sexta-feira, 3 de abril de 2020

Quem e o que é inédito, exclusivo , único entre o que há no Universo?


                    





                                                     Quem e o que é inédito,
                                     exclusivo, único entre o que há no Universo?.



A Água milenar,
que garantindo  a vida,
faz a maravilha para se admirar.

A Luz eterna vinda do Espaço,
que iluminando  tudo e todos, 
faz  brilho e beleza só sua.

O Tempo e seu imaginário passar,
que desconhecendo o humano e as coisas,
empurra e faz-nos  avançar. 

O Sol em sua posição,
que sustentando a Terra,
comanda toda a ação

A Energia de origem inexplicável,
que sendo elemento universal,
é comum a todos os seres no espaço habitável.

O Ar que possibilita a vida,
que sendo dádiva divina e pura,
dá a chance de vida até a partida.

A Terra o planeta azul e branco no seu navegar,
que girando sozinho,
nos dá a casa para morar.

A Mulher com sua essencial e interior superioridade,
que possibilitando  a existência de todos os humanos,
dá ao mundo a realidade.

O Amor, sentimento superior da humanidade,
que  unindo corações,
conduz à mais elevada dimensão da eternidade.

São estes os elementos
que sendo os  mais exclusivos, inéditos , únicos da Natureza
possibilitam a vida e seus movimentos.

E mais, o Homem, entre os quais há aquele, sem consciência,
que não reconhecendo ainda a superioridade da Mulher,
até sua mãe desconhece todo dia.

 Vive como Ser bruto e primitivo no fundo,
destrói oportunidades para melhor conviver.
No seu existir, deve ainda ser refinado neste mundo. Odilon Reinhardt.



A mulher de hoje usufrui dos resultados de uma luta histórica, que vem sendo travada há séculos em prol de sua maior participação na sociedade feita pelo comércio e vida masculina. Nunca foi luta inglória e hoje a mulher tem mais direitos, é mais livre, mais participativa, pode ser profissional em qualquer área, conquistou independência financeira e tem oportunidade de livrar-se da submissão. Muitas já tem a chance de passar de mulher-objeto para a posição de mulher-sujeito, consciente de sua importância e com a possibilidade de  ser dona de seu futuro. E quantas já não atingiram posição de mando em Organismos Internacionais, órgãos de Governos e empresas públicas e privadas com muito sucesso?
Todavia, encontra-se sobrecarregada com a rotina do estudo, carreira, emprego, o que se contrapõe a sua missão de procriar, ter filho e casamento, levando-a assumir terceiros e quartos turnos diários, submetendo-a às mesmas doenças do sistema: stress, ansiedade, vazio, esgotamento  e depressão.
Tudo contribuí para colocar uma grande mudança: hoje já vemos que o dueto mais nobre da Humanidade, ou seja,  Homem e Mulher para prosperar está sendo substituído  por Homem versus Mulher para conflitar.
Até o sexo como atração primeira para o casamento e procriação já está apresentando falhas.  Diante de tanto conflito entre homens e mulheres, hoje já há o terreno da afetividade onde o que une é homem com homem e mulher com mulher ao invés do tradicional homem com mulher. E há  sempre a opção de ficar solteiro/a. O fato é que a realidade mudou e o ser humano é vítima dos tempos e da evolução social, esta mais manipulada do que nunca na História da Humanidade. Impera a grosseria, o tosco, a violência em suas múltiplas formas.
O fato é que a evolução social fez tanto do homem quanto da mulher uma vítima da má aplicação do pragmatismo, do racionalismo, do utilitarismo, do individualismo como grande reforço ao egoísmo, gerando, no todo,  a ansiedade insuflada também pelas dificuldades econômicas e incertezas existenciais. É certo que a mulher em certos períodos, diante das fases da vida e de suas alterações hormonais, assume um comportamento diferente, mas a  reação com alterações por ocasião de mudanças corporais, só é agressiva se houver razões antecedentes, oriundas de contrariedades que decorram de um relacionamento já mergulhado no desrespeito, violência mútua ou no mínimo em desacertos até então normais. Evidentemente, a mulher por ser mais sensível e receptiva, é também vítima do ego de forma mais acentuada, podendo tornar-se mais impetuosa e inconsequente em suas escolhas, o que aumenta o potencial de ser contrariada, o que a faz agir e reagir impulsivamente e contra uma visão mais racional.   
Ademais, em termos de dia a dia, o fato é que em casa, em família, os seres vivem e ali há pleno exercício dos efeitos da falta de educação familiar e escolar, da quebra de sonhos e expectativas de boa vida a dois, com ação direta da falta de gerenciamento das finanças, mais ou menos hoje ainda retratada na tradicional dicotomia- “o homem ganha, a mulher gasta”, campo para conflitos diários, turbinado pela falta de carestia e pouco salário. Esta realidade não satisfaz ninguém na essência. Causa contrariedade e um arremedo de felicidade que não passa de falsa e transitória alegria. A insatisfação é grande e envolve a todos.
O desafio para qualquer relacionamento quer na versão tradicional quer no novo modelo, é saber conviver. Seres cada vez mais insensíveis, calculistas, frios, egoístas, materialistas, interesseiros e violentos esforçam-se para tentar a vida em comum em suas versões mais inusitadas de família. Novos padrões de comportamento são adotados, contrastando com antigos modelos, especialmente para mulheres, que se esforçando  para conseguir uma posição respeitável e produtiva no mundo dos negócios, pensam que devem igualar-se ao comportamento masculino, e assim tornam-se rudes, pragmáticas,  cartesianas, insensíveis ao romance, à poesia da vida porque os homens também já perderam esta sensibilidade. Grande maioria age como soldado e sargento numa rota de desacerto, onde graça a desintegração, conflito e desentendimento, resultando em um número absurdo de separações, mães solteiras, crianças abandonadas, divórcios etc. Tudo contribui para maior  solidão, tristeza, ansiedade e depressão, campo para reações violentas decorrentes de comportamentos que sofrem com a contrariedade e o esgotamento. Tudo contra o humano e sua  necessidade básica  de aceitação. Cada vez mais carência e rejeição.
Em país de tamanho continental com tanta variação de realidades e ainda em fase de transição com certa indefinição quanto ao rural ou urbano, antigas mentalidades atingem a mulher de modo bruto e grosseiro. O homem em sua base ainda muito fisiológico e desprovido de evolução intelectual não deixa de lado seu machismo controlador de chefe de família, provedor na mente, mas fracassado no bolso, o que por si só já lhe dá uma frustração enorme ao ter que admitir que a mulher deve trabalhar fora de casa. O modelo tradicional aprendido na casa dos pais não pode ser repetido, também causando problemas grandes de identidade. O fato é que com a mulher participando do mundo do trabalho, ela progrediu, viu novos horizontes e pelo menos oito horas por dia são dedicados a outros interesses. Ela precisa se escolar, seguir carreira, em muitos casos é mais bem sucedida profissional e financeiramente do que o homem. Mulher com cargo, profissão ou salário maior do que o do homem; esta parece ser a tacada final no jogo de poder e submissão. Realidade para muitos homens inadmissível, o que gera competição e muitos conflitos, que se espalham na administração das finanças domésticas e na criação dos filhos. Todavia, realidade sem retorno, pois a mulher, mais dedicada e estudiosa, facilmente vence o homem em qualquer seleção ou concurso.  Ela tem mais disciplina, concentração e possibilidades de vencer.
O homem não se reciclou, não tem critica sobre o que vem acontecendo e responde a tudo com violência física e moral. Muitas vezes, para as mulheres, o inimigo mora dentro de casa. O homem não aceita a modernidade, a mulher mais inteligente e mais capaz, a mulher livre e autodeterminada.
Para muitas cenas do teatro nacional, com milhares de shows e espetáculos tragicômicos da vida nacional, este é o pano de fundo para ilustração e fornecimento de explicações a quem quiser entender as facetas mais importantes do que vem se desenrolando.
E quando então a sociedade é testada profundamente em episódio fatal, o egoísmo é quintuplicado, reforçando o abismo entre as pessoas, não sendo mais o caso de Homem versus Mulher, mas humano contra humano, cada um visto como potencial portador e contaminador. Agora em 2020, quando as pessoas, costumeiramente distanciadas pelas atividades do dia de cada uma,  devem permanecer em casa em confinamento, certamente, o histórico de muitos relacionamentos é agravado. Sem as compensações diárias, homens e mulheres e mesmo qualquer outra variação de relacionamento, a reclusão fará com que muitas realidades venham à tona.  Muitos defrontar-se-ão com sua realidade espiritual, seu vazio interior e sua entrega constante ao ego. A maioria não saberá lidar com elas e o nervosismo, a impaciência, a intolerância farão dias que deixarão a reclusão ainda mais pesada.  Um gigante teste para o ser humano, com devastadores efeitos para a família e variações de relacionamentos hoje em grande tendência.
A crise é fatal, não há como negar a realidade e o tradicional comportamento brasileiro consequente da falta de educação familiar e formal, de ser alienado, ignorante, relaxado, indisciplinado, irresponsável, despreocupado, inconsequente, libertário de beira de praia, debochado, sarcástico e piadista, egoísta e negligente só poderá contribuir para o agravamento de qualquer das diversas realidades existentes durante e depois da crise.   
Se antes o humano tinha medo da ação e reação do Próximo, agora a evolução está levando para a realidade de ter medo da presença do Próximo.  Todavia, depois de tudo passar, a mulher continuará a ter seu valor, talvez ainda maior, porque mais uma vez, certamente foi a mais forte, a mais resistente e a única a poder colocar novas vidas no mundo, eis sua inédita e exclusiva e a mais nobre participação na vida. As demais funções são as do mundo da produção, terreno que vem ganhando a passos largos, como marco de suas conquistas, mas que é transitório para homens e mulheres, porque delimitado ao tempo de exercício da profissão, algo totalmente artificial. Depois ainda resta vida e sempre uma única realidade o de Homem ou de Mulher e o que fizeram com seu relacionamento, o qual só pode ter sucesso com Luz, Amor e Paz, hoje escondidos e dificultados por ilusão e suas múltiplas modalidades de fuga, num mundo agora mais uma vez posto em teste.  
Como Homens e Mulheres sairão da crise, é uma curiosidade que nunca afasta a esperança de dias melhores, embora o pano de fundo deste teatro seja bastante comprometido e esfarrapado. Mas certamente a Mulher é que poderá adiantar-se com maior sensibilidade. 
O que não se pode negar é que todo Homem nasce de uma Mulher. A vida inteira, se estuda, trabalha, ganha dinheiro, acumula bens, tem sucesso profissional, faz família, é porque há uma mulher na sua vida. O Homem ou está indo, vindo, sempre pensando na Mulher.       

Odilon Reinhardt  3.4.2020            

                                  



terça-feira, 3 de março de 2020

A responsabilidade do 4º Poder.


                               


                                     


                                        A  Responsabilidade do 4º Poder. 


Inegável a responsabilidade de quem tem meios diretos de acesso à população, fornecendo informações que levam a formar opiniões e tomar decisão nos mais variados setores da vida. Nada mais sagrado do que a precisão, a verdade e o compromisso em não enganar e manipular, preservando assim o crédito de um dos mais importantes poderes de atuação junto às pessoas. Sem  informação, sem imprensa, não saberíamos nada que acontece no dia a dia da Nação.
Muitos foram os períodos da História e sem a imprensa não teria sido possível que a população de todas as classes sociais pudesse participar do momento da Nação. Por séculos foi a imprensa escrita a única fonte de informações disponível. Momentos de grandes mudanças e avanços começaram com artigos e editoriais de pasquins e jornais de pequena circulação. Houve época em que o jornal escrito teve sua época de ouro e nada e ninguém existia par ao mundo formal, se não saísse no jornal. Houve os grandes momentos das colunas políticas e sociais. Jornalistas ficavam ricos, montavam impérios de influência e poder.  
A liberdade de imprensa sempre implicou a de milhares de empresas que se ocupavam com a informação nos mais variados setores da vida. É assim até hoje. Todas precisam sobrevier como empresas, numa época de mudança tecnológica e com os efeitos agora mais determinantes da falta de Educação formal num país em constante evolução, inclusive rumos à democracia.
Milhares de profissionais se dedicam diariamente a escrever milhares de linhas, mas que simplesmente não são lidas, pois qualquer  leitura aqui virou um hobby de uma invisível e diminuta  minoria, pelo que a imprensa escrita, em papel ou digital, está há décadas no vagaroso séquito para seu progressivo desaparecimento, inclusive da imprensa mais popular, acompanhando a sorte de revistas semanais, pasquins de bairro e jornais de esquina, já distribuídos gratuitamente.  Não se pode desconsiderar o fato de que o país é agrícola, sendo que no campo e suas cidades muitos conhecimentos e informações não são atrativos como na cidade grande, onde parte significativa da população é também originária do interior. Em qualquer lugar do mundo, zonas agrárias não privilegiam a cultura, livros, revistas e o saber, e isto ocorre por inúmeras razões, entra elas a falta de tempo e o pragmatismo da produção. Na cidade, há um mundo mais exigente em conhecimentos sociais e técnicos, mas hoje a população tem uma rotina estressada e pouco tempo para si; o período de descanso é preenchido com a casa, os filhos etc. As informações, que chegam pela TV, rádio ou mesmo pelos jornais sobreviventes, ocupam tempo e acabam aporrinhando ainda mais o saturado cidadão. 
Assim, obrigada a se adaptar aos meios tecnológicos para garantir ou mesmo forçar o acesso à população, a imprensa escrita, mesmo em sites do mundo virtual, vem lutando sempre contra os efeitos do analfabetismo e as consequências da ansiedade gerada na população; o jornalismo socorre-se da TV, seja na modalidade de celular seja de emissoras  tradicionais . E mais, considerando que num país onde tantos milhares tem que dirigir, trabalhar e cuidar de casa ou estar na rua, não podendo olhar o celular ou a TV,  é o  rádio o meio sobrevivente mais tradicional de acesso direto ao povo consumidor. A mídia ajoelha-se piedosamente às garras da oralidade, meio mais coerente com o fisiologismo reinante num pais de analfabetos e forçados tarefeiros.
Na verdade, nas condições atuais das tendências sociais do comportamento das pessoas, a luta diária dos meios de comunicação  é contra o passado, pois a população quer saber do presente, do aqui agora. Qualquer notícia de mais de 30 minutos é passado e não chama mais atenção, principalmente, se a concorrência já está mais adiante e traz notícias mais quentes. Mudar de estação, canal ou site, jogando no lixo, em segundos, todo o investimento financeiro feito e o esforço de uma equipe jornalística, é ato banal e corriqueiro e condiciona, todos os dias, a desesperada luta pela audiência e pela manutenção da empresa jornalística e seus empregos. Desnecessário dizer que muitas vezes o esforço da equipe coloca em risco a própria vida do jornalista, mas o usuário pouco está sensível a isto.
E o passado fica ainda mais rápido, quando consideramos que o celular com câmera fotográfica tornou cada cidadão um jornalista de plantão. A empresa jornalística tem que fixar o olho no mundo digital , nas redes sociais , porque ali a qualquer instante surge uma dica de matéria a ser desenvolvida, mas o furo, a “breaking news”, já foi, já está no ar, por vezes, em milhões de “curtidas” e “ compartilhadas”, e tudo ocorreu porque alguém tinha um celular na mão e captou o momento. Frequentemente só cabe à parte jornalística esclarecer detalhes sobre a matéria passada. Como uma imagem vale por mil palavras, o esforço de detalhamento e explicação fica inútil perante a falta de leitura, cabendo à televisão preparar uma matéria sintética sobre o assunto. As equipes de televisão de algumas emissoras tornaram-se  caçadoras de fatos do dia a dia que possam se antecipar aos usuários. Equipes inteiras ficam nas redes sociais para captar o que está ocorrendo no mundo dos celulares.
Outro aspecto ligado ao celular como ponto jornalístico amador, alimentador de redes sociais, é que os fatos ocorridos vão para as redes  no estado selvagem da realidade, sem qualquer filtro ou uso do antigo poder de controle que a imprensa possuía ao divulgar matérias. Hoje, não é mais possível esconder os fatos para proteger este ou aquele partido, político ou instituição. Mesmo, assim o poder em reunir informações da imprensa é enorme e quase ninguém sabe o que vai numa redação e na filtragem do dia a dia.   
E ainda outra particularidade é que através do celular o cidadão pode chamar para a passeata, provocar reuniões e até a rebelião. Muitas vezes, a imprensa é tomada de surpresa, como ocorreu em 2013 com as passeatas que iniciaram em São Paulo devido ao aumento da tarifa de ônibus e se espalharam pelo Brasil, sem que a imprensa soubesse do que se tratava, até que surgiram as primeiras tentativas de rotular o que estava acontecendo. Isto denota também que a imprensa não controla totalmente mais o andamento da sociedade e suas tendências, ficando mesmo relegada a registrar o passado. E como visto,  a população pouco se importa com o que já passou, com a água que já passou pela ponte, com o leite derramado. 
Desaparecendo a imprensa escrita em papel, diminui o registro dos eventos sociais, diminuindo as fontes de pesquisa do futuro, pelo que o passado ficará no que for registrado no mundo digital, submetido a problemas de arquivamento e a possível desmagnetização.       
E há uma enorme diversificação de assuntos a serem cobertos todo dia. Vários setores da vida são tratados pelos jornalistas especializados, procurando os olhos do leitor. Isto é, ou em algumas cidades era, bem visível no jornal de papel. Turismo, economia, finanças, saúde, crime, esportes etc., cobrem a vida e a realidade de muitas localidades. Como manter fora do papel a cobertura de alguns setores, que por natureza exigem mais detalhamento. Por isso, nos meios digitais, alguns setores simplesmente são deletados, ou ainda mantidos para alguns leitores. No geral, não há leitura alguma de tais conteúdos, mesmo por parte de curiosos leitores como acontecia superficialmente no jornal escrito. Hoje, qualquer assunto com mais de 20 linhas é abandonado. A notícia ou o assunto tem que ser bem resumido no título. Mesmo que a imprensa tenha mudado para os meios tecnológicos mais atuais para garantir acesso à apressada população, a característica moderna mais atuante junto às pessoas é a ansiedade, implicando falta de tempo, paciência e tolerância, e que exige rapidez, precisão, verdade, isenção, poder de síntese. Ler jornal escrito em papel ou nos sites do mundo virtual, para muitos implica ler títulos ligeiramente escolhidos.
No império da oralidade, o consumidor de informações é mais exigente, mais rápido na escolha, pois, a ansiedade resulta de fatores diversos que afetam a população há muito tempo. A falta de esclarecimento e de meios de discernimento criam um cidadão mais bruto, mais intolerante, impaciente, inflexível, propenso a reagir com violência física e/ou moral, enfim mais grosseiro e fisiológico. Falta de leitura como fonte de informação é a ponta do iceberg no dia a dia do passar da vida de uma população pragmática, de poucas palavras, habituada a pouco debate, conservadora e pouco democrática.      
Nesta dinâmica, quanto custa a manutenção de uma corrida diária para acessar, cativar tal população? Quais os custos diretos e indiretos de uma empresa para sobreviver? A liberdade de imprensa implica a de sobrevier no mercado com sucesso diário, para garantir audiência, tiragem e ser considerada pelo marketing e anunciantes.
Certamente, entre os setores cobertos pela imprensa, é a cobertura política a que mais atua e tem efeito imediato junto à população. Uma notícia contra uma autoridade, partido ou político pode marcar sua desgraça com uma sentença ditada numa invisível e bem aberta praça pública, sem direito a qualquer processo.  É este setor que faz com que a imprensa assuma o papel de 1º Poder entre os Poderes da República, pois pode, com palavras, “derrubar” pessoas de qualquer desses Poderes, a qualquer momento, dependendo de sua velocidade em chegar à população e até mesmo no silêncio perturbador de uma imagem, detonar a dignidade, o nome, o prestígio de qualquer pessoa, partido ou instituição. E as notícias políticas são as que mais ocupam espaço e chamam a atenção. Disputam espaço com notícias sobre o trânsito e o crime, mas acabam sempre sobressaindo, porque sempre carregam consigo a barbárie do mundo do Poder.   
Na luta carnívora pela sobrevivência é que algumas empresas ou jornalistas cederam seus pescoços aos dentes vorazes do sensacionalismo e logo renunciaram ao campo mais exigente da coerência da ética, da moral e do bom senso. Num primeiro momento, até tiveram sucesso, mas mesmo perante uma população de precária formação escolar, familiar e técnica, certos aspectos da moralidade, justiça, ordem, verdade e equidade prevalecem e fazem rejeitar quem não os apresentar diariamente.  
Abusar do Poder de Informar seja como 4º seja como 1º Poder, pode ser uma má estratégia para preservar a empresa. Um clique, um toque de controle, uma girada na sintonia e a empresa está fora da casa, do carro, do celular do usuário. A população de todas as classes sociais mudou, não é tão paciente como era em décadas do passado, pois tem o poder de desligar, de não ligar, de se ausentar. Quantos já não são os usuários; que não ligam mais a televisão nesta ou naquela emissora? Usuários cativos, integrantes do ínfimo grupo de cidadãos que costumava ler as notícias logo ao começo da manhã.
É o aspecto político que afasta esta parte da população da imprensa escrita e falada, pois muitas empresas, no desespero de garantir recursos para sua sobrevivência, entregaram parte do  pescoço ao interesse partidário. Muitas vezes fica difícil ponderar entre o interesse de apoio a este ou aquele governo em razão de garantir a rica fonte da publicidade oficial e o interesse de informar com isenção. É comum ver o apoio político incondicional mudar para a crítica voraz conforme aumenta ou diminui a verba oficial. Ora, qualquer um do povo não é tão cego a ponto de não notar tal variação. Isto coloca a empresa em descrédito, pois as contradições fazem picadinho da incoerência, já que as informações começam a se contradizer. Jornal ou TV sem coerência e crédito moral está a caminho de fechar as portas devido à parte política. 
Uma população já esgotada com a rotina para sobreviver chega em casa cansada e toma uma chuveirada diária de más notícias, de notícias políticas tendenciosas, de mentiras e detalhes sensacionalistas da cobertura do trânsito e policial. Quem não cansa disto?  Ademais, face ao tempo limitado da emissora de TV, há notícias sobre notícias, num revezamento excludente. Um dia o foco é uma notícia e sobre ela, a empresa jornalística joga todo seu foco, estressado, pregando o fim dos tempos, o caos, e no outro dia já não há nada sobre aquela notícia. Tal agitação cansa qualquer discernimento. Nenhuma guerra começou, nenhum caos aconteceu, o mundo continuou do mesmo modo.  Se a imprensa escrita está desaparecendo, a imprensa falada está também em vias de ser apagada de modo mais rude pelo próprio usuário em seu refúgio doméstico.  
É a cobertura política tendenciosa e ideológica, longe de qualquer isenção, que prejudica toda a cobertura de todos os demais aspectos da sociedade. Documentários, programas de grande qualidade jornalística não são acessados. Uma parte prejudica o todo. Quando alguém opta por não assistir mais TV, está rejeitando muitos programas sobre ciências, turismo, saúde etc., simplesmente porque está saturado, cansado. A juventude, os novos usuários, o usuário do futuro estão ligados na política, está assistindo à televisão das emissoras?  
É certo que os jornais não fazem a notícia, só a reportam; é o que dizem, quando colocados contra a parede. Mas é certo que o editor, o jornalista tem o poder de escolher as notícias, as fotos, o horário de divulgação, o meio e a intensidade da comunicação. E tal escolha é feita obedecendo a uma linha editorial crivada de  interesses pessoais e da empresa em si quanto aos compromissos contratuais e políticos. Aqui encontramos uma curiosa posição para a imprensa: se mostra demais é sensacionalista, se de menos, é fascista. Só a sensibilidade do momento pode indicar o meio termo.    
Expressão maior desse aspecto aparece diariamente nos telejornais, onde o âncora do jornal, tem o poder supremo de comunicar com a voz, gestos, caras e caretas, dando a ênfase que será recebida pela população quanto à notícia escolhida pela emissora.  Inegável seu papel de comunicador dentro da casa das pessoas. Em plena época da imagem e do som, as sínteses feitas pelo âncora, tem efeito direto na audiência, geram emoções, sensações com as consequentes ações e reações. Não há maior exemplo da oralidade e da superficialidade a que a população está sujeita para formar sua opinião e decidir. O âncora é a TV em si, um “escriba” dos tempos modernos.  
Quando cidadãos esgotados estão rejeitando este trabalho das empresas, é que elas estão falhando e ameaçando a liberdade da própria imprensa. Se não houver um tempero razoável do sensacionalismo e do viés político, o que hoje é uma tendência, será fato. A imprensa não atingirá mais o cidadão. Será desconsiderada. Até lá, continuará a perigosa e maçante realidade de estar aumentando diariamente o pessimismo, a negatividade, a instabilidade pessoal, o medo, o desconforto existencial em seus usuários, fazendo-os insatisfeitos, como se já não bastasse a vida e suas dificuldades financeiras. Tudo isto reforça o egoísmo, o fisiologismo e a alienação social das pessoas, fazendo-as ainda mais grosseiras, avessas ao diverso, à qualquer opinião que não seja coincidente com a sua, o que dificulta a convivência com a pluralidade e a diversidade de opiniões, o que é essencial para a democracia como discussão e eleição de caminhos para qualquer local da Nação.       
A responsabilidade democrática das empresas de comunicação deve garantir sua permanência no mercado para manter a liberdade de imprensa, ou seja, a função de manter a população no direito de receber informações para montar sua consciência, seu esclarecimento, seu poder de decisão como cidadão livre em suas escolhas. Não é nada bom que as pessoas já esclarecidas se habituem a deletar jornais e a TV.
Mas pelo que se nota, o posicionamento da mídia condiciona e ao mesmo tempo recebe as influências de uma população que foi ficando  avessa à leitura, que vai se retirando do interesse coletivo para se individualizar na sua própria rotina, que de tão pressionada e esbugalhada pela ansiedade, não tem tempo, paciência e tolerância para ver qualquer diferença, a diversidade da vida em opiniões;  há falta de vocabulário, espírito crítico, lógica e educação formal o que  dificulta o entendimento do que é divulgado; diante das matérias escolhidas e ao viés ideológico escolhido, a população cria uma aversão às notícias da  política, aos meios democráticos e aos debates promovidos pelas emissoras, o que reforça a alienação e o egoísmo fisiológico das pessoas,  as quais  ficam expostas muito mais a “imprensa amadora” das redes sociais onde “fake-news” turbinam a desconfiança  do usuário e acabam determinando a alienação também quanto às redes sociais etc. Há uma tendência pelo “não-saber”, não tomar conhecimento, ficar de fora para viver melhor.
Do todo , é o modo de divulgação de certas notícias que dá ênfase esquisita, talvez criando bois de piranha, desviando a atenção de fatos outros que não são de interesse da emissora ou a mando de interessados externos. O fato é que o âncora de TV tem sido o contato da mídia com o cidadão, direto em sua sala ou cozinha, criando medo, pânico, falsos sentimentos. “Se o âncora disser que o mundo acabou, alguém certamente vai levantar-se para olhar pela janela o fim do mundo”. Cansado deste jogo, o cidadão reage e desliga a TV, talvez por período de tempo bem longo.
O pessimismo, o caos, o medo diariamente propalados não ajudam em nada, não criam o estímulo para as pessoas irem para a frente, não geram clima para a reação positiva a nível pessoal e só prejudicam a qualidade de vida e a estabilidade pessoal e coletiva. As perguntas são: alguma vez na História o pessimismo, o negativo fez algo de sucesso? A quem aproveita manter a população neste padrão negativo de perdedores e fracassados sem horizonte?  Onde está a responsabilidade dos formadores de opinião nisto tudo? 
O fato é que a falta de audiência ameaça as empresas e todos os mecanismos de informação disponíveis, o que também acaba afastando os anunciantes privados, aumentando a dependência das verbas do Governo, gerando limites à liberdade de informar. Não é de hoje que alguns jornais sobrevivem só com publicidade de empresas do Governo e se tornam verdadeiros diários de atos oficiais e de interesse político.  
Mas seja lá como for, sem imprensa, a mídia em geral, não sabemos de nada e sem saber nada não temos oportunidade de esclarecimento, discernimento e a liberdade de escolha, essencial para a democracia. A imprensa é a única salvaguarda para o cidadão.   
  
Odilon Reinhardt 3.3.2020.      
   
   
   
                   

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Como cereja em pé de jaca.


                                     
                                          
                                                   Como cereja em pé de jaca.



Há na História de qualquer lugar, uma discrepância enorme, quando filosofias estruturais se chocam e jamais combinam, formando idiossincrasias de confusa adaptação. Um carnaval filosófico de loucas figuras do circo do dia a dia .
O racionalismo e o utilitarismo, unidos ao pragmatismo, que alavancaram algumas das nações europeias e suas colônias, aplicados como instrumentos inteligentes, lógicos e inevitáveis para produzir mais, reduzindo custos e desperdícios em qualquer empreendimento lucrativo, quando importados, aparecem nesta etapa de evolução do cenário de muitas pessoas como cereja no pinheiro, como laranja em pé de jaca. Não combinam jamais com a falta de educação de qualidade, com baixos níveis de inteligência, com o despreparo para falar, escrever e pensar, o que embaraça a mente das pessoas de modo determinante. Prevalece o autóctone espírito de rejeição.
A falta de educação formal de qualidade, constada a cada teste estudantil, quer pelos resultados quer pelo número de inscritos, dificulta e turbina bastante a discrepância acima mencionada, favorecendo a continuação do fisiologismo animalesco e um falso pensamento, não só humanista bem como social, voltado à  preservação do “natural” com muita atitude de antiprogresso pessoal e coletivo.
Surge neste contexto, um arremedo de racionalismo, um pragmatismo pobre, vazio, sem crédito, aplicado à vida rotineira de muitas e muitas pessoas, afora um intelectualismo retrógrado e promovido por gente frustrada em seu egoísmo.    
São velhos inimigos. A ignorância e a falta de esclarecimento, enfim a limitação intelectual e sua orientação para um socialismo guarani, sem dinheiro, sem recursos, que se abastece da politicagem e do pensamento miúdo e populista de líderes que visão se manter no poder às custas da conservação de bases eleitorais que querem tornar imutáveis. Esquecem que o povo se move, quer luxo e dinheiro e que a miséria é coisa de intelectual, que tem sua própria vida mental em pedaços de miséria, mergulhado no pessimismo, recanto onde   sempre tem razão.
O racionalismo que aqui se vê é o fisiológico, egoico, uma espécie de pragmatismo do grosseiro, do animal em constante defesa, procurando sobreviver na caça, quase selvagem, pela proteína carnívora disponível. O dia a dia é vasto em dar exemplos da dissintonia filosófica num país ainda em fases primitivas de evolução mental e material.
A cultuada rejeição a qualquer racionalismo produtivo, a qualquer modelo que deseje a forma em detrimento do hedonismo, do umbigo, da farra pessoal, da cultura de preservação da vida simples da tribo, do espírito do “simples”, é explícita e prejudica o progresso e a produção.
Enquanto a prioridade for o conforto pessoal, a megalomania as custas do dinheiro público e da incessante ânsia  por  vantagem , o racionalismo e seus modelos produtivos para o mundo dos negócios vão sempre sofrer a crítica e  revezes enormes, tudo promovido pelo espírito do “simples e natural”, que se alimenta diariamente de falsas premissas intelectuais disseminadas como uma praga pela TV e, imprensa,  que diariamente reproduzem falas e ideias de intelectuais fracassados, todos com seus bicos amarrados em subempregos no mundo cultural e da propaganda tendenciosa.
Há esta cultura do atraso, da dependência econômica e intelectual de que o lucro é pecaminoso; o empreendimento particular é maldoso e de má-fé; o juro é pecado; a ausência do lucro e interesse pessoal é algo elevado, isento, divino, puro; de que a indústria é contra o homem e sua natureza etc. São mentalidades que fazem o país ter o prazer em pisar na lama e no atraso que nos remete aos países monárquicos de 1800, aos teocráticos, burocráticos, onde tudo é controlado e gerido pelo Estado.        
Num país continental, o racionalismo trazido da Europa, mesmo que em resquícios, no sangue de imigrantes de pouco estudo, sempre se chocou frontalmente com a cultura local existente  e o embate persiste até hoje, onde a lógica pode ter vários objetivos hedonistas, mas quase sempre é contra  os negócios honestos e de produção. É como se as forças produtivas fossem algo artificial, que não pertencem ao local. É mesmo um cenário onde a paisagem mostra cereja em pé de jaca, laranja nascendo em pinheiro. Não cola, não pega. Muitos valores, princípios positivos e de produção nunca desceram das caravelas, dos aviões, dos navios porque há um ranço nacional contra o progresso. Aqui o pensamento é preservar a taba e sua cultura. Sem dúvida nunca a terra do “duty first, self second”. Aqui vale “ primeiro eu e meu umbigo , depois o resto”.
As forças contrárias à produção vivem no atraso dos discursos de intelectuais de todas as profissões, vive diariamente no espírito do “ ganhar sem trabalhar” ; no “vou aproveitar”; no “ ganha-ganha” ;  na perpetuação , repita-se, do pensamento “ se não tem fins lucrativos, é bom, é puro, é confiável.  Vive na malandragem, no hedonismo; na megalomania; no culto à preguiça e na aversão ao trabalho como fonte de riqueza e crescimento pessoal; na ideia de que trabalho é sofrimento;  na glorificação do emprego público e seus salários; na crença de que o dinheiro público é a mina a ser explorada; na crença danosa de que dinheiro não traz felicidade; no lema a ser aplicado na função pública “ agora eu vou me fazer “; na ideologia de que o empreendedor é o patrão explorador ; na vitimização dos coitadinhos, estes considerados como eleitores a serem protegidos e preservados até cada eleição. Sobrevive no pessimismo e no negativismo pregados sistematicamente, reforçando a síndrome do” cão vira-lata”; na frase mais danosa “ é mais fácil um camelo passar no buraco da agulha , do que o rico entrar no reino dos céus. E mais, na ideia de que dinheiro é coisa do Mal; na crença de que a pessoa tem que sofrer para merecer no céu; na faltas da ideia de prosperidade, de que um empreendimento bem sucedido ajuda muitas pessoa e o país. Persiste na pior crença, a de que para ter evolução espiritual é necessário livrar-se do material. E mais, nas perguntas “qual é a minha vantagem?” e “ o que eu ganho como isto?”.
Evidentemente, toda esta plêiade de estrelas negras contamina a mídia, o jornalismo cativo, as conversas estudantis, os pseudo intelectuais do barzinho perto da Universidade, os comentários políticos, os textos de colunas em revistas e jornais fazendo analises de visão parcial, compondo no conjunto o pensamento filosófico e sociológico neste quadro da evolução social do país. Falta luz, falta energia, falta horizonte. A questão a se formular é : tem alguém feliz com este pensar negativo e derrotista? Isto ajuda os jovens a acreditar no país? Isto cria ambiente de  negócios e progresso pessoal? As pessoas estão felizes?
A revolução que não será feita de imediato, embora necessária, é a intelectual, que rompa com a “sânsara” onde se aprisionaram os intelectuais e formadores de opinião, com seu comportamento vaidoso, de dono da verdade, de espírito fracassado na luta contra o ego; frustrado na tentativa de achar-se o detentor do poder de achar a solução para o mundo. Ficam remoendo as mesmas ideias para não serem incoerentes e perderam a plateia de copo na mão. É um circulo vicioso que ficou defasado, enquanto o mundo girou, a vida andou; continua pregando o caos, o fim do “sistema”; repete-se na mesmice improdutiva e no ranço da raiva e frustração pessoal.
E a intelectualidade vai diluindo-se neste nível, querendo preservar fórmulas que escravizaram o povo para fins meramente eleitoreiros, querendo congelar a mobilidade das classes sociais e engessar a miséria como massa cativa. Querem preservar o Estado como o grande promotor da vida e o garantidor de empregos suculentos, onde se possa mamar sem nada fazer em eternas sinecuras.  São contra a empresa privada, ignoram o óbvio, as empresas  como geradoras de empregos, salários e impostos. Atacam o consumismo, esquecendo a necessidade de geração de empregos. Atacam o capitalismo, esquecendo que a outra alternativa nunca deu certo em lugar nenhum e sempre afundou todas as economias e regimes que a adotaram. Mas seguem nesta infantilidade, neste sonho idealista fracassado.  
E são pensadores sacados de dentro da população, extratos melhorados do humano disponível, mas autoritários, conservadores, falsos moralistas, inflexíveis, antidemocráticos em suas rodas pessoais, intolerantes, radicais, intransigentes; tomam-se por detentores dos remédios para melhora o mundo, mas nunca a democracia, que para eles é só uma palavra boa de repetir e politicamente correta. Mas o certo é que muitos são capazes de rapidamente abandonar o espírito de revolta e ódio, assim que conseguem um bom emprego e conseguem “ficar numa boa”. Aí acabou toda a “ideologia”.   Mesmo assim são o que temos; são pensadores que de qualquer modo pensam em algo; são melhores do que os milhares que não pensam, os milhares de qualquer classe social que não pensam e vivem num vazio do dia a dia. 
Observe-se como as grandes e pequenas questões, locais e nacionais, são conduzidas. Não há debate razoável, só razões isoladas , fechadas. A solução é conseguida pelo poder pessoal ou partidário. Imposição. Isto ocorre desde o colégio, condomínio, associações, centro acadêmicos, órgãos de classe até o Congresso. Onde está a democracia como processo regular? Votação por maioria não é democracia, é mera parte dela. O cidadão não está habituado a a debater, discutir, trocar ideias. Não sabe nem escutar, muito menos se expressar. A colocação de simples ideia contrária é vista como afronta pessoal no país do tosco e do bruto, onde impera a impaciência, a intolerância, e há total aversão a ser contestado ou contrariado. Ninguém gosta de ser confrontado. Eis o país democrático que temos: autoritário desde a raiz.    
E a vida vai por este caminho, uns torcendo para que tudo dê errado, para que se possa começar do zero, num Estado totalitário, gerador de empregos e onde todo mundo seja igual, e outros torcendo pela empresa como geradora de empregos e estimuladora da vida; a empresa, esta ilha do racional pelo racional, é que mais gera empregos e sustenta as famílias, gera salários e o consumo que gera impostos para o Estado, hoje querendo deixar de ser um grande, guloso e incompetente Leviatã, o qual agiu sempre contra quem o sustenta , virando o cocho onde se alimenta.
São mais de 100 anos de luta para afirmar o racionalismo produtivo, mas a reação é feroz, na medida em que o racionalismo e o pragmatismo fisiológicos, reagem contra o progresso; não querem  mudar, mas querem  o resultado rápido, o luxo, o poder de consumo sem contribuir para tal.
Talvez, isto, curiosamente, contribua para que um dia se diga “nosso povo pode a qualquer momento , voltar para suas tendas no deserto”, frase dita por Kadafi , para mostrar o seu total desprezo pelo progresso. 
Se continuarmos a resistir ao progresso, estaremos sempre sob a maldição de Nelson Rodrigues de “o Brasil conhecerá a selvageria antes da civilização”. E a questão “pergunte no que seu país precisa de você?“ demorará a substituir a de hoje  “o que o Governo  pode fazer por mim?” É o paternalismo, a filosofia do rebanho a ser tutelado e protegido; a filosofia dada a um país de ovelhas, rodeado de conventos, todos vivendo na penumbra dos tempos,  à espera do fim do mundo. Milhares de metáforas mal interpretadas num país de analfabetos, tendo o país sido atrasado em pelo menos 400 anos, mas que é mantido como símbolo e ícone para os que fazem a opção de seguir pensamentos contra o progresso, manter seus privilégios com seus  pensamentos atrasados para comer e encher as burras à custa de milhares de famigerados.
Com crenças e ideologias negativistas, instalou-se uma cultura de resistência ao progresso, que vive da conservação de interesses pessoais acima dos institucionais. Seguindo tal diretiva intelectual, privilegia-se o fisiologismo, o ego, o animalesco em sua versão tropical hedonista. E assim, enquanto a evolução intelectual do país for conduzida por crenças contra o progresso, a prosperidade e a riqueza, o racionalismo produtivo será aqui um elemento tão estranho quanto uma cereja em pé de jaca.

Odilon Reinhardt. 3.2.2020                              

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Observar e questionar no dia a dia de todo dia.


                                     




                                                 Observar e questionar no
                                                  no dia a dia de todo dia.


E sempre há o outro dia na história,
para olhar o show humano,
seu teatro, sua trajetória.

O movimento dos seres,
cada um com sua rotina no mundo do fazer,
com seus sonhos, seus afazeres.

O entrelaçamento e chance de interesses,
os conflitos ,os acordos , desejos e paixões,
os erros e acertos do ego das gentes.

É assim o dia,
cheio de surpresas , cheio de vida  e fascínio,
pleno de ilusões , decepções e magia.

Ter a curiosidade
de aprender com isto tudo
expressa superioridade.

É preciso muita observação,
 análise, crítica
a até certa isenção.

Embora consigamos tal posição,
estamos também no meio de tudo,
somos parte de cada ação.

Por vezes somos no dia,
o centro do evento, da situação
e, envolvidos, temos que usar sabedoria.

Admitir que deixamos de ganhar ou perdemos,
que não dá para alterar,
aceitar o que recebemos.

Notícias, coisas que dão errado,
derrotas e vitórias,
verdades e descobertas do aprendizado.

É assim a vida ,
todo dia um interessante evento,
o grande circo em roda viva.

Impossível exigir perfeição,
o humano está na experiência,
seu comportamento é de ação e reação.

O mundo é feito do imperfeito,
da tentativa de acertar,
do sucesso do que ainda possa ser feito.

Há vários shows simultâneos e diversos,
pessoas que conhecemos ou não, em seus roteiros,
com passos certos ou reversos.

O humano com suas paixões,
desejos, dores, anseios,
amores, ilusões, mentiras, verdades e ambições. 

No conjunto tudo parece muito tresloucado,
mas há sempre uma orquestração,
um objetivo ,um começo , meio e fim a ser alcançado.

E ao final de cada dia,
sempre há de toda esta fantasia
um avanço, um ticket para o outro dia.

É o admirável mundo humano,
com tudo que nele há,
e com muitos enganos e atrasado desengano.

E assim prosseguem os dias da existência,
um após o outro,
até que não haja mais dia para nós sequência.

É este o nosso mundo de hoje,
o mundo do dia a dia
que observo com a segurança que às vezes me foge.

Tenho que ir pelo caminho de cada dia
procurando um  meio de sobreviver à solidão humana
e ser feliz para além da comum alegria. 

Assim vou como muita gente procurando
os amanhãs com os quais sonhei
e vou colocando na alma tudo e todos que observei.

E há sempre muito para questionar nesta criação comum,
enquanto desenvolve-se a tragicomédia dos seres
no viver, conviver e sobreviver na dimensão de cada um.   

Em 2020 abre-se uma nova década ,
observar e questionar é o que posso fazer
esperando melhora a cada semana observada.

Odilon Reinhardt. 3.1.2020