domingo, 3 de setembro de 2023

Próximo, que próximo?

 








Próximo, que próximo?

 

 

Que Próximo,

o próximo a ser  caloteado,

o que será  maltratado,

ao ser roubado ?

 

O P
róximo

a ser discriminado,

aquele que será cancelado,

enganado no mínimo?

 

O Próximo

o que vai ser morto ,

o que me roubará os dados,

o que tem destino torto?

 

Próximo , mas nunca meu semelhante,

o que invade meu celular, 

o que fica espreitando  gente

o que deve se mantido distante?

 

Próximo , o que é ameaça,

bebe e  sai dirigindo,

o que transita no underground,

cheio de raiva e me caça? 

 

Próximo , o que quer o ganha-ganha  no máximo, 

que telefona para enganar,

para golpear e explorar  até quem ganha o mínimo?

 

Próximo sem empatia,

inflexível, intolerante, egóico, radical,

despreparado para a vida e cada dia?

 

Próximo vulcão,

que explode no trânsito, na fila,

no telefone, e só vive em confusão?

 

Próximos e próximas,

saturados, estressados,

que estão por tudo com suas estranhas máximas.

 

Grosseria , selvageria,

estupidez, erros , crimes diretos e indiretos,

eis o centro de cada dia.

 

O Próximo que tem medo de andar, de respirar

na  rua  , de ser feliz, de ser sequestrado,

de desfrutar o que conseguiu ao trabalhar?

 

O Próximo que foi levado a desconfiar

de tudo e de todos , de se proteger de golpes e da má-fé, ,

para não perder , morrer , se matar?

 

Que Próximo é este,

qual sua próxima ação,

que país é este?

 

Negligência , imperícia no mínimo

despreparos  que revelam

desamor ao Próximo.

 

É necessário  Amor ao Próximo

e menos separatismo, radicalismo, raiva social,

raiva ao Próximo.

 

Só com Amor ao Próximo

em atos efetivos de paz e respeito ao humano

poderá haver  o Próximo como semelhante.

 

O Brasil conhecerá selvageria , antes de chegar à Civilização ,

como disse Nelson Rodrigues.  Tudo está nas ruas e avenidas,

está acontecendo , está na televisão, está na vista do cidadão.   

 

 

Odilon Reinhardt. 

 As novas gerações precisam de bons modelos de prosperidade, que venham dos pais, família, escola e instituições. Os efeitos da pobreza intelectual e material fazem danos irreparáveis em todas as classes sociais.  Na falta de educação, ficam os jovens na mão de mestres invisíveis e a realidade está dando exemplos abundantes.

Enquanto a indústria e comércio precisam vender, mostram seus produtos e montam um modelo material, de modo que todo jovem vai adquirindo o modelo de uma vida materialmente confortável. Todavia, o modelo intelectual, de progresso pessoal baseado em conquistas intelectuais está  ficando em descompasso. Estudar e crescer intelectualmente, para então conseguir bens materiais não é o carro chefe das novas gerações, pois estudar leva tempo e consome a juventude, já tão explorada pelos meios de consumo. Muita distração, muitos produtos icônicos de moda e pouco poder aquisitivo. Tudo colabora para uma pressão consumista e para uma visão de aqui-agora.

O resultado está em jovens longe das escolas e mais perto das coisas efêmeras, que oferecem mais deleite à juventude.  Como tudo passa muito rápido entre os 14 e 25 anos, o tempo perdido fica quase irreparável e o estudo irrecuperável. Como conseguir emprego sem preparo? O recurso mais possível será conseguir emprego para os serviços básicos na indústria e comércio e um salário limitado para sempre.

Sonhos de consumo e de uma vida confortável desparecerão, nem sempre pacificamente. Frustração e sentimentos de injustiça, derrotas pessoais, escravidão intelectual, revolta contra o sistema, a sociedade, indisciplina e ira, muito ego revoltado,  será a realidade de muito jovem . Passaporte para uma vida ruim.

Com a idade, vai ficando claro quem pode e quem não pode comprar, quem tem condições de trabalho melhor e quem dificilmente sairá da miséria material e intelectual. A mediocridade será um modo de vida e a ira social contra quem cresceu e prosperou serão armas pessoais de justificativa pelos insucessos que a falta de educação traz. Uma pedrada na janela do coletivo, uma casa arrombada, um celular roubado, um muro pichado têm  muito mais a revelar do que a violência cometida.  Ali estão todas as razões bisonhas de frustração e impotência pessoal, das falhas do Governo e instituições de muitas épocas.

Diante do ego contrariado, as reações podem variar da impulsividade à depressão, da raiva social e revolta à alienação e desistência.

Tampouco será fácil contradizer a falsa compreensão do que é justiça e igualdade social, o que facilita a má interpretação de lições cristãs, que se perdem em metáforas, jamais atingidas pela baixa escolaridade e/ou ideologias radicais.

Cada vez torna-se mais difícil convencer o jovem de que ele vai passar a vida num emprego por décadas num quadro bem limitado ou que os gastos e desejos, que os modelos essencialmente materialistas lhe tatuaram na mente, jamais serão satisfeitos, pelo menos pelos meios lícitos.

Certamente, soluções serão achadas pelos interessados, se positivas ou negativas, a realidade do dia a dia é que irá contando. Grosseria, inflexibilidade, radicalismo, frieza, falta de empatia, desrespeito a tudo e todos, mente tosca já marcam a vida. Por enquanto, o que se vê é o aumento de crimes patrimoniais, corrupção e desvios de conduta. Por vezes roubos de residência são noticiados, onde pessoas são torturadas e maltratadas por terem conseguido um nível social e econômico melhor. Há uma incontida raiva. E os detratores são jovens do crime, irados, revoltados, traumatizados, psicopatas etc. 

As estruturas do underground abrem as portas como alternativa para a rápida satisfação de desejos e sonhos materiais. A ilusão do rápido ganhar acelera o exército do crime. A solução é perigosa e nunca dá certo, levando à prisão ou morte.

Quando o “eu ainda vou ser...”  ou  o “ eu ainda  posso vir a comprar....”  é substituído por “ eu não fui e não vou ser “ ou “ eu não posso comprar” , fica difícil amainar o sentimento de frustração , derrota pessoal, e um ego contrariado e insatisfeito. A pessoa fica presa entre o ser e o estar, com inconsequentes reações egoicas, mormente quando o nível intelectual é baixo e o fisiologismo domina o corpo e ofusca a mente. 

Violência, medo, aumento da criminalidade, visível e invisível, tenderão a marcar a selvageria no teatro do dia a dia.

É sinal de Amor ao Próximo ver, considerar e perceber o Próximo em todos os atos da vida, pessoal, profissional, governamental porque senão prevalecerá a raiva, o medo e a escravidão da instabilidade social. O Próximo será fonte de ira e medo.

E já há muito medo em usufruir de uma vida razoavelmente boa. Pessoas trabalhadoras e honestas que trabalham e acumularam coisas para ter algum conforto e segurança são caçadas como animais e são vistas como exemplos da injustiça social. São tidos como privilegiados, culpados. Espalha-se o medo e o cidadão recolhe-se, esconde-se, sendo submetido a uma vida de restrição, cercas, alarmes, fechaduras, códigos e senhas.

Há esta crescente realidade de não poder desfrutar abertamente do que se conseguiu através de trabalho lícito. Uma restrição que já  afeta muitos ramos da economia e forma guetos em condomínios e prédios, com barricadas contra a violência externa, isolando-se do mundo, enquanto ali dentro  também há violência física  e   moral em estilo mais elevado . Já há mendigos em todas as classes sociais. O Brasil está doente, disse Teori Zavascki, como relator, sendo acompanhado por outros. 

 

Odilon Reinhardt. 3.9.2023

 


quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Para que valeu, para nada?

 







Para que valeu,  para nada?

 

 

Com a retirada da Pandemia,

as ruas voltam ao normal,

desentocados seres ali vão ao dia.

 

Três anos se foram,

resurgem algumas  pessoas,

outras não, partiram.

 

A hecatombe foi uma mega –pausa,

poderia ter suscitado reflexões,

mas filósofos , sociólogos ficaram sem causa.

 

Emudecidos, pouco refletiram;

agora , vão surgindo estatísticas horríveis,

horrores que nas tocas humanas se passaram.

 

Silenciadas fontes de reflexão,

decepção intelectual enorme,

mais uma vez a intelectualidade vazia e sem chão.

 

Falência do pensamento,

lições coletivas sem registro,

talvez, aprendizado e opiniões engolidas em sentimento.

 

Visível a miséria e o vazio

do que poderia ser a força pensante;

o país, efetivamente por um fio.

 

Surpresa , onde foram os pensadores,

os  que poderiam expor lições,

sínteses, resumos desse período de dores?

 

Nada. Documentários, reportagens , depoimentos. Nada.

Músicas , poemas em número,

muito menos que a reflexão esperada.

 

Tampouco,contos ou trovas,

a Pandemia revelou um aterrador vazio,

a vida intelectual da Terra às favas.

 

O novo normal sumiu novo normal,

o normal carcomido e rotineiro,

ainda , sem cor e muito anormal.

 

Nem dos sãos, individualmente , surgiram esperanças;

o ego continua imperando e dividindo,

há um silêncio, o vazio amplificado na rotina sem mudanças.

 

Muito menos dos que estiveram

à  beira da morte,

arranca-se algo de reflexão , silenciam.

 

Questão de foro íntimo, recolhido,

com fantasmas , traumas e medos no júri,

em sessões diárias do ser falito.

 

Um silêncio talvez nervoso,

cheio de ecos e barulhos,

o que se aprendeu desse colosso? 

 

Odilon Reinhardt.

No blá-blá-blá confuso do dia a dia, o que mais se vê é a continuidade do mesmo amarra-amarra  no controverso e vesgo ataque as consequências como causas, enquanto estas ficam intocadas e mais perigosas.

A camuflagem feita pelo pão e circo na passagem de boiadas às escuras, tudo se move com preocupações eleitoreiras, a sempre onipotente e onipresente força estimuladora de sempre.

Exceções e questões menores ocupam o teatro como bois de piranha. As de fundo ficam para nova gestão, como o amanhã que ninguém nunca vê.

Antes a mediocridade preocupava, agora que já é a realidade, o que mais se teme é o nivelamento por baixo, o império do fisiologismo,  as ações e reações cada vez mais toscas, rudes como resultante do  ego que toma conta das ações e reações da população, produzindo cenas dantescas .

“Não podemos seguir nenhum modelo”, disse alguém. “Temos que ter os nossos”, disse outrem.  Que fosse verdade e implicasse avanço e melhoria no pensar e no se comportar, mas nas últimas décadas tais modelos nossos são os mais borrados e adaptados  modelos do submundo de outros países, a craca de culturas de rua e da decadência, que vem para causar episódios de má energia pessoal e coletiva que enfraquecem a vontade de estudar, ter  prosperidade e vida melhor por meios lícitos com mão de obra bem qualificada.

E na embolada dos assuntos corriqueiros do dia a dia, más forças  querem se dobrar a tal público e fazer de exceções a regra.

Os cuidados com os modelos para a juventude estão sendo objeto de negligência. Novas gerações devem receber bons exemplos e não serem expostas a mestres invisíveis com suas lições agora abertamente escandalosas e maléficas. Mestres da obscuridade que instigam o desinteresse pela Pátria e seus valores institucionais, pela vida profissional e por todo o preparo que ela exige. Exploram o aqui e agora da juventude nos anos em que ela mais precisa de bons exemplos e modelos saudáveis. As lições, obscuras e subliminares, vem pelos meios de comunicação disponíveis e causam o que se está vendo todos os dias. Escolas esvaziando ,fechando, minguando em resultados. Abusam do discernimento com modelos errados.

O sinal de que o país está doente, vem em números estatísticos de violência física e moral, em alarmantes gráficos de terror e horror. O que aconteceu na Pandemia foi catastrófico para muitos idosos, crianças e mulheres.  A moradia virou um calabouço de eventos danosos e traumáticos. O ser dito humano está cada vez mais ao comando do ego. A família é o centro e o local mais importante para as novas as gerações e a educação, mas que família temos?

A criminalidade aumenta proporcionalmente ao estado do indivíduo e nada é feito, pois as reais causas nunca são tratadas e o coletivo padece de doenças conjunturais que afetam a vida e sua qualidade.

Nada pior, dando ao futuro perspectivas pouco promissoras para grande parte da população, que sobrevive na tosca realidade do fisiológico, pouco atingido pelas religiões, que poderiam em muito contribuir para a pacificação individual e social.

Por trás de cenas horríveis de casos de acidentes, de dramas familiares e pessoais que preenchem a programação da TV diariamente, estão pessoas; as autoridades atribuem tudo à falta de condição econômica e de vida social, que acreditam quando melhoradas, operarão transformações individuais.  Certamente, uma grave análise materialista e míope, mas bem interessante para os votos. 

Assim, ao invés de investir pesado em Educação, que poucos votos dá, a preferência fica em fazer avenidas e obras de pouca importância, e quase sempre temporárias em qualidade.

Mas há reações positivas, quando se sabe que em algumas escolas já estão ensinando às crianças a ioga e a meditação. Em outras a Filosofia. Talvez um retorno aos bons aspectos dos antigos currículos escolares.

Talvez, então, o retorno do espírito crítico, a análise mais consciente e curiosa dos eventos humanos. A crítica social, imprescindível para o progresso e para a participação democrática esclarecida.

Mas por enquanto, tempos difíceis, e gerações com educação comprometida. Nem se fale em orientação correta.  Consequências já a vista e todas em débitos .

Odilon Reinhardt . 3.8.2023

 

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Modelos, onde estão os bons?


 


Blog 3.7.2023

 

 

Modelos, onde estão os bons?

 

  

O comum.

 

 

E vivem mal,

com pensamentos confusos , alterados,

sonhos sem final.

 

Levam ideias abortadas,

um sentir corrompido ,

mentes frustradas.

 

Com culpas recorrentes,

pensam mal,

convivem descontentes.

 

Andam às turras;

a visão distorcida,

odeiam a todos e suas terras.

 

Sobrevivem a cada dia,

num vazio perigoso

para a boa energia.

 

O andar arrastado

denuncia o viver

quase sempre contaminado.

 

E assim vão pela existência,

não  se autoconhecem , se detestam ;

nem se preocupam com a essência.

 

Seguem , seguem assim,

inconscientes , fisiológicos,

reacionários ,revoltados até o fim. 

 

Em estado de defesa,

alertas quanto ao Próximo,

a ira sempre está na mesa.

 

O mero fazer os preenche;

se param, há um vazio barulhento,

a inutilidade os vence.

 

A vida comum no mundo;

murro na ponta da faca,

lições sempre com dor no fundo. 

 

E continuarão ,

lutando pelo material,

matando pela posição.

 

Tudo em eventos horríveis,

estatísticas horrendas ,

cenas incríveis .

 

O coletivo nesta rotina,

escravidão escamoteada,

o dia fica atrás da cortina .

 

Os poucos que se podem salvar

são semente para outros

que vivem no entorno a olhar.

 

Mas serão sempre mera exceção;

a maioria  em manada seguirá;

é a sua  verdade e missão. 

 

Difícil aceitar,

mas é e será assim,

a vida aqui é difícil de acertar. 

 

Há dificuldade da pessoa  achar-se,

permanece enroscada no emaranhando da vida

e nessa escuridão facilmente vai afogar-se.

 

Todavia, aqui e acolá ,

alguém pode estar despertando ,

e esta vida questionará.

 

Acordou para abraçar a luta

de ir do rude ao mais elevado

e abandonar o que o enluta. 

 

 Ledo engano, pensar que diários tiroteios e fatos horríveis  dispensarão consequências mais graves,  se as tendências atuais não forem revertidas. 

De um lado a vida segue, como sistema produtivo fazendo a referência para a vida pretensamente saudável e correta para o cidadão comum. Nesse contexto, se de um lado a conquista de bens materiais fabrica sonhos de consumo e vida melhor, há normalidade nesse viver. Todavia, por outro lado, uma multidão de jovens sonhadores, sem poder comprar, vive contrariada, frustrada revoltada contra as injustiças sociais. Tudo contribui para a geração de um clima coletivo de má-energia e pessimismo. 

A cada dia observa-se que pequenas sementes, deixadas a crescer na beira da rodovia, começam a atrapalhar o trânsito e até fechar a via. As enormes diferenças começam a deixar de ser exceção.

Não se espere que jovens, sem educação formal ou colocação no mercado de trabalho, se satisfaçam com pouco diante da pressão de seus sonhos consumistas, que de longe deixam de ser mero luxo e englobam sonhos básicos do mero poder sobreviver. Salário- mínimo e empregos dissociados da qualificação ou sem horizonte de melhora, deixam de atrair jovens, e o sistema produtivo começa a parar em seu ímpeto por crescimento e progresso, diante da insegurança, instabilidade e qualidade da mão de obra. 

A educação formal deficiente, ausência de modelos dignos de desenvolvimento pessoal, a ausência de qualificação moderna, ausência de horizonte de prosperidade, abandono das novas gerações ao comando de mestres invisíveis, danosos  enganos políticos  levam a um cenário preocupante, que já faz a realidade e coloca dúvidas quanto à segurança do futuro.

Crimes, acidentes por falha humana, raiva social, doenças psicológicas, a opção pelo negativismo, figuras do submundo, espírito contestatório por razões de fracasso pessoal no esclarecimento do mundo, expressões de frustração pessoal,ódio aos bem sucedidos ,material e espiritualmente, preferência pelo Mal  etc., vão se acumulando e tornando-se mais frequentes; geram fatos e fotos cada vez mais chocantes. E nem se fale da realidade corporativa onde muito se passa em termos emocionais, decorrente  do despreparo funcional, assédio moral, elevado turno-over, afastamento por questão se de saúde, etc., tornando o ambiente de trabalho por 8 horas diárias ou mais num cenário de teatros horríveis e fingidos , que sufocam o ser humano no mar das insatisfações em 30 ou mais anos de tortura. Quem quer isto? Não se pode negar o efeito de tudo na eficiência e eficácia do trabalho com danos à mão de obra nacional.  Danos para todos no festival de imperícias e negligências, omissões etc.

E as gerações mais adultas, pelo menos em seus integrantes mais  esclarecidos , assistem a tudo com a justificada passividade , já que nada podem fazer , a não ser  esperar que os políticos caiam em si e vejam o que estão fazendo.  Os mais conscientes veem as tendências de deterioração e os absurdos oficiais e privados, sendo levados ao palco do dia a dia, fazendo o cenário, para os quais os jovens olham e nada encontram ali de identidade e bom futuro. Ninguém arrisca dizer, mas certamente, muitos pensam que o que está acontecendo é mesmo um quadro de horrores, que se acontecesse na mesma rua, equivaleria ao cenário de decadência e desumanidade.

Fica a cada dia, mais claro que o país não é para todos e que a juventude está sendo acuada, destinada a uma vida em que não haverá oportunidade para o exercício de seu talento. Sonhos de consumo e vida digna já são abandoados, gerando um desânimo de nem estudar nem trabalhar.

Em algum tempo, isto tudo vai gerar atitudes que vão gerar realidades mais graves, e estas serão então o retrato de um nível menos  evoluído. Pode ser até o Estado de Direito, na versão “para Inglês ver”, e na realidade o estado de selvageria dos toscos e rudes, alimentando por violência e má-fé, tudo bem dantesco. As gotas desse tempo já começaram a ser formadas há várias décadas e salpicam as ruas e casas aos poucos. E nada é feito em sentido contrário. Os bons modelos deixam de existir; o norte é dado pelo vazio de lições escuras e de momento, fazendo o teatro de ópera –bufa ,onde os jovens desempenham papéis sem importância .

Quem pode banalizar tal assunto, verdadeira nuvem ácida? E a chuva já está no horizonte e molhará todas as ruas e seus ventos entrarão em todos os locais privados e oficiais. 

A juventude e todas as novas gerações precisam de bons modelos, os de prosperidade, de estudo, de sabedoria. Por que os bons modelos foram abandonados.  Derrubaram o muro, sem saber o que havia atrás? O que há de ideológico nisso? Obra de libertários inconsequentes? Como o país se deixou levar por ideais mal pensadas? 

 

Odilon Reinhardt 3.7.2023    

 


sábado, 3 de junho de 2023

Um tímido avanço.

 







Um tímido avanço contra os mestres invisíveis.  Muitos interesses.  Negligência  de décadas  e consequências de agora. 

 


Redes

 

 Redes de corda,

de barbante,

de fibra.

 

Redes agora sociais,

sensacionais,

emocionais.

 

Redes sexuais,

radicais,

fatais.

 

Redes animais,

superficiais ,

enfim redes mortais. 

 

Em tal enredo,

enreda-se a vida,

cheia de medo.

 

Odilon Reinhardt.

 

 Sorriso pequeno .

 

  Ainda à meia boca ,

mascarando

a boca ainda rouca. 

 

O bicho arruma as malas ,

mas deixa tanto na realidade,

que ainda tropeça em máscaras  e talas.

 

Consequências covídicas,

mortes e danos,

ainda em visões fatídicas.

 

Sistema produtivo e econômico em desarranjo;

o sistema de educação pela TV e celular

um grande dano sem arranjo.

 

Sorri o humano

e usando os olhos,

desconfiados  do que veem neste ano.

 

O novo normal ,

meia boca, à média a luz,

feito do anormal .

 

Quem sobreviveu , carrega  medo,

quem anda , o faz meio torto,

quem arrisca , avança em arremedo. 

 

E assim vai o humano,

sorrindo à boca miúda ,

o Covid ainda executa seu plano.

 

Vai solitário, 

agora é franco atirador, 

mata aqui e ali no caminho diário.

 

Retira-se atirando,

covarde matador,

o que estará planejando?

Colheita minguada. 

 

Não foi só falta de recursos, foco e prioridade, nem falta de aviso. Não foi e não é só a incompetência, a negligência, o descaso que jogam  as gerações mais novas no  colo dos mestres invisíveis. Não foi o deslumbre diante de novas tecnologias e aparelhos brilhantes que deixou os jovens e já adultos à sorte.   Certamente, um balaio de causas determinantes que por décadas atuaram livremente. E tudo começou com os " inocentes" fliperamas e tempos depois  com os  jogos de computador, hoje na mão ,pelo celular.  Uma semente de uma árvore bem plantada e nunca podada.

Pois bem, a árvore foi crescendo e se enraizando; foi deixada para crescer na sombra de interesses duvidosos na feirinha de eletrônicos, ao ar fétido de um terreno pobre e vazio de bons propósitos. 

Doravante, nada que vemos nesta realidade é causa, senão a  consequência da incúria, do foco desleixado, das prioridades desprezadas, dos assuntos políticos de umbigo e fisiologismo, dos pais e sua inexperiência, do sistema escolar tacanho e feito de precariedades,num país que se a habituou ao pouco querer ler, estudar e escrever. 

Agora, diante de mortes e prisões lotadas, através de lei, querem podar a árvore e seus invisíveis brotos e encontram resistência tão grande quanto o domínio de forças estranha sobre o país. Forças superiores que foram crescendo sob a égide da proteção de interesses pessoais e da pretensa liberdade de expressão a qualquer custo, conforme defendem os libertários num país onde menos de 8% dos 96% de não analfabetos não sabe interpretar um texto. 

Mas a iniciativa não é de se ridicularizar. Todavia, não se sabe, se ela viria se tais forças e seus aparelhos virtuais não estivessem interferindo na vida política e nos assuntos de Poder com as “fake- news” . O certo é que nada foi feito por décadas em que tais forças atuaram como mestre invisível junto à juventude, diariamente com mensagens subliminares de toda pior espécie. Agora, seja lá por qual interesse prevalecente, está se ensaiando em fazer  algo, para começar a limpar o terreno sujo. Todavia, a luta é de cachorro grande e não se sabe por quanto tempo.

Perdedores já os há, estão dentro das novas gerações agindo e pensando serem os tais.

A experiência da virtualidade já começa a se tornar dolorosa. As consequências do abandono favorecem as atividades dos ramos mais podres da sociedade e perdurarão por décadas, mesmo que a lei consiga algo. Difícil é roçar com canetas e folhas de papel, onde a maioria da população não tem acesso à nenhum texto legal.   

Sendo pragmático e utilitário, como o sistema produtivo gosta, basta dizer que as consequências acabam afetando a mão de obra de todos os níveis, devido ao enfraquecimento do indivíduo, o que restringe a expansão de serviços e indústria de qualidade, os estudos universitários, a expansão da economia, a área científica ,etc., aumentando a dependência do país. É a resultante da má aplicação do Pro Bono Publikum, pois por muito tempo o importante era aumentar a receita tributária a qualquer custo. Pouco importava se o restaurante da esquina era usado para lavar dinheiro, o necessário era que pagasse impostos. No mesmo caminho o cigarro, o comércio de fungicidas, o cigarro eletrônico, etc. , que ao longo dos anos acabam sobrecarregando o serviço de saúde com milhares de doentes e aumentando a despesa pública. 

Tudo tem um começo, meio e fim. É um processo. Ver os sinais de começo é um cuidado de quem sabe selecionar sementes para ter boa colheita. É uma questão de Amor ao Próximo e de responsabilidade quanto ao bom futuro da Nação. Para os mais materialistas, é uma questão de bolso e Bolsa. Mas a violência em tudo e em variadas formas, parece não comover o Poder. A banalização de tudo de ruim só serve para dar notícia e nada mais. Quem nega que o país está doente?  Um dia, a árvore cai no meio da rua, mas será só um joguinho na internet, talvez “fake news” com pessoas em “ deep fake”. Só mais dos fatos ilusórios da virtualidade ou certamente um relato falseado de algum robô jornalístico movido pela inteligência virtual.   

 

 

Odilon Reinhardt 3.6.2023.