

 

Será bom sobreviver,

Para comemorar e dizer,

“ eu vi, senti, venci, estou ainda no viver!”

 

Odilon Reinhardt.

 

O Covid é o cruel protagonista e o mais impopular  ator do drama  presente, atua numa peça horrível, que se espera seja passageira,   mas por detrás desta crise pandêmica, cá para os trópicos do sul, persiste um cenário feito de múltiplas realidades, cujo caleidoscópio, talvez poucos estejam observando. É cenário feito com tintas do analfabetismo, da burocracia, do centralismo de controles, das consequências da  corrupção, da ausência de ímã de progresso e estímulo para a juventude e principalmente pelos tons de  expressões da cultura e seu modo de pensar no estágio de evolução que foi possível alcançar até agora.

Tudo vem compondo um dia a dia que parece mentira ou piada de mau gosto, dando as cores para a vida de gerações que se sucedem e acabam seu ciclo existencial sem ver melhoria no pensamento, durante sua jornada de destino sem qualidade, mas sempre ao toque do espírito hedonista e carnavalesco de beira de praia, cuja constante prática é incapaz de cativar o interesse responsável pelo amanhã, diante do festival de incongruências e perante o constante afastamento do crédito internacional bem intencionado. Persiste a prática constante de safáris e turnês econômicas de mera exploração predatória, que avançam pelas ricas veredas tropicais, enquanto o nosso modo de fazer política se abastece dos bons negócios só e na medida dos interesses dos  políticos.

O país, revestido de República e capenga democracia, ainda tem vários aspectos coloniais e teorias econômicas já defasadas,  sendo cediço às aventuras de estrangeiros exploradores; apresenta-se ao mundo com a porta aberta para ser uma feirinha multimarca de eletrônicos importados, campo de testes para a indústria farmacêutica mundial e mercado livre para os produtos asiáticos. A passos largos, perde a identidade e afunda-se nas entranhas da síndrome do cachorro vira-lata, praga que ataca os cidadãos e jovens de modo cruel. Falta sentido de Pátria, falta amor ao Próximo etc. É a terra da fartura mal aproveitada. 

Certamente, o entrelaçamento embaraçoso, na realidade do teatro no qual o pano de fundo, por si só, exibe no dia à dia, ofusca a visão crítica e dificulta a exata análise dos problemas, pois aqui consequências já viraram causa e as causas primeiras já escondem-se no cenário de fundo que a este ponto pouca relação  guarda com a encenação covídica. Nenhum dos dois é teatro para ser visto por críticos amadores. Nas duas peças, a do teatro de fundo e a do primeiro plano, o país é distraído pela TV que mostra o Coliseu à beira das chamas, enquanto as questões de fundo vão sendo jogadas cada vez mais para planos do backstage. As consequências de tal ato vão surgindo e pouco tratamento recebem, de modo que a realidade sofre uma “transformose” enganatória, mas que sempre beneficia forças poderosas do exterior e seus amigos internos e que não se referem mais só ao dinheiro.

A pandemia reforça a necessidade do Estado competente, de um governo sério e isento, de instituições firmes e modelares, mas também, cidadãos patriotas que se dediquem à manutenção de toda uma estrutura oficial que deve ser honesta e acreditável. E acima de tudo, uma população que respeite as estruturas governamentais e acredite que elas são efetivamente a espinha dorsal da organização e apoio da vida.

No que possa valer a pureza de tal modelo republicano e constitucional, sua manutenção depende do fato de a população saber que tal estrutura existe, funciona, é confiável, digna do pagamento de impostos para promover o progresso e o bem estar. Só eliminando o analfabetismo, através da Educação de qualidade, é que a estrutura oficial será conhecida, respeitada e valorizada como patrimônio de garantia para o povo. Sem educação isto fica prejudicado.

É a falta de Educação de qualidade que está devorando nosso país, o qual dia à dia se acomoda a níveis cada vez mais inferiores. Este nivelamento por baixo é que faz a vida esquecer modelos de prosperidade e estímulo ao progresso coletivo e individual, ajoelhando-se obrigatoriamente aos ditames do sempre urgente atendimento à crescente pobreza física e intelectual, realidade decorrente de décadas de mal condução e negligência, pois a Educação não é prioridade, não rende obras e não gera voto. 

Nesta realidade, feita de múltiplas imagens,  é a TV que dá o último retoque e mostra o país sempre na beira do pior, do escandaloso como se nada real de bom existisse e as estruturas oficiais de governo fossem reiteradamente as promotoras de tudo isto que é ruim.  São duchas diárias de pessimismo e derrota levadas à casa do cidadão nas últimas décadas, esteja o Governo na mão da direita, da esquerda, do centro. A mensagem, tendenciosa ou não,  é que não se está indo para frente, mas para baixo. Diante disso não é difícil imaginar qual a visão que um adolescente ou jovem-adulto tem do país e de toda sua estrutura oficial. 

A realidade é mostrada como sonho psicodélico, confusão e fatos ilógicos, desconexos, incongruentes, com idiossincrasia de ideologias customizadas para interesses de momento e já abandonados, para os fins que levaram a sua imposição ao público. Não é realmente um teatro de cenas compreensíveis e intelegíveis  para qualquer um, pelo que é comum na plateia a retirada de um a um dos espectadores, numa explicável atitude de desconsideração e abandono, já que as peças são mesmo confusas, complexas e  mostradas de modo tendencioso. A plateia ao se retirar dá as costas ao coletivo e aliena-se do interesse pelo país e pelas causas públicas. Inclusive, no teatro da Pandemia, tal atitude leva a não acreditar ou seguir as orientações dos órgãos de Saúde Pública e pouco interesse há na preservação da vida, pelo menos até que o vírus ataque sua casa e seus parentes e amigos.

O analfabetismo já é um grande óbice para o entendimento da realidade “covídica”. É um claro exemplo da desconsideração, que  quando desempenhada até por pessoas letradas, é um perigoso aditivo ao cenário nacional. É a descrença no institucional, na política, nas instituições, no sistema legal etc. Que final terá este processo, se aumenta o número de pessoas viradas de costas para a vida nacional?

Mesmo que a TV, hoje elevada à posição, não oficial, de diário das atitudes dos ocupantes do Governo e demais Poderes, exagere no sensacionalismo seguindo supostas tendências e siga noticiando e confundindo a opinião pública, quando não criando instabilidade social, incertezas e descrédito, tudo seguindo pretensas ideologias escondidas em comentários de frases de repetição diária, o discurso, as atitudes e as decisões das autoridades em nada colaboram para uma imagem boa e segura quanto aos três Poderes   e seus ocupantes, como um todo confiável e merecedor de crédito.  Notícias contraditórias, revestidas de tendências, com toques de falta de lógica, mentira  e coerência em vários níveis do Governo, leva o cidadão a concluir que se deve dar as costas à política e tudo mais e focar no dia a dia de cada um, já tão cheio de dificuldades. Ora, os políticos de momento se sentem então à vontade para fazer seus negócios. Mas para os interesses nacionais, diariamente, perde-se a chance de conquistar a juventude e parte mais esclarecida da população; pelo contrário, perde-se cada vez mais sua atenção, respeito e consideração. E isso, como num processo qualquer, vai evoluir até o momento de exigências maiores por mudança, principalmente quando na peça de primeiro plano do teatro, na qual a Pandemia, como ator principal, está criando o momento de atingir o bolso do cidadão, caldo bem salgado e mau temperado para o empobrecimento da população, do que resultará maior pressão popular; não será mais uma questão de gerir o país com ideias de esquerda ou direita, com a polícia ou como exército ou como sindicato, mas de uma exigência de radical alteração estrutural, no mínimo através da elaboração de uma nova Constituição, não sem antes passar por grave comoção civil ou de modo mais pacífico pela total desconsideração quanto à existência de Governo, uma irresponsável anarquia,  hipótese mais provável, em que a juventude e a população seguem vivendo à revelia das ações de Governo, já então acastelado em sua vida somente alimentada por jogos de Poder em seus corredores e salas de luxo. Não estranhará a ninguém escutar o jovem dizer que pouco está ligando para o Brasil, pois já está de malas para ir para o exterior ou o jovem dizendo não adianta estudar nem trabalhar com carteira, o tráfico dá muito mais e o crime compensa.  Dizeres que se hoje são exceção podem vir a ser a regra. E há tantos outros exemplos do que pode vir a acontecer como colheita das décadas de descaso quanto à Educação, a qual sofreu também um estrondoso golpe durante a Pandemia. 

O que se indaga na mente de poucos é quem está realmente por trás de toda está arquitetura, o dono do teatro,  e age através da mídia e de mestres invisíveis com a intenção de deteriorar a imagem, o significado das  instituições e entregar o país como um todo, levando ao desrespeito e desconsideração por parte principalmente da juventude, esta compreendida entre 15 e 30 anos de idade ? Será que os serviços de informação do Governo  não detectaram isto tudo como ameaça à Pátria? Por que não fazem nada? A quem aproveita tudo isto?

Difícil aceitar ou acreditar que isto tudo foi se formando por si, sem uma estrutura pensada por alguém ou é a soma das atitudes de ações e reações de todos os umbigos da cidadania? O fato é que a realidade está ficando pior e o país do “ me engana que eu gosto”, da burocracia e das leis feitas para alguns,  das palavras e discursos bonitos começa a não enganar mais ninguém. Mas o teatro da tela de fundo vai passando, intocável e isento da pobre e cada vez mais segregada crítica filosófica nacional de alguns já intimidados diante da brutal selvageria e incapacidade de entender ou da impossibilidade de agir da maioria.  O fato é que a realidade posta e suas consequências imediatas e futuras serão herança para as gerações que em décadas ocuparão as posições de liderança e decisão. Qual a qualidade desta herança e o que farão com ela?

 

Odilon Reinhardt  3.5.2021