quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

HOrdas Invasoras

 

                             





                                      Não é só o Covid que nos invade.

 

 

Até 2/2/22 são: no Brasil, 25.800.000 casos e 629.000 mortes. No mundo são 385.000.000 casos e 5.700.000 mortes.

 

 

                                     Hordas invasoras.

 

 

E não há sossego,

há permanente ameaça,

medo desconfiança , não nego.

 

Ninguém nega,

o vírus retraí e avança,

impõe o pega -pega.

 

Lança seus filhotes,

sabujos caçadores,

querem matar sob holofotes.

 

A ciência humana

mantida no limite ,

a vida humana sacode e se abana.

 

Os sistemas ficam em foco,

a arrogância e o orgulho,

a ganância e seu troco.

 

O insubstituível império do dinheiro

no altar dos sacrifícios

e o humano no ego costumeiro.

 

O mundo gira,

fecham-se portas e janelas,

a vida ao futuro e à sorte se atira.

 

Em pausas concedidas

o vírus deixa o humano se espraiar,

enquanto faz tramas ardidas.

 

Novos ataques contra a vida,

2022 e o mundo não pára,

não há saída.

 

Nem da Lua nem de Marte,

a vida é da Terra

e o vírus quer sua morte.

 

Hordas invasoras,

inteligentes, invisíveis, donas do ar,

com adaptações querem ser vencedoras.

 

Variantes se unem 

,confundem , atacam,

nunca se desunem.

 

Aprimoram sua ciência,

o humano usa a sua,

a solução escapa do individual.

 

Guerra dos mundos,

vidas em jogo , fins diversos,

armas invisíveis em agentes profundos.

 

O humano  na defensiva,

só sabe se defender,

não ataca de forma ativa.

 

A condição de refém permanente

gera o estado de alerta

e aos poucos afeta a vida completamente.

 

Mas a ciência ainda atacará,

fará com que as hordas inimigas recuem

o remédio chegará.

Odilon Reinhardt.

 

 

 

Platitude do existir

e a mutação da energia.

 

 

 

 

Foi exigido muito não só do sentir,

mas do pensar , do agir , do reagir,

e agora todos devem prosseguir.

 

Muitos esfarrapados mentais,

mendigos das consequências;

a retomada vem em dores sensoriais .

 

Muito virou pó,

um passado difícil de apagar,

dá um piedoso dó.

 

Pasmados com tudo,

boquiabertos perante o presente,

estarrecidos sobretudo.

 

Cicatrizes invisíveis vão aparecer,

mas a manada continuará,

nasce , reproduz , come , bebe até morrer. 

 

Cada um vai engolir seus danos,

a vida vai continuar ,

é bem maior que os enganos.

 

A força vital

leva a todos;

é  o tranco essencial.

 

Um dia após o outro

e de repente o futuro sobressai

e cada um já é outro.

 

Surge nova visão,

os dias voltam a ser limpos,

o mundo vira uma nova diversão.

 

Há o poder da vida

de preferir a energia positiva,

e fazer dela sua maior saída.

 

Sorriem os pensamentos,

projetos e planos se abrem,

fazem bons movimentos.

 

Como a Fênix dourada,

a vida renasce das cinzas,

mostra-se renovada. 

 

Quem não acredita em tal visão,

deve ser um dos seres

que o vírus deixou morto vivo na ilusão.

 

Mas é o dia a dia que tem o poder

de acordar, fazer renascer,

e voltar a crer.

 

Assim as lágrimas da Fênix

tem o poder de beneficiar a todos,

trazendo a consciência que o melhor é ser feliz.

 

E ser feliz é aceitar plenamente,

pensar positivo e no próspero,

para que possa prosperar pela mente.

 

Odilon Reinhardt.

 

   

 

O que fazer?

 

 

 

Vamos, nesta reclusão, concentrar-nos no Mal

ou vamos olhar para o futuro

e ali antever o que fazer de bom e essencial?

 

Vamos ver a TV mergulhada no pessimismo,

acumulando números do desastre

ou vamos dedicar-nos ao otimismo?

 

Vamos, no isolamento, nos apiedar

de terras e suas gentes em sofrimento

ou vamos aqui cuidar de quem devemos considerar?

 

Vamos embarcar na visão de mundo

que as notícias nos pregam

ou vamos fortalecer o interior do nosso mundo? 

 

Vamos sucumbir, definhar reclamando ,

ou vamos reagir,

tomar atitude, agindo?

 

Vamos chorar e manter a mente agravada

com ansiedade e medo

ou vamos manter a alma elevada?

 

Vamos, neste distanciamento, cuidar só do umbigo

ou vamos lembrar da força interior

estimulada por algum amigo? 

 

Vamos enfiar a cabeça no travesseiro

ou vamos passar emails, telefonar,

para contatar afetivos de modo mais certeiro?

 

Vamos ficar olhando o chão

ou vamos imaginar no céu azul

uma melhoria para toda esta destruição?  

 

Vamos nos atolar neste presente

ou vamos repensar, redefinir planos, preparar-nos

e pensar no futuro como chance para um belo presente?

 

Esta pausa é o tempo de pensar

como queremos estar

durante  e depois que tudo isso passar

 

Quem quer sair dessa alquebrado,

sem ânimo para participar

do tempo bom que trará um mundo renovado?

 

Cada um que ache seu modo de pausar,

para ficar mais forte , mais consciente

e assim poder a tudo vencer e depois  comemorar.

 

Não é todo este suplício

que vai estragar este e outros dias

de céu tão azul feito sem qualquer artifício.

 

Os olhos focam

este algo mais sublime

e a alma e a mente se elevam.

 

Não é toda esta comoção

que afastará a beleza de cada amanhecer ou desta tarde.

A alma tem os olhos bons do coração.

 

Cada dia continua a estar aí fora,

uma beleza que nos ignora,

e passa, vai embora.

 

Como menosprezar todo este cenário,

um belo pedaço do Universo,

no nosso único e exclusivo caminho diário?

 

Céu azul ou  céu cinza da tarde,

pouco importa, 

se ali navego sem alarde.

 

É a  paz de quem sabe olhar,

talvez um modo

de esperar tudo melhorar.

 

Por que não imaginar

tempos ainda melhores de renascença,

onde se possa prosperar?

 

Porque não ter coragem de imaginar

tempos melhores de bonança ,

onde se possa tudo realizar?

 

Vamos  colocar um sonho

voando no azul com nosso poder de pássaro,

como o que ali agora ponho.

 

Podemos fazer isto ainda neste dia

que espera a lua cheia

trazendo força , chuva e muita energia.

 

É um modo de esperar,

entre tantos outros

que cada um possa idealizar.  

 

 

Odilon Reinhardt.

 

 

 

Falar e debater sobre atitudes pessoais é o dia a dia dos políticos, da vida corriqueira, do mundo e seu caminhar.  Pensar sobre o sistema ou sistemas que geram tais atitudes é algo cada vez menos frequente. É como ver o pessoal na estrada sem se importar em saber  para  onde o caminho vai.

O dia a dia fornece um caleidoscópio suficiente para desviar o pensamento e entretê-lo com diversões enganosas. Assim é a vida das pessoas e, no conjunto, a de um país. Pouco ou muito se observa sem questionar o rumo e se ainda há saída corretiva além do tempo de amadurecimento coletivo no processo normal da sociedade.

No momento sente-se o peso da mortalha de um negativismo plantado. A população arrasta-se na História pelo caminho de ex-colônia. É a terra onde altera-se o leite, falsifica-se remédio, onde coloca-se fogo em mendigos na rua, onde a selvageria assume fatos banalizados,onde ocorre o grande show das superficialidades.

Certamente em lugar nenhum do mundo a população é feita de grandes pensadores, analistas, críticos, filósofos, muito pelo contrário. O que incomoda alguns é que quem deveria e tem condições de intelecto não tem liberdade para descascar os sistemas, uns  por serem empregados da mídia , obrigados a seguir o viés do patrão , outros tantos  porque não têm  como aparecer ao público a não ser  através da mídia, a qual só favorece os que lhe são cativos e obedientes, claro, tudo dentro da intocável liberdade de imprensa, na tarefa impregnada por visão defasada e tendenciosa , sempre pessimista, professando o caos e gerando o senso comum voltado para um lado nada progressista. A mídia precisa atacar pessoas. Ao nível já conquistado, qualquer análise mais profunda nem é lida nem entendida.

É sempre possível perceber que em programas de debate promovidos pela mídia, todos os convidados juntos aos empregados da emissora, têm a mesma opinião e, se diferentes em insignificantes detalhes, não se distanciam da linha impregnada da ideologia da emissora. A filosofia é incutida subliminarmente, aos poucos, bem imperceptível.

Então, o que existe para os olhos condicionados pela TV é um festival de superficialidades, o dia a dia feito de crítica e comentários de atos e falas pessoais de autoridades. Suficiente fonte de intrigas para alimentar o sensacionalismo e dar vazão aos comentários tendenciosos das emissoras.  Algo mais pobre?

Em tudo, ações e reações das pessoas ao nível de evolução da sociedade onde do pessoal ao profissional, por falta de liderança e modelos de progresso material e intelectual, a vida é comandada pelo ego, pela contrariedade, frustração e impulsos diversos em reações e ações emocionadas e apaixonadas; nenhum espaço para o intelecto elaborado e para a razão, mas certamente um campo livre para a manipulação, moldagem e condicionamento pela mídia que faz o cidadão mera vaca no pasto.

Mas que sistema ou sistemas geram tudo isto? O econômico, o político, o religioso? Talvez a idiossincrasia formada por todos os sistemas?   Com mais certeza, os sistemas deturpados pela customização baseada em mediocridade, a falta de Educação de qualidade, fazendo campo aberto para a mídia modelar, ao seu desejo e de seus clientes pagadores, a intelectualidade e o cérebro de quem se arriscar a pensar neste país, onde há picadinho de discernimento para se engolir com sabor da terra. Ademais, nas ainda existentes consequências da burocracia colonial portuguesa e no decorrente jeitinho brasileiro estão as raízes fortes da corrupção em suas várias modalidades, sangue que corre em todas as veias do sistema formal e pessoal.

E pergunta-se quanto aos nossos intelectuais autônomos, qual sua isenção, qual sua qualidade, como se comportam em debates quando confrontados por ideias diversas? Como os debates são contaminados pelas tendências de inflexibilidade, conservadorismo, intolerância, etc.? Quantos minutos duram tais debates sem que o debate deixe de cair no vazio, no radicalismo e impaciência e alteração de voz ?

Diante do império da mídia em modelar o pensar e o comportamento popular por vários e insistentes meios além da escolinha diária dos telejornais, surgem várias perguntas. Se a mídia é importante por seu papel de informação e sem ela o cidadão comum e o pessoal do cercadinho político de nada saberia sobre o formal, por que, então, tantas pessoas de todas as classes sociais estão desligando a TV ou usando os canais da TV a cabo no horário dos telejornais e de há muito já abandonaram o jornal escrito? Porque não aguentam mais a retórica tendenciosa e manipuladora, a visíveis manobras auditivas em controversas mudanças de mensagens. A mídia está ficando demodé. A quem aproveita isto, tendo-se o seu bom lado, pelo menos em teoria, de contribuir para a democracia.

Será que é movimento deliberado,  orientado por forças lá de fora, por anacrônicos pensadores que tentam reviver pensamentos niilistas, egoístas do individualismo caótico, da anarquia pessoal, pregando a desconstrução de qualquer tipo de autoridade em nome de uma libertação do indivíduo, no caso, o jovem inocente e despreparado, bem na fase em que procura identidade e aceitação? Será que esta parte da mídia sabe o que está fazendo e qual o futuro disso tudo? O certo é que as ideais de Max Stirne nascidos por volta de 1840 reagiam contra condições da época. Este filósofo alemão pensou em modelos de libertação individual perante regimes políticos e sistemas implantados pelo poder monárquico. Tudo longe da República e da democracia, realidades que mudaram o mundo. Hoje suas ideais se levadas puras à disseminação em mentes despreparadas, desconsidera a necessidade do humano de viver em sociedade, a ela pertencer e ter padrões a seguir. Retirar isto do indivíduo comum é jogá-lo no vazio, na desorientação. Talvez Max tenha pensado na utopia de uma sociedade compostas de jovens altamente inteligentes e preparados, o suficiente para se autobastarem, orientarem-se por si mesmos para acharem caminhos de felicidade duradoura. Isso, sabe-se de há muito, só se consegue com muito estudo e pensamento em diversas fases da vida. Quem tem isso aqui? 

O cidadão comum de todas as classes sociais e seus jovens  não conseguem atropelar o tempo para conseguir o nível  para discernir o que parte da mídia está fazendo ao expor a população a mensagens libertárias e contestatórias inconsequentes e que vão vitimar pessoas em seu caminho pela vida.  Consequências irão brotando, a mão de obra será afetada, os negócios mais sofisticados serão prejudicados. Até que ponto exportar grãos, carne e pedras será sustentável? Até que ponto descurar da Educação será possível, sem causar danos ao país? Até quando a ausência de um modelo progressista que inspire as pessoas a serem positivas e prósperas poderá ir sendo substituído por um negativismo plantado?   

 

 Odilon Reinhardt 3.2.22.

 

 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Não vai dar em nada.

 

                           





                                       " Não vai dar em nada!"

  

Até 2/1/22 são: no Brasil, 22.300.000 casos e 619.000 mortes; no mundo 290.000.000  casos e 5.440.000 de  mortes.    

No Brasil uma pausa para o Natal e verão, esperando os resultados de uma louca euforia para Fevereiro e Março. Se nada ou pouco acontecer, somos privilegiados. 


Depois de 2 anos.

 

 

 

Até algumas saudades acabam,

algumas esperanças vão embora,

imagens se dissipam.

 

O tempo cancela,

distancia,

a vida se revela.

 

Retratos ficam desgastados,

sentimentos desistem do futuro,

cancelamentos são efetuados.

 

Instantes, horas do passado

ficam ainda querendo futuro,

mas não preenchem ao dia assustado.

 

Necessidades se esfarelam;

mas há consequências espirituais

que para o interior avançam.

 

No fundo há toques de lamentação

e seu prático e útil viver,

não mascara a crescente solidão.

 

Mas o tempo e a vida reagem,

novas amizades, novos conhecimentos,

talvez surjam, talvez algo de novo mostrem.

 

Sempre há atração do ser pelo ser,

mesmo que o ter varie,

a fraternidade mostra sempre mais poder.

 

A vida será revalorizada ,

novos tempos do tempo,

e novos tempos para a vida.

 

O brilho do sol sempre marca

a nova manhã que veio do amanhã

e a humanidade tem a fortuna da arca.    

Os velhos e bons tempos.

 

Abraços partidos,

beijos que ficaram no ar,

acenos e separados.

 

Malas amontoadas,

corpos que se afastam,

olhares distanciados.

 

E o avião não partiu,

o navio não saiu da barra,

o ônibus não sumiu.

 

No momento tudo ficou parado,

memórias acumuladas,

o ar contaminado.

 

Cada um no seu trajeto,

cada trajeto em rumos diferentes,

a vida separando e tomando jeito. 

 

Consequências humanas

no seco, na marra,

torturas desumanas.

 

Quantos foram afetados

pelo distanciar , pelo esquecer,

pelo se deixar esquecer pelos afastados?

 

Mas logo tudo isto vai acabar!

Nada mais dos 2 metros de distanciamento.

Voltaremos aos bons 6 metros ou mais do se distanciar.

 

Por que fingir, são os velhos tempos

do fingir que não viu, do desviar o olhar;

os normais velhos e bons tempos!?

Odilon Reinhardt

 

 

Os velhos e bons tempos.

 

 

Abraços partidos,

beijos que ficaram no ar,

acenos e separados.

 

Malas amontoadas,

corpos que se afastam,

olhares distanciados.

 

E o avião não partiu,

o navio não saiu da barra,

o ônibus não sumiu.

 

No momento tudo ficou parado,

memórias acumuladas,

o ar contaminado.

 

Cada um no seu trajeto,

cada trajeto em rumos diferentes,

a vida separando e tomando jeito. 

 

Consequências humanas

no seco, na marra,

torturas desumanas.

 

Quantos foram afetados

pelo distanciar , pelo esquecer,

pelo se deixar esquecer pelos afastados?

 

Mas logo tudo isto vai acabar!

Nada mais dos 2 metros de distanciamento.

Voltaremos aos bons 6 metros ou mais do se distanciar.

 

Por que fingir, são os velhos tempos

do fingir que não viu, do desviar o olhar;

os normais velhos e bons tempos!?

Odilon Reinhardt

 

 

Afinal.

 

 

Tirou a máscara,

mas havia tantas outras

que não podia tirar.

 

Mostrou a face,

mas havia tantas outras

que não podia mostrar.

 

Procurou amigos e conhecidos,

mas havia muitos

que não adiantava mais procurar.

 

Reviu seu mundo,

mas havia outro

que não conseguiu rever.

 

Mascarou a solidão,

mas havia algo mais

que não conseguiu mascarar.

 

Repassou seu tempo,

mas havia um tempo

que não havia como repassar.

 

Descobriu que o muito humano

havia cansado de si mesmo,

ainda havia então razões a descobrir.

 

E isto era razão para continuar,

mas agora, como sobrevivente,

continuou seu pensar. 

 

Tinha ainda a curiosidade

para ver ações em cada dia

e sem isto nada mais poderia ter.

Odilon Reinhardt

 

 

 

Hordas invasoras.

 

 

E não há sossego,

há permanente ameaça,

medo desconfiança , não nego.

 

Ninguém nega,

o vírus retraí e avança,

impõe o pega -pega.

 

Lança seus filhotes,

sabujos caçadores,

querem matar sob holofotes.

 

A ciência humana

mantida no limite ,

a vida humana sacode e se abana.

 

Os sistemas ficam em foco,

a arrogância e o orgulho,

a ganância e seu troco.

 

O insubstituível império do dinheiro

no altar dos sacrifícios

e o humano no ego costumeiro.

 

O mundo gira,

fecham-se portas e janelas,

a vida ao futuro e à sorte se atira.

 

Em pausas concedidas

o vírus deixa o humano se espraiar,

enquanto faz tramas ardidas.

 

Novos ataques contra a vida,

2022 e o mundo não pára,

não há saída.

 

Nem da Lua nem de Marte,

a vida é da Terra

e o vírus quer sua morte.

 

Hordas invasoras,

inteligentes, invisíveis, donas do ar,

com adaptações, querem ser vencedoras.

 

Variantes se unem 

,confundem , atacam,

nunca se desunem.

 

Aprimoram sua ciência,

o humano usa a sua,

a solução escapa do individual.

 

Guerra dos mundos,

vidas em jogo , fins diversos,

armas invisíveis em agentes profundos.

 

O humano  na defensiva,

só sabe se defender,

não ataca de forma ativa.

 

A condição de refém permanente

gera o estado de alerta

e aos poucos afeta a vida completamente.

 

Mas a ciência ainda atacará,

fará com que as hordas inimigas recuem

o remédio chegará.

 Odilon Reinhardt.

 

E segue o mundo e o mundo de cada um com sua vida no contexto da Pandemia. Toca-se a vida e a vida toca muita gente. A vida continua no seu tranco,  feito pelo povo e sua cultura. Há sínteses do bom senso humano que forma a sabedoria popular de uso corrente e que vai de boca em boca em frases comuns como a que diz" Não vai dar em nada!". Frase muito usada pelas pessoas diante de fatos e processos da vida comum que apresentem alguma novidade no cotidiano. Um modo de sentenciar, já de início, qualquer procedimento muito complexo aos olhos da simplicidade.

" Não vai dar em nada !" é exclamação recorrente e generalista, usada para exprimir descrédito quanto a qualquer assunto ou factóide gerado pela mídia ou político; retrata, com pureza de espírito, a falta de crédito quanto ao coletivo e é marca registrada para justificar o desligamento e libertação pessoal quanto aos assuntos de interesse mais comum. Não funciona em assuntos entre humanos e a Natureza, mas funciona plenamente em assuntos inteiramente humanos como a política, de modo que podemos ser o país com síndrome de vira-lata, onde realmente "não vai dar em nada". Não faltam exemplos da História para certificar tal frase. O reparo que se pode fazer para a maioria dos casos é complementar" ou seja “não vai dar em nada de bom", já que qualquer ação ou reação acaba sempre resultando em algo.

No jogo entre o que a mídia divulga ( sempre com apressado sensacionalismo sobre notícias de corrupção ,etc.) e as demoradas decisões judiciais, há uma quebra da lógica criada pela mídia com  suas sentenças antecipadas e a posterior sentença do Juízo. Portanto, a pureza da frase original " não vai dar em nada " é mantida intacta, já que grandes tubarões sempre se safam e são beneficiados com um bom resultado para seus delitos. A impunidade conseguida com jogos e manobras judiciais de expertos advogados assegura que mesmo que tenha havido a corrupção, com  explícito dano ao país e repercussões diretas e indiretas na vida do cidadão, o tubarão seja libertado da rede e nada tranquilo, esnobando a imprensa e rindo de tudo, como se nada tivesse lhe tirado o passaporte para "roubar". Vira-se a página e o tubarão vive o seu bom momento. Não deu nada de bom para o país, para a população, mas deu tudo de bom para o beneficiado, que volta a ser aclamado como Robin Hood. A mídia cala-se, ajoelha-se e amedronta-se com sua tão defendida liberdade de imprensa. O cercadinho da política comemora, a classe permanece desunida, mas preservada, alguns da população ficam indignados,  suas expectativas ficam quebradas, mais uma vez numa sensação de impotência e de que efetivamente " não deu em nada". Valeu o " rouba mas faz". A esta conclusão juntam-se frases similares como " isto é coisa de jornal" , " isto é assim mesmo" e mais modernamente  " vai dar em pizza ". Caso encerrado.

Encerrado e sepultado. Afinal deve-se respeitar a Justiça no país. Indignação, perplexidade são palavras sem sentido direto, mas no fundo, cada cidadão vai colhendo raiva e muito ódio social contra os poderes implicados. Infelizmente, acabando extravazando tais sentimentos contra si mesmo, a família, os colegas de trabalho e o chefe, a qualidade do serviço, tudo com muito  abandono e negligência, muitas costas viradas e desconsideração social. Tudo vai somando-se lentamente e terá consequências macro ao longo do tempo na qualidade de vida do país.  As notícias, as más notícias, as da política e dos frequentes  comunicados de que " não deu em nada". Tudo vai compondo o estresse da sociedade.

Até onde iremos com isso tudo e até onde mais usaremos o " não vai dar em nada"  ou o " não vai dar em nada de bom " para o país?

Alguém já reuniu as múltiplas razões que estão por trás de tais exclamações? Ou não devemos nos preocupar porque " nada vai dar certo mesmo". 

Após mais de tantas décadas de notícias que não dão em nada, que só criam instabilidade e ansiedade, desconforto e tristeza popular, temos o negativismo como mola para a nossa estagnação pessoal, profissional e coletiva. Muito vai e volta, muito que nem vai , que não decola, muito sem nada na Educação e muitos aspectos que só geram comportamentos negativos.

Com a pandemia, constrição de grande porte, na mente do coletivo algo vai se acendendo e vai se apagando, vai se formando e calando mais uma vez porque a esta altura já se sabe que ao invés de se envolver pessoalmente o melhor é pensar que " não vai dar em nada". Modo cívico de virar as costas e desconsiderar o que é público para viver melhor e tocar a vida. Tal atitude dá ao pessoal do cercadinho a ampla liberdade de fazer o que desejar para seus bolsos.

Até quando será assim? Não se espere grandes reações, revoluções, nem comoções. A questão é até quando o país será mantido como elefante novo acorrentado. Até quando aguentará sem um imã de progresso coletivo seguro, de pensamento positivo, de otimismo e projetos de futuro bom, sustentável e confiável para se afirmar com orgulho que " vai dar certo".

Há um progresso material que vai ocorrendo. Compare-se o Brasil de 1960 ao de 1980, ao de agora. Mas muito mais teria sido atingido se não fosse o negativismo e a crença de que " não vai dar em nada", agora não só usado para eventos de corrupção, mas para processos de progresso pessoal, quando as pessoas deixam de procurar desenvolvimento pessoal e progresso para suas vidas não só material mas espiritual. Não se culpe a população pelo que ela foi condicionada a pensar, mas o sistema que gerou e gera os comportamentos.  

Certamente, um aspecto poluidor de grande monta para a mente está no fato de a mídia só enfatizar o aspecto negativo dos fatos e fotos da realidade do dia, procurando atingir o poder constituído, isso, por razões ideológicas e intenções poucos reveladas, que só alguns já identificaram. Querendo tira proveitos, o constante divulgar do lado mesquinho das coisas, o lado negativo, os defeitos etc., vai criando o desalento nacional e um clima de desgosto e o " não vai dar em nada" vai se reforçando e ganhando adeptos. O esmorecimento, a falta de firmeza, falta de autoconfiança etc., tiram muitos jovens da parada. Mas é de se questionar se a mídia realmente atinge a população, pois de anos para cá a mesma só vem sendo objeto de cancelamento. A cada dia menos leitores e tele-espectadores de noticiários. Só ela seria a responsável pelo condicionamento da visão e da mentalidade desconfortável do negativismo? Que porcentagem da população é realmente atingida pela publicação? A imprensa e a mídia não têm falado para os mesmo de sempre, para os do cercadinho político e aos interessados de órgãos públicos e empresas públicas e de economia mista interessados em saber sobre política? Até que ponto é a realidade do bolso que efetivamente motiva e desmotiva o cidadão e cria a situação onde o negativismo é gritante? O clima nacional de variação regional tem vários motivos de surgimento: o bolso, a mídia , crenças  religiosas, a cultura embutida em nossos sistemas institucionais etc., mas o elemento mais significativo é a Educação. Ela é que faz nascer a frustração de projetos pessoais e sociais somando-se ao clima nacional de limitação. Ela é que dificulta o discernimento pessoal .

Aspecto grandemente afetado pelo Covid, a alquebrada Educação foi a mais danificada, permitindo-se projetar que os efeitos do Covid neste campo ficarão por vários anos na mão de obra nacional, produzindo efeitos devastadores no campo pessoal .

Infelizmente, o cidadão comum, impossibilitado de analisar sistemas mais gerais e abrangentes, que o condicionam, tendem a manifestar seu desagrado existencial através de ações medíocres que acabam por desabafar no próprio corpo ou na violência do trato com o Próximo, sendo esta última a mais explícita. Não é um aspecto exclusivo do Brasil, guardada a intensidade, é a vida real de todos os países ricos, pobres e miseráveis. 

Continuaremos a gastar polpudas verbas públicas em segurança , presídios e remédios, enquanto não resolvermos a questão da Educação, algo muito complexo perante o mercado de trabalho e o desafio de crescimento econômico.    

Odilon Reinhardt 3.1.2022.