sábado, 3 de outubro de 2026

Uma das democracias em festa.

 

 

  




 Uma das democracias em Festa. 

 

Hora de muito discurso,

tudo bonito, coerente e popular,

tudo de boa e estudada lavra em curso.

 

Muita promessa, muito plano,

candidatos e seus sonhos;

o Tesouro com saldo irreal para o ano.

 

De repente todos tem interesse  público,

querem acabar com todas as mazelas,

defeitos, consertar o mundo público ao governar.

 

O candidato a governador tem projetos de vereadores,

o para presidente perde-se na maionese,

o para senador  nem sabe sobre o caldeirão da dores.

 

Na ordem do dia: tramas,

traições, ataques, muito desvio de verba,

a vida vai contando suas lamas.

 

O ego tem seu festival de ações malvadas

com orgulho, vaidade, cobiça, ganância etc., 

talvez uma a menos de suas milhões de rodadas.

 

Depois, tudo é mandado às favas,

ninguém lembra de mais nada,

e a democracia continua com suas palavras.

 

Viram mirabolantes as visões de melhoria,

coerentes como o desejo popular,

o mundo prometido sem carestia.

 

Um mundo novo, melhor, honesto,

cheio de pureza e humanidade,

shows e debates de boas ideias,  luz e todo o resto.

 

De pessoal interesse  

para o espírito realmente público

ainda falta muito interesse.

 

Lenta evolução a cada passo de timidez,

assim vai a nossa Humanidade aqui,

muito, talvez esperando algum dia a sua vez.

 

 

 

 

Lá em Maracangalha

 

 

 

 

agora surgem os homens da panaceia, os que vão de vilarejo em vilarejo com sua carrocinha de produtos para melhorar tudo. Todos  darão solução para todos os problemas de todos. É a hora do  ser-solução, o super-herói do discurso cheio  de palavras bonitas e cativantes, todavia acaciano, vazio. Momento para o megalomaníaco vestido de povo. O egoísta vestido de santinho.

 

Agora surgem os homens que falam o que o povo quer escutar para preencher a esperança de que tudo vai ser diferente;  sonhos de que haverá um novo alento, um ar elevado e diferente para afastar tudo que estava errado . Todos querem mudar o país.

 

Agora não haverá mais corrupção nem as mazelas sociais decorrentes de décadas de analfabetismo diversificado, endêmico e estrutural. Agora tudo vai.

 

Todos os esquemas serão santos e puros. Só haverá boas intenções e o ego irá se render. Afinal, Deus é daqui, é nacional.

 

Cessarão todos os meios de lavagem de dinheiro ; o caixa 2, 3, 4... não existirá mais. Todo recém-nascido será chamado de Honesto.  

 

Os bandidos e farsantes irão cessar suas atividades e adotar o Bem como sistema de vida. Os meios virtuais e seus mecanismos serão só utilizados para ajudar o Próximo. Será decretada a morte nacional dos interesses escusos.

 

E assim seguem os candidatos a nobres, em palácios pagos pelos impostos, discursando para seu próprio cercadinho, convencendo os  já convencidos. O resto é a mídia que faz ou desfaz no perder ou ganhar o passaporte para o sonhado “agora eu vou me fazer”.  

 

Maracangalha será enfim a sonhada terra de leite e mel. Novos tempos .

 

E o cidadão normal acreditará em tudo e todos. Assim ninguém mais será manipulado e objeto de trapaça e golpes, pois tudo virará passado, impune e santificado. O tecnocrata doravante considerará todos os aspectos sistêmicos na implantação de planos estaduais e nacionais  e propostas de lei.  A lei não será objeto de riso e de comentários como “ essa lei não pegou”.

 

E um diz: eu vou implantar ....., eu vou fazer...... o outro diz: eu vou mudar....., eu vou eliminar.....Eu vou...., eu vou. Quem manda nesse “eu”? Depois, em Maracangalha, nada acontece, porque não é para acontecer. 

 

Todos querem, conforme suas utopias pessoais, mudar a Maracangalha , mas ela sempre fica no mesmo lugar,  mormente quando os movimentos de direita  e esquerda , em jogo de cabo de guerra, impedem o ir para a frente.

 

Mas como sempre logo o povo esquecerá tudo. Em poucas semanas, os interesses comezinhos prevalecerão e tudo voltará à rotina porque em Maracangalha, a maior atividade intelectual é a esperança e a fé, que movem montanhas, fazendo esquecer a semana passada , as  dívidas e a vida precária.

Mas quem tem  que lembrar , no passado eleitoreiro tudo e todos foram em vibe muito pior.  

 

Odilon Reinhardt 3.10.2026  

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário